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Pacto pelo Brasil e pela Vida conclama “a união nacional em defesa da vida e da democracia no Brasil”

“Meio milhão de vidas perdidas”, são as palavras que abrem a carta (LEIA AQUI) das seis entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil, dentre elas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nela são denunciadas abertamente atitudes do Presidente da República e do governo que tem contribuído para chegar nesta situação. As entidades vêm denunciando desde sete de abril de 2020, Dia Mundial da Saúde, os sinais que “indicavam se tratar de um vírus de alta transmissão, com impactos graves sobre o organismo humano”. Diante disso pediam “medidas firmes, guiadas pela ciência, para conter o seu alastramento”, uma atitude não seguida pelo governo brasileiro, empenhado em “manifestações contrárias às medidas recomendadas por organismos sanitários, no cuidado e na promoção da vida humana”, o que causa “estranheza, e também indignação”. A carta denuncia abertamente o Presidente da República, e seu empenho na “promoção de aglomerações com objetivos ideológico-políticos, estimulando comportamentos sociais com risco epidemiológico”, definindo essas atitudes como “um atentado contra a vida e contra os valores democráticos”. Junto com isso, também são denunciadas as “manifestações de autoridades promovendo o uso de medicação sem eficácia no combate ao vírus, o descrédito propagado em torno da ciência, a omissão em relação às vacinas, a multiplicação de fake news, a desorientação sanitária e a falta de coordenação nacional no enfrentamento da pandemia cooperaram para que o número de doentes e mortos alcançasse níveis exorbitantes”. As entidades insistem na pertinência e indispensabilidade da CPI instalada no Senado Federal, que ajude a demostrar que “negacionismo mata”. Junto com isso, a carta quer desmascarar “a falsa oposição entre salvar vidas e salvar a economia, que ainda alimenta o discurso oficial”, mostrando o sofrimento da população com a falta de vacinas, a falta de trabalho e de perspectivas. Diante da cada vez maior concentração de renda, exigem o necessário auxílio emergencial, que ajude, pois, “a fome se instala em milhões de lares”. O Brasil vê a falta de respeito às instituições da parte de “alguns setores da sociedade e parcela dos governantes”, denuncia a carta, assim como “o vazio de políticas públicas, ao lado das políticas da desconstrução, não só no âmbito da saúde, mas em educação, cultura, meio ambiente, moradia, emprego, geração de renda, apoio à ciência e inovação, revela a sociedade que se sente confusa, abandonada e adoecida”. Por tudo isso, os signatários do Pacto pelo Brasil e pela Vida, expressam solidariedade e uma palavra de conforto, conclamando “a união nacional em defesa da vida e da democracia no Brasil”, elementos que cada vez tem mais inimigos no Brasil. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1  

Núcleo de Reflexões Pluriétnicas do Seminário São José de Manaus: “Construir a nossa integralidade formativa tendo em conta a nossa cultura”

O Sínodo para a Amazônia abriu novos caminhos na Igreja da Amazônia, também no campo da formação sacerdotal. O Documento Final faz um chamado a fazer realidade uma formação inculturada, “para oferecer aos futuros presbíteros das Igrejas da Amazônia uma formação de rosto amazônico, inserida e adaptada à realidade, contextualizada e capaz de responder aos numerosos desafios pastorais e missionários”. Aos poucos, estão sendo dados passos nesse sentido, com iniciativas de formação “que responda aos desafios das Igrejas locais e a realidade amazônica”. No Seminário São José de Manaus, que acolhe os seminaristas das 9 dioceses e prelazias do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) uma quarta parte dos seminaristas são indígenas, de 9 povos diferentes. Os seminaristas indígenas, junto com outros seminaristas não indígenas, têm formado o Núcleo de Reflexões Pluriétnicas, nascido no dia 19 de abril de 2021, dia em que é comemorado o Dia dos Povos Indígenas. Segundo os seminaristas, o objetivo é “valorizar as culturas indígenas dentro da cultura da Igreja e do Seminário”, tendo como fundamento a Querida Amazônia, no propósito de “sonhar junto com o Papa Francisco”. Para refletir sobre a realidade indígena o grupo se reunia neste sábado, 19 de junho, com a presença do arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, o reitor do Seminário São José, padre Zenildo Lima, e o padre Roberto Valicourt, da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de Manaus. Segundo Eliomar Sarmento, do povo Tukano, o grupo pretende “construir a nossa integralidade formativa tendo em conta a nossa cultura”. Segundo o seminarista da diocese de São Gabriel da Cachoeira, “cada cultura tem sua cosmovisão, e isso enriquece”, insistindo em que pretendem desenvolver “uma vivência e não só uma reflexão teórica que não se encarna”. Dentro do processo formativo do Seminário São José, como mergulhar no Evangelho sem deixar de lado as culturas milenares? A partir dessa pergunta surgem três eixos: memória, identidade e projeto. A memória é a origem da vida, algo que está presente na cultura bíblica e nas culturas indígenas. Isso deve levar a transformar a teologia a partir do conhecimento memorial, sendo necessário uma ligação entre o mundo indígena e não indígena. Para os indígenas é o passado que sustenta o presente, sem passado o individuo não tem presente. Isso se traduz numa visão da vida e numa educação circular, não linear. Durante muito tempo, na Igreja ninguém entendeu o comportamento do indígena, o que mostra a importância desta iniciativa. Não podemos esquecer que no universo indígena tudo tem a ver com a espiritualidade cósmica e religiosa. O encontro foi momento para partilhar elementos que fazem parte da cultura e da vida de diferentes povos: macuxi, tikuna, maraguá, kokama, tukano. Foi explicitado o significado da terra e da água, como elementos que governam a vida e dão continuidade, que fazem presentes os antepassados, que dialogam com seu povo através da natureza. Na cultura macuxi, a terra representa a vida do povo e está ligada ao céu, o que os leva a descobrir Deus como força. Na cultura indígena são importantes as festas rituais, os materiais espirituais, as danças rituais, as bebidas cerimoniais, elementos que não podem acabar, pois constituem a identidade dos povos, são um valor precioso para cada indígena, que mostram a interligação presente nas diferentes cosmovisões de cada povo. Tudo isso sem esquecer as dificuldades que muitos indígenas, diante da falta de compreensão, encontram quando eles saem do ambiente da própria cultura. Isso acontece em Manaus, onde muitos indígenas que vivem na cidade, eles têm vergonha de dizer que são indígenas, segundo o padre Roberto Valicourt. Segundo ele se faz necessário um resgate da cultura entre os indígenas que vivem na cidade, onde muitos jovens não falam mais a língua materna. Dom Leonardo animava os seminaristas indígenas a recolher as riquezas identitárias, como modo de fazer memória. Segundo o arcebispo de Manaus, é importante “perceber que existem elementos de fundo, pensamentos originários que se juntam”. Nesse sentido, ele destacava que entre os povos originários se desenvolve uma visão desde a totalidade, e não desde o sujeito-objeto, próprio da cultura ocidental. De um lado nos deparamos com um pensamento circular, relacional, enquanto do outro temos um pensamento informativo, segundo o arcebispo. Isso nos mostra a necessidade das culturas ancestrais, afirmava Dom Leonardo Steiner, que agradecia aos seminaristas pelo momento de encontro e reflexão, que ele considerou muito rico. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Conselho Permanente da CNBB denuncia “os graves retrocessos na pauta agrária e socioambiental”

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido de modo virtual nos dias 16 e 17 de junho, tem enviado uma Carta ao Congresso Brasileiro (leia aqui), onde denuncia os graves retrocessos na pauta agrária e socioambiental. Após citar Querida Amazônia, onde o Papa Francisco denuncia “algumas empresas sedentas de lucro fácil”, dizem enviar a carta “com a intenção de apresentar a nossa reflexão e solicitação”, reiterando “o clamor pelos direitos das comunidades e da natureza”. O Conselho Permanente da CNBB faz referência à Carta dos Bispos da Amazônia enviada recentemente ao presidente do Congresso. A preocupação do episcopado brasileiro é com os riscos e a impossibilidade de “uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira” neste tempo da pandemia da Covid-19. Os bispos advertem que “trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada”, diante do qual se faz necessário um debate.   A carta apresenta algumas considerações a ter em conta, mostrando a falta de possibilidade de sua necessária ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira, relatando situações presentes na sociedade brasileira, como a grilagem e outras práticas que flexibilizam as leis em favor dos poderosos, tendo como consequência o aumento do desmatamento, especialmente na Amazônia, e de conflitos fundiários, o que favorece pessoas com maiores recursos financeiros em detrimento dos mais vulneráveis. Diante disso, “a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, conscientes de nossa missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, respeitosamente, reivindicamos encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis”. Junto com isso pedem que “se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Cardeal Tagle: “É irónico que, para proteger a própria vida, se tenha de aceitar ser tratado como um objeto a ser vendido e utilizado”

Em comemoração do Dia do Refugiado, que será celebrado no próximo dia 20 de junho, e no contexto da Campanha Continental contra o Tráfico de Pessoas, o Celam, a Rede CLAMOR e a Caritas América Latina e Caribe, com o apoio da Caritas Brasileira, organizaram esta sexta-feira, 18 de junho, um Seminário Continental de Incidência contra o Tráfico de Pessoas. O evento virtual faz parte de uma série de atividades que procuram enfatizar o tema da incidência, uma dinâmica que está sendo promovida ao longo deste ano com a Campanha “A vida não é uma mercadoria, são pessoas“. O objetivo era gerar uma reflexão sobre o tráfico de pessoas a partir da realidade global e latino-americana, procurando ser um espaço de diálogo na região para os próximos meses, a fim de definir uma agenda comum que se adapte e reflita o trabalho que tem sido feito. O presidente da Rede Clamor, Dom Juan Carlos Rodriguez Vega, dirigiu-se aos participantes do Seminário afirmando que “a Igreja tem a missão de evangelizar, e viver a caridade é uma forma concreta de pregar o Evangelho com caridade, pregando-o com obras, mais do que com palavras”. Para o arcebispo de Yucatán (México), “se queremos ir mais longe na caridade, temos de procurar influência política, de influenciar, de procurar maneiras de fazer mudanças políticas para que muitos irmãos refugiados possam se beneficiar”. A partir da ideia de que “a política é a forma mais elevada de caridade“, apelou a procurar essa política, “o verdadeiro bem comum, que atinge todas as pessoas, incluindo os nossos irmãos refugiados”. John Aloysius destacou o trabalho da linha da frente da Rede CLAMOR para “proteger, acolher, promover a dignidade dos migrantes, deslocados e vítimas de tráfico humano e facilitar a sua integração”. Para o Secretário-Geral da Cáritas Internacional, no campo da incidência em tempos de Covid-19, o desafio é “como dar a conhecer o sofrimento e as vozes dos migrantes, como acompanhá-los com dignidade neste período de pandemia, e, finalmente, como parar o tráfico de seres humanos, promovendo ações alternativas que ajudem os potenciais migrantes a permanecer no país e a encontrar uma forma de viver com dignidade através de atividades económicas”. O Cardeal Tagle começou a sua participação no seminário agradecendo o fato de ter sido organizado, o que ele vê como “um sinal de que a Cáritas continua empenhada em acompanhar as pessoas que se deslocam em todo o mundo”. O presidente da Cáritas Internacional recordou a campanha “Share the Journey”, lançada há quatro anos com “a esperança de construir pontes entre ilhas que foram separadas umas das outras pelo medo“. Nas suas palavras, recordou o desafio proposto pela campanha, “não apenas para ver os migrantes, mas para os olhar com compaixão, não apenas para ouvir a sua voz, mas para ouvir as suas histórias e preocupações, não apenas para passar do outro lado, mas para parar, como o Bom Samaritano, e viver um momento de comunhão, de solidariedade, com eles”. Por esta razão, afirmou que a campanha “Share the Journey” ajudou a Cáritas “a chegar aos migrantes, a abraçar a sua pobreza e sofrimento, a elevá-los, com a convicção de que não são números, são pessoas, com nomes, com dignidade, com história e com sonhos. E ver Jesus Cristo neles, como uma criança que se torna um refugiado no Egito com os seus pais”. Foi uma campanha, segundo o Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, com a qual “a Cáritas ajudou a desenvolver e difundir uma nova cultura a nível global, uma cultura vital de encontro pessoal, uma nova visão de acolhimento da pessoa humana no migrante”. O cardeal filipino recordou a sua visita ao campo de refugiados de Edumene, na Grécia, como “uma experiência que permanecerá comigo durante muito tempo”, algo que também viveu no Líbano, na Jordânia, no Bangladesh. Nesses momentos, estava feliz com a atenção que recebiam como seres humanos, mas entristecia-se ao pensar se isto seria para eles um estado de vida permanente ou temporário. Em migrantes e refugiados, o Cardeal Tagle disse ter visto as suas próprias raízes, recordando que o seu avô nasceu na China, uma terra que foi obrigado a deixar quando era jovem. Voltando à campanha “Share the Journey”, definiu-a como “um grande momento de encontro, solidariedade e, sobretudo, uma expressão do amor da Igreja pelas pessoas que migram, cristãos, muçulmanos, hindus, seguidores de outras religiões e pessoas sem religião, foram recebidos como pessoas humanas”. Migrantes e refugiados tornam-se “vítimas de uma empresa chamada tráfico de seres humanos“, que, nas palavras do cardeal, “esta empresa tem muitos voluntários e trabalhadores, à espera de migrantes em cada rua, em cada esquina, em cada margem”. Segundo o presidente da Cáritas Internacional, “é irónico que, para proteger a própria vida, se tenha de aceitar ser tratado como um objeto a ser vendido e utilizado“. Isto é algo que “revela uma mentalidade e uma economia defeituosas em que os seres humanos se tornam objetos, enquanto o dinheiro se torna objeto de amor”. Por esta razão, o cardeal filipino sublinhou a importância de um trabalho que visa “evitar que as pessoas em movimento se tornem vítimas do tráfico de seres humanos, prostituição e escravatura”. Num momento marcado pela Covid-19, que “nos deveria conduzir a uma solidariedade global”, e com atitudes xenófobas por parte de muitos países, salientou a importância de “continuar partilhando o caminho com os migrantes”. O Papa Francisco foi colocado pelo cardeal como “uma fonte de inspiração para esta campanha“, insistindo na sua companhia e encorajamento para “defender, acolher, acompanhar e integrar os migrantes”. O presidente da Cáritas Internacional propôs quatro tarefas à Cáritas América Latina e à Rede CLAMOR: “Estudar e abordar as causas da migração forçada de pessoas na sua região”, insistindo que “os cidadãos têm o direito de permanecer no seu país de origem”, o que exige a intervenção da comunidade internacional. Em segundo lugar, “verificar se os migrantes forçados ou refugiados são também vítimas de tráfico humano, prostituição e escravatura”, recordando que este se tornou um…
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Cardeal Hummes recebe o título de Doutor Honoris Causa por “Uma vida dada aos esquecidos do mundo”

A Universidade Nacional de Rosário (Argentina), concedeu esta quinta-feira, 17 de junho, o título de Doutor Honoris Causa ao Cardeal brasileiro Cláudio Hummes, presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). A razão desta distinção reside nas suas “meritórias contribuições para a sociedade e para a defesa dos direitos humanos“, de acordo com Dario Maiorana, o patrocinador do candidato a doutorado. Nas suas palavras, o antigo reitor da universidade destacou alguns elementos presentes na vida do cardeal, tais como a defesa da casa comum, “um slogan para todos os homens e mulheres de boa vontade”. Juntamente com isto, reconheceu o seu papel notável na defesa dos trabalhadores durante a ditadura brasileira. Assim como o seu envolvimento em questões climáticas, o que o tornou um dos grandes defensores da Amazônia e dos seus povos. O reconhecimento do Cardeal Hummes como Doutor Honoris Causa foi uma proposta do Instituto para o Diálogo Global e a Cultura do Encontro. Na Laudatio da investidura, o seu diretor, reconhecendo as muitas razões para isso, destacou no Cardeal o fato de ser “um líder esperançoso que partilha a alegria do espírito num sentido fraterno”, e juntamente com isto, ser “um professor que nos ensina o caminho encorajando-nos a uma compreensão plena dos desafios que nos esperam”. Além disso, “o irmão que consola e alcança”, e “o Pastor que alegremente guia a comunidade num sentido de fraternidade, diálogo e transcendência, fora da zona de conforto, entendendo o futuro como um desafio”. Ao fazer um breve relato da vida do homenageado, Luis Liberman sublinhou “o seu compromisso com os pobres é o horizonte da sua ação pastoral”. Insistiu também que “a sua vocação pedagógica traça a sua identidade como construtor de caminhos de esperança”, relatando diferentes fatos que atestam esta afirmação, um deles o seu envolvimento na Cátedra do Diálogo e da Cultura do Encontro, onde manifestou a sua vocação para “semear e semear, para conhecer, para partilhar”. O mesmo na necessidade de “criar uma Universidade Católica Amazónica intercultural, localizada no território, que atenda tanto à renovação na formação da Igreja como às necessidades de desenvolvimento e crescimento da comunidade”. No novo Doutor Honoris Causa, Liberman sublinha que “o seu compromisso social e pastoral foi sempre com os mais fracos em testemunho, pregação e ação”, colaborando no que ele chama “a compreensão dos processos de mudança na Igreja latino-americana nos últimos 50 anos”. É alguém que está empenhado na sinodalidade, que Luis Liberman define como “o instrumento necessário para compreender que o nosso caminho está na periferia geográfica e existencial. Questionar a cultura do descarte e a globalização da indiferença. Criar uma pedagogia do cuidado baseada na ecologia integral que, juntamente com a boa política, nos permita projetar uma cultura de encontro”. É uma história de vida que, nos últimos anos, tem estado ligada a novas experiências eclesiais, tais como a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), cuja criação liderou e que presidiu durante seis anos, o Sínodo para a Amazônia, do qual foi relator geral, e a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), que “é um organismo episcopal que visa promover a sinodalidade entre as igrejas da região e continuar a tarefa de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora, especialmente incorporando a proposta da ecologia integral”, segundo Liberman. Ele insistiu que o homenageado “tornou-se uma figura de grande importância global pelo seu trabalho na defesa dos direitos humanos e do ambiente”. A cerimónia contou com a presença de alguém que disse dever muito ao Cardeal Hummes, o Papa Francisco, pelo “exemplo que me deu durante a sua vida“. Com uma mensagem de autografada, que o homenageado disse não merecer, o Papa Francisco disse estar “feliz com esta decisão porque se trata de agradecer a Deus e à vida por nos terem dado estes companheiros de caminho, estes líderes que têm a coragem de abrir trilhas, caminhos e de provocar sonhos; a coragem de continuar sempre olhando o horizonte sobre os problemas e dificuldades do caminho”. Para o Santo Padre, o Cardeal Hummes é “um homem de esperança e um semeador de esperança“. Alguém que no momento em que foi eleito Papa disse-lhe duas frases que ficaram marcadas nos seus pensamentos e na história da Igreja, e que ele recordou na sua mensagem: “é assim que o Espírito Santo age“, e juntamente com isso “não se esqueçam dos pobres“. O Cardeal Pedro Barreto também participou no ato académico, realizado virtualmente, e mostrou a sua profunda alegria pelo reconhecimento do Cardeal Hummes, alguém que tem sido um companheiro no caminho e nos sonhos desde setembro de 2014, quando a REPAM foi criada, na qual foram presidente e vice-presidente. Nas suas palavras, o cardeal peruano insistiu no papel do Cardeal Hummes como “um líder de esperança que, agora aposentado, se dedicou a servir a Amazônia”. Daí a importância dos passos dados neste tempo, com a celebração do Sínodo e a criação da Conferência Eclesial da Amazônia, que, nas palavras de Pedro Barreto, “o Cardeal Hummes preside, encorajando a esperança para a Amazônia e para a Igreja“. O reitor da universidade anfitriã definiu o evento como “o mais importante da vida académica de uma universidade”, enfatizando a “alegria de ter uma personalidade tão simples e enorme entre o corpo docente”. Franco Bartolazzi disse que foi um título atribuído por unanimidade e com força, reconhecendo no Cardeal Hummes, um espelho no qual escolhem olhar para si próprios, olhando para os princípios e valores que impulsionam o seu compromisso. Por esta razão, afirmou que “neste ato estamos pondo em evidência a universidade que queremos ser“. O Reitor da Universidade Nacional de Rosário, falando do testemunho da vida do homenageado, definiu-o como “um apelo de Deus que se torna uma vida dada aos mais fracos, aos trabalhadores, aos povos originarios, àqueles que o mundo deixa de lado, marginaliza”, insistindo na necessidade de “reconhecer a sua vida dada aos esquecidos do mundo“. Bortolazzi agradeceu ao Cardeal Hummes pelo seu testemunho de vida, pelo seu empenho no cuidado da nossa casa comum, pela sua mensagem de alegria e…
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Alegria do Papa Francisco pelo Doutorado Honoris Causa do Cardeal Hummes: “um semeador de esperança”

Com uma mensagem manuscrita, da qual o homenageado diz não ser merecedor, o Papa Francisco quis estar presente na atribuição do Doutorado Honoris Causa da Universidade de Rosário (Argentina) ao Cardeal Cláudio Hummes, presidente da Conferência Eclesial da Amazónia – CEAMA. O Santo Padre diz estar “feliz com esta decisão porque se trata de dar graças a Deus e à vida por nos ter dado estes companheiros de caminho, estes líderes que têm a coragem de abrir trilhas, caminhos e de provocar sonhos; a coragem de continuar sempre olhando o horizonte sobre os problemas e dificuldades do caminho”. O Papa define Dom Cláudio, um dos cardeais mais próximos do atual pontífice, que o encarregou de ser o relator geral do Sínodo para a Amazónia, como “um homem de esperança e semeador de esperança porque está convencido de que ‘a esperança não desilude’”. Na sua mensagem, o Papa Francisco mostra a sua gratidão ao Cardeal brasileiro, a quem diz dever tanto, pelo “exemplo que me deu durante a sua vida“, recordando duas frases que ficaram na história, pronunciadas pouco depois de ter sido eleito Papa, quando lhe disse, “é assim que o Espírito Santo age“, e juntamente com isso “não se esqueça dos pobres“. Um Papa que é sempre amigo dos seus amigos, mostra mais uma vez a importância de momentos como o vivido na Universidade Nacional de Rosário, uma universidade pública na Argentina, onde é reconhecido o testemunho de alguém que construiu pontes entre diferentes formas de pensar e de tomar uma posição face aos problemas do mundo de hoje. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Refletir diante de números que deixaram de interessar

Nos próximos dias, o Brasil vai ultrapassar os 500 mil óbitos em decorrência da pandemia da Covid-19, uma marca que deve nos levar a parar e pensar. Mas será que o povo brasileiro sente necessidade de refletir diante desse fato lamentável? Será que os números interessam ou o povo já se acostumou com uma realidade que se tornou corriqueira? Se realmente for assim, a gente deve refletir, pessoalmente e como sociedade, e nos perguntarmos qual é o nosso grau de humanidade. A insensibilidade diante da morte é uma prova de que a gente perdeu aquilo que nos torna humanos. Aos poucos nossos corações vão se endurecendo e perdendo a empatia, uma atitude da qual a gente não pode abrir mão na medida em que a gente se diz gente. Todos nós conhecemos muitas pessoas que partiram, vítimas desta pandemia que tanta dor e sofrimento tem provocado na vida da humanidade. O luto se fez presente em muitas famílias, que viram como seus entes queridos, inclusive vários da mesma família, partiam de modo prematuro. São perdas diante das quais somos chamados a ser sinal de esperança e de consolo. A Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quer que este momento possa servir como oportunidade para rezar, homenagear e se mobilizar, fazendo memória de tantos brasileiros e brasileiras que partiram. Não se trata de números, são pessoas concretas, com quem a gente partilhou momentos importantes da nossa vida. Sim, momentos da vida, pois toda vida importa. Quando a gente fica impassível diante dos fatos, se torna difícil mudar a realidade. Uma transformação social que possa ajudar a construir um Brasil melhor para todos e todas, onde a defesa da vida seja colocada em primeiro lugar, se torna mais do que urgente. Cobrar políticas públicas que ajudem a estancar uma sangria e um sofrimento cada vez maiores é algo que não pode mais ser adiado. Diante do empenho que muitos têm em querer mostrar grandes números de apoiadores e seguidores, de gente que se deixa guiar por líderes autoproclamados salvadores da pátria, estamos ante fatos concretos que não deveriam ser negados, mesmo que alguns, cegados por quem nunca se importou com a morte, mostrem menosprezo. Se 500 mil mortos não mexem com a gente, se fazemos de conta que tudo está ok, se nos justificamos dizendo que isso não tem a ver com a gente, se deixamos de lado nossa necessária solidariedade, nos tornaremos cumplices de uma sociedade que ignora o sofrimento alheio. Ou a gente para, pensa e busca soluções concretas, também a longo prazo, ou estaremos condenados para sempre a viver como seres irracionais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1- Editorial Rádio Rio Mar

Retiro Inaciano em território Tikuna

Na Amazônia, as fronteiras é um elemento próprio de quem chegou de fora, mas que não é assumido pelos povos originários. Uma das propostas do Sínodo para a Amazônia é que as Igrejas de fronteira possam dar passos para uma caminhada em comum. Na Tríplice fronteira entre o Brasil, o Peru e a Colômbia, as igrejas da diocese de Alto Solimões e os Vicariatos de São José do Amazonas e Letícia, vão dando passos nesse sentido, acompanhando a vida das comunidades dos dois lados dos rios, que nunca foram vistos como algo que separa e sim como águas que unem. Nessa região o povo predominante são os tikuna, espalhados secularmente num território que hoje faz parte de três países. A Igreja vem fazendo um trabalho de inculturação com esses povos, tentando anunciar o Evangelho em categorias que fazem parte da cultura e cosmovisões assumidas tradicionalmente. Nessa tentativa, o irmão Rodrigo Castells, realizava recentemente um retiro inaciano juntamente com 22 jovens e adultos, na sua maioria do povo tikuna, agentes pastorais da Paróquia da Sagrada Família de Nazaré e habitantes de várias reservas indígenas. O jesuíta, que mora em Letícia (Colômbia), faz parte do Serviço Jesuíta Pan-Amazônico (SJPAM). Sua proposta, segundo ele relata, pretendia ser mais uma experiência que ajude a descobrir “Cristo, com um rosto amazónico”. Ao longo de três dias, foi partilhando a espiritualidade inaciana com um grupo “muito variado e numeroso”. Segundo ele, “muitos jovens participaram. Havia também um sábio avô e catequista, homens e mulheres adultos que colaboram na paróquia e, surpreendentemente, uma mãe e a sua filha também chegaram”. Para muitos era algo novo, “eles estavam muito incertos sobre a proposta: o que seria um ‘Retiro Inaciano, Retiro de Silêncio ou Exercícios Espirituais’?”, relata o jesuíta. “Apenas alguns jovens tinham feito um retiro um par de vezes. O desejo de rezar era grande. Muitos quiseram participar. Sentiram que encontrar Jesus era dar a si próprios um tempo para assentar ou aliviar a carga e encontrar um sentido para o que estava para vir”. De fato, não teve espaço para acolher todos os que queriam participar, o que será resolvido com propostas similares mais adiante. Mas nessas situações tão presentes na Amazônia, aconteceram fatos que segundo o irmão Rodrigo mostram que “Deus manda, nós acolhemos e seguimos a sua voz”. Ele mesmo conta que “enquanto os barcos saíam das comunidades com os participantes em direção ao local do retiro, chegaram as informações: ‘Irmão, tínhamos 4 lugares, mas vamos a 8, os rapazes queriam ir e entraram no barco, não havia maneira de lhes dizer que não. Não havia maneira de lhes dizer que não. Eles querem, precisam de rezar’. De outra comunidade: ‘Irmão, 5 pessoas iam, mas havia 10 no barco, veja o que pode fazer’”. Diante dessa realidade, o jesuíta não duvida em afirmar que “tivemos de tomar conta do caos que Deus e os seus filhos nos trouxeram. Era tão belo e profundo, tão rico e abundante! Penso que Jesus e Santo Inácio estavam a regozijar-se com a situação”. “O coração religioso dos amazónicos, e especialmente o Tikuna, procura e deseja o encontro com Jesus, ‘O Abundante’ (pode-se muito bem chamá-lo assim nestes lugares)”, afirma o religioso. Diante disso pede a Deus que “nos conceda que podemos sustentar este e outros espaços de encontro”. Ele insiste em que “para nós jesuítas, a espiritualidade inaciana é o nosso principal tesouro. É o eixo, a base, da nossa PAU (Prioridades Apostólicas Universais). Os Exercícios Espirituais são um presente para a Igreja em cada tempo, cultura e lugar. Sonhamos em fazer com eles uma viagem eclesial de encontro com Jesus, a fim de construir a vida sobre a rocha”. Por isso, ele conclui pedindo que “do encontro com o ‘Abundante’, possa emergir a Igreja com que sonhamos, com um rosto amazônico, com um rosto Tikuna”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Com informações e fotos de jesuítas.lat

Dom Mario Antônio: “Os migrantes são rostos, são vidas, histórias de superação em busca do básico”

A diocese de Roraima, por meio da Articulação dos Serviços aos Migrantes, a qual é uma rede que reúne serviços, organismos eclesiais e pastorais, preparou uma extensa programação para 36ª Semana do Migrante. As atividades tiveram início no domingo (13), com uma missa de abertura às 19h30, na Catedral Cristo Redentor, e segue até o dia 20 de junho (Dia Mundial do Refugiado). Toda a programação alusiva à Semana do Migrante está disponível no site da diocese de Roraima e também poderá ser acompanhada nas redes sociais. Dentre as atividades presenciais, haverá serviços de saúde, sessões de filmes sobre a temática migratória e, ao final, debate sobre a abordagem do longa-metragem; atividade com mulheres, pessoas com deficiência e crianças migrantes; intervenção visual migrar com direitos e com respeito, nos dois shoppings da capital. Ao longo da semana também terá muitas ações on-line. De acordo com o 2º vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Mario Antônio, bispo de Roraima, este ano o diálogo será o centro das reflexões, que é fruto do encontro. “Mesmo que as estatísticas apontem números cada vez mais alarmantes de migrantes e refugiados atravessando as fronteiras diariamente, essa questão não se trata apenas de números. São rostos, são vidas, histórias de superação em busca do básico para manter alimentação e saúde, em muitos casos, buscando o mínimo para sobreviver”, explicou. Dom Mario, que também é presidente da Cáritas Brasileira, fez um grande apelo à sociedade roraimense e convida todos e todas a vivenciar a 36ª Semana do Migrante, neste tempo de pandemia com o olhar misericordioso a quem bate à nossa porta. “Que esta Semana do Migrante possa mover nossos corações para o diálogo e para que exercitemos a empatia pelos nossos irmãos e irmãs migrantes cristãos e cristãs, que deixaram seus lugares de origem, muitas vezes, cheios de esperança, a fim de alcançarem um novo horizonte de vida”, afirmou. Fonte: CNBB Fotos: Diocese de Roraima

Semana do Migrante: dialogar para acolher quem bate à nossa porta

A Igreja do Brasil celebra de 13 a 20 de junho a 36ª Semana do Migrante, que em 2021 tem como tema “Migração e diálogo”, e como lema “Quem bate à nossa porta?”. A chegada de migrantes no Brasil é uma realidade que tem acompanhado a história do país, e que hoje continua presente. Diante da temática deste ano, Dom José Luiz Ferreira Sales, faz um chamado “a ser uma Igreja em saída sempre”, assumindo o diálogo e deixando de lado a intransigência. Segundo o bispo de Pesqueira (PE), deve se “criar cenários que propiciem soluções eficazes a partir do diálogo e de uma atitude desprovida de autoritarismos”. O presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) convida a aprofundar a frase do Papa Francisco: “não se trata apenas de migrantes, se trata de humanidade”. O bispo referencial do Setor da Mobilidade Humana da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reflete diante da atual realidade, que ele define como “ano de pandemia e de pandemônios”. Dom José Luiz faz um convite a celebrar a Semana do Migrante, que ele interliga com a Campanha da Fraternidade de 2021 e com a mensagem do Papa Francisco, para o 107º Dia Mundial do Migrante e Refugiado, “Rumo a um ‘nós’ cada vez maior”, que neste ano se celebrará no dia 26 de setembro. Por isso chama “a não nos fecharmos para o mundo, e a ampliarmos os laços do amor, da fraternidade e da justiça”. Para celebrar a 36ª Semana do Migrante tem sido elaborado um texto base, um material para rodas de conversa e uma oração. O Texto Base, organizado seguindo o método ver, julgar, agir, tradicionalmente presente na Igreja latino-americana. O texto parte da ideia de que os números refletem rostos. No mundo existem 271,6 milhões de migrantes, segundo o Texto Base, que relata as dificuldades vividas pelos migrantes neste tempo de pandemia e as principais rotas de migração no mundo. A realidade da migração é iluminada desde diferentes textos bíblicos, convidando ao compromisso. Segundo o texto, “nesse processo, o mais importante é dar continuidade às iniciativas que já estão em curso, tais como acolhida; serviços de documentação; assistência social, jurídica e psicológica; empenho pela inserção na sociedade; incentivo no sentido de acesso ao de trabalho, à moradia, à saúde; e à outras políticas públicas”. São três as rodas de conversa apresentadas no material para a 36ª do Migrante. Nelas são abordados os temas Mulher Migrante, Migrantes na Luta por Libertação e Cruzando Fronteiras. No conteúdo de cada uma das rodas de conversa se parte da realidade, iluminada desde a Palavra de Deus, de onde são colocadas algumas questões, fazendo propostas de compromisso a serem assumidos. A Semana do Migrante é oportunidade para fazer realidade aquilo que diz a oração elaborada para este ano, onde é pedido a Deus: “Renova nossa fé e nossas forças para seguir lutando em meio a tanta dor e dificuldades”. Por isso, é pedido acolhida para as vítimas da pandemia e do descaso, disposição para dialogar com quem pensa diferente, despertando “em nós a solidariedade e a capacidade de acolher e integrar, especialmente aos migrantes, nossos irmãos”. Materiais:  Oração da 36ª Semana do Migrante Texto Base da 36ª Semana do Migrante Roda de Conversa da 36ª Semana do Migrante Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1