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Dom Fernando Barbosa: “A escuta nos ajuda a nos inserir na comunidade, na Amazônia”

No dia 9 de junho, o Papa Francisco nomeou Dom Fernando Barbosa dos Santos novo bispo de Palmares (PE). Chegado na Prelazia de Tefé em 2014, o bispo faz uma leitura do tempo vivido na Amazônia, onde diz ter vivido uma grande experiência, “experiência missionária, experiência de despojamento, de simplicidade, de humildade”. Dom Fernando destaca que “a Prelazia de Tefé é uma Igreja missionária, com um rosto laico”, colocando os dois grandes encontros das CEBs acontecidos nos últimos 7 anos como momentos marcantes no seu tempo na Prelazia. Ele também destaca a importância do Sínodo para a Amazônia, onde o bispo eleito de Palmares participou como padre sinodal. Segundo Dom Fernando, a maior contribuição do Sínodo “é esse reforço do engajamento de nossos leigos e leigas dentro de uma realidade amazônica”, insistindo na importância do reconhecimento dos ministérios. Ao falar sobre a escuta, uma insistência cada vez maior da parte do Papa Francisco, Dom Fernando afirma que “a escuta nos ajuda a nos inserir na comunidade, na Amazônia”. Segundo ele, “você chega numa terra desconhecida e se torna conhecido quando você dialoga com as pessoas, quando escuta”, enfatizando que “na escuta se fala da vida, se fala dos sonhos das pessoas”. É essa atitude de escuta que espera lhe acompanhe em sua nova missão na Diocese de Palmares. Depois de 7 anos como bispo na Amazônia, na Prelazia de Tefé, volta de novo para uma região que o senhor conhece. O que o senhor está levando de volta da Amazônia e o que é que o senhor espera diante da nova missão como bispo de Palmares? Diante deste momento que estou vivendo de transferência, da Prelazia de Tefé para a Diocese de Palmares, primeiramente eu levarei a grande experiência da Amazônia, experiência missionária, experiência de despojamento, de simplicidade, de humildade. Foi aqui na Amazônia que eu aprendi ser bispo, aprendi a caminhar com os povos amazônicos, principalmente os povos indígenas. Levo essa parcela de contribuição, tanto na minha vida futura quanto também naquela comunidade, naquela diocese que com muita alegria também me acolhe. Tudo isto são contribuições necessárias que vamos adquirindo nesse tempo tão pouco que eu passei na Prelazia de Tefé. Qual seria o melhor momento, a melhor experiência nestes sete anos na Prelazia? A Prelazia de Tefé é uma Igreja missionária, com um rosto laico. O que mais me marcou como experiência, o que mais me chamou a atenção, o que mais me envolveu na missão, foi a experiência das comunidades de base, a experiência com alguns povos indígenas e a experiência juntamente com os agentes de pastoral, os leigos e leigas. Teve um momento muito importante da Prelazia de Tefé, que eu participei de dois encontros das CEBs. Logo quando eu cheguei, em 2014, e também em 2018, que foi na cidade de Jutaí. Nesse encontro das comunidades, a temática era o Sínodo para a Amazônia, nós trabalhamos muito isto. Lembro muito bem que o irmão João Gutemberg foi um dos facilitadores, o cantor leigo consagrado Zé Vicente, e muitos outros assessores, que foram até a cidade de Jutaí, onde era sediado o encontro das comunidades. Me chamou muito a atenção a presença de mais de mil lideranças, mil delegados de toda a Prelazia. O envolvimento das pessoas, a alegria, tanto os moradores da cidade, acolher todos os delegados das CEBs, como também o engajamento dessas pessoas nas oficinas, aprofundando o que é a REPAM, o que era o Sínodo, que novos caminhos são esses. Tudo aquilo nos ajudou bastante, e está ajudando, o Sínodo está ajudando as nossas Igrejas particulares a encontrar caminhos pastorais mais dinâmicos, uma Igreja mais evangelizadora. Para mim foram muito marcantes esses dois momentos na Prelazia de Tefé, e tantos outros, como a festa de Santa Teresa, beber nas suas fontes espirituais também ajuda muito o bispo. O senhor falou do Sínodo para a Amazônia, o senhor foi padre sinodal, participou de todo o processo, e até agora esteve participando desses novos caminhos. Como o senhor pensa que o Sínodo para a Amazônia pode ajudar, nem só a Igreja da Amazônia, como a Igreja do Brasil e do mundo, nesse processo de renovação e conversão pastoral? Falar do Sínodo para a Amazônia, do qual participei com alegria, com a convocação que o Santo Padre fez a todos os bispos da Pan-Amazônia, a maior contribuição que o Sínodo está trazendo para as Igrejas particulares, especialmente para Tefé, é esse reforço do engajamento de nossos leigos e leigas dentro de uma realidade amazônica que exija da própria comunidade eclesial o reconhecimento dos ministérios, é muito importante esse reconhecimento. Existe já muitas experiências, riquezas importantíssimas para a evangelização na Prelazia de Tefé, como o ministério dos animadores do setor, instituído pelo bispo, como uma marca muito grande de todos os bispos que passaram por esta Igreja local. Nesses novos caminhos, quero destacar a importância dos catequistas locais, que na Prelazia de Tefé já havia uma experiência de catequistas locais, que é o reconhecimento daquele animador da comunidade instituído pelo bispo. Ali, aquela pessoa representa a comunidade, representa a Igreja, e ele é reconhecido. Ele é enviado, ele é apresentado à comunidade, como responsável daquela pequena comunidade ribeirinha. Os novos caminhos nos levam também a beber desta fonte dos nossos povos indígenas, tanta beleza na sua vivência espiritual e no seu relacionamento com a natureza, com a comunidade. O sentido de partilha, o sentido de pertencer a um chão que tem toda uma intimidade de amor, como mãe Terra, esse vínculo de amor, esses povos que defendem a vida, que defendem o Planeta, que defendem a casa comum. São tantos novos caminhos! E como resultado do Sínodo, o Papa Francisco nos deu um presente, que a exortação apostólica, que trata dos quatro sonhos já conhecidos: ecológico, social, cultural e eclesial. Cada sonho desses já uma realidade em muitas dioceses, já se concretizam muitas coisas. Mas para avançar mais ainda à luz do Sínodo, nós temos a graça agora da Conferência Eclesial da Amazônia, a CEAMA.É…
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Diocese do Alto Solimões conta com mais três diáconos permanentes

O diaconato permanente, um ministério impulsionado pelo Sínodo para a Amazônia, está se fazendo cada vez mais presente nas dioceses e prelazias do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Desta vez, foi a Diocese do Alto Solimões, onde no último domingo, 27 de junho de 2021, foram ordenados mais três novos diáconos permanentes. Dom Adolfo Zon ordenou neste ministério a Raimundo, Estevam e Artêmio. A celebração aconteceu na paróquia São Cristóvão de Amaturá, onde atuam os novos diáconos. Na mesma celebração, o bispo diocesano renovou e instituiu novos ministros e ministras extraordinários da Eucaristia. Neste caso foram 11 os novos ministros e ministras que servirão na paróquia de Amaturá. A celebração contou com a presencia de padres, diáconos permanentes, religiosos e religiosas, missionários e missionarias de outras paróquias da Diocese de Alto Solimões, que acompanharam e foram testemunhas desta celebração, que representou um momento de grande alegria para toda a diocese. A celebração onde foram ordenados os novos diáconos e foram instituídos os novos ministros e ministras, aconteceu neste ano em que a paróquia de São Cristóvão está comemorando 70 anos de missão em Amaturá. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 (com informaçoes da Diocese do Alto Solimões)

CEAMA e REPAM refletem sobre o Processo de Escuta, que “deve ser mútuo, recíproco e transformador”

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) convocaram esta segunda-feira, 28 de junho, um seminário virtual no qual, no âmbito do processo de escuta da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, pretendiam dar passos nesta caminhada continental a partir de uma perspectiva amazônica. Mediado por Daniela Cannavina, secretária geral da Confederação Latino-americana de Religiosos (CLAR), contou com a presença de Patrícia Gualinga, do Cardeal Pedro Barreto, Francisco Lima, Mauricio López e Francisco Campos. Queria ser um momento para “exercitarmo-nos na arte de escutar, que é muito mais do que ouvir”, de acordo com a secretária da CLAR. Segundo a religiosa, “a escuta ajuda-nos a encontrar o gesto e a palavra oportuna, que nos separa da condição dos espectadores, ajudando-nos a desenvolver o melhor que Deus desenvolveu na nossa própria vida“. O Cardeal Pedro Barreto partiu da ideia de que “quando falamos de uma Igreja com um rosto amazónico, estamos falando de elementos fundamentais da Igreja, porque estamos falando do cuidado da vida, das culturas e da casa comum”. O cardeal peruano referiu-se aos sonhos do Papa Francisco na Querida Amazónia e à sinodalidade, que “não é uma invenção do Papa Francisco, mas um regresso às origens“. O presidente da REPAM recordou as palavras do Papa Francisco nas quais diz que “a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja para o terceiro milénio”, algo que é desenvolvido na Episcopalis Communio. O Arcebispo de Huancayo, insistiu na necessidade de difundir a ideia de sinodalidade, de descobrir a importância do “sensus fidei”. Segundo o Cardeal, “a sinodalidade faz parte da experiência de um Povo de Deus caminhando na história“, que ele definiu como “um processo de escuta de Deus, de discernimento e de atuação como o Povo de Deus a caminho”. Nas suas palavras, mostrou a sua alegria por ser a Amazónia e os seus povos a ajudar a Igreja a pôr-se a caminho. Depois de mostrar a importância de estarmos conscientes de que estamos no processo de escuta, salientou que “com a Assembleia Eclesial estamos perante um elemento fundamental para o processo de reforma da Igreja Católica“, uma Igreja que escuta e que é um passo prévio para o momento mais importante, que será o Sínodo sobre a Sinodalidade. Finalmente, insistiu que “todos temos de ser atores na Igreja, não há espectadores”.  “Com o Sínodo, a Igreja deixou claro de que lado está, do lado dos mais fracos, dos mais distantes, daqueles de nós que estão no território“, afirmou Patrícia Gualinga, que insistiu que “isto tem sido o fruto da escuta dos sentimentos das comunidades”. A líder indígena insistiu na necessidade de ter um impacto noutros espaços eclesiais, de nos ouvir, também fora da Amazônia. Para Patrícia, “tudo tem de ir na chave da interculturalidade, o que leva à compreensão das expressões positivas, que podem ser uma contribuição num mundo caótico”, algo que tem de ser uma realidade em unidade. A representante dos povos indígenas na Conferência Eclesial da Amazónia (Ceama), sublinhou que este espaço de escuta nos dá muita esperança, “é uma relação de aliados, deixando para trás as imposições do passado, para construir um presente que pode contribuir dentro do mundo espiritual”. Para a indígenaa Kichwa de Sarayaku, “Deus esteve sempre presente no pensamento espiritual dos povos indígenas, que tem de ser acoplado pela Igreja a partir de chaves interculturais”. Ela mostrou a sua confiança no Espírito para que outros espaços possam ser criados na Amazônia, onde a caminhada como irmãos e irmãs é algo presente na vida da Igreja. Ao falar sobre o contexto da Amazônia no Brasil, Francisco Lima insistia em que “a vida da Amazônia está constantemente ameaçada”, uma realidade que intensificou com o atual governo, que age “sem nenhum respeito aos povos amazônicos, que veem reduzidos ou retirados seus direitos conquistados a duras penas”. Na Amazônia, “a Igreja Católica tem procurado estar sempre com um olhar atento a esta realidade”, segundo o secretário executivo da CNBB Norte 1. Ele destaca que “a Igreja da Amazônia foi buscando seu rosto próprio, deu ênfase na formação do clero autóctone, mas também procurou trabalhar a formação das milhares de lideranças leigas espalhadas por tantas comunidades nesta imensa Amazônia”, relatando o trabalho que vem sendo feito. Francisco Lima destacou o ânimo dado pelo Papa Francisco neste caminho desde a Conferência de Aparecida, insistindo na necessidade da presença da Igreja na região. Ele lembrava os caminhos indicados pela Laudato Sí, e convocava o Sínodo para a Amazônia, um chamado a buscar “novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”, que “nos abriu novas possibilidades, reafirmou alguns caminhos já trilhados, mais que precisa ser fortalecido, e exigiu de nós muito mais ousadia”. Estamos diante de um processo que tem fortalecido as comunidades, que tem dado espaço para que as comunidades possam ser escutadas. Também destacava que isso possibilita ecoar a voz dos povos da Amazônia para fora da Amazônia. Francisco Lima chamava a aproveitar este tempo para afirmar que “somos todos Povo de Deus, e que devemos estar em comunhão”. “A escuta deve ser mútua, recíproca e transformadora“, insistiu Mauricio Lopez, uma escuta que “se transforma em reformas e mudanças, como tem acontecido na Amazônia desde o Sínodo. Para o diretor do Centro de Ação Pastoral e Redes do Celam, “escutar, no sentido do discernimento da vontade de Deus, produz mudanças, que esperamos sejam irreversíveis na lógica do Povo de Deus”. Maurício vê a escuta como uma forma de alcançar as periferias geográficas e existenciais, o maior número de pessoas possível. Daí pediu à REPAM que continuasse sendo essa ponte para aqueles que nunca foram ouvidos, ainda mais numa situação que mudou em resultado da pandemia de Covid-19. Segundo Maurício Lopez, que conhece a realidade amazónica a partir do seu trabalho como secretário executivo da REPAM, “os povos indígenas sempre pediram coerência e mudanças fundamentais, para poderem agir, algo que é a Assembleia Eclesial, que quer tornar-se uma porta aberta para aspirar a uma Igreja mais sinodal, algo nascido no…
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Dom Ionilton: “Deus não quer a morte dos 510 mil brasileiros e brasileiras que perderam a vida por causa da Covid”

“Deus não quer a morte dos 510 mil brasileiros e brasileiras que perderam a vida por causa da Covid”. As palavras de Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, bispo de Itacoatira na homilia deste domingo, 13º do Tempo Comum, são uma atualização do texto do Livro da Sabedoria na primeira leitura da Liturgia da Palavra: “Deus não fez a morte e nem tem prazer com a destruição dos vivos”. O bispo criticou algumas expressões proferidas desde o início da pandemia, dizendo que “com certeza nosso Deus não disse, não diz e nem dirá: e daí? é uma grepezinha, brasileiro é atleta, todo mundo vai morrer mesmo…”, insistindo em que “quem se alegra com a morte das pessoas, quem podia ter ajudado a não ter tantas mortes e nada fez, não está em comunhão com Deus, é um ateu prático, perdeu a sua humanidade, colabora com a ‘inveja do diabo’, por quem a morte entrou no mundo”. As palavras do salmo “Salvastes-me quando estava já morrendo”, são vistas pelo bispo como “a nossa oração por quem já foi vacinado as duas doses e até com uma dose”. Dom Ionilton pede que “hoje possamos dar graças a Deus pela inteligência dada aos cientistas que descobriram a vacina que nos salva da morte”, e junto com isso que “rendamos graças ao Senhor pelos profissionais da saúde, que bravamente e muitas vezes sem os recursos adequados, empenham-se para salvar vidas”. O bispo da Prelazia de Itacoatiara, seguindo as palavras da segunda carta aos Coríntios, faz um apelo para desejar enquanto cristãos, “que haja igualdade: que todas as pessoas sejam tratadas da mesma forma, tenham os mesmos direitos e os mesmos deveres”. Essa igualdade se concretiza em “terra, moradia, trabalho, salário, previdência social, aposentadoria, saúde, vacina, educação, saneamento”, afirma o bispo, insistindo em que “a igualdade, derruba a acumulação e faz acontecer a partilha”. Ao elo das palavras do Evangelho de Marcos, Dom Ionilton se perguntava: “quem são os Jairos de hoje que nos procuram e gritam pedindo socorro, ajuda?” Ele mesmo respondia identificando-os com “os que passam fome, os atingidos pelas enchentes, os enfermos e seus familiares, quem perdeu algum ente querido atingido pela Covid, os desempregados, pessoas e famílias marcadas por alguma dependência, as mulheres que sofrem violência doméstica, os povos indígenas ameaçados de perderem suas terras e territórios por causa de leis aprovadas no Congresso Nacional…”. Vendo como Jesus acompanhou Jairo, Dom Ionilton perguntou: “E nós fazemos como Jesus, acompanhamos quem nos procura e buscamos ajudar a diminuir seus sofrimentos? O que temos feito pelos pobres, excluídos e marginalizados? Temos apoiado e participado de alguma Pastoral Social, da Caritas, da Rede um Grito pela Vida? Temos feito alguma doação em alimento ou água para a Caritas (Puxirum pela Vida) ou para a CPT?”. Também refletia sobre o outro personagem que aparece na passagem do Evangelho, “uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia”. O bispo da Prelazia de Itacoatiara a identificou seu sofrimento com “o drama que muitos de nós já vivemos: a crise na saúde pela falta de compromisso do governo; a medicina apenas como fonte de riqueza; a espera pela vacina que demora de chegar…”. Diante disso, mais uma vez perguntou, “Quais ‘meninas’ esperam ouvir de nós este convite para levantar-se?”, e junto com isso, fazia um chamado a obedecer ao mandato de Jesus e “dar de comer a quem está com fome”, lembrando que isso pode ser realizado através da Campanha Puxirum pela Vida. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Assembleia Sinodal em Manaus: “Oportunidade para conhecer a Arquidiocese e faze-la mais viva do que ela é”

A sinodalidade, considerada pelo Papa Francisco como o modo de ser Igreja no século XXI, aos poucos está sendo assumida pelas Igrejas particulares. Nessa perspectiva, no dia 9 de março de 2021, Dom Leonardo Steiner convocava a Arquidiocese de Manaus a uma Assembleia Sinodal. Aos poucos vão se conhecendo os detalhes de um processo que vai acompanhar a vida da Igreja com maior número de fieis na Amazônia até dezembro de 2022. A sinodalidade é uma dimensão já presente na caminhada da Arquidiocese de Manaus, que tem a experiência das Assembleias Pastorais Arquidiocesanas (APA’s). Segundo o padre Geraldo Bendaham, no regimento das APA´s diz tratar-se de uma “reunião de representantes do Povo de Deus da Igreja de Manaus, sob a presidência do Arcebispo Metropolitano, com o fim de tratar os assuntos da caminhada desta Igreja e estabelecer o Plano de Pastoral com suas prioridades e diretrizes de ação pastoral”. O coordenador de pastoral arquidiocesano insiste em que a sinodalidade não é ponto de chegada, e o processo, enfatizando quanto poderá enriquecer “a provocação da assembleia sinodal em discutir a Igreja de Manaus por um número bem maior de interlocutores”. Com a assembleia, a Igreja de Manaus quer desenvolver “um profundo questionamento e rearticulação das nossas forças eclesiais, das nossas estruturas e da modalidade da nossa atuação e presença”. Em resumo, o objetivo é “o nosso crescimento como Igreja, sinal do Reino de Deus”. Ao longo do processo, a Arquidiocese de Manaus pretende “discutir a presença da igreja e como crescer na identidade e atuação eclesial”. Para isso, são propostos 3 passos: onde estamos? como deve ser a nossa presença? Quais nossas novas respostas solidárias? Não se trata de fazer algo completamente novo e sim continuar uma caminhada construída ao longo dos anos, seguindo o atual Plano de Evangelização da Arquidiocese, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, e o processo da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, como também do Sínodo sobre a sinodalidade. Para articular o processo foi constituída uma coordenação, formada pelos bispos auxiliares, representantes do clero, da vida religiosa e do laicato. Eles irão conduzir a caminhada da Assembleia Sinodal da Arquidiocese de Manaus, uma dinâmica denominada do “vai e vem”, já comum na preparação das assembleias arquidiocesanas, onde será realizado um processo de escuta, a través de diferentes mecanismos, e síntese, num processo dialogal de intercambio até elaborar um Instrumento de Trabalho. O processo da Assembleia Sinodal será apresentado em diferentes instâncias arquidiocesanas, tentando chegar ao maior número de interlocutores, querendo realizar uma escuta atenta da conjuntura social, política, econômica, ambiental, bem como da presença e do que se espera da Igreja. Com o processo de escuta, se quer conhecer as forças da arquidiocese, recursos, estruturas, comunidades, iniciativas, etc. O trabalho será desenvolvido através de estudos, seminários, e interpelações aos diferentes setores que fazem parte da vida arquidiocesana, sendo partilhado nos setores, regiões episcopais e outras instâncias, num trabalho que aos poucos irá recolhendo o sentir da Igreja de Manaus para chegar no Instrumento de Trabalho da Assembleia Sinodal. Um elemento importante é que a Assembleia Sinodal, prevista para 21 a 23 de outubro de 2022, terá caráter deliberativo. O calendário da Assembleia que irá dando passos ao longo deste ano 2021e de 2022, propõe as datas em que serão realizadas as diferentes etapas, com a previsão de entregar os resultados da Assembleia no dia 8 de dezembro de 2022, festa da Padroeira da Arquidiocese de Manaus. Recordando as palavras do Papa Francisco sobre “sensus fidei”, Dom Leonardo Steiner destaca que “a sabedoria eclesial está em cada batizado, cada batizada”. Dai a importância, segundo o arcebispo de Manaus, de “saber ouvir essa realidade”. Entre as possibilidades que devem surgir da assembleia, segundo o arcebispo, está “oferecer ministérios às nossas comunidades”, se questionando sobre somo adaptar os ministérios à cultura indígena. Dom Leonardo insistiu ao clero da arquidiocese, que “não somos nós padres e diáconos que sabemos, precisamos ouvir as comunidades”. Por isso, ele vê a assembleia sinodal como “oportunidade para conhecer a arquidiocese e faze-la mais viva do que ela é”. Daí a importância da participação de todas as comunidades, segundo o arcebispo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Fórum das mulheres amazônicas: “O diaconato das mulheres só precisa ser reconhecido, porque já é exercido na Amazônia”

No âmbito do processo de escuta da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) organizou o Fórum Temático Mulheres da Pan-Amazônia. O encontro virtual, segundo a REPAM relatou num comunicado de imprensa, contou com a participação de cerca de 80 mulheres, a grande maioria dos 9 países que compõem a região Pan-Amazônica. Junto com as contribuições das mulheres presentes, foram enviadas anteriormente as respostas de 173 mulheres, que responderam a um questionário simples. Durante o encontro virtual refletiram sobre “a força e importância do rosto feminino da Igreja na nossa região, e a necessidade de fazer cada vez mais esforços para provocar mudanças na estrutura da Igreja, porque sem isso, qualquer novo ministério que seja criado irá reproduzir o clericalismo”. As mulheres participantes salientaram que “sonhamos com uma Igreja circular, sinodal, intercultural, comunitária, profética, missionária, em saída, samaritana, aliada e orante que caminha juntamente com todo o seu povo, e com as dificuldades reais e estruturais que os podem afetar”. Na Amazônia, as mulheres querem uma Igreja com a “mística do nós“, retomando as palavras de Evangelii Gaudium. A partir daí, dizem que ratificam um sonho coletivo: “Queremos uma Igreja que seja um discipulado de iguais, uma Igreja sinodal, onde a verticalidade dê lugar à circularidade”. Denunciando realidades presentes na região amazónica, as mulheres insistem que “a invisibilidade das mulheres é um terreno fértil para a violência“. Por conseguinte, reivindicam “a necessidade de reconhecimento público dos nossos serviços, que queremos continuar exercendo de e como povo de Deus”. Não se trata de dominação, porque, segundo as mulheres participantes no fórum, “não estamos interessadas em qualquer luta de poder, queremos simplesmente que os serviços que realizámos sejam reconhecidos e a possibilidade de tomar a palavra pública, de pregar, e isto por fidelidade ao Evangelho, seja definitivamente aberta”. Na sua opinião, “o diaconato das mulheres só precisa de ser reconhecido, porque já é exercido na Amazónia“. Utilizando o mapeamento da REPAM, que mostra que de cada 10 representantes em posições de responsabilidade apenas 3 são mulheres, as participantes insistem que “é urgente reforçar o empoderamento, a liderança e os vários serviços e ministérios que as mulheres exercem neste território”. Além disso, salientam que “a presença do conhecimento e da sensibilidade das mulheres é essencial em todos os espaços de formação de toda a Igreja, incluindo os seminários”. A partir desta afirmação exigem “a presença de mulheres nestes espaços tanto como formadoras e formandas, como em espaços de acompanhamento espiritual e de tomada de decisões”. Para as mulheres amazônicas, “o conteúdo sobre as mulheres deve ser indesculpavelmente ensinado pelas mulheres e deve estar presente no programa de todas as formações da Igreja”. Finalmente, afirmaram que “as mulheres da Pan-Amazônia somos construtoras da Igreja e renovamos o nosso compromisso com ela nesta caminhada em direção à Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe”. Luis Miguel Modino, assessoria de comunicação CNBB Norte 1

São João: festa da luz no meio de tanta escuridão

24 de junho é dia de festa grande no Nordeste brasileiro, uma tradição que os migrantes trouxeram para a Amazônia. A cultura popular é algo que marca a vida dos brasileiros e dentro dessa cultura, a religiosidade popular sempre teve seu espaço. No final das contas a alegria é algo constitutivo de Deus, acreditamos num Deus que alegra os nossos corações. A festa de São João está ligada ao costume de acender fogueiras, que segundo a tradição cristã foi o jeito como Isabel, segundo o combinado, anunciou para sua parenta Maria o nascimento do precursor. Ao longo da história, tem sido muitas as leituras feitas sobre o significado da fogueira, que acalenta e ilumina no meio do frio e da escuridão. O frio e a escuridão têm se instalado na vida da humanidade diante de tantos episódios de dor que estamos vivenciando. O obscurantismo foi colocado como norma de comportamento por aqueles que se tornaram agentes das trevas. Diante disso se faz necessário ser luz que ilumine e anuncie a vida, que se esforce para que essa vida possa persistir e se tornar presente no meio da humanidade. São João também é momento de encontro, de viver a familiaridade e a amizade, de partilhar a alegria da festa. Caminhar juntos se torna uma necessidade cada vez mais urgente diante dos tempos difíceis que estamos enfrentando. Na escuridão, uma mão amiga sempre nos fortalece e facilita continuar avançando. Em tempos de divisão e enfrentamento somos chamados a nos unir e testemunhar a união. O Papa Francisco faz um chamado à humanidade para viver em fraternidade e à Igreja para caminhar em sinodalidade. Os momentos de encontro nos ajudam a entender o sentido dessas atitudes e nos fazem sentir que desse jeito a vida é mais fácil, que juntos somos mais e chegamos mais longe. O encontro, a união, nos fortalecem e nos ajudam a superar as adversidades. São João Batista é a voz que grita no deserto, que prepara os caminhos do Senhor, que anunciou a chegada do Salvador. Seguindo seu exemplo, somos chamados a nos fazermos anunciadores da vida que vem de Deus, mesmo que muitos não queiram escutar essa mensagem. Sejamos essa fogueira que ilumina e acalenta os corações, esse fogo em torno do qual o povo se encontra e compartilha o que cada um é e tem. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Dom Alcimar descansa para sempre na diocese que o viu nascer e que ele pastoreou por 24 anos

Dom Alcimar Caldas Magalhães, bispo emérito da diocese de Alto Solimões, falecido no último domingo, 20 de junho, descansa para sempre na região que o viu nascer e onde foi padre e depois bispo durante 24 anos. Após de três dias de homenagens, orações e celebrações, primeiro em Manaus, na Igreja de São Sebastião, junto com seus confrades capuchinhos, e nos dois últimos dias na Catedral de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro de Tabatinga, sede da diocese do Alto Solimões, tem sido sepultado na capela lateral construída na mesma catedral para seu sepultamento. Segundo Dom Adolfo Zon, o vivido nos dias 22 e 23 de junho na catedral de Tabatinga, tem sido “uma grande manifestação de agradecimento e de carinho do Povo Deus para com aquele que foi seu bispo durante 24 anos”. Foram muitas as homenagens recebidas por alguém que nasceu numa comunidade ribeirinha do município de Benjamin Constant, na mesma diocese do Alto Solimões. O povo das comunidades, gente simples que sempre tiveram a atenção de Dom Alcimar, quiseram se despedir de quem foi seu bispo, de quem defendeu seus direitos e providenciou projetos que pudessem ajudar a ter uma vida melhor, numa região onde as condições de vida nunca foram fáceis. Ao longo dos dois dias de velório em Tabatinga se fez presente, acompanhando o bispo local, Dom Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus, que viajou junto com os restos mortais desde a capital amazonense. Ele presidiu umas das Eucaristias celebradas, como já tinha feito em Manaus, onde outra Eucaristia foi concelebrada por Dom José Albuquerque, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, Dom Mário Pasqualotto, bispo auxiliar emérito da Arquidiocese de Manaus, e Dom Gutemberg Regis Freire, bispo emérito da Diocese de Coari.   A Eucaristia de exéquias, presidida por Dom Adolfo Zon, foi muito participada pelos fieis, segundo o bispo local, que também ressaltou que foi muito bem preparada pelos diversos grupos e pastorais da diocese. O bispo também destacou o trabalho da equipe de acolhida, que manteve organizado o velório, orientando as pessoas a seguir os procedimentos protocolados pela Anvisa de prevenção da Covid-19. Na homilia, Dom Adolfo insistiu em que “temos que fazer memória Dom Alcimar, não só ter uma recordação, não só lembrança”. O bispo da Diocese do Alto Solimões destacou a importância de fazer memória, “que é presença que continua realizando seu sonho de melhorar as condições de vida das pessoas”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Solidariedade da Diocese de Roraima pela morte da Ir. Telma, que fez de cada migrante “seu irmão mais próximo”

A diocese de Roraima emitiu uma nota de solidariedade pela morte da Ir. Telma Lage, que começa com uma frase da religiosa falecida: “Estar em missão é o melhor caminho de conversão”. A nota, assinada pelo bispo diocesano, Dom Mário Antônio da Silva, lembra a vida da Ir. Telma, nascida em Itabira, Minas Gerais, em 23 de fevereiro de 1972, relatando sua caminhada vocacional e missionária na Congregação das Religiosas Missionárias de Nossa Senhora das Dores. Depois de trabalhar na Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, “em 2013, Ir. Telma Lage foi enviada em missão para a comunidade Nossa Senhora da Amazônia de Roraima”, relata a nota, que lembra que isso aconteceu em resposta a um pedido de Dom Roque Paloschi feito à Conferência dos Religiosos do Brasil. Segundo Dom Mário Antônio, “Irmã Telma era conhecida por sua firmeza, mas sobretudo por sua sensibilidade, de modo particular com os mais Pobres”. O bispo lembra que recentemente tinha sido eleita assessora da Pastoral da Juventude do Regional Norte 1, fazendo memória da sua sabedoria e dedicação na coordenação do Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese de Roraima, “acolhendo os migrantes e provendo suas necessidades iniciais” e fazendo de cada migrante “seu irmão mais próximo, ao qual dedicou seu amor, sua ternura, seu tempo e sua vida”. “Sua vida destemida, simples e engajada é um sinal de profecia e esperança em uma sociedade individualista e desigual”, segundo o bispo de Roraima. Dom Mário Antônio pede que “seu testemunho brilhe para nós como um sinal eloquente do amor a Deus e aos irmãos”. Finalmente, em nome da diocese “agradece sua audácia, sua coragem, sua resistência, sua fidelidade, sua dedicação e sua perseverança”, pedindo a Deus que lhe dê o eterno descanso. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Irmã Telma Lage, a Covid-19 leva a defensora dos migrantes em Roraima

Faleceu na noite desta terça-feira, 22 de junho, no Hospital Geral de Roraima (HGR), a Ir. Telma Lage. A religiosa da Congregação das Missionárias de Nossa Senhora das Dores tinha 49 anos e trabalhava na diocese de Roraima desde o início de 2013. Atualmente, a Ir. Telma era Coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese de Roraima, se tornando uma das grandes defensoras dos migrantes no Estado de Roraima, onde a chegada de venezuelanos tem sido constante nos últimos anos. Muitos consideram a religiosa falecida como a cara visível do grande trabalho que a diocese de Roraima faz com os migrantes, uma das grandes prioridades da Igreja local. Internada no HGR desde o dia 19 de junho, tinha sido intubada no segunda-feira, 21 de junho. Na noite da terça-feira, após duas paradas cardíacas não resistiu e veio a óbito. Pessoa muito conhecida no Estado de Roraima, tem sido muitas as homenagens recebidas nas últimas horas. Dentre elas, podemos citar aquela que dizem que “a Ir. Telma tinha um coração tão grande que podia acolher a muitas pessoas. Uma mulher sensível, lutadora pelos direitos dos outros e apaixonada pela missão”. Em mensagem postado nas redes sociais, o irmão Danilo Correia, coordenador das Pastorais Sociais da diocese de Roraima, expressava os sentimentos de muitos dos que trabalharam com a religiosa: “Irmã Telma, o teu grito é o nosso grito; a tua resistência é a nossa resistência; a tua luta é a nossa luta!”. O religioso Marista, continuo dizendo: “Amiga, irmã e companheira de vida religiosa consagrada, de equipe missionária, de área missionária, de missão, de Vida, que foi se tecendo a cada segundo, minuto… Num bate papo, numa mística, nos momentos de lazer, no curso de políticas públicas, na simbologia dos gritos dos excluídos e das excluídas, até desenhos animados, planejamos juntos e juntas”. O irmão Danilo ainda disse: “Aqui, continuamos a nossa caminhada na certeza de que você, aí do céu, nos braços do Pai, olha por nós, com aquela mesma sintonia e comunhão que construímos aqui. Fica aqui, o meu muito obrigado e a gratidão da comunidade marista, das pastorais sociais e da REPAM-RR. Um dia nos encontraremos…”. A Defensoria Pública do Estado de Roraima, em nota de solidariedade, mostrou as condolências diante da morte de alguem “empenhada pela resistência em favor dos empobrecidos e humilhados”. Segundo a nota, a Ir. Telma “contribuiu para que o racismo fosse combatido em todo lugar”, definindo-a como “pessoa alegre, dinâmica, sorridente, articulada, conselheira, missionária que ela foi”, uma pessoa “de um senso de justiça incomparável”. O sepultamento da Ir. Telma está previsto para 10:30 desta quarta-feira no Cemitério Nossa Sra. da Conceição, em Boa Vista (RR), com uma breve oração exequial presidida por Dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima. Segundo informou a diocese de Roraima, “com motivo das disposições médico-sanitárias, não será possível celebrar a missa de corpo presente da nossa irmã Telma”. O cortejo vai percorrer diferentes comunidades da Área Missionária São Raimundo Nonato, de Boa Vista, onde a ir. Telma estava presente juntamente com a ir. Pedrina. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 Fotos: Reprodução Facebook