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Prelazia de Itacoatiara abre a Campanha da Fraternidade 2026 com apelo à conversão

A Prelazia de Itacoatiara abriu, na quarta-feira (18), a Campanha da Fraternidade 2026 com a tradicional Missa de Cinzas, às 19h, na Igreja Catedral Nossa Senhora do Rosário. A celebração foi presidida por Dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos e concelebrada pelo pároco da Catedral, Padre Acácio Rocha, marcando oficialmente o início do tempo da Quaresma na Igreja Particular de Itacoatiara. Neste ano, a campanha traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), convidando os fiéis a refletirem sobre o direito à habitação digna, a justiça social e o cuidado com a vida, reforçando o compromisso da Igreja com a justiça e a dignidade humana. Viver a Quaresma com os olhos firmes na Páscoa Em sua homilia, Dom Tadeu conduziu a assembleia a uma profunda reflexão sobre o sentido espiritual da Quaresma. O bispo recordou que a Quaresma é um tempo grave e sagrado, que prepara os cristãos para a maior de todas as festas: a Páscoa do Senhor. “Este período de quarentena são dias de penitência, dias de combate espiritual. Não têm um fim em si mesmo. Ele corre para a Páscoa, como um rio corre para o mar. Vivemos o tempo quaresmal com os olhos, o coração e o desejo firmes na Páscoa”, disse o bispo. Inspirado na caminhada do povo de Israel no deserto; nos 40 dias de Moisés no Sinai; na peregrinação de Elias e no próprio Cristo em seu combate no deserto, Dom Tadeu destacou que a Quaresma é um tempo de confiança, perseverança e fidelidade a Deus. Esmola, oração e jejum Refletindo sobre o Evangelho proclamado, o bispo destacou que São Mateus apresenta Jesus como mestre da justiça e que a prática quaresmal se organiza em três dimensões fundamentais, marcadas pelos três “quando” do texto bíblico. O primeiro “quando” diz respeito à relação com o outro: a esmola, a caridade fraterna, o cuidado concreto com quem mais precisa. O segundo “quando” refere-se à relação com Deus Pai, por meio da oração sincera, humilde e perseverante. E o terceiro “quando” trata da relação consigo mesmo: o jejum e a penitência, como caminho de disciplina interior e conversão. Dom Tadeu enfatizou que, quando essas três relações — com Deus, com o próximo e consigo mesmo — entram em harmonia, o cristão vive a verdadeira paz e cumpre a justiça em sua plenitude. O bispo apontou que “não se trata de rezar mais como se fosse um investimento. Trata-se de um profundo diálogo com Deus, que se faz mediante a Palavra e um coração aberto.” Campanha da Fraternidade: dimensão social da Quaresma O bispo recordou que a Campanha da Fraternidade é proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil como um caminho para viver a dimensão comunitária e social da Quaresma. A finalidade principal é ajudar os fiéis a assumirem que a conversão não é apenas individual, mas também social. Citando a Primeira Carta de São João (4,20), reforçou que não se pode amar a Deus sem amar o irmão. Cinzas: convite à conversão Ao final, Dom Tadeu explicou que as cinzas não são “um símbolo de tristeza”. Em suas palavras, elas são “convite à conversão, à humildade, a lembrar que esta vida é passageira, mas a eternidade não”. Por isso, quando o sinal da cruz é traçado na fronte, trata-se de um chamado silencioso de voltar para Deus, enfatizando a compreensão de que a Quaresma “começa no teu coração.” Fotos: Brenno Pereira, PASCOM do Rosário. Texto adaptado: https://prelaziadeitacoatiara.org.br/noticias/352/prelazia-de-itacoatiara-abre-a-campanha-da-fratern

Diocese de Borba celebra Quarta-feira de Cinzas e abre oficialmente a Campanha da Fraternidade 2026

A Diocese de Borba deu início ao tempo quaresmal com a celebração da Missa da Quarta-feira de Cinzas e a abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2026, realizada na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, na Forania São Marcos. Neste ano, a Campanha da Fraternidade traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), convidando toda a Igreja a refletir sobre a dignidade humana expressa no direito à moradia e no cuidado com os mais vulneráveis.De acordo com a CNBB (2026), o objetivo geral da Campanha da Fraternidade 2026 é despertar a consciência cristã e social para a promoção da dignidade da moradia, à luz da Palavra de Deus, incentivando atitudes concretas de solidariedade, justiça e compromisso com as comunidades mais vulneráveis. Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, bispo da Diocese, presidiu a celebração conduzindo os fiéis a uma profunda reflexão sobre o significado da Quaresma e o compromisso cristão com a fraternidade. Ao destacar a inspiração da Campanha da Fraternidade, o bispo recordou o mistério central da fé cristã:“A Campanha da Fraternidade tem inspiração no Verbo da Encarnação – ‘E o Verbo se fez carne e habitou entre nós’.”Ele enfatizou que a Igreja aponta caminhos de fraternidade porque ainda há falta de dignidade em muitas realidades, mobilizando os cristãos a não deixarem de ser fraternos, especialmente diante das situações de vulnerabilidade social. Durante a homilia, Dom Zenildo reforçou o chamado quaresmal à reconciliação: “nesta Quaresma, vamos deixar-nos reconciliar com Deus. Em sua misericórdia, é Ele quem nos reconcilia”. Destacou ainda que a reconciliação é mais profunda que a conversão, pois nasce do encontro com o amor misericordioso de Deus, lembrando que, pela cruz, reconhecemos um Deus apaixonado por nós. Inspirado pelo Salmo proclamado — “Criai em mim um coração que seja puro” —, convidou os fiéis a viverem intensamente a oração, o jejum e a caridade, bem como a escuta da Palavra de Deus e do clamor do irmão, recordando que todo autêntico caminho de conversão nasce da escuta. Na abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2026, o coordenador de pastoral diocesano, Ademir Jackson, ressaltou que moradia digna é um direito assegurado e que viver a Campanha é sentir o olhar de Deus sobre as comunidades mais vulneráveis. A celebração marcou o início de um tempo de conversão, solidariedade e compromisso social para toda a Diocese, reafirmando que a vivência da fé passa pelo cuidado concreto com os irmãos e irmãs, especialmente aqueles que mais necessitados. Francelina Souza – Coordenação da Pascom – Diocese de Borba – AM

Diocese de Roraima lança Campanha da Fraternidade 2026

A Diocese de Roraima realizou, nesta quarta-feira, 18, o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2026, na sede da Rádio Monte Roraima. A coletiva de imprensa reuniu representantes da Igreja para apresentar os objetivos da campanha, que mobiliza a Igreja no Brasil. A Campanha da Fraternidade deste ano, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, traz como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), convidando todos a refletirem sobre o direito à moradia digna como condição essencial para a dignidade humana e expressão concreta da fé cristã. Durante o evento, o bispo da Diocese de Roraima, Dom Evaristo Spengler, destacou a importância do chamado à fraternidade e à solidariedade neste tempo quaresmal. “Nós somos chamados a nos tornar cada vez mais irmãos uns dos outros. Por isso, a Igreja pede a esmola. A esmola é um termo técnico na Igreja que fala sobre a solidariedade, sobre a compaixão com os outros. É uma ajuda para que nós vivamos a fraternidade de uma forma mais intensa em toda a criação”, afirmou Dom Evaristo. O bispo também chamou atenção para a realidade social que fundamenta o tema da campanha. Ele ressaltou que mais de 60 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil e que a rua não é lugar de moradia. Além disso, destacou que mais de 6 milhões de famílias vivem em condições incompatíveis com a dignidade humana. De acordo com Dom Evaristo, é essa realidade que a Campanha da Fraternidade propõe refletir neste tempo da Quaresma, lembrando que nem todos têm um lugar para morar. A professora da Universidade Federal de Roraima, Márcia Maria, também participou da coletiva e apresentou alternativas que já fazem parte da realidade local, como os chamados “puxadinhos”. ”Historicamente, o “puxadinho” é algo vivido no núcleo familiar, quando, em um mesmo terreno, são construídas diferentes casas. Atualmente, segundo a professora, muitos migrantes têm adotado essa prática como forma de garantir moradia e fortalecer os laços comunitários”, contou a professora. Já Rosé Ferreira, da Pastoral Social da Diocese, destacou que a reflexão proposta pela campanha será aprofundada junto às comunidades. Segundo ela, por meio das formações das pastorais, a conversa será estendida a toda a comunidade, com o objetivo de amadurecer o debate e chegar a ações concretas após a realização dos encontros pastorais. O vigário episcopal, Padre Celso Puttkammer, reforçou a dimensão cristológica do tema. “O tema da campanha nos faz refletir que Jesus se encarnou entre nós e não teve um lugar para morar. A partir desse ponto, nós vamos olhar para a nossa realidade, que aqui em Roraima é muito desafiadora. Muitas pessoas vivem em situação indigna. Não basta ter uma moradia, mas é preciso também que ela seja digna”, pontuou o vigário. A Campanha da Fraternidade é uma iniciativa promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que propõe, ao longo da Quaresma, uma caminhada de oração, reflexão e compromisso com temas sociais importantes à luz do Evangelho. A Diocese de Roraima informou que, além da mobilização pastoral, serão realizadas atividades, encontros e ações comunitárias nas paróquias para aprofundar o tema da moradia digna e promover atitudes concretas em favor dos irmãos mais vulneráveis. A Campanha da Fraternidade 2026 convida os fiéis a transformar fé em compromisso concreto, construindo uma sociedade mais justa, solidária e fraterna, onde o direito à moradia seja reconhecido como expressão da dignidade humana. Por Luana de Oliveira; Fotos: Lucas Rossetti

Arquidiocese de Manaus abre Campanha da Fraternidade 2026

A Arquidiocese de Manaus abriu oficialmente, nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, a Campanha da Fraternidade 2026. A celebração aconteceu às 9h, na Alameda Pico das Águas, bairro São Geraldo, com a presença de lideranças das comunidades, diáconos, presbíteros e da vida religiosa. O local simbólico escolhido, representa o convite à Igreja e a sociedade de refletir a moradia como direito fundamental e como horizonte da dignidade humana. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Steiner, agradeceu pela escolha do local, onde famílias aguardam pela construção de um conjunto habitacional. O tempo chuvoso, que acompanhou a celebração, tornou o momento ainda mais significativo. Um reflexo da necessidade de uma moradia digna para todos e todas. Os bispos auxiliares de Manaus, Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson e Dom Samuel Ferreira, também estavam presentes. Tempo de mudanças O arcebispo recordou que a campanha acontece no período da Quaresma, um tempo de “mudanças estruturais, sociais, ecológicas, para termos, assim, realmente uma fraternidade entre nós”.  Essa realidade da moradia não é uma preocupação nova. E por isso, a Igreja no Brasil propõe que, ao rezar e refletir sobre o tema, se possa contribuir as “as nossas famílias tenham uma moradia digna, e um espaço digno junto das suas casas, das suas moradias, uma dignidade cultural, uma dignidade social, uma dignidade educacional e também uma dignidade de lazer”. “Não seja só uma casa, como se tem feito até agora, mas se busque também ter o espaço do lazer não apenas numa casa, mas numa espécie de aglomerado. A preocupação em relação à moradia é longa no Brasil. Se a igreja no Brasil este ano toma como realidade ser refletida e rezada, é porque sabe e conhece e vê a necessidade de abordarmos, refletirmos essa realidade, para assim termos políticas públicas que nos ajudem a dar dignidade às nossas moradias”, explicou o cardeal. Fome de Justiça Durante a celebração, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, Dom Zenildo Lima, conduziu a reflexão sobre a Campanha da Fraternidade, enfatizando a temporalidade litúrgica da Quaresma em que ela acontece: “o tempo do jejum”. Segundo o bispo, essa dimensão do jejum é aprofundada pelo profeta Isaías, que revela não se tratar de um jejum qualquer, mas de “uma iniciativa humana e divina que dá qualidade à nossa existência”. Para ele, essa realidade quaresmal evoca um desejo fruto do jejum. Esse desejo é explicado pelo próprio Papa Leão em sua carta por ocasião da Quaresma, na qual explica que o jejum “vai nos conduzindo a uma experiência de fome de justiça”. “Então o jejum bem vivido, bem experimentado, bem realizado, nos torna homens e mulheres mais desejosos de justiça. Quem pratica o jejum e não se torna desejoso da justiça, não realiza, não vive um jejum verdadeiro e autêntico. Hoje é dia de jejum. Ao longo desta quaresma, nós iremos jejuar às sextas-feiras. Jejuaremos na Sexta-Feira Santa. Esta caminhada quaresmal faz de nós, homens e mulheres, mais desejosos e mais comprometidos com a justiça”. O lugar da morada de Deus Dom Zenildo sublinhou que a justiça desejada por todos “tem como horizonte o reino de Deus” e a “plenitude de vida de homens e mulheres”. É nesse cenário que a campanha da fraternidade desse ano se apresenta como oportunidade de um caminho de justiça em que “as pessoas vivam bem em espaços de realização”. Ele explicou que o Antigo Testamento traduz a peregrinação do povo de Deus “atrás de um espaço de realização”, diferente do Novo Testamento que traz a escolha de Deus de morar entre nós, como aponta o lema da CF. “O povo vislumbra que talvez o espaço de realização por excelência é onde Deus habita, é a morada de Deus. O salmista canta a sua contemplação da beleza da morada de Deus, o seu encanto pela morada de Deus. Mas o Novo Testamento nos surpreende que a morada de Deus, a escolha de Deus para a sua morada, o lugar de beleza e de encanto da morada de Deus, é onde estão homens e mulheres. Ele veio morar entre nós, repete o lema dessa campanha da fraternidade”. Onde moras? Em 1993, a Igreja abordou a temática de moradia e fraternidade com o lema “onde moras?”, esse recorte histórico ressalta a opção de Deus por estabelecer sua morada “onde estão homens e mulheres, seus filhos e filhas, as suas criaturas, esta realidade que ele criou”. Essa pergunta propõe uma resposta complexa que ultrapassa uma simples localização geográfica.  “É a pergunta de como nós vivemos. É a pergunta de como nós nos realizamos. É a pergunta se o espaço onde nós nos encontramos, vivemos e convivemos se torna um espaço realizador para nós. É claro que nesta campanha da fraternidade, ao rezar esta realidade, nós também queremos discutir, refletir, conversar sobre políticas públicas, sobre políticas habitacionais”, explicou o bispo. O fracasso da política habitacional O evento de abertura aconteceu em uma localidade que espera a muitos anos a construção de moradias populares. A região está à margem do Igarapé e faz parte do programa de requalificação urbana e ambiental PROSAMIM. A demora para o início das obras é apontada por Dom Zenildo como um retrato “desastrosa e desencontrada política habitacional” da cidade de Manaus. “Uma cidade que foi crescendo, crescendo sem a capacidade de se harmonizar com uma beleza natural que lhe era característica uma cidade que aterrou os seus igarapés uma cidade que derrubou suas áreas verdes uma cidade que vai avançando com aglomerados. O cenário que esse lugar nos faz, nos permite perceber, nos coloca entre igarapés que foram perdendo sua vida, nos coloca entre justa posição de moradias, nos coloca no horizonte a verticalização da cidade, que permite qualidades de moradia diferentes”, destacou o bispo. Experiências de encontro O desenvolvimento da campanha no tempo quaresmal é um convite a ver a realidade das pessoas e o exercício da esmola nos colocará “frente a frente com quem não tem moradia”. No caminho, é necessário se aproximar dos irmãos e irmãs ao…
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Seminaristas do Regional Norte 1 iniciam retiro anual

De 15 a 18 de fevereiro, acontece o Retiro Anual de Seminaristas do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Cada etapa da formação terá um pregador(a) e um tema iluminador para meditação do caminho vocacional daqueles que disseram “sim” ao chamado de Deus. A divisão por etapas formativas favorece o amadurecimento espiritual dos seminaristas. Discipulado e Configuração O 1º ano do Discipulado terá como pregador o Pe. Marciney Marques, da Diocese de Parintins e vice-reitor do Seminário Arquidiocesano São José. O formador, trabalhará o
tema: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi” (Jo 15,16). As etapas do 2º e 3º ano do Discipulado,
terão o acompanhamento de Pe. Elcívan da Costa, da Diocese de Coari. O tema iluminador será o mesmo da 1ª etapa: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Já os seminaritas da etapa da Configuração, terão como pregadora a Ir. Sônia, da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo. Suas reflexões partirão da passagem bíblica “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). Arte: Bom Pastor de Eduardo Silva.

Steiner: a cordialidade liberta da indiferença

“A cordialidade, queridos irmãos e irmãs, nos ajuda a libertar de sentimentos de indiferença e rejeição, pois opõe diretamente a nossa tendência a dominar, a manipular, a fazer o outro sofrer”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner na reflexão do 6º Domingo do Tempo Comum. A celebração aconteceu às 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus, Centro. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) iniciou sua homilia recordando que o Evangelho proclamado é uma continuação da meditação das bem-aventuranças. Essa continuação do texto, ajuda a compreender a dinâmica do seguimento a Jesus pautada sob o olhar da cordialidade. Ver a realidade que nos cerca No Evangelho, Jesus diz aos discípulos que para entrar no Reino dos Céus é necessário superar a justiça praticada pelos mestres da lei e fariseus. Essa superação só é possível quando se compreende a importância do “ver” com os olhos a realidade que nos cerca. Uma compreensão que, segundo o arcebispo, é aprofundada ao nos darmos conta que o ver existe também nos que “não têm olhos, que não têm a visão dos olhos”. O cardeal exemplificou, com cenas do quotidiano, inúmeras situações em que nos nossos olhos veem aquilo que Deus nos deu para ver. Como “é de encher os olhos quando contemplamos a beleza dos nossos rios, quando vemos a beleza das nossas florestas, quando vemos um vale florido”. Ele aponta que essa contemplação passa pelos “pequenos gestos, as pequenas mudanças, os mínimos acenos de ternura e de aconchego”, mas que “no andar da vida nossos olhos enxergam, mas muitas vezes não veem”. “Entramos nas nossas casas e não vemos que ela acabou de ser arrumada e limpa e entramos de qualquer jeito dentro da nossa casa. Vestimos as nossas roupas e não nos apercebemos como elas estão bem passadas, cuidadas. Passamos e não vemos, por exemplo, que cresceram nossos filhos. E cresceram em idade, sabedoria e graça. E às vezes os tratamos e deles cuidamos como sendo apenas crianças pequenas. Discutimos, brigamos e não vemos mais a grandeza do amor que nos alimenta e que é capaz de ter criatividade com as nossas diferenças”, explicou Steiner. Olhar que nos salva Segundo o arcebispo, o Evangelho desse domingo traz o convite de Jesus de arrancarmos o olho doente “para podermos assim perceber e nos darmos conta da preciosidade da vida que recebemos”. Isto porque, às vezes, estamos “na iminência de perder a sensibilidade do olhar dos pequenos, dos simples, dos humildes, dos amados de Deus, dos prediletos de Deus, dos filhos e filhas de Deus”. Por isso, o olhar não pode limitar-se ao que está posto como “coisas”, mas ser capaz de ver com “Olhos que enxergam a pobreza, a degradação humana, perambulando pelas nossas cidades. Olhos atentos para a injustiça, para a poluição, mas sempre capazes de buscar e oferecer soluções. Vivemos, queridos irmãos e irmãs, então, numa espécie de dualidade. Uma dualidade no ver, no olhar. Então é preciso arrancar o olho distraído, o olho traído, o olho traiçoeiro, pois somente o olho da vida é que conduz ao Reino de Deus e não desejamos perder o Reino de Deus”, sublinhou o cardeal. Ele pontuou que o olhar a ser cultivado é o de Deus, apresentado na Sagrada Escritura, onde “viu que tudo era bom”. E mesmo que os olhares estejam “dispersos e desatentos nessa multiplicidade de ver” é possível retomar o olhar que “salva, redime, conforta, cordializa”. Para isso, é necessário limpar o olho e devolver o olhar digno, o olhar da beleza, o olhar da fraternidade, o olhar do perdão. “Este olhar da bondade, isto é, o olhar de Deus. Esse olhar que se recolhe, esse olhar que é capaz de contemplar, esse olhar que se deixa invadir pela grandeza das criaturas, é aquele que nos salva. Olhar da benevolência, olhar do perdão, olhar que sempre descobre, até na miséria humana, a grandeza, a fraqueza de Deus, Jesus crucificado. O olhar que de Deus provém é pleno de positividade, queridos irmãos e irmãs. É cheio de jovialidade. É um olhar de cordialidade”, explicou o arcebispo. Redimidos pelo amor Ao citar o trecho bíblico do mandamento de “não matarás”, o presidente aprofunda a compreensão de que “amar o próximo exige fazer-lhe o bem”. Isto é “aceitar e valorizar o que há de amável nele”. De modo que a caridade cristã propõe “adotar uma atitude cordial de simpatia, solicitude e afeto, superando posturas de antipatia, de indiferença, de rejeição e, por que não dizer, de cólera”. “Esse modo vem condicionado pela sensibilidade, pela riqueza afetiva, pela capacidade de comunicação, de relação com todas as pessoas. O amor, essa relação que promove a cordialidade, o afeto sincero, a amizade entre as pessoas, o amor que redime. Essa cordialidade, que não é mera cortesia externa exigida por uma boa educação, nem simpatia espontânea que nasce no contato com as pessoas agradáveis, mas atitude sincera e purificadora de quem se deixa vivificar e transformar pelo amor. Amai-vos como eu vos amei”, reforçou. Permanecer na cordialidade O arcebispo de Manaus insistiu que a dimensão da cordialidade ajuda a suavizar “as tensões e conflitos, aproxima, fortalece e nos dá posturas de amizade e de um amor sincero”. Ele destacou que embora a cordialidade não  tenha recebido a devida importância na vida cristã, ela deve ser cultivada nas famílias, no trabalho e nas relações sociais.  Isto porque a comunicação do afeto “de maneira sadia e generosa criam em torno de si um mundo mais humano, mais habitável, mais confortável, mais harmônico”. “Jesus insiste em desenvolvermos a cordialidade não só diante do amigo ou da pessoa agradável, mas também diante de quem nos rejeita. Basta lembrar as suas palavras que revelam este modo de ser. Não saudeis só os vossos irmãos, se saudais somente vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?”, refletiu o cardeal. O caminho quaresmal na amabilidade Ao final de sua homilia, o presidente indicou a cordialidade como uma disposição a ser assumida no…
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CEAMA e REPAM fortalecem sua articulação no serviço aos povos amazônicos

Em um ambiente de fraternidade, memória agradecida e discernimento pastoral, as Presidências e Secretarias Executivas da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e da Rede Eclesial Panamazônica (REPAM) realizaram em Lima (Peru) seu encontro anual ampliado, com o objetivo de aprofundar a articulação entre ambas as instâncias e projetar prioridades pastorais comuns no horizonte de 2026. Na quinta-feira, 12 de fevereiro, os participantes vivenciaram uma jornada intensa de escuta ativa, avaliação de processos, intercâmbio de experiências e planejamento estratégico conjunto, reafirmando a vontade de caminhar como um só corpo eclesial a serviço dos povos amazônicos. Dois dos bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, estiveram presentes. Dom Evaristo Paschoal Spengler, bispo da Diocese de Roraima e presidente da REPAM e Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da CEAMA. Memória agradecida e confirmação do processo A jornada iniciou com uma oração conduzida pela Irmã Laura Vicuña, que convidou a fazer memória agradecida do caminho compartilhado entre CEAMA e REPAM, nascido no calor do processo sinodal amazônico e consolidado como expressão concreta de uma Igreja em saída, territorial e sinodal. O Pe. Peter Hughes ofereceu uma “memória viva” do processo fundacional da REPAM, ressaltando os aprendizados, as intuições proféticas e a proximidade constante com os povos amazônicos. Posteriormente, o Pe. Rafael Garrido (CPAL) apresentou os principais consensos e desafios surgidos do encontro realizado em Puyo (Equador), orientados a fortalecer uma articulação mais orgânica e eficaz entre ambas as instâncias. Um dos momentos centrais foi a avaliação do acompanhamento ao programa ICRA (Igreja com Rosto Amazônico), realizada pela consultoria Manacá com o apoio da Fundação Porticus. Este exercício permitiu identificar avanços, áreas de melhoria e projeções estratégicas para fortalecer a sustentabilidade institucional e pastoral do processo amazônico. Acompanhamento da Igreja universal Um aspecto significativo do encontro foi a presença do cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que ofereceu orientações para fortalecer a relação entre CEAMA e REPAM, cuidando da identidade própria de cada organismo e promovendo sua complementaridade a serviço da comunhão eclesial. Também participou o núncio apostólico no Peru, Dom Paolo Rocco Gualtieri, expressando a proximidade da Santa Sé com o processo sinodal amazônico. O cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA, destacou que o encontro representa uma confirmação do caminho percorrido: “Foi uma confirmação de um processo que estamos vivendo nos últimos anos, tanto da REPAM quanto da CEAMA. Isso indica um caminhar conjunto no qual algumas questões vão sendo precisadas para melhor caminharmos juntos.” Ressaltou ainda que a missão não pode parar: “Como é um caminho, não podemos apenas olhar para trás nem tampouco nos deter, porque nossa missão fundamental é servir como Igreja na Amazônia e, a partir da Amazônia, contribuir com o caminho sinodal da Igreja universal.” Informes, projeções e perspectivas para 2026 Durante a tarde foi apresentado o informe da reunião realizada em Brasília (18 a 23 de janeiro), na qual foram abordados aspectos administrativos, jurídicos e financeiros fundamentais para a consolidação institucional da CEAMA e sua coordenação com a REPAM. No caso da REPAM, o encontro teve um significado especial por ser o primeiro espaço presencial da nova Presidência e Secretaria Executiva após a transição da Secretaria do Brasil para a Colômbia, iniciada oficialmente em 1º de janeiro de 2026. A secretária executiva, Ximena Lombana, valorizou o espírito de equipe gerado e a crescente clareza sobre a complementaridade entre ambas as instâncias: “Cada vez mais REPAM e CEAMA vão tendo maior clareza sobre a necessidade de ser um só corpo eclesial, com missões complementares que deem força à resposta da Igreja diante da realidade complexa vivida pelos povos amazônicos.” O encontro reafirmou também o compromisso articulado com a Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA) e o Programa Universitário Amazônico (PUAM), fortalecendo a dimensão educativa e formativa do processo eclesial amazônico. Além disso, a CEAMA compartilhou os avanços na preparação de sua VI Assembleia Geral, que será realizada de 16 a 20 de março, em Bogotá (Colômbia), como um momento-chave para consolidar sua estrutura e projetar o caminhar sinodal na região. Celebração e comunhão fraterna A jornada foi concluída com a celebração eucarística conjunta CEAMA–REPAM, presidida pelo cardeal Czerny, no contexto do aniversário do cardeal Barreto. Foi um momento de ação de graças pela vida, pelo serviço e pelo compromisso pastoral a serviço da Amazônia. O encontro confirmou que a articulação CEAMA–REPAM é uma expressão concreta do espírito sinodal que anima a Igreja na Amazônia: caminhar juntos, escutar juntos e servir juntos, para que a vida plena floresça no território. Texto e imagem: https://ceama.org/ceama-y-repam-fortalecen-su-articulacion-al-servicio-de-los-pueblos-amazonicos/

Pastoral da Saúde Regional Norte 1 celebra o Dia Mundial do Enfermo

No dia 11 de fevereiro de 2026, a Pastoral da Saúde do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) celebrou o XXXIV Dia Mundial do Enfermo. Diversas paróquias, áreas missionárias, comunidades e hospitais das dioceses, prelazias e da Arquidiocese de Manaus realizaram missas, visitas, palestras e celebração em alusão as campanhas de conscientização. A data, instituído por São João Paulo II em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes, foi marcada por momentos de carinho, amor e esperança aos irmãos e irmãs enfermos nos hospitais e nas residências. O Papa Leão XIV recordou que o cuidado com os enfermos é fundamentado na parábola do bom samaritano, no qual o evangelista Lucas convida a olhar o outro com compaixão. Esse olhar compassivo, conduz cada agente de pastoral a aproximar-se e cuidar do outro. Isto quer dizer que, o estilo de vida cristão, baseado no nosso vínculo de amor com Deus, compreende esta “dimensão fraterna, ‘samaritana’, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária”. A missão do cuidado Na Prelazia de Tefé, aconteceu a missa dos enfermos na Catedral de Santa Teresa D´Ávila e visita ao Hospital Regional de Tefé. O diretor, Dr. Alain Carvalho, expressou a honra de receber a coordenadora da Pastoral da Saúde da Prelazia de Tefé, Sra. Edyana Vieira e o Pe. Rajaomihasina Rolland, que levaram “palavras de fé, esperança e conforto aos nossos pacientes”. O responsável frisou que essas ações fortalecem a “missão de cuidar com excelência, empatia e humanidade”. “Este momento reforça a importância do cuidado integral, que vai além da assistência física. A presença espiritual e o apoio emocional contribuem significativamente para o bem-estar dos   enfermos, fortalecendo a esperança, reduzindo a ansiedade e promovendo acolhimento em um momento de fragilidade”, disse o médico. Visita aos hospitais Em Manaus, a pastoral da saúde da arquidiocese visitou o Hospital Beneficente Português do Amazonas, no centro da cidade. Em São Paulo de Olivença, na Diocese do Alto Solimões, os agentes participaram da celebração e realizaram visitas ao Hospital Municipal Dr. Joviano de Assis Silva, com o acompanhamento de Pe. Marcelo Gualberto. Além da celebração na Basílica de Santo Antônio, a Diocese de Borba contou com uma palestra em alusão as campanhas de conscientização do mês de fevereiro Roxo e Laranja, enfatizando a doação de medula óssea para tratamento da Leucemia. Este dia nos convida a acolher o sofrimento com fé, reconhecendo nele a proximidade de Cristo e a importância da solidariedade. Na Diocese de Roraima, a Pastoral da Saúde desenvolve ações de acompanhamento espiritual e apoio às pessoas enfermas e às suas famílias. Segundo Jivaneide Barbosa, coordenadora da Pastoral da Saúde, o trabalho é realizado de forma contínua, o que permite levar conforto ao enfermo e às suas famílias, pois “quando há um doente em casa, não é somente ele que fica fragilizado, mas toda a família e os cuidadores também são abalados emocionalmente” As campanhas de conscientização Segundo o site do Governo Federal, durante este mês, as cores roxa e laranja são utilizadas em diversos meios de comunicação com o objetivo de atentar para a conscientização e combate de algumas doenças. A cor roxa foi escolhida para a conscientização do Lúpus, da Fibromialgia e do Mal de Alzheimer. Já a cor laranja foi incluída na campanha para conscientizar um dos tipos mais graves de câncer, a Leucemia, ela frisa a importância da doação de medula óssea, pois a cada cem mil pacientes, apenas um doador é compatível. O Lúpus é caracterizado como um distúrbio crônico que faz com que o organismo produza mais anticorpos que o necessário para manter o organismo em pleno funcionamento. Os anticorpos em excesso passam a atacar o organismo, causando inflamações nos rins, pulmões, pele e articulações. Segundo o Ministério da Saúde, o Lúpus Sistêmico (Les) é a forma mais séria da doença e a mais comum, afetando aproximadamente 70% dos pacientes com Lúpus. A doença afeta principalmente mulheres, sendo 9 em 10 pacientes com o risco mais elevado durante a idade fértil. Já a Fibromialgia ataca especificamente as articulações, causando dores por todo o corpo, principalmente nos músculos e tendões. A síndrome também provoca cansaço excessivo, alterações no sono, ansiedade e depressão. A doença pode aparecer depois de eventos graves como um trauma físico, psicológico ou mesmo uma infecção. O motivo pelo qual pessoas desenvolvem a doença ainda é desconhecido. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) calcula que a fibromialgia afeta cerca de 3% da população. De cada 10 pacientes com fibromialgia, sete a nove são mulheres. O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social. Com o passar do tempo, ela também interfere no comportamento e personalidade da pessoa, causando consequências como a perda de memória. O Alzheimer é a causa mais comum de demência – um grupo de distúrbios cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais. No Brasil, existem cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Seis por cento delas têm a doença de Alzheimer, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). A Leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos, geralmente, de origem desconhecida. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que em 2019 a leucemia teve mais de 10 mil novos casos. Os sintomas incluem anemia, palidez, sonolência, fadiga, palpitação, manchas roxas na pele ou pontos vermelhos, bem como gânglios linfáticos inchados, perda de peso, febre e dores nas articulações e ossos. Informações e fotos: Pastoral da Saúde Regional Norte 1 Fontes: https://www.gov.br/cetene/pt-br/assuntos/noticias/campanha-fevereiro-roxo-e-laranja https://www.monteroraimafm.com.br/noticia/dia-mundial-do-enfermo-pastoral-da-saude-leva-acolhimento-e-conforto-espiritual-na-diocese-de-roraima

Rede um Grito Pela Vida realiza ação sobre o Tráfico de pessoas em Manaus

A Rede um Grito Pela Vida realizou no dia 10 de fevereiro, uma ação de intervenção social sobre o tráfico de pessoas, no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora Aparecida, no centro de Manaus. A iniciativa recorda a memória de Santa Josefina Bakhita, comemorada no último dia 08, e colabora com as iniciativas nacionais da Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH-CNBB), que articula ações de prevenção e incidência políticas para o enfrentamento ao tráfico de pessoas no Brasil.  O núcleo de Manaus da articulação intercongregacional da Conferência de Religiosos/as do Brasil (CRB), composta por religiosos e leigos, organizou as atividades em parceria com a Congregação do Santíssimo Redentor (C.Ss.R.). Durante as celebrações da tradicional novena em hora a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, os celebrantes refletiram sobre o tráfico de pessoas, em cada uma das celebrações. Essa sensibilização contribui para que os fiéis tivessem interesse pelo material e conversar sobre a realidade desse crime. Na ocasião, foram distribuídos 4.500 panfletos de material pedagógico disponibilizado gratuitamente pela Rede Um Grito Pela Vida. O grupo garantiu a presença permanente entre 06h e 18h, com a divisão de todas as integrantes em equipes em cada um dos horários. As intervenções pautaram os relatos de desaparecimento de crianças e adolescentes, assédios via internet, trabalho escravo e a exploração sexual. Além disso, a Rádio Rio Mar colaborou com duas entradas ao vivo em momentos distintos, dando visibilidade a ação. Informações e imagens: Rede um grito pela Vida (Núcleo Manaus).

Arquidiocese de Manaus realiza Coletiva de Imprensa da Campanha da Fraternidade 2026

A Arquidiocese de Manaus realizou, nesta terça-feira, 10 de fevereiro, uma coletiva de imprensa para apresentar o tema da Campanha da Fraternidade 2026, no Auditório Mãe Paula, na Cúria Metropolitana de Manaus. O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), destacou que a campanha acontece no período da Quaresma, que “é tempo de conversão” e “mudança de vida”. A CF está inserida em um tempo litúrgico muito importante na igreja, “onde olhamos para Jesus crucificado-ressuscitado e percebemos as mudanças necessárias”, explicou o cardeal. Esse apelo à conversão alcança a dimensão social, como insistia São João Paulo II e a ecológica enfatizada por Papa Francisco. “Devagarinho vamos abrindo o leque da necessidade de transformações, não apenas na vida pessoal, mas na vida social, na vida das nossas relações e por que não dizer também a conversão necessária dentro da nossa casa comum”, disse o cardeal. Tema e lema da CF 2026 A Campanha da Fraternidade 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o “Ele veio morar entre nós” (João 1,14). O cardeal recordou que ao rezarmos o anúncio do anjo do Senhor a Maria, na terceira invocação, “recordamos esse mistério da presença de Deus no meio de nós”. Essa temática da moradia convida os fiéis a reconhecer em cada irmão e irmã a presença de Cristo e a necessidade de condições de vida digna para todos. O arcebispo reconheceu o esforço dos governos para a construção de moradias, mas que essa realidade ainda não alcança a todos. Nesse horizonte, a Igreja colabora indo ao encontro “os irmãos e irmãs que moram nas nossas ruas, fazem das ruas a morada” com acolhimento “para que eles possam ter a dignidade necessária”. Além disso, é fundamental que a moradia digna seja compreendida também com os espaços “onde aconteça educação, onde aconteça cultura, onde aconteça o esporte”. “No tempo da campanha da fraternidade, nós queremos rezar, queremos meditar, porque não discutir a questão da moradia. Sempre pensando que o habitar é o importante. As pessoas se sentirem em casa, mas se sentirem em casa com dignidade, porque todos são filhos e filhas de Deus. Então, que a campanha da fraternidade deste ano nos ajude a compreender a necessidade de todos terem a sua casa”. A realidade habitacional em Manaus A coletiva também abordou a questão habitacional na cidade de Manaus. Ir. Rosanna Marchetti (MDI/PIME), da Coordenação de Pastoral da Arquidiocese de Manaus, recordou que a capital ocupa a 4ª posição das cidades com realidade de favela. Segundo ela, o tema da CF estimula “ações concretas de proximidade para com estas famílias que vivem em situações precárias”. Outro ponto apresentado pela irmã, foram as ações da Defensoria Pública de entrega do título de proprietários de alguns terrenos na cidade para “pessoas que têm uma casa, mesmo que precária”. O título possibilita a melhoria de vida e da própria moradia, citando o capítulo 2 do texto base, Ir. Rosanna, destacou a aproximação do tema “com a nossa fé”: “Ele veio morar entre nós. Jesus também mora. Foi alguém que veio ao mundo e não tinha moradia, fez esta experiência. E a questão da casa é um espaço de relações, um espaço de vivência de fé. E lá nós lembramos os atos dos apóstolos, onde as primeiras comunidades se encontravam nas casas. Então, este tema nos ajuda a refletir em vários aspectos, a dimensão social, a dimensão da fé, para poder escolher ações concretas para abordar esta temática”. Expectativa da população  O Sr. Carlos Lacerda, do Projeto Cachoeira Grande, esteve na coletiva e apresentou a situação vivida pelas famílias que representa, agradecendo a Arquidiocese de Manaus pela temática da moradia. Ele representa os moradores da Alameda Pico das Águas, no bairro São Geraldo, que foram retiradas da região para as obras de requalificação urbanística nas margens do igarapé da Cachoeira Grande e da comunidade Arthur Bernardes, no bairro São Jorge, vítimas de um incêndio em 2012. Os moradores aguardam a 13 anos a entrega de unidades habitacionais. Muitas dessas famílias recebem o aluguel social, mas o alto custo dos aluguéis na cidade dificulta a qualidade de vida. Segundo Carlos, há uma possibilidade que as obras no local comecem esse ano com a construção de “520 apartamentos, sendo 260 apartamentos na Kako Caminha, que é no bairro São Geraldo, e 260 na Arthur Bernardes”. “Hoje em dia, a gente vê muitas pessoas na rua que não têm uma moradia digna. Essas pessoas precisam de uma moradia para se esconder da chuva, do sol. Então nós temos que lutar por esse tipo de moradia para as pessoas, porque as pessoas também hoje em dia não podem, não aguentam mais pagar aluguel”, relatou o represente do projeto Cachoeira Grande. A sensibilidade pastoral da Igreja Pe. Geraldo Bendham, Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Manaus, apontou que a Igreja tem grande sensibilidade e solidariedade pastoral com as pessoas sem moradia, e o tema da campanha é reflexo disso. Ao citar a questão da moradia na cidade, ele recorreu a duas situações muito significativas para o processo de ocupação da cidade: a extinta cidade flutuante e o advento da Zona franca de Manaus. Na primeira, a grave questão sanitária das moradias “em cima do rio, nos flutuantes”, e a segunda com a “ocupação desordenada por todos os lugares”. O coordenador pastoral ressaltou que os governos não conseguiram acompanhar esses processos de ocupação, o que ocasiona num grande número de pessoas desassistidas pelo poder público. Diferente da presença da Igreja, que acompanha as dinâmicas das “pessoas que não têm casa ou aqueles que estão na rua”. Quanto a situação dos moradores que aguardam as casas nos bairros São Geraldo e São Jorge, Pe. Geraldo expressou que é um grande descaso com as famílias. “É uma vergonha. Mais de 11 anos, dinheiro do banco, licitação. É um governo descomprometido com a casa da família, porque moradia está ligado diretamente com a família. Um lar, uma casa, um…
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