Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Blog

Bispos do Regional Norte 1 participam de reunião na Diocese de Parintins

Bispos das nove dioceses e prelazias pertencentes ao Regional Norte 1 (Amazonas e Roraima) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reúnem-se no município de Parintins para encontro anual, agendado no último encontro realizado em fevereiro de 2018, na Diocese do Alto Solimões. Neste ano o evento ocorre de 11 a 14 de fevereiro e consiste em momentos fraternos para partilhar a caminhada e encaminhar assuntos relevantes para o Regional Norte 1, sendo o dia 13, quarta-feira, dedicado ao Sínodo para a Amazônia. “A reunião dos Bispos do Regional Norte 1 da CNBB, que acontece na Diocese de Parintins, continuou, e o dia 13, foi dedicado ao Sínodo para a Amazônia. Pela manhã visitamos a área missionária São Sebastião composta por comunidades ribeirinhas, uma experiência nova na Diocese, com a concretização da busca de novos caminhos proposto na temática do Sínodo. Na parte da tarde, retornando a sede da Diocese, e foi momento de refletir a partir das escutas feitas nas nove dioceses e da carta final da assembleia territorial do Regional. Os bispos fizeram uma partilha dos processos feitos em suas Dioceses e observou-se que muitas das indicações são comuns. A noite uma celebração na a antiga Catedral da Diocese. Mas, na busca de novos caminhos, também se faz necessário parar para conhecer melhor a cultura do lugar, foi momento de contemplar a apresentação dos dois bois bumbás Garantido e Caprichoso. Realmente uma celebração da diversidade cultural de nossa gente. Assim concluímos este dia do encontro”, relatou o Diácono Francisco Lima, secretário executivo do Regional Norte 1. Confira algumas fotos da chegada e do primeiro dia do encontro.

Celebração Eucarística com bispos do Regional Norte 1 marca o início das atividades no ITEPES

Bispos do Regional Norte 1 – Amazonas e Roraima, padres, religiosos, seminaristas e leigos estiveram reunidos na Celebração Eucarística realizada na manhã de 11 de fevereiro, nas dependências do Instituto de Teologia Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES), para dar abertura ao ano letivo. O arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Sergio Castriani, presidiu a celebração. Concelebrando estavam Dom José Ionilton, Bispo da Prelazia de Itacoatiara; Dom Edson Damian, Bispo da Diocese de Gabriel da Cachoeira; Dom Mário Antônio, presidente do Regional Norte 1 e Bispo da Diocese de Roraima; padre Cândido Cocaveli, diretor administrativo do ITEPES; auxiliados pelo diácono Francisco Lima, secretário executivo do Regional Norte 1 Amazonas e Roraima. Ao final da celebração, Padre Cândido Cocaveli leu um trecho de umas das cartas do livro de autoria de Dom Mario Clemente, bispo emérito de Tefé, onde ele conta experiências das missões realizadas na Amazônia, o jeito simples do povo ribeirinho e a vontade de aprender sobre Jesus. Citou ainda sobre os 20 anos em que a sede do ITEPES foi entregue. Depois da celebração, houve um breve lanche e em seguida todos retornaram à sala para o início da mesa redonda com os bispos, que marcou o início do Curso “Realidade Amazônica” para novos missionários, recém chegados à Amazônia.  Na ocasião, abordaram assuntos pertinentes no Regional Norte 1, como pastoreio, as experiências vividas na Amazônia e a migração ocorrida em Roraima, onde Dom Mário Antônio falou um pouco da sua realidade.  Por Rafaella Moura  

Indígenas se mobilizam em Manaus contra MP 870 e contam com o apoio da Igreja local

Por Luis Miguel Modino Os povos indígenas não estão dispostos a aceitar as limitações que o governo federal pretende impor e gradualmente estão organizados para exigir os direitos que a Constituição Federal de 1988 garante. Este 20 de janeiro, os índios tomaram as ruas e têm gritado contra a Medida Provisória 870 do presidente Jair Bolsonaro, que transfere os poderes da Fundação Nacional do Índio – FUNAI, para o Ministério de Agricultura. O grito de guerra foi: “Não gota de sangue mais” slogan da campanha “SANGUE INDÍGENA. NENHUMA GOTA A MAIS!” que foi lançada em todo o país defender os direitos dos povos indígenas, repetindo em diferentes intervenções que não aceitam, repudiam a decisão do atual presidente e se perguntando onde está o justiça. O evento foi organizado pela Confederação de Povos Indígenas de Manaus e Meio Ambiente – COPIME, e tem recebido apoio de diferentes organizações e agências, incluindo a Caritas Arquidiocesana de Manaus, o Serviço de Ação, Reflexão Igreja Católica e Educação Socioambiental – SARES e o Conselho Indigenista Missionário – CIMI. Segundo o diácono Afonso Oliveira, Secretário Executivo da Caritas – Manaus, a entidade “tem apoiado sempre a Pastoral Indigenista como Pastoral Social, apoiando os movimentos indígenas que estão se movimentando hoje reivindicando aquilo que é justo, os direitos que estão sendo ameaçados”. Nesse sentido, o diácono afirma que “a gente está acompanhando todo esse processo de desmonte dos direitos e é preciso um posicionamento, apoiamos a iniciativa, essas reivindicações que estão sendo colocadas hoje”. Turi Sateré, presidente da COPIME reconheceu que a razão para a concentração, além das reivindicações contra a Medida Provisória 870, são “vários retrocessos que podem vir contra os povos indígenas”, observando que “é uma luta no Brasil todo”. Nesse sentido, Nara Baré, presidenta da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB, disse que as organizações indígenas já estão conscientes das ameaças do novo governo desde antes de tomar posse, considerando a Medida Provisória 870 como algo que “traz um total genocídio para os povos indígenas do Brasil”, com o objetivo de “abrir a Amazônia para o agronegócio, para a mineração em terras indígenas, para a exploração, e isso para a gente, a gente não quer”. Junto com isso, a presidenta da COIAB denuncia a existência de mais de duzentos pedidos de demarcação de terras indígenas. Ela reconhece falta de confiança nas instituições brasileiras, que não são muito propensas a defender os povos indígenas, como mostra o fato de que, após as últimas eleições, as invasões de terras indígenas e assassinatos aumentaram. No entanto, Nara Baré, adverte que “não vamos recuar”, denunciando o retorno do discurso da ditadura militar, que defendia a assimilação e integração dos indígenas, que são retrocessos inaceitáveis, sem querer entender que “nossos territórios somos nós, estamos na água, no vento, na floresta “, segundo o líder indígena. Na mesma linha, tem se pronunciado o Presidente da Confederação das Organizações Indígenas do Rio Negro – FOIRN, Marivelton Baré, que disse que, no Brasil, “um governo ante indígena foi instalado”. Recordando a história dos povos indígenas, ele afirmou que “estas terras, este território sempre foi nosso, a gente teve nossa casa, nosso território invadido e hoje a gente tem que se ficar mobilizando para que o governo reconheça o que é nosso por direito originário”. Contra o discurso acusando os índios de muita terra para pouco índio, observou que 13% do território é terra indígena, enquanto 60% está nas mãos do agronegócio. Ele denunciou que “hoje eles estão ameaçando nosso modo de vida, nosso território, nosso bem viver nas nossas comunidades, porque o que eles querem não é o bem viver dos indígenas, apenas todas as riquezas que tem dentro de nossos territórios”. Para combater esta realidade pediu unidade como organizações e povos, dizendo que “temos que saber seguir com uma visão estratégica diante da sociedade que nos envolve”, fazendo uma chamada para uma “mobilização diante do estado brasileiro para implementar e garantir políticas públicas adequadas e de acordo com a nossa especificidade “. O novo deputado federal José Ricardo Wendling, ressaltou a importância da mobilização “para tentar reverter a medida provisória que remove as atribuições importantes da Funai, para passá-las para um ministério que não tem compromisso com a causa indígena”. Inclusive o deputado denunciou que “foi feito isso de propósito, que é para dizer que a questão indígena não é prioridade para este governo”. O próprio Procurador da República no Estado do Amazonas para as populações indígenas e comunidades tradicionais, Dr. Fernando Merloto Soave, acusou o governo de não respeitar a Constituição Federal, nem a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que afirma que os indígenas, as populações tradicionais têm que ser consultadas. O procurador destacou que “mudar toda uma estrutura de um órgão indigenista sem ne sequer consultar, nem as entidades, sem dialogar, o primeiro dia, não faz parte da observância da Convenção do OIT que o Brasil é hoje signatário. Isso precisa ser revisto por este governo, de uma maneira democrática, dialogada, ou se isso não for possível judicialmente”. Ele mesmo, que recolhe todas as denúncias que violam os direitos indígenas no estado do Amazonas, reconhece que há “uma série de problemas que enfrentamos hoje, desde a questão da terra, que sempre é a principal, porque sem a terra não pode articular questões de saúde, de educação “. Nesse sentido, há “a Constituição Federal determinou que com cinco anos, lá em 88, forem demarcadas todas as terras, ou seja, deveriam estar todas demarcadas até 93, e até hoje mais de 400, 500 ainda não foram demarcadas”. Segundo o Procurador Geral, “não é uma questão deste governo, porque os governos anteriores não avançaram, mas agora me parece que ainda menos”. Isso resulta em “ausência de saúde adequada, ausência de educação diferenciada”, diz o doutor Fernando Merloto Soave, que exemplificou que “só no estado do Amazonas são 800 comunidades indígenas sem escolas, tem as crianças e os professores e você não tem escola e quando tem às vezes não é diferenciada”. Por essa…
Leia mais

Andar por toda a parte fazendo o bem – Artigo do site CNBB

http://www.cnbb.org.br/andar-por-toda-a-parte-fazendo-o-bem/ O Batismo de Jesus marca o início de sua vida pública. Ele começa a realizar efetivamente a sua Missão entre nós. Assim nos relatam os Evangelistas Mateus, Marcos e Lucas (cf. Mt 4, 1; Mc 1, 12; Lc 3, 23. 4, 1). Eles colocam o início das atividades de Jesus imediatamente após ter sido batizado por João no Rio Jordão. Marcos após relatar o batismo de Jesus, escreve: “Logo depois, o Espírito o fez sair para o deserto” (1, 12). O Batismo que Jesus recebeu não é o batismo que nós recebemos. Jesus foi batizado com o batismo de João, que era “um batismo de conversão, para o perdão dos pecados” (Mc 1, 4). Embora Jesus não precisasse deste batismo, pois não tinha pecado, ele, também, aqui no batismo desejou ser igual a nós, numa grande demonstração de humildade. É bom ler o diálogo de João Batista com Jesus antes dele ser batizado (cf. Mt 3, 13-15). O Batismo que recebemos é o Batismo instituído por Jesus, conforme encontramos relatado pelos evangelistas Mateus e Marcos (Mt 28, 19; Mc 16, 15-16). Como nos ensina Paulo, pelo batismo que recebemos, participamos da morte e ressureição de Jesus e passamos a viver uma vida nova (cf. Rm 6, 4-5). Esta vida nova que começa em nosso batismo se consolida no seguimento de Jesus. O batismo nos faz discípulos e discípulas dele (cf. Mt 28, 19). Ser discípulo/discípula dele significa “aprender dEle” (cf. Mt 11, 29), fazer como Ele fez (cf. Jo 13, 15) e amar como Ele amou (cf. Jo 13, 34). Pedro na segunda leitura da Festa do Batismo de Jesus (cf. At 10, 34-38) nos oferece uma informação essencial para que possamos viver bem o nosso batismo, conformando (assumindo a forma) da vida de Jesus. Pedro em uma catequese na casa de Cornélio disse: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Por toda a parte ele andou fazendo o bem” (At 10, 37-38). Jesus andou por toda a parte fazendo o bem. Mateus escreve em seu evangelho o recado de Jesus para João Batista que mandou saber se ele era mesmo o Messias. Neste recado de Jesus encontramos exemplos do bem que Ele andou fazendo por toda parte. Vejamos: “Cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova” (Mt 11, 5). Jesus foi humilde pois não mandou dizer que ele tinha dado pão aos famintos (cf. Jo 6, 5-13), que tinha evitado que a mulher adúltera fosse morta à pedradas (cf. Jo 8, 1-11), que superou o preconceito contra a mulher, causando até escândalo aos apóstolos (cf. Jo 4, 4-30). Se Jesus andou por toda a parte fazendo o bem, nós que o seguimos somos, também, chamados e chamadas a fazer como Ele fez. Devemos, portanto, nos perguntar, tem sido assim a minha vida? Ando por toda a parte fazendo o bem: na família, no trabalho, no estudo, onde moro, com meus amigos e amigas, na minha Comunidade de fé? Que bem tenho feito e quem bem posso ainda fazer ou fazer melhor? Esta nossa missão de fazer o bem é permanente e não depende de ninguém. Devemos fazer o bem mesmo quando recebemos o mal ou quando vemos o mal crescendo no meio e nós. Lembremos do que nos diz Paulo na carta aos Romanos: “A ninguém pagueis o mal com o mal. Empenhai-vos em fazer o bem diante de todos… Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem” (12, 17.21). Fazer o bem a todas as pessoas, mas devemos fazer o bem a quem mais precisa de nossa ajuda, tornando assim o bem que fazemos em gestos de solidariedade que como nos ensina São João Paulo II é “a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum, ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos” (Carta Encíclica Sollicitudo Rei Socialis, nº 38). Podemos fazer o bem de muitas e diversas formas, individual ou comunitariamente, mas quero lembrar os chamados areópagos modernos, que o Documento 105 da CNBB nos números 255 a 272 apontam como espaços próprios para os cristãos leigos e as cristãs leigas agirem: a) a família: comunidade de vida e de amor, escola de valores, Igreja doméstica, grande benfeitora da humanidade; b) a política: uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum; c) o trabalho: um direito fundamental da pessoa humana e meio importante para servir à sociedade; d) a cultura e a educação: contribuem para a promoção do desenvolvimento integral da pessoa; e) os meios de comunicação: podem colaborar com o bem comum, com a comunidade em suas necessidades e com as superação dos problemas sociais; f) a Casa Comum:  a defesa da criação, das águas, das florestas e do clima. Por  Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira Bispo da Prelazia de Itacoatiara

Regional finaliza processo de síntese das escutas para o Sínodo para a Amazônia

Por Ana Paula Lourenço – Pastoral da Comunicação Regional Norte 1 –AM/RR Com a finalidade de sintetizar todas as escutas realizadas com os mais diversos grupos das nove (arqui)dioceses e prelazias do Amazonas e de Roraima, o Regional Norte 1 da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro, em Manaus, uma assembleia territorial pré-sinodal para apresentar a síntese realizada a partir dos 34 relatórios de escutas enviados à equipe de trabalho, onde foram destacados alguns elementos como a valorização dos povos indígenas, a questão da cultura, do saber tradicional, do cuidado com a natureza, com a Casa Comum e expressões culturais. Por meio de uma carta, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário geral do sínodo dos bispos, deixou uma mensagem motivadora para este trabalho que, segundo ele, ajuda todo o território da Amazônia  a participar ativamente da preparação do sínodo para a Amazônia que vai ocorrer em outubro de 2019, tendo como objetivo a evangelização dos povos dos territórios amazônicos, com especial atenção aos povos indígenas. Nesta, afirmou que tudo o que for levantado, fruto do trabalho e discernimento das escutas serão muito úteis para toda a Região Amazônica, iniciativa esta que confirma ser esta uma igreja sinodal, ou seja uma igreja participativa e corresponsável. Toda a escuta foi realizada utilizando o método VER, DISCERNIR E AGIR, e enviada à comissão por meio de relatórios, totalizando 34 (até o momento da assembleia territorial) sendo dez de comunidades e paróquias, cinco de povos indígenas, nove de organizações pastorais regionais, nove das igrejas locais e um da assembleia do Regional Norte 1 ocorrida em setembro deste ano. O trabalho de síntese dos pontos destacados por cada participante desse processo foi realizado pela equipe formada por Pe. Zenildo Lima, Ir. Rose Bertoldo e Pe. Luiz Modino, que apresentaram o resultado para avaliação e inserção de algum ponto muito relevante. Todo o conteúdo será levado para um grande trabalho de síntese nacional, no mês de dezembro, tendo como porta-voz padre Zenildo Lima.  Depois desta etapa, haverá a construção do Instrumentum Laboris, que norteará os trabalhos do sínodo que vai ocorrer no Vaticano, em outubro de 2019, com a presença dos bispos que atuam na Amazônia.  “A nossa atitude foi de acolher as propostas vindas das nossas (arqui)dioceses e prelazias que nos motivaram a fazer grupos e a propor acréscimos. Queremos que as propostas aqui  oficializadas sejam encaminhadas para um novo ciclo de análise que vai servir de material para a elaboração do instrumento de trabalho, um novo texto que vai ajudar os bispos na realização do sínodo em outubro do próximo ano. Quero agradecer a todas as comunidades, paróquias e áreas missionárias, dioceses e prelazias, todos que participaram desse processo que continua para o bem da Amazônia, em uma ecologia integral, no cuidado com a criação, sobretudo com as comunidades e povos originários e todas as pessoas que residem nesta belíssima e grande região que compreende também oito países”, destacou Dom Mario Antonio da Silva, Bispo de Roraima e Presidente do Regional Norte I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).    Segundo Dom Mário Antônio, em todo o processo de preparação houve a intenção de buscar novos caminhos de evangelização para a nossa Igreja. “Sabemos que o caminho é a comunidade, é o bem de família, e ao mesmo tempo vida em abundância para todos. Vivemos em tempos difíceis de muitos desafios e também de possíveis ameaças a nível nacional e estadual, por isso queremos que o processo do sínodo seja um despertar e reanimar para que possamos não ficar anestesiados diante de possíveis ameaças para a vida humana, da Amazônia e do nosso planeta. Que sigamos unidos como mensageiros da esperança, com a alegria  de que o reino de Deus está no meio de nós e nos fortalece na luta pela justiça e na construção de uma cultura de paz”, enfatizou Dom Mário. Ao final, como de costume, foi escrita uma carta em que se destacou ser o Sínodo um tempo de graça, um kairós, que convoca todos a elevar as vozes e dar as mãos e seguir; sendo um processo que gera possibilidades, promove a escuta e uma ferramenta que ajuda a recolher as vozes proféticas dos povos da Amazônia, reconhecendo o papel da mulher, em uma sociedade dominada pelo mercado, pelos grandes projetos, com propostas perversas. “Sonhamos com uma Igreja ousada, dialogal, inclusiva, pobre, solidária, mística, em saída. Uma Igreja que quer se expressar em uma liturgia e sacramentos inculturados, que assimila as culturas, dá valor à religiosidade popular e mariana, promove o diálogo inter-religioso, desde a escuta e a teologia indígena. Uma Igreja profética, que promove novos paradigmas de comunicação, com pauta nos povos da Amazônia, que atua em rede e busca repercutir a vida da região”. Confira na íntegra a carta escrita pelos participantes desta assembleia territorial pré-sinodal.    

Políticas Públicas é temática de encontro formativo promovido pelo Regional Norte 1 em Manaus

Representantes de Pastorais, Serviços e Organismos do Regional Norte 1 – Amazonas e Roraima da CNBB estiveram reunidos entre os dias 27 e 29 de novembro, no Centro de Formação Maromba, situado no bairro Chapada, para participar do encontro de formação sobre a temática da Campanha da Fraternidade de 2019 “Políticas Públicas”, conduzida pela assessoria do bispo do Alto Solimões, Dom Adolfo Zon Pereira, que é especialista no assunto. Foram três dias de intensa reflexão para despertar nos participantes, cerca de 90 pessoas, a compreensão sobre políticas públicas e sua importância, visando seguir o objetivo da Campanha da Fraternidade 2019 que pretende estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, conhecendo como são formuladas e aplicadas as Políticas Públicas no âmbito municipal, estadual e federal. Espera-se que os presentes neste encontro sejam multiplicadores, levando estas reflexões e fomentando discussões nas comunidades de todas as nove prelazias e dioceses do Regional Norte 1 que compreende os Estados do Amazonas e Roraima. Dom Adolfo deu uma verdadeira aula sobre porque existem e como deveriam funcionar as políticas públicas e também relacionou a isso a doutrina social da Igreja Católica. Destacou que o ser humano é essencialmente social e precisa do outro para sobreviver, por isso é tão importante que conheça a cultura política, seus valores e idéias, atitudes e predisposição, opinião política, saber quem são os atores e agentes envolvidos, as instâncias que existem, quais espaços o cidadão pode adentrar e fazer a diferença, lutando conta a corrupção e para que estas políticas beneficiem a sociedade como um todo, especialmente no campo da saúde, educação, habitação, dentre outros, garantindo os direitos e a cidadania, promovendo justiça social. “Trabalhamos para fazer familiar o texto-base que a Campanha da Fraternidade está nos oferecendo, sobre a temática das políticas públicas. Eu tentei, no primeiro dia, coloca a CF dentro do contexto da quaresma, porque eu creio que é um elemento muito importante, pois sublinha uma dimensão muito importante da quaresma que é a conversão estrutural e social porque não devemos nos esquecer que o ser humano é um ser social, então a conversão tem também que atingir as suas relações com os outros e também as estrutura que ele vai criando”, destacou o bispo do Alto Solimões. Na tarde do segundo dia de encontro (28/11), os presentes se dividiram em 12 grupos para refletir as pistas que foram dadas por toda a exposição dentro do método VER, para julgarem e formularem propostas (AGIR) do que pode ser realizado em cada localidade na intenção de disseminar uma visão crítica e tornar as pessoas agentes de transformação, conscientes de seus direitos e deveres diante da sociedade, buscando o bem comum. “Eu creio que um dos compromissos do ser cristão é também converter as estruturas de pecado em estruturas da graça de Deus. Eu creio que no campo da política, é possível converter ou fazer dessas estruturas canais da graça de Deus. Pra isso, a primeira coisa que temos que fazer é conhecer a natureza dessa atividade, e respeitando suas leis internas, nós vamos colaborar para que também a graça de Deus passe por este mundo da política que tanto precisa. E eu creio que se a sociedade estiver muito mais perto daqueles que nós escolhemos para levar para frente a comunidade política e as suas ações, eu creio que no final vamos ganhar todos. Eu espero que esta campanha da fraternidade nos empolgue e nos faça mais próximos das nossas autoridades para que juntos possamos encontrar as soluções que mais convenham aos problemas que nós estamos sofrendo”, explicou Dom Adolfo. Por Ana Paula Lourenço – Pastoral da Comunicação Regional Norte 1 – AM/RR

Encontro Regional dos Presbíteros realizado em Itacoatiara reuniu mais de 70 padres do Regional Norte – 1

De 5 a 9 de novembro, aconteceu em Itacoatiara (AM), na Paróquia Divino Espírito Santo, o Encontro Regional dos Presbíteros, contando com a presença de 74 padres do Regional Norte 1  amazonas e roraima,  e três bispos, Dom José Albuquerque, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus; Dom José Ionilton, bispo da prelazia de Itacoatiara; e Dom Giuliano Frigen, bispo de Parintins. O encontrão teve como tema “O Burnout na vida consagrada e Religiosa” e Lema “cuidai de vós mesmos e de todo rebanho, pois o Espírito Santo vos constitui como guardiões”. O assessor do encontro foi o psicólogo clínico do Instituto “Acolher” de São Paulo, o  Dr. Wellington Heleno, que trabalha no acompanhamento de Presbíteros, religiosos e seminaristas. O objetivo foi continuar com a formação permanente dos padres e fomentar a fraternidade Presbiteral, e o tema refere-se a uma doença psíquica, um estado de esgotamento físico e mental, cuja causa está intimamente ligada à vida profissional e quem lida diretamente com pessoas. O próximo Encontro Regional está previsto para a cidade de Coari AM, em 2020. Informações e fotos – Pe. Marcicley Martins, secretário da Pastoral Presbiteral do Regional Norte 1 – Amazonas  e Roraima

Regional Norte 1 – Amazonas e Roraima emite carta ao povo de Deus sobre as Eleições 2018

Os participantes da 46a. Assembleia do Regional Norte 1 – Amazonas e Roraima, reunidos em Manaus de 24 a 27 de setembro, produziram uma carta ao povo de Deus sobre as Eleições 2018 , reafirmando o valor do voto e a importância da efetiva participação do exercício direto da democracia, sem abrir mão de princípios éticos e dispositivos gerais, convidando todos a viver um compromisso com a política conhecendo e avaliando propostas aos candidatos ao poder executivo (presidente, senador, deputados federais e estaduais), comparecendo às urnas e votando de forma livre e responsável, e depois acompanhando os eleitos para que possam cumprir o que prometeram e promover políticas públicas visando melhorar a qualidade de vida de todos os cidadãos. Confira na íntegra!      

Causas comuns às dioceses e prelazias do Regional Norte 1 foram refletidas durante 46a. Assembleia

“Meio ambiente, a causa Indígena, migração forçada e o tráfico de pessoas”, foram as temáticas comuns às nove arqui/dioceses e prelazias que compõem o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – Amazonas e Roraima, cuja situação atual foi apresentada, refletida e propostas ações evangelizadoras, durante a 46ª Assembleia ocorrida no período de 24 a 27 de setembro, no Centro de Treinamento Maromba, situado no bairro Chapada. Estiveram presentes padres, coordenadores diocesanos de pastoral, delegados das pastorais, religiosos e religiosas, leigos e leigas participantes de serviços, organismos, grupos e movimentos e os bispos titulares das prelazias e diocese, num total de 108 participantes (13 bispos, 16 padres, 15 religiosas/os e 64 leigos/as). Na programação também estava incluída uma coletiva de imprensa que aconteceu na manhã de 27 de setembro, com o objetivo de divulgar o resultado das reflexões, estudos e propostas de ações a respeito do meio ambiente, dos Indígenas e da migração forçada e tráfico de pessoas em todas as prelazias, dioceses e arquidiocese, inclusive em áreas de fronteira, como é o caso da Diocese de São Gabriel da Cachoeira, do Alto Solimões e de Roraima. Coletiva de imprensa realizada para divulgar resultadosTeve como mediador o bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira, Dom Edson Damian, que deu a boas-vindas a todos em nome de Dom Mario Antônio da Silva, bispo da diocese de Roraima e presidente do Regional Norte 1 e apresentou os membros que compuseram a mesa. “A nossa 46º assembleia fez uma avaliação das causas comuns que foram assumidas como compromisso e debatidas durante esses últimos dias. Nessa coletiva vamos explanar alguns direcionamentos tomados e para isso contamos com a presença da Ir. Rose Bertoldo, representando a Rede Um Grito Pela Vida; Luiz Ventura, representando o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) para falar sobre migração forçada e tráfico humano”, disse Dom Edson ao abrir a coletiva. Ir. Rose começou sua fala comentando de maneira breve como o tráfico de pessoas se manifesta e o que fazer enquanto igreja. “O nosso compromisso é dar continuidade no enfrentamento a essas violências (abuso e exploração sexual; trabalho escravo; tráfico de órgãos; adoção irregular, casamento servil, atividades ilícitas) e, sobretudo, fazer o trabalho de prevenção. Aqui abrimos grandes sinais de esperança de trabalhar junto às dioceses e prelazias do Regional Norte 1”, disse Ir. Rose. Na sequência, Luiz Ventura comentou sobre as ameaças aos direitos dos povos indígenas que comprometem diretamente a demarcação das terras indígenas. “Somos cientes que estamos vivendo aqui no Brasil um momento extremamente difícil para os povos indígenas que se encontram ameaçados pela ação articulada de diversos níveis do Estado Brasileiro. Isso nos leva a buscar a reivindicação das terras indígenas reafirmando a proximidade com os povos indígenas por meio de um diálogo fraterno e de um trabalho realizado junto com eles a partir de pastorais indigenistas”, comentou o representante do Cimi. Logo depois, Dom Edson passou à palavra a Dom Marcos Piatek, Vice-Presidente do Regional Norte 1 e bispo da Diocese de Coari, que apresentou as ações concretas que foram assumidas referentes aos temos abordados no encontro, entre elas: 1) A criação de uma Comissão regional que trate o meio ambiente e o fortalecimento das ações realizadas pela Rede Eclesial Pan – Amazônica REPAM.2) Apoio a Rede Um Grito pela Vida, organizar seminários nas igrejas locais e a realização de um encontro regional específico sobre migração e tráfico de pessoas.3) Criar ou fortalecer a pastoral indigenista no âmbito regional nas dioceses e prelazias, com a participação mais efetiva dos povos indígenas nas assembleias pastorais. Para finalizar, Dom Edson passou a palavra para Dom José Ionilton, da Prelazia de Itacoatiara e bispo referencial dos leigos e leigas do Regional Norte 1, que leu alguns tópicos da carta sobre as eleições que foi aprovada durante a 46º Assembleia. Entre os passos importantes estabelecidos estão: 1) O período pré-eleição, onde se procura identificar os programas de cada candidato e seus partidos, analisando se trazem a defesa da vida e dos territórios indígenas, dos quilombolas, comunidades ribeirinhas e todas pessoas atingidas por ondas contra a vida.2) Voto livre e com responsabilidade. Lembrando também da importância da eleição para o poder legislativo, um cuidado especial na eleição não apenas do presidente, mas também dos senadores e deputados federais e estaduais.3) Não parar de cobrar e acompanhar após as eleições e exigir dos eleitos para que cumpram a sua função constitucional, exercendo com honestidade e ética. Por Érico Pena

A questão indígena, migração forçada e tráfico humano e do meio ambiente são temas comuns no Regional Norte 1

Um dos aspectos que ajudam a fazer realidade uma Igreja com rosto amazônico é assumir as causas que nascem do chão amazônico. Nesse sentido, o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, que compreende nove prelazias, dioceses e arquidioceses dos estados de Roraima e Amazonas, tem assumido desde há anos compromissos com realidades presentes na região: questão indígena, migração forçada e tráfico humano e as questões relacionadas ao meio ambiente, à Casa Comum. A Igreja tem realizado seminários nos últimos anos sobre essas temáticas, no propósito de assumir “novos compromissos à luz das ameaças e daquilo que nos interpela, à luz daquilo que já temos feito e estamos também celebrando”, como reconhece Dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima e Presidente do Regional Norte 1. Ele insiste em que “em tudo isso, o que está em causa são os povos da Amazônia, a vida humana, que queremos que seja defendida em todas as suas fases e lugares, libertando a vida humana de toda e qualquer ameaça que destrói a possibilidade de felicidade e de bem-estar”. O reitor de Seminário São José, Padre Zenildo Lima, participante da assembléia, destaca o fato de que “nós fizemos destas questões uma pauta, a gente percebeu que a realidade é gritante, que ela existe e que começam alguns sinais de articulação”. Nesse sentido, tem-se dado uma atenção pastoral mais sistemática, embora com muitas lacunas, para com as populações indígenas presentes, seja nasaldeias como também da grande população indígena presente e dispersa no centro urbano que é a nossa capital. A pastoral indigenista, ou ações pastorais com os indígenas têm sido um passo mais expressivo além de ter retomado essa pauta”. Junto com isso, no diz respeito ao meio ambiente, o Padre Zenildo Lima, destaca a importância dos “seminários sobre a Laudato Sí e os desdobramentos desses seminários em nossas Igrejas locais e nos nossos organismos”. Mas o grande desafio é o tráfico de pessoas, uma questão que “é bem mais discutida e percebida aqui na nossa Igreja do regional”. Nesse sentido, destaca o seminário realizado recentemente como uma conquista. Em comunhão com o Papa Francisco, recolhido na Laudato Sí, e com o Sínodo da Pan-Amazônia, Dom Mário Antônio reconhece que “assumimos o Evangelho da criação, o cuidado da Casa Comum, e de maneira muito especial a ecologia integral, que prioriza o ser humano, as comunidades e povos originários, para que tenham vida e vida em abundancia”. Por isso, continua o bispo, “a preparação para o Sínodo da Amazônia, convocado pelo Papa Francisco, nos coloca com muita alegria na perspectiva, neste momento, de uma escuta, escuta das bases, das comunidades, especial dos povos indígenas e também de outras comunidades e povos originários da nossa Amazônia, não somente da Amazônia brasileira mas de toda a Pan-Amazônia”. Esse processo sinodal “está sendo um processo que está nos unindo bastante e está nos dando a sensibilidade de poder escutar os sujeitos da Amazônia, que são os povos e comunidades tradicionais. A nossa expectativa é que essa escuta nos motive para a vivência do Sínodo em outubro de 2019 com muito vigor e esperança de realmente, para a Amazônia, novos caminhos de evangelização e uma ecologia integral séria, profunda para a Amazônia e para o mundo”. Ao falar do Sínodo, o Padre Zenildo Lima, reconhece sua preocupação, “porque parece que boa parte de nós, agentes locais, estamos esquecendo que nós somos os grandes agentes do Sínodo. Tenho escutado muitos discursos ao respeito da expectativa do que o Sínodo vai dizer para nós e me parece que o que nós temos a dizer para o Sínodo, escutando partilhas nesta assembléia, a gente percebe como existe muita coisa bonita acontecendo, que tem avançado também”. O reitor do Seminário São José  vê o Sínodo como “uma ferramenta muito importante porque tem-nos possibilitado a um olhar mais atencioso para nós mesmos, a nos perceber como Igreja e a nos perceber como sujeitos”. Para o Padre Zenildo, “em tempos de Sínodo, o importante é que estas causas vão sendo cada vez mais assumidas como uma temática pastoral. A evangelização na Amazônia tem um rosto muito concreto, é cuidado das populações locais, da diversidade da vida e com a vida das pessoas que são machucadas e são desrespeitadas, traficadas, aqui na nossa região. Acho que o Sínodo escancarou as portas para essa problemática e está nos ajudando a reconhecer que o sujeito do enfrentamento a essas questões somos nós mesmos”. Na assembléia do Regional Norte 1 estão tendo um papel em destaque os povos indígenas. Trinho Paiva, do povo baniwa, destaca a grande importância da terra, aspecto em que também insiste Messias Miranda da Silva, do povo muragwa. Segundo Trinho, essa importância da terra, faz que “nós valorizamos muito a questão da terra, das florestas, as montanhas, que são lugares sagrados para nós, porque nós acreditamos que a vida espiritual se faz presente, por isso valorizamos muito as águas, os igarapés”. Nessa mesma direção, o representante do povo muragwa, destaca a importância da luta pela terra. A mãe que conheço é a Mãe Terra, que me dá o alimento e uma garantia de tudo aquilo que a gente precisa”. Os indígenas criticam o decorrer da história da humanidade, sobretudo o que faz referencia à privatização da terra, atitude própria do capitalismo, que trouxe o individualismo. Trinho Paiva, voltando às origens, enfatiza que “segundo nosso Deus Criador a terra é um patrimônio universal, todo mundo tem que ter acesso à terra”. Por isso, ele insiste em que “para nós indígenas a floresta é liberada, pode caçar, pode tirar frutas, nós não temos fronteiras. O homem branco chega e começa a dividir”. Mesmo reconhecendo o apoio que hoje recebem os povos indígenas da Igreja, o indígena do povo baniwa, denuncia que “em São Gabriel, a chegada das missões foi um choque bastante grande, pois diziam que nossa cultura era diabólica. A gente perdeu parte do conhecimento que nós tínhamos, muitos rituais não foram mais praticados por isso. Depois entrou a religião evangélica,…
Leia mais