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“Em oração com Jesus, no caminho da cruz”: Meditações do Papa Francisco na Via-Sacra no Coliseu

Foto: Vatican Media O Bollettino da Sala Stampa da Santa Sede publicou as meditações da Via Sacra que será realizada na Sexta-feira Santa às 21:15 horas, no horário de Roma (17:15 no horário de Brasília, 16:15 no horário de Manaus). Pela primeira vez em 11 anos de pontificado, as meditações foram escritas pelo Papa Francisco, propondo, no Ano da Oração em preparação ao Jubileu de 2025, uma conversa face a face com Jesus Uma oportunidade para cada um olhar para si mesmo, para sua consciência, mas também para o mundo atual e suas distorções. VIA SACRA 2024 Introdução Senhor Jesus, olhamos para a vossa cruz e compreendemos que destes tudo por nós. Dedicamo-Vos este tempo. Queremos passá-lo ao pé de Vós, que rezastes desde o Getsémani até ao Calvário. No Ano de Oração, unimo-nos ao vosso caminho de oração. Evangelho segundo São Marcos (14, 32-37) Chegaram a uma propriedade chamada Getsémani (…). Tomando consigo Pedro, Tiago e João, começou a sentir pavor e a angustiar-Se. E disse-lhes: «(…) Ficai aqui e vigiai». Adiantando-Se um pouco, caiu por terra e orou (…): «Abbá, Pai! Tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres». Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «(…) Nem uma hora pudeste vigiar!» Senhor, preparastes com a oração cada uma das vossas jornadas e agora, no Getsémani, preparais a Páscoa. Abbá, Pai! Tudo Te é possível – dizeis Vós –, porque a oração é antes de tudo diálogo e intimidade; mas é também luta e súplica: afasta de Mim este cálice! E é abandono e oferta: mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres. Assim, em oração, entrastes pela porta estreita do nosso sofrimento e atravessaste-la profundamente. Sentistes medo e angústia (cf. Mc 14, 33): medo diante da morte, angústia sob o peso do nosso pecado que experimentastes sobre Vós, enquanto Vos invadia uma amargura infinita. Mas, no apogeu da luta, rezastes «mais instantemente» (Lc 22, 44): assim transformastes a veemência do sofrimento em oferta de amor. Uma coisa apenas nos pedistes: ficar convosco, vigiar. Não nos pedis o impossível, mas a proximidade. No entanto, quantas vezes me distanciei de Vós! Quantas vezes, como os discípulos, em vez de vigiar dormi, quantas vezes não tive tempo ou vontade de rezar porque cansado, anestesiado pelas comodidades, ensonado na alma. Jesus, repeti novamente para mim, para nós, vossa Igreja: «Levantai-vos e orai» (Lc 22, 46). Acordai-nos, Senhor, despertai-nos do torpor do coração, porque também hoje, sobretudo hoje, precisais da nossa oração. 1. Jesus é condenado à morte O Sumo Sacerdote ergueu-se no meio da assembleia e interrogou Jesus: «Não respondes nada ao que estes testemunham contra Ti?» Mas Ele continuava em silêncio e nada respondia. (…) Pilatos interrogou-o de novo, dizendo: «Não respondes nada? Vê de quantas coisas és acusado!» Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos estava estupefacto (Mc 14, 60-61; 15, 4-5). Jesus, sois a vida, e acabais condenado à morte; sois a verdade, e suportastes um processo cheio de falsidades. Mas por que não reclamais? Por que não levantais a voz e explicais as vossas razões? Por que não refutais os eruditos e os poderosos, como sempre fizestes com tanto sucesso? A vossa reação é surpreendente, Jesus: no momento decisivo, não falais; calais-Vos. Porque, quanto mais forte é o mal, mais radical é a vossa resposta. E a vossa resposta é o silêncio. Mas o vosso silêncio é fecundo: é oração, é mansidão, é perdão, é o caminho para redimir do mal, para converter o que sofreis num dom que ofereceis. Jesus, dou-me conta de Vos conhecer pouco, porque não conheço suficientemente o vosso silêncio; porque no frenesim de correr e fazer, absorvido pelas coisas, tomado pelo medo de não continuar a figurar ou pela mania de me pôr no centro, não encontro tempo para parar e ficar convosco: para Vos deixar agir a Vós, Palavra do Pai que trabalhais no silêncio. Jesus, o vosso silêncio mexe comigo: ensina-me que a oração não nasce dos lábios que se movem, mas dum coração que sabe permanecer à escuta: porque rezar é fazer-se dócil à vossa Palavra, é adorar a vossa presença. Rezemos dizendo: Falai ao meu coração, Jesus Vós que respondeis ao mal com o bem Falai ao meu coração, Jesus Vós que extinguis o clamor com a mansidão Falai ao meu coração, Jesus Vós que detestais a crítica e as lamentações Falai ao meu coração, Jesus Vós que me conheceis intimamente Falai ao meu coração, Jesus Vós que me tendes mais amor do que me amo eu próprio Falai ao meu coração, Jesus 2. Jesus carrega a cruz Subindo ao madeiro, Ele levou os nossos pecados no seu corpo, para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas suas chagas fomos curados (1 Ped 2, 24). Jesus, também nós carregamos cruzes, às vezes muito pesadas: uma doença, um acidente, a morte dum ente querido, uma desilusão afetiva, um filho que anda perdido, o emprego que falta, uma ferida interior que não cura, o fracasso dum projeto, a milésima expetativa para nada… Jesus, como se faz então para rezar? Como fazer quando me sinto esmagado pela vida, quando um fardo me pesa no coração, quando estou sob pressão e já não tenho força para reagir? A vossa resposta reside numa proposta: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos» (Mt 11, 28). Vir a Vós… mas eu fecho-me em mim: passo e repasso, sinto pena de mim mesmo, afundo na condição de vítima, um campeão de negatividade. Vinde a Mim: dizê-lo, não foi suficiente! Então vindes ao nosso encontro e carregais aos ombros a nossa cruz, para nos tirar de cima o seu peso. Desejais que lancemos sobre Vós fadigas e preocupações, pois quereis que nos sintamos livres e amados em Vós. Obrigado, Jesus! Uno a minha cruz à vossa, trago-Vos o meu cansaço e as minhas misérias, lanço sobre Vós todos os pesos do meu coração. Rezemos dizendo: Venho a Vós, Senhor…
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Missa do Crisma na Arquidiocese de Manaus: “Ungidos pelo Espírito Santo para ungir”

A Arquidiocese de Manaus celebrou na manhã da Quinta-feira Santa a Missa do Crisma, com a participação de todo o Povo de Deus. Em sua homilia, o cardeal Leonardo Steiner lembrou o texto do Evangelho, onde Jesus reconhece a sua missão: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Percebe-se ungido e enviado pelo Espírito e anuncia, segundo o arcebispo de Manaus que “o Reino de Deus está próximo”. “No princípio, no principiar, no florir, da nossa vida cristã está o Espírito do Senhor. A razão de ser cristão está na graça da unção do Espírito Santo que recebemos”, ressaltou o cardeal Steiner. Lembrando o texto de Isaias, retomado por Jesus no Evangelho, ele disse que “nos implica, pois o Espírito repousou sobre e em cada um de nós. Sobre e em cada um de nós, pois batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Na Crisma fomos confirmados pelo Espírito: ‘recebe o Espírito Santo, dom de Deus!’ Nele somos filhos, filhas no Filho. É Ele que concede a nossa participação em Cristo, a nossa transformação em Cristo, o vivermos por Cristo, com Cristo e em Cristo. Pela ação do Espírito que nos tornamos pertencentes ao Reino da verdade, da graça, do amor”. Segundo dom Leonardo, “seguidores de Jesus, foi pelo Espírito que os discípulos medrosos foram transformados em anunciadores, profetas, testemunhas. O Espírito ao estar sobre os discípulos como língua de fogo, desalojou aqueles homens escondidos, receosos, duvidosos. Os ungiu com e os fez anunciadores ardorosos, proclamadores do Crucificado-Ressuscitado. No ardor apostólico nasce a Igreja e se constitui o Reino de Deus”. Ele ressaltou que “a obra do Espírito é livre e libertário, não nos pertence. Ele continua a ser enviado para a difusão do Reino”. Segundo o arcebispo de Manaus, no Credo de Niceia-Constantinopla “professamos que o Espírito Santo ‘dá a vida’”, afirmando que “na vida do Reino, Ele é a vida da Igreja, das nossas comunidades. Sem Ele, a Igreja não seria a Esposa viva de Cristo, mas, no máximo, uma organização religiosa, mais ou menos boa. Não seria o Corpo de Cristo, mas um templo construído por mãos humanas. Edificamos a Igreja a partir da graça de sermos ‘templos do Espírito Santo’ (1Cor 6, 19; 3, 16), que habita em nós. Ele o centro da vida da Igreja, das nossas comunidades, da nossa vida. Não podemos transformar o Espírito em uma devoção”. Ele disse, que diariamente deveríamos invocar as palavras da Sequência de Pentecostes: “Vinde, porque sem a vossa força e favor clemente, nada há no homem que seja inocente”. Inspirado no Papa Francisco, o cardeal lembrou que “o Espírito do Senhor está sobre mim, me consagrou, me ungiu, para anunciar aos pobres e por Ele somos enviados. O Povo de Deus enviado para evangelizar, para testemunhar a misericórdia e paz”. Com as palavras do Evangelho, ele lembrou que “foi pela imposição das mãos e a invocação do Espírito Santo, irmãos, que recebemos o dom do diaconado, o dom do sacerdócio, a pertença ao presbítero, o dom de pertencemos aos sucessores dos Apóstolos. No dia em que celebramos o nascer do sacerdócio, somos despertados para a origem da nossa vida e missão como padres, como presbitério. O Espírito está na origem do nosso ministério, da vida e da vitalidade de nosso pastoreio”. Por isso afirmou que “cada um de nós pode dizer: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim’. Somos diáconos, somos presbíteros, somos bispos porque o ‘Espírito do Senhor está sobre mim’. Nesta celebração, especialmente, nós presbíteros professamos: o ‘Espírito do Senhor está sobre mim’. E não é presunção, é realidade, já que cada cristão, e de modo particular cada sacerdote, pode fazer suas as palavras: ‘porque o Senhor me consagrou com a unção’ (Is 61,1). Irmãos, não é mérito nosso, mas pura graça; recebemos uma unção que nos faz pais e pastores no Povo santo de Deus”. “Ao sermos atraídos pelas palavras do Evangelho vamos sendo tomados pela admiração das ações multiformes do Espírito Santo”, disse Dom Leonardo. Inspirado em São Basílio, ele colocou o exemplo daqueles que foram chamados, um cobrador de impostos, um pescador, um perseguidor. Com ele afirmou que “da ação transformante e revitalizadora do espírito na Igreja: os fracos tornam-se fortes, os pobres tornam-se ricos, os plebeus sem instrução tornam-se mais sábios do que os sábios. A força vitalizadora do Espírito ele o torna perceptível ao apresentar a ação de Espírito nos apóstolos”, citando diversos exemplos disso que aparecem nos Atos dos Apóstolos. O arcebispo de Manaus afirmou que “se o Espírito, no ensinar de São Basílio, realizou obras extraordinárias com homens tão frágeis e pecadores, também realizará em nós e pela sombra de nosso ministério as transformações no Povo de Deus”. Por isso questionou: “O que não faz de nós se estivermos em sintonia, se estivermos convencidos que ele repousa sobre nós e nos envia? O que não faria de nós, se estivéssemos abertos, receptivos ao seu sopro de vida transformador, à sua unção?” Lembrando que Papa Francisco nos diz que “depois da primeira ‘unção’ que aconteceu no ventre de Maria, o Espírito desceu sobre Jesus no Jordão”, o cardeal afirmou que “cada ação (de Jesus) gozava da com-presença do Espírito Santo”, citando São Basílio. “Pois, com o poder daquela unção, Ele pregava e realizava sinais, em virtude daquela unção ‘emanava d’Ele uma força que a todos curava’”, destacou. Inspirado em Santo Ireneu, lembrou que “Jesus e o Espírito trabalham sempre juntos, como se fossem as duas mãos do Pai, que, estendidas para nós, nos abraçam, acolhem, levantam, erguem, afagam, nos colocam a caminho. E, por elas, foram ungidas as nossas mãos, ungidas pelo Espírito de Cristo. Sim, irmãos, o Senhor não se limitou a escolher-nos e chamar-nos de diversos lugares, mas infundiu em nós a unção do seu Espírito, o mesmo que desceu sobre os Apóstolos. Irmãos, somos ‘ungidos’”. O arcebispo lembrou aos ministros ordenados que “hoje ao renovarmos nossas promessas que pronunciamos diante do bispo e do Povo de Deus, deixemos o…
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Semana Santa: amor, serviço e entrega fundamento do discipulado cristão

O Tríduo Pascal é momento para pensar sobre nossa fé, sobre aquilo que fundamenta nosso discipulado. Podemos dizer que o fundamento do nosso ser cristão é o amor, o serviço, a entrega, e disso a gente faz memória sempre, mas de modo especial na Semana Santa, tempo em que a Igreja aprofunda no sentido da entrega de Jesus como caminho para uma vida em plenitude. No caminho da vida plena, e essa é a meta a que nos conduz nosso discipulado, somos desafiados a encontrar mecanismos que nos permitem avançar. Só quem assume o amor, o serviço e a entrega vai descobrindo o rumo que nos aproxima com Aquele a quem seguimos. Jesus, com seu exemplo, nos mostra a necessidade de dar a vida para que nossa vida se plenifique. Para isso temos que estarmos dispostos a nos fazermos pequenos, a nos colocarmos os últimos, a nos abaixar e lavar os pés daqueles que humanamente nunca iriamos lavar e não e teríamos obrigação de lavar. Assumir a condição de escravo é um sentimento que mesmo muitos vendo-o como algo que nos desumaniza, se torna uma atitude que nos diviniza, nos identifica com a divindade que está presente naquele que sendo Deus assumiu a condição humana. Em verdade, assumir o serviço gratuito, o serviço por amor, nos faz mais humanos, nos humaniza plenamente, pois nos aproxima daqueles que conhecem o sofrimento humano, nos ajuda a entender que somos limitados e que quando estamos dispostos a servir os outros, é mais fácil superar as limitações que fazem parte da nossa condição humana. Uma questão importante é até que ponto nós estamos dispostos servir, a quem nós estamos dispostos servir, como nós estamos dispostos servir. Somos desafiados a servir entregando nossa vida por completo, a servir a todos, também aos Judas que a vida nos coloca em nossa frente, e a servir sem esperar nada em troca. Esse modo de realizar o serviço nos torna verdadeiros discípulos e discípulas daquele que veio para servir e não para ser servido. Quando a gente ama, vamos compreendo melhor o sentido desse serviço como expressão de amor, como concreção da entrega. É no amor que a gente vai encontrando o motor que nos ajuda a ir além de onde nosso sentimento humano, nossas forças, conseguem nos conduzir. Daí a necessidade de amar para chegar longe, para nos aproximarmos daquele que dá sentido a nossa vida, daquele que deu a vida para nos mostrarmos o caminho a seguir. Verdadeiramente queremos ser seus discípulos? Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Igrejas locais de Roraima e Itacoatiara celebram Missa da Unidade: “O centro da unidade na Igreja é o Espírito”

A diocese de Roraima e a prelazia de Itacoatiara realizaram na noite da terça-feira 26 de março a Missa da Unidade, também chamada Missa dos Santos Óleos, em que são abençoados os óleos do batismo, da unção dos enfermos e é consagrado o óleo do crisma. Uma celebração em que os presbíteros renovam o compromisso assumido no dia da sua ordenação, uma oportunidade para “vivenciar um momento sagrado e significativo da nossa jornada espiritual”, segundo dom Evaristo Spengler, bispo da diocese de Roraima. Nessa diocese a celebração acontece no contexto da nomeação do padre Lúcio Nicoletto como bispo da prelazia de São Félix do Araguaia e dos 300 anos de evangelização em Roraima, que definiu a identidade da Igreja local e deu rumos definidos e opções muitos sólidas. Igualmente foi destacado que a experiência da fraternidade cristã é transformadora, sendo um fermento para o mundo, que nasce da experiência de ser discípulos e discípulas de Jesus. Na celebração da unidade, Dom Evaristo Spengler destacou que “o centro da unidade na Igreja é o Espírito”, que conduze Jesus ao longo da sua vida e guia sua missão e a missão das primeiras comunidades cristãs, sendo inspiração para os missionários que levam o Evangelho. Segundo o bispo, “a evangelização sempre é um projeto do Espírito Santo para a Igreja”, o que demanda diálogo, oração, silêncio, contemplação, conhecimento da realidade, instâncias de participação, comunhão e corresponsabilidade na Igreja, insistindo em “caminhar sempre em sintonia com o Espírito que age em toda a Igreja”. Dom Evaristo ressaltou a importância de processos sinodais na Igreja, “caminhar juntos e escutar o que o discípulo quer para nossa Igreja neste momento”, algo que ele disse ter acontecido na última assembleia sinodal diocesana, onde foi refletido sobre a transmissão da fé, e em todo o processo preparatório. Por isso, o bispo insistiu em trabalhar a Iniciação à Vida Cristã e responder aos desafios que a realidade apresenta. Uma unidade na Igreja que cabe a todos, refletindo sobre o papel do presbítero na Igreja e suas diversas funções, afirmando que o sacramento fundamental na Igreja é Batismo, de onde surgem todas as vocações, insistindo em que todos somos Povo de Deus, irmãos e irmãs. Nesse sentido, o bispo destacou que “os presbíteros somos enviados a promover a vida aos pobres, cuidar da Criação, testemunhar a Palavra e celebrar toda vida doada”, pedindo que o “Espírito continue nos mostrando o caminho que nós somos chamados a seguir”. Dom Evaristo agradeceu a Deus pelo primeiro aniversário de ministério pastoral na diocese de Roraima, completado no dia 25 de março, definindo como muito intensa a experiência vivida nesse ano, repetindo a profissão de fé que ele fez no início de sua missão episcopal. Na prelazia de Itacoatiara, dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, administrador apostólico dessa igreja, iniciou sua homilia fazendo um chamado a cultivar a unidade na diversidade das vocações e serviços, algo que é um sonho de Jesus. Seguindo as palavras do Evangelho, ele destacou que todos somos ungidos e enviados, e que a missão da Igreja é “dar a Boa Nova aos humildes, curar as feridas, pregar a redenção e a liberdade, proclamar o tempo da graça, consolar os que choram”. Dom Ionilton questionou sobre a prática das boas obras, lembrando as palavras do Papa Francisco na Querida Amazônia, onde ele diz que “faz nos mal que nos anestesiem a consciência social”, vendo na dimensão social da fé uma exigência. O bispo destacou o fato de termos sido escolhidos, ungidos e enviados por Deus como uma graça e compromisso, chamando a ser sempre da verdade e praticar o amor, a ser testemunhas fiéis do Evangelho de Cristo e do Reino que ele veio implantar, a traduzir em vida concreta aquilo que é rezado. O administrador apostólico da prelazia disse que “testemunhar é a melhor forma de evangelizar”, inspirado nas palavras de Jesus que nos diz que a Palavra se cumpre em sua vida, pedindo manter sempre “o olhar fixo em Jesus, deixemos que Ele nos ensine, nos exorte, nos corrija, nos inspire e nos envie”. Ele pediu rezar pelos padres, “para que eles possam agir como se fossem Cristo junto do nosso povo, outros cristos”, e anunciou a aprovação para que as irmãs que trabalham na prelazia possam se tornar juridicamente ministras extraordinárias da Palavra, da Sagrada Comunhão e do Batismo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Padre Lúcio Nicoletto será ordenado bispo 1º de Junho em Pádua (Itália) e iniciará sua missão 30 de junho em São Félix

A Catedral de Pádua, na Itália, acolherá no dia 1º de junho de 2024, às 17 horas, no horário da Itália, a ordenação episcopal do padre Lúcio Nicoletto, nomeado pelo Papa Francisco bispo da prelazia de São Félix do Araguaia (MT), no dia 13 de março de 2024. O bispo ordenante será dom Mário Antônio da Silva, arcebispo de Cuiabá (MT), que foi bispo da diocese de Roraima, onde o padre Lúcio trabalhou como missionário fidei donum da diocese de Pádua desde junho de 2016 até sua nomeação episcopal. Os bispos coordenantes serão dom Cláudio Cipolla, bispo da diocese de Pádua, dom Adriano Ciocca, administrador apostólico da prelazia de São Félix do Araguaia, e dom Antônio Mattiazzo, bispo emérito da diocese de Pádua. O início da missão como novo bispo da prelazia de São Félix do Araguaia do padre Lúcio Nicoletto será no dia 30 de junho de 2024 às 8:00 horas da manhã. Seu lema episcopal será “Sine Charitate nihil sum” (Sem o Amor não sou nada) (1Cor. 13,2). Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro Formativo da Juventude Missionária na Diocese de Borba

  A Juventude Missionária (JM) da Diocese de Borba, iluminada pelo Espírito Santo, esteve em formação nos dias 22 e 23 de março de 2024, no Centro de Formação Mater Christi, em Borba, sede da Diocese. O encontro contou com a participação dos jovens protagonistas da missão, da assessora estadual Waldemira Rodrigues Silva, da referencial diocesana da Juventude Missionária, Ir. Silvana Pauletti, e da Coordenação de Pastoral Diocesana, representada por Ademir Jackson e Ir. Aldinéia de Sá Linhares Bessa. As atividades formativas tiveram início com a celebração da Santa Missa na Comunidade São Sebastião/Paróquia Santo Antônio, presidida pelo Pe. Jair Vieira Alves. Durante a homilia, Pe. Jair destacou a importância dos jovens na Diocese e agradeceu a disponibilidade de todos para este importante avanço diocesano. Sua reflexão baseou-se no Evangelho de São João 10, 31-42, cujo tema central é a tensão, fruto da incompreensão dos judeus, que têm o coração fechado e não acolhem a mensagem de Jesus. Eles não reconhecem as ações e palavras de Jesus como ações divinas, por isso, querem apedrejá-lo. Após a celebração, os jovens participaram de uma roda de conversa onde foram abordados temas como sinodalidade e a definição da Juventude Missionária (JM). Pe. Jair ressaltou que sinodalidade significa caminhar juntos na unidade. Além disso, foi apresentado que a Juventude Missionária faz parte da Pontifícia Obra da Propagação da Fé, obra fundada pela leiga, Paulina Maria Jaricot (1799-1822), em 03 de maio de 1822, em Lyon (França), tornando-se Obra Pontifícia, isto é, do Papa e da Igreja Universal, em 1922, sendo hoje uma das quatro Pontifícias Obras Missionárias (POM). Após a roda de conversa, foi motivada a temática da importância do assessor de grupo, momento trabalhado pela assessora Waldemira Rodrigues, onde a mesma organizou os jovens em grupos, com a finalidade de elaborarem uma apresentação sobre a temática. No segundo dia, os jovens continuaram as atividades com uma reflexão sobre o significado e a história da JM. Em seguida, houve a preparação para a eleição da Coordenação Diocesana da JM. Waldemira Rodrigues apresentou as orientações e critérios para a eleição dos coordenadores conforme as diretrizes da Obra Pontifícia. Foram eleitos os jovens: Mirlem Silva Matos, coordenador Diocesano, Antônio Itallo Goés Soares, Vice-coordenador, Icleia da Silva Assunção Neta, Secretária e Gabriel Bentes de Souza, Tesoureiro. Após as eleições, todos participaram da Missa de envio da nova coordenação e dos jovens participantes no Santuário/Catedral da Diocese de Borba. A celebração foi presidida por Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, Bispo Diocesano, que resumiu sua reflexão nos três pilares para a Semana Santa: Palavra, Cruz e Luz. Ao final da missa, houve o envio oficial dos coordenadores e jovens, e a foto oficial do encontro. Agradecemos a Deus por esse momento de graça e importância para nossa Diocese! Fonte: Diocese de Borba

Dom Vanthuy vive sua primeira Semana Santa na diocese mais indígena do Brasil: “Ser solidário com os abandonados deste mundo”

Dom Raimundo Vanthuy Neto chegou em São Gabriel no mês de fevereiro e está vivendo sua primeira Semana Santa como bispo da diocese mais indígena do Brasil. Neste Domingo de Ramos, o bispo de São Gabriel da Cachoeira estacou dois assuntos em sua homilia, que considera muito importantes para os povos do Rio Negro. Em primeiro lugar, contemplando Jesus que é abandonado, o bispo disse que “quem segue Jesus, quem é discípulo dele se faz companhia dos abandonados desta terra“. Contemplando a realidade do Alto Rio Negro, dom Vanthuy disse que “se faz companhia a quem está abandonado na experiência difícil do álcool, da bebida, tão forte no Rio Negro, se faz companhia às famílias que passam por situações difíceis de abandono na cidade pela experiência das políticas públicas que não chegam no interior, de modo especial para os povos indígenas”. Dom Vanthuy disse que “lembrar Jesus abandonado nas mãos do Pai é também nos abandonarmos a Ele também nas horas difíceis da vida, mas experimentarmos, ser solidários com os abandonados deste mundo”. Segundo o bispo, “não é possível seguir Jesus, aquele que se lançou abandonado nas mãos do Pai, sem se colocar do lado dos abandonados”. Em segundo lugar, ele destacou que “Jesus é trocado, a turma pede por Barrabás e manda que Jesus seja Crucificado”. Dom Vanthuy afirmou que “na vida também podemos fazer essas escolhas, tomar caminhos equivocados, trocar aquilo que é de Mistério da vida para aderir aquilo que pode trazer causas de morte para dentro de casa”. Ele denunciou com firmeza “o tema da cachaça, da bebida alcoólica”, que desde as cidades da diocese está avançando para o interior, “fazendo com que os indígenas troquem suas bebidas tradicionais, que revelavam certo sinal de vida, para a experiência fortíssima que conduz à morte. Conduz à morte pessoal, conduz à morte da vida familiar, conduz à morte da comunidade”. Um tema que, segundo o bispo de São Gabriel da Cachoeira, “nos faz lembrar que o mundo também pode equivocado trocar as experiências da vida por experiências de morte”. Finalmente, Dom Vanthuy refletiu sobre “uma experiência bonita, que no Rio Negro se vive tão autenticamente: vós sois todos irmãos. Nos diversos povos, todos somos filhos de um mesmo Pai e nos tornamos corresponsáveis um dos outros”. Ele disse que “Jesus morre para que a humanidade experimente cada vez mais viver como irmãos, é o sonho de Jesus para os homens e as mulheres. Por isso aqueles que acreditam nele, por isso aqueles que professam a fé, que se fazem seus discípulos, todos eles trazem por natureza o ser irmão e não o ser inimigo. O ser irmão, irmã, e não a divisão”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo: “No grito de Jesus que ainda ressoa em nós, ressoam também os abandonos dos abandonados”

No Domingo de Ramos, o cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia dizendo que “com a benção dos ramos e a procissão ingressamos com Jesus no mistério da doação, do sofrimento, da cruz e da ressurreição. Acompanhamos a Jesus montado num jumentinho ingressando na cidade de Jerusalém aclamado pelos discípulos e pelo povo, como o enviado de Deus”. Segundo o arcebispo de Manaus, “somos hoje recebidos no mistério da fé: Deus que em Jesus nos amou até a morte e morte de cruz e nos ofereceu a vida nova”. “Jesus sobe para o lugar do sacrifício, da entrega, aclamado pelo povo e os discípulos com aclamações, mantos, ramos, júbilo, festa, alegria”, disse o presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, recordando o texto evangélico: “Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor! … Bendito o reino de nosso pai Davi” (Mc 11,910). Segundo o cardeal, seguindo o comentário de Fernandes e Fassini, “ao seguirmos a Jesus que entra na cidade da dor, da morte e da vida, somos despertados para a Humildade que ingressa levado por um jumentinho, trazendo a paz. Na humildade e na paz, para a humildade e para a paz. Vem montado num jumentinho, símbolo do homem que se submete carregando os fardos de seu senhor. O filho de Davi, o Prometido, o Messias que, pelo seu silêncio doido e sofrido, carregará os fardos e pecados de toda a humanidade. A paixão e morte na cruz que desfaz o ódio, a violência, a soberba, a guerra fratricida; a morte que supera as vinganças, soberbas, a ganância, a religião de si mesmo”. “Na leitura da Paixão acompanhamos silenciosamente todo itinerário do sofrimento e da morte. E o silêncio da narrativa deu-nos a dimensão da entrega, da dor, da redenção, do amor gratuito e livre, sem medida”, disse o arcebispo de Manaus. Segundo ele, “nos comove e toca na proclamação da Paixão do Senhor as palavras do evangelista: ‘Pelas três horas da tarde, Jesus gritou com voz forte: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?‘” (Mc 14,34). Dom Leonardo refletiu sobre as palavras de Jesus “Porque me abandonaste?”, afirmando que “sente-se abandono por todos e por tudo”, e fazendo vários interrogantes: “Onde estão os discípulos, onde as multidões saciadas de pão, onde os cegos agora com olhos, onde os surdos agora ouvintes, onde os leprosos purificados e reinseridos? Onde os pássaros do céu, os lírios do campo… Onde o Pai?”. Ele respondeu que “Ele está só. Sente-se abandonado pelo Pai. Tudo perdeu. Ele na cruz com todas as cruzes! Desalentado, só, suspenso entre a terra e o céu; quase desesperançado! Sem terra e sem céu!”. Diante disso perguntou de novo: “Pode haver angústia maior, pode haver dor maior que a solidão, o abandono?”, respondendo que “não espinhos, os cravos, a cruz, mas o abandono. O Grito de Jesus quase nos tira o folego, quase nos retira o respiro. Ele é sua Paixão. É um grito que interroga, que busca, todo-ouvido!”. Dom Leonardo citou as palavras do místico Harada sobre o abandono de Jesus: “Tudo isso, esse total abandono e fracasso, na visão da Fé, nos mostra totalmente outra paisagem: tudo de repente se vira pelo avesso: o extremo abandono é, na realidade, plenitude de amor: a profunda solidão se converte em unidade total. No momento em que parece mais desamparado, está mais do que nunca identificado com o querer divino, transparente ao Pai. Nessa fraqueza sem fim, Jesus se acha, sem reserva, ‘entregue’ ao Poder do Pai, totalmente aberto ao ato criador da Ressurreição”. “E no grito de Jesus que ainda ressoa em nós, ressoam também os abandonos dos abandonados”, denunciou o cardeal, explicitando em exemplos concretos: “Quantos abandonados pelo Estado, quantos abandonados pelas guerras, as crianças vageando pela solidão da violência”. Segundo ele, “no grito de Jesus ressoa o silêncio dos abandonados suspensos entre o céu e a terra, pois cortados das relações familiares, com o estomago vazio, com o vazio de um horizonte que se desfez, de um céu que foi coberto e a terra devastada. Sim, irmãos e irmãos no grito de Jesus, está o silêncio dos gritos que sem som; foi se extinguiu na brutalidade de uma guerra. Quanta solidão nas vidas suspensas que apenas ainda sentem o odor da morte. E nelas irmãs e irmãos está presente Deus, pois Jesus nos ensina: ‘Em tuas mãos eu entrego o mesmo espírito!’” O arcebispo de Manaus ressaltou, de novo seguindo o comentário de Fernandes e Fassini, que “a cruz que nos mostra a comunhão entre o abandonado e o seu Deus. Assim a cruz torna-se elo. Revela unidade. É o ponto de salto da nova criação, do novo Céu e da nova Terra. É o vir à luz da unidade primordial entre o Divino e o Humano. A cruz é a fenda, onde tudo se entrecruza e tudo se ilumina. Percussão que percute em todas as coisas, em todas as criaturas mostrando que tudo é Um no amor do Pai e do Filho. Assim, a haste vertical, nascida da terra, sobe até o céu e penetra o íntimo de Deus. A haste horizontal, cruzada e sustentada pela vertical, percorre toda a terra e invade os horizontes de toda a humanidade, de toda a história e de todo o universo, levando a todos e a tudo a salvadora jovialidade do novo Adão.  E depois do grito expirou, entregou o espírito. O grito em forma de pergunta meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? revela, na dor do amor, a vida íntima de Deus em Deus: a relação entre Pai e Filho no Espírito Santo, o Sopro Santo do Amor!”. “Quem grita, suplica, clama é aquele que se sente abandonado. Um clamor que é mais uma súplica, uma intimidade com o Deus que o abandona, a quem ele chama de “meu Deus”. Jesus o abandonado: o grito, nascido das entranhas, das profundezas do coração é um grito de intimidade de confiança; é a revelação da intimidade com o Pai: meu. Não são meras…
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CPT Amazonas realiza 26ª Assembleia e elege nova coordenação

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Amazonas e da Arquidiocese de Manaus reuniu-se na Maromba de Manaus de 21 a 23 de março de 2024 para realizar sua 26ª Assembleia eletiva. Depois de 10 anos sem realização de assembleia, a Ir. Agostinha Souza destaca que tem sido muito rica, insistindo em que “a Assembleia é um momento formativo, com muita partilha da realidade das comunidades trazida pelos agentes”. A Assembleia iniciou com um vídeo de dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, presidente da CPT Nacional, para posteriormente estabelecer um diálogo entre os agentes da Comissão Pastoral da Terra e o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Os participantes da Assembleia escutaram o Relatório do período 2019-2023, sendo dado a conhecer o trabalho realizado na Prelazia de Lábrea. Na plenária foram abordados os desafios no contexto local, sendo trabalhado a organização e estrutura da CPT, tendo um tempo para realizar a análise de conjuntura, com a assessoria de Tiago Mayka, professor da Universidade Federal do Amazonas e assessor da CPT. Segundo a Ir. Agostinha Souza, “muitas coisas foram feitas, foram realizadas, estão tendo um resultado bom”, o que segundo a religiosa é motivo de grande alegria, destacando o trabalho realizado permitiu que muitas pessoas permanecessem em suas terras. Os participantes da assembleia refletiram sobre o perfil das ações, o método de trabalho e as prioridades da CPT no Amazonas nos próximos três anos. Na assembleia foi realizada a eleição da nova equipe que irá coordenar a CPT Amazonas por três anos conforme o regulamente interno, sendo confiado esse serviço a José Jorge Amazonas Barros, Ana Virgínia Monteiro dos Santos e Luís Xavier Martins. Também foi eleito o Conselho Regional, sendo insistido na importância da comunicação entre as equipes locais e a coordenação regional. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encerrado Mutirão Final da 6ª Semana Social Brasileira: articulação, formação e incidência política em vista do Brasil que queremos

O Mutirão Nacional de encerramento da 6ª Semana Social Brasileira realizado em Brasília de 20 a 22 de março de 2024 tem sido um passo importante para concretizar esse Brasil que queremos, um caminho iniciado em 2020, e que foi recolhendo em todo o país aquilo que pode conduzir o Brasil nessa direção. 150 participantes, bispos, presbíteros, religiosos e religiosas, leigos e leigas, que empenham sua vida nas dezenas de pastorais sociais que fazem parte da vida da Igreja católica no Brasil, mas também representantes de diversos movimentos sociais e populares, tendo como base o Teto, Terra e Trabalho, em que o Papa Francisco tem insistido ao longo do seu pontificado. São instrumentos de profecia, ainda mais diante de tantas pedras, muitas vezes virtuais, com que hoje os profetas são agredidos, segundo afirmou Dom João Bergamasco, bispo de Primavera do Leste-Paranatinga (MT), na Eucaristia com que iniciaram os trabalhos no último dia do Mutirão. Em grupos, cada um deles centrado num âmbito diferente: terra, teto, trabalho, soberania, economia e democracia, tem se avançado em busca das ações de articulação, formação e incidência política a nível nacional que respondem às necessidades do Brasil que queremos, mostrando caminhos para executá-las. Ao mesmo tempo, na busca de estruturas e parcerias necessárias e possíveis para a execução das ações desse projeto popular, buscando o que pode ser feito de fato nesse caminho em direção ao Brasil que queremos. Uma das grandes questões é colocar o povo no orçamento e os ricos nos impostos. O que se pretende é pensar o Brasil que queremos a partir do povo brasileiro, incidir na práxis, no trabalho em rede, que acolhe a diversidade, que elabora em conjunto temas comuns, que constrói relações, vínculos, que conecta as partes com o todo, que avança em articulação interna como Igreja e coloca em movimento aquilo a ser construído. Para isso se faz preciso incidir em valores como a cooperação, a solidariedade, a disputa pela comunidade frente ao individualismo. Uma comunidade que precisa ter espaço para a Juventude, para as mulheres, cansados de invisibilidade, de ignorância de suas falas e de muitos aspectos que cansam a quem é colocado em segundo plano. São elementos que provocam e que demandam olhar para as relações humanas, dado que a humanidade está muito machucada pelo sistema e o cuidado é fundamental nesse processo, em busca de encantar pessoas que queiram enfrentar o atual sistema e humanizar a vida. Um caminho revigorante à luz de uma experiência inspiradora. Um percurso desde o Brasil que temos ao Brasil que queremos, que se fundamenta em alguns princípios: poder popular; projeto anticolonial; fé e luta política em movimento; cuidado recíproco. Também em algumas prioridades: democracia participativa; democratizar a comunicação; reforma tributária; controle popular do orçamento público; luta contra a precarização do trabalho, economia solidaria; interiorizar os direitos e políticas públicas; luta contra a concentração da terra e dos bens comuns; moradia como direito e conselhos para garanti-la; sistema universal de proteção social; prioridades que estão em diálogo. Para garantir essas prioridades se fazem necessários processos permanentes: plano de formação orgânica; diálogo permanente com os movimentos populares; conselhos participativos; campanhas da fraternidade; incidência política compartilhada. Prioridades que conduzam a um projeto popular que tem que ser multiplicado em vista da incidência. A 6ª Semana Social Brasileira mostrou seu apoio à Campanha da Fraternidade, “uma das maiores e mais antigas ações de pastoral de conjunto na Igreja”, denunciando como graves e absurdos os ataques que ela sofre, “feitos por pessoas e grupos que demonstram falta de respeito e comunhão eclesial”, e mostrando sua solidariedade a Dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife e 2º vice-presidente da CNBB que sofreu ataques difamatórios por causa da Campanha da Fraternidade, e ao Padre Júlio Lancellotti, “expressão emblemática da presença da Igreja junto aos pobres e marginalizados”. Segundo recolhe a Mensagem Final, a 6ª SSB tem insistido em reafirmar “a participação popular ativa e a democratização do Estado”, vinculadas à força dos movimentos e organizações populares, propondo a resistência “ao modelo imposto pelo capital e construindo um projeto popular para o Brasil que queremos e o bem viver dos povos”. Para isso, o desafio “fortalecer e incidir para criação de mecanismos e participação popular”, em vista das eleições e do Brasil acolher em 2024 e 2025 a reunião do G20 e a COP30. Tudo isso “para desenvolver o projeto popular para o Brasil, fruto da escuta e participação no processo da 6ª Semana Social Brasileira”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1