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Padre Alcimar Araújo: A CF “é um convite a alargar a nossa tenda para acolher muitas outras pessoas”

O Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), está realizando na Maromba de Manaus, de 1º a 3 de dezembro o Seminário da Campanha da Fraternidade 2024, que tem como tema Fraternidade e Amizade Social, e como lema “Vós sois todos irmãos e irmãs”, com a participação de mais ou menos 25 pessoas das nove igrejas locais que fazem parte do Regional. A Campanha da Fraternidade, que em 2024 está fazendo 60 anos, “ela é o maior projeto de Pastoral de Conjunto que o Brasil tem”, segundo o padre Alcimar Araújo, vice-presidente da Caritas Arquidiocesana de Manaus e um dos assessores do encontro. Uma campanha que chega até as últimas comunidades, e que “é necessário retomá-la como espaço de conversão, como instrumento de conversão na Quaresma, pessoal, comunitário, eclesial e social”, insistiu. Padre Alcimar, que aprofundou no ver, na análise da realidade social e eclesial, destaca que “é um desafio construir a sociedade a partir desse projeto da fraternidade”, dizendo ser “muito importante que a gente retome isso porque isso é uma característica da Igreja, a vida comunitária, a vida fraterna, a vida solidária, a vida partilhada, a importância de uma para o outro. Se a gente como Igreja não vive, não semeia, não testemunha tudo isso que brota do Evangelho, do nosso seguimento de Jesus, a gente faz uma Campanha vazia e só de palavras”. Uma Campanha que “é para nós, é para a Igreja, é para a Igreja do Regional, é para a Igreja do Brasil”, afirmou o assessor. Segundo ele, nós somos convidados, nós somos convocados a voltar a Jesus, a voltar ao Evangelho, à originalidade do Evangelho, e viver de verdade a fraternidade, a bondade a misericórdia, o amor”. A Campanha da Fraternidade, “é um convite a alargar a nossa tenda para acolher muitas outras pessoas”, segundo Padre Alcimar Araújo. Ele lembrou que “estamos em um mundo extremamente plural, diverso, e a gente não pode ignorar essa diversidade, a gente tem que se abrir a isso, a ter a capacidade de dialogar, ter a capacidade de conversar, de ir ao encontro”. O assessor destacou o convite do Papa Francisco a “construir pontes e fazer uma cultura do encontro”, algo que ele considera muito desafiante para nós, chamando a ser sal, luz e fermento na sociedade. Igualmente destacou que a Campanha é um chamado a perceber os sinais presentes na sociedade que precisam ser estimulados, fazendo um chamado a “promover outros sinais, outros encontros, outros caminhos de fraternidade, caminhos de comunhão para que a gente, em confronto com a sociedade, possa ajudá-los junto com a gente a construir um mundo melhor”. Algo que é expressão do reinado de Deus que deve espalhado por tudo quanto é lugar, o que ele vê como responsabilidade da Igreja, esperando propostas que possam criar “esses espaços de alargamento da tenda e de ir ao encontro dessas pessoas que pensam diferente da gente, que tem outro olhar sobre si e sobre o mundo, sobre a sociedade, mas ajudá-los a entender que todos somos irmãos e irmãs”. Em uma Igreja sinodal, “ao retomar o tema da fraternidade, a gente está retomando uma coisa que é essencial a nossa fé”, segundo padre Alcimar Araújo. Ele a considera “uma questão fundamental para sobrevivência da Igreja como fermento, como sal, como luz, como testemunha de que a fraternidade, nós acreditamos nisso, nós vivemos isso, buscamos isso”, destacando que “não é fácil, porque o diferente nos confronta, o diferente às vezes causa em nós algum tipo de rejeição”. Viver no caminho da fraternidade leva a ver o diferente como um complemento, uma visão nova, um modo diferente de viver, segundo o assessor. Ele coloca como tarefa “oferecer a todos o que somos, o que temos, o que acreditamos e testemunhamos”, considerando sua retomada como algo fundamental para a vida comunitária da Igreja, dado o individualismo exacerbado imperante, presente nas comunidades e que tem dificultado a relação comunitária, o que demanda superar a auto referencialidade. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Seminário da Campanha da Fraternidade: “Treinamento, tomada de consciência e esquentar o coração”

A Maromba de Manaus acolhe de 1º a 3 de dezembro de 2023 0 Seminário da Campanha da Fraternidade 2024, que tem por tema Fraternidade e Amizade Social e como lema Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt. 23,8). Com a participação de mais ou menos 25 representantes das nove igrejas locais que formam o Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), é um momento de “treinamento, tomada de consciência e esquentar o coração”, segundo dom Adolfo Zon, bispo da diocese de Alto Solimões, vice-presidente do Regional Norte1 e bispo referencial das Pastorais Sociais. Em 2024, a Igreja do Brasil realiza sua 60ª Campanha da Fraternidade, sempre uma necessidade para o povo, que precisa de fraternidade, e que em 2024 deveria mexer no fundamento da sociedade, segundo dom Adolfo Zon. Ele vê o seminário como uma oportunidade para que as dioceses e prelazias possam realizar um trabalho de formação nas bases sobre uma temática importante que vai ajudar na vivência da Quaresma que a Igreja nos propõe. O vice-presidente do Regional Norte1 destaca a Campanha da fraternidade como modo de aprofundar na Doutrina Social da Igreja. Diante da postura contrária de alguns grupos em relação à Campanha da Fraternidade o bispo referencial das Pastorais Sociais no Regional Norte1 disse que “a Campanha da Fraternidade é uma oportunidade ímpar de que as comunidades e as pessoas possamos não só tomar consciência e refletir sobre a dimensão sociotransformadora da fé”. O bispo de Alto Solimões afirma que “a Quaresma, ela fala de conversão, e assim como temos que ter uma conversão pessoal, temos também que realizar todos juntos uma conversão como povo, como comunidade, como Igreja”. Segundo dom Adolfo, “a Campanha da Fraternidade sempre nos traz à tona uma temática que envolve todos os sujeitos da sociedade”. Ele insistiu em que “a metodologia que a Campanha desenvolve temos um olhar ao nosso redor como está a situação, um julgar ou um discernir, nos deixando interpelar pela Palavra de Deus e pelo Magistério”. Isso em vista de poder realizar “as transformações que precisamos para nosso crescimento como pessoas e como grupos”, sublinhou. A fraternidade é uma experiência vivida de diversos modos, que nos ajudam “a concretizar algo que é muito próprio da nossa Igreja”, afirmou o bispo. Ele lembrou que a fraternidade marcou a vida da Igreja nos três primeiros séculos, fazendo um chamado a vivenciar hoje a amizade social, para que “entre todos possamos construir um novo projeto alicerçado na fraternidade”, que considera superior à liberdade e à igualdade. Dom Adolfo Zon fez um chamado a construir fraternidade, “onde todos os povos e todas as pessoas possam ser respeitadas em sua subjetividade”. Segundo o padre Alcimar Araújo, vice-presidente da Caritas Arquidiocesana de Manaus, que é um dos assessores do Seminário, a Campanha da Fraternidade é instrumento de vivência penitencial para a Quaresma, indo ao encontro do povo, de todas as pessoas que fazem parte da sociedade. Ele ressaltou que os temas da Campanha da Fraternidade perpassam a vida do povo através dos diferentes instrumentos que fazem parte da Campanha, segundo recolhem os objetivos apresentados aos participantes do encontro. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

“A Economia, ela está morta, porque a Economia, ela devia estar ao serviço das pessoas”, afirma cardeal Steiner na inauguração da 1ª Casa de Francisco e Clara na Amazônia

A primeira Casa de Francisco e Clara na Amazônia foi inaugurada nesta quinta-feira 30 de novembro na comunidade São Mateus, no Bairro Zumbi dos Palmares, periferia de Manaus. Uma oportunidade para apresentar o livro “Realmar a Economia”, que contou com a presença do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, e com um bom número de participantes da comunidade local, da Arquidiocese de Manaus, e da representante da Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara, Gabriela Consolaro. Uma Casa de Francisco e Clara no chão da Amazônia Essa casa no chão da Amazônia era um sonho dessa articulação, segundo Consolaro, que a definiu como “uma experiência mística, profética, mas sobretudo popular e comunitária”, com protagonismo feminino, que mostra que “a Igreja é de fato povo de Deus que se movimenta, que se organiza, que pensa, que consegue refletir um sistema e consegue se movimentar para fazer outras realidades acontecerem, realidades inclusivas, plurais, acolhedoras, de trabalho comunitário, de mão na terra e sorriso no rosto”. Com relação ao livro, ela que é uma das autoras, o vê como resultado de toda uma caminhada, com 30 autoras e autores que transitam por todos os temas existentes na Economia de Francisco e Clara, insistindo em que quer contribuir ao “chamado do Papa Francisco que nos convida a construir uma sociedade e uma Igreja realmente sinodal, ecológica, comprometida, com os pés que ficam neste chão”, mostrando alguns elementos presentes no livro, onde aparece um outro jeito de viver a vida. Gabriela Consolaro refletiu sobre o fato de ter adicionado Clara no Brasil ao movimento da Economia de Francisco, algo nem sempre compreendido e aceito fora do Brasil, mas que destaca a importância do feminino nessa realidade. A Economia só tem sentido ao serviço Partindo do título do livro, o cardeal Steiner insistiu em que a alma que dá sentido, denunciando que “a Economia, ela está morta, porque a Economia, ela devia estar ao serviço das pessoas”. Segundo o arcebispo de Manaus, “a Economia não está mais ao serviço das pessoas, a Economia está explorando as pessoas, especialmente os pobres. A Economia não está mais ao serviço da casa de todos, está ao serviço de algumas pessoas que vão lucrando cada vez mais”. Um título que significa “dar à Economia de novo uma alma”, destacando que “a Economia só tem sentido quando está ao serviço, quando ajuda a criar fraternidade, quando ajuda a criar justiça, quando ajuda as pessoas a terem vida digna”. O cardeal lembrou que na história houve tempos em que a Economia tinha alma porque estava ao serviço das pessoas. Ele pediu ajudar o Papa Francisco a buscarmos uma nova Economia, destacando o grande esforço realizado em um processo longo que faça com que possa entrar uma nova cultura, uma mudança diante do constante crescimento no mundo inteiro dos pobres, da fome, da migração por causa da fome, da violência. Segundo o arcebispo, ter acrescentado no Brasil o nome de Clara ajuda a entender o que significa a fraternidade e a preocupação pelo meio ambiente, uma dimensão de grande importância na Amazônia, onde a questão da economia tem a ver com a falta de cuidado pelo meio ambiente. A periferia organizada transforma um sistema que mata Um envolvimento nessas questões que está sendo promovido na Arquidiocese de Manaus, segundo Frei Paulo Xavier Ribeiro, coordenador da Comissão de Ecologia Integral, que leve a “colocar a ecologia integral dentro de todas as pastorais, dentro de todo o processo de evangelização”, algo que ele considera desafiador, mas que pode ser ajudado pela criação da Casa de Francisco e Clara para poder assumi-lo, destacando o papel fundamental da juventude nesse assumir. O frei vê necessário a incidência política, na medida em que “a política é uma forma de nos exercermos a caridade”, fazendo um chamado ao compromisso e entrar no caminho aberto pelo Papa Francisco com a Laudato Si´. Nessa dinâmica, a Ir. Elis Santos, outra das autoras do livro, destacou a importância das periferias, apresentadas como contraponto, uma resistência, pois “a periferia organizada é capaz de transformar esse sistema que quer nos matar”, uma experiência vivida no Bairro Zumbi dos Palmares, onde o povo foi formando políticas públicas, comunidades eclesiais, que os fez ressurgir como periferia mobilizada. A religiosa insistiu na importância da valorização dos saberes da periferia, dos povos indígenas e tradicionais, saberes únicos que tem marcado a construção da Casa Amazônica de Francisco e Clara. Ela denunciou o apagamento da identidade indígena por um processo colonial violento, mas também fez ver que aos poucos foi se recuperando essa identidade. Uma casa que é fruto de uma história, como foi relatado por diversas vozes, nascida do chamado do Papa Francisco em 2019, que no Brasil se concretizou nos passos dados pela Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara, que acredita que é das periferias que vai brotar um mundo novo, e que nas casas de Francisco e Clara territorializa suas propostas, e que em Manaus tem envolvido mulheres e homens que enfrentaram um grande desafio. Uma pequena semente plantada Uma semente semeada em abundância, mesmo nem toda dando fruto, segundo o cardeal Steiner, fazendo um chamado a na Economia de Francisco e Clara perseverar na semeadura. Reconhecendo o muito sol, pedra, espinhos, pássaros, que não são todas as sementes que conseguem dar fruto, ele insistiu em que “nós queremos que na nossa semeadura a semente cresça e dê muito fruto”. O arcebispo disse que “uma nova economia é um processo longo, assim como foi um processo longo para chegarmos até hoje nesta verdadeira destruição que a economia está fazendo”, o que demanda perseverar na semeadura. Dom Leonardo Steiner disse ser uma iniciativa pequena, igual a semente, fazendo um chamado a que “a gente persevere, acredite na força da semente, acredite que é possível uma nova economia, uma economia da fraternidade, uma economia onde todos tenham oportunidade, uma economia da solidariedade, uma economia da partilha”, pedindo a Deus “a graça de caminhar juntos e construirmos esse mundo novo tão necessário, que no Evangelho…
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Cidadão em um Estado onde nem todos têm cidadania

Receber o título de cidadão é uma honraria que muitas pessoas têm recebido ao longo da história, no Estado do Amazonas, e em tantos outros espaços. Na terça-feira 28 de novembro, o cardeal Leonardo Steiner recebia o título de cidadão amazonense, algo que é motivo de alegria para muitos, pois representa um reconhecimento a alguém que encarnou a Amazônia e seus povos como uma causa. Essa alegria tem que nos levar a um compromisso em prol da cidadania de todos aqueles que hoje vivem em um Estado onde os direitos fundamentais não são garantidos com políticas públicas que promovam a vida para todos, onde ninguém fique nas margens do caminho, do lado de fora da sociedade. Um compromisso que tem assumido o cardeal Steiner desde que em 2020 chegou no Amazonas para assumir a missão de ser arcebispo de Manaus. Um compromisso que foi a mais um ano atrás com sua nomeação cardinalícia, que ele vive não como uma honra pessoal e sim como voz em defesa dos povos da Amazônia, em prol de direitos que a lei diz ser para todos, mas que a prática nos mostra que muitos são excluídos. Os espaços que ocupamos, ainda mais quando tem a ver com a Igreja católica, sempre tem que ser para estar ao serviço dos outros, especialmente para ser voz daqueles que nunca foram escutados, inclusive daqueles a quem sempre tamparam sua boca, pretendendo que não sejam escutados seus clamores, seus gritos seculares de dor e sofrimento. Ser cidadão tem que nos levar a olhar para a comunidade, para a totalidade da sociedade, a cuidar um dos outros, especialmente a cuidar daqueles que ninguém cuida, também não o poder público, mesmo sabendo que sua missão fundamental é o cuidado daquilo que é de todos, que realmente é esse poder público quem tem a obrigação de cuidar dos mais vulneráveis. Uma religião é crível quando olha para aqueles que são descartados com um sentimento de cuidado, quando se posiciona em favor da cidadania daqueles que nunca foram vistos como cidadãos, porque nunca tiveram os direitos que tem que ter aqueles que são cidadãos. E não podemos esquecer que todas e todos tem que ter uma cidadania de pleno direito. Lutemos por cidadania, por direitos, por vida plena, concretizemos uma sociedade mais humana, um Brasil com os mesmos direitos para todos e todas na prática, onde ser indígena, ribeirinho, mulher, negro, morador da periferia, não seja motivo para restar direitos, para recortar cidadania. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Evaristo Spengler: Na Amazônia, pensar em um novo modelo de economia, que não destrua a natureza

Bispos da Amazônia, dentre eles a presidência da REPAM-Brasil, se reuniram ao longo da última semana com diversos ministérios do Governo Federal. Segundo dom Evaristo Spengler, bispo da diocese de Roraima e presidente da REPAM-Brasil, ao longo de quase 10 anos, “a REPAM fez um papel muito importante na escuta dos povos da Amazônia”, destacando o processo do Sínodo para a Amazônia. O sofrimento provocado pela grande seca Diante da situação bastante trágica que a Amazônia está vivendo, “com eventos climáticos que tem provocado uma grande seca e isolamento de comunidades, porque a água dos rios baixou muito por falta de chuva”, dom Evaristo Spengler denuncia que “nós temos comunidades isoladas sem comida, sem água”, e junto com isso a morte dos peixes pelo aumento da temperatura da água. Diante dessa realidade, a REPAM-Brasil, segundo seu presidente se perguntou pelo seu papel neste momento da história. O primeiro passo foi realizar durante setembro e outubro uma grande escuta com a participação da Cáritas, Comissão Pastoral da Terra, Comissão Pastoral dos Pescadores, Conselho Indigenista Missionário e os comitês locais da REPAM dos nove estados da Amazônia brasileira. Segundo o bispo de Roraima, “isso gerou um grande diagnóstico com muitas reivindicações”. Diante dos resultados a REPAM se questionou “como agora dar uma resposta ao nosso povo que clama por direitos que não estão sendo respeitados neste momento”, e “decidiu-se ir a Brasília para uma grande incidência política”, destacou o presidente da REPAM-Brasil. Uma agenda cheia e variada Ao longo da semana percorreram 13 ministérios, foram ao Supremo Tribunal Federal, Ministério Público e procuraram entidades parceiras que defendem a Amazônia e estão preocupados com o Meio Ambiente. Em uma agenda variada, a primeira reivindicação foi “uma atenção a esses povos que agora estão com fome e sede na Amazônia, de modo especial com atenção com comida, mas também com a criação de políticas públicas que possam gerar um sustento digno para o nosso povo da Amazônia”, ressaltou dom Evaristo Spengler. Junto com esse assunto imediato, ele disse ter sido tratado questões relacionadas com a crise climática, que atinge todo o Brasil com secas prolongadas e enchentes em algumas regiões, consequência do aquecimento global, com fenómenos como “El Niño”. Dom Evaristo Spengler lembrou da alerta do Papa Francisco desde o início de seu ministério, sobretudo com a Laudato Sí, pedindo atenção muito grande de preservação com a casa comum. Um chamado que continuou com o recente lançamento da Laudate Deum, onde diz, segundo lembra o bispo, que “o caminho que nós tomamos é um caminho suicida, porque o ser humano é a única espécie que pode ser suicida”, o que se manifesta na falta de preocupação com a vida no presente e para as gerações futuras. A bomba já estourou O bispo de Roraima diz ter ficado impactado por uma frase escutada ao longo da semana: “a bomba já estourou e nós ainda não ouvimos o ruido”, chamando a pensar em um novo modelo de economia, que não destrua a natureza, que não use tantos combustíveis fósseis e sim energias renováveis. Igualmente disse ter sido abordado a questão indígena, a questão do Marco Temporal, que está sendo tratada no Senado, uma realidade que atinge aos povos indígenas, ameaçados pela invasão das terras, pelo garimpo, que está trazendo doenças, fome e quebra do modelo harmonioso que eles viviam. Um exemplo disso é a alta concentração de mercúrio nas pessoas moram na Amazônia em consequência do garimpo no Brasil e em outros países vizinhos, chegando a ter 32 vezes mais do que o permitido pela saúde pública. Do mesmo modo, com relação aos conflitos agrários se faz necessário investir na demarcação das terras indígenas e de áreas de preservação ambiental, para evitar conflitos que levam a ameaçar pessoas, inclusive a ser mortas, por estar defendendo os direitos da Amazônia, de seus povos e do Meio Ambiente. Igualmente denunciou os grandes projetos desenhados para a Amazônia, ferrovias, estradas, hidroelétricas, como a do Bem Querer, em Roraima, que terá um grande impacto ambiental para uma produção pequena de energia, atingindo terras indígenas e a vida dos peixes. Ministérios com diferentes visões Uma visita onde ele diz ter percebido que há ministérios preocupados com o meio ambiente, mas também tem outros preocupados com o desenvolvimento a qualquer custo. Dom Evaristo Spengler destaca a importância de uma reunião com a Secretaria da União e a Casa Civil onde foi recolhida toda essa pauta de demandas e promessa de uma resposta oficial do Governo em três meses, afirmando que “a REPAM vai continuar monitorando os encaminhamentos a partir dessa resposta que nos deem”. Foi abordada a questão da desintrusão dos garimpeiros das terras indígenas, algo que define como um enxugar gelo, dado que os garimpeiros, pessoas vulneráveis e pobres, que muitas vezes estão lá como um trabalho quase escravo, esperam voltar quanto antes para o garimpo. O bispo demanda políticas públicas que garantam sua sustentabilidade. Uma situação que é vivida na região Yanomami, que vai demorar uns anos para que possa voltar a como estava antigamente. Políticas que provocam um grave impacto ambiental Na questão do Meio Ambiente, o bispo de Roraima falou dos dados apresentados pela ministra Marina Silva, sobre a redução neste ano no desmatamento na Amazônia, números que ainda não são suficientes. Uma postura que é diferente no Ministério das Minas e Energia, que diante da possibilidade de um apagão no Brasil, disse ser necessário criar cada vez mais energia. Nesse sentido, o bispo afirma que mesmo diante da preocupação por energias renováveis não se para a busca por petróleo na Amazônia, algo que provoca um grave impacto ambiental. O presidente da REPAM-Brasil disse ter “alguma esperança de que algo pode avançar a partir daqueles que são mais sensíveis no governo”, mas sabendo que sendo um governo de coalizão se faz necessário negociar. Nesse sentido, ele questiona sobre o porquê os 42 territórios indígenas que já estão prontos para serem demarcados, eles demoram tanto para serem executados, vendo atrás disso negociações políticas, cedendo naquilo que é social…
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Ser negro no Brasil continua sendo um risco

Ser negro no Brasil continua sendo perigoso, os riscos sociais são muito maiores quando alguém é negro. Existe um racismo estrutural que precisa ser superado, mas não é um caminho fácil, mesmo existindo estruturas para isso. Na verdade, falta vontade de superar os preconceitos presentes no subconsciente do povo. Na segunda-feira 20 de novembro, foi comemorado o Dia da Consciência Negra, uma data que deveria levar a sentir a necessidade de superar o racismo que habita as mentes e o cotidiano de muitos brasileiros e brasileiras. O racismo se manifesta na linguagem, nas atitudes, nos olhares, no modo de nos relacionarmos com quem é negro. A perseguição ao povo negro, uma constante na história do Brasil, marcado por uma escravidão que hoje se concretiza de modos diferentes, menos explícitos, mas igualmente cruéis, é algo que perpassa a realidade, e que tem que nos levar a refletir sobre atitudes mais ou menos presentes em todos nós, também em mim, também em você. Não podemos fechar os olhos diante de uma realidade que nos diz que mais de 80 por cento das vítimas das operações policiais no Brasil são negros. Um ser negro que também é condicionante no mundo laboral, no mundo da educação, no mundo da saúde, no mundo da moradia, no mundo do poder judiciário. Somos conscientes disso ou fechamos os olhos diante dessa conjuntura social? O que estamos fazendo para combater esse racismo estrutural que está presente na sociedade? Quais os passos que têm que ser dados para denunciar e superar as situações de racismo presentes em nosso meio? Como cobrar políticas públicas que ajudem a superar esse racismo que em ocasiões é inclusive fomentado pelo poder público? As humilhações que sofre a maioria negra por uma elite branca que domina as diferentes esferas do país, no âmbito político, judiciário, econômico, é algo plausível, mas que dificilmente é enfrentado e combatido. Um racismo mascarado, velado, disfarçado, poucas vezes explícito, que a sociedade, inclusive muitos negros, assume como algo normal, como algo que não tem outro jeito, sempre foi assim. Um combate ao racismo que está mais presente na juventude, que graças às cotas, conseguiram entrar na universidade e se empoderar, reclamar seus direitos secularmente negados. Se considerar negros, que anos atrás não era algo que não era assumido, aos poucos vai sendo uma atitude mais explícita. No final das contas, a diversidade, também a diversidade racial e cultural própria de cada raça, é algo que enriquece a sociedade da qual todos fazemos parte. Continuar fomentando atitudes racistas nos faz pequenos, menos humanos, nos afasta da racionalidade, nos animaliza. Somos chamados a refletir sobre essas atitudes, especialmente aquelas presentes em nosso subconsciente, para superar os preconceitos seculares que nos ajudem a criar laços de fraternidade onde as diversas raças nunca podem ser motivo de divisão e separação. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar  

7º Encontro das CONETRAES: Políticas públicas para prevenção e assistência às vítimas do Trabalho Escravo

  Brasília acolhe de 21 a 23 de novembro de 2023 o VII Encontro Nacional das Comissões Estaduais para Erradicação do Trabalho Escravo. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC); a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Fundação Pan-Americana de Desenvolvimento (PADF). O objetivo do encontro é o fortalecimento da rede de enfrentamento ao trabalho escravo no país, além de pensar conjuntamente em políticas públicas para prevenção, assistência e repressão a essas nefastas práticas de violação aos direitos humanos, por meio da troca de experiências e boas práticas entre os Estados. Representando o Estado do Amazonas participam, Kauane Schwerz, da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), e a Ir. Rose Bertoldo, da Rede um Grito pela Vida. O encontro iniciou com uma Mesa de Abertura e Solenidade em comemoração aos 20 anos da CONATRAE, presidida por Silvio Almeida, Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, contando com a participação de representantes do Governo Federal, da CONATRAE, da Organização Internacional do Trabalho (OIT); da Fundação Pan-Americana de Desenvolvimento; e de vítimas de trabalho análogo à escravidão. No final das intervenções foi apresentada a curta-metragem “O contrário do medo”. Os participantes do encontro conheceram o panorama atual do Trabalho Escravo no país e o mapa das COETRAES, sendo refletido sobre o fluxo nacional de atendimento às vítimas de trabalho escravo, sendo debatido em grupos, seguindo a Dinâmica World Café, sobre casos referentes a cada um dos temas em relação ao trabalho escravo, refletindo desde a denúncia, resgate, pós-resgate e casos excepcionais. Igualmente foi realizada a apresentação do Sistema de gestão de Ações integradas de assistência às vítimas e vulneráveis ao trabalho escravo. O encontro servirá para refletir sobre a importância das Comissões Estaduais na construção do III Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, seguindo o esquema Ações Gerais/Governança; Ações de Prevenção; Repressão Econômica; Informação e capacitação; Atenção e Reinserção; Ações de Repressão. Igualmente será criada a Feira de Conhecimentos, com stands onde as pessoas poderão se informar sobre temas de seu interesse. Os responsáveis por cada uma das iniciativas falarão sobre o Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, do Ministério Público do Trabalho (MPT); Escravo Nem Pensar, do Repórter Brasil; Empresas e Direitos Humanos, do InPacto; a Clínica Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Projeto Ação Integrada, do ProjAI; Projeto Raice – Piauí, Tocantins, Pará e Maranhão, da Comissão Pastoral da Terra (CPT); Combate ao Trabalho Escravo no Setor do Café, da GFEMS; Radar da SIT (DETRAE/TEM); Projeto Vida Após Resgate; Projeto TAPAJÓS,  da UNODC); Combate ao Trabalho Escravo no Setor do Café (Verité); Trabalho Análogo ao de Escravo na Pecuária no Pará (PADF). Finalmente será abordado o Pacto Federativo para erradicação do Trabalho Escravo e serão apresentados os subsídios colhidos nos trabalhos de grupos, desde as questões propostas em cada um dos eixos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

1ª Assembleia Diocesana de Pastoral da Diocese de Borba: Ser uma Igreja samaritana para cuidar da vida

A diocese de Borba realizou de 17 a 19 de novembro de 2023 sua primeira Assembleia Diocesana de Pastoral na paróquia de Santo Antônio de Borba, contando com a participação de mais ou menos 80 representantes das comunidades, áreas missionárias e paróquias da diocese. Segundo informa o site da diocese de Borba, a assembleia iniciou com a Adoração ao Santíssimo Sacramento, “pedindo sabedoria e discernimento para um bom avanço nesta Assembleia”. Um momento de oração que deu passo às palavras de acolhida de Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, bispo diocesano, que pediu pela paz. O primeiro passo da assembleia foi a avaliação das pastorais, movimentos, organismos e obras, sendo avaliadas as atividades executadas nas paróquias ao longo do ano, apresentando igualmente os vigários forâneos as atividades de cada uma das foranias. Ademir Jackson, assessor de pastoral da diocese de Borba coordenou a elaboração do calendário de atividades diocesanas, apresentando toda a programação para o ano 2024, sendo realizado um trabalho de programação em nível de forania. Segundo Ademir Jackson, o bispo diocesano destacou quatro pontos como orientação pastoral para o ano que vem, colocando a parábola do Bom Samaritano como aquilo que deve impulsionar o trabalho pastoral na diocese de Borba em 2024, pedindo que seja inspiração para os encontros, para os retiros, formações, e todo o direcionamento pastoral da diocese no ano que vem. Nas palavras de dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, o assessor de pastoral destacou que “precisamos ser uma Igreja samaritana, capaz de se colocar no lugar do outro, cuidar, orientar e buscar se impor meios na busca humanitária para cuidar da vida em primeiro lugar”. Igualmente, o bispo destacou “cuidar a espiritualidade do povo através de encontros, através de formações”. Para 2024, o bispo tem como prioridade a visita pastoral em todas as paróquias, buscando ficar com o povo, escutar o povo. Também foi destacado a necessidade da formação e o fortalecimento das comunidades eclesiais de base. O bispo diocesano convidou a todos a se juntarem para começar o processo de organização da Fazenda Esperança na cidade de Autazes, e fez um chamado a participar no congresso bíblico diocesano, que acontecerá de forma simultânea nas quatro foranias, refletindo sobre a temática do dízimo, como meio de evangelização, se tornado uma das prioridades da diocese. A Assembleia Diocesana também aprovou o Plano de Catequese, que segundo Ademir Jackson “vai nortear a caminhada dentro da proposta da Iniciação à Vida Cristã“ No encerramento da Assembleia Diocesana 2023 foi realizada a celebração de um ano de Criação da Diocese de Borba, com uma Eucaristia presidida pelo bispo diocesano. Em sua homilia, Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva ressaltou que somos uma igreja ministerial, que se sente muito feliz pelo bom êxito da assembleia diocesana de pastoral, que foi muito bem planejada com o objetivo de toda a diocese se encontrar, brincar, refletir, avaliar e sonhar juntos como será o próximo ano. O bispo disse que o Espírito Santo lá esteve, costurando, iluminando, aquecendo todas as pessoas. Igualmente, ele destacou sua fala para os jovens no Congresso Diocesano, insistindo em que devemos: escutar, discernir e decidir. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Com informações da diocese de Borba

8ª Assembleia Pastoral da diocese de Coari: vocação e vivência dos sacramentos numa Igreja sinodal

A paróquia Nossa Senhora das Graças, na cidade de Codajás, sediou a 8ª Assembleia de Pastoral da diocese de Coari, realizada de 17 a 19 de novembro, com o tema: “A Vocação à vida cristã e a vivência dos sacramentos numa Igreja sinodal”. O encontro, que contou com a participação de mais de 200 representantes das paróquias que fazem parte da diocese, foi iniciado com uma Eucaristia presidida por dom Marcos Piatek, bispo diocesano, e concelebrada pelos padres que evangelizam na diocese. Na abertura da assembleia, dom Marcos Piatek lembrou do 3º Ano Vocacional, que será encerrado no próximo domingo 26 de novembro, solenidade de Cristo Rei, o Sínodo sobre a sinodalidade, que realizou a primeira sessão da Assembleia Sinodal, de 04 a 29 de outubro de 2023 e tem previsto realizar a segunda sessão em outubro de 2024, e os 10 anos da criação da diocese de Coari pelo Papa Francisco, no dia 09 de outubro de 2013. Em sua exposição, o bispo diocesano apresentou uma síntese da caminhada da diocese nos últimos dez anos, tanto do ponto de vista pastoral, quanto administrativo e agradeceu a colaboração de todos. Dom Marcos Piatek frisou que a Igreja e a Assembleia Pastoral estão ao serviço da evangelização e da missão. A Igreja, desde os tempos remotos jamais parou de evangelizar, de servir e de celebrar.  A missionariedade se expressa através do Anúncio (Múnus Profético), através do Serviço-Caridade (Múnus Régio) e através do Culto (Múnus Sacerdotal). Durante a 8ª Assembleia Pastoral da diocese de Coari, foi refletido sobre a vocação à vida cristã, com assessoria do Pe. Elcivan Alencar, sendo aprofundado o sentido dos sacramentos do Batismo, da Eucaristia e do Matrimonio, que estão bem presentes na vivência do povo que vive sua fé na diocese, mas que trazem hoje novos desafios. O Sacramento do Batismo foi apresentado pelo Pe. Delaci e pela sra. Graça Palheta; o Sacramento do Matrimonio foi abordado pelas senhoras Rosa Cândida e Nívia Maria; o Sacramento da Eucaristia ficou por conta do Pe. Valdivino. Na Assembleia foi destacado a contribuição dos participantes como algo importante e enriquecedor, algo que foi percebido na partilha do trabalho realizado ao longo do ano nas paroquias e nas pastorais, avaliando sua caminhada, planejando, estabelecendo metas e objetivos. No final da assembleia, Dom Marcos Piatek informou sobre algumas mudanças e transferências do clero e dos seminaristas. No encerramento da 8ª Assembleia Pastoral da Diocese de Coari foi realizada uma celebração eucarística na Comunidade São Sebastião, que contou com a presença dos participantes da assembleia e dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora das Graças. A diocese de Coari mostrou sua gratidão a Deus por esta importante assembleia pastoral. Também agradeceram a toda a Paroquia Nossa Senhora das Graças de Codajás, na pessoa dos padres Felipe (pároco) e Edinei, das irmãs do Divino Mestre, das numerosas equipes de apoio. Igualmente a todos os participantes da assembleia pelo seu zelo, dedicação e a maturidade. Uma Assembleia que foi tranquila, frutuosa e fraterna, graças à Coordenação Diocesana de Pastoral acompanhada de perto pelo seu coordenador. Pe. Valdivino. Tudo isso sobre a proteção de Maria, a Senhora de Codajás e a Gloriosa Sant’Ana, padroeira da diocese de Coari, a quem pediram que “nos inspirem na missão, testemunhando, servindo e celebrando”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Mons. Vanthuy: “Salvar os caminhos religiosos dos povos indígenas é também missão da Igreja”

No dia 8 de novembro de 2023, o Papa Francisco nomeou o padre Raimundo Vanthuy Neto, do clero da diocese de Roraima como novo bispo da diocese de São Gabriel da Cachoeira. Nascido no Rio Grande do Norte, ele se diz amazônida de coração, pois chegou em Roraima com 9 anos. “A Amazônia tem uma das características mais bonitas, que é a acolhida de quem chega aqui”, uma marca secular. Ele coloca uma imagem: “é como se debaixo das árvores pudesse ter outras árvores pequeninas, e elas não incomodar; debaixo dos rios tem um lugar para todo mundo”, se dizendo contente de saber que seus pais foram acolhidos em Roraima, fugidos de situações de desemprego, da fome, da seca do Nordeste. Gestado na Igreja de Roraima “A Igreja de Roraima me fez padre da Amazônia, com uma preocupação principal do cuidado com os povos indígenas, com a casa comum”. Segundo Mons. Vanthuy, “eu fui gestado na Igreja de Roraima e no Seminário São José de Manaus”, onde ele conviveu com seminaristas de São Gabriel e onde posteriormente ajudou na formação de alguns dos atuais padres dessa diocese. Isso lhe leva a dizer que “ao mesmo tempo que eu me sinto um total estranho, não sou um estranho total da região”. O fato ter sido formado na Amazônia para servir como bispo à Igreja da Amazônia, “isso deixa a gente livre, mas deixa preocupado, que nem sempre profeta dentro de casa responde”, uma das experiências que diz ter mais sentido nas primeiras horas depois da nomeação, inclusive com as muitas ligações em que as pessoas o diziam ser a pessoa certa e acreditar nele. Algo que lhe produz alegria, mas que também o leva a se perguntar se está apto a responder a isso que o povo espera dele. Corresponsável com os outros Uma situação que levou o bispo eleito a se questionar: “E se é Deus que me chama? E se lá eles já me esperam? E se no desígnio de sua vida estava também colaborar com a Igreja de São Gabriel”. Ser bispo na Amazônia é vivido como uma graça grande, “me sinto responsável, porque os outros me fazem homem corresponsável. A responsabilidade não é coisa minha, mas é também um dom que os outros me fazem”. Mons. Vanthuy afirma ir para São Gabriel, “como um irmão que entra na barquinha da Igreja de São Gabriel, uma barca que tem marcas, por exemplo a grande marca dos Salesianos de Dom Bosco, das Salesianas, mais de cem anos de história”. Ele lembra de Dom Edson Damian, que abriu uma picada, veio de uma outra concepção, não religioso, não salesiano, brasileiro. Segundo o bispo eleito, chegando em São Gabriel, “eles vão perceber que eu sou padre brasileiro, nordestino que chegou na Amazônia e encontrou acolhida, que tal vez foi mandado a São Gabriel pela questão dos povos indígenas de Roraima, pela opção que a Igreja fez de lutar pela terra, e que lá eu me fiz próximo”. Chegar como um aprendiz “Diante de 23 povos, 16 línguas faladas, eu chego lá muito como aprendiz”, insiste. “Um aprendizado que não vai ser o mais importante da minha vida, mas com certeza será um dos mais marcantes”, afirmando viver em um ambiente eclesial que tem esses sinais. “O Papa Francisco quer ajudar a Igreja a ser aberta e eu chego lá para descobrir uma Igreja que tem caminhado com seus passos bonitos, mas também com seus limites, mas numa abertura de querer aprender, numa abertura de escutar e de dar passos juntos”. Ele é consciente que não será fácil, dadas as dificuldades económicas, mas sabendo que “Deus vai ajudar e eu não vou lá para resolver problemas de tudo”, tentando achar as saídas e as possibilidades. Um desafio, mas que também vê como consolação, é “saber trabalhar com o possível”, afirma o bispo eleito. Ele fala dos sonhos que tem ido tentando concretizar ao longo de sua vida, insistindo em “querer fazer as coisas junto com os outros, não sozinho, nem a partir de mim, mas a partir de um grupo de pessoas que sonham juntos e que vão tentar fazer juntos”. Ele coloca como primeiro sonho, “um bom diálogo, uma boa abertura, uma boa confiança nos padres de São Gabriel, eles podem ser a minha porta mais bonita da minha vida lá como bispo”, com os limites que cada um tem. Esse trabalhar com o possível “tem por trás o Verbo Encarnado, que quando se encarnou, o sonho dele era a mudança do mundo, mas Ele trabalhou com os homens e as mulheres que lhe foram dados”, afirma. Harmonia entre as sociedades e a natureza Pelo fato dessa região ser um dos espaços ainda menos tocados pela mão humana, pela “experiência da destruição”, ele destaca que “há ainda uma harmonia muito grande entre as sociedades e a natureza na região de São Gabriel”. Uma região onde vai ter que aprender a puxar o bote nas cachoeiras, a superar o medo a nadar, afirmando que o principal sinal dele, “não será as insígnias de outros bispos, mas será o colete salva-vidas, para ir ao encontro das pessoas”, dizendo querer vencer seus medos das águas, dos banzeiros altos, das intempéries, “para poder chegar aonde Deus me espera e lá eu tenho que descobrir algo de Deus”. O bispo eleito denuncia o avanço sobre o Rio Negro da mão forte do agronegócio, do garimpo, da pesca predatória, da negação do direito dos indígenas. Isso o leva a um sonho de aliança com os povos de lá, que já vivem isso e onde diz entrar “como coirmão, como cooperador, como aquele que quer ajudar”, afirmando que os povos indígenas têm um papel muito importante, especialmente no cuidado da Amazônia. Igreja aberta à inculturação Ele se referiu a “uma Igreja que se abre a essa experiência tão falada, tão esperada da inculturação”, dizendo ter que se sentar perto dos missionários que lá estão, “e avançar na coragem”, dado que é algo que aparece em diversos documentos,…
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