20 temas em três partes, seguindo um esboço que descreve as convergências, as questões a serem abordadas e as propostas. É assim que pode ser definido o Relatório de Síntese – evita-se falar de um documento – que a Comissão de Redação elaborou após quase um mês de trabalho em mesas redondas na Sala Paulo VI. Trata-se de um relatório que visa ajudar a dar continuidade a um processo que claramente não está encerrado. Uma Igreja Sinodal em Missão A questão é quais são as questões destacadas e como abordá-las. Basta olhar para o resultado da votação, que foi feita ponto a ponto, pela primeira vez com o voto feminino, e essa é uma questão importante, para descobrir os principais consensos e as principais controvérsias, uma análise detalhada que requer mais tempo e que, sem dúvida, será importante para o trabalho a ser feito em vista da segunda sessão da Assembleia, prevista para outubro de 2024. “Uma Igreja sinodal em missão“, como diz o título do relatório, um aspecto já observado, talvez esquecido, há 60 anos, no Concílio Vaticano II, e que é claramente retomado ao afirmar, no início, citando a Primeira Carta aos Coríntios: “Todos nós fomos batizados por um só Espírito em um só corpo”, uma experiência vivida com alegria e gratidão, sob a harmonia do Espírito, nesta primeira sessão da Assembleia Sinodal, em uma Igreja que está aprendendo o estilo da sinodalidade e buscando as formas mais adequadas para realizá-la”. Batizados e batizadas, assim como membros de outras Igrejas, atentos à realidade do mundo, marcada por guerras, muito próxima de alguns dos participantes. Uma Igreja que valoriza a contribuição de todos os batizados, na variedade de suas vocações, chamada a transmitir os frutos de seu trabalho e a continuar a caminhada juntos. A primeira parte do texto, “O rosto da Igreja sinodal“, apresenta os princípios teológicos que iluminam e sustentam a sinodalidade. A segunda parte, “Todos discípulos, todos missionários“, apresenta a sinodalidade como um caminho conjunto do Povo de Deus e como um diálogo frutífero de carismas e ministérios a serviço da vinda do Reino. A terceira parte, “Tecendo laços, construindo comunidade“, mostra a sinodalidade como um conjunto de processos e uma rede de órgãos que permitem o intercâmbio entre as Igrejas e o diálogo com o mundo. O rosto da Igreja sinodal Reconhecendo a necessidade de explicar melhor o termo sinodalidade, os temores são dissipados, dando como exemplo prático a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e apresentando a prática da sinodalidade como “parte da resposta profética da Igreja a um individualismo que se volta contra si mesmo, a um populismo que divide e a uma globalização que homogeneíza e achata“, pedindo o envolvimento da hierarquia no processo e sua melhor explicação teológica, apontando inclusive para a necessidade de revisão do Código de Direito Canônico. Uma Igreja sinodal que tem a Trindade como sua fonte e é desafiada a assumir o discernimento em todos os níveis. A porta de entrada para essa Igreja é a iniciação cristã, exigindo um aprofundamento do discipulado, uma linguagem litúrgica mais acessível e o incentivo a todas as formas de oração comunitária. Nessa Igreja, os pobres são os protagonistas do caminho da Igreja, e eles pedem amor à Igreja, ou seja, respeito, aceitação e reconhecimento, sem vê-los como objetos de caridade, superando o assistencialismo e insistindo em um melhor conhecimento da Doutrina Social da Igreja. O Relatório observa a diversidade da Igreja, sua interculturalidade, fazendo parte de contextos multiculturais e multirreligiosos, com diferentes necessidades espirituais e materiais, o que deve gerar sensibilidade para a riqueza da variedade de expressões do ser Igreja, superando a polarização e a desconfiança. Há um chamado para cuidar da linguagem, do relacionamento com os povos indígenas e da acolhida aos migrantes. Uma Igreja latina chamada a um caminho comum com as Igrejas orientais, mestres na compreensão e na prática da sinodalidade. Tudo isso para avançar no caminho rumo à unidade dos cristãos, que exige arrependimento e cura da memória, no qual estão sendo dados passos, dando como exemplo a Vigília Ecumênica “Togheter” antes do início da Assembleia Sinodal. Todos discípulos, todos missionários Em uma Igreja sinodal, todos são discípulos, todos são missionários, em vista da missão que cabe a todos, destacando o crescente envolvimento pastoral dos leigos na vida pastoral, mas, estranhamente, a Assembleia tem algumas dúvidas sobre “uma Igreja totalmente ministerial”. Na Assembleia, assim como na própria Igreja, as mulheres falaram em alto e bom tom, e o relatório afirma que “em Cristo, mulheres e homens são revestidos com a mesma dignidade batismal e recebem igualmente a variedade dos dons do Espírito”, insistindo no apelo à corresponsabilidade não competitiva. Mulheres que clamam por justiça em todas as áreas, mas também diante de uma Igreja que fere pelo clericalismo, pelo machismo e pelo uso inadequado da autoridade. Isso exige uma renovação das relações e mudanças estruturais, um maior reconhecimento e valorização da contribuição das mulheres e um aumento das responsabilidades pastorais, questionando como incluí-las nas funções e ministérios existentes, ou mesmo criar novos ministérios, havendo diferenças em relação ao diaconato feminino. Portanto, pede-se que se acompanhe as mulheres mais marginalizadas, que elas participem dos processos de tomada de decisão e assumam papéis de responsabilidade no trabalho pastoral e no ministério, que elas não sofram discriminação no trabalho e remuneração injusta dentro da Igreja, que elas não sejam vistas, especialmente as mulheres consagradas, como mão de obra barata. Elas também devem ser formadas em teologia, participar dos processos de formação nos seminários e ter a possibilidade de se tornar juízas eclesiásticas. O texto reflete sobre o papel da vida consagrada e das associações leigas, da hierarquia e do Papa na Igreja sinodal. Destaca a riqueza da diversidade de carismas na Vida Consagrada e nas associações leigas, denunciando os abusos contra as mulheres nessas áreas e pedindo uma renovação de critérios na relação entre os Bispos e a Vida Religiosa. Com relação aos diáconos e sacerdotes, agradece-se a eles por seu trabalho, mas reconhece-se que o clericalismo é…
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