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Categoria: Artigos

Não ter medo de caminhar juntos

As nove igrejas locais que fazem parte do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: Manaus, Alto Solimões, Tefé, Coari, Borba, Itacoatiara, Parintins, Roraima e São Gabriel da Cachoeira, estão reunidas em assembleia. A sinodalidade, caminhar juntos, está sendo o ponto central do debate. Testemunhas da riqueza da diversidade Em um mundo dividido, polarizado, enfrentado, sermos testemunhas de que a diversidade não pode ser elemento de divisão e sim algo que nos enriquece, é um grande desafio. As guerras cada vez mais mortíferas, o clima de crispação social, inclusive familiar, o enfrentamento entre as pessoas por motivos nímios, dentre outras situações, só pode ser superado se todos nós nos convencermos que podemos caminhar juntos. Mesmo diante dos desafios a serem enfrentados, a Assembleia do Regional Norte 1 tem mostrado que em muitas comunidades da Igreja católica são vivenciadas situações que representam um verdadeiro testemunho de acolhida dos outros, de valorização de cada pessoa, de compromisso com aqueles que sofrem, com os vulneráveis e descartados pela sociedade. Juntos somos mais Caminhar juntos, porque juntos somos mais, porque o outro nunca pode ser visto como um inimigo, porque a vivência da fraternidade é caminho para nossa realização pessoal, mas também para a construção de um mundo melhor para todos e todas, para a concretização do Reino de Deus. O Documento Final do Sínodo da Sinodalidade nos fala de conversão das relações, dos processos e dos vínculos. Diante disso devemos nos fazermos algumas perguntas: Como me relaciono com os outros? Que olhar eu tenho para com aqueles que pensam diferente? Que caminhos escolho na construção da sociedade? Que vínculos eu estabeleço com os outros? Valores que geram unidade Responder a essas perguntas e assumir a necessidade de entrar no caminho da conversão em nível pessoal e comunitário pode ajudar a descobrir a riqueza de caminhar juntos. Pode nos ajudar a sentir a necessidade de construir um mundo sustentado em valores que geram unidade, que nos levam a olhar para os outros como aqueles que nos ajudam a crescer. Em um mundo que aos poucos se desmorona, a sinodalidade deve ser um testemunho que ajude as pessoas a ter um olhar diferente, a resolver os problemas a partir da escuta, do diálogo e do discernimento em comum. Não tenhamos medo de caminhar juntos, de apostar na sinodalidade, de tentar outros modos de nos relacionarmos. Editorial Rádio Rio Mar

Lutar por Democracia, uma exigência cada vez mais urgente

A democracia, o regime de governo aonde o poder vem do povo, foi um dos temas presentes no último Grito dos Excluídos, realizado na semana passada. “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”, foi o lema, o grito de ordem que ressoou Brasil afora. Um grito que cobra especial importância no atual momento político e social que está sendo vivenciado no país. Lutas constantes e cotidianas A COP30, que será realizada em Belém do Pará em dois meses, e o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) diante da tentativa de golpe de estado, tem que levar a população brasileira a tomar consciência da necessidade de assumir essas lutas como algo constante e cotidiano. Em um governo democrático, todos os cidadãos possuem o mesmo estatuto e têm garantido o direito à participação política. Querer negar esse direito ou não reconhecer as consequências dessa participação política é algo inaceitável. Ninguém pode esquecer que um dos elementos que garante a democracia é a livre escolha dos governantes. Todo cidadão tem direito a emitir seu voto através da eleição. Mas também, todo cidadão é obrigado a reconhecer e aceitar o resultado das urnas. Usurpar o poder do povo As tentativas de usurpar o poder do povo e não reconhecer o resultado das eleições, uma atitude presente nos envolvidos na tentativa de Golpe de Estado de janeiro de 2023, é uma oportunidade para o país refletir sobre o valor da democracia, ainda mais olhando para as consequências da Ditadura Militar presente no Brasil por mais de 20 anos, tempo em que foram negados direitos fundamentais de muitos cidadãos e cidadãs, como a liberdade de expressão, de ideologia, de imprensa, de acesso à informação, de direitos e oportunidades, dentre outros. Papa Francisco, no número 154 da encíclica Fratelli tutti dizia: “Para se tornar possível o desenvolvimento duma comunidade mundial capaz de realizar a fraternidade a partir de povos e nações que vivam a amizade social, é necessária a política melhor, a política colocada ao serviço do verdadeiro bem comum. Mas hoje, infelizmente, muitas vezes a política assume formas que dificultam o caminho para um mundo diferente”. Olhando a realidade brasileira, as palavras do anterior pontífice, que insiste em colocar a política ao serviço do verdadeiro bem comum, tem que levar a refletir. As tentativas de golpes de estado buscam favorecer pequenos grupos de poder, seja político ou econômico, desrespeitando os princípios democráticos, que devem estar presentes na sociedade. Projeto de nação Na mesma encíclica, o número 178 afirma que “Perante tantas formas de política mesquinhas e fixadas no interesse imediato, lembro que ‘a grandeza política mostra-se quando, em momentos difíceis, se trabalha com base em grandes princípios e pensando no bem comum a longo prazo. O poder político tem muita dificuldade em assumir este dever num projeto de nação’ e, mais ainda, num projeto comum para a humanidade presente e futura”. O atual momento tem a ver com o futuro do Brasil, e garantir esse futuro é uma obrigação para quem se diz cidadão. Pensar em defender pessoas concretas, mesmo sabendo que cometeram crimes, é uma atitude inaceitável. Isso porque o futuro do país fica comprometido, fazendo com que o projeto de nação assuma caminhos que não garantem a vida em plenitude para todos e todas. Editorial Rádio Rio Mar

Seminário dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis da Região Metropolitana de Manaus

Aconteceu no dia 03/09 o Seminário dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis da Região Metropolitana de Manaus. O evento foi realizado pela Arquidiocese de Manaus, Ministério Público do Trabalho, Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Associação Madre Tereza e a Rede de Catadores/as de Materiais da Amazônia Legal, participaram catadores dos municípios: Manaus, Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. No evento também participaram o arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, o bispo auxiliar de Manaus, Dom Hudson Riberto, Frei Paulo Xavier da Comissão da Ecologia Integral da arquidiocese de Manaus, Padre Danival Lopes pela Associação Madre Tereza, Dra Alzira Melo Costa Procuradora Chefa do MPT e o Procurador Dra. Rafael Feres e de forma online os representantes da Associação Di Fratelli, além destes apoiadores e militantes das causas ambientais. O evento foi uma oportunidade de diálogo e escuta da Arquidiocese aos catadores de materiais recicláveis e de pensar coletivamente alternativas de melhores a vida e o trabalho dos catadores/as que em sua maioria ainda estão trabalhando nos lixões. O Cardeal Dom Leonardo Steiner enfatizou a preocupação da Arquidiocese quanto ao tratamento e disposição do lixo e a necessidade da escuta dos catadores. Na oportunidade Dom Hudson trouxe uma reflexão do Papa Francisco: “a escuta e a reflexão como essenciais para a boa comunicação, a construção da paz e a superação de preconceitos.” Dra. Alzira Melo ressaltou a preocupação do Ministério Público do Trabalho quanto as ações que de fato incluam e valorizem os catadores/as. Já da parte dos catadores, foi unânime quanto a necessidade de apoio, a valorização do trabalho que fazem e a remuneração justa por este trabalho. A catadora Irineide Lima relatou a importância do apoio da Arquidiocese na luta dos catadores. Ao final foram encaminhados, o apoio que a Arquidiocese ofereceu aos grupos de catadores quanto a regulamentação as licenças; a reinstalação do Fórum de Lixo e Cidadania; a articulação quanto a obtenção de emenda parlamentar para a compra de caminhões para apoiar a logística dos catadores de Novo Airão, Manacapuru e Iranduba na comercialização dos recicláveis; a possibilidade de uma audiência com o setor empresarial que atua na reciclagem, juntamente com o Centro da Industria do Amazonas, a Superintendência da Zona Franca de Manaus e Federação da Industria do Estado do Amazonas. O evento encerrou com a reafirmação do apoio da Arquidiocese de Manaus, Dom Hudson ressaltou o apoio das Cáritas Diocesanas e Prelazias aos catadores, e também do Regional Norte 1 Amazonas e Roraima ao qual Dom Leonardo é o presidente. Marcela Vieira – Apoiadora da Rede de Catadores da Amazônia Legal

A Palavra caminho de mudança e não de justificativa de nossos erros

Uma ajuda para caminhar no cotidiano. Será que vemos desse modo a Palavra de Deus? O Mês da Bíblia deveria ser uma oportunidade para aprofundar no conhecimento da Palavra de Deus, para nos aproximarmos dela. Estamos diante de mais do que um texto do passado, pois ela é atualidade que nos questiona e nos leva a refletir sobre nossa vida pessoal e comunitária. Esperança No Brasil, a Igreja católica nos oferece há muitos anos a possibilidade de estudar um livro da Bíblia. Em 2025 a Carta aos Romanos vai cobrar uma dimensão especial, em vista de nos ajudar a transformar a realidade atual à luz da proposta divina. A ênfase desse escrito paulino é a esperança, uma temática que acompanha o caminhar da Igreja católica em 2025, em que estamos celebrando o Jubileu da Esperança. De fato, a esperança é atitude decisiva na vida dos discípulos e discipulas de Jesus. A esperança sustenta nosso relacionamento com Deus, nossa fé N´Ele. São Paulo afirma que a “esperança não decepciona” e nós somos chamados a descobrir na Palavra o caminho que nos ajuda a superar os momentos de desesperança, a encontrar o caminho a seguir, uma realidade cada vez mais presente na vida da humanidade. Ser sinal de esperança O que fazer para ser sinal de esperança para tantas pessoas desesperançadas? Como potencializar a escuta, o diálogo, o discernimento que nos ajude a encontrar caminhos de esperança para a sociedade e para cada pessoa? Até que ponto experimentamos a presença do Espírito como aquele que ilumina nossa vida, que fecunda nossa existência, que nos leva a crescer em esperança? Vivemos um momento histórico em que a vida das pessoas, a vida de muitos inocentes está sendo ameaçada de modo constante. A dor e a morte tem se instalando como ameaças para boa parte da humanidade. O ódio vai gerando sentimentos de desconfiança, de enfrentamento, fazendo minguar a esperança nas pessoas. Uma realidade que demanda de uma esperança crescente, que cabe a nós gerar as condições para que as pessoas possam recuperá-la. Entender o papel da religião Podemos encontrar similitudes entre os primeiros anos do cristianismo, momento em que foi escrita a Carta aos Romanos, e o atual momento histórico. Um texto que promove uma reflexão em volta da solidariedade, da acolhida de Deus a todos, da necessidade de entender que a religião não pode ser usada em função de uma ideologia ou de uma política que pretende ser usada em benefício de pequenos grupos. Uma carta que nos leva a descobrir a necessidade de cuidar das pessoas, de todas as pessoas, a cuidar da Casa Comum, assumir a Ecologia Integral. A Bíblia sempre nos leva a olhar para fora, a no buscar nela uma justificativa para nossos posicionamentos pessoais ou grupais. Não nos sirvamos da Palavra e sim vejamos a Palavra como caminho de mudança, de conversão, como instrumento que nos aproxima de Deus e dos outros.

Uma profecia cada vez mais escassa e necessária

27 de agosto é uma data marcante na história da Igreja do Brasil. Foi nessa data que faleceram três bispos com grande destaque na vida do povo católico brasileiro: dom Hélder Câmara, em 1999, dom Luciano Mendes de Almeida, em 2006, e dom José Maria Pires, em 2017. Três homens de fé, esperança e caridade Três homens de fé, esperança e caridade, virtudes que sustentaram sua profecia, expressada em suas palavras, mas sobretudo em seu compromisso de vida, em suas causas, em seu compromisso por um Brasil mais justo, menos desigual. Mas também na concretização de uma Igreja mais missionária, mais próxima dos pobres, uma Igreja de todos. Eles acreditaram na Igreja católica como instrumento para ajudar a superar situações sociais que levam as pessoas ao sofrimento, para superar a pobreza, a desigualdade, o racismo, a luta pela terra, a exclusão social, as violações de direitos. Bispos companheiros de caminho do povo, que sabiam ir na frente, no meio ou atrás do povo, dependendo de cada momento e situação. Bispos que não duvidaram em incomodar os poderosos para defender os pequenos. Bispos que ajudaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, a ser uma voz respeitada na sociedade brasileira. Com sua sabedoria, inteligência, capacidade de raciocínio, experiência de Deus, eles se tornaram anunciadores do Reino de Deus. E faziam isso com gestos concretos, onde mostravam às claras aquilo que define o próprio Deus: sua capacidade de amar aos pequenos, aos descartados, àqueles que não tem lugar. Comprometidos com o Concílio Vaticano II Comprometidos com os ensinamentos do Concílio Vaticano II, encontraram em sua doutrina elementos para denunciar tudo aquilo que na sociedade brasileira contradiz o Evangelho. Bispos que chamavam as coisas pelo nome, apostando no cristianismo encarnado, comprometido com a justiça de Deus em defesa daqueles que ninguém defende, que a sociedade condena. Seguindo o Ano Jubilar que estamos vivenciando em 2025 podemos dizer que os três bispos falecidos na mesma data, 27 de agosto, foram peregrinos de esperança. As pessoas encontraram e continuam enxergando sementes de esperança em suas vidas. Seu exemplo tem que nos levar a nos questionarmos como sociedade e como Igreja, ainda mais diante de tantas pessoas que perderam a esperança em nosso tempo atual. Um espelho para o Brasil atual Homens que devem ser um espelho para o Brasil atual, para a Igreja católica que hoje peregrina no país. Somos desafiados a assumir que o Evangelho tem que ser vivenciado fora dos templos, que acreditar em Deus tem que nos levar a um compromisso de vida com as pessoas, especialmente na defesa dos descartados, daqueles que não contam. Bispos que colocaram seu ministério ao serviço de todos, que entenderam que ser bispo é um serviço e um compromisso com um mundo melhor. Falecer no mesmo dia não pode ser visto simplesmente como uma coincidência, mas como um sinal de Deus, que se faz presente nas pessoas. Eles são presença de Deus no meio de nós e sua vida é um chamado a sermos cada vez mais profetas, a não ficar indiferentes com a vida dos outros, especialmente com a vida dos pequenos. Editorial Rádio Rio Mar

Lideranças das paróquias de Manacapuru e Caapiranga preparam Mês da Bíblia

No mês de setembro, Mês da Bíblia, a Igreja do Brasil faz a proposta de aprofundar no conhecimento de um dos livros que fazem parte do texto Sagrado. Em 2025 será estudada a Carta aos Romanos. Encontro de formação Em preparação para o Mês da Bíblia, a Paróquia Cristo Libertador de Manacapuru, na diocese de Coari, sediou neste domingo, 24 de agosto, das 8h às 16h, no auditório paroquial, a formação bíblica para catequistas e ministros extraordinários da Palavra e da Eucaristia. O encontro, assessorado pelo professor Dr. Mattias Grenzer, da Pontifícia Universidade católica de São Paulo, contou com a participação de representantes das paróquias Cristo Libertador, Nossa Senhora de Nazaré e Santo Afonso, de Manacapuru, e São Sebastião de Caapiranga. O escrito mais exigente em toda a Bíblia O assessor ressaltou que “em muitas comunidades, em muitas famílias, vamos ler esta Carta”. Para isso, segundo o professor Grenzer, que agradeceu a oportunidade de participar desse momento, tem sido importante o momento de formação vivido na diocese de Coari com um grupo bem numeroso e assim preparar bem o Mês da Bíblia. O professor da PUC São Paulo disse que “a Carta aos Romanos talvez seja o escrito mais exigente em toda a Bíblia, uma reflexão ampla”. Uma realidade que levou os participantes do encontro de formação a se esforçar e estudar os fundamentos, para assim animar a fé como pessoas e como Igreja.

Frente à tentação da individualidade, assumamos que juntos somos mais

Escutar é um dos grandes desafios para poder caminhar juntos. Essa escuta ajuda a avançar no diálogo e descobrir aqueles elementos que nos unem. Na Igreja católica, esse caminhar junto recebe o nome de sinodalidade, uma dinâmica impulsionada decisivamente pelo Papa Francisco, que teve na Igreja da Amazônia seu banco de provas. Uma novidade na história da Igreja Em 2019 foi realizado o Sínodo para a Amazônia, que muitos consideram um passo prévio para o Sínodo sobre a Sinodalidade. Um dos frutos do Sínodo para a Amazônia foi a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), uma novidade na história da Igreja, que já foi vista como exemplo de sinodalidade. Nos últimos dias, de 17 a 20 de agosto, a CEAMA convocou os bispos da Pan-Amazônia para um encontro em Bogotá (Colômbia). Foi o primeiro encontro dos bispos da região depois do Sínodo para a Amazônia e da criação da Conferência Eclesial da Amazônia. Uma reunião que monstra a disposição a continuar o Sínodo para a Amazônia, e sobretudo ser uma Igreja sinodal, que caminha junto, uma Igreja encarnada e inculturada, onde existe preocupação para se ajudar. O encontro enriquece A tentação da individualidade, de decidir em pequenos grupos, sem escutar as diversas vozes, também está presente na vida da Igreja católica, inclusive na região amazônica. Ninguém pode esquecer que o encontro enriquece, dado que nele se faz presente a diversidade de uma região onde a interconexão entre povos e culturas sempre foi presente, também na vida da Igreja. Mesmo enfrentando alguma dificuldade, a sinodalidade é uma realidade viva na Igreja da Amazônia. Isso é algo que devemos aproveitar no dia a dia das comunidades, dado que a prática da sinodalidade, do caminhar junto é algo que nos aproxima do Evangelho e nos ajuda a assumir dinâmicas comunitárias, tão presentes na vida e nas culturas dos povos da Amazônia. Um caminhar junto que é um testemunho para uma humanidade cada vez mais enfrentada e dividida. Dispostos a caminhar junto Cada um, cada uma de nós tem que se questionar: estou disposto a caminhar junto? Sinto a necessidade de escutar, de dialogar, de buscar junto o caminho a seguir? Me abro à novidade que está presente na vida daqueles com quem me relaciono? Olho para o outro como alguém que me enriquece, que me ajuda a descobrir novos caminhos, que me enriquece? Diante de realidades comuns somos desafiados a enfrentar juntos as problemáticas presentes em nosso meio. Juntos somos mais e na companhia dos outros temos a possibilidade de chegar mais longe. Não tenhamos medo dos outros, não vivamos instalados na desconfiança. Pratiquemos a fraternidade que nos faz melhores e nos ajuda a experimentar a presença do Deus comunhão que está no meio de nós. Editorial Rádio Rio Mar

Chamados a Ser Sinais de Esperança: A reflexão de Dom Altevir no Mês Vocacional

O chamado a ser sinais de esperança é ponto de partida da reflexão do bispo da prelazia de Tefé e secretário do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1). Um tempo sagrado em que “cada comunidade é convocada para um grande mutirão de animação vocacional, respondendo ao chamado que Deus continua a fazer em meio aos desafios do mundo atual”. Dentro do contexto vivencial do Ano Jubilar, “Peregrinos da Esperança”, celebramos o 44º Mês Vocacional com o coração agradecido e os olhos voltados à esperança. Neste tempo sagrado, cada comunidade é convocada para um grande mutirão de animação vocacional, respondendo ao chamado que Deus continua a fazer em meio aos desafios do mundo atual. O querido Papa Francisco recordara que “a esperança não decepciona”, pois, brota do amor derramado em nossos corações. O lema deste ano — “Somos peregrinos porque chamados”, escolhido pelo próprio Papa — une dois elementos essenciais da fé cristã: peregrinação e vocação. Ser peregrino é caminhar com escuta, com “ouvidos de discípulos” e entrega; ser vocacionado é responder livremente ao convite divino com gestos concretos de acolhimento, beleza e paz. Durante o mês de agosto, somos convidados a refletir e celebrar as quatro vocações que sustentam a vida da Igreja. No primeiro domingo, dedicado à vocação presbiteral, contemplamos os padres como pastores segundo o coração de Deus. Homens que, guiados pelo Espírito, entregam-se inteiramente ao povo de Deus, sendo presença sacramental, anunciadores da Palavra e promotores de esperança, especialmente nas comunidades mais distantes da nossa querida Amazônia. O segundo domingo é marcado pela vocação matrimonial, ocasião em que celebramos o dom da família e o amor vivido como missão. Neste dia, em comunhão com o Dia dos Pais, exaltamos a paternidade como expressão concreta do cuidado, da proteção e da transmissão da fé no lar. O terceiro domingo é dedicado à vida religiosa, reconhecendo o testemunho profético dos religiosos e religiosas que consagram sua vida por amor ao Reino. Atuando com ternura e coragem junto aos povos originários, eles promovem educação, saúde e evangelização em regiões muitas vezes esquecidas. Por fim, não menos importante, o quarto domingo celebra a vocação laical, destacando a missão dos catequistas como fermento no mundo e na Igreja. Os leigos vivem sua vocação no cotidiano — no trabalho, nas famílias, na cultura, na política — sendo presença atuante e corajosa da Igreja em saída, especialmente onde o clero não pode estar. O Mês Vocacional de 2025 convida cada fiel a escutar com profundidade e responder com coragem ao chamado divino. Que sejamos, como Igreja, sinais vivos da esperança que sustenta nossa fé e transforma o mundo. Que cada vocação seja reconhecida, valorizada e celebrada com gratidão, e que nossas vidas sejam dom e missão no caminho vocacional. + José Altevir da Silva, CSSp – Bispo da Prelazia de Tefé-AM

Dom Adolfo Zon: “A vocação de vocês é sinal do amor de Deus em nossa Igreja!”

No Mês Vocacional, o bispo da diocese de Alto Solimões e vice-presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), reflete sobre a vocação, que ele define como “sinal do amor de Deus em nossa Igreja!” Queridos irmãos e irmãs, paz e bem! Com alegria e espírito de comunhão, dirijo-me a cada um de vocês — missionários e missionárias, lideranças, agentes de pastoral, religiosos, padres, seminaristas, jovens, famílias e comunidades de nossa querida Diocese do Alto Solimões — para partilhar uma palavra de fé e esperança neste Mês Vocacional 2025, cujo lema nos convida a mergulhar no mistério da vocação: “Chamados porque peregrinos”. A Palavra de Deus nos recorda que “todos estes morreram na fé, sem ter recebido a realização das promessas. Mas as viram de longe e as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (Hb 11,13). Assim também somos nós: povo em caminhada, guiados pela fé, rumo ao Reino definitivo, sustentados pela promessa de Deus. Ser peregrino na fé é aceitar viver em movimento, com os pés no chão da realidade — tantas vezes marcada por desafios, como os que enfrentamos aqui na Amazônia — mas com o coração voltado para o alto, em busca de um sentido maior. E somos chamados justamente porque Deus caminha conosco, e nos chama pelo nome para colaborar com Ele na construção de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Em nossa Diocese do Alto Solimões, onde convivem povos indígenas, ribeirinhos, migrantes e tantos rostos amazônicos, a vocação tem rosto missionário. O chamado de Deus ecoa nas trilhas da floresta, nas margens dos rios, nas aldeias, comunidades e cidades. Deus continua chamando homens e mulheres dispostos a gastar sua vida em favor do Evangelho, no serviço ao povo, na defesa da vida e da Casa Comum. Neste mês vocacional, quero agradecer com carinho aos nossos padres, religiosas, religiosos, seminariatas, catequistas, animadores e leigos comprometidos. A vocação de vocês é sinal do amor de Deus em nossa Igreja! E quero convidar especialmente os jovens: escutem o chamado de Deus! Não tenham medo de seguir Jesus, seja no sacerdócio, na vida consagrada, no matrimônio ou no serviço pastoral. Ele caminha com vocês! Aos pais, comunidades e lideranças, peço: sejam terra boa onde brotam vocações. Ajudem nossos jovens a sonhar com os sonhos de Deus. E a todos nós, peço que neste mês intensifiquemos a oração pelas vocações, como nos pede Jesus: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe” (Lc 10,2). Que Maria, Nossa Senhora da Assunção e estrela da evangelização na Amazônia, interceda por nossa Igreja em missão, e que o Espírito Santo nos dê coragem para sermos peregrinos da esperança e servidores do Evangelho. Com minha bênção e carinho pastoral, Dom Adolfo Zon Pereira, SX – Bispo da Diocese do Alto Solimões

Tráfico de pessoas: mais uma prova de desumanidade

Estamos nos tornando desumanos. Mais uma prova disso é o tráfico de pessoas, um crime cada vez mais presente em nossa sociedade. Ontem, 30 de julho, Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, foi mais uma oportunidade para refletir sobre uma das violações mais graves dos direitos humanos, uma ferida que machuca tanta gente mundo afora. Um crime lucrativo Um crime dos mais lucrativos, que só perde para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. Esse tipo de crime tem aumentado nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, o tráfico de pessoas aumentou 60% no Brasil. As redes sociais têm se tornado instrumento para aliciar milhares de pessoas, sobretudo mulheres. As quadrilhas atuam, muitas vezes na impunidade, mas também é verdade que aos poucos as autoridades têm articulado estratégias mais eficazes para combater esse crime. Como nos posicionamos diante dessa realidade, diante desse crime? Fazemos o que está em nossa mão para combatê-lo? Trabalhamos como sociedade para ajudar as pessoas a ter o conhecimento suficiente que lhes permita não cair nas armadilhas do tráfico de pessoas? Acolhemos as vítimas e as ajudamos a se reerguer? Não podemos ser cúmplices As palavras de Papa Francisco: “Se fecharmos nossos olhos e ouvidos, se permanecermos indiferentes, seremos cúmplices”, são um chamado de atenção para a sociedade, mas especialmente para nós católicos. A indiferença diante dos problemas, do sofrimento dos outros, parece ter se instalado no coração da humanidade. Nossos corações vão se endurecendo, se tornando um coração de pedra, sem capacidade de se compadecer, de viver a compaixão diante do sofrimento alheio. Uma atitude que tem que nos levar a refletir, a cada um, cada uma de nós, mas também a todos e todas como humanidade. Denunciar as violações, formar consciências, acolher os feridos tem que se tornar uma exigência se não queremos deixar de lado nossa humanidade. Ficar calados é uma atitude que não pode ser aceita, uma atitude que nos desumaniza. Não podemos esquecer que o ser humano começou ser considerado como tal quando mostrou capacidade de se compadecer diante do sofrimento do outro. Uma postura profética Um sentimento de compaixão que tem que estar presente naqueles que têm fé. Essa fé tem que nos levar a assumir uma postura profética, a perder o medo de nos comprometermos e lutar para acabar com esse crime que tanto atinge a vida de pessoas inocentes. O compromisso de cada um, de cada uma, o compromisso de todos e todas é decisivo para superar aquilo que condiciona a vida de tantas pessoas inocentes: o tráfico de pessoas. Não deixemos passar mais uma oportunidade para refletir, para nos conscientizarmos da necessidade de agir firmemente em defesa das vítimas. Elas têm que ser a prioridade sempre, não podemos renunciar a isso. Cada pessoa que é salva é mais uma vida que é recuperada. Depende de cada um, cada uma de nós, avançar nesse caminho. Editorial Rádio Rio Mar