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Categoria: Notícias

“Honrar a Inocência”: Tríplice Fronteira Peru – Colômbia – Brasil avança na Prevenção e Acompanhamento do Abuso Sexual

Honrar a Inocência. Esse foi o nome do Seminário Internacional de Prevenção e Acompanhamento do Abuso Sexual realizado no Centro Papa Francisco da Paróquia Nossa Senhora da Mercê, em Caballo Cocha (Peru), de 5 a 7 de setembro de 2025. Organizado pela Rede de Combate ao Tráfico de Pessoas da Tríplice Fronteira (Peru – Colômbia – Brasil), esta é mais uma atividade no âmbito do Projeto Magüta. Combate ao tráfico de pessoas Este seminário, que em 2025 contou com mais de 50 participantes dos três países, metade deles indígenas do povo Tikuna, é realizado todos os anos, com o objetivo de refletir direta ou indiretamente sobre temas relacionados ao tráfico de pessoas. Participam líderes eclesiásticos, sociais e comunitários, abordando uma questão muito presente nas comunidades dessa região transfronteiriça, dentro da selva amazônica, onde a facilidade de passar de um lado para outro das fronteiras facilita esse crime e aumenta o risco para a população local. De fato, várias instituições, entre elas algumas ligadas à Igreja Católica, consideram essa realidade como uma urgência inadiável que deve ser atendida por todas as instâncias possíveis, de forma articulada e decidida. O Seminário contou com a assessoria de Juan Ignacio Fuentes (Juancho), missionário leigo em Caballo Cocha, professor e consultor psicológico, com especialização neste tema. Com base em uma metodologia experiencial, por meio de diversas oficinas, buscou-se uma ampla participação e protagonismo de todos os envolvidos. Um espaço de cuidado, reflexão e planejamento Buscava-se “gerar comunitariamente um espaço de cuidado, reflexão e planejamento, no qual se trabalhasse a problemática do abuso sexual, com vistas a fortalecer os agentes pastorais e gerar ambientes de prevenção, proteção e cura em nossas comunidades”, conforme especificava o programa. Nessa perspectiva, dada a profundidade e delicadeza do tema, foi proposto um caminho progressivo de aproximação, que permitisse ver a experiência do abuso de forma serena e cuidadosa, buscando compreender sua complexidade. O caminho proposto teve quatro etapas: observar, compreender, emponderar-nos e cuidar, buscando atender à diversidade de situações. Para isso, procurou-se que cada participante pudesse ouvir, ler e falar o mais possível em sua própria língua: espanhol, português e tikuna. Tudo isso em um processo que buscou cultivar um olhar empático, lúcido e realista sobre esse drama que assola a humanidade e a região da Tríplice Fronteira, para que os agentes educacionais e pastorais estejam atentos, com certas ferramentas preventivas e de acompanhamento e, acima de tudo, motivados para enfrentar essa realidade com amor e responsabilidade, conscientes de que a contribuição que podem dar, mesmo que mínima, pode fazer a diferença. Interesse e generosidade dos participantes No final do encontro, os participantes avaliaram positivamente a experiência. Destacaram-se o clima de fraternidade e participação, o interesse e a generosidade dos participantes, a clareza nas contribuições e na metodologia utilizada, bem como a acolhida no Centro Papa Francisco que, mesmo sendo um local que, por ser novo, precisa de ajustes e melhorias, foi valorizado pela sua beleza e funcionalidade. Algumas sugestões de melhoria vão ao encontro de algumas questões logísticas e de articulação com instâncias formais da sociedade civil. Uma experiência em que se viveram momentos intensos e profundos, como a escuta direta de experiências reais, tiradas deste contexto. Para isso, foi de grande importância a possibilidade de cada participante poder encontrar seu próprio menino-adolescente interior, com suas feridas e sua luz, e os espaços de celebração compartilhados. Um momento que contribui de maneira decisiva para o caminho da Igreja Católica na região, mas também para a própria sociedade civil, uma vez que favorece a construção de redes de cuidado e acompanhamento tão necessárias neste tempo e neste espaço geográfico da Tríplice Fronteira entre Colômbia, Brasil e Peru.

Cardeal Steiner: “ser discípulo de Jesus é aprender, é uma busca”

No 23º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), iniciou sua homilia citando o texto do evangelho do dia: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” Em suas palavras, ele insistiu em “ser discípulo, discípula de Jesus. caminhar com Jesus, seguir Jesus, com a cruz. Ser discípulos missionários, discípulas missionárias seguindo Jesus, também no carregar a cruz!” Aquele que aprende com Jesus “Discípulo aquele, aquela que aprende com Jesus, vai vendo os seus gestos, ouvindo as palavras, percebe como ele reza. Em vendo e ouvindo, vai se tornando sempre mais discípulo, vai se assemelhando a ele, no seu modo de ser e agir”, explicitou o arcebispo. Segundo ele, “ser discípulo de Jesus é aprender, é uma busca.  Busca aprender, saber, ver o que é, como é, como fazer; experimentar, caminhar. No caminhar, compreender em coerência com o empenho que assumimos em obediência àquele que seguimos: Jesus Cristo. A nossa busca não é outra coisa que o encontro com Jesus Cristo, corpo a corpo participação no seu modo de ser, identificação do nosso modo de ser com a sua vida, com a sua pessoa e com o seu Evangelho”. O cardeal Steiner disse, inspirado em John Vaughn, que “essa realidade do encontro introduz no aprender do discípulo uma seriedade existencial de empenho que poderemos denominar ‘mortal’, isto é: decisão de vida e morte, pois ‘aprender’ de Jesus é um concreto segui-lo para onde quer que ele vá; se for o caso, até a morte. Assim, aprender é bem mais que aprender lições: é seguir, sem hesitar, sem reservas e sem pôr condições”. Viver ao modo de Jesus “Não seria essa atitude, esse modo de viver a Jesus, de segui-lo que vem dito no Evangelho de hoje”, afirmou o cardeal, que citou o evangelho: “Quem não carrega sua cruz e não caminho atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. Segundo ele, “esse modo de viver que vai fazendo de todos os momentos, dores, alegria, mortes, a possibilidade de ser como Jesus é: até a cruz. Isto é, as tensões, os dissabores, as incompreensões que nos levam à encruzilhada da vida, como possibilidade de viver ao modo de Jesus. Todas encruzilhadas que nos levam a decisão, de ter que tomar uma direção, de permanecer na tensão até perceber a abertura que existe, o novo caminho a ser trilhado”. “Sim, a cruz é sempre uma tensão, mas uma tensão criativa. Assumi-la, colocá-la sobre os ombros, ou como nos propunha o evangelho: carregar a cruz. No seguimento de Jesus estamos sempre na disponibilidade de tomarmos as tensões existenciais, de convivência, mesmo as dúvidas da fé, como possibilidade que transforma. A cruz como transformação, como foi para Jesus”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Ele citou as palavras de Santo Hilário: “Devemos, pois, seguir ao Senhor, tomando a cruz de sua paixão se não na realidade, ao menos com a vontade”. Tome sua cruz Igualmente, mencionou Santo Agostinho, que se pergunta e responde:“O que significa: tome sua cruz? Que saiba suportar o que é doloroso e, desta maneira, siga-me. Porque quando um homem começar a me seguir comportando-se segundo meus preceitos, encontrará muitos que lhe contradirão, muitos que se oporão a ele, e muitas coisas para desanimá-lo. E tudo isso de parte dos que pretendem ser companheiros de Cristo. Também caminhavam com Cristo os que impediam os cegos de gritarem (Mt 20,31). Se você quer seguir a Cristo, tudo se converte em cruz, sejam as ameaças, as adulações ou proibições. Resista, suporta, não se deixe abater.” “No sofrer com Ele, sofrer por Ele e Dele aprendemos as virtudes que ele nos propõe nos seus gestos e palavras:  fraternidade, a filiação divina, a irmandade, o Reino de Deus.  Porque seguir a Cristo consiste em ser ciumento pela virtude e sofrer tudo por Ele”, disse inspirado em São João Crisóstomo. “Carregar a cruz como Jesus que fez a vontade do Pai até a morte e morte de cruz. Fazer a vontade do Pai é algo particularmente exigente e delicado, uma vez que é possível confundir com a vontade do Pai as nossas habilidades, escolhas e desejos. Por isso, a necessidade de toda a vida aprender esse modo ‘sui generis’ aquilo que precisamente denominarmos seguimento. Fazer a vontade do Pai é viver o radicalismo evangélico com aquela atitude de Francisco, quando escutou o Evangelho do ‘discurso Missionário’: ‘é isso que eu quero, isso que procuro, é isso que desejo fazer de todo coração’ (1Cl 22)”, disse o cardeal Steiner. Liberdade e gratuidade Em palavras do presidente do Regional Norte 1, “fazer não significa simples execução de qualquer coisa; também não significa simplesmente uma ordem, um desejo. Fazer a vontade do Pai contém todo o dinamismo da liberdade e da gratuidade de Deus, a saber: é designo de amor do Pai de Cristo Jesus. Fazer a vontade do Pai é deixar-se tomar desta força criadora que enche o universo, que cria novos céus e nova terra, que envia o sol e a chuva sobre justos e injustos. que limpa os vales das sombras de morte com o sopro vivificante da ressurreição, que desce até aos abismos e sobe até aos céus, que cuida dos pássaros do céu e das flores do campo, que derruba os poderosos dos tronos e eleva os humildes. Em uma palavra, fazer a vontade do Pai é ser perfeito como é perfeito o nosso Pai celeste (Mt 5,48)”. A partir do texto evangélico: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me”, ele disse que “parece duro e penoso, diz santo Agostinho. Mas não é nem duro nem penoso, porque quem manda é o mesmo que nos ajuda a realizar o que nos manda. Porque se for verdade a palavra do salmo “conforme as palavras dos vossos lábios, segui os caminhos da lei” (Sal 16,4), também é uma palavra verdadeira a…
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XVII Assembleia Regional da Pastoral da Juventude: avaliar a caminhada e projetar o futuro

A Maromba de Manaus acolhe de 5 a 7 de setembro de 2025 a XVII Assembleia Regional da Pastoral da Juventude, com mais de 30 participantes. O tema que será refletido é “Juventude: espaço de esperança que sonha novos horizontes”, tendo como lema: “O Senhor vai acendendo luzes”. Avaliação e projeção Uma assembleia para realizar uma avaliação da caminhada dos três últimos anos, do ponto de vista das lideranças, e fazer uma projeção do próximo triênio com a construção do Puxirum, que é o Plano de Evangelização da Pastoral da Juventude do Regional Norte I AM/RR, segundo dom Tadeu Canavarros, bispo da prelazia de Itacoatiara e referencial da Juventude no Regional Norte 1. A PJ se encontra presente em todas as Igrejas locais do Regional Norte 1, ao menos com a presença de grupos de base, mesmo que nem todas têm coordenação em nível de Igreja local. Nas bases a Pastoral da Juventude realiza formações de diversos tipos com coordenações de grupo de base, mediante um caminho metodológico dividido em etapas. Uma Pastoral que no Regional Norte 1 assume em sua mística e espiritualidade as características da região de florestas, rios e serras, sendo espaço de encontro e celebração. Nesse campo da espiritualidade, a formação tem ajudado os jovens no Ofício Divino da Juventude ou a Leitura Orante. Junto com isso, retiros espirituais e encontros de espiritualidade fazem parte da caminhada da PJ, que conta com assessores leigos e religiosos. Puxirum Existem dificuldades enquanto às coordenações, que não completam o tempo estipulado por diversos motivos, existindo uma certa dificuldade em encontrar novas lideranças nas Igrejas locais. O Puxirum, Plano de Evangelização da Pastoral da Juventude do Regional Norte 1 tem como fundamentos a espiritualidade, em vista da valorização dos momentos orantes e celebrativos que afirmam o jeito de ser e rezar dos jovens; a formação e relações, que busca formação de lideranças e processos de identidade da PJ, bem como o acompanhamento e Formação das assessorias; ações transformadoras e missionárias, que visam políticas públicas para a Juventude e dimensão integral da Juventude em sua totalidade eclesial e social; cultura e comunicação, buscando formas de evangelização no mundo contemporâneo com as ferramentas digitais culturais; sustentabilidade, para assim garantir a missão evangelizadora no Regional.

Bispos da Amazônia apoiam vetos presidenciais ao PL do Licenciamento Ambiental

Os bispos da Amazônia lançaram no dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, uma nota, assinada por 56 bispos, em que analisam a “Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Proteção da Casa Comum”. O texto, dirigido à sociedade brasileira e aos povos amazônicos, analisa mais uma tentativa de mudança na legislação ambiental, e denuncia as ameaças que se cernem sobre a Amazônia e os outros biomas. Proteção do meio ambiente e desenvolvimento sustentável Os bispos mostram o objetivo do Projeto de Lei 2.159/2021, e as “significativas flexibilizações nos procedimentos de licenciamento”, assim como sua aprovação e envio à Presidência da República, que vetou em 63 ponto o PL. Diante disso, os bispos da Amazônia brasileira, manifestam sua posição, “impulsionados pela força da Palavra criadora de Deus “a quem pertence a terra e tudo que nela há” (cf Dt 10,14)”. No texto, os bispos declaram seu apoio aos vetos do Presidente da República, explicitando as motivações: “garantir a integridade do processo de licenciamento, que proteja o meio ambiente e promova o desenvolvimento sustentável; assegurar os direitos de povos indígenas e comunidades quilombolas; dar segurança jurídica a empreendimentos e investidores; incorporar inovações que tornem o licenciamento mais ágil, sem comprometer sua qualidade”. Segundo os bispos, os vetos asseguram o alinhamento “à Política Nacional de Meio Ambiente, à Constituição Federal e à Lei Complementar 140”. Junto com isso, se torna “mais sólido e equilibrado, fortalecendo a proteção dos ecossistemas, conferindo previsibilidade aos investimentos e reduzindo riscos de judicialização”.  Os bispos afirmam abertamente que “a revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia”. Isso porque “os vetos presidenciais representaram uma contenção necessária aos aspectos mais danosos do projeto original”, coloca o texto, que sublinha a importância de “critérios nacionais para licenciamento”. Uma reflexão que se situa no contexto de um “momento crítico para nosso planeta e especialmente para a Amazônia”. Uma Igreja presente no território    A nota faz uma análise técnica, mostrando os riscos derivados da fragilização dos Estudos de Impacto; a pressão sobre Órgãos Ambientais; o Risco de Precedente. Também mostra as consequências da derrubada dos vetos e o afrouxamento na legislação ambiental, por parte do Congresso Nacional. Igualmente, é denunciado o crescimento do paradigma tecnocrático. Uma denúncia que cobra valor pelo fato de que “a Igreja está presente neste território há séculos e tem uma história de compromisso com a vida nesta região, vida de seus povos e de toda realidade criada”, e o fato de conhecer a realidade amazônica e os impactos de empreendimentos mal licenciados. Os bispos, como Igreja profética e vigilante, fazem um chamado a exigir aos parlamentares que “votem pela manutenção dos vetos presidenciais e pela rejeição de quaisquer propostas que enfraqueçam o licenciamento ambiental, preservando as regras ambientais mais rigorosas”. Tudo isso diante de um momento que demanda “responsabilidade máxima com o futuro da Amazônia e do planeta”. NOTA DOS BISPOS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA   Sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Proteção da Casa Comum   “Então Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31)  À sociedade brasileira e aos povos amazônicos,   O Brasil tem vivido muitas tentativas de mudanças na legislação ambiental que ameaçam a proteção dos nossos biomas, especialmente da Amazônia, e uma das mais impactantes foi a do PL 2.159/2021. Este Projeto de Lei, conhecido como “Lei Geral do Licenciamento Ambiental”, foi proposto pelo Congresso Nacional, com o objetivo declarado de modernizar e agilizar os processos de licenciamento ambiental no Brasil. O projeto estabelecia novos marcos regulatórios para o licenciamento de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, modificando substancialmente a sistemática atual de avaliação de impactos ambientais.   Em sua versão original, o PL previa significativas flexibilizações nos procedimentos de licenciamento, incluindo a possibilidade de procedimento de licença única, transferência de competências para os estados e municípios sem critérios técnicos adequados, e redução de prazos para análise de projetos complexos, dentre outros retrocessos. Após intensa tramitação no Congresso Nacional e mobilização de diversos setores da sociedade, o projeto foi aprovado e enviado à Presidência da República.   Em agosto de 2025, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o PL 2.159/2021 – que se tornou a Lei nº 15.190/2025 –, com 63 vetos, eliminando os dispositivos considerados mais prejudiciais ao meio ambiente e mantendo apenas aqueles aspectos considerados tecnicamente viáveis para aprimoramento dos processos de licenciamento.    Diante deste contexto, nós, bispos católicos da Amazônia brasileira, dirigimo-nos ao povo brasileiro para manifestar nossa posição sobre esta nova legislação e seus possíveis impactos sobre a proteção ambiental e os povos amazônicos. O fazemos impulsionados pela força da Palavra criadora de Deus “a quem pertence a terra e tudo que nela há” (cf Dt 10,14). Deste modo, somamos nossa voz a de tantos homens e mulheres que se fazem partícipes de uma responsabilidade perante a terra que é de Deus e que implica a nós, dotados de inteligência, respeitar as leis da natureza e os delicados equilíbrios entre os seres deste mundo. (cf. Laudato Si’, 68)  Declaramos nosso apoio aos vetos do Presidente da República que “após criteriosa avaliação técnica e jurídica, vetou 63 trechos do texto. As decisões seguem quatro diretrizes principais: garantir a integridade do processo de licenciamento, que proteja o meio ambiente e promova o desenvolvimento sustentável; assegurar os direitos de povos indígenas e comunidades quilombolas; dar segurança jurídica a empreendimentos e investidores; incorporar inovações que tornem o licenciamento mais ágil, sem comprometer sua qualidade. A decisão mantém avanços relevantes para a celeridade e eficiência de processos de licenciamento ambiental e assegura que o novo marco legal esteja alinhado à Política Nacional de Meio Ambiente, à Constituição Federal e à Lei Complementar 140. Com os vetos, o novo marco do licenciamento ambiental nasce mais sólido e equilibrado, fortalecendo a proteção dos ecossistemas, conferindo previsibilidade aos investimentos e reduzindo riscos de judicialização”.  A revogação dos vetos significa uma tragédia para a Amazônia.    Reconhecemos que os vetos presidenciais representaram uma contenção necessária aos aspectos mais danosos do projeto original. A manutenção de critérios nacionais para licenciamento, evitando a…
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Grito dos excluídos 2025: “Mostrar a realidade em nome do Evangelho”

“Mostrar a nossa realidade porque ela precisa ser transformada e o fazemos em nome do Evangelho”. Foram as palavras do Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB NORTE 1), cardeal Leonardo Steiner, em agradecimento a todos os participantes do 31º grito dos excluídos e excluídas. O evento aconteceu ontem, 05/09, na avenida Alphaville, às margens do igarapé do Mindú, zona norte da cidade. Uma sociedade mais justa Pensar a vida em primeiro lugar contribui “para termos uma sociedade mais justa, mais fraterna, possamos conviver na Casa Comum e termos um regime que seja cada vez mais democrático”, explicou o cardeal. Por isso, é necessário organização das comunidades, pastorais e movimentos, já que a sociedade brasileira vive um momento de tensão que se reflete nas dinâmicas sociais do país. A caminhada pelas ruas da cidade reforça a atuação da Igreja nas questões sociopolíticas que influenciam diretamente a vida da população. É uma forma de manter vivo o profetismo em meio aos desafios da urbanidade e das constantes ameaças a Casa Comum e a democracia. Dessa maneira, o grito é também por aqueles que não estão presentes, mas que são afetados pelas injustiças. Daí a ênfase na temática do Plebiscito Popular por uma Jornada de trabalho justa sem redução de salário, pelo fim da escala de trabalho 6×1 e por uma tributação fiscal justa com a taxação dos mais ricos, que ganham acima de R$ 50 mil mensais, e isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Uma proposta que beneficiará trabalhadores e trabalhadoras. Gritos de denúncia e esperança Neste ano, a igreja convida todos a serem Peregrinos da Esperança. Por isso, a denúncia das constantes violações às populações vulneráveis, como é caso do massacre do rio Abacaxis, símbolo de resistência das comunidades indígenas e ribeirinhas contra a impunidade e a violência estatal na região continuam atuais. Além de fazer memória a tantas outras vidas ceifadas por interesses particulares dos poderosos. Quanto à Casa Comum, a insistência de recordar a Aliança Interinstitucional em vista da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus,“Água e lixo não combinam”, comunica o desejo de caminhar juntos na construção de uma cidade onde todos se sintam responsáveis e comprometidos com todas as formas de vida. Na tentativa de uma novo modelo de relações onde homens e mulheres se reconhecem como natureza.  Outras temáticas como a violência contra mulheres, quilombolas e a população negra também tiveram destaques, ampliando as vozes que muitas vezes não encontram espaço de fala. A mobilização popular, organizada pela Arquidiocese de Manaus, reuniu lideranças das Pastorais Sociais, Redes, Coletivos e Organismos, agentes de pastorais das Regiões Episcopais, padres, diáconos e a comunidade Religiosa que atuam na cidade.

Dom Samuel no encontro de novos bispos em Roma: “uma experiência da catolicidade da Igreja”

Organizado pelo Dicastério dos Bispos, acontece em Roma, de 3 a 11 de setembro de 2025, o Curso Anual de Formação para Novos Bispos, com a participação do bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Samuel Ferreira de Lima. O curso tem como tema: “Testemunhas e Anunciadores da Esperança fundada em Cristo”. Uma visão do todo da Igreja “Uma experiência muito importante e rica pela dimensão que a gente tem da catolicidade da Igreja”, segundo dom Samuel. O bispo auxiliar de Manaus destaca a diversidade de procedências e de ritos entre os participantes, o que “dá uma visão do todo da Igreja”. O encontro é um momento de “animação em vista de nós percebermos, todos iniciantes nesse ministério”, com bispos que ainda não têm sido ordenados. A programação, que pretende ser uma ajuda para compreender a missão episcopal, iniciou com a introdução ao curso pelo arcebispo de Marselha (França), cardeal Jean-Marc Avelline. Os bispos refletiram, com a assessoria do Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização, Seção para as Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo, dom Rino Fisichella, sobre o “Decálogo da Esperança para um Bispo do Ano Jubilar”, que insistiu na necessidade de ir ao encontro do povo com os olhos de Deus e ao encontro de Deus com os olhos do povo. Igualmente, abordaram os “Desafios da Igreja como Testemunha e Força Construtora de Esperança”, com os aportes do Professor Giuseppe De Rita, Presidente da Fundação “Centro Studi Investimenti Sociali – CENSIS”. Momento de partilha e comunhão Dom Samuel Ferreira de Lima destaca no curso como “momento de partilha, comunhão, de conhecimentos dos outros nossos irmãos, e das dimensões humanas e religiosas que todos nós vivenciamos nesse novo ministério”. Nessa perspectiva, o bispo destaca os momentos de partilha, que ajudam a pôr em comum “as vivências que cada um teve desde a nomeação e nos primeiros messes de atuação e as expectativas”. Ele insiste na profundidade dos momentos orantes, formativos, que “agregam para nosso serviço muitos valores, uma consciência da missão e também essa comunhão de sermos Igreja, uma Igreja universal, uma Igreja sinodal, uma Igreja a serviço dos irmãos”. Durante o encontro os bispos têm momentos de diálogo fraterno e encontros por grupos de idioma, assim como encontros com os responsáveis pelos dicastérios. Entre os temas de reflexão está “A Missão na Igreja como Mensagem de Esperança: Um Testemunho”, com a ajuda do arcebispo de Florença, dom Gherardo Gambelli. Igualmente, aparece no programa a reflexão sobre “Um Caminho de Esperança – O Bispo como Construtor de Pontes Culturais no Mundo de Hoje”, com a assessoria do Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, cardeal José Tolentino de Mendonça. A prefeita e o Pró-Prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Ir. Simona Brambilla e cardeal Angel Fernández Artime, abordarão o tema “Vida Religiosa, Profecia de Esperança”. O Reitor-Mor dos Salesianos, dom Fabio Attard, irá refletir sobre “Educar à Esperança – Jovens em Busca de Sentido e de Pontos de Referência”. Missa Jubilar e Canonização Os participantes do curso celebrarão a Santa Missa Jubilar com a passagem dos Bispos pela Porta Santa e a veneração das relíquias do Apóstolo, presidida pelo Arcipreste da Basílica de São Pedro, cardeal Mauro Gambetti. Igualmente, com a assessoria do Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, refletirão sobre “Os Autênticos Desafios da Sinodalidade”. No domingo 7 de setembro, os bispos poderão participar da Canonização dos Beatos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis. Com a assessoria do Arcebispo Emérito de Viena, cardeal Christoph Schönborn, será apresentado “O Ministério Episcopal como Testemunho e Anúncio da Esperança Fundada em Cristo”. Também faz parte do programa a reflexão sobre “Esperança e Sofrimento – o Fenômeno Migratório”, com os aportes do Subsecretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Fabio Baggio. A sinodalidade nas estruturas diocesanas Os cardeais Sergio da Rocha e Fridolin Ambongo, arcebispos de Salvador de Bahia e de Kinshasa, apresentarão “O Impacto do Caminho Sinodal nas Estruturas, na Vida e na Liderança das Comunidades Diocesanas”. Também será falado sobre o Óbolo de São Pedro, com a assessoria de representantes do Dicastério para a Evangelização, dentre eles o cardeal Luis Antônio Tagle. Os participantes irão receber formação sobre Tutela de Menores, com a assessoria do secretário da comissão, dom Luis Manuel Alí Herrera e dom Filippo Iannone. Junto com isso, o arcebispo de Cagliari e Secretário da Conferência Episcopal Italiana, dom Giuseppe Andrea Salvatore Baturi, abordou “Os Desafios da Administração para o Futuro da Igreja: Corresponsabilidade, Transparência e Solidariedade”. O encontro contará com a presença do Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, que irá mostrar “O Trabalho da Santa Sé no Mundo Globalizado em favor da Esperança e da Paz”. No dia 11 de setembro, na Sala do Sínodo, os bispos serão recebidos em audiência pelo Papa Leão XIV. Um encontro que marcará o final do curso.

Missiologia: “A dimensão da Esperança no Chão da Amazônia”

“A dimensão da Esperança no Chão da Amazônia a partir da Missão da Igreja” foi o tema que norteou o II Simpósio de Missiologia e III Semana Filosófica e Teológica. Um espaço para refletir, partilhar e aprofundar as dinâmicas da missão Evangelizadora. Organizado pela Faculdade Católica do Amazonas, o Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE NORTE 1) e o Seminário Arquidiocesano São José. Responsabilidade missionária O Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Leonardo Steiner, esteve presente na segunda noite do evento e interpelou os presentes “E qual é a nossa missão? A missão aquela que Jesus nos confiou. Nós não estamos inventando, nós somos uma herança. Nós recebemos uma herança missionária. E essa minha herança missionária diz no texto de Marcos: ‘Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura!’ (Mc 16,15)”. Em suas palavras “a herança de missão que não é uma herança dada aos bispos, aos padres. Não, é uma herança que todos nós recebemos”, explicou. Esta afirmação faz com que “especialmente agora que o Papa retomou a questão da Sinodalidade, de irmos pensando que todos nós temos uma responsabilidade missionária“. As muitas Amazônias Na primeira noite, Pe. Matheus Marques, pároco Área Missionária São João Paulo II, conduziu a conferência de abertura com a proposta de “Os caminhos da Missão da Igreja na Amazônia: Memória e Esperança”, em sua fala destacou a complexidade desses caminhos, visto que “são muitas as Amazônias” seja do ponto de vista geográfico que se estende para além do território brasileiro, seja pela Amazônia que está no Brasil que também é diversa. Dando seguimento, explicou que os dados apresentados são muito situados. Falam a partir de “uma expressão da Amazônia” que é o Regional Norte 1, a Arquidiocese de Manaus. Marques afirma que existe “uma história em comum, que essas Amazônias, ou que a região amazônica participa”. O recorte feito pelo conferencista, abrange o período da romanização, porque, segundo ele, é possivelmente “um período formador de identidade, ou que quis ser, ou que se propôs ser, formador de uma identidade eclesial” até “uma possibilidade de amazonização da igreja”. As comunidades gestam testemunhos missionários Ir. Carmelita, da Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), expressou que, ao fazer memória de sua história de vida, percebe seu chamado à vocação missionária aconteceu num processo marcado pela “mão de Deus”. Afilhada de missionários ativos na região de Eirunepé, onde ela nasceu, vivenciou uma infância “ligada à igreja, às coisas da igreja, toda essa movimentação de interior” comum das regiões amazônicas. Ao mudar-se com família para Manaus, conheceu os padres e as irmãs Agostinianos que eram “muito dinâmicos”. Nessa perspectiva, o colégio e a proximidade com a Igreja de Santa Rita permitiu que crescesse e fecundasse aquela semente da vocação missionária, explicou. E fez memória de dois nomes, Ir. Cleusa e Frei Laurindo, e da convivência na paróquia, onde descobriu a existência das missões. Em relação aos desafios, abordou a adaptação entre a agitação da comunidade paroquial e a rigidez da educação salesiana. E também de discernir o sonho da vida religiosa em meio as agitações sociais que o país vivia. Além disso,  destacou e a dificuldade em deixar a família e que trabalho desenvolvido no bairro, na morada “aliviou para que pudesse entrar e caminhar” junto à congregação. O diálogo com paradigma missionário Na Querida Amazônia, Papa Francisco apresenta a realidade existente na região “Numa Amazônia plurirreligiosa, os crentes precisam de encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum“. Esse cenário aponta para a necessidade de pensar o Ecumenismo e o Diálogo inter-religioso. Dom Hudson, bispo auxiliar de Manaus e Diretor Acadêmico da faculdade, junto ao Prof. Dr. Pe. Ricardo Gonçalves permearam essa realidade por meio da conceituação dos termos e condução feita pela Igreja ao longo dos tempos. “Aprofundar como esta temática, este diálogo, está presente em vários documentos da Igreja, nos ajuda a vivenciar, refletir a vida de Jesus, que também foi uma vida de diálogo com outras realidades, com outros contextos diferentes deste. Então agradecemos e diria que as palavras-chave dessas colocações, muito profundas, que nos ajudam a entender a visão ampla da missão é a palavra diálogo, a palavra paz, a palavra unidade, a palavra diversidade. E tudo isso nos convida a uma abertura a uma compreensão e a uma corrida nesse mundo”, resumiu Ir. Rosana Marchetti, Missionária da Imaculada. O Cardeal Steiner refletiu que “esse modo aguerrido de às vezes combater o Ecumenismo e o diálogo inter-religioso” parece vir daqueles que “não conseguiram perceber o fundo da Fé. Eles acham que eles é que têm fé e não percebem que a Fé que nos têm“. e por esse motivo “talvez não compreendam a grandeza e a profundidade, e por isso não conseguem ver que existem outras possibilidades de uma relação com Deus. Existem outras maneiras de chamar Deus de Pai. Existem outras maneiras de se sentir filho e filha de Deus”, explicou. A dinâmica das cidades e a ação missionária da Amazônia urbana Os painéis temáticos do 2° dia do Simpósio abordaram a “Pastoral Urbana: Sinais de Esperança nas periferias geográficas e existenciais”, ministrado pelo Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária (PUM), Pe. Rafael Lopez, e “As dinâmicas de atuação da Infância e Adolescência Missionária (IAM) na Igreja”, apresentado pela assessora da IAM, Merci Soares. Pe Rafael apresentou que “a pastoral urbana é ação missionária realizada no ambiente urbano em uma ‘Igreja em saída’ com as portas abertas, indo ao encontro das pessoas e realidades”. E também que seus desafios são reflexos do modo como as cidades estão organizadas: a vida acelerada, diversidade cultural, desigualdades sociais, pluralismo religioso, anonimato, violência, exclusão, novas formas de comunicação e modos de viver a fé. A experiência vivida pela IAM também se depara com a realidade da Pastoral Urbana nas periferias geográficas e existenciais. Merci fez memória de que em muitas situações falta aquilo que “não é só material, mas é também material, que é preciso”. Isso porque não…
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Dom Adolfo Zon no Mês da Bíblia: “Deixamos que ela transforme nossa vida e fortaleça nossa missão”

No início do Mês da Bíblia, “um tempo especial de escuta, meditação e vivência da Palavra de Deus”, segundo dom Adolfo Zon Pereira, o bispo da diocese de Alto Solimões escreveu uma carta àqueles que vivenciam sua fé nesse Igreja local. O amor de Deus sustenta nossa esperança Em suas palavras, o vice-presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lembra que “este ano, somos iluminados pelo lema: ‘A esperança que não decepciona’ (Rm 5,5).” O bispo disse que “essa Palavra do apóstolo Paulo nos recorda que, mesmo em meio às lutas e desafios do dia a dia, o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, e é isso que sustenta nossa esperança”. Analisando a realidade atual, dom Adolfo Zon ressalta que “vivemos tempos em que muitas pessoas se sentem desanimadas, cansadas, feridas pelas dificuldades da vida.” Diante disso, ele enfatiza que “a Palavra de Deus nos convida a olhar além, a manter firme a fé e a certeza de que Deus caminha conosco. A esperança cristã não é ilusão ou fuga da realidade. É força, é resistência, é luz que não se apaga, porque nasce do encontro com o Ressuscitado”. Participar do Mês da Bíblia No Mês da Bíblia, o bispo faz um convite a “cada família, cada comunidade, cada irmão e irmã do Alto Solimões a participar dos Encontros do Mês da Bíblia nas casas.” Encontros que ele afirmou que “momentos de partilha e oração são verdadeiras sementes de esperança”. “Ao abrirmos as portas de nossos lares e corações para a Palavra, deixamos que ela transforme nossa vida e fortaleça nossa missão”, disse o bispo de Alto Solimões. Uma realidade que lhe levou a fazer um convite para organizar os grupos de reflexão bíblica: “reúna seus vizinhos, sua família, sua comunidade! Não deixemos de viver essa experiência tão rica de fé e comunhão. Cada casa que se abre para escutar a palavra de Deus se torna um lugar de encontro com Deus e com os irmãos”. Finalmente, dom Adolfo Zon pediu “que Maria, Mãe da Esperança e fiel ouvinte da Palavra, interceda por todos nós. Que o Espírito Santo nos ilumine e fortaleça nesta caminhada”.

Cardeal Steiner: “É melhor escolher o último lugar e ser conduzido ao primeiro”

No 22ºDomingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia afirmando que “o Evangelho parece nos indicar o banquete da gratuidade! No banquete da gratuidade, no amor de Deus, o primeiro se faz o último, o maior o menor, o senhor servo. Vemos o significado do viver banquetear-se na gratuidade, de receber e ofertar. Tudo na liberdade e na liberalidade”. A gratuidade do amor Uma realidade que ele definiu como “uma festa convidando os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos, aqueles que não podem retribuir com uma festa. É a expressão profunda da gratuidade de um conviver festivo, de um banquete da vida, sem cobranças, sem trocas. A gratuidade do amor, a gratuidade de viver. A fé é gratuita, o amor é gratuito”. O arcebispo destacou que “Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares e, por isso, diz que é melhor escolher o último lugar e ser conduzido ao primeiro. Entre nós, na sociedade agressiva e competitiva, o valor da pessoa mede-se pelo ter êxito, triunfar, ser o melhor. É a busca pelos primeiros lugares. É um lutar que recorre a muitos meios: intriga, exibição, defesa feroz do lugar conquistado, humilhação de quem faz sombra ou incomoda. Percebemos que o motivo e estímulo são os títulos, as honras; quem tem valor é quem aparece, mesmo pisando os outros”. Segundo o cardeal Steiner: “Jesus a nos oferecer relações que unem, transformam na graça de convivas, membros da comunidade de fé. Relações que se baseiam no amor desinteressado e gratuito, desviando-nos de ‘critérios comerciais’: interesses, negociatas, intercâmbio de favores. Nessa dinâmica do amor gratuito todos: pobres, humildes, excluídos, desprezados, sem títulos, são participantes e são servidos. Os que vivem sem poder, sem dinheiro, que estão na desvalia da retribuição, dos favores, pertencem à comunidade de amor e de fraternidade e, por isso, tem lugar certo no banquete da gratuidade. Todos são convidados ao primeiro lugar, pois todos convidados especiais. No banquete do convívio amoroso todos recebem o convite: ‘Amigo, vem mais para cima’”. Aproximação com os últimos “Esse convite de aproximação com os que são últimos, nos atrai. Sim, pois a vida às vezes é ingrata, às vezes tropeçamos, às vezes passamos pela separação, mesmo pela morte. Nos tornamos trôpegos, coxos, mudos, surdos. Pode ser que a vida tenha sido dura demais. E o Evangelho a nos dizer da gratuidade do banquete. Somos convidados, não interessa o nosso estado, os nossos títulos, o nosso lugar na sociedade e na Igreja, como estamos a viver. O convite é para todos. O convite para estarmos na cercania de Deus, na sua proximidade. O desejo de Deus é de participarmos do seu banquete”, enfatizou. Citando o texto evangélico: “Porque eles não te podem retribuir”, ele disse que “Jesus a nos ensinar que a gratuidade é dom de Deus: graça, amor gratuito, gracioso. E Deus não nos ama porque merecemos, mas porque não pode não nos amar, pois Ele é Amor. Jesus a nos pedir para amar como Ele ama, isto é, gratuitamente. É uma revolução nas nossas relações: ofertar sem esperar, apenas a alegria de entregar! Aquela gratuidade de nada esperar, sem troca”. A alegria que o coração O cardeal recordou que “talvez nos ajude a conhecida expressão do místico Johannes Schaefler, conhecido como Ângelus Silésius, que expressou de modo muito feliz a gratuidade. ‘A rosa é sem por quê. Ela floresce ao florescer’. A rosa aberta sem por que no orvalho da manhã: a alegria que acolhe o coração do Mortal no frescor e na nascividade da inocência matinal. O Mortal descansa, respira mais livre, se alegra, renasce, porque é acolhido e recolhido no desvelamento da inocência da natureza: no recato e na gratuidade de ser. A rosa não sabe de sua beleza, da admiração que causa, nem mesmo sabe que alguém está ao seu redor, nem mesmo sabe de sua existência. Ele é simplesmente sem por quê. floresce ao florescer”, inspirado nas palavras de Harada. Isso porque, “ali, na cercania do encanto da flor que viceja, apenas encanto, silêncio, admiração. Não emerge a possibilidade de um negócio, de uma troca. Essa admiração da gratuidade do dar-se da rosa orvalhada, desperta o gosto, o sabor da vida, a graça de viver”. “Na quase impossibilidade de dizer da gratuidade como é gratuito o amor de Deus o mítico nos dizia: ‘A rosa é sem por quê. Ela floresce ao florescer’.  A gratuidade não é como algo, alguma coisa, não é um objeto, não é um sentimento, não é uma paga. É um acontecer na bondade da revelação da bondade. Do contrário, seria troca, negócio, negociação. No amor esposo-esposa, amor de vida consagrada, amor de presbítero, há um libertar-se de trocas, satisfação, recompensa. O próprio, o original, fontal é a gratuidade”, disse o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Uma fonte no cerrado Algo que “é como uma fonte no cerrado em tempo de seca: pequena, mas doadora. Água límpida, fresca, brotando sem parar. Ela está ali, sem saber que é. Ela simplesmente está ali na sua generosidade. Ela continua e incansavelmente, sem porque, sem para quê, sem perguntar, sem saber, oferece a água. Ela é a gratuidade: não troca, não espera, apenas, simplesmente, generosamente, ininterruptamente, entrega água. Ela é sem porque, sem para quê, ela é fonte! Na seca de quatro meses, ela é água brotando, amavelmente: doação; é a gratuidade!”, segundo o arcebispo de Manaus. Nessa perspectiva, ele afirmou que “perdendo a gratuidade da fé as nossas preces, nossas esmolas, nossa caridade podem tornar-se um dar para receber em troca. Então perdemos a liberdade, perdemos a independência, perdemos a autonomia, perdemos a sensibilidade tão gratificante de sermos amados, acolhidos, recolhidos, embalados, por Deus. E perdemos o entusiasmo, o vigor, a força que nos leva a buscar, a sempre transformar a vida e o mundo, como o fez Jesus! Não sonhamos mais! Perdemos o bom humor diante das dificuldades e defeitos pessoais e dos outros, perdemos a disposição de uma…
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Aliança Interinstitucional em vista da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus

O cuidado da casa comum é uma urgência, especialmente na Amazônia. Um chamado que em 2025 está sendo redobrado pela COP30 e pela Campanha da Fraternidade, que teve como tema “Fraternidade e Ecologia Integral”. Na arquidiocese de Manaus, um gesto concreto dessa Campanha foi a despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus. Uma proposta ousada, mas necessária “Uma proposta ousada, mas necessária”, segundo salientou o vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana da Manaus, padre Alcimar Araujo, na Abertura do 31º Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 de Manaus, realizada no Parque Municipal do Mindu, na tarde do dia 29 de agosto, onde foi lançada a “Carta Compromisso, Água e Lixo não combinam”. Uma iniciativa interdisciplinar, que quer ser o início de um processo de mudança com a participação de mais de 40 entidades, segundo enfatizou o vice-presidente da Cáritas Manaus. Entre os assinantes da Carta, além do arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, representantes do poder público, instituições ligadas à defesa do meio ambiente, ONGs, igrejas cristãs, povos indígenas, associações ambientais e partidos políticos. Mais do que uma soma de estrategias Uma iniciativa que “não é só uma soma de estratégias”, segundo o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Zenildo Lima. Ele enfatizou o que chamou de antropológico, “um dado de relação”, lembrando suas vivências infantis como manauara. O bispo disse que “a história da urbis em Manaus é uma história de relação com os igarapés”, que foram vistos como “empecilho para um projeto arquitetônico urbano”, o que levou a “soterrar, canalizar, fazer sumir os igarapés”. Segundo dom Zenildo Lima, “isso entrou na vida da gente”, que lembrou que ele tomou banho ou seu pai pescou no Igarapé do 40, que atravessava sob uma ponte para ir para a aula. Na aula ele disse ter aprendido que “a água é um líquido sem cor, sem cheiro e sem sabor”, algo que no igarapé do 40 não era bem assim, em um tempo em que o lixo era despejado em qualquer lugar ou queimado no fundo do quintal. Superar a visão negativa do igarapé Uma realidade que fez com que fosse construído “um ethos, sempre criando polos e sempre criando relações, ora equilibradas, ora desequilibradas”, disse o bispo. Ele recordou que “a gente foi aprendendo a ter medo do igarapé, foi aprendendo a interpretar o igarapé como uma realidade negativa.” A partir dessa relação histórica entre os igarapés e a população de Manaus, o bispo auxiliar advertiu sobre a necessidade de tomar cuidado “para não criar novos inimigos”, recordando o lema da campanha “Lixo e igarapé não combinam”, dado que os resíduos devem ser vistos como matéria que pode ser aproveitada. Nessa perspectiva, dom Zenildo Lima se situou como parte “dessa grande massa de manauaras comuns que tem que ser envolvidos neste processo.” Isso porque “se esta fosse uma luta apenas da sociedade organizada, a gente vai atingir alguns intelectos. Mas se tornar uma luta de um povo, a gente vai ter que atingir corações também.” Daí a importância da linguagem nessa iniciativa, disse o bispo, que afirmou que “nós estamos lidando com realidades sagradas”, recordando as palavras de louvação da Criação nos Salmos ou as palavras de São Francisco no Cântico das Criaturas. Uma aliança interinstitucional A Carta pretende “promover uma visão holística do meio ambiente e da justiça social, inspirada na Encíclica Laudato Sí do Papa Francisco”, e se tornar “uma aliança interinstitucional pela despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus”, com objetivos e planos de trabalho coletivos. Parte de uma introdução, que explica o sentido do texto e relata a realidade social e ambiental, especialmente em Manaus, “localizada no coração da maior floresta tropical do mundo”, e quer ser “um documento que busca o compromisso de toda a sociedade juntamente com seus poderes constituídos, para a preservação e recuperação dos igarapés da cidade”. Nessa perspectiva são propostas 11 ações, pedindo promover a educação ambiental; criar a Aliança Global Pela Despoluição e Saneamento dos Igarapés de Manaus; exigir o cumprimento da Lei sobre os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Manaus; reta aplicação de recursos públicos em políticas sociais e ambientais; acompanhar o cumprimento do Plano Municipal de Saneamento Básico; colaborar com a criação de um Programa Integrado de Saneamento e Despoluição de Igarapés construído de forma interinstitucional; políticas urbanas capazes de reduzir gradativamente a poluição dos igarapés; realizar a 1ª Conferência Municipal sobre os Igarapés de Manaus; fortalecer o Fórum das Águas; Projeto de Lei de Iniciativa Popular para aplicação de políticas públicas ambientais; fomentar a participação cidadã e a fiscalização. Um caminho longo, segundo reconhece a Carta, mas que não hesita no total compromisso os assinantes.