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Categoria: Notícias

Willian Aragão novo presbítero da diocese de Coari: “não um mérito individual, mas um dom que vem de Deus”

A cidade de Codajás, na diocese de Coari, acolheu na noite de 25 de outubro de 2025 a ordenação presbiteral de Willian da Silva Aragão. Uma celebração presidida pelo bispo diocesano, dom Marcos Piatek, que contou com a presença do clero da diocese e de outras igrejas do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), colegas do Seminário São José de Manaus, onde se formou o novo presbítero, Vida Religiosa, familiares e amigos. Uma experiência humana e outra transcendente Na homilia, o bispo diocesano, depois de saudar os presentes na ordenação, iniciou sua homilia afirmando que “nesta celebração de hoje, se juntam duas experiências, uma experiência humana, palpável, visível, e outra experiência, a experiência transcendente”, que segundo dom Marcos “ela tem o seu fundamento na fé, no amor a Deus.” Tudo isso porque “sem a fé, sem o amor a Deus, sem o amor a Jesus, sem o amor a Igreja, tudo aquilo que nós vemos é apenas algo palpável e visível”, disse o bispo, que fez um chamado a “ver esta celebração com os olhos da fé”. Na primeira leitura, onde aparecia o relato do chamado do profeta Jeremias, dom Marcos enfatizou que “a vocação dele é desde o ventre materno, não é algo humano, é um dom gratuito de Deus.” Segundo ele, “a vocação presbiteral, ela é movida, alimentada, fortalecida, renovada, santificada pelo amor”, uma dimensão que aparece no Evangelho lido, onde Pedro é questionado por Jesus sobre se ele lhe ama. O bispo de Coari sublinhou que “a fonte da vida presbiteral deve estar no amor a Jesus, no amor a Deus. Se faltar isso, ela não vai durar, não vai florescer.” Junto com isso, dom Marcos disse que “quando a gente celebra a ordenação presbiteral, nós temos que olhar para Jesus, o Sumo e Eterno Sacerdote.” Para aquele que ia ser ordenado, o bispo desejou “que ele seja ancorado, baseado no amor a Jesus. E assim você vai ser, ao exemplo de Jesus, um bom pastor”. Munus profético, do serviço e de santificar Dom Marcos Piatek destacou três tarefas na vida do presbítero: o munus profético, “padre é aquele que se torna profeta, anunciador da boa nova de Jesus, missionário, evangelizador”; o múnus do serviço, “o presbítero é aquele que serve, lava os pés dos irmãos, estende a mão aos pequenos, fracos, abandonados, esquecidos, viúvas, órfãos, migrantes, importância do monos, serve isso”; o múnus de santificar, celebrar, rezar, louvar a Deus, “o sacerdote é aquele que santifica a si mesmo e santifica o povo. Reza por si mesmo, pelos seus pecados e reza pelo povo a ele confiado. Por isso na nossa vida não pode faltar contemplação, reza, meditação, celebração, sacramentos, devoções, meditações”. O presidente da celebração recordou que Papa Leão XIV tem falado recentemente que “o sacerdote encontra sempre a Deus em Jesus como bom pastor.” Nessa perspectiva, “não lhe basta um coração humano e sábio, mas sente a necessidade de um coração como o de Jesus, sempre unido ao Pai, apaixonado pela Igreja”, enfatizou, e pediu que “nos esforcemos todos por ser sacerdotes exemplares”, enfatizando que “só unidos a Deus e entre nós, padres, podemos dar fruto e testemunho ao mundo de hoje”. Ele recordou as palavras de Santo Agostinho, que disse: “ai de mim, se sou pastor de nome e mercenário de vida”. Caminho de santidade O bispo, seguindo as palavras de Papa Leão XIV, afirmou que “os padres têm que zelar pela sua vida interior, pela formação, pela saúde emocional, pela sua integridade.” Ele recordou o chamado do pontífice a viver a fraternidade sacerdotal. Junto com isso, dom Marcos advertiu sobre a necessidade de sacerdotes santos, não de gerentes, vendo a formação como caminho que tem por objetivo a santidade e não apenas a competência. Ele mostrou sua gratidão a todos aqueles que colaboraram na formação do novo presbítero, a família, os formadores, os professores, a paróquia. Dom Marcos Piatek destacou a importâncias dos presbíteros na vida da Igreja e refletiu sobre a escassez de vocações, diante de outras possibilidades que a sociedade considera mais atraentes. A vocação é vista pelo bispo como aquilo que ajuda a ganhar a vida plena, e para isso enfatizou a importância do cuidado das famílias e de criar nelas um clima vocacional. Junto com isso a importância da oração, pedindo rezar pelos padres e para que o padre Willian seja “um servidor de Deus e do povo, para que ele seja homem de contemplação de santidade”. Gratidão do novo presbítero No final da celebração, o novo presbítero realizou seus agradecimentos ao bispo, aos padres, religiosos e religiosas, professores e todos os presentes. O padre disse que “o sacerdócio não é um mérito individual, é um dom que vem de Deus”, algo que ele disse ver em sua pessoa, percebendo a escolha de Deus, que lhe chamou e deseja lhe santificar, moldando de acordo a seus propósitos. Ele enfatizou que “a vida presbiteral é um chamado radical, não se trata só de um projeto pessoal, mas de uma entrega total a Deus”, antes de receber diversas homenagens por parte dos presentes na ordenação.  

Dom José Albuquerque no Curso Latino-americano para Formadores de Seminários Propedéuticos: “um sonho antigo”

Belo Horizonte acolheu de 20 a 24 de outubro um encontro latino-americano de formadores da etapa propedêutica. Promovido pela Organização dos Seminários Latino-Americanos (Oslam), em colaboração com o Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), mais de 70 participantes, chegados de 11 países da América Latina e do Caribe aprofundaram sobre a primeira fase da formação presbiteral, com especial atenção às dimensões pastoral, espiritual, humana e pedagógica, em sintonia com a nova Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis. Um sonho antigo Um dos participantes foi o bispo da diocese de Parintins e referencial da Comissão para o Ministério da Vida Consagrada (CMOVIC) da CNBB, dom José Albuquerque de Araújo. Segundo o bispo, a etapa propedêutica constitui um verdadeiro alicerce da formação sacerdotal. Dom José enfatizou que “este era um sonho antigo: reunir formadores de toda a América Latina. A etapa propedêutica é o ponto de partida, onde se constrói a base humana, intelectual e espiritual do seminarista, para que ele possa avançar com solidez e consciência nas etapas seguintes”. Segundo o bispo de Parintins, “muitos jovens vêm de realidades familiares e sociais complexas, com diferentes níveis educacionais e pouca experiência pastoral. É necessário acompanhá-los não só no aspecto intelectual, mas também na disciplina, na organização do tempo, na espiritualidade e na vida comunitária”. Fortalecer a articulação internacional Dom José Albuquerque sublinhou que a presença de representantes de diferentes países permite conhecer realidades diversas e compartilhar boas práticas. Segundo o bispo, o encontro também foi uma oportunidade para fortalecer a articulação internacional entre seminários, e “nos dá base para continuar com novos cursos, materiais e espaços de intercâmbio entre os seminários do continente”. Em palavras do bispo da diocese de Parintins, “não podemos olhar apenas para a experiência brasileira. É fundamental ir além, aprender com os desafios e acertos de outros contextos, inclusive do Caribe. Esse intercâmbio de experiências fortalece a formação e contribui para construir uma rede latino-americana de formadores”. Tempo de graça, de encontro, de partilha O encontro dá continuidade ao realizado em Bogotá com os formadores dos seminários e mais um realizado virtualmente com os diretores espirituais. O bispo auxiliar de Belo Horizonte, dom Júlio César Gomes Moreira, assessor do encontro disse ter sido “um tempo de graça, de encontro, de partilha, de formação e de oração”. Segundo ele, “criamos um verdadeiro intercâmbio de experiências e uma consciência de corresponsabilidade no cuidado desta missão tão importante: o acolhimento dos vocacionados que iniciam seu caminho formativo”. Um encontro que ajuda a “criar um espaço de fraternidade onde os participantes possam compartilhar experiências, refletir sobre metodologias pedagógicas e práticas de acompanhamento espiritual, sem perder a perspectiva de um projeto continental”, segundo o secretário da OSLAM, padre Vagner Moraes. Tudo isso em vista de um projeto latino-americano de formação inicial, adaptável a cada país, que fortaleça o trabalho dos formadores e prepare melhor os seminaristas para o ministério.

Seminaristas vivenciam 12º Experiência Missionária na Prelazia de Itacoatiara

Os seminaristas do Regional Norte 1 estão reunidos na Prelazia de Itacoatiara para a 12° Experiência Missionária, organizada pelo Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE Labontè). A experiência integra o processo formativo dos futuros presbíteros do regional, oportunizando a vivência com as realidades pastorais das igrejas locais. A programação iniciou no sábado (18) e se estende até o próximo domingo (26). A Missa de envio, na Catedral da Prelazia, marcou o início das atividades e contou com presença de agentes de pastoral e fiéis. Depois, os seminaristas seguiram para comunidades ribeirinhas e urbanas, onde fizeram visitas, celebrações, momentos de oração, encontros e rodas de conversa para fortalecer a “comunhão e a corresponsabilidade missionária”, segundo Lucas Santos, seminarista da Diocese de Roraima. Para ele, a experiência missionária é “um momento formativo para os futuros presbíteros, que vivenciam a realidade amazônica e são convidados a cultivar um olhar sempre mais próximo, fraterno e comprometido com a vida do povo”, explicou. O caminho comunitário As atividades da experiência missionário estão alinhadas ao Jubileu da Esperança, com o tema “Missionários da esperança entre os povos”, escolhido pelo Papa Francisco, e o lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). E buscam responder, como sinal de Esperança, ao grito urgente das pessoas que ecoa de diversas partes do mundo. O encontro com as realidades da igreja na Amazônia é fundamental para que os jovens seminaristas aprimorem seu modo de atuação. Na Exortação Apostólica Querida Amazônia, Papa Francisco recorda, ao citar o Instrumentum Laboris do Sínodo para a Amazônia, que a “vida é um caminho comunitário onde as tarefas e as responsabilidades se dividem e compartilham em função do bem comum. Não há espaço para a ideia de indivíduo separado da comunidade ou de seu território”. Essa dinâmica corresponde às aspirações evangélicas de caridade, e é um “estímulo à cultura do encontro”, onde as relações são novamente restabelecidas. É uma possibilidade para que os seminaristas recordem a vocação evangelizadora presente em cada cristão e cristã batizado. Ou seja, para que desde agora sejam capazes de reconhecer as necessidades dos povos amazônicos, exercendo seus trabalhos com a força profética do Evangelho encarnado na realidade. Aprofundar a fé Dessa forma, a experiência missionária é o espaço para que os jovens missionários aprofundem sua fé. O encontro com os povos permite que haja um reconhecimento mútuo como anunciadores do Evangelho. E o vínculo, nascido nos caminhos, nos diálogos e nos encontros, é a manifestação da Esperança oferecida por Jesus, convida à uma abertura de coração para tocar, compreender e transformar o modo de ver o mundo. Nesse aspecto, o seminarista Jainer Reina, da Diocese do Alto Solimões, comentou que a experiência na Paróquia de Nazaré, em Itapiranga, “está sendo maravilhoso, visitando as famílias, os idosos, os necessitados”. Ele enfatiza que esses momentos motivam “a nossa fé, a minha vocação para ser um sacerdote”. E espera que os frutos dessa missão “possa amadurecer mais e mais na minha vocação”, terminou. Fotos: Lucas Santos.

CEAMA, com a participação de Dom Zenildo Lima, visita a Santa Sé

A presidência da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), com a participação do bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da instituição, dom Zenildo Lima, realiza de 23 a 29 de outubro de 2025 uma visita institucional à Santa Sé. O propósito é fortalecer os vínculos de comunhão com Papa Leão XIV, que irá receber em audiência os participantes da visita, e colaborar com os dicastérios da Santa Sé envolvidos na missão da CEAMA no marco do processo sinodal que anima a vida eclesial da Pan-Amazônia. Exemplo de Igreja Sinodal Os membros da presidência da CEAMA, que o Documento de Síntese da Primeira Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade coloca como exemplo de Igreja sinodal, irão participar do Jubileu dos organismos sinodais, que está sendo realizado de 24 a 26 de outubro no Vaticano. A visita iniciou com uma missa no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, dicastério que a pedido de Papa Leão XIV acompanha mais diretamente a CEAMA. Depois da Eucaristia foi realizada uma primeira reunião com o cardeal Michael Czerny, prefeito do dicastério, e alguns agentes ligados ao dicastério, para uma primeira discussão em vista de alinhar um caminho de captação de recursos em vista da criação de um fundo patrimonial e da autossustentabilidade da Conferência Eclesial da Amazônia. Uma comunicação do território Posteriormente, foi realizado um encontro com o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, o secretário, Lucio Ruiz, e a diretora do departamento teológico-pastoral, Natašia  Goverkar, onde foram apresentados, segundo dom Zenildo Lima, “alguns caminhos de comunicação da CEAMA e a necessidade de darmos mais visibilidade, não somente comunicando fatos, mas construindo processos de intercâmbio, a fim de que toda a estrutura do Dicastério para a Comunicação possa nos ajudar a fazer ecoar vozes da Amazônia”. No encontro foi destacado a importância da CEAMA para o dicastério, dada sua presença no território, assim como divulgar os passos dados pela CEAMA. Ruffini enfatizou que a comunicação é importante porque promove a comunhão e a faz crescer, considerando a CEAMA como um exemplo para o continente e para toda a Igreja, mostrando o valor da Amazônia para a humanidade. Daí a necessidade de ajudar a conhecer e socializar os desafios e as lutas do território. Para isso é importante a presença no território daqueles que podem contar de primeira mão o que acontece, contribuindo ao crescimento da comunicação da Igreja ao mundo, gerando pequenas luzes de esperança. Na reflexão apareceu a necessidade de estruturar a comunicação em vista da incidência. Uma comunicação direta, que dá a conhecer o testemunho vivo que relata histórias de vida. Junto com isso, a importância de estruturar e fortalecer a comunicação amazônica, que deve ser veloz, ágil e constante. Nesse sentido, o encontro da CEAMA realizado em Bogotá em agosto de 2025, aportou pautas para reconhecer a prioridade da comunicação e a necessidade de construir narrativas. Desafios da educação na Amazônia No final da tarde, a presidência da CEAMA visitou o Dicastério para a Educação e Cultura, se encontrando com o prefeito, cardeal José Tolentino de Mendonça. Na ocasião, foi discutido o estado dos processos de educação na Pan-Amazônia. Dom Zenildo Lima destaca que em relação à Amazônia brasileira, “falamos dos desafios do ensino religioso, do processo de ocupação de espaços estratégicos da educação por parte dos segmentos evangélicos, embora a Igreja ainda goze de algum respaldo por causa do Acordo Brasil-Santa Sé. Apresentamos também o fato que as escolas católicas vêm sendo preteridas nas escolas militares. E também falamos a respeito do ensino superior presente na Pan-Amazônia e a possibilidade real de incluir nessa dinâmica dos saberes uma nova epistemologia a partir dos saberes das populações originárias presentes na Pan-Amazônia”. Ao longo dos próximos dias será realizado um encontro no Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, com a presença do prefeito, cardeal Kevin Josehp Farrel, em vista de uma reflexão sobre a corresponsabilidade laical e vida comunitária na Amazônia, assim como a colaboração da CEAMA com a JMJ e o Encontro Mundial das Famílias. Depois da participação do Jubileu dos organismos sinodais a presidência da CEAMA terá um novo encontro no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, realizarão uma visita e momento de oração ao túmulo de Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior. Além disso, está prevista uma reunião com o cardeal Luiz Antônio Tagle, pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, onde será realizado um intercâmbio sobre processos missionários e acompanhamento pastoral na Amazônia. Igualmente, a presidência da CEAMA visitará a Secretaria Geral do Sínodo, onde será partilhado com o secretário, cardeal Mario Grech, a experiência sinodal na Amazônia. Na dinâmica sinodal, será realizado um encontro com padre Giacomo Costa, secretário especial da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, onde será refletido sobre os horizontes apostólicos sinodais. Audiência com Papa Leão XIV Em encontro com a prefeita do Dicastério para a Vida Consagrada, Ir. Simona Brambilla, será debatido sobre a presença da Vida Religiosa na Amazônia e a contribuição da CEAMA junto com a CLAR. No Instituto para as Obras da Religião (IOR) será realizada uma reunião para abordar o seguimento administrativo financeiro. No Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, com a presença do prefeito, cardeal Arthur Roche, será realizado um diálogo sobre liturgia inculturada e experiências celebrativas na Amazônia. A presidência da CEAMA participará de um encontro no Dicastério dos Bispos, onde será recebida pelo prefeito, dom Filippo Iannone, e o secretário, dom Ilson de Jesus Montanari, onde será refletido sobre comunhão episcopal e acompanhamento pastoral.  Finalmente, a visita será encerrada com a audiência com Papa Leão XIV, na tarde de 29 de outubro, no Palácio Apostólico. Fotos: CEAMA

Cardeal Steiner: o juiz mostra “o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos”

No 29º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia dizendo que “o Evangelho nos despertar para ‘a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir’. Não se trata de rezar de vez enquanto, quando temos vontade. O convite de Jesus é permanecermos, de estarmos em oração. Em um estado de oração. Um modo de viver ‘de rezar sempre, e nunca desistir’”. A injustiça para com os pobres Em suas palavras, o arcebispo de Manaus disse que “Jesus se refere a um juiz”, recordando que “o livro do Êxodo recomenda que os juízes sejam pessoas tementes a Deus, dignas de fé, imparciais e incorruptíveis (cf. Êx 18,21). Moisés instituiu juízes imparciais e inimigos do suborno, que julgassem segundo a Lei. Assim, as palavras do juiz, diante da pobre viúva, nos espantam”. Segundo o cardeal “aquele que tem a justiça como guia, como orientação de vida afirma: ‘Eu não temo a Deus e não respeito homem algum’. Linguagem que expressa a dureza de coração, a autossuficiência, o desprezo pela justiça, a injustiça para com os pobres e desvalidos, os quase sem ninguém”. O presidente do Regional Norte 1 explicou que “a viúva era, em geral, a mais pobre dos pobres. O juiz no texto usa uma linguagem de quem se julgam acima de todos, intocável e único intérprete da verdade. O Evangelho a nos apresentar uma pessoa que, diante da responsabilidade da justiça colocar-se na distância, na irresponsabilidade da justiça, no desprezo pela viúva, necessitada, desamparada. Sem escrúpulos, sem consideração à Lei, fazia o que queria, é um surdo, um insensível; vive como que a parte da justiça”. Ele citou o texto do Evangelho: “Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: Faz-me justiça contra o meu adversário”. Diante disso, o cardeal Steiner citou as palavras de Papa Francisco em 25 de maio de 2016: “as viúvas, os órfãos e os estrangeiros, eram as pessoas mais frágeis da sociedade. Os direitos assegurados pela Lei podiam ser espezinhados com facilidade, pois eram pessoas sós e indefesas: uma pobre viúva, ali sozinha, ninguém a defendia, podiam ignorá-la, sem lhe fazer justiça. Do mesmo modo também o órfão, o estrangeiro, o migrante: naquela época esta problemática era muito acentuada”. Apenas guiada pela justiça “Ela sem guarida, sem valia, pobre, normalmente perdia até os filhos, uma vez viúva”, enfatizou o cardeal. Segundo ele, “o que nos encanta é a mulher que vive no desamparo, na desvalia, na não escuta, permanecer fiel na busca de receber justiça, ser justiça. A confiança, o destemor, a perseverança, a crença na justiça. Apenas guiada pela justiça permanece dia a dia na sua busca. Injustiçada e lesada em seus direitos, sente-se incapaz de ser ouvida, mas persevera. Sem poder fazer pressão por influências, muito menos dar presentes, sem dar compensação, àquele juiz insensível e descrente, retorna pacientemente, insiste, apresenta-se à presença do juiz. A surdez da justiça foi um confronto de liberdade, busca de encontro de amor e de doação de si mesma. Humilde, perseverante, sem gritos, sem desesperos, continua a apresentar-se ao juiz, guiada pela justiça e necessidade de vida. Como não lhe restava ninguém permaneceu fiel ao desejo de receber o dom da vida na justiça”. Depois de citar o texto do Evangelho: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o presidente do Regional Norte 1 destacou que “a perseverança, a ousadia, o comprometimento, desperta o surdo da insensibilidade, se não pela justiça, pela insistência da presença. A perseverança, a insistência, o destemor, foi tal que infundiu temor. O que desperta o homem de sua insensibilidade é o permanecer na busca, de apresentar-se quase cotidianamente, de oferecer as mesmas palavras, a mesma necessidade, sem desfalecer. Havia nela um ânimo e uma disposição que amedrontou o juiz. O apresentar-se na sua viuvez, temperada, fortalecida, acordou o juiz injusto para a justiça, a verdade. A fortaleza, a segurança, a determinação, a constância, fez descer a justiça!” O exercício da justiça é mais que direito De novo partindo do texto bíblico: “Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me”, o cardeal disso que “sentiu-se agredido! Agredido na sua percepção de juiz, no cumprimento do seu dever, na aplicação da Lei, do seu dever de cuidar dos fracos, pequenos, desvalidos, estrangeiros, viúvas e órgãos. A presença da viúva na sua persistência e constância, acorda este homem para o exercício da justiça que é mais que direito”. O arcebispo de Manaus recordou que “Santo Agostinho ensinando a partir da oração nos diz: ‘Será mesmo necessário pedir-te em oração? Ora, quem nos diz: ‘Não useis de vãs repetições’ declara-nos noutro passo: ‘Pedi e recebereis’; e, para que não pensemos que o diz com leveza, acrescenta: ‘Procurai e encontrareis’; e, para que não pensemos que se trata de uma simples maneira de falar, vede como termina: ‘Batei, e vos será aberto’ (Mt 7,7). Ele quer, portanto que, para que possas receber, comeces por pedir, para que possas encontrar, te ponhas a procurar, para que possas entrar, não deixes, enfim, de bater à porta. […] Por que pedir em oração? Por que procurar? Por que bater? Porque cansarmo-nos a pedir, a procurar, a bater, como se estivéssemos a instruir Aquele que tudo sabe já? E lemos inclusive, noutra passagem: ‘Disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer’ (Lc 18,2). […] Pois bem, para esclareceres este mistério, pede em oração, procura e bate à porta! Se Ele cobre com véus este mistério, é porque quer animar-te e levar-te a que procures e encontres tu próprio a explicação. Todos nós, todos, devemos animar-nos a orar’” (Santo Agostinho, Sermão 80). A prece em favor do povo Na primeira leitura, o cardeal Steiner ressaltou que “ouvíamos a prece de Moisés em favor de seu povo, diante da luta desigual, desconfortável, sem possibilidade de vitória. Confiança, determinação, permanência em prece diante de Deus, de abraços estendidos. No…
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Dom Luiz Soares: “Não estão nos dando a possibilidade de pensar”

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas acolheu no dia 18 de outubro de 2025 o lançamento da reedição de dois livros que tem a ver com a história da Amazônia e da Igreja na capital amazonense. “Centenário da Igreja de São Sebastião de Manaus 1888-1988”, de autoria de Aristóteles Alencar, e “Já é Tempo de Pensar”, de dom Luiz Soares Vieira, arcebispo emérito de Manaus. Estão nos roubando a interioridade O escrito do arcebispo emérito pode ser visto como foi relatado na apresentação como uma voz harmônica com a realidade social de seu tempo, um instrumento para edificar com o bem, ensinar com o exemplo e com a caridade, para fortalecer a fé dos amazonenses, considerando a palavra de dom Luiz Soares Vieira como uma permanente benção de amor para melhor construirmos o futuro. Em suas palavras, dom Luiz iniciou sua reflexão falando sobre o fenómeno de Maio de 1968 e suas consequências em diversos países. O arcebispo emérito citou Marcuse, que disse “estão nos roubando a interioridade”, um fenômeno que hoje continua presente, inclusive está se incrementando, e que levou dom Luiz a dizer que “não estão nos dando a possibilidade de pensar”. Uma realidade que se manifesta na vida corrida, as muitas informações, a perdida do hábito de leitura, o auge da Inteligência Artificial, que coloca em nossa frente o perigo de sermos dominados pela máquina. Mesmo reconhecendo as ajudas da Inteligência Artificial, ele advertiu sobre o perigo de sermos escravizados e perder a possibilidade de pensar. Não perdermos a interioridade Por sua vez, Aristóteles Alencar destacou a importância da obra como instrumento para preservar a história de Manaus e do Amazonas, relatando diversos fatos históricos que provam essa importância. Muitos desses fatos têm a ver com a caminhada da Igreja católica na capital do Amazonas. O arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, destacou a importância dos livros na vida e na cultura. Segundo ele, os livros sempre vão dizendo o caminhar da humanidade, nos ajudam a permanecermos lúcidos, a não perdermos a interioridade, que nos faz ser quem somos. Ele destacou a necessidade de sermos pessoas mais completas e mais maduras, de ajudar a ler, a pensar. Isso porque não podemos viver das informações, precisamos reaprender a pensar e os livros nos ajudam muito, encerrou o cardeal.

Dom Adolfo Zon: “Com a Coleta Missionária, estamos dizendo ‘sim’ ao Evangelho que transforma vidas”

No próximo domingo 19 de outubro acontece o Dia Mundial das Missões, que em 2025 tem como tema “Missionários da Esperança entre os povos”, e como lema “A esperança que não decepciona” (Rm 5, 5). Para motivar a Coleta Missionária, que a Igreja do Brasil pede ser realizada nos dias 18 e 19 de outubro, o bispo da diocese de Alto Solimões e vice-presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), dom Adolfo Zon, divulgou uma mensagem nesta quinta-feira, 16 de outubro. Missionários da esperança O texto lembra que “a Igreja no Brasil se une mais uma vez em oração, solidariedade e generosidade com a Coleta Missionária do Dia Mundial das Missões.” Junto com isso, dom Adolfo Zon afirma que “neste ano, o Papa nos convida a sermos missionários da esperança, uma esperança firme, enraizada na fé, que não decepciona porque está voltada para Deus e sustentada pelo amor”. O bispo, que é Missionário Xaveriano, disse que “em um mundo marcado por guerras, desigualdades, desespero e isolamento, os missionários e missionárias da Igreja anunciam que a vida tem sentido, que o amor de Cristo alcança todos os povos, que a esperança cristã permanece mesmo em meio à dor”. Somar-se ao esforço missionário da Igreja É por isso que, “ao contribuirmos com a Coleta Missionária, estamos dizendo ‘sim’ ao envio da Igreja, ‘sim’ à partilha com quem mais precisa, ‘sim’ ao Evangelho que transforma vidas e realidades”, enfatizou o vice-presidente do Regional Norte 1. Segundo ele, “nosso gesto se soma ao esforço missionário da Igreja no mundo inteiro, apoiando dioceses pobres, projetos de evangelização, formação de seminaristas, catequistas e obras de caridade”. Finalmente, dom Adolfo Zon faz um chamado para que “neste mês missionário, sejamos também nós missionários da esperança!” Para isso, ele pede que, “com alegria, fé e generosidade, façamos a nossa oferta nos dias 18 e 19 de outubro. Que a nossa contribuição seja sinal de que a esperança não decepciona (Rm 5,5), porque é sustentada pelo amor de Deus”, e junto com isso que “Sejamos generosos!”

Diocese de Roraima: novo Diretório Sacramental

A Diocese de Roraima iniciou na manhã de terça-feira (14) a formação sobre o Diretório Sacramental para missionários e missionárias. Durante três dias, os quase 100 participantes aprofundarão a realidade sacramental na diocese para construir o novo diretório à luz do Documento Final do Sínodo da Sinodalidade. O processo inclui escuta, discernimento e comunhão para ampliar a vivência da sinodalidade na Igreja da Amazônia. Dom Evaristo Splenger, bispo da Diocese de Roraima, explica que a construção do novo diretório assume o caminho traçado pela igreja nos Sínodos para a Amazônia, em 2019, e o Sínodo sobre a Sinodalidade. Ou seja, uma igreja com “um rosto mais inculturado, mais amazônico” que caminha de “forma comunitária” com todos os padres, bispos, religiosos e leigos das comunidades. Esse caminho é assumido também no aspecto sacramental. Nele, o sacramento é entendido “como um sinal da presença de Deus, que nos aponta o caminho da salvação” e não como um “rito mágico da igreja”. essa igreja que anuncia… Jesus Cristo que caminha com esse povo na Amazônia, caminha com essa nossa diocese, onde temos tantos imigrantes, tantos povos indígenas. O objetivo é fazer um percurso que começa com os missionários. Em seguida, “é levado para o Conselho de Evangelização da Diocese”, e, posteriormente, para “as nossas comunidades, paróquias, áreas indígenas”, explicou o bispo. Ao final do processo, a expectativa é que o material recolhido para o novo diretório sacramental reflita “a participação de todas as nossas comunidades”. Chegar às pequenas comunidades Pela avaliação de Dom Evaristo, o grande desafio na construção do diretório é fazer com que ele chegue “às pequenas comunidades mais distantes, áreas indígenas, ribeirinhas e nas comunidades do interior”. É fundamental que haja envolvimento de todos, para que o diretório não caia “de paraquedas” e “as pessoas não saibam a motivação”.  Por isso, a necessidade de juntos procurar “um melhor caminho para ajudar” as “realidades muito diversas”. “Temos aqui uma realidade que é urbana, onde temos um grande fluxo migratório, então uma grande movimentação de gente. Mas também temos pequenas comunidades numa área ainda de missão, onde estão se formando as comunidades. Onde não temos ainda um catequista, não temos um ministro da palavra”, pontuou. Segundo ele, essas características levantam questionamentos, tais como “Como é que fazemos a preparação para os sacramentos, o batismo? Como é que fazemos a preparação para a primeira eucaristia? Como é que fazemos a preparação para todos os sacramentos?”, indagou o bispo. Essa preocupação não é apenas com rito, mas com todo o “processo de seguimento de Jesus”. Um estímulo para a diocese encontre “novos caminhos”. Colocar em prática o Concílio No primeiro dia, Pe. Luis Miguel Modino, membro da comunicação do Sínodo da Amazônia, refletiu a partir do Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos – Por uma Igreja Sinodal – Comunhão – Participação – Missão. Durante o diálogo, insistiu na sinodalidade “como concreção de uma Igreja Povo de Deus, segundo a proposta do Concílio Vaticano II”. Para ele, o caminho sinodal é “por em prática aquilo que o concílio ensinou sobre a igreja como mistério e povo de Deus”. Mondino recordou que a Igreja “no Batismo dá a mesma dignidade a todos os membros do Povo de Deus”. Ela deve fomentar “a unidade na diversidade”. Para isso, a conversão é apresentada como palavra chave e condição para um caminho sinodal: conversão das relações, dos processos e dos vínculos.  “Todo o Povo de Deus é o sujeito do anúncio do Evangelho. Nele, cada Batizado é convocado para ser protagonista da missão, porque todos somos discípulos missionários”, segundo aparece no Documento Final do Sínodo. Diretório para santificação do povo de Deus Responsável por apresentar os Fundamentos dos Sacramentos, Pe. Gilson da Silva, membro do Tribunal Eclesiástico da Interdiocesano, disse que o diretório tem por objetivo “a santificação do povo de Deus”. Nessa dinâmica, o direito canônico “nos convida a ter um olhar, sobretudo, para a liturgia, onde a liturgia se torna um instrumento de salvação, olhar também para o bispo como o litúrgo responsável”. De uma maneira que “todos assumem esse papel no direito de santificação”. Outro ponto destacado são os sacramentais, “que são instrumentos, como as bênçãos, os crucifixos, que ajudam no crescimento da fé e da devoção do povo de Deus”, explicou Pe. Gilson. Além da necessidade de considerar, “diante de uma realidade amazônica”, estão presentes os elementos da inculturação e do cuidado com a casa comum. “a importância do diretório sacramental nessa perspectiva sinodal sobretudo buscar essa conversão, conversão sacramental, uma conversão primeiramente com atitudes, posturas que nos levem a um caminho de santificação”, finalizou.

Cardeal Steiner aborda contribuições para COP30

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), concedeu uma entrevista ao Centro para a Comunicação do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho). O diálogo, publicado ontem (14), abordou a participação e as contribuições da Igreja Católica na 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) que acontecerá em novembro de 2025, na cidade de Belém (PA). Ao ser questionado sobre realidade da Amazônia às vésperas da COP 30, o arcebispo aponta que ela exige discussão, reflexão e debate. O avanço do garimpo, mesmo com esforços de combate do governo federal, a mineração, onde o Congresso Nacional busca criar leis para exploração na região, a desflorestação, principalmente no sul do Amazonas, e migração do interior para a cidade, são os grandes desafios que permeiam a dinâmica da região. “O sul do Amazonas hoje já não tem mais a mata amazônica e isso está trazendo cada vez mais dificuldades. Mas também nós vemos devagarinho, nós que moramos nas cidades maiores, que há um peregrinar do interior para a cidade. A cidade de Manaus não cresceu, ela inchou”, declarou Por outro lado, o cardeal destacou que Amazônia carrega beleza, criatividade, poesia e, principalmente, “uma religiosidade muito profunda”. Essas características compõem as inúmeras culturas presentes nos territórios. E, segundo ele, são elas que “nos ajuda, nos anima e nos traz esperança” para enfrentar as questões que “dizem respeito a uma Ecologia Integral”. Caminhar para a fraternidade e o cuidado O entrevistador, Óscar Elizalde Prada, diretor do centro para a Comunicação do Celam destaca que é a primeira vez que uma COP acontece em território amazônico, uma oportunidade que reflexão sobre as realidades da região. E perguntou ao arcebispo quais os apelos manifestados pelos povos, através da escuta, a igreja levará para a conferência. O cardeal explicou que a grande movimentação da igreja em torno da COP30 é pelo “cuidado da nossa casa comum na Amazônia”, ampliando as vozes das comunidades mais vulneráveis.  A criação da comissão “Igreja Rumo à COP30”, composta de bispos e leigos, expressa o compromisso com a justiça climática e a ecologia integral. Além disso, o apoio ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário) , a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e outros organismos da CNBB. A participação da igreja será através de representantes da Santa Sé e da CNBB. E também, “apoiando os povos indígenas, apoiando diversos grupos que têm realmente preocupação com a questão do meio ambiente”, no Brasil e no mundo. Esse espaço fortalece a presença da igreja nos debates, e influencia na tomada de decisões visto que “nos preocuparmos com a igreja, nos preocuparmos porque cremos e temos esperança, queremos cuidar da nossa casa comum, queremos propor”.  “nós queremos estar sinodalmente presentes. porque queremos caminhar juntos, queremos que a humanidade caminhe, mas caminhe com esperança e caminhe com cuidado, não caminhe para a destruição e a dominação, mas caminhe para a fraternidade, para usar uma expressão de Francisco de Assis”, enfatizou o arcebispo. A Sinodalidade como caminho para um mundo melhor O arcebispo de Manaus recorda que “a sinodalidade é a preciosidade que Papa Francisco nos devolveu”, já que possibilita “caminhar juntos na casa comum”. Esse horizonte, permite que se construam processos de escuta mútua, fundamentais para reverter a organização social atual onde “os estados não se escutam em relação à ecologia integral”. Ele acrescenta que isto inclui também ‘escutar o grito da Terra’, como pedia Francisco. “Esses gritos, esses movimentos que existem na terra, existem entre a sociedade ou as sociedades, precisam ser ouvidos”, sublinhou. Além disso, depois do processo de escuta, a sinodalidade favorece a busca de soluções conjuntas. Ou seja, construir propostas que ajudem no cuidado da casa comum, da terra e diminuam a destruição tanto na Amazônia, como em outras regiões do mundo. A expectativa do cardeal Steiner é de que o caminho sinodal permita que as proposições assumidas na COP 21, descritas no acordo de Paris, sejam executadas. “Talvez a grande dificuldade será realmente nos ouvirmos e nos escutarmos, porque tenho a impressão que tem alguns que não desejam participar da escuta, mas impor determinadas compreensões que acabam destruindo ainda mais a nossa Terra”, explicou o cardeal. Laudato Si’ é a grande herança de Francisco Papa Francisco insistiu na necessidade de conversão dos modos vida adotados pela sociedade para ajudar a cuidar da Casa Comum, não apenas para igreja, mas para o mundo. Nessa perspectiva, o caminho trilhado pela igreja nos últimos anos é fortalecido pela publicação da encíclica Laudato Si’. O cardeal comentou a importância do documento para a COP 21.  “A COP de Paris chegou às conclusões que chegou, eu creio que se deve muito ao texto de Papa Francisco. Eu estive lá participando da delegação da Santa Sé e testemunho isso da importância que teve Laudato Si’”, explicou o cardeal. Além disso, o arcebispo insiste que o documento “ainda não chegou em todas as comunidades”. Ele oferece uma nova dinâmica para as relações, “de cultivo e de cuidado, baseado numa hermenêutica do Gênesis” ainda ausente na coletividade. O cardeal explica que essa compreensão precisa se proliferar e todos os âmbitos, mas a relação ainda é “muito comercial. A relação ainda é muito financeira, a relação ainda é muito econômica”. Novas relações sem ganância O arcebispo reforçou a necessidade de novas relações com o ambiente porque a “Terra não suportará no futuro toda essa devastação”. Essa afirmação parte da insistência de cientistas nos efeitos da devastação, mesmo com “elementos muito concretos” apresentados, existe uma “teimosia” em assumir “caminhos possíveis de preservação” e cuidado. Ele vê essa dificuldade em “abrirmos os olhos” para a realidade do planeta está relacionado “à ganância que existe” em relação ao território amazônico e recordou a fala de Francisco na África ‘tirem as mãos da África’.  “Eu às vezes tenho vontade de repetir, até numa ocasião já repeti, tirem as mãos da Amazônia. Tirem as mãos da Amazônia. Quer dizer, esse modo ganancioso, dominador, destruidor, que fere…
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Cardeal Steiner: “Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”

“Celebramos neste domingo, na Igreja no Brasil, a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”, disse o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, no início de sua homilia. Segundo ele, “o Evangelho nos ensinava que Jesus iniciou a sua presença de salvação com um sinal. As Bodas de Caná na Galileia foi o primeiro sinal de Jesus realizado, indicando o encontro entre Deus e a nossa humanidade. Os sinais sinalizam, indicam realidades que no dia a dia não percebemos. Sinais despertam para a razão, verdades e grandezas desapercebidas e, no entanto, nos deixam participar da festa, do encontro”. Maria percebe a dificuldade O primeiro sinal, recordou o cardeal, “expressa a celebração do amor de dois recém-casados que se encontram em dificuldade no dia mais importante da vida. No meio da festa falta um elemento essencial, o vinho, e a alegria corre o risco de desaparecer entre os convivas. Maria, a Mãe de Jesus, percebeu a dificuldade e diz a Jesus: ‘Eles não têm mais vinho’. As palavras e o gesto de Nossa Senhora é o sinal da participação e do cuidado dela para com a festa de casamento. Nas palavras de Jesus, Nossa Senhora diz aos serventes: ‘Fazei tudo o que ele vos disser!’” Segundo o cardeal, “o mandato, o mandamento, da transformação, a mudança, a alegre continuidade das bodas, pede serviço, trabalho: encher as talhas com águas. O servir é que transforma o encontro das núpcias em sabor, em degustação da preciosidade do amor. As talhas que guardavam a água para a purificação estavam vazias. Jesus pede que sejam enchidas e transforma a água das talhas em vinho. A festa de casamento, sinal da comunidade humana que não tem mais vinho e, por isso, perdeu a alegria de viver, indicando que a humanidade perdeu a esperança”. “Na transformação da água em vinho vemos que Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Isso porque “Ele é o vinho novo da celebração do amor que concede a alegria do encontro e a esperança do caminho. Sinal de que a purificação exterior, não possibilita a alegria, não devolve a esperança. A Mãe de Jesus percebeu que havia necessidade de um vinho novo, um vinho melhor para experimentar a alegria de conviver, experimentar a esperança. O ‘Fazei o que ele vos disser’, acende a esperança, possibilita a alegria de quem vislumbra a beleza e a ternura da celebração do amor”. Falta-lhes o essencial “Irmãs e irmãos encanta o milagre do Evangelho de hoje!”, disse o cardeal. Segundo ele, “a delicadeza da percepção de Maria, o cuidado de Jesus em encher novamente de água as talhas da purificação, o trabalho generoso dos servos, o servir a água transformada em vinho. Toda narrativa Joanea indicando a transformação da nossa vida, da existência humana. Nossa Senhora participando das núpcias, dos encontros de amor, de nossas vidas, percebendo a falta, a penúria, a necessidade, a quase mendicância da nossa vida, atenta à nossa pobreza, fraqueza, dizendo: ‘Eles não têm mais vinho!’ Como que dizendo: falta-lhes o essencial, falta-lhes o vital, o mais importante, falta o que dê sentido ao encontro, falta o vinho… sem o essencial, sem o vital, não acontece mais a festa, vem a morte, desaparece o encanto de viver, a força de viver. E ela, então, nos repete hoje a palavra: ‘Fazei tudo o que ele voz disser!’” “E nós aceitamos o convite de encher as talhas da purificação. As talhas, a nossa vida, tanta capacidade, com tanto de possibilidade de purificação, de transformação na medida em que caminhamos entre a nossa casa, o nosso coração, e a fonte, Deus fonte de nossas vidas. E depois de pensarmos que fizemos tudo o que deveríamos fazer, talhas cheias, repletas da generosidade de nossa pobreza, transbordantes das possibilidades das nossas deficiências, somos, mais uma vez convidados: ‘Agora tirai e levai ao mestre-sala’. Depois de termos feito tudo o que poderíamos fazer vem o convite da transformação: servir! No servir às necessidades dos que desejam celebrar a bodas da vida que somos purificados, transformados, plenificados”, afirmou o cardeal Steiner. Isso porque “o Evangelho na Bodas de Caná nos revela o amor transformativo de Deus; o amor próximo, terno e compassivo, consolador!”, recordou. A vida do seu povo Na primeira leitura, ele destacou que “Rainha Ester vê as necessidades do povo e vai em socorro. Se apresenta ao rei correndo o risco de morte e implora: ‘A vida do meu povo, eis o meu desejo’! Não pensou em si mesma, mas na vida de seu povo. O rei acolheu o pedido de Ester e salvou o povo. O sinal de Ester é o sinal dos pequenos, dos humilhados, que não temem o poder frente a liberdade do conviver. Ester pôs toda a sua vida a serviço da vida do seu povo. Tornou-se sinal de beleza, de inteligência, da esperança, da libertação do povo”. Na segunda leitura, o arcebispo referiu-se a outro sinal: “apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Segundo ele, “uma mulher e um dragão, a fragilidade e a pequenez da mulher, que acabara de dar à luz e a força e a violência do dragão, que destrói e persegue. O Apocalipse a indicar a realidade de conflito e perseguição que as primeiras comunidades cristãs da Ásia Menor estavam sofrendo. Os cristãos eram perseguidos, aniquilados, destruídos pelo Império Romano. O dragão é o símbolo desse mal, da força destruidora. A mulher vestida de sol é o sinal de que o mal é vencido. O sinal, Deus gerado menino, não pode ser dominado pelo mal. A Mulher, força das pequenas comunidades, vence a tentação do medo e confia que Deus veio para permanecer junto ao seu povo”. Aparecida, a Mãe atenta O cardeal Steiner relatou que “em 1717,…
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