Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Categoria: Notícias

Atualização Teológica do Clero de Manaus: “Abordagem da Cristologia numa linguagem amazônica”

O clero da arquidiocese de Manaus realiza de 06 a 08 de agosto de 2025 seu encontro anual de atualização teológica, com a presença de mais de 70 participantes entre bispos, presbíteros, diáconos e seminaristas. O padre André Luiz Rodrigues da Silva, do clero da arquidiocese do Rio de Janeiro, doutor em Teologia e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio), é a assessor desse tempo de formação. Ajuda nos processos de evangelização Um momento muito importante, segundo padre Matheus Marques, membro da equipe de coordenação da Pastoral Presbiteral da arquidiocese de Manaus. Ele considera que “para nossa Pastoral Presbiteral é muito importante que, como presbíteros, como diáconos da nossa Igreja de Manaus, nós possamos estar nesses dias atualizando a nossa Teologia, a nossa compreensão da pessoa de Jesus, que nos ajuda nos processos de evangelização.” Ele destacou que “a Teologia que a gente estuda nos ajuda a dinamizar ainda mais nosso processo evangelizador, a nossa pastoral”, motivo que levou a Pastoral Presbiteral a promover esse encontro. Diversos interesses com relação a Jesus Cristo A proposta do assessor é “fazer uma abordagem da Cristologia numa linguagem amazônica.” Para isso, ele “separou em primeiro lugar as fontes dos Evangelhos sobre Jesus Cristo, mostrando que tanto na Cruz quanto no Nascimento de Jesus, a gente tem várias percepções. O Evangelho não fala apenas de uma percepção, mas ele fala da visão cristã, fala da visão judaica e fala da visão pagã sobre Jesus Cristo. Jesus Cristo, ele interessa não apenas aos cristãos, aos católicos, mas Jesus é simbólico. Hoje é interessante para os não cristãos, os judeus, por exemplo, para as religiões orientais e no contexto amazônico a gente quer inspirar esse interesse, como que Jesus Cristo é interessante e ao mesmo tempo o contexto amazônico tem autoridade para falar de Jesus”. Ao longo do encontro, o padre André Luiz Rodrigues da Silva, vai falar sobre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, as principais características da Cristologia baseada nas Escrituras.” Com relação ao Antigo Testamento ele disse querer voltar para “a ideia do Paraíso, porque o contexto amazônico tem essa linguagem muito próxima: a Árvore da Vida, o rio que surgia do trono, os quatro rios que vão para todos os lugares da Terra.” Uma realidade que mostra, segundo o doutor em Teologia, “a importância da Amazônia para todo mundo, a Amazônia é um berço de salvação para todo mundo, isso é mais do que constatado aqui, e várias outras linguagens próximas do texto do paraíso, do Éden, que podem ser aplicados à ecoteologia”. Outra temática a ser abordada é a questão moral, “falando sobre a salvação para quem é batizado e para quem não é batizado, como no contexto missionário a gente deve olhar para isso”, disse o assessor, tendo como referência a Redemptoris Missio, de São João Paulo II. A partir daí, “como manter a missão em um contexto amazônico, diante da perspectiva da verdade de fé sobre a salvação universal”, buscando que isso ajude no trabalho pastoral dos participantes. 1700 anos do Concílio de Niceia O Concílio de Niceia, que está completado 1700 anos também faz parte da programação, abordando a dicotomia entre a humanidade e a divindade de Jesus. Ele destaca a questão apresentada em Niceia, o relacionamento entre o Pai e o Filho, mostrando as heresias posteriores, especialmente o arianismo. “Ario acreditava que Jesus fosse apenas uma criatura, um anjo poderoso de Deus, mas uma criatura responsável por toda a Criação, porque Deus não pode tocar a Criação. Deus na sua onipotência, na sua onisciência, Ele não pode se contaminar ao mexer com o barro da Criação”, explicou o professor da PUC Rio. Diante disso, o Concílio de Niceia defende que “Cristo é verdadeiramente Deus, verdadeiramente homem”. Isso hoje nos diz que “Ele não se contamina quando Ele toca o barro, Ele não se contamina quando toca as nossas vidas, quando vem e se aproxima de cada um de nós. Esse Deus Todo-Poderoso, ele permanece o que é na sua divindade, na sua humanidade, sem que veja em nós o motivo de contaminação”, disse o assessor. Ele falou sobre a tentativa de “ver o irmão como a possibilidade de que algum mal vai chegar até nós”. Encarnação como fundamento da Igreja Para a Igreja da Amazônia, que em Santarém 1972 insiste na encarnação como fundamento da Igreja, se faz necessário entender que em Jesus “a humanidade e a divindade se unem. O mistério da encarnação, então, ele é vivido no corpo de Cristo, que é a Igreja. Então a dimensão eclesial, a espiritualidade da encarnação na igreja, ela precisa ser vivida de acordo com Cristo cabeça.” Para isso, o padre André Luiz Rodrigues da Silva defende que “a gente não deve perguntar na Igreja quem é membro superior e membro inferior. A gente não deve se perguntar na “Igreja quem é membro santo e membro impuro. A gente não deve se perguntar na Igreja quem é cabrito, quem é ovelha”. “Se um dia no julgamento, em algum momento da vida isso for importante, as Sagradas Escrituras não disseram que isso dependeria de nós. Mas a gente deve sim abraçar a todos como uma única Igreja. Tanto aqueles que estão dentro da Igreja, quanto aqueles que estão fora da Igreja, vistos como um único corpo em Cristo”, enfatizou o assessor. Ele defende que com todo ser humano, independentemente de sua crença, “existe alguma coisa que nos une. E essa única coisa que nos une é Cristo e a Igreja”, segundo aparece em Dominus Iesus. É por isso que “se ele encontrar um caminho de salvação, esse caminho é único, tanto no corpo de Cristo, que é Cristo, quanto no corpo de Cristo, que é a igreja, porque só há um corpo de Cristo”, concluiu.

Seminário São José e COMISE lançam 12ª Experiência Missionária na Prelazia de Itacoatiara

A manhã desta segunda-feira foi marcada pelo lançamento oficial da 12ª Experiência Missionária promovida pelo Seminário São José, em parceria com o COMISE (Conselho Missionário de Seminaristas). O anúncio aconteceu no final da formação conduzida pela Irmã Regina da Costa Pedro, diretora das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil. Na Prelazia de Itacoatiara de 19 a 26 de outubro A Ação Missionária, que neste ano será realizada na Prelazia de Itacoatiara, no interior do Amazonas, tem o intuito de despertar nos participantes o ardente desejo de se colocarem sempre disponíveis para a missão da Igreja, visto que a missionariedade é considerada o fio condutor de todo o processo formativo. Durante o lançamento, os seminaristas foram saudados com entusiasmo por Dom Edmilson Tadeu Canavarros, bispo da Prelazia de Itacoatiara, por meio de uma mensagem em vídeo: “Com grande alegria queremos recebê-los em nossa Prelazia de Itacoatiara para a 12ª Experiência Missionária. Nossa expectativa é que vocês nos ajudem para que, cada vez mais, sejamos comunidades missionárias, sejamos discípulos missionários, para cuidar da família humana. Tudo isso sob as bênçãos de Nossa Senhora do Rosário. Estamos de portas abertas!” A 12ª Experiência Missionária será realizada de 19 a 26 de outubro e reunirá seminaristas, padres, leigos e religiosos. Seminarista Lucas Santos Maia (Diocese de Roraima)Assessor de Comunicação do Comise Labontè

Formise Regional reúne seminaristas para refletir sobre missão presbiteral na Amazônia

O Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus (AM), acolheu, na segunda-feira, 4 de agosto, o Formise Regional, um encontro promovido pelo Comise Labontè (Conselho Missionário de Seminaristas) com o objetivo de aprofundar a consciência missionária dos futuros presbíteros da Igreja na Amazônia. O evento teve início com um momento oracional, reunindo seminaristas em espírito de oração e comunhão. A programação contou com a presença marcante da Irmã Regina da Costa Pedro, religiosa das Missionárias da Imaculada (PIME) e atual diretora das Pontifícias Obras Missionárias (POM) no Brasil. Igreja em Saída encarnada na realidade Durante sua fala, Irmã Regina provocou os participantes a refletirem sobre o tema: “As provocações do CAM 6 para a vida missionária dos presbíteros da Igreja da Amazônia: como responder aos desafios atuais da missão a partir da vocação presbiteral?” A partir dos apontamentos do 6º Congresso Americano Missionário (CAM 6), ela destacou a urgência de uma Igreja em saída, encarnada nas realidades do povo amazônico e comprometida com a evangelização integral, que una fé e compromisso social. Escuta sensível, proximidade e disposição A religiosa ressaltou que a vocação presbiteral, especialmente no contexto amazônico, exige uma escuta sensível, proximidade com as comunidades e disposição para enfrentar os desafios impostos pelas distâncias geográficas, pelas vulnerabilidades sociais e pela pluralidade cultural da região. O encontro se configurou como um espaço de formação, partilha e fortalecimento do compromisso missionário, reafirmando o papel dos seminaristas como protagonistas de uma Igreja viva e atuante na Amazônia. Ao final da atividade, os participantes expressaram gratidão pela oportunidade de refletir sobre a missão à luz dos apelos contemporâneos da Igreja, renovando o desejo de seguir o chamado presbiteral com ardor missionário e fidelidade ao Evangelho. Seminarista Lucas Santos Maia (Diocese de Roraima) – Assessor de Comunicação do Comise Labontè

Cardeal Steiner: “Toda ganância destrói, separa, divide”

No 18º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia lembrando que “não encontrando conciliação com o irmão, um homem busca a Jesus.” Segundo o arcebispo, “diante do litígio dos bens, Jesus recorda: ‘Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens.’” Desabundância de plenitude O cardeal Steiner sublinhou que “pode haver abundância de bens, mas falta de vida, desabundância de plenitude! A equidade, a justiça, o bem, a irmandade não vem de bens, mas do encontro com a abundância da vida. Toda ganância destrói, separa, divide, às vezes leva à morte. A abundância da vida, o bem-querer, a bem, a bondade, a justiça, a equidade, a irmandade, a generosidade, a misericórdia obrativa, concedem a medida que possibilita discernir o que os dois podem receber e depois usufruir. Dividir e ter pouco, mas abundância de vida”. Ao contar a parábola, o cardeal mostrou que “Ele nos propõe um modo de viver que evita a ganância e deixar guiar-se pela abundância da vida. A vida do Homem, a vida de cada um de nós, tem seu valor, tem seu sentido, tem sua grandeza, sua beleza, que provém de outro espaço. Não da abundância dos bens, mas da abundância da vida, da grandeza das relações, dos cuidados, da doação da generosidade, do amor. É da abundância da vida que nasce a realização de nós mesmos e na experiência de seguidoras, seguidores de Jesus. Jesus a vida plena, a abundância da vida, experimentou uma vida de poucos bens e distribuiu a todos os bens do corpo e do espírito aos mais necessitados. Ele era a abundância da vida, do amor!” Apreciar o capital de amor O presidente do Regional Norte 1 recordou as palavras de Santo Agostinho no Sermão 34: “Irmãos, examinai com atenção a vossa morada interior, abri os olhos e apreciai o vosso capital de amor, e depois aumentai a soma que tiverdes encontrado em vós. E guardai esse tesouro, a fim de serdes ricos interiormente. Chamam-se caros os bens que têm um preço elevado, e com razão. […] Mas que coisa há mais cara do que o amor, meus irmãos? Em vossa opinião, que preço tem ele? E como pagá-lo? O preço de uma terra, o preço do trigo, é a prata; o preço de uma pérola é o ouro; mas o preço do amor és tu mesmo. Se queres comprar um campo, uma joia, um animal, procuras em teu redor os fundos necessários para isso. Mas, se desejas possuir o amor, procura apenas em ti mesmo, pois é a ti mesmo que tens de encontrar. Que receias ao dar-te? Receias perder-te? Pelo contrário, é recusando-te a dar-te que te perdes. O próprio Amor exprime-se pela boca da Sabedoria e apazigua com uma palavra a desordem que em ti lançava a expressão: «Dá-te a ti mesmo!»(…) Escuta o que diz o Amor, pela boca da Sabedoria: «Meu filho, dá-me o teu coração» (Pv 23,26). (…) ‘Meu filho, dá-me o teu coração», diz a Sabedoria. Se ele for meu, já não te perderás. […]. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento’ (Mt 22,37). […] Quem te criou quer-te todo para Si”. “Sim, amados irmãos e irmãs, ganância, pode nos deshumanizar e desdivinizar. Corremos o risco de perdermos a nós mesmos, quando perdemos a força de amar, servir, repartir”, enfatizou o cardeal. Ele lembrou como nos dizia Agostinho: “dá-te a ti mesmo!” Isso, porque “oferecer a nós mesmos, está no movimento da doação, isto é, do amor como possibilidade da abundância de vida. No bem que oferecemos, no acolhimento que possibilitamos, no dinheiro que damos, pode ir sempre ‘eu mesmo’. É nesse dar-me a mim mesmo que está a possibilidade de um amor que jamais frustrará, pois é livre e doativo. Eleva, transforma, transfigura!!, pois é nosso coração que oferecemos e não os objetos e as sobras”. Vaidade das vaidades “É da abundância dos bens da vida, do coração que recebemos o ensinamento da primeira leitura do Eclesiastes: Vaidade das vaidades tudo é vaidade!”, afirmou o arcebispo de Manaus. Segundo ele, “o homem religioso, descobriu que fora de Deus nada existe, nada é. Tudo um grande vazio: um nada, pura vaidade, ilusão, fantasia! Todos os empreendimentos, esforços, conquistas, realizações, sonhos aparentemente realizados, tudo o que fizermos a partir de nós mesmos e para nós mesmos, contradizem ao desejo mais profundo de plenitude e de eternidade que habita em cada um de nós. Na intimidade de nós na busca de um lugar, onde repousar nosso coração. E o coração não repousa nas coisas, nos bens”. O cardeal enfatizou que “a última frase do Evangelho que ouvimos é uma verdadeira provocação que Jesus nos faz: ‘Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste? Assim acontece com quem ajunta tesoureiros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ Ou seja, para quem acumulei?” Citando o texto evangélico, “Tomai cuidado contra todo tipo de ganância”, ele disse que “a ganância que acumula, acumula e destrói a vida pessoal e, também a vida dos pobres”. O cardeal citou as palavras de Papa Francisco em Evangelii Gaudium 202: “Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum.” Segundo ele, “sim amados irmãos e irmãs, hoje o que domina é a especulação financeira. Perdeu-se o horizonte da abundância da vida, caminhamos com rapidez para a acumulação de tudo o que passa”. Nesse sentido, ele lembrou que São Paulo insistia: “aspirai às coisas celestes e não às…
Leia mais

Dom Zenildo Lima: Encontro dos Bispos da Amazônia, dar continuidade à sinodalidade a partir do território

Seis anos após o Sínodo para a Amazônia, a Igreja amazônica continua sua caminhada com convicção e esperança. Nesse espírito, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) convoca todos os bispos das jurisdições amazônicas ao Encontro dos Bispos da Amazônia, que acontecerá em Bogotá, Colômbia, de 17 a 20 de agosto de 2025. Este evento tem como objetivo fortalecer a comunhão, avaliar o caminho percorrido e discernir juntos como continuar consolidando uma Igreja com rosto amazônico, sinodal, encarnado nos territórios e comprometido com a Casa Comum. Um momento para verificar o caminho e projetar o futuro Dom Zenildo Lima, Vice-Presidente da CEAMA e Presidente da Comissão Organizadora do Encontro, destaca que este Encontro é fruto de um discernimento coletivo e responde à necessidade de continuar aprofundando o processo sinodal iniciado em 2019: “Mais de cinco anos após o Sínodo da Amazônia, e confirmados pelo Sínodo sobre a Sinodalidade, continuamos nossa vocação de ser uma Igreja com face amazônico, marcada pela sinodalidade, pelo compromisso com a nossa Casa Comum, pela aceitação das experiências dos nossos povos indígenas e pelos muitos desafios que os nossos territórios enfrentam.” Dom Lima lembra que, como fruto direto do Sínodo, a CEAMA foi criada como um organismo eclesial a serviço das Igrejas locais. Agora, o Encontro dos Bispos da Amazônia será uma oportunidade para avaliar este caminho, e, acima de tudo, perguntar-nos: “Qual é a melhor maneira para esta Conferência Eclesial apoiar nossas Igrejas locais?” Participação essencial dos pastores amazônicos O Encontro busca reunir bispos que atuam nas regiões amazônicas dos nove países do bioma. Sua presença é essencial para continuar avançando em um sinodalidade corporificada e territorializada. “Nossa participação como pastores das Igrejas locais na Amazônia é muito importante para consolidar esse caminho”, afirma Dom Zenildo Lima. Por isso, a CEAMA convida com entusiasmo cada bispo a ser parte ativa desta experiência de escuta mútua, reflexão compartilhada e compromisso pastoral. Continuar a sinodalidade a partir do território O Encontro dos Bispos da Amazônia se apresenta como um espaço de diálogo fraterno e discernimento coletivo, que nos permitirá estreitar laços, compartilhar desafios pastorais e projetar juntos novas formas de presença evangelizadora e solidária na Amazônia. “Este encontro é fundamental para garantir que o caminho sinodal inaugurado no Sínodo da Amazônia continue na sinodalidade concreta de nossas Igrejas locais”, conclui Dom Zenildo. Com este passo, a CEAMA continua a reafirmar a sua missão de caminhar ao lado dos povos amazônicos, encorajando uma Igreja que não impõe, mas escuta; que não domina, mas serve; que não teme os desafios, porque é sustentada pela força do Espírito e pela sabedoria do povo. Fonte: CEAMA

Cimi lança Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil: “estar ao lado daqueles que mais precisam”

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou nesta segunda-feira, 28 de julho, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2024, que retrata os diversos tipos de violência e seus responsáveis. O relatório analisa as violências e violações praticadas contra os povos originários no Brasil, divididas em três seções: violência contra o patrimônio indígena, violência contra a pessoa e violência por omissão. O evento iniciou com rituais dos povos Guarani Kaiowá, Patoxó e Tubinambá.   A Igreja ao lado dos que mais precisam O Arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou saudando e agradecendo a todos e a todas os presentes no “momento importante do Cimi, mas, especialmente, dos Povos Indígenas que é o lançamento do relatório 2024 e que há muitos anos vem apresentando”. Saudou também os “irmãos e irmãs indígenas, representantes de tantos povos, os missionários e missionárias do Cimi” e agradeceu a Dom Ricardo Hoepers, pela oportunidade de fazer o lançamento na sede da CNBB e explicou que a ligação com a CNBB expõe que “nós somos uma expressão da Igreja do Brasil que deseja viver o Evangelho, estar do lado daqueles que mais precisam”. Antes da apresentação dos dados do relatório, o presidente ressaltou que ele “é a oportunidade visibilizarmos o lento extermínio dos povos indígenas” não tanto em “número de pessoas, mas de culturas, de línguas, da presença dos primeiros habitantes, é uma continuação de 1500, uma continuação até os dias de hoje”. O arcebispo fez um recorte onde analisa que ao “olhar a história do Brasil, nós não vamos encontrar nos nossos manuais, os ataques, as mortes que os povos indígenas sofreram durante a história desde mil e quinhentos. Nós não vamos ouvir dizer que os Goianos não existem mais. Nós não vamos ouvir dizer que os Manaós não existem mais”. Processo contínuo de luta E continuou afirmando que esse processo continua, mesmo com a luta povos indígenas “que lutaram e foram mortos, desapareceram” e a luta hoje permanece “seja nas praças de Brasília, seja nas aldeias. Seja onde for, sempre de novo recordando quem são e recordando os direitos constitucionais que têm.” O Cardeal Steiner esclareceu que “esse relatório nos ajuda a conscientizar a sociedade brasileira, especialmente em relação ao Marco Temporal” e  também que “nos ajude e que nós, como Cimi, possamos continuar a servir para que os nossos irmãos indígenas, os povos originários tenham seus direitos respeitados, direitos constitucionais respeitados e tenham casa, o seu espaço, o seu lugar. Se nós continuarmos como estamos, nós não daremos chance a tantos pequenos povos que existem, eles desaparecerão, o que nós chamamos de povos isolados”. Aproveitou para expressar gratidão pelos relatórios e dados enviados “quantas pessoas nos ajudaram, quanto esforço para a elaboração desse relatório” porque, nas palavras do presidente, “é um registro da história, se torna um documento” e disse que assim como os anteriores, será enviado para o Papa “que tem uma sensibilidade tão grande para a questão indígena, ele fala corretamente a língua do povo Quechua com quem trabalhou, esteve junto” e que ele perceba “as nossas necessidades e vá nos ajudando com as suas orações mais também com o seu testemunho e a sua palavra”. O Marco Temporal e crescimento dos conflitos Um dos destaques do relatório de 2024 são os reflexos do primeiro ano sob vigência da lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal, que fragilizou os direitos territoriais indígenas. As restrições impostas pela Lei 14.701 resultaram numa demora ainda maior na demarcação de terras indígenas e, consequentemente, num aumento de conflitos territoriais. Por este motivo, 2024 foi, também, um ano marcado pela violência contra comunidades indígenas em luta pela terra. Outra abordagem contemplada é sobre as ameaças aos povos indígenas em isolamento voluntário no país e artigos com reflexões sobre temas ligados aos dados sistematizados na publicação, como racismo contra povos indígenas, a política indigenista brasileira sob a ótica orçamentária e a luta por justiça, os direitos indígenas no sistema de justiça criminal e a luta por justiça, memória e verdade acerca das violações de direitos dos povos indígenas. A união de vozes pela causa indígena Participaram do lançamento lideranças indígenas, representantes da CNBB, do Cimi e organizações parceiras da causa. Dos quais, o cacique Felipe Mura, do Amazonas, que denunciou com firmeza a atuação da empresa de potássio do Brasil na região de Autazes. O cacique Alvair Pataxó, da Terra Indígena (TI) Barra Velha, na Bahia; Ifigênia Hirto, liderança Guarani Kaiowá da TI Panambi Lagoa Rica, em Mato Grosso do Sul, destacando a resistência das mulheres mesmo diante de constantes embates, ameaças e intimidações ocorridos na retomada; e Roberto Antonio Liebgott, um dos organizadores do relatório. O relatório completo pode ser baixado no site do Cimi: https://cimi.org.br/2025/07/relatorioviolencia2024/

Diocese de Borba celebra o Jubileu da Juventude

Com a temática, “Juventude, peregrinos entre rios, anunciadores da esperança” sob a luz do lema; “Nas margens do Rio Madeira floresce a esperança em Cristo” a diocese de Borba, cumprindo o calendário, realizou o ll Congresso da Juventude Nos dias 25, 26 e 27 de julho de 2025, no município de Nova Olinda do Norte, na Forania São Mateus.  Estiveram presentes cerca de oitocentos jovens das quatro foranias para celebrar o Jubileu da Juventude com o Congresso Diocesano.  O local escolhido para sede foi a Escola Estadual de Tempo Integral Professora Rosária Marinho Paes. A prefeita do município de Nova Olinda do Norte, Professora Aracy, esteve presente e em seu pronunciamento incentivou a juventude para o seguimento do caminho de bondade, sonhos e realizações. “A juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade. Os jovens de todos os tempos e lugares buscam a felicidade” (DOCUMENTO – CNBB, 85), nesta afirmativa, Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva pontuou o propósito da Juventude peregrina. O peregrino está em movimento e segue com o coração cheio de esperança para nunca estagnar. A juventude deve seguir como âncora, fixa em Cristo. O bispo diocesano também acolheu a juventude chamando-a de felizes e amados, pois este é também o ano do jubileu, tem na centralidade o perdão, a alegria e a misericórdia. A origem da prática do jubileu está em Levítico 25, anunciado pelo Papa Francisco. Assim, concomitante ao jubileu da Juventude no Vaticano, também acontece o Congresso da Juventude da Diocese de Borba. Apoiados na temática do jubileu, “Peregrinos da esperança”, o objeto da esperança é a Santíssima Trindade. Assim a juventude deve vencer o pessimismo, que é um dos pecados contra a esperança – nenhum jovem pode ser pessimista, nos exortou Dom Zenildo. Outro pecado contra a esperança é o egoísmo, sendo este a raiz de todo pecado. Apontamentos como, “A Esperança é virtude obrigatória para o Cristão”. “A esperança não decepciona”, “a esperança é a luz que vence as trevas” foram proclamadas para os jovens, bem como a afirmativa do Papa Bento XVI, “Deus é o fundamento da esperança”. Sendo esta a vertente formadora na qual seguiu o ll Congresso da juventude da diocese de Borba. O Documento Christus Vivit diz que “a verdadeira juventude é ter um coração capaz de amar. E a fonte da vida e da fé está na palavra de Deus.” Outro apontamento reflexivo  do evento seguiu para a encíclica Documento Laudato Sí, por conta da crise climática global,  uma vez que “não podemos ignorar que, nos últimos anos, temos assistido a fenómenos extremos, a períodos frequentes de calor anormal, seca e outros gemidos da terra que são apenas algumas expressões palpáveis duma doença silenciosa que nos afeta a todos (LAUDATE DEUM, CAP. 1), bem como o Documento de Aparecida e o “Querida Amazônia” que foram estudados nas oficinas ofertadas pela assessoria do Congresso. Dinâmica esta que dividiu a juventude em grupos nas salas para abordagem das temáticas; Liderança e espiritualidade ecológica; Igreja missionária em saída; Formação do discípulo missionário; Grupos de Jovens; Vocação; Juventude; Espiritualidade e ecologia integral; Sinodalidade e A missão da família no acompanhamento dos jovens na igreja. Outro ponto importante do momento foi a “Caminhada Ecológica” que a juventude realizou, com brados de alegria e louvor, fechando a tarde do dia vinte e seis até a frente da Igreja Matriz Nossa Senhora de Nazaré. O momento cultural ficou com a participação da Banda Ministério Santa Cruz, da arquidiocese de Manaus, que animou e rezou com todos os congressistas. No dia 27 de julho, neste domingo o encerramento do evento se deu com a Santa Missa, presidida por Dom Zenildo, que em sua homilia frisou que na primeira Leitura “Abraão conversa com Deus e sente a sua presença por meio da oração. A oração é o diálogo com Deus, é preciso ter a vivência da oração para discernir, para evangelizar e evangelizar não é ativismo, evangelizar é estar a serviço do reino de Deus, como fez Abraão. Em seguimento na explicação, o bispo diocesano frisou que a segunda leitura coloca você diante do poder da cruz, do amor e da presença de Deus, todo ser humano tem o valor da dignidade. O Evangelho mostrou o amor de Jesus por nós. E um dos ensinamentos de Dom Zenildo para os jovens foi que a juventude não divide, a juventude uni e evangeliza. O jovem cristão não desmata, ele planta! Para isso a Juventude precisa estudar sobre a ecologia que fala da presença de Deus na Laudato Sí. A Juventude é convocada por Cristo ao ministério, os jovens devem fazer, devem executar, devem protagonizar, devem anunciar o caminho da salvação, deixar crescer e brilhar o rosto de Cristo, com característica amazônica, pois temos coisas bonitas para enaltecer, como a nossa identidade. A igreja acredita e tem esperança na força da juventude. A igreja jovem necessita da missão, do SIM, e do entusiasmo. Ainda na celebração de encerramento, o bispo proferiu a oração das Indulgências plenárias para toda juventude congressista.  E o coordenador de pastoral diocesano, Ademir Jackson anunciou a entrada da simbologia que identificaria a forania que sediará o próximo Congresso. No ensejo, o grupo musical tocou o hino do município de Borba e uma jovem adentrou o local com o banner da imagem de Santo Antônio, revelando que a Forania São Marcos – Borba AM, será sede do próximo congresso da juventude, no ano de 2027. E assim encerrou-se o ll Congresso da Juventude da diocese de Borba. Rezemos para que todos sigam com o coração cheio de esperança e entusiasmo, prontos para levar os ensinamentos e a energia adquiridos para nossas comunidades. Que cada jovem saia inspirado a fazer a diferença, vivendo a fé com alegria e compromisso. Juntos, poderemos construir um futuro mais solidário, com espiritualidade ecológica. Agradecemos a todos os envolvidos neste evento e um agradecimento muito especial à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), por seu apoio, inspiração e pela confiança depositada em nossa juventude…
Leia mais

Catequese indígena: “descobrir Deus e nossa relação com Ele, com os outros, com a natureza”

Mais de 300 catequistas da Amazônia se reuniram de 24 a 27 de julho em Castanhal (PA), para participar do Nortão da Catequese, que teve como tema: “Iniciação à Vida Cristã na Amazônia: Anúncio, Mistagogia e Ecologia Integral.” Tem sido dias de partilha de experiências para oferecer elementos para as igrejas locais em seus processos catequéticos, fortalecendo a pluralidade da identidade amazônica. Catequese indígena no Alto Rio Negro Uma dessas experiências foi partilha pela catequista indígena da paróquia Nossa Senhora Aparecida, diocese de São Gabriel da Cachoeira, Deusimar Uahó, do povo desano. Na Igreja do Alto Rio Negro, com 294 mil quilómetros quadrados, moram 24 povos originários, com uma forte influência das cosmovisões indígenas, entendendo a catequese como “nosso descobrir a Deus e nossa relação com Ele, com os outros, com a natureza”, segundo a catequista indígena. Depois da chegada dos primeiros missionários, e do processo de colonização que se deu naquele momento, a catequese indígena está fazendo um caminho de ressignificação, seguindo um princípio norteador: “a boa nova da cultura dos povos indígenas, acolhe a boa nova de Jesus.” Segundo Deusimar, “nossa relação com Deus, Tupãna, Oãkʉ, O’amʉ, com nossos antepassados, nossos pais e mães primeiros, vem do sagrado de nossas culturas e religiosidades. Nossa catequese nasce, se desenvolve aí, é em casa/nossa aldeia que somos educados ao sagrado e à espiritualidade”. Ressignificar   “Essa ressignificação do sagrado está sendo realizada a partir do conhecimento tradicional dos povos, valorizando e rezando como batizados, fazendo essa relação, para caminhar junto em diálogo intercultural entre a Igreja e o sagrado dos povos indígenas”, ressalta a catequista. Nas comunidades, como parte da espiritualidade indígena, ela destaca “a nossa partilha, a hospitalidade, as nossas orações, os nossos catequistas antigos que ainda têm vivido essa vocação em nossas comunidades, é essa nova geração que vem trazendo também um resgate cultural, inserindo dentro da Igreja os nossos valores, os nossos rituais, as nossas línguas, músicas, trabalhando também os nossos nomes tradicionais”. Um processo devagar, mas que vem tendo cada vez mais visibilidade, ajudando a entender a importância da sua identidade como povo indígena. Durante décadas a Igreja do Rio Negro foi confiada aos Salesianos e Salesianas, sendo a educação, os internatos e as comunidades elementos importantes na missão. Após o Concílio Vaticano II e o encontro e Documento de Santarém, em 1972, os internatos são fechas e a catequese se realiza nas comunidades, sendo criado o ministério do catequista em cada comunidade, com um grande avanço na formação desses catequistas e de outros agentes. Nessa época começam a aparecer as vocações indígenas à Vida Religiosa e o presbiterato, os indígenas do Rio Negro para o mundo. Se realizam assembleias pastorais, se avança no processo de inculturação, recolhendo a proposta do Documento de Aparecida para ser discípulos missionários. Diálogo intercultural Em 2015 acontece uma missão da Catequese: “A boa nova das Culturas acolhe a Boa Nova de Jesus”, incentivando o diálogo intercultural. Também foi de grande importância o Sínodo para a Amazônia, a figura do Papa Francisco e sua valorização dos povos e culturas indígenas e sua exortação pós sinodal Querida Amazônia. Deusimar destaco o impulso que está sendo dado pelo atual bispo, dom Raimundo Vanthuy, que define como bispo pastor e sinodal. Está se avançando numa catequese integral, onde é valorizada a partilha, os encontros comunitários, as convivências, a participação dos catequizandos, o resgate cultural: artes, línguas indígenas, medicina indígena, povo, rios, territórios, nomes tradicionais, grafismos, dentre outros elementos. O novo bispo, com esse olhar sinodal, “ele tem dado essa abertura para que os indígenas tenham esse espaço para manifestar, expressar a sua fé a partir dos seus valores locais. Ele é um bispo que está indo aonde os indígenas estão para conhecer a realidade local e ele tem se mostrado que ele quer aprender, quer partilhar o que ele sabe e aprender também com ele os caminhos que ele pode nos direcionar como bispo”, destacou a catequista indígena. Ela agradeceu o incentivo e apoio do bispo para poder participar do Nortão da Catequese”.

Ordenação de Michel Carlos da Silva: “Ministério Diaconal é Encarnação”

Na manhã desde sábado, 26/07, a Arquidiocese de Manaus acolheu, com muita alegria, pela imposição das mãos do Bispo Auxiliar, Dom Zenildo Lima, seu mais novo diácono, Michel Carlos da Silva, que escolheu como lema “O verbo se fez Carne e habitou entre nós” (Jo,1 14), A celebração aconteceu na Comunidade São Paulo Apóstolo, Área Missionária São João Paulo II, bairro Jorge Teixeira. Dom Zenildo iniciou a celebração dizendo que “a comunidade está em festa,toda a nossa Igreja de Manaus!” e enfatizou que a Igreja de Manaus é “uma Igreja ministerial”. Ele convidou para que a “Eucaristia enriqueça a nossa experiência de Igreja, que se faz carne e arma a sua tenda no meio das pessoas, no meio desta Amazônia, que essa Eucaristia renove a nossa disponibilidade para o serviço, nos diversos ministérios que se reúnem nesta celebração, que essa Eucaristia faça bem a todos nós” reforçando a ideia do lema escolhido. A solicitude do ministério é reflexo da comunidade Em sua homilia, insistiu que a solicitude é uma “ação tão urgente, tão necessária, tão essencial pra esses tempos de referencialidade com o risco de ministérios e ministros que pensam em si mesmo e a partir de si mesmo” e seguiu dizendo que a Igreja pede que “seja um ministério de solicitude, que seja um ministério de mansidão”. E aproveitou para recordar que “vivemos tempos violentos, vivemos tempos intolerantes, tempos de serviços que mais do que amenizar as dores do povo parecem impor pesos maiores e insuportáveis”. E novamente pediu um “ministério de mansidão,e um ministério na constância na intimidade com Jesus”. Dom Zenildo disse também que o pedido para esse ministério a ser “vivenciado, conferido, entregue e exercido pelo Michel é um reflexo da vida da comunidade. A gente não reflete só o ministério da pessoa, do indivíduo, do sujeito, a gente reflete também a vida ministerial da comunidade e a Palavra que vai nos ajudar a gente compreender essa vida, essa identidade comunidade essa identidade do ministério.” A Palavra plenifica a identidade comunitária O presidente da celebração conduziu os presentes a pensar que na Palavra encontramos experiências que ainda permeia nosso tempo “É uma comunidade com uma realidade de diversidade. tem gente de todos os lugares, de todas as origens, de todas as experiências precedentes que agora estão fazendo parte da comunidade como as nossas comunidades que foram frutos de processos de ocupação, de pessoas que vieram de tantos lugares, tantos bairros diferentes, de tantas histórias diferentes.” Destacou que há pessoas de um percurso de experiência religiosa anterior e que se aproximaram “da vida da comunidade: tem gente pequena, tem gente pobre, tem mulheres, tem pessoas estrangeiras na comunidade”, e por isso “nascem conflitos por causa dessa diversidade as pessoas mais pobres, as mulheres, as viúvas”. O sentimento é de que “estão sendo deixadas pra trás porque existe uma ocupação, uma preocupação, uma atenção maior da comunidade”. Um ministério em direção aos pequenos O Dom Zenildo explicou que no texto o “drama e o conflito que se apresenta na comunidade não se resolve com a tentação de tornar todo mundo igual, uniformidade. A comunidade busca respostas diferentes. Recorre a autoridade dos doze” e eles “respondem com os sete, não mais os doze, mais os sete. Essa resposta, segundo o bispo auxiliar, nos aponta que “o ministério se abre na direção dos pequenos dos pobres, dos estrangeiros. A Igreja sempre costuma se afirmar a partir dos doze da sua solidez”, mas também que “se construiu a partir dos sete, da missionariedade, da disponibilidade, do tornasse Igreja em saída” alicerçada sobre a experiência dos doze, mas também na experiência dos sete porque que “vai ao encontro de pessoas”. A Vocação como força e inspiração para as comunidades Dom Zenildo questionou como a comunidade encontra esta inspiração, força e respostas? E respondeu que “a comunidade invoca o Espírito de Deus. Para que o Espírito suscite respostas” e acrescentou que “os ministérios são sempre respostas do Espírito para as necessidades que aparecem no seio da comunidade.” E continuou afirmando que “a ordenação do Michel hoje é fruto de um processo vocacional, pessoal, comunitário. É fruto de uma caminhada de formação presbiteral, que envolve o seminário, casas de formação, mas é também uma resposta do Espírito pra esses tempos que nós estamos vivendo”. Ministério Diaconal é Encarnação Retornado ao lema escolhido, do evangelista São João, o bispo disse que “mostra a realização Deus de modo muito aproximado. O Verbo se fez Carne e habitou entre nós” e essa e a “compreensão do amor de Deus”, que é falar do ministério “como participação desta escolha de Deus, de realização da proximidade de Deus” e completou que o “Ministério Diaconal é Encarnação”. Ele ressaltou que o “Ministério Diaconal faz parte desse processo encarnatório que começou com a palavra de Deus e que é continuado pela Igreja, Igreja também se faz carne, ministério é encarnação da igreja, Michel você se faz carne”. Dom Zenildo desejou que a “palavra amorosa de profecia, de promessa de Deus se transforme no teu serviço na vida das pessoas” e disse também que “a grande inspiração, a grande realização ministerial, de serviço a grande realização desta encarnação é Jesus Cristo”. Explicou que nossa compreensão do Ministério do Diácono passa pelo horizonte dos serviços: da palavra, da pregação, da animação bíblica, da liturgia, do cuidado do altar, da mesa, da promoção humana, da caridade e que isto “é próprio da encarnação”. Retomou o texto da primeira leitura onde os diáconos “tinham diante de si um problema, uma situação de carência do povo, daquelas mulheres, daquelas viúvas” reafimando que o diaconato “é um trabalho, de Palavra, é Trabalho de mesa, é trabalho de compaixão humana, de encarnação e a gente se inspira sempre na pessoa de Jesus, o Verbo que se faz Carne. A vida de Jesus, o ministério de Jesus é um ministério de realização da promessa do Pai, da palavra do Pai. A vida de Jesus é um ministério de serviço à mesa.” Presença na realidade concreta das pessoas No…
Leia mais

Congresso Missionário de Seminaristas (COMINSE) tem expressiva participação do Norte

Entre os dias 21 e 26 de julho, a capital piauiense acolheu o 5º Congresso Nacional Missionário de Seminaristas (COMINSE). O evento aconteceu no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus, da Arquidiocese de Teresina, e reuniu cerca de 240 participantes entre seminaristas, formadores, reitores e bispos de 79 dioceses e arquidioceses, além de três congregações religiosas. Celebrando 40 anos de caminhada dos COMISEs (Conselhos Missionários de Seminaristas) no Brasil, o congresso teve como tema “Discípulos da Esperança“, com o objetivo de fortalecer a consciência missionária nos seminários, cultivar a comunhão entre os COMISEs regionais e promover uma formação presbiteral mais sensível, pastoral e comprometida com a missão evangelizadora da Igreja. A programação contou com conferências, painéis temáticos, oficinas, momentos de oração e noites culturais. O COMINSE contou com a participação de Dom Maurício da Silva Jardim, Bispo da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga e Presidente da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB; Dom José Albuquerque, Bispo da Diocese de Parintins e membro da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada; Padre Vagner João Pacheco de Moraes, Presidente da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB); e Pe. Alessandro Brandi, representante da Obra de São Pedro Apóstolo, de Roma. Norte em destaque A Região Norte teve participação expressiva no evento, em seus respectivos regionais. Entre os representantes do Regional Norte 1 da CNBB destaca-se seminaristas das seguintes Igrejas Particulares: Arquidiocese de Manaus (1), Diocese de Roraima (2), Diocese do Alto Solimões (2), Diocese de São Gabriel da Cachoeira (1), Diocese de Borba (1), Diocese de Coari (1), Diocese de Parintins (1) e Prelazia de Itacoatiara (1). A presença significativa do Norte reafirma o compromisso missionário da Igreja na Amazônia e o protagonismo de seus seminaristas no processo de construção de uma Igreja mais encarnada, dialogante e sinodal. O COMINSE 2025 deixa como legado a renovação do ardor missionário nos corações dos futuros presbíteros do Brasil e uma forte mensagem de esperança diante dos desafios da evangelização contemporânea. Seminarista Lucas Santos Maia (Diocese de Roraima)Assessor de Comunicação do Comise Labontè