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Categoria: Notícias

Oração, escuta, diálogo, discernimento para caminhar juntos. A missão dos cardeais até 7 de maio

Oração, escuta, diálogo, discernimento para caminhar juntos. Esse será o caminho, a missão que o povo de Deus espera que seja assumida pelos cardeais até 7 de maio, data que marca o início do Conclave em que será eleito o sucessor de Francisco. Um caminho de quase 2000 anos Nas próximas seis congregações gerais, o Colégio Cardinalício, mas especialmente os 134 cardeais que se espera entrem dentro da Capela Sistina no dia 7 de maio, são desafiados a colocar em prática a sinodalidade, a caminhar juntos. Em definitiva a ser Igreja, a superar as divisões, polarizações, enfrentamentos de todo tipo, para poder em comunhão escolher aquele que irá dar continuidade a um caminho iniciado quase 2000 anos atrás. Estamos diante do Conclave mais diverso na história da Igreja. Dado o alto número de participantes, que demanda 89 votos para ser eleito, e a diversidade de procedências, não deve ser tarefa simples encontrar aquele que irá ocupar a Cátedra de Pedro. Daí a importância das congregações gerais, sempre necessárias, mas que podemos dizer são imprescindíveis neste momento prévio ao início do 267º Papado. Desafio: conhecer todos os cardeais Muitos dos cardeais não se conhecem. Dificilmente algum dos cardeais eleitores saberia reconhecer olhando as fotos, os nomes e o serviço desempenhado para cada um dos 134 participantes do Conclave. O conhecimento de cada um dos eleitores, uma tarefa que deve ser realizada até dia 6 de maio, poderá facilitar o propósito que quer ser alcançado na Capella Sistina: escolher o pontífice. Cada um de nós, evidentemente também os cardeais eleitores, tem o retrato robô daquele que deve ser o próximo Papa. O desafio é superar aquilo que cada um espera, pois na primeira votação tudo indica, como é tradição na história dos conclaves, a diversidade de cardeais votados aponta a ser elevada. Para isso, se faz necessário, inclusive uma obrigação, escutar. Gerar unidade na Igreja e no mundo Escutar a Deus, escutar os outros cardeais eleitores e escutar o povo de Deus. Escutar para descobrir aquilo que a catolicidade, mas também a humanidade como um todo, espera do próximo pontífice. Um Papa que possa gerar unidade na Igreja, incentivar a comunhão, a sinodalidade, o caminhar junto. Mas também um Papa que ajude o mundo a superar a guerra em pedaços que estamos vivendo, a polarização cada vez mais presente na vida do dia a dia. São elementos que devem ajudar no processo de discernimento, e assim descobrir o que Deus através de seu Espírito está querendo desses 134 cardeais, mas sobretudo o que Ele espera da Igreja. Uma Igreja profética, misericordiosa, samaritana, mais preocupada em curar as feridas dos descartados que seu próprio bem-estar.  

7 de maio: o Colégio Cardinalício escolheu a data do Conclave

O Conclave que irá eleger o sucessor de Francisco já tem data marcada. Será na tarde de dia 7 de maio, depois de celebrar a Missa Pro Elegendo Pontífice na manhã da próxima quarta-feira. Isso foi decidido na Congregação Geral realizada nesta segunda-feira, 28 de maio, na Sala do Sínodo, no Vaticano. Primeira Congregação Geral para o cardeal Steiner Estavam presentes 180 cardeais, dentre eles mais de 100 eleitores. Dessas congregações, a quinta realizada desde seu início na terça-feira 22 de abril, um dia depois do falecimento de Papa Francisco, participou pela primeira vez o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Segundo informações vaticanas, na quinta congregação teve perto de 20 intervenções, sendo refletido sobre a situação da Igreja nos dias de hoje, sua relação com o mundo, os desafios a serem enfrentados e as qualidades que devem estar presentes no próximo Papa. Na congregação geral desta segunda-feira foram eleitos os três cardeais que irão ajudar o camarlengo, cardeal Kevin Joseph Farrell, na gestão das coisas ordinárias em preparação ao Conclave. Serão o arcebispo de Munique e Freising (Alemanha), cardeal Reinhard Marx, o pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização, cardeal Luis Antônio Tagle, e o prefeito do Supremo Tribunal da Sinatura Apostólica, cardeal Dominique Mamberti. Tempo de diálogo e escuta O fato da data de início do Conclave para dia 7 de maio, poderia ter sido escolhida uma data entre 5 e 10 de maio, pode ser visto como sinal do desejo dos cardeais de ter mais tempo de diálogo e escuta, em vista de poder escolher um Papa que irá assumir o Papado número 267 na história da Igreja católica. Amanhã, 9 horas, será realizada uma nova congregação geral, que iniciará com uma pregação do abade da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, dom Donato Ogliari. As congregações gerais serão encerradas na terça-feira, 6 de maio, exceto 1º de maio e domingo dia 4. Os trabalhos iniciam 9 horas da manhã e encerram 13 horas da tarde, no horário de Roma, seis horas a menos em Manaus.

A Cristandade e os cardeais peregrinam ao túmulo de Franciscus

Roma, o centro do cristianismo, sempre foi um local de peregrinação. A Sé de Pedro, o túmulo da maioria dos papas da história da Igreja, há séculos convoca católicos de todos os cantos do mundo. Um chamado que sempre é redobrado nos anos do Jubileu, como está acontecendo neste Ano Santo da Esperança. Franciscus No dia em que foi celebrado o Jubileu dos Adolescentes, que junto em Roma mais de 80 mil peregrinos, os olhos do mundo se voltaram para a Basílica de Santa Maria Maggiore, um novo ponto de referência para o catolicismo. Foi lá que Franciscus foi enterrado no último sábado, 26 de abril, como diz a inscrição na laje que cobre seu túmulo simples. Desde o início do dia, quando bem cedo foi aberto ao público, mais de 30 mil pessoas até a metade da tarde Roma, segundo o Vaticano, formaram longas filas para visitar o Papa que conduziu o destino da Igreja Católica nos últimos 12 anos. “Uma multidão impressionante, como também vimos na Praça de São Pedro”, segundo reconheciam os cardeais após participar das Vésperas Solenes, nas quais a maioria do Colégio de Cardeais estava presente. Ao lado do Salus Populi Romani São 134 os eleitores que participarão do Conclave que elegerá o sucessor do primeiro Papa latino-americano, dentre eles o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Os cardeais destacam que há um silêncio palpável dentro da Basílica onde o Papa encomendou e agradeceu por cada uma de suas viagens apostólicas, rezando aos pés da Salus Populi Romani, muito perto de onde ele descansa eternamente. Um túmulo simples, como não poderia deixar de ser, já que desde o início de seu pontificado ele deixou claro que gostaria de uma Igreja pobre para os pobres. Todos os tipos de pessoas, de todas as classes sociais e origens, vêm ao túmulo, “com um recolhimento e um afeto impressionante”, enfatizou um dos cardeais. As vésperas têm sido “um momento de silêncio e oração”, lembrou. De fato, é importante  “todos os cardeais estarem juntos em torno do túmulo de Francisco para dizer nosso último adeus”, disse um dos cardeais.

Carta e ordenação diaconal marca Jubileu dos Povos Indígenas de Roraima

A diocese de Roraima realizou nos dias 25 e 26 de abril de 2025 na Missão Surumú, Raposa Serra do Sol, o Jubileu dos Povos Indígenas, que foi encerrado com a ordenação diaconal de Djavan André da Silva, indígena do povo Macuxi. No final do encontro, precedido por uma peregrinação, onde participou grande número de indígenas e contou com a presença da Presidente da Funai, Joenia Wapichana e de dom Gonzalo Ontiveros, bispo do Vicariato de Caroní (Venezuela), foi dada a conhecer a Carta do Jubileu da Aliança com os Povos Indígenas. Transbordar de esperança Um texto que iniciou recordando as palavras de dom Aldo Mongiano, bispo da diocese já falecido: “É um privilégio ter os povos indígenas em nossa Diocese”. No âmbito do Jubileu da Esperança, “um tempo de renovação da fé, da justiça e do cuidado com a criação”, a carta afirma que “as palavras do Papa Francisco nos inspiram a ‘transbordar de esperança’ (cf. Rm 15,13).” Junto com isso, “este Jubileu convida a viver a misericórdia, o perdão e a defesa da vida. É um chamado para devolver as terras aos povos originários, cancelar dívidas que oprimem os pobres e lutar pela libertação de todas as formas de escravidão (cf. Lv 25)”, diz a carta. Os povos indígenas são definidos no texto como “guardiões das florestas, dos lavrados, bem como de tantos outros biomas. Vivem em harmonia com a Casa Comum”, colocando como exemplo disso o xamã yanomami Davi Kopenawa, “que recolhe os anseios de seu povo.” Sobre os Yanomami, os povos indígenas de Roraima afirmam que “podem dispor de tudo o que precisam e têm a responsabilidade de cuidar da floresta. Há milênios, os indígenas protegem não apenas seus territórios, mas também o equilíbrio do planeta.” Denúncia do modelo económico Diante da atual situação, a carta denuncia que “o modelo econômico, que idolatra o lucro e o dinheiro, provoca uma ruptura. Os avanços da derrubada da floresta, da pecuária extensiva, do monocultivo, dos megaprojetos e da mineração ameaçam a sobrevivência dos povos indígenas e a de todos nós. A harmonia da Casa Comum foi rompida pelos projetos de conquista e colonização, realizados de modo cruel, causando violências, dor e extermínio.” “Há 300 anos a Igreja em Roraima caminha ao lado dos povos indígenas, ouvindo seus clamores e sonhos. Juntos, construímos iniciativas que fortalecem suas comunidades: as cantinas (venda de produtos básicos a preços acessíveis) e o projeto M-Cruz (criação de gado), que garantem autonomia econômica; a formação em educação, saúde e gestão coletiva, que valoriza seus saberes; a luta pela demarcação de terras e a resistência contra invasões ilegais; o diálogo entre a fé cristã e as tradições indígenas, que cria pontes de respeito mútuo”, lembra a carta. O texto denuncia “a tese do Marco Temporal, que ameaça os direitos indígenas. Esta tese impõe e viola conquistas históricas e a Constituição Federal. Temos como exemplo a proposta da PEC 48 e da Lei 14.701/23, atualmente em vigor. Some-se a isso a criação da Câmara de Conciliação e Arbitragem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão. Ela ameaça retirar direitos e favorecer interesses econômicos. O nosso marco é ancestral!” A esperança dos povos indígenas permanece viva Nessa perspectiva, os povos indígenas insistem em que “essas leis trazem dor e sofrimento, mas a esperança dos povos indígenas permanece viva. Eles clamam pelo respeito a seus territórios, culturas e modos de vida.” Para isso, dizem renovar “nossa aliança e convidamos todos a se unirem nesta luta”, colocando algumas propostas: “exigindo a derrubada dessas leis injustas e tantas outras tentativas de retirada de direitos; apoiando a demarcação de terras indígenas; protegendo a floresta e seus guardiões.” Finalmente, é sublinhado que “a Páscoa de Cristo é a nossa Esperança, garantindo que a Vida vence a morte. A cruz não O derrotou – Ele a venceu! Esta Esperança não pode ser silenciada! Celebrar este Jubileu reforça que a vida triunfa. Juntos, escrevemos uma história de justiça e de paz para os povos indígenas e para toda a humanidade. Unidos, lutemos pela justiça e pela vida, testemunhando a Páscoa!” Ordenação diaconal O bispo diocesano, dom Evaristo Spengler disse que “este Jubileu é uma memória agradecida pela luta dos povos indígenas por seus direitos, pela terra e pela liberdade”, pedindo aos jovens indígenas que “não traiam seu povo, não deixem que caminhem sozinhos”, que assumam a causa de seus povos, para que possa ser respeitado o direito ancestral dos povos indígenas. Durante o Jubileu foi abordada a presença histórica da Igreja entre os povos indígenas de Roraima, com uma opção clara pelos povos indígenas, sobretudo a partir do episcopado de dom Aldo Mongiano, levando à criação do onselho Indígena de Roraima (CIR). A ordenação de Djavan André da Silva é “um dos preciosos frutos dessa longa história de aliança”, segundo dom Evaristo Spengler. Uma ordenação que se tornou um símbolo vivo dessa caminhada. Um momento que ficará marcado não apenas na história da Diocese de Roraima, mas também na memória dos povos indígenas que seguem firmes, unindo fé, cultura e resistência. Com informações de Rádio Monte Roraima

Francisco, o Papa que partiu com seus sapatos pretos

Até o fim, mesmo em sua despedida, Francisco foi fiel a ele mesmo. O último pontífice pode ser considerado um grande metrônomo, que sabia medir o tempo e os gestos. Como um bom jesuíta, ele colocou o ser humano e o fato de ser humano em primeiro lugar e acima de tudo. Esse reconhecimento foi manifestado em seu funeral, que se tornou um grande tributo do povo. Um povo que ele acompanhou até o fim, pois apesar de sua saúde delicada, ele quis estar no meio do povo até seu último dia, dando sua bênção no domingo de Páscoa. Ele partiu sob aplausos A simplicidade dos ritos fúnebres, o fato de ser enterrado com seus próprios sapatos, seus famosos sapatos pretos desgastados, lembram sua vida. O arcebispo que andava de metrô, o Papa que se locomovia em carros populares, jamais poderia partir em meio à pompa. Pelo contrário, ele partiu em meio aos aplausos, que reconheciam o fato de que ele havia se tornado pequeno, que ele queria e conseguiu ser um entre muitos, continuar a ser o padre Jorge. A homilia do Cardeal Re foi um retrato bem enquadrado de seu pontificado. As palavras e o tom de voz de um cardeal de 91 anos são dignos de admirar, dando voz às vivências do Papa que foi gradualmente perdendo sua voz. Uma voz que permanecerá como um legado, uma voz que “tocou mentes e corações”, como disse o cardeal. Amor concretizado na misericórdia Não há dúvida do amor de Francisco por Jesus, um amor que ele concretizou na misericórdia para com os descartados. Com isso, ele deixou claro que, em sua missão como pontífice, “não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por todos”. Uma citação do Evangelho que foi lembrada pelo decano do Colégio de Cardeais, que também insistiu que “apesar de sua fragilidade e sofrimento final, o Papa Francisco escolheu trilhar esse caminho de doação até o último dia de sua vida terrena. Ele seguiu os passos de seu Senhor, o Bom Pastor, que amou suas ovelhas a ponto de dar sua própria vida por elas”. Essas ovelhas sempre tiveram o rosto das ovelhas perdidas, das ovelhas que a sociedade, e às vezes também a Igreja, descartou. Como o Cardeal Re reconheceu, ele prestou “atenção especial às pessoas em dificuldade, entregando-se sem medida, especialmente pelos menores da terra, os marginalizados”. Eles, os mais simples, o entendiam bem, ele falava a língua deles, o jargão do povo, sabia como arrancar um sorriso deles, sabia como fazer uma piada. “Ele tinha uma grande espontaneidade e uma maneira informal de se dirigir a todos”, disse o cardeal em sua homilia. Como bom torcedor, ele sempre provocava os brasileiros com a seguinte pergunta: “Quem é melhor, Pelé ou Maradona?” O Papa das periferias Um Papa de todos, todos, todos, como a Igreja que ele sonhava, “ávida por assumir os problemas do povo e os grandes males que dilaceram o mundo contemporâneo; uma Igreja capaz de se inclinar para cada pessoa, para além de qualquer credo ou condição, curando suas feridas”, como lembrava o decano do Colégio Cardinalício. Um Papa das periferias e que acima de tudo viajou para as periferias, iniciando suas viagens em Lampedusa, quase sempre marcadas por estar ao lado dos invisíveis para os detentores do poder, que por outro lado não deixaram de estar ao lado de seu caixão, a grande maioria reconhecendo sua grande contribuição para um mundo ferido por guerras, pobreza, polarização e tantas outras feridas que ele se esforçou para curar seguindo o exemplo do Bom Samaritano. Uma cura de feridas que levaria a concretizar do Evangelho da misericórdia, que sempre foi a força motriz de sua vida, desde os tempos em que andava pelos becos das favelas de Buenos Aires, para tornar visível que Deus sempre perdoa e perdoa a todos. E fazer isso com alegria, com a Alegria do Evangelho, deixando de lado a cultura do descarte e assumindo a do encontro e da solidariedade, da vida em fraternidade, ideias presentes na homilia de seu funeral. O cuidado de todas as criaturas Francisco, sempre preocupado com o cuidado de todas as criaturas, seguindo o exemplo do poverello de Assis. O Papa da ecologia integral, e como lhe somos gratos por isso nós que vivemos na Amazônia, pela qual ele sempre se preocupou e na qual concretizou sua proposta de caminhar juntos como Igreja, na sinodalidade, construindo pontes e não muros. Por isso, pedimos a ele, como fez o Cardeal Re, que reze por nós, para que sua memória e seus ensinamentos continuem presentes entre nós, para que nos mova a continuar fazendo bagunça, construindo um mundo menos complicado e uma Igreja menos complicada, onde o Evangelho marque o caminho a seguir, onde os últimos possam ser os primeiros, aqueles que usam sapatos velhos ou que, muitas vezes, nem têm sapatos.

Cardeal Steiner agradece no velório do Papa por “nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”

Uma mistura de sentimentos está presente no coração passando diante do corpo daquele que tem sido uma luz para a humanidade e para a grande maioria dos 1,4 bilhão de católicos do mundo nos últimos 12 anos, embora a multidão de pessoas presentes exija que isso seja feito rapidamente. Reconhecimento de todo o mundo O velório de Papa Francisco, que será sepultado neste sábado na Basílica de Santa Maria Maggiore, após o funeral na Praça de São Pedro, é um sinal de reconhecimento por parte das pessoas de todo o mundo. Mas também pelas mais de 200 delegações oficiais que viajaram a Roma para mostrar suas condolências. De uma dessas periferias veio o arcebispo de Manaus, o cardeal Leonardo Ulrich Steiner. A Amazônia sempre ocupou um lugar especial no coração do último pontífice. Lembro-me da última vez que tive a oportunidade de cumprimentá-lo brevemente, quando lhe contei que minha missão era ser pároco na Área Missionária de San José do Rio Negro, na arquidiocese de Manaus, composta por 26 comunidades indígenas e ribeirinhas. Francisco respondeu: “Que missão linda!” Muito a agradecer a Papa Francisco Um carinho que também está presente naqueles que vivem nessas e em tantas outras comunidades Amazônia afora, que pediram nesses dias que eu também levasse suas vidas para o velório do Papa. Um sentimento de gratidão que o Cardeal Steiner trouxe para Roma. Logo após rezar diante do caixão de Francisco, instalado na Basílica de São Pedro, o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) ressaltou que “nós da Amazônia temos muito a agradecer a Papa Francisco por de novo trazer a Amazônia para a discussão, mas especialmente nos despertar para com o cuidado para com a Amazônia”. O arcebispo de Manaus ressaltou que “não só a região amazônica, mas os povos que ali vivem, as culturas”. Segundo o Cardeal Steiner, “tudo isso nós somos muito gratos ao Papa Francisco por nos ter ajudado a repensar e ajudar a incentivar as nossas comunidades a viverem a sua fé nessa realidade da Amazônia”, concluindo suas breves palavras com um “muito obrigado, Papa Francisco”. O Cardeal Steiner é alguém profundamente alinhado com o Magistério do Papa Francisco, tendo promovido de várias maneiras a sinodalidade, o cuidado com os pobres, especialmente a população em situação de rua, o cuidado com a casa comum, o protagonismo das mulheres e a defesa dos povos indígenas. Soma-se a isso sua grande devoção, como franciscano, a Francisco de Assis, incentivando constantemente a descoberta da presença de Deus em todas as criaturas, sentimento presente no conceito de ecologia integral, promovido pelo Papa argentino. Gratidão do povo brasileiro Esse sentimento de gratidão a Francisco também está muito presente nos dias de hoje entre o povo brasileiro. Ele é um Papa muito querido no Brasil, a ponto de, em uma ocasião, um cardeal brasileiro ter dito a Papa Francisco que ele havia conseguido realizar um milagre durante sua vida, que os brasileiros gostassem de um argentino, fazendo o Papa dar uma gargalhada. Uma grande delegação do governo brasileiro prestou suas condolências diante do caixão do Papa, encabeçada pelo presidente Lula, um admirador declarado do pontífice, sua esposa Janja, os presidentes do Congresso, do Senado, do Supremo Tribunal Federal, ministros, parlamentares e a ex-presidente Dilma, que admitiu, como também era visível em Lula, que estava abalada com a morte de Francisco.

Prelazia de Tefé celebra Missa dos Santos Óleos e agradece pelo pontificado de Francisco

A prelazia de Tefé reuniu-se na noite da Terça-feira da Oitava da Páscoa para uma missa em sufrágio pelo Papa Francisco e dos Santos Óleos. A celebração iniciou com uma memória do pontificado, marcado por “simplicidade, inclusão e reformas que impactaram profundamente a Igreja católica.” Celebração do povo de Deus Uma celebração de todo o povo de Deus, segundo o bispo da prelazia, dom José Altevir da Silva, que iniciou sua homilia saudando os cristãos leigos e leigas, que ele definiu como “o povo privilegiado de Deus”, e depois as autoridades, Vida Religiosa e o clero. Ele disse ser uma celebração de ação de graças, mas também com um sentimento de orfandade, diante da partida de Papa Francisco, mas pedindo que “a sua presença seja continuada nos compromissos de cada fiel diante do que ele vinha assumindo durante o seu pontificado.” No pontificado de Papa Francisco, dom Altevir destacou sua grande confiança em Maria, mas também seu legado de simplicidade e de profecia, que chamou a dar continuidade. O bispo refletiu sobre alguns ritos que fazem parte das cerimônias após a morte do Papa, como é a destruição do anel, símbolo de poder. Ele disse que “algo pragmático pode acabar, como um anel, mas o paradigmático, a essência, a evangelização, que o Papa Francisco nos deixou, não existe martelo no mundo que vá destruir. Por isso, sigamos em frente, animados pela herança bendita que ele nos deixou.” Momento profundo de comunhão Sobre a Missa dos Santos Óleos, que a Igreja de Tefé realiza nesta data, dada a impossibilidade de fazê-lo na Quinta-Feira Santa, o bispo enfatizou que “é um momento profundo de comunhão, de renovação.” Um momento para que os presbíteros lembrem o dia de sua ordenação, mas também para abençoar os óleos com que serão ungidos os novos batizados, os crismados, os enfermos. Comentando o evangelho do dia, onde é proclamado o ano da graça do Senhor, dom Altevir lembrou o Jubileu da Esperança que a Igreja vive neste ano de 2025. Um texto que, segundo ele, “é de fato um projeto de vida missionária de Jesus, que também é o nosso projeto. Essas palavras revelam a missão de Cristo, que também é a missão da igreja. E de modo especial, a missão de cada um de nós”, sublinhado que “não tem outra missão a não ser essa que Jesus Cristo nos deixou.” Aproximar-se daqueles que necessitam do amor de Deus O bispo disse aos presbíteros que “como Cristo, nós devemos nos aproximar, meus irmãos presbíteros, nos aproximar realmente daqueles que necessitam de nós, que necessitam do amor de Deus, porque a renovação das promessas sacerdotais, ela vai recordar para nós que o ministério sacerdotal é diferente de algo funcional. Ele é, acima de tudo, presente do amor de Deus para conosco. É vocacional e não é algo funcional, não é uma função, é uma vocação, uma vocação de amor, de serviço. Como Cristo, nós devemos então estar no mundo, sem ser do mundo, levando a imagem de Deus àqueles que mais necessitam. Ou melhor ainda, descobrindo Deus presente naqueles que a sujeira da sociedade, a discriminação e a indiferença tentam encobrir.” Dom Altevir sublinhou a necessidade de mais do que o levar, “descobrir Deus aonde o ser humano se encontra, muitas vezes no porão da humanidade. Deus está com ele.” Junto com isso, o bispo falou sobre os óleos como instrumento que “nos ensina o caminho da santidade.” Ele disse pedir a Deus que “essa celebração, ela renove o ardor missionário em cada sacerdote, em cada presbítero a alegria da sua vocação, que restaure, que lhe leve ao primeiro amor.” Para isso, o bispo pediu que “a poeira da sociedade, do luxo, da ganância, da indiferença, jamais atingirá a beleza que Deus colocou em seu ser.” Para dom Altevir, “ser presbítero é de fato ser um espelho de Deus no meio dos que mais necessitam.” Ele pediu seguir o exemplo de Papa Francisco, “esse testemunho de vida e de doação.”

Celebração de gratidão da Igreja de Manaus a Francisco, o Papa da Amazônia

A Igreja de Manaus se reuniu no início da noite da Terça-feira da Oitava da Páscoa, na catedral de Nossa Senhora da Conceição para “uma celebração de gratidão”, segundo explicitou seu arcebispo, o cardeal Leonardo Steiner. Ele disse que “nós devemos tanto ao ministério de Papa Francisco, o Papa da Amazônia.” Ele enfatizou que Papa Francisco “viu na Amazônia a necessidade de um cuidado com toda a ecologia integral.” Junto com isso, o Papa da Misericórdia, mostrando que “misericórdia quer dizer dos desvestidos, dos sedentos, dos famintos, dos sem casa, dos aprisionados, de todos.” É por isso que o arcebispo de Manaus fez um chamado a “louvar e bendizer a Deus por esse ministério. Esse ministério que sempre nos devolveu o desejo de sermos cada vez mais seguidores e seguidoras de Jesus. Queremos louvar e bendizer por esse ministério de 12 anos”, equiparando os 12 anos, com as 12 tribos de Israel, os 12 apóstolos. Um Papa com quem “nós aprendemos a apreciar a esperança e levar esperança. E nunca jamais nos esquecermos dos mais pequeninos, dos mais pobres.” Francisco, uma vida impactante Na homilia, o bispo auxiliar, dom Zenildo Lima, refletiu sobre a fecundidade do acontecimento pascal, afirmando que “vamos nos maravilhando com o alcance da ressurreição de Jesus e, com a força contagiante que a vida doada de Jesus vai atraindo, vai reunindo, vai congregando a vida dos homens e mulheres”, pelo fascínio de uma vida bem vivida. Nesse contexto, o bispo retomou a história de Papa Francisco, sublinhando que seu legado “já é experimentado, mas não porque nós fazemos uma síntese dos seus discursos, das suas palavras, mas porque a vida dele está nos impactando diretamente. O legado do Papa Francisco para nós não é uma lembrança, não é um conteúdo, não é um conceito, é uma experiência que nós vivenciamos e estamos vivendo sim aqui nesta noite na nossa igreja catedral.” Segundo dom Zenildo Lima, “somos tomados por um sentimento, somos que contagiados por uma força, somos como que impelidos e atraídos para um jeito novo de viver nossa experiência de fé, nossa experiência eclesial.” A partir de seu Magistério pontifício, ele destacou que “os nossos horizontes pela alegria do Evangelho são alargados. Nós não somente queremos o bem, a vida plena para os homens e mulheres, mas se não para toda a realidade criada a partir do agir de Deus.” Ele falou de Laudato Si´ e Laudate Deum como documentos que “nos abriram novos horizontes para compreender os alcances do Reino de Deus.” O bispo auxiliar referiu-se à fraternidade, ao chamado a sermos peregrinos da esperança. Ensinou a viver a comunhão, a sinodalidade Ele lembrou elementos presentes na Carta da Igreja de Manaus publicada poucas horas depois da morte de Papa Francisco, onde aparece que “nós aprendemos tanto deste Papa sobre a comunhão, que ele chamou tão insistentemente de sinodalidade.” O bispo refletiu sobre aqueles que, quebrando a comunhão, se sentem donos da verdade, que promovem guetos mais do que abertura. Igualmente, na carta se reconhece a figura de “um pastor próximo de quem é pequeno e de quem é descartado” e de uma Igreja pobre para os pobres. Um Papa que “se faz grande por estar com os pequenos.” Igualmente, recordou em Francisco, “o incansável grito pela paz, por uma nova ordem mundial”, um Papa que “nunca teve receio, nunca teve medos, nunca teve censuras que não lhe permitissem dizer a verdade com afeição, mas uma verdade que nos convidava a um novo jeito de viver a partir das relações entre as nações e a partir da relação entre cada homem e cada mulher”. Um Papa que apelava a todos aqueles que no mundo têm responsabilidades políticas, “para que não cedam a lógica do medo, uma lógica que nos fecha, mas usem todos os recursos disponíveis para ajudar os necessitados, para combater a fome, para promover iniciativas que favoreçam o desenvolvimento.” Peregrino nas periferias Um Papa da esperança, “o pastor com cheiro das ovelhas, que peregrinou nas periferias do mundo, nos precede agora como o grande peregrino da esperança”, que quase incapacitado de caminhar, abriu as portas santas, definindo seu pontificado como de abertura de portas, de acolhida. Dom Zenildo Lima refletiu sobre a esperança, “uma esperança de quem se compromete. Não se trata de uma esperança alienante, alienada, mas uma esperança responsável, estabilizadora.” Igualmente se referiu à misericórdia, lembrando essa presença em seu brasão: Miserando atque eligendo (Com misericórdia o elegeu). No Papa Francisco, o bispo auxiliar sublinhou sua simplicidade e sua cosmovisão extraordinária, que se especifica em sua compreensão da ecologia integral, algo que “o aproximou tanto de nós e das nossas terras”, colocando como principal exemplo disso o Sínodo para a Amazônia e a Querida Amazônia, afirmando que “nós, de certo modo, fomos acolhidos nos sonhos do Papa. Ele sonhou conosco, com a nossa vida, com a nossa terra, com a nossa gente, com uma Amazônia capaz de cuidados. Ele sonhou conosco, com a nossa cultura, com as nossas diversidades. Ele sonhou conosco, com a riqueza deste chão, com seus biomas, fauna, flora, seus recursos hídricos, seus povos, suas populações originárias. Sonhou conosco, Igreja da Amazônia, Igreja com rosto amazônico, e se a gente costuma dizer que na morte as pessoas vivem a experiência do sono eterno.” Francisco uma inspiração Daí, o bispo fez um chamado a que nós continuemos nos sonhos do Papa Francisco, a encontrar nele uma inspiração e com ele querer a vida para todos, todos, todos. Ideias que dom Zenildo Lima vê nas últimas alocuções do Papa Francisco, que chamava a derrubar as barreiras que criam divisões, que acarretam consequências políticas e econômicas nefastas, a cuidar uns dos outros, aumentar a solidariedade, a trabalhar em prol do desenvolvimento humano integral de cada pessoa humana. Um Papa que iniciou seu pontificado com um novo modo de se comunicar, a quem a Igreja de Manaus agradece por seu pontificado. Dele recordaremos, mais do que os seus gestos, as suas palavras, o seu sorriso, o seu humor, “o seu…
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Diocese de Borba celebra a páscoa do Sumo Pontífice, Papa Francisco

Nesta oitava de Páscoa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja foi surpreendida com a notícia do falecimento do Sumo Pontífice, o amado Papa Francisco. Ele que a partir do Sínodo para a Amazônia, exortou a urgência em vivermos a sinodalidade e a missionariedade apostólica. Muitos foram os atributos pastorício do sucessor do Pedro, o legado da alegria, o legado do amor e da proximidade, bem como, impulsionar a comunidade eclesial por uma Igreja com o rosto amazônico e a convocação de uma igreja pobre para os pobres.  A celebração que reuniu fiéis da Diocese de Borba aconteceu nesta noite do dia 21 de abril de 2025 na Basílica de Santo Antônio, presidida pelo Bispo diocesano Dom Zenildo Luiz Pereira da SilvaC.Ss.R, que pontuou a gratidão ao pontificado do Papa Francisco que o nomeou como Bispo coadjutor da então prelazia de Borba, em 2016. Assim como em 20 de setembro de 2017, ele o nomeou  a Bispo titular da Prelazia e em 18 de novembro de 2022 por meio da Bula Pontifícia, o Sumo Pontífice elevou a prelazia à condição de diocese e Dom Zenildo tornou-se o primeiro Bispo diocesano de Borba.  O angélico Pastor escolheu a oitava de páscoa, com o túmulo vazio para fazer sua passagem à morada celestial, com a prerrogativa de que a vida venceu a morte, pois Cristo, o Senhor ressuscitou, o Cordeiro imolado vive e está em nosso meio.  O Bispo diocesano afirmou que “a vida e a missão do Papa Francisco ecoaram um sacrifício de louvor, iniciando com a misericórdia, até o chamamento para a paz”.  Roguemos a Deus que a exemplo de Bergoglio, que escolheu ser “Francisco”, “o rosto da misericórdia”, possamos seguir firmes no propósito de evangelizar com amor, benevolência, caridade e alegria.  Que a Igreja de Deus siga peregrina e inabalável, aguardando o seu “Novo Pescador”.  Diocese de Borba  

Igreja do Rio Negro reza por Francisco, “o Papa que ficou mais perto de nós”

A Igreja do Rio Negro se reuniu na manhã desta segunda-feira da Oitava da Páscoa para elevar uma prece a Deus na gratidão pela vida e ministério do Papa Francisco. Os religiosos e religiosas presentes na sede de diocese de São Gabriel da Cachoeira, bem como os vocacionados, com a presença do bispo, dom Raimundo Vanthuy Neto, mais ou menos umas 60 pessoas, cantaram o ofício, lembrando de modo especial o Salmo do Bom Pastor, onde boa parte dos presentes fizeram uma bela memória do Papa Francisco. Todo discípulo chamado a ser pequeno Dom Vanthuy definiu Francisco como “o Papa que nos ajudou a redescobrir a alegria do Evangelho, e a alegria como mistério e como dom da missão.” Do Papa, o bispo destacou o fato de que se deixou beijar e beijou muitas crianças, sua predileção para que as crianças pudessem se aproximar dele. Igualmente, o chamado a que “todo discípulo é chamado de ser pequeno. Todo discípulo, de uma certa forma, é como criança ainda no conhecimento e na adesão ao amor de Jesus Cristo.” Segundo dom Vanthuy, na oração foi lembrado que Francisco foi o Papa que mais pediu às pessoas para rezar por ele. Para o bispo de São Gabriel da Cachoeira, isso significa que “todo ministério a serviço da Igreja é uma comunhão também com os outros, que participam de modo especial nesse caminho da oração”, afirmando que “o Papa que nós rezávamos por ele e que agora com certeza vai rezar por nós no céu.” O cocar do Papa O bispo disse que “outra imagem muito bonita é o Papa que se aproximou muito da Igreja do Rio Negro, da Amazônia. Seja pela experiência do Sínodo, seja porque um dos presentes da última visita Ad limina, foi o cocar levado pelo bispo do Rio Negro, Dom Edson, para o Papa. Quando ele mesmo disse na brincadeira, essa parece uma mitra, mas não é possível chegar na praça de São Pedro com ela.” Algo que tocou profundamente e emocionou os presentes, pois foi um cocar feito no Rio Negro para um Papa que sempre próximos com as causas dos povos indígenas, algo que ele mostrou na canonização de São José Allamano. Dom Vanthuy destacou a imagem do Papa que “se faz irmão da ecologia, o Papa que ficou mais perto de nós. Essa região tão preservada, mas ao mesmo tempo que tem tanto medo diante das ameaças.” Ele recordou que será celebrada uma missa às 18 horas, momento quem as igrejas do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil foram convocadas a tocar os sinos das paróquias e comunidades. A Igreja de São Gabriel da Cachoeira irá celebrar o sétimo dia de Papa Francisco “como um sinal onde todas as paróquias vão experimentar celebrar com o povo de Deus”, encerrou o bispo.