Cardeal Steiner: trilhar o “caminho das bem-aventuranças, a realização, a uma vida de plenitude”
No o 4º domingo do Tempo Comum, 1º de fevereiro, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), presidiu a celebração das 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. A Liturgia do dia recordou as bem-aventuranças ensinadas por Jesus às multidões que o procuravam para ouvi-lo. Em sua homilia o cardeal explicou que o Evangelho mostra o convite de Jesus para trilhar o “caminho das bem-aventuranças, a realização, a uma vida de plenitude”. “Bem-aventurados, bem-aventuradas, porque chamados a viver o Reino de Deus, de sermos com Jesus, pobres em espírito, consolados, mansos herdando a terra da mansidão e da bondade, com fome e sede de justiça, misericordiosos, puros de coração, provedores da paz, filhos de Deus, herdeiros do Reino de dos Céus, tomados pela grandeza de sermos seguidores e seguidoras de Jesus, no Reino de Deus”, disse o cardeal Steiner. Somos chamados por Deus O arcebispo destacou a que na primeira leitura, o profeta Sofonias diz que “somos chamados à vida de justiça e humildade”. Esse convite conduz a buscar proteção de Deus como “um povo pobre e humilde, que busca refúgio no Senhor”, mas também convida a uma “conversão e aceitar as riquezas de Deus”. Na segunda leitura, cardeal Steiner recordou que São Paulo aponta para um “despertar e acordar”. “É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção”, destacou Steiner. Esse horizonte apresentado por Paulo coloca que “quem se gloria deve gloriar-se no Senhor. Considerai vós mesmos, irmãos, como fostes chamados por Deus”, onde o cardeal indagou aos presentes a refletirem a que foram chamados. As bem-aventuranças definem o nosso modo de viver A seguir, o trecho da Homilia do Cardeal Leonardo Steiner: Jesus, rodeado por uma multidão, se dirige aos seus discípulos. Ensina que as Bem-aventuranças definem nosso modo de viver. Sermos discípulos, discípulas, de Jesus é o caminho dos bem-aventurados, bem-aventuradas. Na bem-aventurança somos convidados a perseverar, caminhar, ousar fidelidade, não olhar para trás quando na aflição, na pobreza, na fome, na perseguição, no desconsolo, na injustiça. Perseverar, caminhantes, semeando a paz, espargindo misericórdia, habitando a mansidão, movendo os pés e o coração quando os olhos já não enxergam mais a Deus, ofuscados pela violência e o desespero.Bem-aventurados vós, pobres. Papa Francisco nos ensinava que Jesus diz duas coisas sobre os seus: que são bem-aventurados e que são pobres; aliás, que são bem-aventurados porque são pobres. Em que sentido? No sentido em que o discípulo, a discípula de Jesus não encontram a sua alegria no dinheiro, no poder nem sequer noutros bens materiais, mas nos dons que recebe todos os dias de Deus: vida, criação, irmãos e irmãs, a natureza, o sol, chuva, os lírios do campo. Mas também que recebe dos irmãos e das irmãs: bondade, solidariedade, incentivo, perdão. São as dádivas que fortalecem os passos, fazem perseverar no caminho. Mas também, os bens que possui. A felicidade de partilhar, porque vive na lógica da bondade e do amor de Deus. E qual é a lógica de Deus? A gratuidade. Os discípulos aprendem a viver na gratuidade. Esta pobreza é também uma atitude em relação ao sentido da vida, porque o discípulo de Jesus não pensa que a possui, que já sabe tudo, mas sabe que deve aprender todos os dias, que é a vida que o possui e alimenta. E esta é a pobreza: a consciência de ter de aprender todos os dias. “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”. A aflição de fazer o bem, de espargir a cordialidade, uma aflição casta e sadia! Uma aflição no cuidado com os necessitados, os desvalidos.“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra”. Os mansos que realmente a habitam, moram, pois sem destruição, sem violência. A mansidão própria dos filhos e filhas de Deus. Não responde à violência com violência ainda maior, a agressão com a morte. Os mansos têm o modo da espera de Deus. Tudo na correspondência de um amor, de fraternidade universal. “Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados”. Aquela fome de todos receberem e viverem na justiça, na equidade, na dignidade de filhas e filhos de Deus. Uma fome e sede de despertar a todos para o bem, a verdade, a bondade, a mansidão, para o perdão, para o diálogo, para a cordialidade. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. Um coração cheio de comiseração, compaixão, proximidade, conforto esperançado. Uma pessoa que transpira o modo de ser de Deus que é misericórdia e compaixão.“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”. Límpidos, transparentes, não sem mancha, sem pecados, mas água límpida que deixa ver o fundo de nós mesmos assim como somos. Porque diante de Deus somos o que somos, não podemos mentir. E naquilo que somos e somos, deixamo-nos nos transformar por Ele.“Bem-aventurados os que provem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. Os que semeiam no meio da violência, da guerra, da morte, a fraternidade, a justiça, a misericórdia, a dignidade. Uma pessoa cultivadora da vida, cuidadora da vida capaz de aproximar as pessoas nos conflitos, permanecendo no diálogo mesmo na tensão e na discórdia.“Bem-aventurados os que são perseguidos, por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus”. O reino dos Céus é dos justos, dos equânimes, dos cultivadores do amor gratuito, mesmo quando perseguidos e caluniados. Permanecer na fidelidade do Evangelho, sem amarras, na liberdade dos filhos e filhas de Deus.“Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim”. Tudo por causa da beleza do Reino de Deus do qual fomos recebidos e do qual vivemos. A vida de Jesus. Jesus crucificado-ressuscitado.Felizes, Bem-aventurados! “Felizes os que tem espírito de pobre”, os que sabem viver com pouco, com o suficiente, como o que concede dignidade, confiando sempre em Deus. Felizes as comunidades eclesiais com a força e alma de pobre, porque estará atenta e a serviço dos necessitados…
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