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Apresentada Dilexit nos: “A chave para interpretar todo o Magistério deste Papa”

A quarta encíclica do Papa Francisco foi publicada e apresentada em 24 de outubro na Sala Stampa do Vaticano pelo Arcebispo Bruno Forte e pela Irmã Antonella Fraccaro. De acordo com o arcebispo italiano, a encíclica “nasce da experiência espiritual do Papa Francisco, que sente o drama do enorme sofrimento causado pelas guerras e pelos muitos atos de violência em curso, e quer estar perto daqueles que sofrem, propondo a mensagem do amor divino que vem para nos salvar”. Um resumo dos pensamentos de Francisco Nas palavras de Forte, a encíclica “oferece a chave para interpretar todo o Magistério deste Papa” e, junto com isso, “uma espécie de compêndio do que o Papa Francisco quis e quer dizer a cada irmão ou irmã na humanidade: Deus o ama e lhe mostrou isso da maneira mais luminosa na história de Jesus de Nazaré; olhando para Ele, você saberá que é amado desde sempre e para sempre e poderá reconhecer os dons com os quais o Pai quis enriquecê-lo; seguindo-O, você poderá discernir a maneira de gastá-los com amor onde quer que, em Seu Espírito, Ele queira conduzi-lo”. O milagre social da construção em nós e conosco A religiosa prosseguiu detalhando alguns dos elementos presentes no documento pontifício, mostrando que nosso coração “unido ao de Cristo é capaz desse milagre social” de construir conosco e entre nós, “neste mundo, o Reino do amor e da justiça”. A partir daí, ela pediu que “caminhemos juntos com a força da esperança, que o Coração de Jesus nos dá todos os dias em nossa vida fraterna cotidiana”. Uma devoção que se torna carne A devoção ao Sagrado Coração tem sido criticada ao longo da história como “uma devoção intimista, que quase nos abstrai do compromisso histórico”, reconheceu Bruno Forte. Em contrapartida, ele destacou que “um dos aspectos mais importantes dessa encíclica é que o Papa Francisco mostra justamente o contrário, longe de ser intimista, a devoção ao Sagrado Coração nos leva a experimentar o amor revelado de Cristo, que se torna história, carne ao lado dos pobres, dos últimos, dos esquecidos”. Nesse sentido, ele ressaltou que a encíclica “vai além do intimismo, e isso me parece ser muito forte na mensagem do Papa Francisco. É um manancial, uma fonte viva da qual brota esse serviço”. A proposta do Papa Francisco nesse texto “nos revela a fonte profunda de todo o seu Magistério, de toda a sua vida”. Nessa perspectiva, falar de uma mudança de paradigma em relação à devoção ao Sagrado Coração, “tem a ver com a mudança daqueles que haviam interpretado a devoção ao Sagrado Coração antes do Magistério do Papa Francisco, que está presente em todos os seus textos”, sendo o amor a Cristo o que o motiva. Nas palavras do arcebispo, é isso que a Igreja quer lembrar ao mundo, esse amor que dá sentido, que inspira, que motiva e nos ajuda a compreender e enfrentar os desafios com confiança em Deus e com a capacidade de perdoar, mesmo aqueles que nos ferem”. A experiência do Coração de Jesus nos unifica “Essa encíclica nos ajuda a recuperar o que está no centro da experiência cristã, porque o coração unifica, eu sou o meu coração”, disse a Irmã Antonella Fraccaro. Diante da fragmentação em que vivemos, diante das relações sociais que nos levam a viver em várias frentes, ela ressaltou “a experiência do Coração de Jesus, que nos unifica, uma experiência de caridade, uma experiência de relações, de culturas diferentes, de condições diferentes, até mesmo de condições sociais”, Fraccaro afirmou que “esta encíclica nos ajuda a recuperar o centro”. Algo que, segundo a religiosa, “é muito bom para nós, cristãos e cristãs, que precisamos recuperar a unidade entre nós, que infelizmente estamos nos fragmentando, desenvolvendo o individualismo, por isso precisamos recuperar o valor dos relacionamentos, de estar juntos, de caminhar juntos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

“Dilexit nos”: O Coração de Jesus caminho para ir ao seu “paizinho”, ao seu “Abbá”, aos irmãos e irmãs

Uma reflexão sobre o amor, que flui do coração, dos gestos e das palavras, do coração que tanto amou. Um amor que dá de beber, que é amor por amor. A quarta encíclica do Papa Francisco nos leva à parte mais íntima de Deus, ao coração do Filho Amado, àquilo que articula o Deus Trinitário, o amor divino e humano, pois acreditamos em um Deus cuja atitude fundamental é doar-se. Recuperando a importância do coração Um amor que nos entusiasma a ponto de não querermos nos separar dele, que vem de alguém que toma a iniciativa de nos amar incondicionalmente. A encíclica Dilexit nos (Ele nos amou) (VER AQUI), tem como ponto de partida a dimensão humana, afirmando que “é necessário recuperar a importância do coração”, cujo significado é analisado a partir de diferentes perspectivas: o centro do ser humano, o mais profundo, o lugar da sinceridade, alertando contra a superficialidade que o esconde e as mentiras, porque o coração deve ser o lugar das questões decisivas, ainda mais na sociedade líquida de hoje. Francisco afirma que “em última análise, poder-se-ia dizer que eu sou o meu coração, porque é ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me põe em comunhão com as outras pessoas”, que me leva a “conhecer melhor e mais plenamente”. Diante da fragmentação do individualismo, o coração une, nos abre aos outros, nos doa, unifica e harmoniza nossas vidas, mantém o que a inteligência artificial não consegue captar. É um lugar de afeto, também espiritual, que nos coloca “numa atitude de reverência e obediência amorosa ao Senhor”. É um espaço a partir do qual o mundo pode mudar, pois “levar o coração a sério tem consequências sociais”, o que fará do coração a coisa mais importante e necessária diante das guerras, dos desequilíbrios socioeconômicos, do consumismo e do uso anti-humano da tecnologia. O núcleo vivo da primeira proclamação O coração é visto pelo Papa como “o núcleo vivo do primeiro anúncio”, a origem da fé e a fonte das convicções cristãs. Ele se expressa em gestos, a exemplo de Jesus, “está sempre à procura, sempre próximo, sempre aberto ao encontro”, quer iluminar a existência, inclusive a tua. Um coração que nos leva a olhar com atenção, a descobrir as preocupações e os sofrimentos dos outros, que nos fala interiormente, expressando sentimentos profundos, além de algo superficial, do puro sentimento ou alienação espiritual, pois é na cruz que ele encontra sua expressão mais plena. Além das imagens, o texto nos chama a adorar o Coração vivo de Cristo. Nessa imagem, que não é mais do que uma figura motivadora, o coração aparece como “um centro íntimo que gera unidade e, ao mesmo tempo, como expressão da totalidade da pessoa”, uma imagem que “nos fala de carne humana”. De fato, o coração, “o centro mais íntimo da nossa pessoa, criado para o amor, só realizará o projeto de Deus enquanto amar”. No caso de Jesus, esse amor é humano, divino e infinito, é um coração que, movido por uma perspectiva trinitária, é o caminho para ir ao Pai, ao seu “paizinho”, ao seu “Abbá”. Não nos esqueçamos de que, “perante o Coração de Cristo, é possível voltar à síntese encarnada do Evangelho” e viver “na infinita misericórdia de um Deus que ama sem limites e que deu tudo na Cruz de Jesus”. Um relacionamento pessoal de amor no qual os mistérios da vida são iluminados Um amor que dá de beber ao seu povo, como aparece repetidamente na Bíblia e se concretiza na história da Igreja por meio da vida dos santos, transformando suas vidas, “numa relação pessoal de amor, na qual se iluminam os mistérios da vida”, como o texto nos conta a partir da experiência de São Francisco de Sales, que “face a uma moral rigorista ou a uma religiosidade de mero cumprimento de obrigações, o Coração de Cristo lhe aparece como um apelo à plena confiança na ação misteriosa da sua graça”. O texto analisa a vida de um bom número de santos, mostrando os vários aspectos que a devoção ao Coração de Cristo produziu em sua jornada espiritual. Uma relação que levou a contemplar o coração como a fonte que levou tantos homens e mulheres a serem testemunhas de consolação. Nesse progressivo crescimento no amor que a encíclica contém, o último capítulo é o ponto alto, pois convida-nos a “procurar aprofundar a dimensão comunitária, social e missionária de toda a autêntica devoção ao Coração de Cristo”, já que “o Coração de Cristo, ao mesmo tempo que nos conduz ao Pai, envia-nos aos irmãos. Nos frutos de serviço, fraternidade e missão que o Coração de Cristo produz através de nós, cumpre-se a vontade do Pai”, a ponto de ver nisso a maneira pela qual se fecha o círculo: “Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto” (Jo 15,8). “O pedido de Jesus é o amor”, nos diz Francisco, e isso deve levar a “prolongar o seu amor nos irmãos”, da mesma forma que os primeiros cristãos reconheciam os pobres, os estrangeiros e tantos outros descartados pelo Império Romano, os últimos da sociedade. A história da Espiritualidade nos mostra essa dinâmica, esse “ser fonte para os outros”, essa união entre “fraternidade e mística”. Nesse sentido, falando de reparação, uma dinâmica nascida da devoção ao Sagrado Coração, o texto nos convida a construir sobre as ruínas, a reparar os corações feridos, a descobrir a beleza de pedir perdão, porque “não se deve pensar que reconhecer o próprio pecado perante os outros seja algo degradante ou prejudicial para a nossa dignidade humana”. Apaixonar o mundo a partir da proposta cristã Nessa dinâmica de reparação, a encíclica nos adverte que “a nossa cooperação pode permitir que o poder e o amor de Deus se difundam nas nossas vidas e no mundo, e a rejeição ou a indiferença podem impedi-lo”, chamando-nos a descobrir que “as renúncias e os sofrimentos exigidos por estes atos de amor ao próximo unem-nos…
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Assembleia Sinodal elege 12 membros do Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo

Conforme relatado pela Secretaria Geral do Sínodo através da Sala Stampa do Vaticano, na última Congregação Geral antes da leitura e aprovação do Documento Final, que ocorrerá neste sábado, 26 de outubro, foram eleitos os novos membros do Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo. 12 dos 17 membros eleitos A nova composição introduz algumas mudanças por indicação do Papa Francisco, elevando o número para 17, dos quais foram eleitos 12 bispos, distribuídos da seguinte forma: um das Igrejas Católicas Orientais, Sua Beatitude Rev. Youssef Absi, Patriarca de Antioquia dos Greco-Melquitas, Chefe do Sínodo da Igreja Católica Greco-Melquita; um da Oceania, o Arcebispo Timothy John Costeloe, Arcebispo de Perth (Austrália); dois da América do Norte, o Bispo Daniel Ernest Flores, Bispo de Brownsville (Estados Unidos da América), e o Bispo Alain Faubert, Bispo de Valleyfield (Canadá). Dois também estão representados da América Latina, o Arcebispo de Bogotá (Colômbia), Cardeal Luis José Rueda, e o Arcebispo de Maracaibo (Venezuela), Dom José Luis Azuaje; a Europa será representada pelo Arcebispo de Marselha (França), Cardeal Jean-Marc Avelline, e pelo Arcebispo de Vilnius (Lituânia), Dom Gintaras Grusas. A África será representada pelo Cardeal Dieudonné Nzapalainga, Arcebispo de Bangui (República Centro-Africana), e pelo Arcebispo Andrew Fuanya Nkea, Arcebispo de Bamenda (Camarões), os dois únicos que repetem do anterior conselho. A Ásia será representada pelo Cardeal Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, Arcebispo de Goa e Damão (Índia), e pelo Bispo Pablo Virgilio S. Dadid, Bispo de Kalookan (Filipinas). Responsável pela preparação e realização da Assembleia Sinodal Como o comunicado nos lembra, a eles se juntarão quatro membros nomeados pelo pontífice e, no devido tempo, o chefe do Dicastério da Cúria Romana encarregado do tema do próximo Sínodo. Esse conselho “é responsável pela preparação e implementação da Assembleia Geral Ordinária”, de acordo com a Episcopalis Communio. Eles assumem o cargo no final da Assembleia Geral Ordinária que os elegeu e deixam de exercer o cargo quando ela é dissolvida. O Conselho, presidido pelo Santo Padre, é parte integrante da Secretaria Geral. O texto também afirma que “o novo Conselho Ordinário desempenhará um papel fundamental tanto na implementação deste processo sinodal sobre sinodalidade quanto na preparação do próximo Sínodo”. O Secretário do Sínodo, Cardeal Mario Grech, desejou-lhes sucesso em seu trabalho e agradeceu aos membros que estão deixando o cargo por sua valiosa colaboração na realização do atual processo sinodal. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Sínodo: Reconfigurar a Igreja para otimizar as condições de trabalho

A última coletiva de imprensa em que foram apresentados os trabalhos da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, antes daquela que será usada para apresentar o Documento Final no final do sábado, 26 de outubro, trouxe para a Sala Stampa o que foi vivido nas últimas horas, nas quais, como lembrou a secretária da Comissão para a Comunicação, Sheila Pires, o trabalho continuou em vista das emendas ao rascunho do Documento Final, que será lido e votado no sábado, e que já foram entregues, tanto coletivas quanto individuais, à Secretaria do Sínodo. Papa Francisco pede aos jovens que caminhem O Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, também apresentou a composição e o papel do Conselho Ordinário do Sínodo. O prefeito se referiu a um comunicado enviado aos jornalistas no qual o padre Timothy Radcliffe se posicionou sobre uma controvérsia que havia surgido durante a coletiva de imprensa do dia anterior, esclarecendo sua posição e agradecendo ao cardeal Ambongo por sua defesa. Os presentes na Sala Stampa assistiram a um vídeo do Papa Francisco dirigindo-se aos jovens, no qual ele lhes disse que “uma das coisas mais importantes é caminhar, quando um jovem caminha tudo vai bem”, o que ele comparou à água, que quando estagna se corrompe, algo que ele aplicou aos jovens. Por isso, ele os convidou a “caminhar sempre, com coragem e alegria”. Também foi informado que o Papa entregou aos participantes da Assembleia Sinodal o livro de Luis Miguel Castillo Gualda sobre Santo Agostinho e sua concepção do bispo no povo de Deus, um tema muito abordado neste processo sinodal. Autoridade e função do bispo A autoridade e o papel do bispo na diocese e a seleção dos bispos foi tema de debate no Sínodo, de acordo com o prefeito do Dicastério dos Bispos, Cardeal Robert Francis Prevost, que falou sobre o papel do núncio na identificação dos candidatos ao episcopado. A Assembleia Sinodal questionou como conduzir um processo de busca de candidatos mais sinodal, aberto e participativo. Essa é uma orientação que os núncios recebem, de acordo com o cardeal, que insistiu que os bispos não são apenas administradores, eles têm que ser pastores que caminham com o povo de Deus, caminhando juntos, com alegria. Mas também, os bispos são chamados a serem juízes em vários assuntos relacionados à disciplina, dando origem a uma tensão entre ser pastor e juiz, o que faz parte do papel dos bispos. “A única autoridade que temos como bispos é a do serviço”, disse o prefeito, lembrando as palavras do Papa Francisco. Um chamado para passar do poder ao serviço, para criar órgãos consultivos, para trabalhar em conjunto para alcançar o maior número de fiéis. É necessário que os bispos conheçam seu rebanho, encontrem tempo para se encontrar com as pessoas e ouvir suas preocupações, formas de ir ao encontro das pessoas que estão à margem, para convidá-las a entrar na Igreja, todos, todos, todos, porque “a Igreja está aberta a todos, temos que ampliar nossa tenda, para que as pessoas saibam que todos são bem-vindos e bem-vindas”, que “todos são convidados a fazer parte da comunidade da Igreja”. Questões canônicas sobre sinodalidade Myriam Wijlens comparou o atual processo sinodal com o fato de reiniciar um computador, o sistema é reconfigurado para otimizar as condições de trabalho. Esse é o convite do Papa Francisco, sob a orientação do Espírito Santo, para otimizar sua tarefa missionária. Inspirada pelo Concílio Vaticano II, a Igreja está refletindo sobre como os vários membros do Povo de Deus, levando em conta diferentes elementos, podem discernir melhor, juntos como a missão confiada à Igreja pode ser mais credível e eficaz, disse a canonista, que destacou como única a participação de todos desde o início. Um processo que precisa de normas canônicas, segundo a professora da Universidade de Erfurt (Alemanha), enfatizando alguns aspectos, como a necessidade de conferências eclesiais que levem a um discernimento de todo o Povo de Deus, a natureza obrigatória dos conselhos, bem como estruturas permanentes em nível de províncias eclesiásticas e em nível continental. Ele também se referiu à responsabilidade e à transparência em relação a abusos de todos os tipos, que levaram a uma falta de confiança, e ao planejamento pastoral e aos métodos de evangelização. Procedimentos apropriados precisam ser implementados para isso. Autoridade doutrinária das conferências episcopais Sobre a autoridade doutrinária das conferências episcopais, Gilles Routhier fez uma revisão histórica, falando da necessidade de um debate em todas as direções. A esse respeito, o teólogo canadense esclareceu que isso não significa que cada conferência episcopal tenha autoridade absoluta, mas apenas com limitações, em comunhão com a Igreja, enfatizando que “a conferência episcopal não é autônoma, ela tem que estar em coerência com as outras conferências e com a Sé de Pedro”. Isso porque não se trata de uma fragmentação da Igreja, mas de ensinar a fé comum de uma forma autêntica, que não permanece em um nível abstrato, mas que responde às necessidades de um povo em particular e ajuda a oferecer uma posição adequada. A riqueza da diversidade da Igreja universal Por fim, Khalil Alwan destacou que, pela primeira vez, uma Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos convida participantes não-bispos como membros plenos, uma novidade muito apreciada pelos leigos, o que permitiu que ela fosse a melhor expressão do sensus fidei da Igreja universal. O sacerdote maronita contou sobre a especificidade das Igrejas Católicas Orientais e que elas estão em plena comunhão com o Bispo de Roma. Ele especificou os países de onde eles vêm, “para trazer as preocupações de nossas igrejas que estão sofrendo por causa da tragédia das guerras e da hemorragia dos migrantes”. Ele também enfatizou na Assembleia a riqueza da diversidade da Igreja universal, que leva a tecer relacionamentos e construir pontes de diálogo para promover a compreensão mútua e buscar o bem comum, destacando os gestos do Papa Francisco neste momento, que gerou esperança. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB 

Encontro no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral leva a Roma a voz dos Yanomami, das periferias

A canonização de São José Allamano, fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata, juntamente com a celebração da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, tornou possível que a voz da Amazônia e de seus povos, a voz das periferias, estivesse presente em várias instituições italianas e vaticanas. O apoio do Papa aos Yanomami Uma dessas reuniões aconteceu no Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, onde a voz da Terra Indígena Yanomami foi levada por um de seus líderes, Julio Ye’kwana. Foi nesse território, na Missão Catrimani, onde os Missionários e as Missionárias da Consolata estão presentes desde 1965, que aconteceu o milagre que levou a Igreja Católica a reconhecer a santidade de São José Allamano em 20 de outubro de 2024, Dia Mundial das Missões. No final das canonizações, o Papa Francisco disse: “O testemunho de São José Allamano nos lembra da necessidade de cuidar das populações mais frágeis e vulneráveis. Penso em particular no povo Yanomami da floresta amazônica brasileira, entre cujos membros ocorreu o milagre ligado à canonização de hoje. Faço um apelo às autoridades políticas e civis para que garantam a proteção desses povos e de seus direitos fundamentais e contra qualquer forma de exploração de sua dignidade e de seus territórios”. Tornar conhecido o sofrimento desses e de outros povos, dentro e fora do Brasil, é o caminho para que sua dignidade seja reconhecida e respeitada. Grave crise na Terra Indígena Yanomami Os Yanomami vêm sofrendo, especialmente desde 2019, com a precariedade de suas condições de vida, o que levou à morte por causas evitáveis de mais de 500 crianças com menos de 4 anos de idade. Tudo isso é consequência do garimpo ilegal, que desmatou a floresta, poluiu os rios com mercúrio, aumentou as doenças e levou a fome ao território, o que foi confirmado de várias maneiras. Situações que levaram o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral a apoiar e acompanhar os povos indígenas na defesa de sua cultura, língua e saúde, algo em que sempre contaram com o apoio do Santo Padre. O Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral está empenhado em levar a Roma a voz dos povos indígenas, dos migrantes, das periferias. Eles estão presentes nos territórios para escutar os clamores do povo, algo que consideram um presente e um processo a ser continuado. Não se pode ignorar que a Igreja Católica tem uma forte influência na defesa dos direitos humanos em nível internacional. Isso é fortalecido quando esse trabalho é realizado em uma rede, em conjunto, por meio de alianças entre territórios e bispos, de forma sinodal. Por essa razão, o dicastério se oferece aos territórios como uma presença no território para influenciar, discernir e servir. Realidade da Terra Indígena Yanomami Os participantes da reunião ouviram de Julio Ye’kwana a realidade da Terra Indígena Yanomami, demarcada em 1992, onde vivem 33.000 indígenas em 350 comunidades. É um território que atravessa as fronteiras entre Brasil e Venezuela, pois para os indígenas não há fronteiras. A situação é dramática devido ao garimpo ilegal, que tem ferido a terra e os povos indígenas, que estão sendo constantemente corrompidos. Soma-se a isso o fato de que, no Brasil, os povos indígenas sofrem com a ameaça do Marco Temporal, claramente inconstitucional, que os mobilizou em uma luta contra. O Pe. Corrado Dalmonego, missionário e antropólogo da Consolata, que viveu por muitos anos entre os Yanomami na Missão Catrimani tem realizado um trabalho de pesquisa e desenvolvimento. Ele reconhece a redução da presença de garimpeiros e vê a necessidade de reativar as bases da proteção etno-ambiental. Denuncia também que a mortalidade infantil e a desnutrição, embora reduzidas, continuam, pois falta capilaridade e regularidade nos serviços de saúde. Ressalta ainda que, uma vez que a terra e os rios estejam contaminados pelo mercúrio, não será possível retornar ao território, pois a população sofrerá problemas neurológicos. O missionário entregou material sobre os Yanomami aos membros do Dicastério, solicitando que encontrassem canais para rastrear o ouro que sai da Terra Yanomami para vários países. O trabalho do CIMI Diante da situação dos povos indígenas, a Igreja no Brasil criou o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), como lembrou o arcebispo de Porto Velho e ex-presidente do CIMI, Dom Roque Paloschi. Dessa forma, ele destacou o trabalho de Dom Erwin Kräutler e de Dom Luciano Mendes de Almeida para que a Constituição Brasileira de 1988 reconhecesse os direitos indígenas. Da mesma forma, o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas que o CIMI produz todos os anos.  O bispo, que já pastoreou a Igreja de Roraima, definiu a Missão Catrimani como resultado do Concílio Vaticano. Do Dicastério, seu prefeito, o cardeal Michael Czerny, insistiu que sua missão é “acompanhar e ajudar se necessário”, questionando como podem ajudar e pedindo que sejam mantidos informados sobre o trabalho que está sendo realizado na Amazônia e, assim, compartilhar essas boas práticas. Os povos indígenas estão organizados Nesse sentido, o Arcebispo de Manaus e Presidente do CIMI, Cardeal Leonardo Steiner, refletiu sobre a preocupação de todos os governos com sua imagem, algo que não aconteceu com o governo brasileiro anterior. Em seu discurso, ressaltou a importância das palavras do Papa no Angelus em apoio aos Yanomami, como algo importante para os povos indígenas, pois repercutem em todo o mundo.  O Cardeal Steiner agradeceu ao Dicastério por seu apoio e pediu apoio contínuo em termos de cultura, língua e saúde, enfatizando que “sempre contamos com o apoio do Santo Padre”. Ele também enfatizou que os povos indígenas estão bem organizados: com advogados, enfermeiros, criando consciência de seus direitos. Um grande desafio, porque “existe a possibilidade de que os povos desapareçam”, especialmente por causa do mercúrio. A Ir. Sofia Quintans Bouzada agradeceu ao Dicastério por “levar a Roma a voz dos povos indígenas, dos migrantes, das periferias”, convidando seus membros a irem aos territórios, escutar os clamores e levar seus sentimentos a Roma.  Ela reafirmou as palavras sobre a influência da Igreja Católica em termos de direitos humanos em nível…
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Imagem de Nossa Senhora da Amazônia entregue ao Papa Francisco expressa gratidão pelo seu carinho

A Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade conta com a participação de dois representantes da Amazônia brasileira, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, que é membro do Sínodo, eleito pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e o jesuíta nascido em Manaus, padre Adelson Araújo dos Santos, professor da Universidade Gregoriana de Roma, que é um dos facilitadores. Papa Francisco envia uma benção à Igreja da Amazônia Em um dos intervalos da assembleia, os dois entregaram ao Papa Francisco uma imagem de Nossa Senhora da Amazônia, enviada por uma comunidade de Manaus que a tem como padroeira. A imagem revela os traços caboclos e indígenas próprios do povo da Amazônia, segundo explicou a Santo Padre o cardeal Steiner, agradecendo-lhe em nome de todos os católicos da Amazônia pelo apoio, pelo amor, pelo carinho que ele tem pela região amazônica. Um presente que o Papa Francisco agradeceu enviando uma benção para a comunidade que enviou a imagem e para todas as comunidades da Igreja da Amazônia. Esse carinho do Papa Francisco pela Amazônia e pelos povos que habitam a região é algo evidente. Ao longo do seu pontificado tem manifestado essa proximidade, uma atitude iniciada nos primeiros meses de seu papado. No encontro com o episcopado brasileiro com motivo da Jornada Mundial da Juventude de Rio de Janeiro em 2013, ele definiu a Amazônia “como teste decisivo, banco de prova para a Igreja e a sociedade brasileiras”. Uma presença diferente da Igreja na Amazônia Segundo o Papa, “a Igreja está na Amazônia, não como aqueles que têm as malas na mão para partir depois de terem explorado tudo o que puderam. Desde o início que a Igreja está presente na Amazônia com missionários, congregações religiosas, sacerdotes, leigos e bispos, e lá continua presente e determinante no futuro daquela área”. Naquela ocasião, Francisco chamou, inspirado no Documento de Aparecida, a “salvaguardar toda a criação que Deus confiou ao homem, não para que a explorasse rudemente, mas para que tornasse ela um jardim”. Igualmente, ele falou da importância de cuidar da formação do clero autóctone, em vista de consolidar o “rosto amazônico” da Igreja. Essas dinâmicas cobraram maior relevância com o decorrer do tempo, especialmente com o Sínodo para a Amazônia, que realizou sua Assembleia Sinodal cinco anos atrás, em outubro de 2019, e que muitos consideram de particular importância para o momento histórico que a Igreja está vivenciando no atual processo sinodal. De fato, o discurso do Papa ao episcopado brasileiro pode ser considerado um primer impulso para os passos dados ao longo dos mais de 11 anos de pontificado.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cada vez mais ameaçados, a Câmara dos Deputados da Itália escuta a voz dos indígenas da Amazônia

A Câmara dos Deputados da Itália acolheu nesta terça-feira 22 de outubro, com motivo da canonização de São José Allamano, um evento sobre os povos indígenas da Amazônia. O Papa Francisco, no final das canonizações deste domingo fez um chamado às autoridades a proteger o Povo Yanomami, uma mensagem que foi exibida no início do ato, sendo lembrada a preocupação do Papa Francisco pela Amazônia, algo presente em Querida Amazônia. Conscientizar a comunidade internacional O desafio é conscientizar o parlamento italiano e a comunidade internacional sobre a necessidade da proteção dos povos indígenas, uma questão além das religiões, segundo o deputado italiano Fábio Porta, organizador do encontro. Ele apresentou a realidade da Amazônia, falando da importância da COP 30, que será realizada em Belém do Pará em 2025, uma oportunidade para a humanidade se colocar na frente da Amazônia e seu papel nas mudanças climáticas. Ele denunciou o desrespeito dos direitos garantidos na Constituição Brasileira de 1988. Mesmo com um governo sensível, o interesse político e económico fala mais forte. Na Amazônia se morre pelo desmatamento e pela ação dos garimpeiros ilegais, lembrou Porta. Ele fez um chamado ao governo italiano sobre sua responsabilidade com relação ao ouro que sai da Amazônia e as graves consequências que provoca. No dia em que é celebrada a festa de São João Paulo II, ele lembrou suas palavras: “holocaustos conhecidos continuam ainda hoje na Amazônia”. Atenção do atual governo aos povos indígenas O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza, relatou a situação crítica, de total abandono, de fome e doença com o povo Yanomami, encontrada pelo atual governo, uma situação presente em outros povos indígenas. Diante disso foi criado o Ministério dos Povos Indígenas para enfrentar esse problema, para levar a letra da lei à realidade. O embaixador destacou a importância da participação da Igreja para ajudar o governo para dar aos povos a possibilidade de aceder a cidadania e à vida verdadeira, não ser um povo abandonado. Mosca de Souza destacou a importância do G20 de novembro a ser realizado no Rio de Janeiro, que irá abordar a luta contra a fome e a pobreza, um compromisso do Governo Lula, em um país que saiu em 2014 do mapa da fome da FAO e em 2024 tem 30 milhões de brasileiros que passam fome o sofrem insegurança alimentaria. Diante disso, manifestou o compromisso do governo brasileiro de enfrentar essa situação inaceitável, pois “o problema não é de produção, mas de distribuição”. Ele denunciou os quatro anos de governo negacionista, que abandonou o povo da Amazônia. Frente a isso, ele disse que o único motivo de todo governo é trabalhar pelo povo. O embaixador defendeu o desenvolvimento sem abandonar a dimensão social e a sustentabilidade.  Nessa perspectiva falou da COP 30 como momento de afirmação desta ideia e deste compromisso. Ele agradeceu o apoio do governo italiano ao Brasil em temas relacionados com as mudanças climáticas e a fome. Diversas explorações na Terra Indígena Yanomami O líder indígena da Terra Yanomami, homologada em 1992 sob a pressão indígena e internacional, Júlio Ye´kwana mostrou a realidade de seu território, do tamanho de Portugal, onde moram 33 mil pessoas em 350 comunidades, com 7 línguas e 10 associações para defender os direitos dos povos indígenas. Ele denunciou as ameaças que sofrem: garimpo ilegal, incentivado pelo governo anterior e cada vez mais sofisticado, devastação do território, poluição dos rios, desmatamento, exploração sexual, tráfico de armas e drogas. Ele disse que a Terra Indígena Yanomami se tornou local de criminalidade, atraindo inclusive gente de outros países. Os indígenas são aliciados, começaram a escravizar os indígenas, aumentaram diversas doenças e a desnutrição, dado que os pais de família não conseguiam mais plantar roça, pois ficavam no garimpo ou com malária. Diante da exportação do ouro para Europa, o líder indígena fez um pedido de socorro para que esse ouro seja rasteado para conhecer sua procedência. Os Yanomami têm feito uma aliança com os Kaiapó e Munduruku, os mais atingidos pelo garimpo ilegal, em vista de ganhar força na luta. Ele falou do Marco Temporal, que vai ser um genocídio dos povos indígenas. Ele disse que os Yanomami querem viver, praticar sua cultura, algo que o garimpo está atrapalhando. A pressão internacional é fundamental Essa realidade foi aprofundada pelo padre Corrado Dalmonego, Missionário Dalmonego italiano, antropólogo e grande conhecedor desse povo, que tem vivido por muitos anos na Missão Catrimani, onde aconteceu o milagre que levou a reconhecer a santidade do fundador de sua congregação. Ele reconheceu as melhoras com o atual governo, mas ainda não são suficientes. Diante da impossibilidade de continuar vivendo em uma terra devastada, ele ressaltou que a pressão internacional é fundamental, daí a importância do pedido do Papa Francisco no Angelus do último domingo. Riqueza de uns poucos acima da vida dos indígenas “A questão indígena no Brasil é muito séria”, segundo o arcebispo de Porto Velho, dom Roque Paloschi, que denunciou que os povos originários no Brasil nunca foram reconhecidos como gente. Os artigos 231 e 232 da Constituição Brasileira de 1988 nunca foram levados a sério, e depois de 40 anos só um terço das terras indígenas foram homologadas, algo deveria ter sido feito em três anos. Ele também mostrou sua preocupação diante do Marco Temporal. Ele destacou a importância do ato na Câmara dos Deputados da Itália e a presença do embaixador, e denunciou um desenvolvimento que destrói a Casa Comum para concentrar riqueza nas mãos de poucos, se mostrando contra aqueles que colocam a monocultura para a exportação acima da vida dos indígenas. Mesmo assim disse não ter perdido a esperança: “faz escuro, mas eu canto”, citando o poeta Tiago de Mello. Necessidade de mais avanços do atual governo O secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário, Luis Ventura, fez ver que as Terras Indígenas estão em mãos do poder económico, que não se cumpre o que a Constituição de 1988 diz com relação aos povos indígenas, estando se desconfigurando seus direitos. Ele demandou mais avanços ao…
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Sínodo: Desafio de “voltar para casa como embaixadores ativos da sinodalidade”

A Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade está em seus estágios finais, pois esta quarta-feira é o último dia de trabalho geral, aguardando a importante tarefa que será realizada na quinta e sexta-feira pela comissão de redação para elaborar a versão final do Documento Final que será votado ponto a ponto no sábado à tarde, após uma leitura prévia e, espera-se, detalhada, em profundidade, na manhã do mesmo dia. Trabalhar em círculos menores Na terça-feira, como foi feito na segunda-feira à noite, na presença do Papa, os círculos menores trabalharam nas emendas ao rascunho que receberam. Como comunicou a secretária da comissão de comunicação, Sheila Pires, o trabalho das últimas horas dos círculos menores evidenciou o equilíbrio, a profundidade e a seriedade, bem como a linguagem simples do Documento Final, ao qual foram oferecidas algumas sugestões nas intervenções livres. Pires destacou a alusão aos jovens, com o pedido de um dos membros mais jovens da Assembleia Sinodal aos bispos para que não os deixassem de lado, “caminhem conosco, pois queremos caminhar com vocês“, disse a eles. Ele também enfatizou a necessidade de o documento incluir o papel das mulheres, dos leigos, das conferências episcopais, dos padres e das pequenas comunidades. A assembleia insistiu em dizer um forte e claro “não” da Igreja contra a guerra, “caso contrário, não restará nenhum ser humano vivo que possa ler este documento”, sublinhou. Por sua vez, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, lembrou que nas próximas horas a assembleia se dedicará à elaboração dos modos, propostas concretas, que podem ser modos coletivos dos círculos menores, votados entre os membros do círculo e que devem ser entregues antes do final da manhã de quarta-feira, e modos individuais. Ruffini disse que os modos coletivos terão mais peso. Ele também lembrou que o documento foi redigido em italiano e traduzido para vários idiomas para facilitar o discernimento, incluindo ucraniano e chinês. Sínodo um Kairos para a África Os convidados na Sala Stampa na terça-feira, 22 de outubro, foram o Cardeal Fridolin Ambongo Besungu, Dom Franz-Josef Overbeck, Dom Andrew Nkea Fuanya e o Padre Clarence Sandanara Davedassan. O Cardeal Ambongo, Arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo), disse que o Sínodo da Sinodalidade foi recebido como um Kairos em seu país, ajudando a descobrir como ser Igreja no contexto sociocultural africano. Depois de três anos de trabalho, ele disse estar muito satisfeito com um sínodo não para resolver problemas, mas para buscar uma nova maneira de ser Igreja, algo que ele acredita ter sido adquirido. De acordo com o cardeal, outros elementos específicos surgirão mais tarde, “o Sínodo definiu uma base e agora temos que ver como aplicar essa ideia de sinodalidade a quaisquer problemas que possam surgir. Quando eu voltar para casa, tentaremos entrar nessa dinâmica, como ser a Igreja Católica na África de uma maneira diferente”. Sinodalidade significa o futuro O Arcebispo de Bamenda (Camarões), Dom Andrew Nkea Fuanya, começou expressando sua gratidão pelo Sínodo, “um exercício muito bonito no âmbito da Igreja Católica”. O arcebispo definiu a sinodalidade como “um sinal escatológico para todos nós que viemos de tantos lugares diferentes”. A partir daí, ele afirmou que “todos os membros do Sínodo queremos voltar para casa como embaixadores ativos da sinodalidade“. Para o membro do Sínodo, “a sinodalidade significa o futuro”, porque é uma dinâmica que leva a “rejeitar o individualismo”, sendo um “chamado à vida comunitária, ao caminho comum”, algo muito importante para suas comunidades cristãs, que começam nas famílias, e daí vão para as missões, conferências episcopais e a Igreja universal, pequenas comunidades nas quais se conhecem, e que para que permaneçam plenas, a sinodalidade é vista como o caminho. O bispo Nkea Fuanya destacou o papel dos catequistas, que são extremamente importantes, com um papel fundamental, pois estão presentes em todos os níveis. Ele também ressaltou a participação das mulheres, que dirigem as igrejas, e a importância de estarem juntas como expressão da igreja sinodal. Para o bispo camaronês, a África é um lugar fértil para a sinodalidade, que é importante para a paz, porque “em nossas comunidades conseguimos resolver os problemas pacificamente”, concluiu. Reinculturando em uma sociedade pós-secular Dom Franz-Josef Overbeck, bispo de Essen e presidente da Adveniat, destacou que metade dos alemães são pessoas sem religião, o que leva os bispos a se questionarem. Em vista disso, a Igreja Católica precisa se reinculturar em uma realidade pós-secularizada e repensar suas estruturas. Ainda mais porque as paróquias são frequentadas por idosos e poucos jovens. O desafio é reevangelizar depois de séculos de cristianismo, dar uma nova resposta ao papel das mulheres na Igreja, encontrar uma resposta para a falta de padres e o que isso significa para a liturgia, enfatizou o bispo de Essen. Em sua opinião, há uma tensão entre a estrutura e a nova espiritualidade. Nesse sentido, ele disse que a sinodalidade é algo que eles já vivem, com estruturas paroquiais que são sinodais há 50 ou 60 anos. No nível da Conferência Episcopal, após o escândalo dos abusos, a Igreja alemã realizou uma reflexão sinodal sobre as estruturas sinodais que já possui. O diálogo como experiência cotidiana na Ásia Por fim, o padre Davedassan mostrou o que a Ásia traz para a jornada sinodal, onde os cristãos são supostamente uma minoria, o que os leva a viver juntos com outras religiões, em uma coexistência que leva a ser sinodal ad intra e ad extra. Em um continente onde o espaço público para a expressão da fé parece estar cada vez mais reduzido pelo extremismo político e religioso, a necessidade de diálogo não é uma opção, mas uma necessidade na Ásia, que faz parte da experiência cotidiana e é o caminho para viver em harmonia. Nesse contexto, a sinodalidade é a base de tudo isso, em uma mistura cada vez mais comum de crenças, o que significa que as crianças aprendem a viver em diálogo dentro da família. “O caminho sinodal não é algo novo, ele já existe em muitos países asiáticos, e isso…
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Timothy Radcliffe, o testemunho da liberdade necessária em uma Igreja sinodal

  A figura do dominicano inglês Timothy Radcliffe, um dos dois acompanhantes espirituais da Assembleia Sinodal, juntamente com a Madre Maria Inazia Angelini, é de particular importância para o andamento do processo. Não foi em vão que eles possibilitaram que os participantes da Assembleia “ouvissem a voz do Espírito Santo”, algo que o Papa Francisco pediu em seu discurso na abertura oficial. Entrar em sintonia com o que Deus diz O Papa Francisco considera a oração e a Palavra de Deus como as condições para ver “todas as contribuições reunidas durante esses três anos de trabalho intenso, de compartilhamento, de confronto de ideias e de esforço paciente para purificar a mente e o coração”, como ele disse na missa de abertura. E nesse caminho, o dominicano tem sido alguém que ajudou a entrar em sintonia com o que Deus está dizendo à sua Igreja hoje. Ele fez isso com liberdade, a mesma liberdade que pediu na meditação antes de receber o rascunho do Documento Final para consideração, emenda e votação. Ele pediu aos participantes da Assembleia que “exercessem essa pesada responsabilidade” com liberdade. Para Radcliffe, falar de liberdade é falar de uma atitude que dinamiza sua vida diária. Pregar e incorporar essa liberdade Quando disse em sua meditação que “nossa missão é pregar e encarnar essa liberdade”, insistindo que “a liberdade é a dupla hélice do DNA cristão“, Radcliffe deixou claro que essa “é a liberdade de dizer o que acreditamos e de ouvir sem medo o que os outros dizem, com respeito mútuo”. Essa atitude é perceptível em sua vida cotidiana, alguém que permanece firme em sua missão de ajudar Francisco a realizar seu grande horizonte desde que assumiu o pontificado, uma Igreja sinodal, uma Igreja de todos, de todos, de todos, uma Igreja na qual todos podem se sentir livres para caminhar juntos, pois “graças a essa liberdade, podemos ousar pertencer à Igreja e dizer Nós”. Para Radcliffe, “o cerne de nossa tomada de decisão é essa dupla hélice de liberdade abençoada. Pois a liberdade de Deus opera nas profundezas de nosso livre pensar e decidir“. Uma liberdade que nos leva a “pensar, falar e ouvir sem medo”, o que é próprio “daqueles que confiam que ‘Deus faz todas as coisas para o bem daqueles que amam a Deus’”. Se, nestes dias, os membros da Assembleia Sinodal conseguirem assumir a necessidade de pensar, falar e ouvir sem medo, o Documento Final será uma luz que brilhará na Igreja. Se nas bases, onde todos vivem sua fé e colaboram na construção do Reino de Deus, todos os batizados, independentemente de seu ministério e serviço, puderem pensar, falar e ouvir sem medo, a Igreja sinodal, a Igreja de todos, poderá dar passos mais largos e mais rápidos, Caso contrário, se continuarmos a adotar uma postura intrometida ou autoritária, que nos leve a medir nossas palavras e ações dominadas pelo medo, que nos leve a interromper qualquer tentativa de viver em liberdade, a sinodalidade se diluirá e a Igreja piramidal e dos privilégios continuará a dominar as relações eclesiais. Quanto mais é de Deus, mais é nossa liberdade. Isso porque a liberdade não pode se resumir a argumentar nossas posições, a nos instalarmos em posições arrogantes, não pode continuar sendo uma atitude que não se materializa em ações. A partir da liberdade, temos de ousar “entrar em debate com nossas próprias convicções”, caso contrário “seremos irresponsáveis e nunca amadureceremos”. A liberdade de Deus atua no âmago de nossa liberdade, brotando de dentro de nós. Quanto mais é de Deus, mais é nossa liberdade”, como disse o dominicano. Uma liberdade que Radcliffe vive e expressa espontaneamente, o que o levou a pedir ao Papa Francisco poder renunciar às suas vestes cardinalícias, algo que o Santo Padre lhe concedeu e que o levará a receber o capelo com seu hábito dominicano branco. Aqueles que o insultam se qualificam, são apenas uma pequena minoria em comparação com a multidão que vê nele uma verdadeira testemunha do Evangelho e da Igreja sinodal e de todos. Até mesmo os jesuítas, alvo de várias piadas do dominicano durante suas meditações, devem amar o novo cardeal, e esta afirmação é claramente outra piada. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Fernández: Nada impede que as mulheres “ocupem posições muito importantes na liderança das Igrejas”

Na última sexta-feira, os grupos criados para estudar algumas questões relacionadas ao Sínodo sobre Sinodalidade se reuniram com os membros do Sínodo. A ausência do Cardeal Víctor Manuel Fernández na reunião do grupo 5 gerou certo desconforto entre os presentes. Uma situação que o próprio Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé esclareceu diante dos participantes da 13ª Congregação Geral, realizada na manhã de segunda-feira, 21 de outubro. O diácono feminino não é uma questão madura O cardeal argentino começou seu discurso, ao qual a assembleia respondeu com aplausos ao final de suas palavras, oferecendo uma reunião na quinta-feira às 16h30. Em suas palavras, ele disse que “o Santo Padre expressou que, neste momento, a questão do diaconato feminino não está madura e pediu que não parássemos agora com essa possibilidade”, um caminho que continua e, no devido tempo, as conclusões serão divulgadas. Em vez disso, disse Tucho, “o Santo Padre está muito preocupado com o papel das mulheres na Igreja“, dizendo que o Papa pede para não se concentrar nas ordens sagradas. O cardeal disse que apoia a posição do pontífice, “porque pensar no diaconato para algumas mulheres não resolve a questão dos milhões de mulheres na Igreja”. Medidas não tomadas Referiu-se a passos que não foram dados, como o apoio ao ministério de catequistas por parte de algumas conferências episcopais, especialmente a dimensão que fala de “catequistas que apoiam as comunidades na ausência de sacerdotes, mulheres que estão à frente, lideram comunidades e desempenham diferentes funções”, que Querida Amazônia assumiu. Uma proposta que considera possível, “porque o Papa havia explicado em seus documentos que o poder sacerdotal ligado aos sacramentos não se expressa necessariamente como poder ou autoridade, e que existem formas de autoridade que não requerem ordens sagradas”. Ele também falou sobre a falta de concessão do acólito às mulheres, com padres “que não querem apresentar mulheres ao bispo para esse ministério”. O mesmo foi dito sobre o diaconato permanente, que não é assumido em todas as dioceses e muitas vezes não vai além de serem coroinnhas. A partir desses exemplos, ele quis justificar que “a pressa em pedir a ordenação de mulheres diaconisas não é hoje a resposta mais importante para promover as mulheres”. Por esse motivo, “para incentivar a reflexão, pedi que fossem enviados ao meu Dicastério testemunhos de mulheres que lideram comunidades ou ocupam cargos importantes de autoridade. Não porque elas se impuseram às comunidades, ou como resultado de um estudo, mas porque adquiriram essa autoridade sob o impulso do Espírito em resposta a uma necessidade do povo. A realidade é superior à ideia”, sublinhou o prefeito. Apoio às mulheres no Sínodo Às mulheres membros deste Sínodo, ele pediu “que ajudem a coletar, explicitar e transmitir ao Dicastério várias propostas, que possamos ouvir em seu contexto, sobre possíveis caminhos para a participação das mulheres na liderança da Igreja”, dizendo esperar propostas e reflexões, algo que ele está pronto para fazer na próxima quinta-feira, quando explicará os passos que estão sendo dados. Finalmente, ela expressou sua convicção de “avançar passo a passo e chegar a coisas muito concretas, para que possamos entender que não há nada na natureza das mulheres que as impeça de ocupar posições muito importantes na liderança das Igrejas“. Isso se deve ao fato de que “o que realmente vem do Espírito Santo não pode ser impedido”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1