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Acolher, em nome de Deus, do jeito de Maria

Quem é que não sente a necessidade de estar à vontade quando chega num lugar novo? A vida é mais fácil quando isso acontece, quando a gente se sente em casa, quando a gente não tem a sensação de ser olhado pelos outros como um estranho. Acolher deveria ser algo humano, mas ninguém pode duvidar que é algo divino, uma atitude que nos aproxima com esse Deus que sempre acolhe, escuta, cura as feridas e dá tudo o que Ele tem. Quando a gente acolhe nos tornamos instrumento de Deus na vida do povo, ainda mais na vida de tantas pessoas que, longe de casa, são vítimas da falta de escrúpulo daqueles que se aproveitam de sua vulnerabilidade. O Papa Francisco tem a acolhida dos migrantes e refugiados como um dos temas mais recorrentes do seu pontificado, animando a Igreja a assumir essa atitude. Ele fala de quatro verbos, que na verdade são quatro atitudes que deveriam estar presentes na vida de todo batizado e na vida de todas as igrejas: “acolher, proteger, promover e integrar”. Infelizmente nos deparamos com “cristãos” que diante dos migrantes e refugiados tem atitudes totalmente contrárias. A Igreja de Manaus tem mostrado nos últimos anos que essa acolhida aos migrantes, especialmente aos venezuelanos, mas também a pessoas chegadas de outros países, é uma prioridade como arquidiocese. São muitas as pessoas, especialmente a Pastoral do Migrante e a Caritas, que no dia a dia doam sua vida para que os nossos irmãos e irmãs possam se sentir à vontade, possam se sentir em casa. Neste domingo, a Arquidiocese de Manaus viveu mais um episódio dessa atitude de acolhida aos migrantes. Na Catedral Metropolitana de Manaus, Dom Leonardo Steiner entronizava a imagem de Nossa Senhora do Valle, padroeira do Oriente venezuelano. De agora em adiante, essa imagem vai estar na igreja mãe da Arquidiocese de Manaus, no centro da cidade, um lugar onde muitos migrantes venezuelanos vivem seu dia a dia. Dom Leonardo disse durante a celebração que nessa imagem os migrantes podem encontrar uma força para “para trilhar o caminho do sofrimento, da separação familiar, da saudade da pátria, do ter que pedir esmola“. Mas também insistiu em que ao entronizar a imagem na Igreja de Manaus, “desejamos assim expressar a nossa acolhida, o nosso amor, ajudar a enxugar as lágrimas, acalentar a saudade, é a manifestação do nosso amor para com nossos irmãos venezuelanos”. Estamos diante de mais um pequeno gesto, que, em palavras do Arcebispo de Manaus, “talvez, na fé, ajude a cobrir a nudez e matar a fome”. O sentimento religioso fortalece nossa vida diante das dificuldades, viver em comunidade nos dá forças para ir além, para chegar onde sozinhos a gente não consegue. Acolher esse sentimento religioso também ajuda as pessoas a se sentir parte de uma Igreja que pelo fato de ser católica, é universal, supera divisões de raças, culturas, fronteiras, nacionalidades. Nunca esqueçamos que Deus une, congrega, reúne. Ele faz isso porque o sentimento fundamental em sua vida é o amor. Caminhar com Deus tem que nos levar a amar, a exemplo dele, com os sentimentos de Maria, que desde os muros da Catedral de Manaus quer continuar sendo uma força para aqueles que sempre a imploraram do outro lado da fronteira como Nuestra Señora del Valle. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Catedral de Manaus celebra 7 anos da REPAM e entroniza Nossa Senhora do Valle

Migrantes, religiosidade popular, a Amazônia e seus povos, elementos que estiveram presentes na celebração eucarística que se realizou na Catedral de Manaus no domingo 12 de setembro, presidida pelo arcebispo Dom Leonardo Steiner. Foi um momento de recordação dos 7 anos de caminhada da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), que, segundo o arcebispo, “deseja ser uma presença maior da Igreja que está na Pan-Amazônia”. Também a entronização de Nossa Senhora do Valle, padroeira do Oriente venezuelano, uma invocação presente na vida do povo daquele país e dos migrantes que, tendo chegado a Manaus, podem encontrar na imagem uma força para “lamentar sua dor, sua distância de sua nação e de suas famílias“, disse Dom Leonardo. Ao entronizar a imagem na Igreja de Manaus, “desejamos assim expressar a nossa acolhida, o nosso amor, ajudar a enxugar as lágrimas, acalentar a saudade, é a manifestação do nosso amor para com nossos irmãos venezuelanos”, segundo o arcebispo. Ele disse que “nela encontrarão forças para trilhar o caminho do sofrimento, da separação familiar, da saudade da pátria, do ter que pedir esmola. Um pequeno gesto da nossa parte que, talvez, na fé, ajude a cobrir a nudez e matar a fome”. Trata-se de “resgatar a finitude humana”, algo que a REPAM também tem feito em seus sete anos de existência. Nas palavras de seu presidente, o Cardeal Pedro Barreto, em mensagem lida pelo secretário executivo da Rede Eclesial Pan-Amazônica, Irmão João Gutemberg Sampaio, “estamos neste caminho sinodal que nos leva a todos a viver uma Igreja em saída missionária”. O cardeal peruano recordou o que aconteceu em Brasília há sete anos, em uma reunião convocada pelo Departamento de Justiça e Solidariedade (Dejusol) do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam), “para pensar na possibilidade de uma organização, de um espaço para coordenar nosso trabalho como Igreja Católica na Amazônia“. O que parecia ser um sonho tornou-se realidade, e isso foi “por causa do impulso que o Papa Francisco nos ofereceu”, no qual ele nos encorajou a buscar juntos esta Rede Eclesial Pan-Amazônica. Em suas palavras, ele lembrou uma frase que disse na época, que ele mesmo afirmou não ter entendido. Nela, ele destacou que “a Rede Eclesial Pan-Amazônica é a resposta de Deus às necessidades profundamente sentidas da presença da Igreja na Amazônia“. Isto tem sido capaz de motivar “um trabalho de resposta que Deus nos dá através desta Rede Eclesial Pan-Amazônica”. Naquela época, salientou o Cardeal Barreto, “ninguém imaginava que em 2019 teríamos a experiência de um Sínodo sobre a Amazônia“, nem o trabalho realizado pela REPAM no processo sinodal, que o presidente da REPAM define como “uma experiência única e sem precedentes”. O Arcebispo de Huancayo afirmou que “estamos agora trabalhando muito próximo desde Manaus, no coração da Amazônia, e isto definitivamente abre a possibilidade de olhar com esperança para o futuro próximo, tanto da REPAM como da CEAMA (Conferência Eclesial da Amazônia), para a Assembleia Eclesial de Aparecida, e em breve, para todos os preparativos para o Sínodo sobre a Sinodalidade em 2023″. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

REPAM convoca para celebrar 7 anos de caminhada na Catedral de Manaus

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), fundada em setembro de 2014 em Brasília, está comemorando 7 anos de vida, um convite para voltar ao primeiro amor, que nos lembra a Bíblia ao falar do ano jubilar. Essa ideia, proferida pelo cardeal Cláudio Hummes, primeiro presidente da REPAM, nos mostra a importância deste momento, que será celebrado com uma Eucaristia na Catedral Metropolitana de Manaus neste domingo, 12 de setembro, às 7:30 horas, no horário local. A celebração, que será presidida por Dom Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, contará com a presença da secretaria executiva da REPAM, que desde janeiro de 2021 tem sua sede na capital do Estado do Amazonas, e será transmitida pela página de Facebook da instituição: https://www.facebook.com/repam.amazonia. Na mesma celebração será entronizada a imagem de Nossa Senhora del Valle, padroeira do Oriente venezuelano. Será “uma celebração de vida, uma celebração de fé, de agradecimento e de desafio”, segundo o irmão João Gutemberg Sampaio, Secretário Executivo da REPAM. Ele destaca a importância da presença dos migrantes venezuelanos na celebração, um sinal de uma Igreja que caminha na Pan-Amazônia. Ao longo destes 7 anos, a REPAM tem trabalhado “para o bem dos povos amazônicos e o bem da própria biodiversidade amazônica”, segundo o irmão João Gutemberg. O religioso marista afirma que “é tempo de continuar a abrir caminhos bons, caminhos de vida, no cuidado aos temas amazônicos, tanto os povos e a vida das comunidades, como também o ambiente natural, tão necessário para a vida humana”. Celebrar 7 anos de caminhada traz na mente do Secretário Executivo da REPAM as 7 notas musicais. Segundo o irmão João Gutemberg, “são notas diferentes, que tem intensidade diferente, ritmos diferentes, mas no conjunto formam uma grande harmonia”. Isso é comparado com a caminhada da REPAM, “que integra tantos atores, pessoas, instituições da Pan-Amazônia, de outros lugares do mundo, para formar a música cuja letra é: Pan-Amazônia: fonte de vida no coração da Igreja”. Diante disso surge um chamado, segundo o religioso, a “unirmos as forças, promovermos o bem, na defesa, no conhecimento, na incidência local e internacional para a salvaguarda do Planeta e da vida dos povos”. O fundamento dessa atitude está em que “tudo isso é baseado no Deus da Vida, no Deus da Criação, que quer o bem de tudo e o bem de todos para todos os habitantes do Planeta”. Finalmente, o Secretário Executivo da REPAM ressalta que “celebramos num clima de agradecimento, mas também de pedido de luzes, de força, para que a REPAM continue a sua missão de promover o bem comum através da promoção da ecologia integral a partir da Amazônia”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

A CNBB nos lembra que “É Tempo de Cuidar”, desta vez do Haiti

“É Tempo de Cuidar” é uma campanha que acompanha a vida da Igreja do Brasil, através da Caritas nos últimos anos. Especialmente durante a pandemia da Covid-19, a campanha tem sido um instrumento que tem ajudado a Igreja a ser presença samaritana na vida do povo. São muitos os relatos de pessoas que mostram sua gratidão para uma Igreja que saiu ao encontro daqueles que muitos ignoraram. No dia 14 de agosto, Haiti sofreu um terremoto que provocou a morte de milhares de pessoas, deixando muitas outras desabrigadas, mais um episodio de dor para um povo tão castigado pela pobreza, segundo Dom Walmor Oliveira de Azevedo. O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no vídeo em que é feito um chamado a ajudar o povo do Haiti, afirma que “a nossa Igreja, fiel ao que pede Jesus, une-se ao Haiti em solidariedade e convida cada pessoa a oferecer o seu gesto de amor ao povo haitiano”. Esse convite é reforçado por Dom Mário Antônio da Silva, quem afirma que “sua doação chegará em forma de solidariedade às famílias das vítimas fatais dos terremotos, e em forma de cuidado às milhares de pessoas feridas, desabrigadas e desalojadas”. O segundo vice-presidente da CNBB e presidente da Caritas brasileira, informa no vídeo que “os recursos arrecadados serão para adquirir itens de primeira necessidade: alimentos, água potável, barracas, lonas, materiais de higiene e limpeza, medicamentos, atendimento médico, transporte, combustível, assim como outros itens para apoiar a população haitiana”. O presidente da CNBB lembra das palavras do Mestre: “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está no céu, é meu irmão, minha irmã, e minha mãe”. Essas palavras de Jesus no Evangelho, levam o arcebispo de Belo Horizonte a dizer que “seguindo o mandamento do amor, fieis ao nosso Mestre, somos todos irmãos, uma família de muitos”. Dom Walmor faz um chamado entender que “as distâncias territoriais, as diferenças entre culturas, etnias e religiões não podem ofuscar esta verdade: formamos uma só família, a família humana, e somos corresponsáveis uns pelos outros”. Finalmente, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, “neste momento em que o Haiti sofre as consequências de um desastre natural”, faz um pedido para que todos ajudem, insistindo em que “É Tempo de Cuidar”. Todos aqueles que caminham na Igreja do Brasil são chamados a participar pelo presidente do episcopado. Ele insiste para que cada um e cada uma “ofereça sua doação, ajude a divulgar esta iniciativa solidária que a Igreja no Brasil desenvolve em solidariedade ao Haiti”. As doações, lembra Dom Mário Antônio da Silva, podem ser realizadas nas contas bancarias disponibilizadas pela Caritas brasileira. “É seu coração solidário cuidando de corações feridos”, afirma o bispo de Roraima, insistindo em que “proclamemos unidos: É Tempo de Cuidar”. Faça sua doação:  Cáritas BrasileiraCNPJ: 33.654.419/0001-16 Banco do BrasilAgência – 0452-9Conta-Corrente – 123.969-4 Caixa EconômicaAgência: 1041Conta-Corrente – 1132-1Operação: 003 Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Sair na rua sem tapa-olhos

Enxergar só aquilo que desperta interesse na gente, ou aquilo que os outros nos deixam enxergar, sempre é um risco. Existe um gadget, geralmente usado nos cavalos, mas que parece que também é usado por algumas pessoas, que impede os animais enxergar o que está fora do campo de visão que interessa ao dono, é o tapa-olhos. Isso sempre existiu e sempre foi usado, em todas as culturas, lugares e momentos históricos, mas parece que ultimamente o uso aumentou, ou a gente tem mais facilidade para percebe-lo. Bem é verdade que no Evangelho de Lucas conta uma cena similar, onde aparece alguém que estava jogado na beira do caminho, muito machucado, mas ignorado pela maioria dos que lá passaram. A Esplanada dos Ministérios de Brasília foi nesta terça-feira, 7 de setembro, Dia da Pátria, local de grandes concentrações. Era gente que queria cumprir com sua obrigação de defender seus ideais políticos e sociais, quem sabe também religiosos, parece que cegos ou sem querer enxergar a situação de um país onde o número daqueles que estão jogados na beira do caminho aumenta a cada dia. Uma foto onde aparece um homem jogado na calçada, provavelmente um morador de rua, com certeza mais uma vítima da falta de emprego, de comida e de tantas outras coisas que cada vez mais atinge a milhões de brasileiros e brasileiras, se fez viral nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens. Pelo que aparece na foto, ninguém quis enxerga-lo, também não aqueles que como o sacerdote ou o escriba do texto de Lucas são considerados modelos de cidadãos por aquela parte da sociedade sustentada nos “bons princípios”. Alguns comentários, a internet deu a possibilidade de todo mundo opinar, protegidos pela distância e o anonimato, nos mostram os princípios que fundamentam o ideal de sociedade de algumas pessoas. São claros exemplos de aporofobia, definida como a aversão a pobres que se expressa pelo preconceito e pela discriminação contra pessoas pobres. Quando pobre é visto como sinónimo de vagabundo, a sociedade tem que refletir sobre os valores que vive e transmite. A família, a escola, também as igrejas, devem refletir sobre os valores que fomentam e transmitem aos outros. O fundamento do cristianismo é o amor, a misericórdia, a compaixão, uma atitude que deve estar presente na vida das pessoas, especialmente quando nos deparamos com aqueles que hoje estão jogados na beira do caminho. Quando a gente sai na rua com tapa-olhos, deixamos de enxergar o sofrimento alheio, e isso nos afasta de Deus e de nós mesmos, pois também nós deixamos de sermos humanos. O que fazer para sentir a necessidade de enxergar, de escutar, de viver a compaixão? Como fazer realidade a necessária mudança social que nos impeça nos afastarmos daqueles que sofrem? Como viver a verdadeira religião, que nos leva a enxergar Deus naquele que tem fome, que tem sede, que é estrangeiro…? É tempo de parar e pensar, mas sobretudo de tirar os tapa-olhos e enxergar. É só querer e entender que a gente ganha bem mais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar

Grito dos Excluídos/as: fazer ecoar o grito daqueles que estão excluídos de quase tudo

Um país dividido, onde o enfrentamento está se tornando uma realidade perigosa, onde a luta por direitos, por vida para todos se tornou uma urgência, comemorava neste 7 de setembro o Dia da Pátria. As ruas de muitas cidades se tornaram palco de manifestações, de um lado os apoiadores do atual presidente, do outro aqueles que reclamavam por um país com maior igualdade e direitos para todos. A Igreja católica, desde 1995 em que aconteceu o 1º Grito dos Excluídos defendeu essa Vida para todos em primeiro lugar. Ao longo dos anos, essa procura por vida foi se concretizando de diferentes modos. Em 2021, o 27º Grito dos Excluídos e Excluídas, centrou sua luta na participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda, lutas urgentes num país que passa por momentos de grave dificuldade. Tem sido muitas as dioceses no país que tem organizado este momento neste 7 de setembro, onde além das Pastorais Sociais, diversos movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos, têm clamado por soluções diante da crise atual, com grande aumento da fome e do desemprego, da população de rua, e das ameaças aos direitos dos povos originários reconhecidos pela Constituição Federal. Em Manaus, o ato contou com a presença do arcebispo local, Dom Leonardo Ulrich Steiner. Ele insistiu na necessidade de fazer uma leitura da realidade, de lermos as necessidades marcadas neste ano de 2021 para o Grito dos Excluídos e Excluídas. O arcebispo insistiu em que a Vida está em primeiro lugar, “não o dinheiro, não a ganância, não o prazer, não a dominação, mas a vida. A vida que somos nós, a vida que são os pobres, a vida que são os necessitados, a vida que são os doentes, a vida que são as crianças, a vida que são as mulheres, tão atacadas ultimamente, a vida dos nossos irmãos e irmãs, são os negros, os indígenas”. O arcebispo de Manaus enfatizou que “o ser humano deve estar em primeiro lugar, mas o ser humano não vive só, ele vive com as criaturas, com a natureza”. Por isso, Dom Leonardo fez um chamado a “nos movimentarmos cada vez mais no cuidado com a natureza”, denunciando que quando não cuidamos da natureza, não estamos cuidando da vida. Isso faz com que “nós acabamos nos enterrando a nós mesmos, destruindo a nós mesmos”, segundo o arcebispo. Lembrando os elementos presentes no lema do 27º Grito dos Excluídos e Excluídas, o arcebispo lembrou “quantas pessoas sem moradia, quantas pessoas sem comida”, recordando que a Arquidiocese de Manaus, através da Caritas e das comunidades, atende oitenta mil pessoas. Junto com isso, Dom Leonardo abordou a necessidade da busca pela paz, “num momento de muita dificuldade, um momento de tanta tensão, de tanta violência, violência nas palavras, violência nos gestos, tantas agressões”, algo presente na política, na justiça, no poder, realidades diante das quais, “as vezes ficamos de braços cruzados”. Nessa conjuntura, o Grito dos Excluídos e Excluídas tem que ser “momento de nos manifestarmos, de novo de dizermos da necessidade de marcarmos presença como cristãos, de marcarmos presença como cidadãos e cidadãs, para que não se perca nenhum dos nossos irmãos e irmãs”, segundo o arcebispo de Manaus. Ele chamou a “fazer ecoar o grito daqueles homens e daquelas mulheres que estão excluídas da justiça, da educação, da saúde, da moradia, da ecologia”. Um grito por vida, por vida para todos e todas, em primeiro lugar, a exemplo de Jesus que veio para que todos tenham vida em abundância. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Grito Dos Excluídos/as: Dom Mário Antônio espera “superar as exclusões e desigualdades injustas”

Saúde, comida, moradia, trabalho, renda… são realidades que cada vez estão menos presentes na vida de muitos brasileiros e brasileiras. O Brasil se tornou um país onde a vulnerabilidade social e o risco de exclusão estão cada vez mais presentes na vida de muita gente. Aos 20 milhões de pessoas que passam fome, se junta a falta de saúde, o aumento dos moradores de rua, o desemprego, o aumento dos produtos de primeira necessidade. No dia 7 de setembro, Dia da Pátria, muitas dioceses e prelazias no Brasil afora comemoram o Grito dos Excluídos e Excluídas, que neste ano de 2021 comemora sua 27ª edição. A Diocese de Roraima vai realizar este momento na cidade de Boa Vista, capital do Estado e sede da diocese. Seu bispo, Dom Mário Antônio da Silva, convida através de um vídeo para a participação neste momento importante na caminhada da Igreja, ainda mais diante da situação atual que vive o país. Lembrando que estamos na Semana da Pátria, o bispo de Roraima lembra que “como cidadãos e cristãos fazemos questão de celebrar a Pátria junto à esperança de superar as exclusões e desigualdades injustas”. Dom Mário Antônio, que é presidente da Caritas Brasileira, conhece bem os sofrimentos que muita gente está vivendo no dia a dia, e as dificuldades que muitas pessoas tem para garantir suas necessidades básicas, situações onde a Caritas Brasileira se faz presente constantemente. Além disso, Roraima é um Estado onde a presença de migrantes, sobretudo venezuelanos, tem mudado a realidade local. A Diocese de Roraima tem sido exemplo de acolhida aos migrantes venezuelanos, se tornando presença samaritana na vida de muitas pessoas que passam por graves dificuldades. Nesse contexto, o bispo de Roraima convida a todos para participar do 27º Grito dos Excluídos e Excluídas. Dom Mário Antônio da Silva lembra o lema deste ano 2021 para o Grito dos Excluídos e Excluídas: “Na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda”. O segundo Vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) faz um chamado a que “levantemos a bandeira do diálogo e da paz, da democracia e da liberdade”, e a participar deste momento. Em Boa Vista a concentração vai acontecer na Praça Fábio Paracat, às 7:30 da manhã.   Finalmente, Dom Mário Antônio insiste em que “renovemos nossa esperança e o nosso empenho em trabalhar pela justiça, pela paz e pela equidade”, lembrando o tema que acompanha o Gritos dos Excluídos e Excluídas desde sua primeira edição em 1995: “A Vida em Primeiro Lugar”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Leonardo: “Não tratamos a Amazônia como criação, como criatura de Deus”

Viver na Amazônia nos ajuda a entender quanto ela serve o mundo, mas também a defendê-la, a dizer claramente que ela não pode ser explorada. Ao celebrar o Dia da Amazônia, Dom Leonardo Steiner, na Eucaristia celebrada na beira do Rio Negro, convidava a trazer para a celebração todos os elementos que fazem parte da Amazônia. O arcebispo de Manaus, que denunciou que “não tratamos a Amazônia como terra de Deus, como criação, como criatura de Deus”, convidou os presentes no Porto de São Raimundo de Manaus e aqueles que acompanhavam a celebração através das redes sociais a se questionar, sendo muitas as perguntas daquele que pastoreia a arquidiocese com maior população de toda a Pan-Amazônia. Dom Leonardo convidava a se perguntar: “Como estamos escutando a realidade da Amazônia? Que palavras, atitudes, temos em relação à nossa Amazônia?”. Ele se questionava sobre a capacidade dos seres humanos para respeitar, para escutar a beleza da Amazônia, mas também o sofrimento, a delapidação, a destruição, a dominação cada vez maiores em relação a nossa Amazônia. São situações diante das quais somos chamados a ter uma palavra, a não ficar mudos, a dizer aquilo que “realmente desperta as pessoas para um cuidado maior, para que a nossa Amazônia não seja apenas preservada, mas se torne a moradia, o lugar”, insistia o arcebispo de Manaus. Ele também chamava a escutar a realidade ecológica, algo que pede o Papa Francisco, a “ouvir a beleza que existe na natureza”, seus sons e beleza. Mas também as culturas, a diversidade cultural, sem querer impor outras culturas. Essa escuta também deve ser direcionada às aflições dos povos da Amazônia, dos povos indígenas, também “aqueles povos que não desejam contato conosco ou que desejam preservar a sua identidade e a sua própria cultura”. Uma escuta que nos faça dar importância “à diversidade social, às dificuldades sociais, à diversidade ecológica, à diversidade das culturas”. Essa escuta também deve estar presente na Igreja, segundo dava a entender Dom Leonardo Steiner, se questionando se “ouvimos a realidade da nossa Igreja que está na Amazônia, somos capazes de ouvir a diversidade das culturas e tentar inserir dentro da vida da Igreja esses ministérios, esta verdadeira espiritualidade e cultura?”. O arcebispo pedia escutar “para poder integrar, para ter palavra de integração, palavra de esperança, palavra de comunhão, palavra de fraternidade”, e evitar fazer parte daquelas pessoas “que ajudam a cada vez mais destruir a Amazônia e desfraternizar a Amazônia”. Nas suas palavras, o arcebispo de Manaus fez um convite a “ser pessoas que a través da palavra e da ação realmente cuidam da Amazônia, sabem falar da Amazônia, sabem poetar na Amazônia, e porque poetam, usam a palavra, defendem a Amazônia, e cada vez mais moram melhor na Amazônia”. Após “agradecer a Deus pela nossa Amazônia”, e pela sua diversidade, Dom Leonardo pediu “a graça de realizarmos os sonhos do Papa Francisco para com nossa Amazônia”. Ao falar do sonho social, lamentava “quanta pobreza, quanta injustiça, quanta matança, quanta destruição, tudo por causa do dinheiro, do lucro”. O arcebispo de Manaus agradecia no sonho cultural, pelas culturas, gestos, danças, cantos, poesias, realidades sempre presentes numa Amazônia com grande diversidade e riqueza cultural. “Admirar nossa natureza, louvar com nossa natureza, que as criaturas todas sejam tratadas como irmãos, como irmãs, e não como posse e dominação”, ajuda a fazer realidade o sonho ecológico, refletia Dom Leonardo Steiner. Ele também concretizava a realização do sonho eclesial, no chamado a “ser uma Igreja testemunhal, profética, misericordiosa, consoladora, presente, sinal do Reino de Deus”. Sonhos que aos poucos somos chamados a tornar realidade, mas para isso precisamos remar juntos. Será que a gente está disposto a isso? Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Futuro diácono permanente recebe ministério na Diocese do Alto Solimões

O Sínodo para a Amazônia foi um momento importante na caminhada da Igreja da Amazônia. Numa região onde a chegada de missionários de fora sempre foi determinante para o trabalho pastoral, foi pedido o incentivo das vocações locais, buscando assim um maior número de agentes da região. O propósito é fazer realidade uma Igreja com rosto amazônico, algo que aos poucos vai se consolidando. Na Diocese do Alto Solimões, após o Sínodo para a Amazônia os diáconos permanentes estão crescendo, sendo várias as ordenações nos dois últimos anos. A paróquia de São Paulo de Olivença viveu neste domingo,5 de setembro, um momento de festa. Como passo prévio ao diaconato permanente, o bispo diocesano, Dom Adolfo Zon, conferiu o ministério do leitorado ao senhor Alpelino Ferreira Flores. A celebração, seguindo a liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum, no primeiro domingo do Mês da Bíblia, contou com a participação da família do futuro diácono, do povo da paróquia e dos padres Pe. Marcelo, Pe. Marian e Pe. Pedro. Mais uma vocação ao serviço da Igreja do Alto Solimões, alguém que coloca sua vida ao serviço dos povos da Amazônia, somando forças numa missão que precisa de operários. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Cláudio: “A crucificação da Amazônia desencadeia sofrimento para muitos filhos e filhas de Deus”

Muita gente se imagina a Amazônia como uma floresta sem fim, como rios de águas puras, um lugar donde os povos que a habitam vivem em paz e em harmonia. Mas na verdade estamos ante uma região onde “o desastre ambiental que alcança dimensões absurdas não pode, neste momento, ser interpretado, senão, como morte, paixão”. Quem assim fala é o cardeal Cláudio Hummes, afirmando isso com motivo do Dia da Amazônia, que o Brasil celebra no dia 5 de setembro. Em um texto escrito pelo presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), ele se questiona como celebrar o Dia da Amazônia. Baseado na psicologia, o purpurado afirma que “somente a partir do momento em que os problemas são encarados objetivamente é que se torna possível curá-los ou lidar com eles de maneira melhor”. Dom Cláudio cita Elie Wiesel, sobrevivente judeu dos campos de concentração nazistas e Nobel da paz em 1986. Ele afirmou que “a indiferença é a raiz de todo mal. Segundo ele, é a indiferença, e não ódio, que se opõe ao amor. É ela, e não a morte, que se opõe à vida. É ela, e não a heresia, que se opõe à fé”. Daí ele conclui que “precisamos celebrar o Dia da Amazônia, embora ela esteja, talvez mais do que nunca, em sua hora de cruz”, insistindo em que “não ser indiferente exige de cada pessoa certo compromisso”. O cardeal denuncia que “a Amazônia está ardendo em chamas por incêndios, muitos dos quais provocados intencionalmente, e pela falta de políticas públicas de combate, controle e mitigação das queimadas”. Ele cita dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que mostram que “somente no mês de agosto foram registrados 2.228 focos de incêndio. Mais que o dobro em relação a 2020”. Segundo o presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), “a Amazônia está tombando sob o avanço do agronegócio, da mineração e do garimpo ilegal, e minguando aceleradamente em hectares de floresta em pé”. Ele denuncia o avanço dos projetos do chamado “desenvolvimento”, “especialmente com a fragilização da fiscalização ocorrida nos últimos anos e com o desmonte de órgãos e políticas de salvaguarda socioambientais”. O cardeal augura um cataclismo anunciado, sustentando sua opinião no recente relatório que vaticina um aumento da temperatura global. Ele também denuncia o agronegócio, que tornou lucro o cultivo de alimentos, envenenando “os alimentos e, por conseguinte, a terra, as águas e os ares”, um modo de produção que “além de desrespeitar a natureza, acaba produzindo fome e miséria”, denunciando o avanço da monocultura no Brasil, que tem como foco a exportação, nas custas da “nossa água, nossas florestas e toda a biodiversidade que morre com a chegada do agronegócio”. “A crucificação da Amazônia desencadeia sofrimento para muitos filhos e filhas de Deus”, denuncia Dom Cláudio. Ele insiste em que “os povos indígenas estão sob o risco de perder o direito de posse aos seus territórios já tão invadidos. Aos ribeirinhos restam rios secando e águas poluídas pelos agrotóxicos e rejeitos da mineração”. Uma realidade constatada pelo papa Francisco em Laudato Si’: “o ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto”. No Dia da Amazônia, o presidente da Comissão para a Amazônia faz um chamado a ser realistas e esperançosos. Isso se sustenta no fato de que “no meio da noite mais escura que a luz da ressurreição se impôs”, e que “foi atravessando o deserto que nossos pais na fé chegaram à terra prometida”. Daí afirma que “há que se ter esperança, e há também que se enveredar na construção de modelos sustentáveis de produção, consumo e economia”. Dom Cláudio convida a celebrar o Dia da Amazônia “atentos à destruição atual”, insistindo em que “esse olhar objetivo deve nos engajar na luta pela preservação e no cuidado com a Amazônia e com a Casa Comum”. Também faz um chamado a realizar “pequenos gestos simbólicos, como plantar uma árvore, revitalizar o jardim de casa ou buscar informações sobre como e onde são produzidos os alimentos que compartilhamos nas mesas de nossas casas”. Sinais que nos levam a “afirmar com certeza que a querida Amazônia, vivendo, agora, a paixão, tão logo verá essa morte transformada em ressurreição”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1