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Sínodo: No Documento Final, procure uma profunda renovação da Igreja em novas situações, não em decisões e titulares

A Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que realiza sua Segunda Sessão de 2 a 27 de outubro, entra em sua semana decisiva. Os participantes já têm em mãos o esboço do Documento Final, que foi entregue após uma Missa votiva ao Espírito Santo e um momento de retiro, no qual tanto o secretário do Sínodo, Cardeal Mario Grech, quanto o Padre Radcliffe, deram uma breve, mas profunda lição sobre o que é a sinodalidade. Rascunho do Documento Final De segunda-feira à tarde até quarta-feira, será o momento de os membros da Assembleia Sinodal darem suas contribuições para que quinta e sexta-feira a comissão redatora possa preparar o Documento Final. Algo a que a secretária da Comissão de Comunicação, Sheila Pires, se referiu. Ela lembrou as palavras do cardeal Grech na missa do dia, onde enfatizou que o final da Assembleia é um novo começo, e do padre Radcliffe, que no retiro fez um chamado à liberdade e responsabilidade. Igualmente, ela se referiu ao rascunho do Documento Final entregue aos participantes, um texto provisório e confidencial, falando da necessidade de afrontar a última semana com espírito de liberdade. O texto quer ser uma seta num caminho rico que incorpora o trabalho ao longo de todas as fases. No rascunho foi considerado os contributos dos círculos menores e dos teólogos, colocando o foco na ressurreição de Jesus. Os próximos passos será uma troca de dons, para partilhar desafios, sonhos, dinâmicas e novas motivações que surgem do texto. A Assembleia rezou no final das atividades da manhã pelo sacerdote assassinado ontem em Chiapas (México). Pedido de desculpas do Cardeal Víctor Manuel Fernández Por sua vez, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, disse que a assembleia está em um momento crucial, destacando as reuniões de sexta-feira à tarde com os grupos de estudo. Nessas reuniões, houve uma situação pela qual o Cardeal Victor Manuel Fernandez se desculpou na Sala Sinodal, onde estava presente o Papa Francisco, cujas palavras, aplaudidas pelos participantes da assembleia, foram entregues aos jornalistas. Ruffini destacou as canonizações deste domingo, a oração de encerramento do Sínodo Digital e, na próxima sexta-feira, 25 de outubro, o Sínodo do Esporte. Os convidados na Sala Stampa do Vaticano na última segunda-feira da assembleia foram Timothy Radcliffe, conselheiro espiritual da assembleia, o arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana, Cardeal Mateo Zuppi, a subsecretária do Sínodo, Nathalie Becquart, e Dom Manuel Nin Güell, Eparca Apostólico para os católicos de rito bizantino na Grécia. Como estar juntos de forma diferente Para Radcliffe, há uma tentação de ler o Documento Final, por enquanto o esboço, procurando decisões e manchetes, quando “o Sínodo trata de uma profunda renovação da Igreja em novas situações“. Diante de uma realidade de violência e desintegração da sociedade, citando como exemplo os perigos das eleições nos Estados Unidos, a Igreja é chamada a assumir o papel de ser um sinal de paz e de comunhão com Cristo. É uma questão de tomar decisões que não chegam às manchetes, porque tem a ver com o modo de ser de Jesus e de estar com as pessoas. Para o dominicano, que será nomeado cardeal em 7 de dezembro, a importância do documento está em descobrir como podemos estar juntos de uma maneira diferente. Ele citou dois exemplos, a visita do Santo Padre à prisão para lavar os pés dos detentos e uma visita que ele fez ao norte do Paquistão como general de sua ordem, quando viu como um dominicano americano se vestia com as mesmas roupas e estava entre as pessoas, definindo-o como um pastor com cheiro de ovelha, uma testemunha de que o Evangelho pode tocar e renovar nossa Igreja. A partir daí, ele insistiu que esse é o caminho, a abordagem que devemos adotar para ler esse documento, que “não evoca decisões dramáticas e radicais, mas novas formas de ser Igreja que nos permitem estar em comunhão uns com os outros de maneira mais profunda em Cristo e para Cristo”. O diálogo é o alicerce da Igreja O Cardeal Zuppi afirmou que “o diálogo é o fundamento da Igreja“, referindo-se às mesas da Sala Sinodal como espaços onde todos podemos falar juntos, ouvir uns aos outros a partir de uma dimensão espiritual, não algo funcional, mas uma dimensão mais ampla, onde se percebe a presença da Igreja de todo o mundo, citando como exemplo o representante da Igreja do Nepal, com apenas oito mil fiéis. O Arcebispo de Bolonha pediu para não ceder à polarização, para não querer apagar a voz do outro, para buscar o que nos une, lembrando as palavras do Papa Bom, o que não significa fingir que não há elementos que não possam nos dividir. Ele define o atual processo sinodal como um grande sinal de comunhão em um mundo no qual às vezes é difícil chegar a um acordo. Nesse sentido, ele vê o Documento Final como uma boa indicação do método, para descobrir que a Igreja está vivendo algo neste mundo que, às vezes, esquecemos que é a nossa casa comum, e que deve envolver uma aspiração de encontrar uma fraternidade que nos una a todos como uma experiência muito bonita, uma vez que se fala de tudo, sem ignorar o que é levantado. A partir daí, ele pediu que continuássemos avançando, que olhássemos além, que não ficássemos onde estamos, um método válido em um mundo onde os problemas não são enfrentados, onde se grita com eles. Uma Igreja com traços das pessoas que fazem parte dela, o que a torna mais atraente, concluiu Zuppi. As mulheres fazem contribuições essenciais A subsecretária do Sínodo destacou entre os frutos do Sínodo a promoção do ecumenismo, abrindo uma nova fase e trazendo uma nova forma de ver e articular o Primado do Papa. Na Segunda Sessão, a qualidade da escuta mútua é muito alta, levando a uma promoção da fraternidade. Ir. Nathalie Becquart destacou o papel das mulheres na assembleia, o que elas estão contribuindo como relatoras e na comissão…
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Radcliffe pede liberdade e coragem na construção e votação do Documento Final do Sínodo

A última semana da Assembleia Sinodal começou com um tempo de oração e retiro. Após a missa votiva ao Espírito Santo, os participantes da assembleia, na presença do Papa Francisco, ouviram as palavras do Padre Radcliffe, que os fez perceber que “estamos prestes a embarcar em nossa última tarefa, considerar o documento final, emendá-lo e votá-lo”. Liberdade para os filhos de Deus Para realizá-la, ele pediu que o fizéssem, como pede São Paulo, com liberdade, pois “nossa missão é pregar e encarnar essa liberdade. A liberdade é a dupla hélice do DNA cristão. Em primeiro lugar, é a liberdade de dizer o que acreditamos e de ouvir sem medo o que os outros dizem, com respeito mútuo. É a liberdade dos filhos de Deus de falar com ousadia, com parrésia (por exemplo, Atos 4.29), como os discípulos declararam com ousadia as boas novas da Ressurreição em Jerusalém. Por causa dessa liberdade, cada um de nós pode dizer ‘eu’. Não temos o direito de ficar em silêncio”. A raiz está na liberdade interior, observando que “podemos ficar desapontados com as decisões do Sínodo. Alguns as considerarão imprudentes ou até mesmo erradas. Mas temos a liberdade daqueles que acreditam que “Deus faz todas as coisas para o bem daqueles que o amam”, como diz a Carta aoss Romanos. Ele pediu esperança, pois “podemos ter certeza de que ‘nada pode nos separar do amor de Deus’, nem mesmo a incompetência, nem mesmo os erros”. Uma liberdade que nos leva a “pertencer à Igreja e dizer Nós”. Deus opera em liberdade, afirmou o dominicano, advertindo que “crer no Espírito Santo não nos dispensa de usar nossas mentes na busca da verdade”. O dominicano lembrou o que aconteceu com Yves Congar, silenciado por Roma por “falar a verdade”, por ser “uma testemunha autêntica e pura do que é verdadeiro”. Nessa perspectiva, ele enfatizou que “não devemos ter medo da discordância, porque o Espírito Santo está agindo nela”.  Pois liberdade é “pensar, falar e ouvir sem medo. Mas isso não é nada se não for também a liberdade daqueles que confiam que ‘Deus faz todas as coisas para o bem daqueles que amam a Deus’”. A providência de Deus em ação Para Radcliffe, “a providência de Deus está agindo suave e silenciosamente, mesmo quando as coisas parecem estar dando errado”, pois ela está “entrelaçada na história da nossa salvação desde o início”. Contra isso, ele advertiu que “mesmo que o resultado do Sínodo o desaponte, a providência de Deus está em ação nesta Assembleia, conduzindo-nos ao Reino por caminhos conhecidos apenas por Deus. Sua vontade para o nosso bem não pode ser frustrada”. De fato, “este é apenas um sínodo. Haverá outros. Não precisamos fazer tudo, apenas tentar dar o próximo passo”. Uma afirmação fundamental para entender que somos parte de um processo, que nada começou conosco e, se for de Deus, nada terminará. “Se formos livres apenas para argumentar nossas posições, seremos tentados pela arrogância daqueles que, nas palavras de De Lubac, se veem como ‘a norma encarnada da ortodoxia’. Acabaremos batendo os tambores da ideologia, seja ela de esquerda ou de direita. Se tivermos apenas a liberdade daqueles que confiam na providência de Deus, mas não ousarmos entrar no debate com nossas próprias convicções, seremos irresponsáveis e nunca amadureceremos”, advertiu o dominicano, palavras que são fundamentais para entender a sinodalidade. Isso porque “a liberdade de Deus atua no âmago de nossa liberdade, brotando de dentro de nós. Quanto mais é de Deus, mais é nossa liberdade”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Grech: Escutar o Espírito para que “a conclusão desta assembleia sinodal não será o fim de algo, mas um novo começo”

Na reta final dos trabalhos da Assembleia Sinodal, os participantes desse caminho celebraram uma missa votiva ao Espírito Santo, presidida pelo Secretário do Sínodo, Cardeal Mario Grech. Uma assembleia que “recolhe os frutos de um longo caminho iniciado em outubro de 2021”. Não cair na ganância Em suas palavras na segunda-feira, 21 de outubro, o cardeal maltês refletiu sobre como “reunir” sem cair na ganância, algo que “pode se referir não apenas aos bens materiais, mas ao bem e à beleza que Jesus nos confia neste Sínodo”. Analisando o texto, ele disse que, para Jesus, “a herança deve ser dividida, mas mantida intacta por meio da gestão compartilhada”. Isso porque “Jesus se recusa a dividir e, em vez disso, nos convida a buscar a comunhão, uma vez que ele identifica a ganância e o desejo de posse como a raiz da divisão”. Seguindo o que o Papa tanto insiste, Grech afirmou que “Jesus rejeita toda lógica de partidarismo e divisão ao buscar a comunhão entre os irmãos”, convidando os membros da Assembleia a descobrir “como nos preparar nestes dias para colher os frutos de nosso caminho sinodal e de nossa assembleia, sem nos dividirmos, mas buscando a comunhão”. Um caminho rico em frutos O presidente da celebração continuou analisando a parábola, traçando um paralelo com a assembleia, com os “frutos abundantes” descobertos, contando como sinal de alegria “os sinais de vitalidade em cada fase do caminho sinodal, começando com a escuta que caracterizou particularmente a primeira fase e que envolveu todas as nossas comunidades”. A partir daí, ele insistiu que “nosso caminho foi rico em frutos: ele nos ajudou a ver os dons que florescem hoje no povo de Deus, sem esconder nossas fragilidades e feridas. Mas, como discípulos do Ressuscitado, fomos capazes de reconhecer que é precisamente em nossa fraqueza que a força de Deus se manifesta”. Paralelamente à falta de um lugar para guardar os frutos que aparece no texto, ele questionou: “o que fazer agora, o que fazer com os frutos abundantes que colhemos ao longo desses anos?”, afirmando a possibilidade de não ter “os meios adequados para guardar os dons que descobrimos”, mas também de cair na tentação de que “agora não há mais nada a fazer, só temos que aproveitar os frutos recebidos”, de querer viver da renda, de pensar que o fruto colhido é o fim da história. Não acumular o que foi colhido Ele alertou os participantes da assembleia sobre o risco de “acumular o que colhemos, os dons de Deus, sem reinvesti-los, sem vivê-los como dons recebidos que agora devemos devolver à Igreja e ao mundo”. Além disso, enfatizou que “não podemos nos contentar sem buscar novos caminhos para que a nossa colheita se multiplique ainda mais”, de “correr o risco de permanecer fechados em nossos limites conhecidos, sem continuar a ampliar o espaço da nossa tenda”, já que “a compreensão das verdades e das opções pastorais continua, consolidando-se com os anos, desenvolvendo-se com o tempo, aprofundando-se com a idade”. Para continuar o caminho, ele pediu para “ficar longe da ganância, do desejo de manter tudo, de possuir, de acumular, de definir, de fechar. Devemos vencer a tentação de acreditar que os frutos que colhemos são nosso próprio trabalho e nossa posse”, pedindo para “receber tudo como um presente de Deus”. Diante disso, “o caminho a seguir é o do Espírito de Deus. Pois somente o Espírito Santo pode nos permitir permanecer abertos à novidade de Deus”. Não ouvir apenas a si mesmo De acordo com o secretário do Sínodo, “o homem da parábola só ouve a si mesmo”, e por isso ele nos convidou, individualmente e em comunidade, como em um contínuo Pentecostes, “a dialogar com o Espírito Santo, a nos deixarmos iluminar por ele, esperando aquele transbordamento que é um sinal de sua intervenção”. Isso porque “se ouvirmos apenas a nós mesmos, se nos fecharmos em nós mesmos, estaremos vivendo sozinhos, sem esperança. Pouco a pouco, o que acumulamos começará a desaparecer sem ser substituído pelas novidades que o Senhor continuará a nos enviar”. Frente a isso, “se, por outro lado, escutarmos a voz do Espírito, seremos capazes de identificar novos caminhos”, de modo que “a conclusão desta assembleia sinodal não será o fim de algo, mas um novo começo”, em um caminho confiado a Maria, para que com ela “possamos escutar a voz do Espírito Santo e viver na liberdade do Espírito”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Evaristo Spengler: “Dialogar com aqueles que têm uma outra forma de presença divina em suas vidas”

A Praça de San Pedro acolheu no dia 20 de outubro de 2024, Domingo Mundial das Missões, a canonização de 14 novos santos, dentre eles São José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. O milagre para a canonização aconteceu com o indígena Sorino Yanomami, da missão Catrimani, na diocese de Roraima. Opção pelos povos indígenas Segundo o bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler, presente na celebração, a diocese de Roraima, desde sua criação como prelazia, “fez uma clara opção pelos povos indígenas, isso com muita perseguição, com muito sacrifício”, sendo perseguidos e ameaçados de morte, inclusive alguns bispos. “Significa que a opção teve um custo muito grande e tem um custo até hoje”, enfatizou o bispo. “Acontecer o milagre com um indígena yanomami, e operado pelo fundador dos Missionários da Consolata, José Allamano, agora santo, para nós é simbólico. Significa que Deus está nos dando um sinal de que esse é o caminho, a aliança com os povos indígenas, com os mais fragilizados da sociedade, esse é o caminho onde acontece o Reino de Deus neste momento, onde Deus quer a sua Igreja”, salientou dom Evaristo Spengler. Valorizar o povo yanomami O milagre aconteceu em uma missão onde os Missionários e Missionárias da Consolata chegaram em 1965. Lá eles fazem uma missão de presença, sem celebrar sacramentos junto aos indígenas, uma atitude que “quer nos dizer que Deus quer o diálogo e o respeito ao diferente”, segundo o bispo de Roraima. Ele disse que “ser um missionário da Consolata em Catrimani significa valorizar aquele povo, com a sua crença, a sua cultura”. Dom Evaristo Spengler enfatizou que “eles creem em Deus, um Deus que se revela de uma maneira diferente, mas começam a dialogar conosco”, reconhecendo a grandeza de um Deus que conseguiu curar o indígena Sorino. Um diálogo que, segundo o bispo de Roraima, “é muito importante para nós também conhecermos como é que Deus vai se revelando de tantas formas. Deus vai se revelando no passado, Deus se revela no presente”, enfatizando que “a revelação plena é com Jesus Cristo, mas nós conseguimos dialogar com aqueles que têm uma outra forma de presença divina em suas vidas”. Roraima, uma Igreja com uma história sinodal O bispo Salientou que “a Igreja de Roraima tem uma história que é muito sinodal, é um caminhar junto do bispo, com os padres, missionários e missionárias e o Povo de Deus, todos os leigos”. Segundo dom Evaristo Spengler, “essa abertura para o caminhar juntos, também dá uma abertura para as culturas diferentes”, relatando a existência de 12 povos indígenas em Roraima, sendo os mais numerosos os Yanomami, Macuxi e Wapichana, muitos deles batizados, com catequistas e ministros da Palavra. Dom Evaristo Spengler disse que “entre os Yanomami foi diferente, é um diálogo intercultural, interreligioso, porque a presença de Deus está forte na vida deles, e nós temos que fazer essa escuta, é Deus que se revelou no passado, viu o sofrimento do seu povo, desceu para libertá-lo, e está escutando esse povo hoje de formas diferentes. Se revela também com sinais diferentes, mas o sinal de agregação, de unidade, para nós nesse momento, é o sinal desse milagre que acontece com o indígena Sorino, operado por Deus através de São José Allamano”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encerra-se o Sínodo Digital, que “nos encoraja a ir cada vez mais longe, sempre testemunhas do Evangelho”

Como parte das atividades da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está sendo realizada na Sala Paulo VI, no Vaticano, de 2 a 27 de outubro, o Sínodo Digital foi encerrado na tarde deste domingo, 20 de outubro, Dia Mundial das Missões. No túmulo de Pedro Na Capela Clementina, ao lado do túmulo de Pedro, com a participação de missionários digitais de mais de 50 países, foi realizada uma celebração da Palavra presidida pelo subsecretário da Secretaria Geral do Sínodo, Dom Luis Marín de San Martín. Às 16 horas, em Roma, o Secretário do Dicastério para a Comunicação, monsenhor Lucio Ruiz, deu as boas-vindas aos participantes, lembrando que “há exatamente dois anos nos reunimos neste mesmo lugar, a Capela Clementina, nas grutas da Basílica Vaticana, exatamente sobre a Tumba do Apóstolo Pedro, a pedra sobre a qual Jesus construiu a sua Igreja”. Como então, além do subsecretário do Sínodo, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, também estava presente. Uma celebração que quer “manifestar a universalidade católica, nossa unidade e comunhão com o Papa e com toda a Igreja“, disse Lucio Ruiz. Foi um longo caminho, com encontros de oração, assembleias sinodais digitais, encontros presenciais e virtuais, em todo o mundo, com o festival de influenciadores católicos em Lisboa, participando das assembleias sinodais, com mil iniciativas missionárias. Um caminho que continuará com a experiência de “A Igreja te escutaok”, que “continua em seu humilde caminho de serviço à unidade”, conforme declarado no Relatório Síntese da Primeira Sessão. São obras que fazem parte do grande fluxo missionário da Igreja, que tem sua origem no envio de Jesus, porque “todos os cristãos são missionários, cada um em seu lugar, cada um com sua vocação particular, cada um na cultura e todos nos ambientes”. Habitando o mundo digital como cristãos Reconhecendo que “a tecnologia digital torna as distâncias mais curtas e os espaços menores“, Luis Marín enfatizou que “o que realmente une é a proximidade do coração daqueles de nós que acreditam em Jesus Cristo. Ele não é uma ideia, um mandato ou um conceito, e muito menos um avatar, uma identidade meramente virtual. Ele é uma pessoa viva. Ele é a razão de nossa vida, aquele que a preenche com significado”. Nessa perspectiva, ele enfatizou que “o mundo digital deve ser habitado por cristãos. Ele não nos encerra em bolhas de segurança, em redutos de fantasia, mas nos impulsiona a ir mais longe, sempre testemunhas do Evangelho”, agradecendo o trabalho daqueles que chamou de “pioneiros de um novo mundo”, por “evitar o localismo e tornar possível uma rede, uma família, que transcende as fronteiras”. O subsecretário do Sínodo vê a missão digital como algo com “status de cidadania na Igreja de hoje”, que está sendo realizada de várias maneiras para construir um continente sem fronteiras geográficas. O bispo agostiniano destacou o ir e convidar, mostrando que isso supõe abandonar e assumir atitudes diversas, compartilhar e dar testemunho, destacando que “não se trata de criar grupos seletos, elites arrogantes e autossuficientes, mas de acolher os discípulos do Ressuscitado” e, para isso, “manchar-nos com o pó do caminho, com a lama da história”. Um chamado a “colaborar para realizar o sonho de uma Igreja coerente e aberta, inclusiva e misericordiosa, próxima e solidária, envolvida e corresponsável, fraterna e alegre, a Igreja do Evangelho, a Igreja de Jesus, que é uma família, uma casa comum”. A celebração incluiu vários testemunhos de pessoas cujas vidas foram tocadas graças à Missão realizada em ambientes digitais, seguida de um momento de preces, no qual foram ouvidas vozes de 10 países, e a oportunidade de compartilhar os presentes recebidos por meio da Missão Digital, com cada pessoa escrevendo esses frutos em sua tela, com base na pergunta: “Quando você foi em missão nas redes, o que encontrou?” Refletindo sobre o significado da missão Paolo Ruffini enfatizou a importância de nos encontrarmos “neste lugar que nos chama a uma contínua conversão, humildade e testemunho”, no Dia Mundial das Missões, “para refletir sobre o significado da nossa missão e a do povo de Deus como um todo“, para fazer um balanço do fato de sermos discípulos missionários, dos talentos, vocações e carismas recebidos, da realidade do mundo e da Igreja, das atitudes de cada um de nós. Para falar sobre o significado da missão, Ruffini se referiu a São Paulo e a assumir suas atitudes “ao construirmos, repararmos e lançarmos nossas redes digitais“. Isso para “servir, tornar-se tudo para todos, ser verdadeiramente um, construir comunidade”, e “nunca cair na tentação de uma missão unilateral, no personalismo daqueles que falam e não ouvem”, e buscar o “nós” e não o “eu”, “escolher sempre a comunhão e não a distinção”. Ele agradeceu aos participantes “por serem um exemplo de uma forma diferente de estar nas redes sociais, de viver e evangelizar a cultura digital”, pedindo “que o Senhor nos ajude a ser o sal e o fermento do nosso tempo, com a mesma humildade do sal e do fermento”. Continuar a proclamar o Evangelho nas ruas digitais Finalmente, após a Consagração Mariana e a Bênção, os dois membros da Assembleia Sinodal como representantes do Sínodo Digital, Ir. Xiskya Valladares e José Manuel Urquidi, deram seus testemunhos. Foi uma assembleia em que muitos participantes descobriram “que queriam saber mais”, como afirmou a religiosa. Isso levou ao fato de que, na Segunda Sessão, “quase todas as mesas trataram do assunto com grande profundidade. Agora se fala que, para ser uma igreja sinodal em missão, também devemos estar na missão digital”, o Papa Francisco e os bispos estão cientes dessa realidade, que ela vê  como obra do Espírito Santo. Para continuar no caminho, ela pediu para continuar trabalhando, “continuemos a proclamar o reino de Deus pelas ruas digitais, sem perder a esperança, sem nos cansarmos”, contando com a companhia e a bênção do Senhor. Por sua vez, Urquidi destacou a existência dessa nova fronteira missionária, aonde “devemos ir para inculturar o Evangelho“. Os bispos reconhecem “que, há algum tempo, há esforços…
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Papa Francisco canoniza 14 novos santos, que “viveram o estilo de Jesus: o serviço”

No Domingo Mundial das Missões, a uma semana da clausura da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que realiza em Roma sua Segunda Sessão de 2 a 27 de outubro, Papa Francisco presidiu a Eucaristia em que foram canonizados 14 novos santos: o Irmão Manuel Ruiz Lopez e sete companheiros, Francisco, Mooti y Rafael Massabki, José Allamano, Irmã Paradis Marie Leonie e a Irmã Elena Guerra, que, segundo o Santo Padre, “viveram o estilo de Jesus: o serviço”. Discípulos do Evangelho A eles se referiu Francisco em sua homilia como “discípulos do Evangelho”, destacando que “ao longo da história conturbada da humanidade, foram servos fiéis, homens e mulheres que serviram no martírio e na alegria, como o Irmão Manuel Ruiz Lopez e seus companheiros. Trata-se de sacerdotes e consagradas com o fervor da paixão missionária, como o Padre Giuseppe Allamano, a Irmã Paradis Marie Leonie e a Irmã Elena Guerra”. Em palavras do Papa, “a fé e o apostolado que realizaram não alimentaram neles desejos mundanos e avidez de poder; pelo contrário, eles fizeram-se servidores dos seus irmãos, criativos em fazer o bem, firmes nas dificuldades, generosos até ao fim”. Comentando o Evangelho do XXIX Domingo do Tempo Comum, lembrando a conversa de Jesus com Tiago e João, Francisco disse que “Jesus faz perguntas e, deste modo, ajuda-nos a discernir, porque as perguntas fazem-nos descobrir o que há dentro de nós, iluminam o que trazemos no coração. Dai o convite que ele fez a nos deixarmos interpelar pela Palavra do Senhor, tendo como ponto de partida as perguntas de Jesus: “O que queres que faça por ti?”; “podes beber o meu cálice?” São perguntas que mostram “o vínculo e as expectativas que os discípulos nutrem para com ele, com as luzes e sombras próprias de qualquer relação”, lembrou o Papa. Reconhecendo a ligação de Jesus com Tiago e João, ele disse que “têm pretensões. Manifestam o desejo de estar perto dele, mas apenas para ocupar um lugar de honra, para desempenhar um papel importante”, segundo relata o texto evangélico: “na sua glória, se sentarem um à sua direita e outro à sua esquerda”. É por isso que “torna-se evidente que pensam em Jesus como um Messias vitorioso e glorioso e esperam que Ele partilhe a sua glória com eles. Veem em Jesus o Messias, mas pensam nele segundo a lógica do poder”, sublinhou Francisco. Duas perguntas para ver as intenções Segundo o Papa, “Jesus não se detém nas palavras dos discípulos, mas vai mais fundo, escuta e lê o coração. E durante o diálogo, por meio de duas perguntas, procura trazer à tona o desejo que está por detrás daqueles pedidos”. Na primeira pergunta: “Que quereis que vos faça?”, o Santo Padre destaca que “esta interrogação revela os pensamentos dos seus corações, traz à luz as expectativas escondidas e os sonhos de glória que os discípulos cultivam secretamente”. Imaginando a pergunta de Jesus: “Quem queres que eu seja para ti?”, o Papa destacou que “assim, desmascara o que eles realmente desejam: um Messias poderoso e vitorioso que lhes dê um lugar de honra”. Com a segunda pergunta: “Podeis beber o cálice que Eu bebo e receber o batismo com que Eu sou batizado?”, o Papa disse que “Jesus desmente esta imagem de Messias e ajuda-os, deste modo, a mudar de olhar, isto é, a converterem-se”. Segundo ele, “Revela-lhes, desta maneira, que não é o Messias que eles pensam que é; é o Deus de amor, que se abaixa para chegar aos que estão em baixo; que se faz fraco para levantar os fracos; que trabalha pela paz e não pela guerra; que veio para servir e não para ser servido. O cálice que o Senhor vai beber é a oferta da sua vida, que nos foi dada por amor, até à morte e morte de cruz”. O escravo de todos Nesse momento, o Santo Padre lembrou que “à sua direita e à sua esquerda estarão dois ladrões, suspensos na cruz como Ele e não instalados confortavelmente em lugares de poder; dois ladrões pregados com Cristo na dor e não sentados na glória. O rei crucificado, o justo condenado torna-se escravo de todos: este é verdadeiramente o Filho de Deus!”. Prosseguindo com o comentario, ele destacou que “vence não quem domina, mas quem serve por amor”, lembrando que “é o que nos recorda também a Carta aos Hebreus. No texto aparece que “neste momento, Jesus pode ajudar os discípulos a converterem-se, a mudarem de mentalidade”, mostrando que frente ao poder dos grandes, “não deve ser assim para aqueles que seguem um Deus que se fez servo a fim de chegar a todos com o seu amor. Quem segue Cristo, se quiser ser grande deve servir, aprendendo d’Ele”. No Evangelho do dia, Francisco ve que “Jesus revela os pensamentos, os desejos e as previsões do nosso coração, desmascarando por vezes as nossas expectativas de glória, domínio e poder. Ele ajuda-nos a pensar já não segundo os critérios do mundo, mas segundo o estilo de Deus, que se faz último para que os últimos sejam erguidos e se tornem os primeiros”. O serviço é o estilo de vida cristão Para o Papa Francisco, “muitas vezes, estas perguntas de Jesus, com o seu ensinamento sobre o serviço, são tão incompreensíveis para nós como o eram para os discípulos. Porém, seguindo-O, percorrendo os Seus passos e acolhendo o dom do Seu amor que transforma a nossa maneira de pensar, também nós podemos aprender o estilo de Deus: o serviço”. Uma dinâmica que ele convidou a aspirar: “não ao poder, mas ao serviço. O serviço é o estilo de vida cristão. Não se trata de uma lista de coisas a fazer, como se, uma vez realizadas, pudéssemos considerar terminado o nosso turno. Quem serve com amor não diz: ‘agora toca a outro’. Este é um pensamento de empregados, não de testemunhas”. Segundo o Santo Padre, “o serviço nasce do amor e o amor não conhece fronteiras, não faz cálculos, mas gasta-se e dá-se. Não…
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São José Allamano: a santidade vinda da periferia

O fundador dos Institutos dos Missionários da Consolata e das Irmãs Missionárias da Consolata, o Beato José Allamano, será canonizado no Dia Mundial das Missões, em um Sínodo que tem a missão como foco da Segunda Sessão de sua Assembleia Sinodal, e após o reconhecimento de um milagre ocorrido em uma missão que mostra o valor da interculturalidade na proclamação do Evangelho, a Missão Catrimani. Uma missão para cuidar da vida Nesse lugar, no meio da selva amazônica, perto da fronteira entre o Brasil e a Venezuela, a Consolata chegou em 1965, para realizar uma missão diferente, que tinha como objetivo fundamental cuidar da vida de um dos povos mais numerosos e sofridos da Amazônia brasileira, o povo Yanomami, eternamente ameaçado e hoje morrendo lentamente em consequência dos ultrajes realizados pela mineração ilegal, que polui seus rios e os explora de várias maneiras. Se alguém defendeu e cuidou dos Yanomami da região de Catrimani, foram os missionários e missionárias da Consolata. Eles o fizeram por meio de um modelo de missão baseado no respeito e no diálogo, que se traduz em ações concretas em defesa da vida, da cultura, do território e da floresta, da Casa Comum. Uma missão fundada no silêncio e no diálogo que gera laços de amizade e alianças na perspectiva do bem viver. Um bem e um privilégio para a Igreja de Roraima. Uma referência não apenas para aqueles que seguem a espiritualidade de Allamano, mas também para a Igreja de Roraima, representada na canonização por seu atual bispo, Dom Evaristo Spengler, por um de seus antecessores, Dom Roque Paloschi, e por Dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo da diocese de São Gabriel da Cachoeira, a diocese mais indígena do Brasil, que até o início de 2024 era padre da diocese de Roraima e participou da fase diocesana do processo de canonização. Junto com eles, religiosos e religiosas, leigos e leigas, entre eles indígenas Yanomami, que com a presença dos Missionários e Missionárias da Consolata descobriram a riqueza da espiritualidade fundada pelo novo santo. A Missão Catrimani “tem sido um caminho extraordinário, um bem e um privilégio para a Igreja de Roraima”, como disse Dom Roque Paloschi quando era bispo de Roraima, que também insistia na necessidade de respeitar e compreender as diferenças das culturas indígenas. O Cardeal Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário, e o atual bispo de Roraima, Dom Evaristo Spengler, insistiram nisso na coletiva de imprensa que antecedeu a canonização. Uma atitude de cuidado que é motivo de gratidão para os povos indígenas da Terra Yanomami, como reconheceu um de seus líderes, Julio Ye’kwana, na Sala Stampa do Vaticano. De fato, o milagre pelo qual José Allamano será canonizado pode ser visto como uma expressão do trabalho realizado pela diocese de Roraima. Em 7 de fevereiro de 1996, o Beato Allamano intercedeu em favor do indígena Yanomami Sorino, que vivia na Missão Catrimani. A cura milagrosa do indígena, em uma época em que a medicina tradicional e a ciência médica só podiam esperar sua morte, depois de ter sido atacado por uma onça, que abriu seu crânio, foi fruto da oração fervorosa das Irmãs Missionárias da Consolata, pedindo a intercessão de seu fundador, o Beato José Allamano, no primeiro dia da novena dedicada a ele. Uma recuperação milagrosa fruto da oração Após as orações das irmãs, o indígena Sorino teve uma recuperação milagrosa e vive até hoje na comunidade indígena. A diocese de Roraima iniciou o processo diocesano em 2021, e o Dicastério para as Causas dos Santos o concluiu em 23 de maio de 2024, aprovando o decreto de reconhecimento do milagre. É, sem dúvida, uma confirmação da escolha feita pelos Missionários e Missionárias da Consolata por esse tipo de missão, nem sempre compreendida e até rejeitada por alguns católicos. No atual processo sinodal, que tem debatido o tema da relação com outras culturas e religiões como forma de realizar a missão, o que aconteceu no processo de canonização do novo santo, fundador de dois institutos com um claro caráter missionário, pode ser visto como algo que mostra que a fecundidade do anúncio do Evangelho alcança frutos inesperados. Que São José Allamano continue a interceder pelos Yanomami e por todos os povos indígenas, tantas vezes vistos como gente da periferia, descartados por uma sociedade que coloca o lucro acima da vida das pessoas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

O milagre de canonização de Allamano, “nos indica onde nós devemos estar, junto dos pobres”

A Praça de São Pedro acolherá neste 20 de outubro, Domingo Mundial das Missões, no tempo em que é realizada a Segunda Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, que tem como desafio ser uma Igreja sinodal em missão, a canonização de 13 novos santos, dentre eles José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Deus se manifesta em quem achamos não participa da nossa fé O milagre reconhecido para a canonização de Allamano acontece na Amazônia, com Sorino Yanomami, um indígena da Missão Catrimani, onde o carisma da Consolata está presente desde 1965. Que o milagre tenha acontecido desse modo, “tem um significado muito importante, é para nós uma imensa alegria e satisfação”, segundo o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Em encontro com jornalistas na Sala Stampa vaticana, o cardeal Steiner lembrou que “talvez hoje o povo Yanomami seja o povo indígena mais sofrido no Brasil”. Um exemplo disso foram as dificuldades enormes enfrentadas no ano passado, quando mais de 500 crianças faleceram. Naquela ocasião, ele foi em Boa Vista, a capital do Estado de Roraima para verificar a situação e levar uma palavra do Santo Padre. O arcebispo de Manaus refletiu sobre o fato de o milagre ter acontecido no meio a um povo que a maioria não pratica a religião católica. Isso significa que “ali Deus está presente e se manifesta, se manifesta em alguém que nós achamos que não participa da nossa fé”, afirmou. Ele acrescentou que “nós somos muito agradecidos por Deus iluminar as nossas vidas com esse milagre e nos indicar o caminho onde nós devemos estar e com quem nós queremos estar. Se estivermos junto dos pobres, dos mais necessitados, estaremos no melhor lugar”. Agradecidos pela presença missionária da Consolata Para os Yanomamis a presença dos Missionários e Missionárias da Consolata no meio deles, é de grande importância e motivo de agradecimento, segundo testemunhou Júlio Ye’kwana, liderança indígena da Terra Yanomami, que relatou a realidade local, denunciando o sofrimento diante das graves consequências do garimpo ilegal e pelo Marco Temporal, que os povos indígenas do brasil estão enfrentando, diante do que consideram inconstitucional, “algo feio, um absurdo”. Diante dessa situação, ele pediu o apoio internacional para os moradores originários do Brasil. Uma diocese que fez opção pelos indígenas “A Igreja de Roraima fez uma histórica opção pelos povos indígenas, e isso lhe rendeu muitas ameaças e perseguições ao longo da história”, afirmou o bispo, dom Evaristo Spengler. Ele relatou a história da Igreja local, que desde o início percebeu a realidade dos povos indígenas, considerados propriedade pelos fazendeiros da região, eles eram marcados com o mesmo ferro do gado. Uma situação denunciada pelos missionários beneditinos, diante da qual eles sofreram ameaças físicas, tendo que se refugiar no meio dos povos indígenas. Desde 1948 estão presentes na diocese de Roraima os Missionários e as Missionárias da Consolata, que “continuaram e aprofundaram ainda mais essa opção pelos povos indígenas”, que haviam perdido as terras e a identidade, a língua e a cultura indígena, sublinhou o bispo. Diante disso, os Missionários da Consolata iniciaram um processo de resgate da cultura, da língua, da identidade e das terras, promovendo diversos projetos, uma dinâmica perpetuada ao longo dos anos. Dom Evaristo Spengler denunciou a grande e grave invasão dos garimpeiros, com forte apoio político e económico, da Terra Indígena Yanomami. Junto com isso, chegou o tráfico de armas, de drogas, a exploração sexual das mulheres indígenas, a destruição da floresta e contaminação dos rios, que teve como consequência a destruição do povo Yanomami, aumentando a mortalidade de crianças por causas evitáveis, por falta de cuidados. O bispo lembrou que nos últimos anos a Igreja de Roraima fez opção pelos migrantes, mais de um milhão nos últimos anos. Finalmente, dom Evaristo Spengler disse que “o milagre que aconteceu com o indígena Sorino Yanomami no dia 7 de fevereiro de 1996, livrando-o da morte por intercessão do beato José Allamano, foi um sinal de Deus, foi uma confirmação de que a missão da Igreja está do lado dos mais pobres, dos mais fracos, dos vulneráveis da sociedade, e que é por aí que passa o Reino de Deus”, concluiu. O coração aberto ao mundo A superiora das Missionárias da Consolata, Ir. Lucia Bortolomasi, destacou que o novo santo fundou uma congregação “com o coração aberto ao mundo”, para levar o Evangelho, a salvação, a consolação ao povo que não conheceu o Evangelho de Jesus Cristo”. A canonização leva a “descobrir a beleza desse carisma”, e assim “viver a santidade com o estilo de nosso fundador, um estilo simples, humilde, próximo do povo”, alguém que sempre dizia: “coragem e adiante”. Ao lado de quem habita as periferias O superior geral dos Missionários da Consolata, padre James Bhola Lengarin, destacou o testemunho sobre o povo Yanomami como “um momento de graça”, que desafia a ter o coração atento aos outros, àqueles que habitam as periferias do mundo, que são descartados pela nossa sociedade doente e sem valores. O superior destacou que Allamano enviou em missão não só padres, mas também leigos, para testemunhar a Palavra de Deus. Isso desafia a ir adiante, entregando a vida, sendo sinal de esperança para a humanidade.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Papa Francisco recebe mulheres e leigos do Sínodo, pouco ouvidos na história da Igreja

O Papa que gosta de escutar se reuniu neste sábado com dois grupos aos quais, ao longo da história, a Igreja não deu muita atenção: as mulheres e os leigos. Dois grupos representados nesta ocasião por aqueles que participam de várias maneiras da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está sendo realizada na Sala Paulo VI, no Vaticano. As mulheres e os leigos hoje têm voz e voto A iniciativa, promovida por eles mesmos, foi aceita pelo Santo Padre. O atual pontificado deu passos em relação às mulheres e aos leigos, cada um os qualificará à sua maneira, porque as avaliações pessoais são sempre diferentes. Ninguém pode negar que, por exemplo, no Sínodo, as mulheres e os leigos agora têm voz e voto, o que é um sinal de alegria para eles, já que lhes foi dada a oportunidade de participar do processo de discernimento, uma dinâmica de grande importância na Igreja de hoje. É a própria Igreja que ganha com essa proximidade, pois as redes entre as várias vocações, ministérios e serviços são fortalecidas. Se quisermos que a missão da Igreja, o anúncio do Evangelho, a construção do Reino de Deus esteja presente entre nós, o batismo deve ser o ponto de partida, o Povo de Deus como um todo deve assumir esse chamado de Jesus aos seus discípulos. A escuta é de grande valor para Francisco No Sala Sinodal, nas mesas redondas, a presença de leigos e mulheres foi de grande importância. São eles que melhor conhecem a vida cotidiana da Igreja nas bases, os detalhes da missão diária. Escutar isso é algo de grande valor para o atual pontífice, porque é uma oportunidade de se aproximar do sensus fidei fidelium, o senso de fé dos fiéis, de todo o povo de Deus. O conteúdo das conversas mantidas durante a audiência não foi revelado, mas não há dúvida de que deve ter sido um momento de graça, um tempo de Deus para muitas pessoas, que terão descoberto nos poucos minutos ao lado do Santo Padre uma inspiração, uma forte motivação, não apenas em suas palavras, mas sobretudo em suas atitudes, em sua abertura para ouvir, o que o leva a chegar mais cedo às sessões do Sínodo e a sentar-se para atender à longa fila que se forma, na qual obviamente há espaço para mulheres e leigos. Uma reunião de vozes para uma Igreja sinodal e missionária De fato, alguém que participou da reunião afirma que “foi significativo ouvir as mulheres dos diferentes continentes, essa soma de vozes e sensibilidades unidas no desejo de ser uma Igreja sinodal e missionária. Todas tão diferentes e tão dispostas a caminhar juntas, a abrir portas, a comunicar a Boa Nova. É uma alegria sentir que somos irmãs”. Na Igreja de Francisco há espaço para todos, e todos são ouvidos, todos, todos, mesmo aqueles a quem a Igreja, ao longo de sua história, fez ouvidos moucos. Na Igreja sinodal, haverá muitas mulheres e muitos leigos que continuarão a trabalhar para avançar, para que esse modo de ser Igreja se estabeleça na base, nas comunidades, onde muitas vezes, mesmo que alguns queiram silenciá-los, eles continuam a testemunhar com suas palavras e seu modo de vida que vale a pena levar a Boa Nova até os confins da terra. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

O Sínodo se rejuvenesce escutando 150 estudantes universitários de vários países

A Sala Paulo VI, onde está sendo realizada a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, foi rejuvenescida na tarde de sexta-feira. 150 jovens de várias universidades de todo o mundo se reuniram com quatro membros da Assembleia Sinodal: o Secretário Geral do Sínodo, Cardeal Mario Grech, o Relator Geral, Cardeal Jean Claude Hollerich, o Bispo de Browsville (Estados Unidos), Daniel Ernesto Flores, e a Irmã Leticia Salazar, Chanceler da Diocese de San Bernardino (Estados Unidos). Ser uma Igreja que escute os jovens Os jovens fizeram algumas perguntas, começando com a melhoria dos processos de escuta, ao que o Cardeal Grech destacou o convite do Papa Francisco para ser uma Igreja sinodal, para escutar, uma dinâmica presente na vida da Igreja nos últimos anos. Nesse sentido, o Papa é alguém que prega pelo exemplo, tendo realizado vários encontros com jovens nos últimos anos por meio do projeto Building Bridges, no qual se reuniu com estudantes universitários de diferentes continentes. Para os jovens, é importante a proximidade da Igreja com aqueles que foram feridos e com aqueles que estão fora da Igreja, bem como com aqueles que participam de várias maneiras da vida da Igreja. Uma escuta que deve começar com a escuta do Espírito, algo que Hollerich vê como uma graça, um dom de Deus. A diversidade não é algo que desafia a fidelidade à tradição ou prejudica a verdade.  De fato, para o Bispo Flores, escutar o Espírito não é apenas ouvir o Povo de Deus, é também escutar a tradição da Igreja. Quando lhe perguntaram como o Sínodo passa da discussão para a ação concreta e tangível, a Ir. Salazar salientou que, quando ouvimos uns aos outros, estamos sonhando a Igreja juntos. A partir daí, ela fez com que os jovens vissem que isso não é uma ideia, é algo real: discernir juntos, viver a sinodalidade juntos. Uma dinâmica para a qual o Papa convocou toda a Igreja. Formação nos seminários As faculdades de Teologia e as dioceses são desafiadas a abordar questões concretas presentes em cada realidade. Nesse sentido, o bispo Flores afirmou que, em sua diocese, a migração é a nossa realidade, disse ele, o que faz da migração um problema teológico, um assunto a ser estudado. O bispo exigiu a necessidade de ir aonde as pessoas estão, de fazer a experiência, porque isso muda a perspectiva, já que ter uma pessoa real nos contando uma história real muda nossa perspectiva. A formação nos seminários é uma questão abordada em um dos 10 grupos de estudo criados pelo Papa, lembrou o Cardeal Grech. Um instrumento importante para revisar os programas de formação, disse ele, deixando claro que os alunos precisam ser ajudados a serem mais sensíveis. Nesse campo de formação, a religiosa destacou que, além de preparar os alunos para serem profissionais, eles devem ser treinados para serem eles mesmos, para serem melhores com as qualidades que Deus lhes deu, para que possam ajudar pessoas que não tiveram as mesmas possibilidades. De fato, quando o Espírito Santo abre a porta, encontramos uma pessoa real, porque Deus é uma realidade, acrescentou Hollerich. O desafio é que a educação, o estudo da Teologia, nos torna melhores. Conhecer a cultura onde o Evangelho é proclamado Sobre o diálogo inter-religioso e a sinodalidade, o Cardeal Hollerich, que foi missionário no Japão por mais de 20 anos, enfatizou a importância do diálogo em todas as suas dimensões. Em sua vida missionária no Japão, ele entendeu que, para proclamar o Evangelho naquele país, precisava estudar sua cultura e religião a fim de encontrar a melhor maneira de pregar. O Relator Geral do Sínodo lembrou que o Papa Francisco nos fala de fraternidade entre as religiões e nos diz que a justiça expressa o amor de Deus, referindo-se à justiça ecológica. Por isso, temos que caminhar juntos com todas as religiões e agir juntos pela justiça, porque isso faz parte da missão. De acordo com o cardeal de Luxemburgo, não se pode proclamar o altruísmo e viver de outra forma. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1