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Regional Norte 1 mostra condolências pela morte de Dom Alcimar, que com “o semblante feliz transmitia a todos otimismo e esperança”

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota de pesar pelo falecimento de Dom Alcimar Caldas Magalhães, bispo emérito do Alto Solimões. O presidente do Regional Norte 1, Dom Edson Damian manifesta “condolências e solidariedade ao Dom Adolfo Zon Pereira, SX, aos presbíteros, aos irmãos e irmãs da vida consagrada e aos cristãos leigos e leigas pela perda do pastor que esteve à frente da diocese durante 24 anos”. A note lembra de Dom Alcimar como “um bispo profundamente humano e de coração franciscano”. Homem alegre, “com o sorriso nos lábios e o semblante feliz transmitia a todos otimismo e esperança”. Dom Edson Damian, seguindo as palavras da Evangelii Nuntiandi, faz referência ao dinamismo evangelizador do bispo falecido, destacando a importância de anunciar o Evangelho com alegria, uma atitude presente em Dom Alcimar. Dom Edson Damian citando as palavras do Evangelho de Mateus, lembra de Dom Alcimar como o “servo bom e fiel“, pedindo para suplicar a Deus “para que cesse o quanto antes a cruel pandemia que já ceifou mais de 500.000 vidas de nossos irmãs e irmãos brasileiros”. E junto com isso, “que o Brasil reencontre novamente o caminho do respeito aos diretos humanos e dos valores da democracia, da justiça social, da concórdia e da paz”.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Ionilton chama a “passar da margem da política por ódio para a margem da política como prática da cidadania”

“O Senhor nos responde sempre a partir de onde nós estamos”, uma ideia com que Dom Ionilton Lisboa de Oliveira começava sua reflexão neste 12º domingo do Tempo Comum. Lembrando da resposta a Jó, o bispo da Prelazia de Itacoatiara afirmava que “hoje, Ele nos responde no meio da tempestade da pandemia da Covid-19, da pandemia ética, da pandemia política”. Por isso, Dom Ionilton fazia um chamado a “aprender com Deus a dar resposta a partir de nossa realidade: Covid-19, desemprego, fome, enchente, falta de água potável, descaso com saúde por parte de quem tem a obrigação de cuidar dela”. O bispo, seguindo as palavras do Salmo, apresentava um Deus “que ouve nosso grito e nos liberta”, insistindo em que “nosso Deus é um Deus Libertador”. Estamos diante de um Deus a quem a gente agradece pelo seu amor, o que deve nos levar a que “rezemos sempre agradecendo ao Senhor por seu amor”, segundo o bispo de Itacoatiara. Ao elo das palavras de Paulo aos Coríntios, que faz um chamado a sermos criaturas novas, Dom Ionilton disse que a gente faz realidade isso, “Cuidando da natureza, nossa Casa Comum; valorizando a vida, assumindo a Campanha É tempo de cuidar para servir aos pobres; acolhendo os migrantes; trabalhando pela saúde, pela vacina para todas as pessoas e o mais rápido possível para salvar vidas; solidarizando-nos com os que lutam pela dignidade da pessoa humana e denunciam as injustiças, a corrupção, as notícias falsas, os projetos de lei que promovem a morte, a doença e o sofrimento dos povos indígenas, dos negros, dos ribeirinhos, dos pescadores, dos pequenos agricultores”. O bispo de Itacoatiara, diante do convite de Jesus aos discípulos a ir para a outra margem, ele se perguntava “qual margem nós estamos e para qual margem Jesus nos chama para ir?” Ele mesmo respondia, insistindo na necessidade de passar “da margem da indiferença para a margem da solidariedade; da margem da concentração de bens para a margem da partilha; da margem do consumismo para a margem da sobriedade; da margem do individualismo para a margem da valorização da comunidade; da margem de uma religiosidade de aparência, farisaica, para a margem de uma prática religiosa encarnada na realidade; da margem da politicagem, que busca usar a política para tirar proveito pessoal para a margem da política melhor que promove o bem comum; da margem da política por paixão ou por ódio para a margem da vivência da política como prática da cidadania e da busca das políticas públicas; da margem do apoio à cultura das armas para a margem da cultura da paz”. Diante da cena relatada no Evangelho de Marcos, onde os discípulos são surpreendidos pela tempestade, Dom Ionilton afirmou que “Jesus está conosco, mas isto não nos livra das tempestades, faz com que tenhamos coragem para enfrentá-las e vencê-las”. Junto com isso, ele disse que “Jesus só entra em ação quando não temos mais outra saída”. O bispo refletiu sobre realidades presentes na vida da Igreja e da sociedade, como é a 36ª Semana do Migrante, refletindo sobre a necessidade do Serviço Pastoral dos Migrantes na Prelazia de Itacoatiara, e sobre os processos de migração na Amazônia, tanto interna como internacional, lembrando a ligação dos processos migratórios com o tráfico de pessoas. Também lembrou da oração elaborada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em consequência das 500 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, rezando a oração elaborada pela CNBB para este dia. Na sua homilia lembrou da difícil situação enfrentada por muitas pessoas na prelazia, diante da fome e falta de água potável diante da pandemia e as enchentes, lembrando que mediante a campanha Puxirum pela Vida estão sendo recolhidos alimentos e água nas secretarias das paróquias ou na secretaria da Cúria. O bispo também lembrou da Carta enviada ao Congresso pelo Conselho Permanente da CNBB, “pedindo a retirada de pauta dos Projetos de Leis (2633/2020 e 1730/2021 da Câmara e 510/2021 do Senado) que se aprovados forem prejudicarão e muito o meio ambiente, os povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, pescadores, seringueiros, pequenos agricultores, assentados da reforma agrária, pois vai favorecer o uso de terras públicas por pessoas físicas ou jurídicas, sem as regras de controle que existem hoje através da Lei nº 11.952/2009”. Finalmente lembrava a troca da coordenação da Pastoral da Criança na Prelazia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Alcimar, homem de alma franciscana

A espiritualidade de São Francisco de Assis, pautada no desapego, na capacidade de se colocar no lugar do outro, sobretudo, dos mais pobres, inspira a sua vida religiosa, como evangelizador, catequista e animador de comunidades. O lema que carrega na alma “Tens em mim um amigo” (Carta de São Paulo a Filemon) expressa muito bem a sua maneira de ser e de se relacionar com todas as pessoas, diante das mais gritantes desigualdades e conflitos sociais, assumindo com o povo o compromisso de pastor e a presença da Igreja Serva e Libertadora. Bispo que é Mestre, Pastor e Pontífice; Sinal visível e eficaz de Cristo; Construtor de unidade; Santificador; e Promotor da Justiça e Defensor dos Pobres. Assim é Dom Alcimar Caldas Magalhães, amazonense, filho dos nordestinos e trabalhadores de seringais Cosme Alves Magalhães e Alzinda Caldas Magalhães, já falecidos. Nasceu no dia 2 de fevereiro de 1940, em Igarapé de Ourique, no Município de Benjamin Constant (AM), na região do Alto Solimões.  Aos 13 anos, já não aguentava a inquietude de ir para o Seminário. Queria ser padre. Então, no ano de 1953, foi recebido no Seminário São José, em Manaus. No ano seguinte, já estava entre os Capuchinhos, onde recebeu o nome de Frei Evangelista de Benjamin Constant, sendo enviado para a cidade de Messejana (CE) para cursar o Seminário Menor. Em 1959, já está em Guaramiranga (CE) como noviço; e, no ano seguinte, na cidade de Parnaíba (PI), para iniciar os estudos filosóficos. Em 1965, é enviado para estudar Teologia na Itália, na cidade de Perúgia. Solenemente ordenado sacerdote em 1967, na Basílica de São Francisco em Assis. No ano seguinte, é licenciado em Teologia Dogmática, pela Lateranense de Roma, e Jornalismo, na Rede Audiotelevisiva Italiana (RAI), na Itália. O retorno para o Alto Solimões aconteceu em 1969, quando Frei Evangelista foi atuar como vigário e coordenador da Pastoral na Prelazia. De 1974 a 1979, foi o superior dos Capuchinhos do Amazonas, sendo o primeiro frade brasileiro a dirigir os rumos da missão no Amazonas. Terminado esse ministério, é enviado a inaugurar uma casa de formação do Postulantado (etapa de formação para aqueles que querem assumir a vocação de ser frade), em Tabatinga. Era o ano de 1979. Ele se punha como protagonista de uma nova geração de Capuchinhos autóctones sendo formados em nossa região. Mas foi em 1981, aos 16 de setembro, que o Papa João Paulo II (hoje, São João Paulo II) o nomeou Bispo de Carolina no Maranhão. E, no dia 25 de outubro, em Manaus, a Igreja Paroquial Nossa Senhora Aparecida (atualmente, Santuário de Aparecida) deu-se sua Ordenação Episcopal. Entre os anos de 1983 a 1989, atuou na Pastoral da Juventude e da Pastoral da Comunicação no Regional Nordeste IV da CNBB, Maranhão e Piauí. E, em 1990, é, finalmente, nomeado para a Prelazia do Alto Solimões, onde desenvolveu por 24 anos (até 2015) intenso trabalho pastoral e social. Ser humano inquieto e sonhador De espírito sensível e dócil, de olhar sereno e profundo e de sorriso fácil e verdadeiro, nos seus mais de oito décadas de existência, Dom Alcimar acumula uma vasta cultura e humildade encarnadas no seu jeito cortês em acolher as pessoas e transformar suas vidas. Ao longo dos municípios que constituíam a sua diocese, englobando as cidades de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, Santo Antonio do Iça, São Paulo de Olivença, Amaturá e Tonantins, no Alto Solimões, protagonizou a execução de projetos de desenvolvimento sustentável, com participação ativa nas causas sociais. Tendo como seu predecessor Dom Adalberto Marzi, reuniu prefeitos, vereadores e lideranças, na tentativa de criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da região. Foi então que surgiu uma pastoral de fundo político, uma pastoral de fundo de compaixão, uma pastoral social com um âmbito maior. E, juntamente com as lideranças, iniciou o Consórcio dos Municípios, o Fórum da Meso-Região, ligado ao Ministério da Integração Nacional, devido ao baixíssimo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da região. Implantou projetos de segurança alimentar e de alimentos compatíveis com as culturas indígenas, como de produção de óleo de dendê para biodiesel, agronegócios para comunidades, flores tropicais. Foi ali que também organizou e executou, no ano de 2002, em parceria com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), o Programa de Zoneamento Ecológico, Econômico e Participativo, na região do Alto Solimões. Não por acaso foi eleito, em 1999, conselheiro do Estado do Amazonas para o setor primário, condecorado com a medalha Marechal Cândido Rondon. Atuando em municípios com grande extensão territorial, fronteira com dois países, área de rota do tráfico de drogas, grandes populações indígenas, e grandes problemas, como assistência nas áreas de saúde, alimentação, segurança, educação e oportunidades de trabalho e geração de renda, Dom Alcimar não mediu esforços para possibilitar às pessoas sonharem com uma vida mais digna. “Podíamos ter escolhido catequese, cursos de Bíblia ou outros tipos de presença pastoral. Porém, o clamor mais forte, mais urgente, mais cristão e mais humanitário no momento é o lado social. É nessa maré que remamos. Saciado de palavras que não enchem barriga e, quando a barriga está vazia, a fome é uma péssima conselheira e não leva ninguém a ser solidário, a ser fraterno e irmão”, disse ele, certa vez. Sua missão evangelizadora focava na recuperação da auto-estima dos índios, ribeirinhos e marginalizados urbanos; no planejamento de ações eficazes para evitar o esvaziamento das comunidades ribeirinhas e indígenas;  em iniciativas de segurança alimentar – preocupado com esgotamento das reservas de peixes e abandono da agricultura familiar; e no descobrimento e capacitação de novas lideranças políticas com boa formação ética e cristã, além do envolvimento dos universitários com a realidade da região. A existência da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) na localidade é outro fruto dessa grande mobilização que fazia, com cursos básicos, na formação de políticos, professores, lideranças, técnicos, sonho de nossa região. Sempre acreditou que estava numa escola espetacular de convivência evangélica, de encontro e raças, de cultura e etnias. Dizia que eram poucos. Mas que, diante…
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Faleceu Dom Alcimar Caldas Magalhães, bispo emérito da Diocese do Alto Solimões

Faleceu neste domingo, 20 de junho de 2021, no Hospital Unimed de Manaus, Dom Alcimar Caldas Magalhães, bispo emérito da diocese do Alto Solimões. Segundo informou a diocese, a causa da morte parada cardíaca. Nascido em 02 de fevereiro de 1940, na comunidade de Ourique, município de Benjamin Constant (AM), filho de seringueiros, foi ordenado sacerdote em 1967. Sua primeira missão foi como pároco na Paróquia de São Paulo Apóstolo em São Paulo de Olivença (AM), sendo eleito Conselheiro e Definidor da Custódia dos Frades Capuchinhos do Amazonas, em 1972. Dom Alcimar iria completar no dia 25 de outubro 40 anos de ordenação episcopal. Ele foi bispo da diocese de Carolina (MA) durante 9 anos, sendo transferido para a Prelazia do Alto Solimões em 18 de novembro de 1990. Posteriormente, em 16 de fevereiro de 1992, a prelazia foi instituída diocese e Dom Alcimar foi nomeado bispo diocesano, cargo que assumiu até 20 de maio de 2015 em que o Papa Francisco aceitou sua renúncia canónica. A missão de Dom Alcimar na diocese do Alto Solimões, a terra onde ele nasceu, sempre esteve muito marcada pela dimensão social, ajudando a promover projetos a serviço de melhores condições de vida para o homem do interior. Seu trabalho foi reconhecido em muitas ocasiões. Em 1999 foi eleito Conselheiro do Estado do Amazonas para o Setor Primário, sendo condecorado pelo Governo do Amazonas com a medalha Marechal Cândido Rondon; no dia 31 de agosto de 2008, recebeu o título de Cavaleiro da Paz, por suas ações em favor da Vida e da Paz na região do Alto Solimões e em outros lugares por onde esteve; em 2009, foi indicado para concorrer ao Prêmio Brasileiro Imortal promovido pela Companhia Vale do Rio Doce, cujo objetivo era a eleição de seis brasileiros com atividades na área socioambiental e que tivesse real importância, apresentando benefícios e resultados comprováveis às comunidades, cidades, estados ou regiões em que atuam. Em parceria com entidades estrangeiras, governamentais, não governamentais e sociedade civil organizada realizou inúmeros projetos em prol dos mais carentes, como zoneamento ecológico, econômico participativo na Região do Alto Solimões, em 2002;implantação de sistemas de energia fotovoltaica, potabilização de água e educação socioambiental e sanitária, com a entidade italiana Sipec, em 2003 a 2006; validação de Tecnologia de produção de óleo de dendê, para Biodiesel por agricultores familiares no Amazonas, em 2006; desenvolvimento de agronegócios em comunidades do Alto Solimões, em 2008; flores tropicais em Tabatinga, em 2008; desenvolvimento sustentável de territórios rurais, no ano de 2008; desenvolvimento sustentável da Amazônia Fronteira de Brasil (Alto Solimões em Benjamin Constant), com a entidade italiana Iscos, no ano de 2010 a 2015; melhora da saúde e das condições de vida de comunidades indígenas da Amazônia, Rio Javari – CIMI, no ano de 2010 a 2016. A diocese, que pede orações pelo descanso eterno de seu bispo emérito, tem mostrado sua solidariedade com “seus familiares, a família capuchinha, amigos, e todos aqueles que com ele caminharam nesta nossa diocese na sua missão como padre e bispo no meio de nós”. Ainda não foi comunicado a data do velório e sepultamento do bispo emérito do Alto Solimões, que deve acontecer nos próximos dias em Tabatinga, sede da diocese. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Pacto pelo Brasil e pela Vida conclama “a união nacional em defesa da vida e da democracia no Brasil”

“Meio milhão de vidas perdidas”, são as palavras que abrem a carta (LEIA AQUI) das seis entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil, dentre elas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nela são denunciadas abertamente atitudes do Presidente da República e do governo que tem contribuído para chegar nesta situação. As entidades vêm denunciando desde sete de abril de 2020, Dia Mundial da Saúde, os sinais que “indicavam se tratar de um vírus de alta transmissão, com impactos graves sobre o organismo humano”. Diante disso pediam “medidas firmes, guiadas pela ciência, para conter o seu alastramento”, uma atitude não seguida pelo governo brasileiro, empenhado em “manifestações contrárias às medidas recomendadas por organismos sanitários, no cuidado e na promoção da vida humana”, o que causa “estranheza, e também indignação”. A carta denuncia abertamente o Presidente da República, e seu empenho na “promoção de aglomerações com objetivos ideológico-políticos, estimulando comportamentos sociais com risco epidemiológico”, definindo essas atitudes como “um atentado contra a vida e contra os valores democráticos”. Junto com isso, também são denunciadas as “manifestações de autoridades promovendo o uso de medicação sem eficácia no combate ao vírus, o descrédito propagado em torno da ciência, a omissão em relação às vacinas, a multiplicação de fake news, a desorientação sanitária e a falta de coordenação nacional no enfrentamento da pandemia cooperaram para que o número de doentes e mortos alcançasse níveis exorbitantes”. As entidades insistem na pertinência e indispensabilidade da CPI instalada no Senado Federal, que ajude a demostrar que “negacionismo mata”. Junto com isso, a carta quer desmascarar “a falsa oposição entre salvar vidas e salvar a economia, que ainda alimenta o discurso oficial”, mostrando o sofrimento da população com a falta de vacinas, a falta de trabalho e de perspectivas. Diante da cada vez maior concentração de renda, exigem o necessário auxílio emergencial, que ajude, pois, “a fome se instala em milhões de lares”. O Brasil vê a falta de respeito às instituições da parte de “alguns setores da sociedade e parcela dos governantes”, denuncia a carta, assim como “o vazio de políticas públicas, ao lado das políticas da desconstrução, não só no âmbito da saúde, mas em educação, cultura, meio ambiente, moradia, emprego, geração de renda, apoio à ciência e inovação, revela a sociedade que se sente confusa, abandonada e adoecida”. Por tudo isso, os signatários do Pacto pelo Brasil e pela Vida, expressam solidariedade e uma palavra de conforto, conclamando “a união nacional em defesa da vida e da democracia no Brasil”, elementos que cada vez tem mais inimigos no Brasil. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1  

Núcleo de Reflexões Pluriétnicas do Seminário São José de Manaus: “Construir a nossa integralidade formativa tendo em conta a nossa cultura”

O Sínodo para a Amazônia abriu novos caminhos na Igreja da Amazônia, também no campo da formação sacerdotal. O Documento Final faz um chamado a fazer realidade uma formação inculturada, “para oferecer aos futuros presbíteros das Igrejas da Amazônia uma formação de rosto amazônico, inserida e adaptada à realidade, contextualizada e capaz de responder aos numerosos desafios pastorais e missionários”. Aos poucos, estão sendo dados passos nesse sentido, com iniciativas de formação “que responda aos desafios das Igrejas locais e a realidade amazônica”. No Seminário São José de Manaus, que acolhe os seminaristas das 9 dioceses e prelazias do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) uma quarta parte dos seminaristas são indígenas, de 9 povos diferentes. Os seminaristas indígenas, junto com outros seminaristas não indígenas, têm formado o Núcleo de Reflexões Pluriétnicas, nascido no dia 19 de abril de 2021, dia em que é comemorado o Dia dos Povos Indígenas. Segundo os seminaristas, o objetivo é “valorizar as culturas indígenas dentro da cultura da Igreja e do Seminário”, tendo como fundamento a Querida Amazônia, no propósito de “sonhar junto com o Papa Francisco”. Para refletir sobre a realidade indígena o grupo se reunia neste sábado, 19 de junho, com a presença do arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, o reitor do Seminário São José, padre Zenildo Lima, e o padre Roberto Valicourt, da Pastoral Indigenista da Arquidiocese de Manaus. Segundo Eliomar Sarmento, do povo Tukano, o grupo pretende “construir a nossa integralidade formativa tendo em conta a nossa cultura”. Segundo o seminarista da diocese de São Gabriel da Cachoeira, “cada cultura tem sua cosmovisão, e isso enriquece”, insistindo em que pretendem desenvolver “uma vivência e não só uma reflexão teórica que não se encarna”. Dentro do processo formativo do Seminário São José, como mergulhar no Evangelho sem deixar de lado as culturas milenares? A partir dessa pergunta surgem três eixos: memória, identidade e projeto. A memória é a origem da vida, algo que está presente na cultura bíblica e nas culturas indígenas. Isso deve levar a transformar a teologia a partir do conhecimento memorial, sendo necessário uma ligação entre o mundo indígena e não indígena. Para os indígenas é o passado que sustenta o presente, sem passado o individuo não tem presente. Isso se traduz numa visão da vida e numa educação circular, não linear. Durante muito tempo, na Igreja ninguém entendeu o comportamento do indígena, o que mostra a importância desta iniciativa. Não podemos esquecer que no universo indígena tudo tem a ver com a espiritualidade cósmica e religiosa. O encontro foi momento para partilhar elementos que fazem parte da cultura e da vida de diferentes povos: macuxi, tikuna, maraguá, kokama, tukano. Foi explicitado o significado da terra e da água, como elementos que governam a vida e dão continuidade, que fazem presentes os antepassados, que dialogam com seu povo através da natureza. Na cultura macuxi, a terra representa a vida do povo e está ligada ao céu, o que os leva a descobrir Deus como força. Na cultura indígena são importantes as festas rituais, os materiais espirituais, as danças rituais, as bebidas cerimoniais, elementos que não podem acabar, pois constituem a identidade dos povos, são um valor precioso para cada indígena, que mostram a interligação presente nas diferentes cosmovisões de cada povo. Tudo isso sem esquecer as dificuldades que muitos indígenas, diante da falta de compreensão, encontram quando eles saem do ambiente da própria cultura. Isso acontece em Manaus, onde muitos indígenas que vivem na cidade, eles têm vergonha de dizer que são indígenas, segundo o padre Roberto Valicourt. Segundo ele se faz necessário um resgate da cultura entre os indígenas que vivem na cidade, onde muitos jovens não falam mais a língua materna. Dom Leonardo animava os seminaristas indígenas a recolher as riquezas identitárias, como modo de fazer memória. Segundo o arcebispo de Manaus, é importante “perceber que existem elementos de fundo, pensamentos originários que se juntam”. Nesse sentido, ele destacava que entre os povos originários se desenvolve uma visão desde a totalidade, e não desde o sujeito-objeto, próprio da cultura ocidental. De um lado nos deparamos com um pensamento circular, relacional, enquanto do outro temos um pensamento informativo, segundo o arcebispo. Isso nos mostra a necessidade das culturas ancestrais, afirmava Dom Leonardo Steiner, que agradecia aos seminaristas pelo momento de encontro e reflexão, que ele considerou muito rico. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Conselho Permanente da CNBB denuncia “os graves retrocessos na pauta agrária e socioambiental”

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido de modo virtual nos dias 16 e 17 de junho, tem enviado uma Carta ao Congresso Brasileiro (leia aqui), onde denuncia os graves retrocessos na pauta agrária e socioambiental. Após citar Querida Amazônia, onde o Papa Francisco denuncia “algumas empresas sedentas de lucro fácil”, dizem enviar a carta “com a intenção de apresentar a nossa reflexão e solicitação”, reiterando “o clamor pelos direitos das comunidades e da natureza”. O Conselho Permanente da CNBB faz referência à Carta dos Bispos da Amazônia enviada recentemente ao presidente do Congresso. A preocupação do episcopado brasileiro é com os riscos e a impossibilidade de “uma ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira” neste tempo da pandemia da Covid-19. Os bispos advertem que “trata-se, em suma, de patrimônio público, de territórios de vida que poderão ser concedidos à iniciativa privada”, diante do qual se faz necessário um debate.   A carta apresenta algumas considerações a ter em conta, mostrando a falta de possibilidade de sua necessária ampla discussão com todos os setores da sociedade brasileira, relatando situações presentes na sociedade brasileira, como a grilagem e outras práticas que flexibilizam as leis em favor dos poderosos, tendo como consequência o aumento do desmatamento, especialmente na Amazônia, e de conflitos fundiários, o que favorece pessoas com maiores recursos financeiros em detrimento dos mais vulneráveis. Diante disso, “a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, conscientes de nossa missão de pastores comprometidos com a vida de todos os seres da Criação, respeitosamente, reivindicamos encarecidamente que se proceda a retirada do regime de urgência da tramitação dos Projetos de Leis”. Junto com isso pedem que “se favoreça um debate amplo a respeito da regularização fundiária e do licenciamento ambiental, e da preservação da vida das populações indígenas nos seus territórios, considerando, sobretudo, os pleitos apresentados na Carta dos Bispos da Amazônia, de maio deste ano”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Cardeal Tagle: “É irónico que, para proteger a própria vida, se tenha de aceitar ser tratado como um objeto a ser vendido e utilizado”

Em comemoração do Dia do Refugiado, que será celebrado no próximo dia 20 de junho, e no contexto da Campanha Continental contra o Tráfico de Pessoas, o Celam, a Rede CLAMOR e a Caritas América Latina e Caribe, com o apoio da Caritas Brasileira, organizaram esta sexta-feira, 18 de junho, um Seminário Continental de Incidência contra o Tráfico de Pessoas. O evento virtual faz parte de uma série de atividades que procuram enfatizar o tema da incidência, uma dinâmica que está sendo promovida ao longo deste ano com a Campanha “A vida não é uma mercadoria, são pessoas“. O objetivo era gerar uma reflexão sobre o tráfico de pessoas a partir da realidade global e latino-americana, procurando ser um espaço de diálogo na região para os próximos meses, a fim de definir uma agenda comum que se adapte e reflita o trabalho que tem sido feito. O presidente da Rede Clamor, Dom Juan Carlos Rodriguez Vega, dirigiu-se aos participantes do Seminário afirmando que “a Igreja tem a missão de evangelizar, e viver a caridade é uma forma concreta de pregar o Evangelho com caridade, pregando-o com obras, mais do que com palavras”. Para o arcebispo de Yucatán (México), “se queremos ir mais longe na caridade, temos de procurar influência política, de influenciar, de procurar maneiras de fazer mudanças políticas para que muitos irmãos refugiados possam se beneficiar”. A partir da ideia de que “a política é a forma mais elevada de caridade“, apelou a procurar essa política, “o verdadeiro bem comum, que atinge todas as pessoas, incluindo os nossos irmãos refugiados”. John Aloysius destacou o trabalho da linha da frente da Rede CLAMOR para “proteger, acolher, promover a dignidade dos migrantes, deslocados e vítimas de tráfico humano e facilitar a sua integração”. Para o Secretário-Geral da Cáritas Internacional, no campo da incidência em tempos de Covid-19, o desafio é “como dar a conhecer o sofrimento e as vozes dos migrantes, como acompanhá-los com dignidade neste período de pandemia, e, finalmente, como parar o tráfico de seres humanos, promovendo ações alternativas que ajudem os potenciais migrantes a permanecer no país e a encontrar uma forma de viver com dignidade através de atividades económicas”. O Cardeal Tagle começou a sua participação no seminário agradecendo o fato de ter sido organizado, o que ele vê como “um sinal de que a Cáritas continua empenhada em acompanhar as pessoas que se deslocam em todo o mundo”. O presidente da Cáritas Internacional recordou a campanha “Share the Journey”, lançada há quatro anos com “a esperança de construir pontes entre ilhas que foram separadas umas das outras pelo medo“. Nas suas palavras, recordou o desafio proposto pela campanha, “não apenas para ver os migrantes, mas para os olhar com compaixão, não apenas para ouvir a sua voz, mas para ouvir as suas histórias e preocupações, não apenas para passar do outro lado, mas para parar, como o Bom Samaritano, e viver um momento de comunhão, de solidariedade, com eles”. Por esta razão, afirmou que a campanha “Share the Journey” ajudou a Cáritas “a chegar aos migrantes, a abraçar a sua pobreza e sofrimento, a elevá-los, com a convicção de que não são números, são pessoas, com nomes, com dignidade, com história e com sonhos. E ver Jesus Cristo neles, como uma criança que se torna um refugiado no Egito com os seus pais”. Foi uma campanha, segundo o Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, com a qual “a Cáritas ajudou a desenvolver e difundir uma nova cultura a nível global, uma cultura vital de encontro pessoal, uma nova visão de acolhimento da pessoa humana no migrante”. O cardeal filipino recordou a sua visita ao campo de refugiados de Edumene, na Grécia, como “uma experiência que permanecerá comigo durante muito tempo”, algo que também viveu no Líbano, na Jordânia, no Bangladesh. Nesses momentos, estava feliz com a atenção que recebiam como seres humanos, mas entristecia-se ao pensar se isto seria para eles um estado de vida permanente ou temporário. Em migrantes e refugiados, o Cardeal Tagle disse ter visto as suas próprias raízes, recordando que o seu avô nasceu na China, uma terra que foi obrigado a deixar quando era jovem. Voltando à campanha “Share the Journey”, definiu-a como “um grande momento de encontro, solidariedade e, sobretudo, uma expressão do amor da Igreja pelas pessoas que migram, cristãos, muçulmanos, hindus, seguidores de outras religiões e pessoas sem religião, foram recebidos como pessoas humanas”. Migrantes e refugiados tornam-se “vítimas de uma empresa chamada tráfico de seres humanos“, que, nas palavras do cardeal, “esta empresa tem muitos voluntários e trabalhadores, à espera de migrantes em cada rua, em cada esquina, em cada margem”. Segundo o presidente da Cáritas Internacional, “é irónico que, para proteger a própria vida, se tenha de aceitar ser tratado como um objeto a ser vendido e utilizado“. Isto é algo que “revela uma mentalidade e uma economia defeituosas em que os seres humanos se tornam objetos, enquanto o dinheiro se torna objeto de amor”. Por esta razão, o cardeal filipino sublinhou a importância de um trabalho que visa “evitar que as pessoas em movimento se tornem vítimas do tráfico de seres humanos, prostituição e escravatura”. Num momento marcado pela Covid-19, que “nos deveria conduzir a uma solidariedade global”, e com atitudes xenófobas por parte de muitos países, salientou a importância de “continuar partilhando o caminho com os migrantes”. O Papa Francisco foi colocado pelo cardeal como “uma fonte de inspiração para esta campanha“, insistindo na sua companhia e encorajamento para “defender, acolher, acompanhar e integrar os migrantes”. O presidente da Cáritas Internacional propôs quatro tarefas à Cáritas América Latina e à Rede CLAMOR: “Estudar e abordar as causas da migração forçada de pessoas na sua região”, insistindo que “os cidadãos têm o direito de permanecer no seu país de origem”, o que exige a intervenção da comunidade internacional. Em segundo lugar, “verificar se os migrantes forçados ou refugiados são também vítimas de tráfico humano, prostituição e escravatura”, recordando que este se tornou um…
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Cardeal Hummes recebe o título de Doutor Honoris Causa por “Uma vida dada aos esquecidos do mundo”

A Universidade Nacional de Rosário (Argentina), concedeu esta quinta-feira, 17 de junho, o título de Doutor Honoris Causa ao Cardeal brasileiro Cláudio Hummes, presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). A razão desta distinção reside nas suas “meritórias contribuições para a sociedade e para a defesa dos direitos humanos“, de acordo com Dario Maiorana, o patrocinador do candidato a doutorado. Nas suas palavras, o antigo reitor da universidade destacou alguns elementos presentes na vida do cardeal, tais como a defesa da casa comum, “um slogan para todos os homens e mulheres de boa vontade”. Juntamente com isto, reconheceu o seu papel notável na defesa dos trabalhadores durante a ditadura brasileira. Assim como o seu envolvimento em questões climáticas, o que o tornou um dos grandes defensores da Amazônia e dos seus povos. O reconhecimento do Cardeal Hummes como Doutor Honoris Causa foi uma proposta do Instituto para o Diálogo Global e a Cultura do Encontro. Na Laudatio da investidura, o seu diretor, reconhecendo as muitas razões para isso, destacou no Cardeal o fato de ser “um líder esperançoso que partilha a alegria do espírito num sentido fraterno”, e juntamente com isto, ser “um professor que nos ensina o caminho encorajando-nos a uma compreensão plena dos desafios que nos esperam”. Além disso, “o irmão que consola e alcança”, e “o Pastor que alegremente guia a comunidade num sentido de fraternidade, diálogo e transcendência, fora da zona de conforto, entendendo o futuro como um desafio”. Ao fazer um breve relato da vida do homenageado, Luis Liberman sublinhou “o seu compromisso com os pobres é o horizonte da sua ação pastoral”. Insistiu também que “a sua vocação pedagógica traça a sua identidade como construtor de caminhos de esperança”, relatando diferentes fatos que atestam esta afirmação, um deles o seu envolvimento na Cátedra do Diálogo e da Cultura do Encontro, onde manifestou a sua vocação para “semear e semear, para conhecer, para partilhar”. O mesmo na necessidade de “criar uma Universidade Católica Amazónica intercultural, localizada no território, que atenda tanto à renovação na formação da Igreja como às necessidades de desenvolvimento e crescimento da comunidade”. No novo Doutor Honoris Causa, Liberman sublinha que “o seu compromisso social e pastoral foi sempre com os mais fracos em testemunho, pregação e ação”, colaborando no que ele chama “a compreensão dos processos de mudança na Igreja latino-americana nos últimos 50 anos”. É alguém que está empenhado na sinodalidade, que Luis Liberman define como “o instrumento necessário para compreender que o nosso caminho está na periferia geográfica e existencial. Questionar a cultura do descarte e a globalização da indiferença. Criar uma pedagogia do cuidado baseada na ecologia integral que, juntamente com a boa política, nos permita projetar uma cultura de encontro”. É uma história de vida que, nos últimos anos, tem estado ligada a novas experiências eclesiais, tais como a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), cuja criação liderou e que presidiu durante seis anos, o Sínodo para a Amazônia, do qual foi relator geral, e a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), que “é um organismo episcopal que visa promover a sinodalidade entre as igrejas da região e continuar a tarefa de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora, especialmente incorporando a proposta da ecologia integral”, segundo Liberman. Ele insistiu que o homenageado “tornou-se uma figura de grande importância global pelo seu trabalho na defesa dos direitos humanos e do ambiente”. A cerimónia contou com a presença de alguém que disse dever muito ao Cardeal Hummes, o Papa Francisco, pelo “exemplo que me deu durante a sua vida“. Com uma mensagem de autografada, que o homenageado disse não merecer, o Papa Francisco disse estar “feliz com esta decisão porque se trata de agradecer a Deus e à vida por nos terem dado estes companheiros de caminho, estes líderes que têm a coragem de abrir trilhas, caminhos e de provocar sonhos; a coragem de continuar sempre olhando o horizonte sobre os problemas e dificuldades do caminho”. Para o Santo Padre, o Cardeal Hummes é “um homem de esperança e um semeador de esperança“. Alguém que no momento em que foi eleito Papa disse-lhe duas frases que ficaram marcadas nos seus pensamentos e na história da Igreja, e que ele recordou na sua mensagem: “é assim que o Espírito Santo age“, e juntamente com isso “não se esqueçam dos pobres“. O Cardeal Pedro Barreto também participou no ato académico, realizado virtualmente, e mostrou a sua profunda alegria pelo reconhecimento do Cardeal Hummes, alguém que tem sido um companheiro no caminho e nos sonhos desde setembro de 2014, quando a REPAM foi criada, na qual foram presidente e vice-presidente. Nas suas palavras, o cardeal peruano insistiu no papel do Cardeal Hummes como “um líder de esperança que, agora aposentado, se dedicou a servir a Amazônia”. Daí a importância dos passos dados neste tempo, com a celebração do Sínodo e a criação da Conferência Eclesial da Amazônia, que, nas palavras de Pedro Barreto, “o Cardeal Hummes preside, encorajando a esperança para a Amazônia e para a Igreja“. O reitor da universidade anfitriã definiu o evento como “o mais importante da vida académica de uma universidade”, enfatizando a “alegria de ter uma personalidade tão simples e enorme entre o corpo docente”. Franco Bartolazzi disse que foi um título atribuído por unanimidade e com força, reconhecendo no Cardeal Hummes, um espelho no qual escolhem olhar para si próprios, olhando para os princípios e valores que impulsionam o seu compromisso. Por esta razão, afirmou que “neste ato estamos pondo em evidência a universidade que queremos ser“. O Reitor da Universidade Nacional de Rosário, falando do testemunho da vida do homenageado, definiu-o como “um apelo de Deus que se torna uma vida dada aos mais fracos, aos trabalhadores, aos povos originarios, àqueles que o mundo deixa de lado, marginaliza”, insistindo na necessidade de “reconhecer a sua vida dada aos esquecidos do mundo“. Bortolazzi agradeceu ao Cardeal Hummes pelo seu testemunho de vida, pelo seu empenho no cuidado da nossa casa comum, pela sua mensagem de alegria e…
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Alegria do Papa Francisco pelo Doutorado Honoris Causa do Cardeal Hummes: “um semeador de esperança”

Com uma mensagem manuscrita, da qual o homenageado diz não ser merecedor, o Papa Francisco quis estar presente na atribuição do Doutorado Honoris Causa da Universidade de Rosário (Argentina) ao Cardeal Cláudio Hummes, presidente da Conferência Eclesial da Amazónia – CEAMA. O Santo Padre diz estar “feliz com esta decisão porque se trata de dar graças a Deus e à vida por nos ter dado estes companheiros de caminho, estes líderes que têm a coragem de abrir trilhas, caminhos e de provocar sonhos; a coragem de continuar sempre olhando o horizonte sobre os problemas e dificuldades do caminho”. O Papa define Dom Cláudio, um dos cardeais mais próximos do atual pontífice, que o encarregou de ser o relator geral do Sínodo para a Amazónia, como “um homem de esperança e semeador de esperança porque está convencido de que ‘a esperança não desilude’”. Na sua mensagem, o Papa Francisco mostra a sua gratidão ao Cardeal brasileiro, a quem diz dever tanto, pelo “exemplo que me deu durante a sua vida“, recordando duas frases que ficaram na história, pronunciadas pouco depois de ter sido eleito Papa, quando lhe disse, “é assim que o Espírito Santo age“, e juntamente com isso “não se esqueça dos pobres“. Um Papa que é sempre amigo dos seus amigos, mostra mais uma vez a importância de momentos como o vivido na Universidade Nacional de Rosário, uma universidade pública na Argentina, onde é reconhecido o testemunho de alguém que construiu pontes entre diferentes formas de pensar e de tomar uma posição face aos problemas do mundo de hoje. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1