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Hoje te proponho a vida e a felicidade

40 Dias navengando com a Laudato Si´na Querida Amazônia   18 DE FEVEREIRO: Quinta-feira depois das Cinzas PEDIDO DA GRAÇA No início de cada dia, busco entrar em clima de oração e rezo: Senhor, neste  tempo favorável a voltarmos o nosso coração para os teus sonhos para a humanidade e para toda as tuas criaturas, te pedimos luz para refletirmos sobre como estamos vivendo as nossas relações contigo, com as pessoas, com o mundo que é a nossa casa comum e conosco mesmo. Ajuda-nos a reencontrar o sentido da vida no louvor e na contemplação agradecida da Criação, na saída de nós mesmos em direção aos que mais sofrem e se sentem sós, especialmente nestes tempos de pandemia, e na construção do teu reino de justiça e paz, tecendo redes de solidariedade e fraternidade entre todos os povos e culturas desta imensa região pan-amazônica e pelo mundo inteiro. Em especial hoje te peço … (apresente o seu pedido particular). Amém.   OUVINDO A PALAVRA QUE NOS GUIA Moisés falou ao povo dizendo: Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Se obedeceres aos preceitos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará… Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele, pois ele é a tua vida e prolonga os teus dias. (Dt 30, 15-16.20) REFLETINDO COM A LAUDATO SI’ Neste início de Quaresma, tempo forte de renovação e conversão, deixemo-nos contagiar pela alegria de S. Francisco de Assis, “santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos”, como nos recorda o Papa Francisco, justamente pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Francisco foi um místico e um peregrino que soube viver na simplicidade e “numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo” (LS 10). Ele apostou em um projeto de vida e de felicidade que o fez livre e irmão de todas as criaturas.  Hoje queremos louvar ao Senhor por este exemplo de verdadeira santidade, que não se separa do mundo, nem se desinteressa pelos dramas e dores da humanidade, mas os assume como se fossem seus próprios dramas e suas prórias dores. Diante da crise cultural e ecológica que vivemos, o exemplo de São Francisco nos estimula a uma mudança de hábitos e de estilo de vida, pois sabemos que “não basta o progresso atual e a mera acumulação de objetos ou prazeres para dar sentido e alegria ao coração humano” (LS, 209). AVANÇANDO PARA ÁGUAS MAIS PROFUNDAS Após um momento de silêncio… À luz do texto bíblico e das palavras do Papa Francisco, busco aprofundar minha experiência de encontro com o Senhor, trazendo para a minha oração a realidade concreta na qual estou envolvido, a situação pela qual passa o mundo, a região pan-amazônica, a minha cidade ou comunidade, a Igreja etc. Procuro perceber os apelos de mudança que Deus me faz e peço forças para concretizá-los, a fim de que o meu louvor a Ele se manifeste em obras concretas de compromisso pela vida, na defesa da nossa Querida Amazônia, dos seus povos e dos pobres da Terra. Concluo com um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.    FRASE PARA ME AJUDAR A CONTINUAR MEDITANDO NESTE DIA Os povos indígenas da Amazónia expressam a autêntica qualidade de vida […] no seu modo comunitário de conceber a existência, na capacidade de encontrar alegria e plenitude numa vida austera e simples, bem como no cuidado responsável da natureza. (Querida Amazônia, 71)

Dom Leonardo: “O diálogo é muito importante neste momento de um vírus de violência, de agressão, de ideologias que não ajudam”

  A Quarta-feira de Cinzas tem sido oportunidade para o lançamento da Campanha da Fraternidade Ecuménica 2021, organizada pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs – CONIC. Como tem acontecido em muitos locais no Brasil, a Arquidiocese de Manaus lançava a campanha na frente da Catedral Metropolitana. O tema deste ano, como lembrava o padre Geraldo Bendaham, é “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”, e o lema “Cristo é a nossa Paz, do que era dividido, fez uma unidade”.   “O diálogo é muito importante, estarmos à escuta do outro, neste momento tão difícil, neste momento não só pandémico, mas neste momento também de um vírus de violência, de agressão, de ideologias que não ajudam na construção”, afirmava Dom Leonardo Steiner, no início de sua intervenção diante dos presentes, sobretudo jornalistas. O Arcebispo de Manaus pedia que a Campanha da Fraternidade possa nos ajudar a nos unir e nos levar ao encontro de Jesus Cristo Crucificado, Ressuscitado. Dom Leonardo destacava a importância da palavra, “que nos faz dialogar, que nos dá o dom da escuta”. Fazia isso no momento reservado ao pastor Marcos Antônio Rodrigues, da Comunidade Luterana em Manaus, ausente diante da suspeita de ter sido contagiado pela Covid-19. Ao comentar a passagem dos discípulos de Emaús, elo da Campanha da Fraternidade Ecuménica 2021, o Arcebispo de Manaus afirmava que “enquanto caminhamos temos as diatribes da vida, as dificuldades”, mostrando que “como os discípulos de Emaús, nós vamos dialogando e vamos compreendendo essas dificuldades”. Se faz necessário, “no diálogo mútuo, estar à escuta, em profundidade, para que nós possamos compreender o fundo das ideologias”, afirmava o arcebispo. Ele se questionava sobre o fundo que sustenta a violência, o por que do feminicídio ou do desprezo aos nossos irmãos negros. Dom Leonardo fazia um chamado a buscar o fundo e a partir da escuta que é diálogo, construir a fraternidade. Segundo ele, “sem escuta não existe palavra, a palavra continua agressiva, a palavra continua separativa, a palavra não é capaz de criar comunhão, familiaridade, fraternidade”. O Arcebispo de Manaus afirmava que “onde existem ideologias, onde existem separações, não existe partilha, porque existe incapacidade de partilhar, porque no existe o amor”. Ele destacava que “a Palavra de Deus nos desarma, a Palavra de Deus, porque é conforto, porque é proximidade, é capaz de criar novas relações apesar de nossas diferenças”. Dom Leonardo fazia um chamado a viver a Campanha da Fraternidade como um tempo de conversão e transformação, que vai possibilitar “um tempo de fraternidade, um tempo de amor comprometido”. Não podemos esquecer que a Campanha da Fraternidade acontece na Quaresma, “para nos convocar a esse espírito de conversão, de mudança”, segundo Dom José Albuquerque. Ele frisava a necessidade de “dialogar em todas as esferas da vida”, que nos leve ao respeito, ao reconhecimento e valor do outro, “a estar sempre em uma atitude de aprendizado”, afirmava o bispo auxiliar de Manaus. Ele espera que a campanha “nos ajude e nos ensine a refletir, a saber escutar mais, a saber valorizar aquilo que nos une”. Na apresentação do Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecuménica 2021, Francisco Lima afirmava a que “estamos em um tempo difícil, complicado, esse tempo de pandemia, que nos inquieta, que nos tira o sossego”. O Secretário Executivo do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, denunciava “quanta gente que conhecemos está morrendo por falta de atendimento, por falta de oxigênio, falta de leitos nos hospitais. Quanta gente sem o alimento necessário, sem emprego, sem nenhuma fonte de renda”. Por isso, ele definia este tempo como “um tempo que nos faz pensar e refletir: será que realmente estamos vivendo em paz?”. Nessa perspectiva, Francisco Lima pedia que “este tempo quaresmal nos inquiete com uma paz que luta pela paz, a paz que sacode com a urgência do Reino, a paz que invade como vento do Espírito a rotina e o medo, a paz conquistada sem armas, a paz que se faz nossa, sem cercas, sem fronteiras”. Ele fazia um apelo ao compromisso “com o diálogo, com a solidariedade, como amor ao próximo”, e à conversão ao diálogo com o diferente e com esta ao nosso lado, que as vezes a gente exclui.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1    

Papa Francisco convida o povo brasileiro a “encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida”

  A Campanha da Fraternidade, que ao longo da Quaresma acompanha a vida da Igreja do Brasil desde o início da década de 1960, tem neste ano um caráter ecumênico, algo que começou no ano 2000 e que “representa uma das experiências mais valiosas de missão evangelizadora em nosso país”, segundo a pastora luterana Romi Márcia Bencke, Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC. Por ocasião da Campanha da Fraternidade, o Papa Francisco enviou uma mensagem ao povo brasileiro. O Papa definiu a Quaresma como “um tempo de intensa reflexão e revisão de nossas vidas“, um convite a caminhar com o Senhor Jesus, que “faz-se peregrino conosco também nestes tempos de pandemia“, a rezar pelos que morreram, a bendizer pelos profissionais de saúde e estimular a solidariedade, “a cuidarmos de nós mesmos, de nossa saúde, e a nos preocuparmos uns pelos outros“. Nas suas palavras, adverte que iremos superar a pandemia, “à medida em que formos capazes de superar as divisões e nos unirmos em torno da vida“.  O Papa Francisco vê a Campanha da Fraternidade como um convite “para ‘sentar-se a escutar o outro’ e, assim, superar os obstáculos de um mundo que é muitas vezes ‘um mundo surdo’“. A mensagem apela à promoção de uma cultura de diálogo, lembrando que “são os cristãos os primeiros a ter que dar exemplo, começando pela prática do diálogo ecumênico“. De fato, insiste que “a fecundidade do nosso testemunho dependerá também de nossa capacidade de dialogar, encontrar pontos de união e os traduzir em ações em favor da vida, de modo especial, a vida dos mais vulneráveis“.  Estamos ante um chamado a afirmar que “a fraternidade e o diálogo são compromissos de amor, porque Cristo fez uma unidade daquilo que era dividido”, como recolhe o hino da campanha. A Campanha da Fraternidade Ecuménica de 2021 é um desafio “para o diálogo e a construção de pontes de amor e paz em lugar dos muros de ódio”, mostrando que é possível “viver em comunhão”, superando “as polarizações e violências através do diálogo amoroso”, o que é expressado nos objetivos da campanha.  A Campanha, que foi organizada quase que inteiramente on-line, ela faz a proposta de conversão ao diálogo e ao compromisso de amor, afirmando que “a conversão é um processo permanente e diário”, que nos leva a “repensarmos cotidianamente nossa forma de estar no mundo”. Daí nasce “a possibilidade de novas formas de relações humanas e sociais”, de assumir “um jejum que agrada a Deus e que conduz à superação de todas as formas de intolerância, racismo, violências e preconceitos”.  El Texto Base da Campanha tem como elo a história dos discípulos de Emaús, fazendo um chamado a refletir a partir de quatro paradas: ver, julgar, agir e celebrar, uma metodologia que acompanha a vida da Igreja latino-americana nas últimas décadas.  A pandemia da Covid-19 e suas consequências é o ponto de partida do ver, afirmando que, no Brasil, onde tem morrido um 10% das vítimas mundiais, “a pandemia dilacerou famílias e deixou espaços vazios na cultura nacional”. O texto reflete sobre “a incerteza, a insegurança, o descaso político para com as pessoas, a desestruturação repentina de nosso modo de vida”, provocando sensação de medo e impotência. Também aparecem relatos sobre diferentes reações diante da pandemia nas igrejas.  A reflexão em torno da Campanha, denuncia que “no Brasil, a pandemia escancarou as desigualdades e a estratificação racial, econômica e social”, refletindo sobre a resistência ao isolamento, o negacionismo, a volta da fome, a continuação da violência policial, doméstica e do racismo. Também aparece a análise das tensões e conflitos, das reformas, do aumento do desemprego, da pobreza, das desigualdades os das notícias falsas nos últimos anos. O Brasil se tornou uma sociedade cheia de muros, com muitas crises que afetam a todos, também àqueles que fazem parte das Igrejas.  Diante disso, a Campanha chama a interpretar a realidade, em uma sociedade onde “ainda permanecem as estruturas racistas e excludentes”, que beneficia os poderosos e ignora as políticas públicas. Isso gera insatisfação, que se transforma em ódio contra o diferente, relações injustas, destruição da Casa Comum, novas cruzes que não são respostas para a paz, “necropolítica”, onde o Estado se julga soberano para escolher quem morre e quem vive. Isso é algo que se faz presente de diferentes modos no Brasil, através da violência, que nunca será a saída, e de leis que acabam com direitos históricos conquistados.  A reflexão sobre a catástrofe ambiental, uma realidade muito presente no Brasil, que atinge especialmente os povos tradicionais, grandemente afetados pela pandemia da Covid-19, também está presente na Campanha da Fraternidade de 2021. O Texto Base denuncia que “a violência contra a terra e os povos originários é, muitas vezes, legitimada por um discurso religioso reativo”, que manipula a religião. Também é colocada a reflexão sobre o racismo contra negros e indígenas, que se traduz em intolerância religiosa, algo que tem uma raiz histórica e que se perpetua, criando muros que demandam “rever a forma como vivemos a nossa fé”.  A segunda parada, identificada com o julgar, faz uma análise desde a perspectiva bíblica. O texto afirma que “a fé é diretriz de conduta, tanto para o bem quanto para o mal”. Nesse sentido, as origens do cristianismo nos mostram que “a opção pelo Evangelho trazia consigo a busca pela compreensão mútua e um processo de conversão”, algo recolhido nas cartas paulinas. Isso levava a derrubar “o muro da separação” e construir “um mundo de comunhão na gratuidade do amor de Deus, que acolhe e perdoa”. Eram comunidades diversas, mas que procuravam a unidade, a partir da fé em Jesus Cristo, “vínculo que une a comunidade e garante que experimentemos os sinais do Reino de Deus”.  Isso é recolhido no lema da Campanha da Fraternidade Ecuménica de 2021: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade”. O apóstolo Paulo faz um testemunho conciliador e promotor da unidade na diversidade, que não é razão para conflitos. Tudo em vista da…
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Informe Covid-19: A Pan-Amazônia ultrapassa os dois milhões de casos e os 50 mil mortos

  O último informe sobre a Covid-19 da Rede Eclesial Pan-Amazõnica, emitido cada semana, nos mostra que a Pan-Amazônia superou os dois milhões de contagiados e os cinquenta mil falecidos. São concretamente, 2.025.223 casos e 50.364 óbitos desde o início da pandemia, com um aumento na última semana de 51.503 casos e 2.021 falecidos. Em referência à semana passada, diminui o número de casos e aumenta o número de óbitos.  Na Amazônia brasileira, o número oficial de casos é de 1.545.291 e 35.174 óbitos. Já no Regional Norte 1 da CNBB, o número de casos é de 341.791 e as mortes chegaram em 10.510, um número muito elevado tendo em conta a população do Regional. Na última semana, no Regional Norte 1 da CNBB, o número de casos foi de 13.791 e os óbitos foram 934. Diante dessa situação, o Regional Norte 1 da CNBB continua se empenhando em ajudar a cuidar da vida do povo. Ontem, 15 de fevereiro, chegaram em Manaus mais de 200 cilindros de oxigênio, que já foram distribuídos nos municípios do interior do Estado do Amazonas. A Campanha “Amazonas e Roraima contam com a sua Solidariedade” tem distribuído oxigênio, BIPAPs, concentradores de oxigênio, EPIs, material hospitalar…, sobretudo no interior do Estado, onde os agradecimentos dos municípios são constantes. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Regional Norte1

CFE 2021, “Não se deixar enganar pelas fake news dos falsos profetas”. Artigo do Padre Adelson Araujo dos Santos

  Uma das primeiras coisas que aprendemos durante as aulas de Lógica, quando estudamos Filosofia, é a identificar quando alguém está a dizer uma verdade, ou quando o seu discurso é baseado somente em falácias, palavra de origem latina (do verbo fallere), cujo significado é enganar os outros com argumentos falsos. Pois bem, existem diversos tipos de falácias, mas uma das mais usadas é aquela conhecida como Argumentum ad personam  – ataque pessoal –, ou seja, quando alguém procura negar a veracidade de um discurso atacando, não o seu conteúdo, mas a pessoa que escreveu ou proferiu tal discurso. É o que temos visto acontecer nos últimos dias, em relação a um excelente documento apresentado pelos bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021, que está sendo violentamente atacado na internet, por pessoas e grupos que se apresentam como defensores da verdadeira doutrina católica, porque tal documento teria sido escrito por uma pastora protestante feminista, defensora do aborto, etc. Em outras palavras, os que acusam o texto da CF não apontam as falhas do documento em si – porque provavelmente nunca o leram – mas atacam somente quem, segundo eles, o escreveu. Fica evidente que estamos diante de um clássico caso de acusações falaciosas e logicamente incoerentes, porque não provam o que alegam, isto é, não mostram no texto onde está a heresia ou doutrina contra a fé. Assim, sem entrar na análise do conteúdo do texto-base da Campanha da Fraternidade, querem com suas falácias parecer convincentes para grande parte do público, que acaba acreditando, por não perceber que está sendo enganado com falsos argumentos. Não vale a pena, portanto, perder muito tempo com quem se utiliza de argumentos falsos para defender suas ideologias que, aliás, pouco tem de religiosas, espirituais e verdadeiramente cristãs e católicas. Pois, qualquer pessoa com um mínimo de formação teológica e honestidade intelectual que ler o texto-base da CF2021, ficará encantado com a riqueza da sua fundamentação na Sagrada Escritura e no magistério da Igreja Católica, que fala pela voz do Santo Padre Papa Francisco e de seus antecessores, como João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. O texto da Campanha da Fraternidade deste ano começa nos recordando, por exemplo, que a Quaresma, na tradição cristã, é um período de conversão e de autorreflexão. São 40 dias dedicados à oração, ao jejum, à partilha do pão e à conversão pela revisão de nossas práticas e posturas diante da vida, do Planeta e das pessoas. Em seguida, somos convidados ao arrependimento dos pecados cometidos e o reconhecimento de que esses pecados são uma ofensa ao Deus amor. O texto explica que a contrição não tem relação com o medo de ser castigado por Deus, mas é resultado da graça de Deus, que nos permite o reconhecimento de nossos pecados e o sincero arrependimento, Deus nos perdoa porque é amor misericordioso. Com o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14),  frase que é uma “confissão de que a fé em Jesus Cristo não é motivo para divisões e conflitos, mas é a inspiração maior para a convivência e o diálogo” (Texto-Base 114), o texto valoriza o jejum como parte integrante da espiritualidade quaresmal, recordando que há muitas formas de jejuar, mas o jejum que agrada a Deus é apresentado pelo profeta Isaías, que nos questiona se jejuar é não “desatar os laços provenientes da maldade, desamarrar as correias do jugo, dar liberdade aos que estavam curvados, em suma, que despedaceis todos os jugos? Não é partilhar o teu pão com o faminto? E ainda? Os pobres sem abrigo tu os albergarás; se vires alguém nu, cobri-lo-ás: diante daquele que é a tua própria carne, não recusarás. Então a tua luz despontará como a aurora, e o teu restabelecimento se realizará bem depressa. Tua justiça caminhará diante de ti e a glória do Senhor será a tua retaguarda” (Is 58,6-8). Com profundidade teológica, o texto-base destaca a importância do Espírito Santo como o grande animador e vivificador das comunidades cristãs, pois é ele “que nos movimenta para realizar gestos concretos em favor da paz que já temos em Cristo. É o Espírito Santo que abre nossos olhos, mentes e corações para que percebamos o sentido da afirmação da Carta aos Efésios que diz: ‘Assim, não sois mais estrangeiros nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da família de Deus’ (2,19). Essa nova humanidade que floresce sob o mesmo Espírito fez com que ‘fostes integrados na construção que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra mestra’ (2,20a), ‘É nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo no Senhor’ (2,21). Participantes na Criação e também frutos dela, em Cristo, que é a nossa paz e une os grupos humanos que estavam separados (Texto-Base 137). O elemento cristológico da nossa fé é também explicitado, quando o texto afirma que “em Cristo, recebemos essa abundância de bênçãos, que nos torna herdeiros e herdeiras do Mistério revelado de ser um só povo unido em diversidade. Ser integrados e integradas na construção do Reino de Deus aponta para a unidade, que se realiza na oferta da diversidade dos dons concedidos por Cristo a cada pessoa, para que a casa comum seja um ambiente seguro e feliz para todos os seres vivos” (Texto-Base 137). Trata-se, portanto, de um texto cheio de espiritualidade, que nos conduz ao encontro com o Senhor na oração pessoal e comunitária, colocando no centro da reflexão a necessidade de conversão, que nos provoca a pensarmos e repensarmos cotidianamente nossa forma de estar no mundo. Sendo espiritual sem ser “espiritualista”, o texto nos leva a questionarmos sobre como nos envolvemos com as transformações sociais, econômicas, espirituais, ecológicas, individuais e coletivas, a fim de que sejamos, cada vez mais coerentes com os ensinamentos de Jesus nos Evangelhos. De fato, a CF quer nos ajudar a reconhcer que…
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Mais 204 cilindros de oxigênio chegam em Manaus e a CNBB Norte1 distribui no interior do Estado

  A solidariedade com o Estado do Amazonas e Roraima continua dando fruto. Desta vez foram 204 cilindros de oxigênio, graças a doação dos “Cavaleiros de Colombo”, que após uma longa viagem desde Aparecida de Goiânia – GO, por estrada e balsa desde Belém, chegaram em Manaus nesta segunda-feira, 15 de fevereiro. Imediatamente começou a distribuição dos cilindros de oxigênio em diferentes municípios do interior do Estado do Amazonas, que agradeceram a mediação da Arquidiocese de Manaus e do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos bispos do Brasil CNBB por ter conseguido um item tão importante neste momento. Desde o início da Campanha do Regional Norte 1 da CNBB “Amazonas e Roraima contam com a sua solidariedade”, lançada no dia 15 de janeiro, além de mais de 300 cilindros de oxigênio, tem sido distribuído BIPAPs, concentradores de oxigênio, Equipes de Proteção Individual e material hospitalar. Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, agradecia a solidariedade da instituição que tem doado os cilindros chegados em Manaus. Ele dizia que “nós agradecemos profundamente a esses irmãos e irmãs que nos enviaram esses cilindros, e aliviar assim todo o momento difícil em que estamos vivendo no estado do Amazonas”. Também o Secretário Executivo do Regional Norte 1 da CNBB, diácono Francisco Lima, que está realizando o trabalho de coordenação e distribuição da ajuda recebida, junto com a Articuladora da Caritas Regional Norte 1, Márcia Maria de Souza Miranda, agradecia a doação chegada em Manaus, “um insumo tão importante para a vida aqui na nossa região”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

REPAM lança roteiros diários de oração para o tempo quaresmal no Ano Laudato Si’

  No marco do ano Laudato Si’, a Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, lançará na Quarta-feira de Cinza, 17 de fevereiro, uma série de roteiros diários de oração “40 dias navengando com Laudato Si’ na Querida Amazônia”. Esta serie, em português e espanhol, está em plena sintonia com o trabalho que vem sendo realizado pela Igreja na Pan-Amazônia, e que foi refletida em duas séries anteriores: “40 dias pelo rio: navegando juntos a Boa Nova de Deus a caminho del Sínodo Amazônico”, em preparação ao Sínodo em 2019; e a que animou o caminho da Quaresma em 2020, “Querida Amazônia, 40 dias navegando rumo à conversão”. As reflexões foram elaboradas pelo padre Adelson Araújo dos Santos, sacerdote jesuíta nascido em Manaus, na Amazônia brasileira, professor de espiritualidade na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e perito no Sínodo para a Amazônia, celebrado em 2019 e que continua nesta etapa post-sinodal. Quaresma: Renovando a nossa fé e missão da Laudato Si’ à Querida Amazônia, um caminho de conversão integral Nesse espírito, queremos convidar a todos para navegarmos juntos nestes próximos 40 dias, com estes roteiros diários de oração, iluminados pela Palavra de Deus, pelo Magistério da Igreja na encíclica Laudato Si’, a exortação apostólica Querida Amazônia e pelo Documento Final do Sínodo Amazónico, e em comunhão com a imensa rede de comunidades eclesiais da pan-amazônia, vivenciando intensamente o “avançem para águas mais profundas e lançem suas redes para pescar”, para que possamo assim colher muitos “peixes” de renovação e novo ardor missionário. Nosso recorrido iniciará no dia 17 de fevereiro, quarta-feira de cinzas, e concluirá no domingo de Ramos, 28 de março, e estará marcado por alguns elementos em cada dia: 1) Uma imagem e frase inspiradora que iluminará o caminho nesse dia; 2) Um pedido da graça que nos acompanhará durante todo o caminho; 3) Ouvindo a Palavra que nos guia; 4) Refletindo com a Laudato Si’; 5) Avançando para Águas mais profundas, em um convite ao silêncio, meditação, oração e compromisso; 6) Uma frase para ajudar a continuar meditando neste dia. Toda a série estará disponível no site www.redamazonica.org Entre na canoa! Acomode-se bem e busque o equilíbrio necessário, para que juntos entremos nestas águas da Ecologia Integral, as vezes calmas e as vezes movimentadas, para estar atentos ao que possa ser Boa Notícia. Por Comunicações REPAM

CNBB Regional Norte 1 se une ao manifesto que pede vacinação em massa no Amazonas

  Diante do colapso que a pandemia tem provocado no Sistema de Saúde do Estado do Amazonas, 30 entidades, dentre elas o Regional Norte da Conferência dos Bispos do Brasil – CNBB, e a Arquidiocese de Manaus, e 34 personalidades, contando com a assinatura de Dom Leonardo Steiner e Dom Sérgio Castriani, arcebispo e arcebispo emérito de Manaus, tem emitido um manifesto, com data de 14 de fevereiro onde pedem a vacinação em massa já! O manifesto diz que “o cenário atual é de caos”, com pacientes deslocados para outros estados, grande lista de espera e um número cada vez maior de contagiados e falecidos. Diante da situação, “o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção e Caixa Dois defende a vacinação em massa da população, como a única forma segura e eficaz para responder à crise instalada, bem como evitar a possibilidade de uma nova onda do vírus”, afirma o manifesto. A nota vê isso como “estratégia inteligente de saúde pública”, e valoriza o trabalho dos órgãos de controle, “que com as suas decisões buscam garantir os direitos da população ao acesso e tratamento da Covid-19”. O manifesto encerra insistindo na urgência da “vacinação em massa no Amazonas”, pedindo dos diferentes governos “esforços imediatos para a compra de vacinas e a realização de ampla campanha de imunização no Estado”. Eis o texto:  MANIFESTO DO AMAZONAS Direito à Vida é dever de todos VACINAÇÃO EM MASSA, JÁ! O sistema de Saúde (Público e Privado) no Amazonas está colapsado desde o ano passado em consequência da pandemia do coronavírus, somado a má gestão dos recursos financeiros pela União e governos estadual e municipal. Para piorar o cenário, evitando qualquer possibilidade de reversão, ocorreu a agudização do quadro de casos em Manaus no mês de janeiro de 2021, onde foram registradas mais de 2.600 mortes, entre manauaras e amazonenses, transformando o Amazonas em um dos epicentros do coronavírus no mundo. O cenário atual é de caos, com pacientes sendo deslocados para outros estados da federação, a formação de grande lista de espera de infectados por leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a impossibilidade real de remoção de doentes entre as unidades de Saúde. Segundo registros oficiais divulgados pelas Secretarias de Saúde do Estado e Município, alcançamos a indesejável marca de 288 mil infectados e 10 mil mortes. Sem tratamento alternativo medicamentoso e com o crescente número de novas infecções e mortes, o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção e Caixa Dois defende a vacinação em massa da população, como a única forma segura e eficaz para responder à crise instalada, bem como evitar a possibilidade de uma nova onda do vírus, alertada por infectologistas e outros profissionais de Saúde que acompanham a devastadora ação do vírus no Estado. Não se trata de privilégio a imunização em massa dos habitantes do Amazonas, se trata de estratégia inteligente de saúde pública, impedindo que esse vírus na sua versão mais contaminante se propague para outros brasileiros, e ainda, utilizando de forma prudente e otimizada os recursos públicos No sentido de fortalecer o movimento das entidades de classe, instituições e poderes constituídos no Amazonas e no país, o comitê destaca a ação dos órgãos de controle, tais como os Ministérios Públicos do Estado, Federal, do Trabalho e de Contas, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), da Defensoria Pública da União (DPU) e a atuação da do Poder Judiciário, por meio da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas, que com as suas decisões buscam garantir os direitos da população ao acesso e tratamento da Covid-19, em especial, diante da crise da falta de oxigênio nos hospitais e a má gestão dos recursos financeiros nos serviços de Saúde do Estado e município, responsáveis diretos pela perda de inúmeros pacientes e o luto das famílias. Senhores governantes e autoridades de Saúde, é urgente a vacinação em massa no Amazonas. É a grande esperança e a resposta real diante deste cenário de caos social, novas infecções e mortes. Por isso, o Comitê do Amazonas de Combate à Corrupção e ao Caixa Dois Eleitoral, entidades da Sociedade Civil e personalidades solicitam dos governantes do Amazonas e do Governo Federal esforços imediatos para a compra de vacinas e a realização de ampla campanha de imunização no Estado, pois o povo não suporta mais tanto sofrimento e descaso nesta crise sanitária que ceifa vidas e sonhos. Manaus, 14 de fevereiro de 2021.    Entidades  -Comitê Amazonas de Combate à Corrupção e Caixa Dois Eleitoral – Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas – OAB/AM. – Conselho Regional de Administração – CRA/AM – Conselho Regional de Contabilidade – CRC/AM – Conselho Regional de Economia- Corecon/AM – CNBB/ Norte 1 – Arquidiocese de Manaus – Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas – SJP/AM – Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj – Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental – SARES. – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE. – Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus-Aspromsindical. – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Material Plásticos de Manaus e do Amazonas – Sindplast/AM. –  Comissão Pastoral da Terra Regional Amazonas – Comissão Pastoral da Terra da Arquidiocese de Manaus –  Comissão Pastoral da Terra da Diocese de Parintins –  Comissão de Defesa dos Direitos Humanos de Parintins – Movimento dos Trabalhadores Cristãos Grupos do Amazonas – Associação de Amparo Social Frei Mário Monacelli. – Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana – ARATRAMA – Associação de Desenvolvimento Sócio Cultural Toy Badé – Ponto de Cultura Tambor de Mina: História, Memória e Tradição – Ewɛgbɛ́ Acɛ́ Mina Gɛgi Fɔn Vòdùn Xɛ̀byosò Toy Gbadɛ́ – Centro de Umbanda Ogun Beira Mar – Centro de Umbanda Raiz da Araucaia Ilê Axé Opô Opará Ilê Aṣé Omi Mege Orun – Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro – Associação Nossa Senhora da Conceição – Instituto Nossa Senhora da Conceição – Associação Beneficente Cultural e Religiosa do Ilê Axé Opô Opará    Personalidades – Flávio Mota (Promotor de…
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Não ter medo de se reinventar e continuar evangelizando em tempos de pandemia. Testemunho de Maria Luiza Lahan

  No dia 12 de fevereiro, a exortação pós-sinodal Querida Amazônia completou um ano de sua publicação. Nela, o Papa Francisco nos diz que “sem as mulheres, ela [a Igreja] se desmorona, como teriam caído aos pedaços muitas comunidades da Amazónia se não estivessem lá as mulheres, sustentando-as, conservando-as e cuidando delas”. Essas palavras nos ajudam a entender as histórias de vida que fazem parte da Igreja da Amazônia. São histórias com rosto feminino, como a de Maria Luiza Lahan Lamarão, alguém que é só um exemplo dentre os muitos que a gente pode encontrar na Amazônia, no Brasil e no mundo. Ela é uma das coordenadoras da comunidade de São Raimundo, na paróquia do mesmo nome, formada por três comunidades. Mulher sempre presente no dia-a-dia da paróquia, situada num dos bairros mais antigos da capital do Amazonas, numa pequena colina na beira do Rio Negro, a pandemia a impactou, “foi uma surpresa grande, que me levou a me perguntar, como é que eu vou fazer para continuar contribuindo”. Mulher acostumada a olhar a vida com esperança, ela conta que “eu aprendi no caminhar a não ficar para trás, sempre olhar para frente, e Deus sempre mostra uma alternativa em meio aos desafios e dificuldades”. Sua vida nunca foi fácil, mas sempre soube dar a volta por cima e continuar. Ela mesma conta que grávida de 7 meses do seu filho mais velho, ela perdeu seu pai, “e fui eu quem deu coragem, esperança para minha família”. Mais tarde, com 37 anos, Maria Luiza ficou viúva, com 3 filhos, o mais velho com 13 anos. “No momento da morte do meu marido chorei, gritei, mas depois rezei e me coloquei pronta de novo, de pé, para seguir a vida”, conta alguém que aprendeu a ver a vida a partir da confiança em Deus. Diante da pandemia, que tem afastado ela da presença física na igreja, Maria Luiza diz que “junto ao meu dever na coordenação da comunidade, eu me senti exigida a ter presença mesmo nessa situação”. Foi aí que ela não teve medo de aprender a usar a tecnologia. Ela mesma diz que “o Edgar, que é meu afilhado de caminhada e também meu parceiro na coordenação, ele é novo e entende tudo de tecnologia, e eu fui me colocando à disposição para aprender a lidar com a tecnologia para que eu não ficasse longe das pessoas, das famílias, e a coisa foi acontecendo, eu fui procurando me enquadrar nas videoconferências, participando”. Neste tempo de isolamento, “tem sido muito intenso também a minha dedicação às orações, hoje eu digo que eu rezo muito mais do que eu rezava antes, eu me dedico muito, muito mesmo, para minha própria espiritualidade”, afirma Maria Luiza. Segundo ela, “quando a gente se dedica à missão, a gente transborda tudo o que tem dentro da gente, o amor que a gente tem, o Espírito de Deus, e aí a gente precisa se recarregar”. Para isso tem aprofundado na leitura orante, na oração, “aprendi um outro modo de rezar”, ela insiste, afirmando que tem cuidado de continuar evangelizando sua família, mesmo de longe, “de estar sempre motivando os filhos, as famílias deles, a continuar rezando, se unir mais na oração”. Um dos dons de Maria Luiza é a música, ela estudou música e foi colocando seus conhecimentos ao serviço da Igreja. Ela lembra que sua mãe, que foi quem a incentivou nesse campo musical, “quando a gente estava na frente do caixão do meu marido, ela me disse, nunca abandones a comunidade, nunca deixes de celebrar a fé, que isso é o que vai lhe manter”, algo que, “mesmo com todas as dificuldades, com meus 3 filhos, nunca deixei de ir para as celebrações, para a igreja, nunca deixe de ter minha participação, meu serviço, sempre dentro das minhas disponibilidades, das minhas possibilidades, mas primeiro a minha fé, e eu acho que eu ajudei muito meus filhos na questão da educação na fé”. Durante a pandemia, junto com seu neto de 13 anos, que mora com ela, começou tocar o culele, “eu descobri que isso ia me ajudar a servir a minha igreja, na liturgia, com o canto, também ajudando as pessoas que precisavam, gravando áudio para os agentes da música aprenderem as músicas”. De fato, ela tem criado seu canal de YouTube onde realiza seu trabalho evangelizador através da música. “Eu tenho uma coisa comigo, de nunca deixar de me doar, isso para mim é uma questão de natureza espiritual, de fé, de me doar, me doar para a igreja, me doar para as pessoas”, insiste Maria Luiza. Ela vê que “realmente, nesse tempo, eu estou me recriando, tem sido muito gratificante para mim”. Querida Amazônia faz a proposta de “que as mulheres tenham uma incidência real e efetiva na organização, nas decisões mais importantes e na guia das comunidades”, algo que faz parte de Maria Luiza. Junto com isso, um mês atrás, o Papa Francisco promulgava um motu proprio em que abria oficialmente os ministérios do leitorado a acolitado às mulheres, uma prática comum em muitos lugares, dentre eles a Arquidiocese de Manaus. Ao ser perguntada sobre como ajudar as pessoas a se sentir comunidade neste tempo de isolamento, Maria Luiza reconhece que é bem complicado. Mas logo, com seu otimismo afirma que “como eu já tinha um trabalho intenso na comunidade, e sou muito conhecida, as pessoas me procuravam, as pessoas queriam me ouvir, as pessoas querem se sentir acolhidas, mesmo distantes”. Ela diz que “eu sempre procuro dar uma palavra de motivação para as pessoas não deixarem de se sentir parte, de se sentir igreja. Nas minhas falas, nas redes sociais, nos meus áudios que eu falo pessoalmente para cada um pelas redes sociais, pelo WhatsApp, foi uma descoberta também de como eu posso ser útil com a minha fala, mas também escutar, sempre gostei de escutar as pessoas”. Maria Luiza insiste em que “isso de um certo modo, dá uma credibilidade, uma confiança para as pessoas. As pessoas não tem…
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