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Grito dos Excluídos 2024: Chamado a reagir diante da falta de interesse real pela vida das pessoas

O Grito dos Excluídos e Excluídas, fruto de um processo da Primeira Semana Social Brasileira e de articulação das Pastorais Sociais, um grito por cidadania, está completando 30 anos. Em 2024, o tema é “Vida em Primeiro Lugar! Todas as formas de vida importam, mas quem se importa?” A arquidiocese de Manaus, que nesta quinta-feira 29 de agosto fez o lançamento, irá realizar o Grito na tarde do dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, com concentração na Praça da Saudade às 15 horas, e posterior caminhada até a Praça da Matriz, tendo como foco principal as melhorias urgentes na saúde pública do Amazonas. Um trajeto escolhido devido ao grande fluxo de pessoas que se espera naquele momento na região central de Manaus. Segundo o bispo auxiliar de Manaus, dom Zenildo Lima, “a gente não compreende o Grito dos Excluídos somente como um manifesto, senão como uma argumentação bastante sedimentada, fruto de reflexão, fruto de participação popular, fruto de escuta”. Ele insistiu em que “o Grito dos Excluídos acaba se tornando uma grande expressão da caminhada processual”, não só da Igreja católica, dos movimentos sociais e dos povos tradicionais em vista do bem viver, algo que levou o bispo auxiliar a definir o Grito dos Excluídos como “capacidade de resistência das forças organizadas”, diante do comprometimento dos processos democráticos e de uma situação comprometedora, inclusive assustadora e avassaladora, o que demanda reação das forças sociais. O Grito tem caráter ecuménico e interreligioso, em vista de demandas de cidadania, do bem comum e do bem viver, ressaltou o bispo. Ele relacionou o Grito com a Campanha da Fraternidade deste ano, “Fraternidade e Amizade Social”, respeito da “fragilidade das diversas formas de existência humana”, levando a refletir sobre a cultura do descarte que ameaça a amizade social. “Não há uma preocupação, um interesse real pela vida das pessoas, existem categorias humanas, que, dentro de uma lógica de mercado e de consumo, são consideradas descartáveis, a vida dessas pessoas não importa”, disse comentando o tema do Grito dos Excluídos. Ele questionou quem está se importando realmente com migrantes, com populações em situação de rua, com pessoas LGBT, com populações indígenas, com a vida da nossa casa comum. Na arquidiocese de Manaus, o Grito dos Excluídos é coordenado pela Caritas, e seu vice-presidente, o padre José Alcimar Araújo, destacou que “o Grito dos Excluídos nunca saiu das ruas e das praças”, denunciando que “nos últimos anos, vimos um retrocesso muito grande nos nossos direitos”, com o desmantelamento dos órgãos de fiscalização. Isso demanda gritar e dizer “como cidadãos, como homens e mulheres de direitos, que muita coisa precisa ser mudada”, relatando situações concreta que mostram isso em Manaus, e que “complica a vida do nosso povo”, naquilo que tem a ver com saúde, educação e segurança, denunciando o controle que exerce o crime organizado nas periferias. O vice-presidente da Caritas Manaus sublinhou que “em vez de avançar, parece que a gente está retrocedendo, o mal está mais organizado, o mal tem mais dinheiro e o mal se expande com mais facilidade”, fazendo um chamado a refletir sobre a dispersão das forças do bem. Um grito profundo que “nasce do sofrimento, que nasce da dor, que nasce da exclusão, que nasce inclusive dos descartáveis”, que “não terão lugar nunca se não mudar o nosso modo de construir a sociedade e organizar a sociedade”, algo que tem a ver com a economia, distribuição dos recursos e o acesso aos direitos básicos. Falando sobre a saúde do Estado do Amazonas, o padre José Alcimar Araújo denunciou a negligência do governo estadual, citando exemplos disso que mostram a má administração e provocou a morte de muitas pessoas, especialmente no tempo da pandemia, quando muitos morreram pela negligência do poder público. Diante disso, afirmou que “como cidadãos temos o direito e o dever de cobrar àqueles que nós colocamos no poder”. A pouca participação no Grito dos Excluídos, levou o padre Alcimar a dizer que, mesmo todos sendo convocados, “infelizmente, a nossa concepção de fé, ela é muito religiosa, nós temos que ultrapassar os muros da religião, entender que a fé é uma postura de vida, é uma maneira de ser, e o nosso modelo de fé é Jesus”, que estava e se importava com os pobres e os pequenos, os considerados impuros e pecadores. A representante da Igreja católica no Conselho Estadual de Saúde e coordenadora das Pastorais Sociais da arquidiocese de Manaus, Guadalupe Peres, que se disse defensora ferrenha do SUS, denunciou a falta de medicação essencial, a carência de especialidades médicas, as longas filas de espera para as consultas e procedimentos. Ela pediu melhores gestores no SUS e as tentativas de acabar com o SUS com o impulso de planos de saúde particulares, que também não funcionam. Para resolver essa situação foi lançado um abaixo assinado que será entregue às autoridades e aos poderes de fiscalização. Igualmente falou sobre a fumaça em Manaus, consequência de incêndios criminosos, e como isso atinge a saúde, especialmente das crianças e dos idosos, algo que ninguém toma providências. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Fotos: Ana Paula Lourenço

Mês da Bíblia: a Palavra coloca em nós o espírito que nos dá vida

Cada ano no Mês de Setembro, as comunidades católicas no Brasil são convidadas a refletir sobre a Palavra, tendo como fundamento um dos livros da Bíblia. Em 2024, o livro proposto é o Livro de Ezequiel, com o lema “Porei em vós meu espírito e vivereis”. Uma oportunidade para conhecer a Bíblia, mas também para entender que esse texto nos leva a refletir sobre nossa vida, sobre nossas atitudes, sobre nosso modo de nos relacionarmos com os outros. Só quando conhecemos, rezamos e meditamos a Palavra, conseguimos testemunhá-la. Nos encantarmos com a Palavra nos compromete, e faz com que os outros se encantem pelo efeito que essa Palavra provoca em nossa vida. A Palavra transforma, nos faz homens e mulheres novos, com um novo olhar, que nasce de Deus, um olhar marcado pelo espírito de Deus, que muda nossa vida. O Mês da Bíblia nos leva a refletir sobre o espírito que nos dá vida, sobre aquilo que conduz nossa vida pessoal e comunitária. Quando deixamos que Deus ponha em nós seu espírito, nossa vida se plenifica, cobra maior sentido. Uma dinâmica importante em uma sociedade onde a materialidade, a individualidade, o imediatismo são colocados antes do que uma vida fundamentada no espírito. Se faz necessário entender que a Palavra tem que se traduzir em atitudes de vida, que o texto sagrado não relata uma história do passado, e sim aquilo que acontece em nossa vida e em nosso meio. Essa Palavra tem que nos questionar como pessoas, como sociedade, como Igreja. Uma vida sem espírito acaba sendo uma vida que aos poucos vai morrendo, perdendo força de transformação. A Palavra não pode ficar no papel, encerrada dentro do templo, da capela. A Palavra tem que ser levada para nossa casa, para nossa vida, daí a riqueza dos círculos bíblicos, dos encontros que são realizados em tantas casas. Uma Palavra que se concretiza através da realidade, com exemplos concretos, próximos da realidade que faz parte do nosso cotidiano, do nosso dia a dia. Nessa Palavra vamos encontrando sinais de esperança, uma atitude cada vez mais necessária na vida de muita gente, que por diversos motivos foram perdendo seu caminho, o sentido de sua vida. Nessa perspectiva, seguindo aquilo que nos pede o Papa Francisco para o Jubileu do próximo ano, temos que ser peregrinos de esperança, sobretudo no meio daqueles que vivem nas periferias geográficas e existenciais. Não nos conformemos com carregar a Bíblia embaixo do braço, carreguemos a Palavra no coração. Que ela seja a força missionária para todos nós como batizados e batizadas, mas também para nossas comunidades. Não façamos uma leitura da Bíblia desde o intelecto e sim desde o coração, desde uma conversão que nasce da voz de Deus no meio de nós. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

PUAM: Recuperar as utopias do passado para construir um sistema educacional diferente

O Conselho do Programa Universitário da Amazônia (PUAM) reuniu-se em Manaus nos dias 27 e 28 de agosto de 2024. Um órgão nascido das propostas do Sínodo para a Amazônia, que busca recuperar as utopias do passado para construir um sistema educacional diferente, a partir e junto com os povos indígenas. Promove seu protagonismo, para que sejam sujeitos de transformações, para construir um futuro a partir do que são, com uma educação que promova os valores de cada povo, levando em conta o território, um espaço sagrado que integra sua história, suas relações sociais e seu modo de vida. Alcançando os vulneráveis Em busca de uma compatibilidade crível entre a fé e a razão, que caminham lado a lado para capacitar o ser humano e construir sociedades mais humanas, mais fraternas, mais próximas de Deus, como incentivado pelo Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, Cardeal José Tolentino de Mendonça, que, em uma mensagem de vídeo, desafiou a PUAM a alcançar os vulneráveis no território amazônico. O PUAM tem estabelecido parcerias com diversas instituições universitárias, dentre elas a Faculdade Católica do Amazonas, da arquidiocese de Manaus, segundo disse a Coordenadora de Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação, professora Elisângela Maciel, um caminho comum iniciado no ano passado, “estreitando os laços, discutindo alguns pontos importantes, e com a mesma preocupação de aprofundar as questões da educação, mas com um olhar diferenciado e uma educação que não fique presa só na instituição, mas que ela vai ao encontro das comunidades, que vai ao encontro das pessoas”. A professora ressalta que “esses programas, eles têm se alinhado, para que a gente possa alcançar o máximo possível de formação para quem precisa de formação e não tem acesso à instituição, não tem acesso aos meios ainda”. Ela afirmou que “o programa, ele visa facilitar isso, os programas do PUAM, eles vão se desdobrar em vários cursos com perspectivas e com direcionamentos diferentes, mas visando uma formação mais aprofundada e que dê condições para que as pessoas possam estar ocupando determinados espaços como lideranças, mas também na vida profissional”. Trabalhando a partir do acompanhamento das comunidades A colaboração das Irmãs Lauritas com a PUAM se baseia no fato de que o trabalho dessa congregação “é desenvolvido entre os povos indígenas de toda a América Latina”, como afirma a Irmã Maritza Monsalve. De acordo com a religiosa, “acompanhamos todos os serviços onde podemos acompanhar e continuar sendo uma presença entre eles”. O trabalho de base, no meio das comunidades amazônicas, é algo que muitas pessoas e instituições assumiram. Uma delas é Maria Teresa Sánchez, da Universidade Católica Andrés Bello – Extensão Guayana, na Venezuela, para quem “o Programa Universitário Amazônico é uma oportunidade para aqueles que, vivendo no território, não têm acesso a uma educação de qualidade com ampla informação, porque a educação universitária tradicional não responde às necessidades de cada um dos territórios”. Caminho interinstitucional comum Entre os desafios que o PUAM precisa enfrentar está o financiamento, para o qual o conselho sugeriu algumas medidas a serem tomadas. Durante a reunião, foram apresentados alguns dos cursos que fazem parte do programa, realizados por meio de um trabalho conjunto entre várias instituições de ensino, que surgiram após conhecer os indicadores do território. Um deles é um curso sobre saúde, do qual participam a Pontifícia Universidade Católica do Equador e a Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá. O Programa Universitário Amazônico participa do Observatório da Democracia na América Latina da Associação de Universidades confiadas à Companhia de Jesus na América Latina (AUSJAL). Diante da deterioração e do desencanto com a democracia no continente, o observatório busca ter um impacto na melhoria da qualidade da democracia. A proposta está estruturada em várias etapas, com a participação de vários pesquisadores que contribuem com dados baseados em informações de líderes locais, no caso do PUAM, na região amazônica. Uma escolha para os contextos mais oprimidos A Uniminuto, uma universidade que hoje está presente em 43 municípios de 21 departamentos colombianos, com um extenso programa virtual, surgiu como mais uma etapa do Minuto de Dios, iniciado pelo padre eudista Rafael García Herreros, que desde 1954 ajuda os colombianos a refletir. Uma universidade que atualmente tem 248 programas universitários com 102.000 alunos na Colômbia, que já formou mais de 211.000 alunos em 32 anos. Em um caminho comum com o PUAM, eles levaram a universidade para os departamentos de Guainía e Vaupés, com uma porcentagem significativa de indígenas entre os alunos. A Jesuit Worldwide Learning leva a universidade para onde estão aqueles que não podem ir à universidade, optou por trabalhar em contextos muito oprimidos, nas áreas mais críticas do mundo, entre elas os povos indígenas, levando em conta que 46% dos 500 milhões de indígenas do mundo não têm acesso à educação básica e apenas 8% chegam à universidade. Eles realizam trabalhos com minorias religiosas, com grupos que sofrem violações de direitos humanos e com aqueles afetados pelas mudanças climáticas, 11.000 alunos em 33 países. Um caminho, que serve de inspiração para a PUAM, no qual eles vêm treinando líderes, gerentes e animadores comunitários, como mostra o programa construído e apresentado na reunião. Um espaço para somar corações, para ver que há muita gente trabalhando na Amazônia, mesmo que não se perceba, para carregar no bolso as pequenas coisas que são feitas em tantos cantos. Mas também para descobrir os passos a serem dados na construção desse novo programa que se baseia na sabedoria dos povos e se propõe como elemento fundamental para o futuro da Amazônia e de seus povos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Programa Universitário Amazônico (PUAM): valorizar e fortalecer o conhecimento local como um caminho para minimizar a lacuna educacional

Nos últimos dias, Manaus tem sido o epicentro dos caminhos de futuro da Igreja na Amazônia. Foi realizado o V Encontro da Igreja na Amazônia Brasileira, que reúne 58 igrejas locais, a II Assembleia da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e, nos dias 27 e 28 de agosto, acontece a reunião do Conselho do Programa Universidade da Amazônia (PUAM). A importância de uma visão panorâmica Mais de 20 representantes de diversas universidades, organizações e instituições, vindos de vários países, buscando avançar em um caminho que começou em 2022. O cardeal Pedro Barreto, arcebispo emérito de Huancayo (Peru) e presidente da CEAMA, disse a eles que é muito importante ter “uma visão panorâmica de todo o processo que estamos construindo, algo sem precedentes e que nasce como um mandato de Deus”. O cardeal destacou o passo iniciado há 10 anos, que significou uma mudança do anúncio do Evangelho “em ilhas” para a canalização de diversas experiências e a criação de um canal de comunhão na diversidade. O cardeal Barreto insistiu que não devemos ter medo de ser diferentes, o importante é estarmos identificados com a Amazônia. Para isso, defendeu a consciência de trabalhar juntos, articulados, unidos em algo que é um dos sonhos de Deus, como expressou o Papa Francisco em Querida Amazônia. O cardeal peruano lembrou que o PUAM surgiu de uma proposta do Sínodo para a Amazônia, em conjunto com a CEAMA, ressaltando que é um mandato do Magistério pontifício e como Magistério indica uma linha para toda a Igreja. A partir daí, definiu o PUAM como a expressão do caminho concreto da Igreja na Amazônia para a educação de todos os que vivem na Amazônia, com especial atenção aos povos indígenas, que são os mais atingidos. Uma educação no território amazônico com a qual a Igreja está comprometida, enfatizou o presidente da CEAMA. Projeto educacional da PUAM Os membros do conselho foram informados sobre os passos dados no projeto educativo do PUAM, sua estrutura, dividido em três capítulos, partindo do contexto, passando por um projeto educativo na Pan-Amazônia, até chegar às diretrizes pedagógicas. Para concluir, enfatiza-se a necessidade de compreender a missão do PUAM na construção de um futuro sustentável, os desafios e as perspectivas para o futuro e as referências. Para avançar, responderam a uma pergunta: “A partir do caminho coletivo, quais são as percepções do Conselho sobre a estrutura e/ou o conteúdo do Projeto Educativo do PUAM?” Análise da realidade educacional O estudo de viabilidade territorial, educacional e financeira do Programa Educativo do PUAM “Gestão Integrada do Território Amazônico” destaca o trabalho realizado no território, buscando recuperar as vozes do território. A análise da realidade educacional de cada país onde a PUAM está presente mostra que, no Brasil, por exemplo, houve a diminuição do analfabetismo e a necessidade de acesso ao ensino superior, a necessidade de abordar a inclusão e a diversidade sociocultural, a falta de programas de desenvolvimento sustentável e conservação ambiental e de formação profissional e tecnológica adaptada à região amazônica, bem como a promoção da igualdade de gênero na educação. A realidade colombiana mostra a baixa taxa de cobertura no ensino superior, os desafios decorrentes das condições geográficas e socioculturais, a falta de programas educativos adaptados e as desigualdades econômicas e de recursos. Essas situações se repetem no Equador, onde a taxa de evasão é alta e há desigualdade na distribuição da oferta educativa e dificuldade de adaptação às necessidades regionais, o que exige o fortalecimento da identidade cultural e da autonomia. Também no Peru, onde há falta de recursos e de ofertas educacionais, principalmente contextualizadas. Uma desigualdade mais evidente na Venezuela, consequência da crise econômica e social, agravada por estratégias educacionais incompletas e politizadas. Elementos comuns nas comunidades amazônicas Uma realidade que é decisivamente influenciada pelos problemas sociais da região amazônica, que se referem à educação, à saúde, ao transporte, à invasão de territórios, à falta de liderança, à migração, à falta de segurança, ao meio ambiente e à perda da cultura, entre outros. Daí surge a demanda por capacitação técnica e tecnológica e algumas propostas são feitas com o objetivo de promover a liderança local, a capacitação para o bem comum, contextualizada e intercultural, programas educacionais abrangentes, empoderamento do território, ofertas de emprego local, programas sociais com a participação e o protagonismo da comunidade, gestão de cultivos para as gerações mais jovens. Isso gera sonhos e aspirações de capacitação, em busca de condições de vida dignas para os jovens, capacitação tecnológica, fortalecimento das identidades, não perder o que é indígena, buscar o bem comum e a combinação da Igreja com o que é indígena. Da mesma forma, surgem necessidades de capacitação que têm como pontos fundamentais a liderança, o fortalecimento da cultura, a educação intercultural, a gestão de conflitos, a comunicação e as ferramentas de acompanhamento. 50 anos de ensino superior da Igreja em Manaus Na reunião se fez presente o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, que lembrou a história da arquidiocese no campo da educação por mais de 50 anos, não só do clero, mas também do laicato, um fruto do Encontro de Santarém 1972. Foi naquele tempo que surgiu o Centro de Estudos de Comportamento Humano (Cenesc), que junto com a Universidade Federal do Amazonas foram naquele momento os únicos centros universitários em Manaus. O cardeal disse que infelizmente não se deu os passos para que isso se transformasse numa grande universidade católica. Ele insistiu na necessidade de buscar modos de sermos presença no mundo da formação e da reflexão, um pedido que apareceu no Sínodo para a Amazônia, em vista de formar pessoas que estejam na liderança diante da diversidade de realidades na Amazônia brasileira. Igualmente, o cardeal Steiner falou sobre a importância da presença da Igreja católica no debate económico e social. Finalmente, o arcebispo de Manaus lembrou que a Igreja sempre se destacou no campo da educação, também no âmbito universitário, enfatizando a necessidade de ser presença evangelizadora no campo da educação. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encerrada a Assembleia da CEAMA, desafiada a assumir compromissos para poder continuar sua missão com coragem

A Assembleia da Conferência Eclesial da Amazônia, que reuniu cerca de 70 pessoas em Manaus, de 23 a 26 de agosto, foi encerrada com compromissos que permitam caminhar juntos na presença de Deus. Em uma Igreja amazônica unida a Deus, como destacou o presidente da CEAMA, Cardeal Pedro Barreto, na Eucaristia de encerramento, ele ressaltou que a paz e a esperança devem marcar a vida e a missão, a partir dos compromissos assumidos diante de Deus. Fortalecendo a caminhada Diante dos muitos problemas, sofrimentos e preocupações, o Cardeal Barreto ressaltou que “a graça e a paz de Deus nos fortalecem em nossa caminhada”, e conclamou, como expressão do Reino de Deus, a “caminharmos juntos em sua presença, tendo em mente os irmãos e irmãs que vivem na Amazônia”. Seguindo o exemplo dos rios da Amazônia, ele convidou a buscar canais de comunhão, de participação de todos para anunciar a missão de Jesus na Igreja. Para isso, pediu a ajuda de Maria para caminharmos juntos e atitudes de coragem, coerência, compromisso como expressão de parresia nesse Kairos. Em vista dos compromissos que serão assumidos, a CEAMA foi chamada a ser um sinal de esperança, a partir da escuta e do serviço, para ter confiança em Deus, presente e atuante na Amazônia. Em uma atitude de escuta, de ser uma Igreja que cuida, acompanha e inclui, que discerne e oferece uma espiritualidade que ajuda a viver em sinodalidade, que reconhece a presença das mulheres e medeia a Revelação do rosto de Jesus. Uma Igreja que, a partir da Amazônia, quer ser uma inspiração para outras igrejas. Daí a necessidade de fortalecer a organização e a estrutura interna da CEAMA e sua comunicação e comunhão com a REPAM, promovendo processos, com um compromisso pessoal e comunitário de conversão, a partir de uma espiritualidade e vocação amazônica, em diálogo com as Conferências Episcopais, as igrejas locais e outras organizações, levando em conta a caminhada da Igreja em cada país, a partir da leitura da realidade, que leva a aprofundar o método da encarnação a partir da vida existente na Amazônia, assumindo o Observatório sócio pastoral, apostando na ecologia integral a partir do conhecimento dos povos amazônicos. Assumindo a matemática evangélica Partindo da parábola dos pães e dos peixes, o prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Integral, Cardeal Michael Czerny, analisando a matemática e a gramática, afirmou que “os discípulos pensavam que, para alimentar as pessoas, tinham que dividir cinco pães e peixes, e isso lhes parecia absurdo. Já a matemática para Jesus era o oposto: eles não dividiam, mas multiplicavam”. Trazendo isso para a vida da CEAMA, ele disse que achava que “há uma tentação constante de usar a matemática humana da divisão, pensando que há apenas um bolo”, porque “a matemática humana divide”, insistindo que “essa matemática fechada, precisa, científica, não funciona bem em nosso organismo eclesial. Temos que ter a matemática evangélica em nossa cabeça para reconhecer no outro aquilo que se multiplica”, assinalou, “que não me tira nada”. Na matemática evangélica “há outra lógica”, onde 100 mais 100 não são 200, mas 250 ou 300, porque “muitas vezes na Igreja caímos na tentação de planejar à luz da ciência humana e não da graça de Deus”. A graça da matemática evangélica foi descoberta pelo cardeal “na lógica do caminho sinodal”, onde “cada vocação se soma e precisa das outras vocações”. A missão não é um bolo a ser dividido e distribuído entre as várias vocações; pelo contrário, é quando cada vocação é realizada ao máximo que a missão prospera. A importância da gramática Falando de gramática, ele destacou que, durante a assembleia, “as palavras mais importantes são os verbos. Eles indicam o que está sendo feito e o que precisa ser feito”, enfatizando que “temos que prestar atenção aos verbos”. Esses verbos usados pela CEAMA “têm dois sujeitos, dois nominativos, o que é um pouco perigoso. Há o risco de usá-los em demasia”. Um deles, que é usado com muita frequência, é o sujeito “Ceama”. Uma conferência, seja eclesial ou episcopal, não deve ser o sujeito de tantos verbos, ou seja, não deve cair no que chamamos de autorreferencialidade. Refletiu também sobre o “nós”, referindo-se aos participantes da Assembleia, dizendo que “os sujeitos dos verbos deveriam ser as Igrejas locais, os povos, a Amazônia, à frente das frases”. Isso por uma razão eclesiológica e comunicativa, porque “eclesiologicamente, suponho que vocês reconheçam que o ‘nós’ não é, que a Ceama não é o nominativo, mas as pessoas, as instituições, os processos, o que precisa ser feito” para novos caminhos de evangelização e ecologia integral na Amazônia. Em termos de comunicação, “as pessoas querem ouvir que ‘elas’ são os sujeitos, o nominativo, os atores, os protagonistas”. Daí o apelo que ele fez para reduzir a palavra CEAMA, ou nós, para deixar mais espaço para a palavra você. Comunicação para unir o que está dividido Da comunicação vaticana, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, em mensagem enviada à assembleia, disse que recordava o Sínodo para a Amazônia com emoção e gratidão, afirmando que “esta Assembleia da CEAMA nos diz que o caminho continua em frente, é importante estar juntos, caminhar juntos, traçar juntos o caminho de comunhão que nos une”. Em suas palavras, seguindo o pensamento do Papa Francisco, ele refletiu sobre a importância da comunicação que vem de um coração não endurecido, e sobre a necessidade de que a comunicação sirva para unir o que está dividido, porque a comunhão é um dom recíproco, que entrelaça nossas diferenças, que nos permite reconhecer e apreciar o outro. Daí a importância de encontros como essa assembleia “para a construção de um mundo melhor e de uma comunicação alternativa, um trabalho que estamos fazendo juntos”, ressaltou Ruffini, que pediu para “tecer uma narrativa diferente”, para realizar “um sistema de comunicação baseado na humanidade, e não na tecnologia das máquinas ou no cálculo de algoritmos”. Para isso, insistiu na urgência de recuperar bem viver dos povos amazônicos, “de uma visão pura capaz de…
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Rito Amazônico, Ministerialidade, PUAM e REIBA frutos da CEAMA no território

A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) nasceu como uma das propostas do Sínodo para a Amazônia, que no número 115 de seu Documento Final propõe “criar um organismo episcopal que promova a sinodalidade entre as igrejas da região, que ajude a delinear o rosto amazônico desta Igreja e que continue a tarefa de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora”, algo que mais tarde se tornaria uma conferência eclesial e não apenas um organismo episcopal. Na 2ª Assembleia da CEAMA, que está sendo realizada em Manaus de 23 a 26 de agosto de 2024, com cerca de 70 participantes, foram apresentados alguns dos passos que estão sendo dados sob a égide dessa organização, como o Rito Amazônico, a ministerialidade, o Programa Universitário Amazônico (PUAM) e a Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA). O desejo de uma Igreja com rosto amazônico está presente na Amazônia desde a chegada da Igreja Católica no século XVI, mas especialmente a partir do Vaticano II e dos encontros dos bispos da Amazônia peruana, em 1971, em Iquitos, e da Amazônia brasileira, em 1972, em Santarém, tomando um impulso decisivo em 2019 com o Sínodo para a Amazônia, do qual surgiu o Rito Amazônico, como afirma o número 119 do Documento Final, algo que tem a ver com o território, mas também com os povos que o habitam. Segundo Agenor Brighenti, é um rito que quer ser muito mais do que um rito litúrgico, porque não pode se reduzir a inculturar a Liturgia ou o Missal Romano. A partir dessa perspectiva, está sendo feito um trabalho sobre os sacramentos e os sacramentais, a iniciação à vida cristã, a Liturgia das Horas, o Ano Litúrgico, os ministérios, o espaço litúrgico, as estruturas e a organização eclesial. O objetivo é que seja um rito que configure um modelo de Igreja para a Amazônia. O teólogo brasileiro insiste que um rito não se cria, mas se desenvolve a partir dos processos de inculturação do Evangelho e encarnação da Igreja, fruto de um longo processo de comunidades inseridas na realidade, algo que vem sendo feito desde a chegada dos primeiros missionários. Diante da imensidão e da diversidade da região, Brighenti questiona se é possível ter um único rito para toda a Amazônia. Nessa perspectiva, ele defende a necessidade de respeitar e promover a diversidade, de modo que, em uma Amazônia múltipla, seja possível encontrar um denominador comum, mas aberto o suficiente para que cada região possa expressar sua especificidade nesse rito. Desde 2020, foram dados passos com contribuições de vários especialistas e comissões de trabalho, que levaram ao Marco Geral do Rito Amazônico e à compilação de registros de experiências de inculturação, buscando criar os componentes do Rito Amazônico que levam à elaboração dos Rituais do Rito Amazônico. Esse processo se estenderá até março de 2025, com três anos ad experimentum para avaliar e ajustar o Rito Amazônico. A equipe do Rito Amazônico, composta por cerca de 30 pessoas, insiste na importância de reunir experiências de inculturação nas comunidades. As medidas tomadas na pesquisa até agora estão sendo usadas para o trabalho das comissões. Entre os desafios está a socialização do documento de trabalho “Pontos básicos de referência para um Rito Amazônico” em todos os níveis da Igreja interessados no processo do Rito. Junto com isso, a integração de outras pessoas que possam contribuir com as 13 comissões de rito, especialmente em espanhol. Com relação à ministerialidade, o núcleo de reflexão enfatiza que “todas as iniciativas das mulheres na Amazônia são uma fonte de inspiração nos processos de sinodalidade e nas mudanças que se desejam na Igreja Católica”. Insistem que “a voz das mulheres tem que ressoar, mas não para tirar espaço de ninguém, mas para nos incluir como membros desta Igreja e fazer ressoar as vozes das mulheres”. Algo que começa com o sacramento do batismo e a compreensão da Igreja como o povo de Deus. Entre os desafios está o fato de haver poucas mulheres no núcleo e não ser possível chegar a muitos lugares e realizar um processo de discussão e estudo sobre a ministerialidade da mulher nas comunidades. A partir do núcleo, pede-se que a CEAMA e as conferências episcopais reconheçam os ministérios das mulheres na Amazônia, que a CEAMA solicite formalmente a Roma a instituição do diaconato feminino e que se iniciem escolas de formação diaconal para mulheres na Amazônia. O Programa Universitário Amazônico (PUAM), que realizará sua assembleia nos dias 27 e 28 de agosto, em Manaus, apresentou sua natureza e a composição do programa, que inclui instituições de ensino superior, redes e atores globais, atores eclesiais, incluindo a CEAMA, e redes de cooperação fraterna. Também foram apresentadas a diretoria, os passos dados e os processos de formação técnica e tecnológica, com a construção de conteúdos e horizontes. A REIBA trabalha em comunidades indígenas na perspectiva da educação bilíngue e da ecologia integral, está presente em 11 dioceses e vicariatos na Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Guiana, acompanhando 12 povos indígenas. Presidida pelo bispo de Puerto Maldonado (Peru), dom David Martínez de Aguirre, conta com um coordenador geral e várias comissões, tendo sido iniciada em 2020, período em que deu vários passos. Um programa que conta com voluntários locais e de outros 10 países. A REIBA está dividida em vários núcleos: Amazônia e Igreja, Povos Indígenas, Formação Pessoal e Comunitária e Educação Intercultural Bilíngue. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo: “Deus Humanado, era demais para aqueles homens e aquelas mulheres, e abandonam o caminho”

No 21º Domingo do Tempo Comum, o cardeal Leonardo Steiner iniciou sua homilia dizendo que “depois de proclamar que Ele era o verdadeiro alimento, o pão descido do céu, Jesus oferece aos discípulos a oportunidade de segui-lo na liberdade e na liberalidade. Depois de não atinarem para a presença do Filho de Deus no Filho de José, de terem pensado que era demais aceitar o filho do carpinteiro, o filho de Maria, Jesus provoca os discípulos a uma decisão que possa despertar para a graça de seguimento.” Lembrando o texto evangélico: “a partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele”, o arcebispo de Manaus disse que “ao se apresentar como Pão do céu, como alimento de eternidade, vários discípulos voltam atras. Diante do anúncio inesperado de Jesus, o Evangelho mostra a murmuração ‘de muitos discípulos’. Diziam: ‘Essa palavra é dura demais!’ Que o filho de Maria e José pudesse ser alimento de eternidade era incompreensível. Deus tornara-se próximo demais, Deus era palpável de mais, Deus era visível demais, Deus em nossa humanidade e fragilidade a dizer que Ele poderia conduzir para a vida eterna. Deus Humanado, era demais para aqueles homens e aquelas mulheres, e abandonam o caminho. Jesus deixou de ser o caminho, a verdade e a vida para aquelas mulheres e aqueles homens. Preferiam continuar errantes, desenraizados, sem fonte, sem água, sem comida que alimentasse as aflições, os assaltados, as desilusões.” “Jesus busca amasiar o coração endurecido, não os ofende, não agride, apenas mostra que para além da oferta do alimento verdadeiro, a vida do Reino, é ‘o Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada’. Deseja indicar o caminho de nova vida, um novo Espírito, capaz de transformar a vida na carne, a finitude humana, a deshumanidade. O que impede os discípulos de ver Jesus Cristo como o Filho de Deus, o verdadeiro redentor, salvador, é o fechamento, estarem presos às próprias categorias, ao modo de pensar, interesseiro, fechado, mundano”, disse o cardeal.   “É isso que os leva à murmuração e os impede à adesão. O esforço de abrir a mente dos discípulos para perceberem na humanidade, no despojamento, que em Jesus havia uma proximidade, uma presença de Deus inusitada, admirável, sublime, encantadora: Deus comida e bebida. A nossa fome, a nossa sede pode ser saciada. É, sim palavra dura para os duros de corações. E abandonam o caminho. Não conseguem permanecem e caminhar com Jesus. Jesus não se tornou o caminho, a verdade e a vida para aquelas mulheres e aqueles homens. Preferiam continuar errantes, desenraizados, em fonte, sem água, sem comida que alimentasse as aflições, os assaltados, as desilusões”, destacou.   “E diante da dispersão, Jesus a questionar os doze: Também vós quereis ir embora? Simão Pedro respondeu: A quem iremos senhor? Não diz ‘para onde iremos?’, mas ‘para quem iremos?’. O ensinamento colocado pelo Evangelho na boca de Pedro não é ir e abandonar uma obra começada, seguir uma ideia, mas é ‘para quem ir’. A quem seguir, em quem crer?”, analisou o arcebispo de Manaus.    Segundo o presidente do Regional Norte1 da CNBB, “para Pedro e os que permaneceram são palavras que despertam, conduzem à vida verdadeira, à plena vida, à vida sem confim. São ‘palavras de vida eterna’. Seguir a Jesus, ser seu discípulo, ser sua discípula, permanecer na sua cercania, justamente quando não se percebe a clareza, não se tem a iluminação a respeito dos aconteceres. Pedro na sua pergunta-confissão a demonstrar estima, afeição, bem-querer, confiança. É que no amor, mais que conhecer, importa amar! No amar que se vem ao conhecimento, ao co-nascimento. No amar abrem-se dimensões e perspectivas que não conseguimos a partir de nós mesmos, mas somente a partir do Amor que é o amor.” “A partir desta interrogação de Pedro, compreendemos que a fidelidade a Deus é questão de fidelidade a uma pessoa, com o qual nos unimos para caminhar juntos pela mesma estrada. E esta pessoa é Jesus. Tudo o que temos no mundo não sacia a nossa fome de infinito. Precisamos de Jesus, de estar com Ele, de alimentarmo-nos à sua mesa, com as suas palavras de vida eterna! Acreditar em Jesus significa torná-lo centro, o sentido da nossa vida. Ele é o ‘pão vivo’, o alimento indispensável. Unir-se a Ele, numa verdadeira relação de fé e de amor, significa estar profundamente livre, sempre a caminho. Cada um de nós pode questionar-se: quem é Jesus para mim?”, disse, citando Papa Francisco.   “Jesus confronta a vida verdadeira, com a vida de vaivém; da vida do alimento que perece com a vida alimentada que conduz à eternidade; da vida que cuida de si com a vida que sai ao encontro dos outros; da vida que é vivida a partir de si com a vida que parte de Deus e nele encontra segurança, refúgio e liberdade”, sublinhou o cardeal Steiner.   Ele disse, seguindo as palavras de Fernandes e Fassini, que “o Evangelho a nos ensinar o encontro que a fé possibilita, ou o encontro que possibilita a fé, e que desperta para uma afeição e benquerença própria. Na pergunta-confissão de Pedro entrevemos o caminho da fé, do amor: primeiro vem a graça do encontro ou o encontro da graça, o nascer do encontro, que desperta a alma, o espírito do bem-querer único e insubstituível. Nessa relação nova e única tem início o seguimento. A partir da fé, abre-se uma fenda que leva à compreensão. A declaração de amor de Pedro: ‘Nos cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus’, é uma nova visão, uma nova relação. ‘A fé traz consigo seu próprio saber. É um saber feito de experiência, de uma evidência que nasce e cresce do próprio encontro e da afeição que é graça desse mesmo encontro. Nessa fé e nesse saber, na mente de Pedro, dos Doze e de todos os que acolhem Jesus no Espírito, brilha esta evidência e alegria: ‘Tu és o Santo de Deus!’ Isso é: tu és a…
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Agenor Brighenti: “Este Sínodo não quer ser um evento isolado”, porque “a sinodalidade é constitutiva da Igreja”

A Assembleia da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), que acontece em Manaus de 23 a 26 de agosto de 2024, abordou o atual processo sinodal e a contribuição da CEAMA e da REPAM para a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal. Um processo que, de acordo com Agenor Brighenti, é um momento especial na Igreja, já que “por iniciativa do Papa Francisco, estamos fazendo a transição do Sínodo dos Bispos para uma Igreja sinodal”. A sinodalidade é um estado permanente de ser Em sua opinião, “este Sínodo não quer ser um fato isolado”, pois “a sinodalidade é constitutiva da Igreja, é um estado permanente de ser de toda a Igreja”, buscando “implementar uma Igreja de comunhão e participação para a missão, na corresponsabilidade de todos os batizados”. Para o teólogo brasileiro, o objetivo é resgatar um princípio que imperou na Igreja no primeiro milênio: “o que diz respeito a todos deve ser discernido e decidido por todos”. Brighenti fala de fatos paradigmáticos, como a Constituição Apostólica Episcopalis Communio, que afirma que o Sínodo dos Bispos precisa ser “um canal mais voltado para a evangelização do mundo de hoje do que para a autopreservação da Igreja”, o que exige escutar o povo de Deus. Em segundo lugar, o Sínodo para a Amazônia, com seu amplo processo de escuta, a participação de não-bispos, inclusive mulheres, e um Documento Final oficial. Junto com isso, a Primeira Assembleia Eclesial, com um processo de participação de baixo para cima, começando pelas Igrejas locais, com os bispos como membros da Assembleia e não como um corpo sobreposto a ela. O atual Sínodo iniciou o processo de baixo para cima, depois em assembleias continentais, a Assembleia Sinodal e o retorno às igrejas locais. Tudo como parte do processo, com todos os membros tendo o direito de votar, inclusive as mulheres. Ele também destacou como eventos providenciais a Conferência de Aparecida, que retomou o Vaticano II, e a eleição do Papa Francisco, que relançou o Vaticano II e, na Evangelium Gaudium, universalizou Aparecida, promovendo uma Igreja sinodal. Antes disso, como fatos geradores, o Vaticano II, que supera uma Igreja de cristandade, e a Conferência de Medellín, que promove uma nova evangelização, tendo nas comunidades eclesiais de base “a célula inicial da estruturação eclesial”, uma Igreja pobre e para os pobres. Jesus não veio para uma visita rápida Birgit Weiler, abordou a questão dos lugares no Instrumentum Laboris do Sínodo, valorizando sua relação com a cultura e os contextos, o que nos leva a falar de encarnação, seguindo as ações de Jesus, que se tornou um de nós. “Jesus não veio para uma visita rápida, Ele entrou em um contexto e de lá anunciou o Reino de Deus”, afirmou. Segundo a religiosa, a sinodalidade requer experiências, mostrando que dar importância ao lugar não significa ceder ao particularismo ou ao relativismo, destacando a pluralidade das manifestações de Deus e uma unidade que não é uniformidade, pois o catolicismo é unidade na diversidade. Na mesma linha, ele enfatizou que a diversidade não é uma ameaça ao catolicismo, mas um enriquecimento. Isso porque, segundo Querida Amazonia, não existe um modelo cultural único para o cristianismo. Uma das consequências da globalização é a grande mobilidade humana, algo presente na Amazônia, o que nos leva a dizer que o lugar não pode mais ser entendido em termos puramente geográficos e espaciais; é uma rede de relações. Da mesma forma, a importância do mundo virtual, algo muito presente no mundo urbano. Weiler refletiu sobre o lugar da Igreja local como espaço de articulação e a necessidade de identificar caminhos e dar respostas nas Igrejas locais e em sua relação com o Bispo de Roma, apresentando a CEAMA como “uma escola de sinodalidade”. Chamado para a renovação do Povo de Deus As implicações do Sínodo sobre a Sinodalidade para a Amazônia a partir do Instrumentum laboris, segundo a presidente da Confederação dos Religiosos da América Latina e do Caribe, Liliana Franco, são descobrir o chamado à alegria e à renovação do Povo de Deus, aprender da realidade relida a partir da Palavra, da Tradição, dos testemunhos e dos erros. Os fundamentos seriam a Igreja Povo de Deus como sacramento da Unidade, o significado compartilhado da sinodalidade, a unidade como harmonia nas diferenças, ser irmãs e irmãos em Cristo em uma reciprocidade renovada, e o chamado à conversão e à reforma. Junto com isso, Liliana Franco enfatiza a existência de relações de solidariedade, baseadas na conversão relacional, e de itinerários, na formação, no discernimento, na tomada de decisões e na transparência. Daí nasce uma formação integral e compartilhada, com testemunhas, homens e mulheres, capazes de assumir a missão da Igreja em corresponsabilidade e em cooperação com a força do Espírito, em uma contínua conversão de atitudes, relações, mentalidades e estruturas, o que leva a ver a Eucaristia como lugar fundamental de formação à sinodalidade, a família como lugar de educação na fé e na prática cristã e a necessidade do diálogo intergeracional. Discernimento a partir da escuta e da Palavra de Deus A presidenta da CLAR, sobre as características da formação, disse que ela não deve ser puramente teórica, e sim com experiências vitais, integrais, acompanhadas, encarnadas nas culturas e que deve incorporar a cultura digital, para o que apresentou uma série de propostas. É uma questão de buscar novos caminhos, de saber que o discernimento implica compartilhar a perspectiva da missão comum, e é por isso que o discernimento se articula com a comunhão, a participação e a missão. O ponto de referência para todo discernimento é a escuta da Palavra de Deus, sabendo que o discernimento não é uma técnica, mas uma prática que qualifica a vida e a missão da Igreja. A partir daí, destaca que Deus fala de muitas maneiras e há diferentes níveis de discernimento, sabendo que é algo que requer disposições, formação, critérios teológicos e metodologias sinodais, ampliando os cenários de participação. As decisões devem estar de acordo com a vontade de Deus, respeitando e valorizando cada membro, em vista de…
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Assembleia da CEAMA: Entender as conectividades na Amazônia para mitigar os ataques ao bioma e seus povos

A Assembleia da Conferência Eclesial da Amazônia, que está sendo realizada em Manaus com a presença de cerca de 70 pessoas, iniciou seus trabalhos com uma análise da conjuntura na região. Esse conhecimento ajuda a conversa no Espírito a discernir os passos a serem dados como CEAMA para o futuro. Diferentes formas de conectividade O ponto de partida foi uma leitura da Amazônia a partir das diferentes formas de conectividade, algo que está presente na região há milênios. A conectividade natural, como a água, mas também a conectividade humana, estabelecida pelos habitantes da região amazônica ao longo dos séculos, criando estratégias de adaptação ao ecossistema, segundo Fernando Roca, que mostrou a influência de algumas regiões da Amazônia sobre outras. De acordo com o jesuíta peruano, muitas das formas de conectividade desenvolvidas pelos seres humanos representam uma ameaça, citando como exemplos a mineração ilegal, os madeireiros ilegais, o tráfico de drogas, o tráfico de pessoas, os grandes projetos de infraestrutura, o crescimento acelerado das cidades, a pecuária, o petróleo e o extrativismo desenfreado. Junto com isso, a existência de projetos de restauração ambiental foi destacada como um elemento positivo. Diante dessa realidade, destacou que “a CEAMA tem o desafio de assumir um papel articulador na chave do Sínodo da Amazônia com governos, autoridades políticas, empresas, organizações multilaterais, povos indígenas, para proteger, ajudar a restaurar e mitigar ações que ameaçam o bioma e a vida de seus habitantes”. Testemunhos do território Do território, vários atores testemunharam a situação vivida pelos povos amazônicos. A região do Vicariato de Pando, na Amazônia boliviana, nas palavras de José Antônio Achipa Samanaca, foi marcada pela extração da borracha e da castanha e, atualmente, pela invasão de madeireiros, pecuaristas e garimpeiros ilegais, que causaram um grave desastre ambiental. Os povos indígenas estão perdendo sua cultura, sua língua, como resultado da miscigenação com aqueles que chegaram de outras regiões do país. A Igreja acompanha a vida das comunidades indígenas, com os leigos desempenhando um papel de liderança, dada a escassez de padres. Marva é uma mulher indígena da Guiana, que falou sobre a dificuldade de chegar às comunidades, a invasão de mineiros e madeireiros, com o apoio do governo, e a falta de educação, “que nos deixa sem voz”, uma educação que não leva em conta o mundo indígena, o que levou à perda da língua e da identidade. Para combater essa situação, foi promovida a educação bilíngue em inglês e wapichana, com resultados positivos. A Amazônia brasileira é marcada pela incapacidade do Estado brasileiro de atender às disposições da Constituição de 1988, especialmente no que diz respeito ao território, o chamado Marco Temporal. Essa situação está causando grande insegurança aos povos indígenas, tendo em vista a lei aprovada pelo Congresso Nacional que impede a demarcação de terras indígenas. Junto a isso, a proposta de uma mesa de negociação, que não é aceita pelos povos indígenas, pois “os direitos originários não podem ser negociados”, segundo a irmã Laura Vicuña Pereira Manso. Isso tem levado a ataques orquestrados contra os povos indígenas em todas as regiões do Brasil, com um alto número de mortos e feridos, além de perdas materiais e grave insegurança alimentar e jurídica. Nessa situação, há sinais de resistência, como a retomada de terras e mobilizações permanentes em nível nacional e internacional, ecoando as ameaças. Educação na escuta e a partir dos territórios Falando sobre a educação no território amazônico, Patricia Correa defendeu a necessidade de a Igreja Pan-Amazônica ter um diagnóstico que lhe permita ter impacto e liderança a partir das comunidades indígenas. De acordo com a ex-ministra da Educação do Peru, a Igreja pode dizer aos governos que existe uma proposta educacional enraizada na cultura. Dada a diversidade de expressões da educação bilíngue intercultural e a dinâmica sinodal, ela afirma que isso abre uma maneira de ver como construir propostas baseadas na escuta e a partir dos territórios, do conceito e da experiência. Um caminho compartilhado, baseado em certos pressupostos, como a longa presença da Igreja no território, sua organização, a construção da proposta educacional a partir do nível local e a ideia de que todo projeto educacional é cultural. Daí surge uma pergunta: “Como podemos construir uma proposta educacional sinodal que inclua 377 povos indígenas que falam mais de 250 línguas nativas?” Essa é uma questão da qual os sistemas educacionais governamentais desistiram e para a qual a Igreja Sinodal pode dar uma resposta, que já aparece na Querida Amazônia quando fala da necessidade de levar em conta as experiências locais que contribuem com as cosmovisões. Para isso, propõe-se um caminho compartilhado e articulado, com uma rota compartilhada que construa cenários para estratégias de educação bilíngue intercultural. Entre os diversos projetos presentes na Amazônia, Martín Fariña apresentou o projeto de reflorestamento em Madre de Dios (Peru), uma resposta à Laudato Si’ baseada nas capacidades e possibilidades locais, buscando fazer diferente, aprendendo com os erros, com o objetivo de restaurar a Amazônia. Conversa no Espírito para construir caminhos de futuro Seguindo o método de conversa no Espírito, os participantes da assembleia fizeram uma memória agradecida a partir das memórias da primeira assembleia, que pedia o diálogo entre os núcleos temáticos com a experiência das igrejas locais, maior interação entre os núcleos e a criação do núcleo da Casa Comum e da Ecologia Integral a partir de diferentes fundamentos. Pediu-se para conhecer a realidade de cada povo, escutar, dialogar e acompanhar os processos, com vistas a criar uma identidade amazônica para a CEAMA e promover uma Pastoral de Conjunto em um caminho compartilhado. A CEAMA, fruto mais concreto da sinodalidade, é desafiada a superar as distâncias com as igrejas locais, a se perguntar como a CEAMA chega às igrejas locais e vice-versa. Para avançar na conversa espiritual, os participantes foram convidados a responder a uma pergunta: Desde a Assembleia do ano passado (agosto de 2023) até hoje, quais foram os principais frutos e desafios que resultaram de nossa caminhada como CEAMA durante esse tempo? Das respostas dependem os caminhos para o futuro, uma construção…
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Representantes do Laicato e CEBs, junto com bispos referenciais, participam de 17º Seminário em Brasília

A Casa dom Luciano Mendes, em Brasília, acolhe de 22 a 25 de agosto de 2024 o 17º Seminário com bispos referenciais dos regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para as CEBs e para o laicato, que contou também com a participação do bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. É uma atividade da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, que reúne mais de 80 pessoas. Além dos bispos referenciais se fazem presentes os presidentes dos conselhos regionais do laicato, representantes das CEBs e dos diversos carismas e movimentos que fazem parte da comissão. O Regional Norte1 está representado pelo presidente do laicato, Francisco Meireles, que vê o encontro como “um grande momento de aprofundamento, estudo, escuta e partilha, para animar nossos regionais”. Segundo a presidenta do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Sônia Gomes de Oliveira, “é um encontro de estudo, reflexão, propor atividades e alguns indicativos para a Igreja do Brasil que está sendo construído”. O ponto de partida tem sido uma análise de conjuntura, analisando temas eclesiais, políticos, que teve posteriormente uma iluminação bíblica, ajudando a trazer um olhar sobre toda essa conjuntura apresentada previamente. O tema central do encontro tem sido uma análise do Relatório da Primeira Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, onde participa a presidenta do CNLB, abordando as discussões e novidades, mas ao mesmo tempo como é que o laicato brasileiro pode estar contribuindo com esse processo para realmente poder trazer essa dinâmica sinodal. Posteriormente, foram apresentadas algumas experiências sinodais presentes na Igreja do Brasil e “como o laicato brasileiro pode se adaptar ou recuperar esse modelo de Igreja sinodal”, segundo Sonia Gomes de Oliveira. Nessa perspectiva, cada expressão laical partilhou como tem participado do processo sinodal e como essa participação se expressa. Igualmente os participantes do encontro apontaram caminhos para receber as definições do Sínodo sobre a Sinodalidade e transformá-las em prática pastoral na Igreja no Brasil, inserindo essa temática no planejamento das ações para 2025. No programa do encontro se fez presente um estudo sobre a Campanha da Fraternidade 2025: “Fraternidade e Ecologia Integral”, uma abordagem às Novas Diretrizes da CNBB, ao Jubileu da Esperança, a COP30, que será realiza em Belém (PA) em novembro de 2025, assim como uma partilha sobre os investimentos que podem ser realizados em vista da missão do Laicato. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1