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V Encontro da Igreja na Amazônia: Ser um farol de esperança, justiça e amor em meio aos desafios

O Encontro de Santarém em 1972 foi um momento marcante na vida da Igreja brasileira. Em 2022, seguindo as inspirações e aplicações do Sínodo da Amazônia e o projeto de viver a sinodalidade nas terras e nas águas amazônicas, a Igreja da região quis impulsionar algumas linhas prioritárias. Tendo como ponto de partida as escutas às Igrejas locais e a conjuntura na Amazônia Local, o V Encontro da Igreja na Amazônia, que está acontecendo em Manaus de 19 a 22 de agosto de 2024, com mais de 80 participantes, foram trabalhadas as linhas prioritárias do Encontro de Santarém 2022: fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base, destacando a Ministerialidade e a participação das Mulheres; formação; defesa da Vida dos povos da Amazônia e o cuidado com a Casa Comum; evangelização das Juventudes. Somos chamados a perceber a necessidade do outro, segundo afirmou na celebração eucarística, o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers, pois “quando o outro é invisível, quando o outro é utilizado simplesmente para meu próprio benefício, meus próprios interesses, então, de fato, nós deixamos de ser bons pastores”. Ele advertiu sobre a grande tentação do domínio sobre o outro, que identificou com o clericalismo, com a tentação de instrumentalizar o outro, do ódio, do desprezo, que vai criando uma mentalidade egoística. Igualmente advertiu que “não somos nós que devemos estar no foco, é o Reino de Deus”, convidando a “amar o lugar onde você está, colocar-se ao serviço, reconhecer que estar à disposição da Igreja é um ato de humildade da nossa parte”. Segundo dom Ricardo Hoepers, o tempo é de Deus e é Ele que vai fazer frutificar, o que demanda nos colocarmos ao serviço de seu plano, de sua missão. Igualmente falou sobre a enveja, que nos enfraquece, nos impede reconhecer o que o outro faz. Para isso pediu humildade e nos darmos as mãos para fortalecer em Deus, o seu plano, a sua missão e o seu Reino entre nós. O V Encontro da Igreja na Amazônia sente que o Espírito chama a Igreja da Amazônia a ser um farol de esperança, justiça e amor em meio aos desafios da atualidade, ser um instrumento de transformação e renovação promovendo a dignidade humana, a paz e a integridade da criação. Nessa perspectiva foram abordados seis eixos: formação, ministerialidade, participação das mulheres, casa comum, sustentabilidade, caridade e profecia. Refletindo sobre a formação dos seminaristas, é visto como um desafio o fato de acontecer longe da realidade das dioceses, vendo a necessidade de pensar numa formação mais próxima. Igualmente foi destacado a necessidade de investir na formação de formadores, de pensar em encontros de formadores da Amazônia e de projetos formativos encarnadas na realidade da Amazônia. Se considera importante que os seminaristas realizem atividades missionárias. A ministerialidade tem como base a comunidade eclesial, que indica os ministérios que necessita. Uma ministerialidade que vai além da estrutura eclesial, atingindo o campo da política, cultural, cuidado da casa comum. Falando sobre as mulheres, se reconhece que sua presença nas comunidades como fundamental, considerando fundamental quem é que decide. Daí a necessidade de mudar o Direito Canônico para que os conselhos não sejam só consultivos, promovendo a tomada de decisões de forma mais sinodal e menos clerical, favorecer e estimular a participação das mulheres em todas as instâncias de decisão e em todos os ministérios. Aparece como proposta envolver as mulheres na formação dos maridos que querem ser diáconos permanentes, que as mulheres e as famílias assumam o trabalho diaconal. Igualmente a participação ativa das mulheres na formação dos seminaristas. Do mesmo modo que o diaconato surgiu por uma necessidade da Igreja, atender as viúvas, foi colocado a necessidade de prestar mais atenção às necessidades da Igreja hoje. O cuidado casa comum demanda criar o ministério de cuidado da casa comum, fomentar a sensibilidade espiritual da ecologia, promover a consciência de que os beneficiários de cuidado são as pessoas, fomentar a ação profética, fazer um chamado à responsabilidade das empresas, animar a dimensão ecológica de todas as pastorais, o cuidado e aproveitamento da agua, o uso de energias renováveis, estimular a justiça ambiental com multas ambientais, fomentar o plantio de árvores, participar das datas de cuidado ecológico, A sustentabilidade da Igreja na Amazônia constitui um dos grandes desafios. Daí a proposta de criar um escritório central de captação de recursos, de impulsionar a economia solidária, cuidar bem da Pastoral do Dízimo e promover a solidariedade entre as igrejas locais. Diante da falta boa gestão e transparência se propõe formação em gestão eclesial. Finalmente, na caridade e profecia surgiram propostas de criar a comissão dos Direitos Humanos, de Justiça e Paz, e de impulsionar a participação da Igreja nos conselhos em todos os níveis. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Analisar a conjuntura amazônica para descobrir as prioridades como Igreja

Escutar os clamores da realidade, dos povos que habitam a Amazônia, é um dos grandes desafios de uma evangelização encarnada e libertadora. Daí a importância de analisar a realidade, a conjuntura amazônica desde diversas perspectivas. Uma análise da realidade que a professora da Universidade Federal de Roraima, Márcia Maria de Oliveira, abordava desde o fenómeno das migrações como um desafio para a Igreja da Amazônia. Segundo a socióloga, a Amazônia é a região do Brasil com maior mobilidade humana, com deslocamentos internos e internacionais. Uma realidade marcada pela violência e a violação dos direitos humanos, com grupos especializados em contrabando, tráfico de pessoas e exploração no trabalho. Migrantes, principalmente venezuelanos, sem documentação, com um atendimento deficiente do governo brasileiro, marcados pelo sofrimento, que demanda da Igreja a necessidade de acolher e incluir os migrantes, para vencer a xenofobia e a aporofobia. O alto número de migrantes tem provocado um aumento de moradores de rua, que coloca desafios pastorais. Existe uma relação entre as fronteiras e os conflitos socioambientais, se dando uma parceria entre o garimpo criminoso, o crime organizado e o avanço do agronegócio. O crime organizado controla o garimpo, o tráfico de drogas, o tráfico de pessoas, se dando uma relação com o desmatamento e as queimadas, com a contaminação da terra e das águas, com a crise climática. Diante disso, se faz necessário, segundo a professora, mudar os quadros políticos. Ela denuncia o crescimento da violência na Amazônia, especialmente contra as mulheres, vítimas de assassinatos, e de violência sexual, e da violência sexual contra crianças. Na Amazônia, uma criança ou adolescente é vítima de estupro a cada 8 minutos no último ano, e tem se dado um grande aumento da gravidez de crianças de 10 a 14 anos. Tudo isso em um clima de impunidade diante dessa violência. Na Igreja da Amazônia, se faz necessário, segundo o arcebispo de Cuiabá, dom Mário Antônio da Silva, olhar para fora, abrir janelas, abrir portas, abrir o telhado. Ele questionou como é o compromisso da Igreja na Amazônia, o que é prioridade. Diante da complexidade da realidade, se faz inevitável o profetismo, perguntando “como ser profeta da verdade em nossa querida Amazônia em nossos dias?” e “o que se espera da Igreja?”. Diante disso, o arcebispo de Cuiabá fez um chamado a dedicar tempo para dar passos, para avançar, sentar e discutir, para discernir e agir, aproveitar as reflexões, buscar propostas para um caminho real. No atual processo sinodal, dom Mário Antônio desafiou a não ficar apenas com gotas de Francisco, mas ser um rio de missionariedade, e depois do encontro, “não levar apenas sementes, mas frutos em abundância para todos”. Ele destacou a necessidade de uma formação sacerdotal para ser padres discípulos pastores, refletindo sobre o diaconato permanente e a dificuldade do clero para aceitá-lo, mas também sobre a questão econômica. Em uma perspectiva meio ambiental, ecológica, Felício Pontes, procurador da República, destacou os aportes dos bispos da Amazônia nesse campo. Ele citou as palavras do Papa Francisco na Laudate Deum: “E o mesmo disseram, em poucas palavras, os bispos presentes no Sínodo para a Amazônia: ‘Os ataques à natureza têm consequências negativas na vida dos povos’”. Uma ideia que já aparece em Laudato Si´, que afirma que a ecologia e a justiça social estão intrinsecamente ligadas. O procurador refletiu sobre o modelo predatório de desenvolvimento, combatido desde Santarém 1972, que se concretiza na exploração de madeira, na pecuária, na mineração, na monocultura e na infraestrutura. A consequência disso é que desde 1972, que havia um 0,5% de desmatamento, passou a 20%, ponto de não retorno. Na Amazônia, os conflitos são conflitos por terra e os povos indígenas são os alvos dos ataques. Nessa perspectiva, Felício Pontes destacou o direito a terra como causa dos conflitos. O caminho sinodal da Igreja da Amazônia: Comunhão, Participação e Missão, se concretiza na caminhada da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), segundo o cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA. Ele definiu a REPAM e a CEAMA não como instituições e sim como organismos que expressam a vida da Amazônia, como as duas faces de uma mesma moeda, expressão de uma Igreja sinodal que escuta o clamor da terra e dos pobres na Amazônia, e que age de maneira conjunta e articulada. O cardeal Barreto insistiu em que esse é um caminho sinodal iniciado no Concílio Vaticano II, que teve sua aplicação na América Latina na Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Medellín (Colômbia), em 1968. Uma dinâmica levada à Amazônia nos encontros amazônicos de Iquitos (Peru) em 1971 e Santarém, em 1972. O cardeal peruano destacou a importância da Conferência de Aparecida, onde os bispos da Amazônia brasileira destacaram a importância da evangelização na região. Igualmente, a importância do Sínodo para a Amazônia (2019), do Sínodo 2021-2024, que no Informe de Síntese da Primeira Sessão, destaca que a CEAMA é fruto de um processo sinodal. “Estamos abrindo caminho desde a Amazônia”, enfatizou Barreto, que mostrou o desejo de no Jubileu 2025 ser peregrinos de esperança para a Amazônia. Um desejo expressado pela Ir. Laura Vicuña Pereira Manso, vice-presidenta da CEAMA, que fez um chamado a que “façamos do Sínodo para a Amazônia um caminho trilhado por todos nós”. Esse Sínodo para a Amazônia “nos deu uma consciência pan-amazônica”, segundo o bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da CEAMA, dom Zenildo Lima. Ele lembrou da existência no Brasil da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, do trabalho em rede iniciado com a REPAM e o posterior organismo de coordenação, ferramenta, das igrejas locais surgido com a CEAMA, destacando a necessidade de diálogo da CEAMA com as igrejas locais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Retrato da Igreja na Amazônia mostra os avanços e desafios nascidos no Sínodo e aprofundados em Santarém 2022

A Igreja da Amazônia está reunida em Manaus para seu V Encontro, iniciado no dia 19 de agosto e que será encerrado no dia 22. Mais de 80 pessoas, bispos, padres, representantes da Vida Religiosa e do laicato refletem no segundo dia a partir da realidade social e eclesial. Em uma Igreja em que “anunciamos o Reino de Deus sempre novo”, segundo o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1, cardeal Leonardo Steiner. Um Reino que “anunciamos e vivemos” nos ministérios, serviços e vocações que fazem chegar o Reino a sua plenitude, com uma abundância que dá cem vezes mais. Ele destacou “quanta disponibilidade e quanta generosidade, quanta entrega, tudo por causa do Reino de Deus”, nos missionários e missionárias na Amazônia, que “foram atraídos”, segundo o cardeal disse na Eucaristia que deu início aos trabalhos do segundo dia do encontro. A Igreja da Amazônia dá de sua pobreza, ressaltou o cardeal Steiner, “e tudo isso é transformado em Reino de Deus, visibilização da vida de Deus entre nós”, sublinhando que “recebemos cem vezes mais, em cultura, em religiosidade, em doação, na sensibilidade para com os povos”. Ele enfatizou a importância dos últimos, queridos de Deus, “últimos porque Deus não consegue não se inclinar de modo bem facejo diante da fragilidade, da pequenez, do abandono de seus filhos e filhas”, chamando a ser anunciadores desta esperança e na Igreja da Amazônia, fazer memória “dos nossos antepassados que anunciaram o Reino de Deus, viveram o Reino de Deus e plantaram o Reino de Deus”, de sua missionariedade. O Encontro é uma retomada das vivências do Sínodo para a Amazônia, que foi um tempo de muitas expectativas, segundo o bispo auxiliar de Manaus e vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama), dom Zenildo Lima. As reflexões do Sínodo para a Amazônia, mesmo reconhecendo as lacunas, foram recolhidas no Documento Final, um documento programático, e na Querida Amazônia, com um cariz mais reflexivo. O IV Encontro da Igreja na Amazônia, realizado em Santarém 2022, foi momento de recepção do Sínodo para a Amazônia, assumindo como tarefa, a partir das Igrejas da Amazônia, avançar nas lacunas, na questão ministerial, no rosto amazônico, na questão social. Tudo isso foi recolhido no Documento de Santarém 2022, considerado por dom Zenildo Lima, “uma recepção do Sínodo para a Amazônia com os nossos aportes”. Nesse Documento aparecem como diretrizes básicas a encarnação na realidade e a evangelização libertadora, com cinco linhas prioritárias: fortalecimento das comunidades eclesiais de base na ministerialidade e participação das mulheres; formação dos discípulos missionários; defesa da vida, dos povos da Amazônia; cuidado com a casa comum, migração, mineração, megaprojetos de infraestrutura; evangelização das juventudes. Nessa perspectiva, as igrejas locais da Amazônia foram convidadas a responder a algumas perguntas, para ver os avanços e dificuldades, para verificar os passos dados e os entraves quanto a aplicação das propostas de Santarém 2022; perceber situações emergentes que tem exigido um peculiar cuidado pastoral; consolidar algumas iniciativas, indicando desdobramentos concretos quanto a compromissos, opções pastorais, responsáveis, prazos. Um encontro para reconhecer os muitos passos e iniciativas, mas que também aflora a preocupação diante das resistências e retrocessos. Cada um dos seis regionais em que está dividida a Igreja na Amazônia Legal, seguindo as perguntas previamente enviadas, foram apresentando o resultado das escutas. Nos muitos e ricos aportes realizados, cabe destacar que as pessoas estão sendo atingidas em sua essência e isso mexe com a estrutura eclesial, que tem a ver com esse modelo de fé que vai se desenhando. Se percebe um cansaço das comunidades e dos agentes, e existe na Igreja da Amazônia uma preocupação com o clericalismo, com o tradicionalismo, aparecendo a questão da formação presbiteral e o papel das mulheres na Igreja. Também aparecem algumas exigências, que fazem referência ao cuidado com a casa comum e a proximidade com os pobres. Uma Igreja que nunca deve esquecer a dimensão do Reino, onde as comunidades têm uma importância decisiva e que é desafiada a uma maior presença nas comunidades indígenas, a não perder a dimensão sinodal, presente por muitos anos na Igreja da Amazônia, ainda mais diante da individualização da vivência religiosa, que gera um descompasso pastoral, que desafia a buscar saídas para ser uma Igreja mais profética, a reforçar a vida das comunidades. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

V Encontro da Igreja na Amazônia Legal: “Sermos cada vez uma Igreja mais inserida”

Iniciou nesta segunda-feira, 19 de agosto de 2024 o V Encontro da Igreja na Amazônia Legal, que reúne na Maromba de Manaus, de 19 a 22 de agosto, os bispos e outros representantes das 58 igrejas locais que fazem parte da região. Com o tema, “A Igreja que se fez carne, alarga sua tenda na Amazônia: Memória e Esperança”, está organizado pela Comissão Episcopal Especial para a Amazônia y a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil). O fato de “nos encontrarmos é sempre importante, para criarmos mais comunhão, para pensarmos juntos a evangelização, permanecermos fiéis ao espírito missionário da nossa Igreja na Amazônia, revermos a nossa caminhada”, segundo o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1). Uma caminhada missionária, sinodal da Igreja da Amazônia, com horizontes muito bonitos e significativos, segundo o cardeal Steiner. Isso se concretiza em “sermos cada vez uma Igreja mais inserida”, lembrando a encarnação proposta em Santarém, que hoje deve acontecer em realidades que são outras. O presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) destacou a necessidade de “cada vez mais inserirmos a vida dos povos indígenas”, falando sobre a situação muito difícil em termos de meio ambiente que vive a Amazônia. O cardeal Steiner destacou o incentivo de Papa Francisco a levarmos em consideração toda a realidade, uma perspectiva que “nos anima, mas é uma perspectiva exigente, porque não podemos deixar ninguém para trás. Queremos caminhar todos juntos, mas levando em consideração as realidades que estamos a viver”. Um encontro iniciado com uma celebração marcada pela vida da Igreja e dos povos da Amazônia, seguida da abertura oficial do encontro, que representa uma alegria muito grande para a arquidiocese de Manaus, segundo seu arcebispo. O cardeal Steiner pediu que “seja um encontro onde podermos continuar a sonhar, para sermos uma Igreja profundamente encarnada, levando em consideração os sonhos do Papa Francisco”, e a partir daí “sermos uma Igreja que realmente canta a liberdade, e ao cantar a liberdade, se encarnar nas culturas que aqui existem, possamos realmente ser sinal de esperança”. Uma alegria partilhada pelo arcebispo emérito de Huancayo (Peru) e presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama), cardeal Pedro Barreto, que lembrou que “é um fruto do processo sinodal vivido nesta região tão querida”. Ele destacou a larga história da Igreja na Amazônia, ressaltando a necessidade de “sermos conscientes que recolhemos uma sagrada herança dos nossos antecessores que trabalharam na Amazônia”. O cardeal Barreto agradeceu “todo o esforço que estão fazendo para caminhar em comunhão, participando todos na única missão de Cristo”. Em nome da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, lembrou a longa história de encontros da Igreja da Amazônia, iniciado com o primeiro encontro inter-regional em 1952, destacando que “a perseverança nos ensina que vale a pena continuar esse processo com todo entusiasmo”. Ele refletiu sobre os retrocessos que acontecem cada dia na Amazônia, citando os desmatamentos, e mostrando a preocupação do episcopado brasileiro com os povos originários, “esses são os que mais sofrem”, denunciando “a gravidade das coisas que estão acontecendo em nosso país”, algo que lhes preocupa e buscam dar respostas. Ele mostrou a apertura da CNBB a todos, e lembrou o tema da Campanha da Fraternidade de 2025, sobre a ecologia integral, “uma oportunidade para sensibilizar a todo o Brasil”. A Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), que está completando 10 anos, o fato de estar presente no território a leva a mostrar suas alegrias e preocupações, segundo sua vice-presidenta, a Ir. Carmelita Conceição. A religiosa citou a realidade da seca, que desafia a “dar um sinal de vida e esperança na Amazônia”, vendo o encontro como ajuda para “vermos o que fazer e como nos posicionar diante de tantos desafios”. A representante do Governo Brasileiro, Kenarik Boujikian, Secretária Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas da Secretaria Geral da Presidência da República, afirmou que o papel da instituição que representa é manter o diálogo da sociedade civil e os movimentos sociais com o Governo, lembrando a importância dos movimentos populares para o Papa Francisco. Ela destacou a importância das messas de diálogo, apresentando um caderno de respostas às demandas da Igreja brasileira, que não pretende dar soluções, mas ele é uma ferramenta de trabalho, dividido em quatro eixos: emergência climática; direitos dos povos das águas, do campo e das florestas; regularização fundiária: denuncias e violações de direitos nos territórios. Um caderno para fazer novas construções, pequenas coisas que na realidade podem impactar. Diante dessa realidade, “a REPAM-Brasil quer ser um serviço eclesial, articulado com muitos movimentos e muitas organizações da sociedade civil, em busca de preservar os direitos dos nossos povos, dos nossos territórios e da nossa Amazônia como um todo”, segundo se presidente, o bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler. Respondendo ao caderno, o bispo afirmou que “as nossas ações apoiam e visibilizam as iniciativas das comunidades, pastorais e organizações eclesiais, a partir de uma espiritualidade encarnada, na defesa da vida dos povos e da biodiversidade amazônica para construir o bem viver”, algo feito com fé e esperança. Ele lembrou a visita realizada a 13 ministérios e outras entidades, levando os resultados da escuta aos povos, que tem como consequência o caderno de respostas. Diante de uma situação que tende a se agravar, dom Evaristo Spengler agradeceu as respostas, destacando a importância das políticas públicas necessárias ao cuidado com a casa comum, com a Criação e com a nossa querida Amazônia. O arcebispo de São Luis e presidente da Comissão Especial Episcopal para a Amazônia, dom Gilberto Pastana, lembrou os membros da comissão desde sua criação em 2003, que hoje é formada pelos presidentes dos regionais da Amazônia Legal. Um encontro de “muita convivência, partilha da vida e da missão, e comprometimento com a causa do Reino”, para dar continuidade às conclusões assumidas no IV Encontro, realizado em Santarém em 2022. Lembrando o tema e o lema, ressaltou a importância do processo de…
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Ação do Movimento Fé e Cidadania na Ponta Negra de Manaus

Domingo 18 de agosto 2024 às 16 horas um grupo de quase cem pessoas entre adultos e jovens, do Movimento Fé e Cidadania da paróquia são Vicente de Paulo da Compensa, se fez presente na calçada da Ponta Negra para um evento de conscientização. É desde o mês de abril que, este Movimento, depois de alguns encontros formativos em linha com as indicações da Arquidiocese de Manaus, está passando nas ruas do bairro Compensa, distribuindo e explicando um panflete com escrita a lei 9840, contra a corrupção eleitoral. A novidade da ação de hoje é que, pela primeira vez, o Movimento Fé e Cidadania da Compensa saiu do seu território, para uma espécie de missão político-social. Na verdade, o fosso social entre os dois bairros é impressionante. Por um lado, a Compensa, um bairro pobre, cuja pobreza crônica não permite o desenvolvimento adequado do território. Do outro, a região de Ponta Negra, com seus ricos palácios e com os cuidados especiais com o desenvolvimento do turismo, bem visíveis no Anfiteatro, na linda praia e na rica infraestrutura da área. Enormes contrastes, que não passaram despercebidos aos jovens do Movimento que, juntos na frente do Anfiteatro, agacharam-se formando uma roda e apresentando alguns momentos de teatro de rua, reproduzindo a dinâmica da clássica compra de votos. Foram significativas as palavras dos adultos que intervieram para comentar o teatro de rua, nas quais reiteraram o drama de uma sociedade altamente desigual, causada pela corrupção política, como sublinhou Jabá, coordenador do Movimento, que consome dinheiro público dado para o bem dos cidadãos. Antônio, também ele entre os coordenadores do Movimento, frisou o número espantosamente elevado – mais de novecentos- candidatos a vereadores, numa cidade como Manaus que verá as eleições de no máximo quarenta. Porque esta corrida, questionou Antônio? É difícil pensar que seja movida pelo desejo de servir o povo, apesar das palavras e das promessas dos mesmos candidatos que, no ano das eleições, não manifesta uma elevada fantasia, reiterando o mesmo discurso de sempre. É vendo esses jovens caminhando sorridentes pela larga calçada do bairro Ponta Negra, distribuindo o texto da lei 9.840 contra a corrupção eleitoral, que vem natural pensar que, apesar de tudo, ainda há esperança neste mundo. Padre Paolo Cugini  

Em nota, Diocese de Coari repudia toda forma de abuso e exploração após prisão de padre

Diante da prisão preventiva do Padre Paulo Araújo da Silva, incardinado na Diocese de Coari, acontecida na manhã deste domingo, 18 de agosto, acusado de cometer crimes, a Diocese de Coari manifestou seu repudio a toda forma de abuso e exploração. Igualmente, a diocese mostrou sua solidariedade às vítimas e a suas famílias, colocando-se prontamente disponível para acompanhar a ajudar na superação dos traumas provocados pelos abusos. Do mesmo modo, a diocese manifestou que tomou todas as providências canónicas necessárias, que determina a lei da Igreja, afastando o referido religioso de todas as funções que desempenhava na Igreja católica, e sua disponibilidade para colaborar com as autoridades civis a fim de que se esclareçam os fatos. Reiterando seu compromisso com a justiça e a verdade, a diocese implora o perdão  de Deus diante do grave crime que atenta contra a dignidade humana e escandaliza a fé dos pequenos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo: “Em Nossa Senhora nos vemos como Igreja: somos grandeza e miséria, alegria e angústia, luz e sombra”

“Celebramos a Solenidade da Assunção: a Mãe de Jesus é elevada de alma e corpo ao céu, à glória da eternidade, está em plena comunhão com a Trindade Santa”, afirmou o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1, cardeal Leonardo Steiner. Segundo ele, “a vida de Maria, toda a sua existência, foi uma expressão do amor da Trindade, por isso, a sua vida e sua morte celebram o mistério amoroso do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” “E porque toda manifestação amorosa da Trindade veio manifestada na mulher Maria ao dar à luz a Jesus, celebramos nesta liturgia a sua libertação definitiva do mistério da decomposição na morte”, enfatizou o cardeal. Ele lembrou que “numa tradição antiga se fala na ‘dormição’ de Maria, a elevação de Maria ao céu em corpo e alma”. “Um grande sinal no Céu – uma mulher vestida de sol”, disse o arcebispo, lembrando a primeira leitura. Segundo ele, “a mulher, Maria, está envolta numa contradição. De um lado, vem adornada como rainha, com adereços celestes como a lua, o sol, as estrelas. Por outro lado, enfrenta as dores do parto e a perseguição do Dragão, postado à sua frente, pronto para devorar o Filho, logo que nascesse. O Filho foi levado para junto de Deus e a mulher para o deserto onde Deus lhe tinha preparado um lugar”, lembrando o texto: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realiza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo” (Ap 12,10). “Maria que concebeu o Filho de Deus e o deu à luz como salvação. Tudo como manifestação do amor de Deus por nós humanos e por toda a criatura”, ressaltou o cardeal Steiner. Ele disse que “em Nossa Senhora nos vemos como Igreja: somos grandeza e miséria, alegria e angústia, luz e sombra. Nela resplandecente, vemos a nossa salvação, a morte vencida, o mal subjugado. Mas enquanto peregrinos neste mundo, carregamos nossa fraqueza, dor e pecado”. Celebrando a sua assunção, segundo dom Leonardo, “a glorificamos como Rainha do Céu e a chamamos de ‘Mãe do Redentor’, de ‘Mãe da divina graça’. Nos mistérios gozosos a contemplamos coroada Rainha do céu e da terra, pois concebeu e deu à luz a Jesus Cristo, nosso salvador. Coroada, pois como nos lembrava a primeira leitura: ‘uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas’ (Ap 12,1).” São Lucas nos recordava, disse o arcebispo de Manaus, “que Maria partiu, apressadamente, para a região montanhosa, depois que o anjo lhe revelara que sua prima, Isabel, avançada em idade e estéril, também daria à luz um filho. Vimos Maria entrar na casa de Isabel e fomos convidados a contemplar o encontro de duas mulheres grávidas, no qual se revelam, duas profetizas, pois inspiradas pelo Espírito Santo. Isabel sentiu a vinda de Maria e, ao mesmo tempo, João, a vinda do Cristo. O nome ‘João’ evoca o ‘filho da graça’. Como tal, alegra-se com a vinda do gracioso Salvador, Jesus. E Maria permaneceu na casa por três meses e volta para casa.” Segundo o cardeal Steiner, “Maria que saiu da casa, entrou em muitas casas, permanece na casa e volta para casa. Deixou a casa de Nazaré e entrou na casa-estábulo em Belém; de Belém entra na casa estrangeira no Egito; da casa do Egito entra na casa de Nazaré. Deixa a casa de Nazaré para acompanhar o Filho no caminho da Cruz e da morte e habitará a casa da dor e da solidão. Na casa da cruz existe somente a dor, a perda, o sofrer. A dor é sua casa e ela a habita e ela está de corpo e alma. A casa da solidão ao tomar em seus braços o seu filho único descido da cruz, despido, silenciado, sem respiro, sem vida. A vida de sua vida, aquele a quem dera a vida e era a razão de sua vida, agora sem vida nos seus braços. Ela habita a casa da solidão, isto é do estar só Deus, soli-tudo, e nela está de corpo e alma. Nenhum desespero, nenhum fim, nenhum sem sentido, mas repetição silenciosa: ‘faça-se em mim segundo a tua palavra’. Ela está em casa de corpo e alma, pois habitada por Deus.” “Somos convidados, convidadas, para estar a caminho com Maria e sermos a habitação, a morada, na soltura, na liberdade e na receptividade transformante. A nossa revolução passa pela ternura, diz Papa Francisco, pela alegria que se faz proximidade, compaixão que não é comiseração, mas padecer com, para libertar e leva a servir os outros. A nossa fé nos faz sair de casa e ir ao encontro dos outros para partilhar alegrias e sofrimentos, esperanças e frustrações. A nossa fé nos tira de casa para visitar o doente, o recluso, quem chora, quem sabe rir com quem ri, rejubilar com as alegrias dos vizinhos”, ressaltou o arcebispo de Manaus. Como Maria, lembrou dom Leonardo, com palavras de Papa Francisco, “queremos ser uma Igreja que serve, que sai de casa, que sai dos seus templos, que sai das suas sacristias, para acompanhar a vida, sustentar a esperança, ser sinal de unidade de um povo nobre e digno. Como Maria, Mãe da Caridade, queremos ser uma Igreja que saia de casa para lançar pontes, abater muros, semear reconciliação. Como Maria, queremos ser uma Igreja que saiba acompanhar todas as situações “grávidas” da nossa gente, comprometidos com a vida, a cultura, a sociedade, não nos escondendo, mas caminhando com os nossos irmãos, todos juntos. Este é o nosso tesouro mais precioso, esta é a nossa maior riqueza e o melhor legado que podemos deixar: aprender a sair de casa, como Maria, pelas sendas da visitação. E aprender a rezar com Maria, pois a sua oração é cheia de memória e agradecimento; é o cântico do povo de Deus que caminha na história. É a memória viva de que Deus está no nosso meio; é a memória perene de que Deus olhou para a humildade…
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Manaus acolhe V Encontro da Igreja da Amazônia de 19 a 22 de agosto

  Manaus acolhe de 19 a 22 de agosto de 2024 o V Encontro da Igreja da Amazônia, que tem como tema: “A Igreja que se fez carne, alarga sua tenda na Amazônia: Memória e Esperança.” Organizado pela Comissão Episcopal Especial para a Amazônia (CEA) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), se espera a presença de 60 bispos, bem como agentes de pastoral que que trabalham na Igreja da Amazônia e lideranças indígenas. Um encontro que segundo o arcebispo de São Luís (MA) e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia busca “dar continuidade às conclusões do encontro de 2022, em Santarém”, na tentativa de “ver os avanços, as dificuldades e os desafios”, segundo informaram os organizadores. O bispo lembrou que o encontro será oportunidade para se debruçar “em tudo aquilo que foi feito e a luz, sobretudo, da Querida Amazônia, e a luz desses últimos documentos do Papa, vermos quais são os as os desafios emergentes e o que que nós esperamos que a atuação como Igreja da Amazônia”.   Prévio ao encontro tem sido feito nos seis regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que fazem parte da Amazônia Legal, “um levantamento com todos os regionais da Amazônia, e a partir desses dados será feita uma socialização, principalmente, a partir do documento de Santarém e do Sínodo da Amazônia, observando também alguns desdobramentos desses dois encontros”, segundo a assessora da Comissão da Amazônia e secretária executiva da REPAM-Brasil, Ir. Maria Irene Lopes.  No encontro irão participar “membros da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) com a sua presidência para compartilhar com toda a Igreja da Amazônia brasileira os caminhos que estão sendo traçados. Também será tratado sobre o tema do rito amazônico e outros temas que são importantes para a igreja”, segundo lembrou a religiosa. O encontro iniciará com uma celebração da caminhada da Igreja, sendo esperada a presença de representantes do Governo Federal na abertura solene. Ao longo do encontro, além da socialização da realidade vivida nas diversas igrejas locais, será abordada a conjuntura social e eclesial na Amazônia. As reflexões do encontro serão dadas a conhecer em uma carta ao povo de Deus da Amazônia que deve ser publicada no final do encontro. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Deus nos chama, e em nós pode chamar outros

Todos nós somos chamados por Deus, a resposta é pessoal e diferente, mas o chamado acontece em algum momento da nossa vida. Nossa resposta depende muitas vezes da nossa capacidade de escuta, uma atitude cada vez menos presente em nossa vida. Muitas pessoas dizem: “eu não tenho tempo para escutar”. Aos poucos vamos nos desentendendo dos outros, e vamos nos desentendendo de Deus. Não podemos esquecer que Deus nos fala de muitos modos, mas especialmente nos fala nos outros. As vezes naqueles com quem a gente convive no dia a dia, as vezes pessoas com quem não temos um contato cotidiano, mas também pode ser que Ele nos fale através de alguém que a gente encontrou uma vez na vida. Deus tem seu modo de agir, de nos fazer sua proposta. Mas também temos que nos perguntar se nós somos propostas de Deus para alguém. É um desafio ser testemunhas de Deus para os outros, ajudá-los a descobrir que Deus pode ser importante em sua vida, que Deus quer acompanhá-los em sua caminhada. Não podemos esquecer que a resposta ao chamado que Deus nos faz a cada um, cada uma de nós, tem que nos levar a sermos testemunhas na vida dos outros. E isso é algo que nasce do nosso batismo, pois é aí que Deus nos chama para sermos discípulos e discípulas, independentemente de como isso se concretiza no decorrer do tempo, do ministério que cada um assume, da vocação à qual nos sentimos chamados. É na diversidade de vocações que a Igreja se enriquece e cresce, fazendo com que possa ser melhor presença de Deus na vida da humanidade. Nessa diversidade de vocações, a família, assumir o chamado de Deus a formar uma família, a ser família, nos leva a refletir sobre a importância que a família tem na vida da humanidade, como espaço de encontro, de partilha de vida, de descobrimento daquilo que vai construindo nosso futuro. Uma família que se concretiza de diversos modos e que foi se transformando em seu conceito ao longo da história, mas que não pode esquecer seu papel na vida das pessoas. A família é desafiada a providenciar a seus membros a possibilidade de crescer, não só fisicamente, mas também na dimensão humana e na dimensão transcendente. A referência à transcendência acompanha a vida da humanidade desde que o ser humano foi avançando em racionalidade, como algo que complementa a dimensão humana de cada ser. Temos em nossas famílias uma preocupação por essa referência à transcendência? Experimentamos, com a ajuda daqueles com quem partilhamos a vida, a presença em nosso meio dessa transcendência? Somos conscientes que essa referência à transcendência dá sentido à nossa vida e oferece a possibilidade dos outros se enriquecer a partir do convívio cotidiano? Responder a essas perguntas nos ajuda a responder a Deus, a descobrir que essa resposta plenifica nossa vida, dá sentido a nossa existência e a nossa caminhada e relacionamento com os outros, a quem Ele também chama. Pode ser que sintam esse chamado através de nós, e ajudar o outro a se encontrar com a transcendência sempre vale a pena. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1, editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “No ‘atrai’ somos despertados para a gratuidade do seguir Jesus, fugindo de moralismos, de ideologizações da fé”

No 19º do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia definindo a Palavra ouvida como “consoladora e animadora”, afirmando que “somos atraídos pelo Pai do céu. A Encarnação da fé é uma história de atração. Deus atraindo, porque amando.” Segundo o cardeal Steiner, “se chegamos a conhecer a Jesus e o seguimos, é porque o Pai nos atrai. Ele é um movimento atrativo. Como se Jesus nos dissesse: quem quer que seja, se vier a mim, em qualquer tempo, em todos os tempos, em todas as gerações, se chegar até mim, se tonar meu seguidor, minha seguidora… foi pego pelo movimento atrativo do Pai, o charme do Pai. Não sou eu que atraio, é o Pai que atrai.” O arcebispo de Manaus destacou que “quem atrai é o amor; fomos atingidos por uma atração amorosa! Um amor procurante que seduz, encanta. O texto sagrado insinua que não se trata de uma atração acontecida no passado, mas que o ‘atrai’ do Pai, nos conduz até o encontro amoroso no Reino definitivo. Um convite a estarmos sempre mais em sintonia, em comunhão, submergidos no Amor atrativo. É uma atração que se estabelece no tempo, mas atravessa todos os tempos.” Ele lembrou as palavras de Santo Agostinho, que nos faz ver que somos atraídos com agrado e prazer: “Eu sou o pão que desceu do céu”. O pão que alimenta, que tem sabor. Há um apetite no coração pelo qual ele tem o sabor do pão do céu. Não é com a necessidade, mas com o prazer; não é com a violência, mas com o deleite que somos atraídos: o pão do céu. Por isso, ensina não só os sentidos têm os seus deleites, mas também a alma. É um deleite para a alma o “atrai” do Pai! O arcebispo de Manaus sublinhou que “a alma amante tem fome da vida do ‘atrai’… Daí, o versículo terminar com a ressurreição dos mortos… a vida eterna, o ‘viverá eternamente’. Sim, atraída para dentro da eternidade, do amor da Trindade”. Ele perguntou: “O que suscita o ‘atrai’!?”, afirmando que “certamente ultrapassa a inquietação e a frustação da murmuração: ‘Não murmureis entre vós’. Na murmuração se encontra um certo azedume, um amargor, às vezes uma indiferença. Mas quem se sente atraído no amor é tomado pela leveza, pelo contentamento, pela fecundidade da vida. Fecundidade da vida que desperta a leveza quase infantil de viver. Uma pedagogia que abre constantemente possibilidades existenciais frente à cotidianidade dura e às vezes aniquiladora.” “O encanto da atração traz no seu bojo o sentido de fecundidade, um cuidado materno-paterno em relação aos necessitados, aos desvalidos, aos que a sociedade rejeita, aqueles e aquelas que andam e navegam sem destino, sem porto, sem estrada, sem rio, sem chegada! O atrai abre olhos para o que está por vir: porto, espaço e tempo de encontro. O ‘atrai’, então, desperta leveza, sutileza, humor, transparência, pois ‘Tu és o gáudio. Tu és a nossa esperança e alegria’”, disse, inspirado em Francisco de Assis. Segundo dom Leonardo, “no ‘atrai’ somos despertados para a gratuidade do seguir Jesus, fugindo de moralismos, de ideologizações da fé, de acharmos que podemos aprisionar em conceitos e dogmatismos as delicadezas da atratividade de Deus. É que no ‘atrai’ há liberdade, a graça de corresponder gratuitamente à atração”. Diante disso, ele afirmou que “talvez, por isso, Santo Agostinho nos adverte contra a soberba, no sentido de considerar que chegamos a Jesus Cristo com as nossas próprias forças, nossa vontade, por própria decisão. Ele nos ensina que este orgulho, este inchaço da alma, não procede, pois mesmo essa presunção advém da graça de sermos ‘atraídos’.” “A ‘Igreja não cresce por proselitismo, cresce por atração’. A atração testemunhal. Esse testemunho que nasce da alegria assumida, aceita e depois transformada em anúncio, é uma alegria fundada. Sem este gozo, sem esta alegria não se pode fundar uma Igreja, não se pode fundar uma comunidade cristã. É uma alegria apostólica, que se irradia, que se expande”, disse o cardeal citando Papa Francisco. Comentando a primeira leitura, ele destacou que “ouvíamos como profeta Elias foi atraído e enviado. O profeta de Deus, o invocador do fogo do céu que consumiu não só o sacrifício, mas também o altar, o vencedor dos sacerdotes e profetas de Baal, se colocou em fuga. Perseguido, foge esmorecido, desalentado, inconformado, tomado pela desilusão. Caminha deserto adentro e, depois de um dia a caminho esquecido da atração, pede a morte: ‘Agora basta, Senhor! Tira minha vida, pois não sou melhor que meus pais’ (1Rs 19,4).” “A pregação de Elias dera em nada. Em vão tinha labutado e lutado. Até então, tinha dado testemunho de um espírito que era pura vontade e poder, esquecido que fora atraído! Doara-se inteiramente num ímpeto vigoroso e numa consciência de absoluta responsabilização e zelo. Nesse ímpeto e nessa absoluta doação, que desencadeava ação, atuação, execução, trabalho e realização, Elias, talvez, se julga próximo de Deus. Na realidade ele entra em desalento por estar servindo com as próprias forças, não com as forças e graças da atração”, comentou sobre o texto da primeira leitura. O cardeal ressaltou que “luta com suas forças, o profeta supera os deuses e seus profetas, mas entra numa espécie de depressão. E Deus sai em seu auxílio e o atrai. No meio do deserto, na dormência da morte, na desilusão, na perda da vontade de poder, é acordado, atraído: ‘Levanta-te e come!’ (1Rs 19,5). Ele olhou e vê à sua cabeceira um pão cozido sobre pedras quentes e uma bilha d’água. Se levanta, come e bebe e “com a força deste alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao monte de Deus Horeb” (1Rs 19,8).” Nessa perspectiva, o arcebispo de Manaus disse que “ele recebe o pão e a água, retoma o caminho depois da decepção, do cansaço, da fuga, da desilusão, da não conversão, da perseguição. O pão e a água…
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