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Cardeal Grech: “Sinodalidade significa caminhar juntos e não é um espaço no qual vence aquele que fala mais alto”

Uma continuidade, essa é a principal leitura de uma Assembleia Sinodal que encerrou os trabalhos de sua primeira sessão na noite deste sábado 28 de outubro. Que é uma continuação pode ser entendido no que aconteceu no momento do encerramento, quando, após a votação do Relatório de Síntese, Francisco, com muita parcimônia com as palavras, no que pode ser entendido como uma mensagem para ver esse final de trabalho como um passo adiante, não decisivo, em um processo que continua, limitou-se a dizer que ninguém deve esquecer que o protagonista dessa jornada é o Espírito Santo, agradecendo àqueles que tornaram possível chegar até aqui, inclusive aqueles que não aparecem. Um Sínodo que conquistou espaços Um Relatório de Síntese, do qual todos os pontos foram aprovados com mais de dois terços, sendo o capítulo 9, sobre as mulheres na vida e na missão da Igreja, especialmente no que diz respeito ao diaconato feminino, e o capítulo 11, que trata dos diáconos e presbíteros em uma Igreja sinodal, neste caso os pontos relativos ao celibato, novamente o diaconato feminino, e a possibilidade de acolher os presbíteros que deixaram o ministério. “Um sínodo no qual conquistamos espaços“, insistiu o cardeal Grech, para quem “a maioria das pessoas criou espaços para que todos possam entrar em seus corações”, algo que é fruto da escuta mútua. Uma assembleia na qual o gelo foi derretendo pouco a pouco, dada a generosidade dos membros, segundo o secretário do Sínodo, e que permitiu a abertura de espaços, em um processo que não se conclui hoje. Grech falou de uma Igreja em saída, que está criando espaços para todos, sem excluir ninguém, e isso porque essa é a atitude de Jesus, para que ninguém não se sinta aceito em casa. O Sínodo mudou a mentalidade de alguns A Assembleia Sinodal ajudou a mudar a mentalidade de alguns participantes, de acordo com o Cardeal Hollerich, que enfatizou a importância dos círculos menores nesse processo, o que permitiu a criação de uma comunidade de discípulos e levou a uma compreensão do que Jesus teria feito. Nas palavras do Relator Geral do Sínodo, “as pessoas voltarão com seus corações cheios de muitas ideias“. Por sua vez, o Padre Giacomo Costa enfatizou que um sentimento de Igreja levou a uma saída unida no Espírito Santo, um resultado que não era evidente no início, dadas as diferenças que existiam. Para o secretário especial, é possível, na diversidade de igrejas, línguas, culturas, caminhar juntos, o que é uma mensagem de esperança, algo que pode dar frutos para a Igreja. Levando-o de volta às igrejas locais Um documento a ser comunicado às igrejas locais, com os pontos que estão de acordo e aqueles em que ainda há algum caminho a percorrer, insistiu Grech. Independentemente do resultado da votação, que é algo com o qual Hollerich não está preocupado, já que se sabia que havia questões que enfrentariam oposição, chegando a dizer que se esperava uma oposição ainda maior em algumas questões. De fato, somos uma família e devemos respeitar os passos uns dos outros, porque sinodalidade significa caminhar juntos e não é um espaço em que vence quem fala mais alto, enfatizou o Cardeal Grech. O objetivo é aprofundar a capacidade de escutar uns aos outros, um clima único criado nas mesas, com passos importantes sendo dados por aqueles que estavam relutantes, nas palavras de Giacomo Costa. De acordo com o jesuíta, é preciso entender a conversão no Espírito, que é buscar juntos a vontade de Deus, o que ajudou a abordar as questões, ao que se juntou o trabalho de teólogos e canonistas. Mas há muitas questões que não seria realista abordar em todos os seus aspectos em um mês de trabalho e, por essa razão, duas sessões, uma para abrir o caminho e a outra para continuar esse caminho, disse ele. Em vista disso, ele pediu a intervenção do Espírito, porque o próximo passo será baseado nas prioridades que serão trabalhadas e, a partir daí, haverá uma conversa no Espírito para aprofundar os pontos de vista teológico, canônico e pastoral. Este é um estágio de aprendizado para todos, de acordo com o secretário do Sínodo, para quem devemos implementar o que vimos e avançar com discernimento, destacando o entusiasmo dos participantes e seu desejo de compartilhar o que experimentaram. De fato, o Relatório de Síntese, nas palavras de Hollerich, é a base comum para deixar o Espírito construir algo. Esse é um documento que faz parte de um processo que começará quando o Sínodo terminar, portanto, o Relator Geral do Sínodo espera que no próximo ano haja um documento no qual a sinodalidade seja discutida do ponto de vista teológico. Observando que havia outras questões que eram importantes para algumas pessoas, ele disse que em uma Igreja sinodal haverá maior capacidade de falar sobre essas questões, a liberdade de expressão será garantida. Ele concluiu que a Igreja encontrará respostas graças a essa mudança, que trará a maioria de acordo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Um Relatório de Síntese com convergências, questões a serem abordadas e propostas, enfocado claramente em 2024

20 temas em três partes, seguindo um esboço que descreve as convergências, as questões a serem abordadas e as propostas. É assim que pode ser definido o Relatório de Síntese – evita-se falar de um documento – que a Comissão de Redação elaborou após quase um mês de trabalho em mesas redondas na Sala Paulo VI. Trata-se de um relatório que visa ajudar a dar continuidade a um processo que claramente não está encerrado. Uma Igreja Sinodal em Missão A questão é quais são as questões destacadas e como abordá-las. Basta olhar para o resultado da votação, que foi feita ponto a ponto, pela primeira vez com o voto feminino, e essa é uma questão importante, para descobrir os principais consensos e as principais controvérsias, uma análise detalhada que requer mais tempo e que, sem dúvida, será importante para o trabalho a ser feito em vista da segunda sessão da Assembleia, prevista para outubro de 2024. “Uma Igreja sinodal em missão“, como diz o título do relatório, um aspecto já observado, talvez esquecido, há 60 anos, no Concílio Vaticano II, e que é claramente retomado ao afirmar, no início, citando a Primeira Carta aos Coríntios: “Todos nós fomos batizados por um só Espírito em um só corpo”, uma experiência vivida com alegria e gratidão, sob a harmonia do Espírito, nesta primeira sessão da Assembleia Sinodal, em uma Igreja que está aprendendo o estilo da sinodalidade e buscando as formas mais adequadas para realizá-la”. Batizados e batizadas, assim como membros de outras Igrejas, atentos à realidade do mundo, marcada por guerras, muito próxima de alguns dos participantes. Uma Igreja que valoriza a contribuição de todos os batizados, na variedade de suas vocações, chamada a transmitir os frutos de seu trabalho e a continuar a caminhada juntos. A primeira parte do texto, “O rosto da Igreja sinodal“, apresenta os princípios teológicos que iluminam e sustentam a sinodalidade. A segunda parte, “Todos discípulos, todos missionários“, apresenta a sinodalidade como um caminho conjunto do Povo de Deus e como um diálogo frutífero de carismas e ministérios a serviço da vinda do Reino. A terceira parte, “Tecendo laços, construindo comunidade“, mostra a sinodalidade como um conjunto de processos e uma rede de órgãos que permitem o intercâmbio entre as Igrejas e o diálogo com o mundo. O rosto da Igreja sinodal Reconhecendo a necessidade de explicar melhor o termo sinodalidade, os temores são dissipados, dando como exemplo prático a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e apresentando a prática da sinodalidade como “parte da resposta profética da Igreja a um individualismo que se volta contra si mesmo, a um populismo que divide e a uma globalização que homogeneíza e achata“, pedindo o envolvimento da hierarquia no processo e sua melhor explicação teológica, apontando inclusive para a necessidade de revisão do Código de Direito Canônico. Uma Igreja sinodal que tem a Trindade como sua fonte e é desafiada a assumir o discernimento em todos os níveis. A porta de entrada para essa Igreja é a iniciação cristã, exigindo um aprofundamento do discipulado, uma linguagem litúrgica mais acessível e o incentivo a todas as formas de oração comunitária. Nessa Igreja, os pobres são os protagonistas do caminho da Igreja, e eles pedem amor à Igreja, ou seja, respeito, aceitação e reconhecimento, sem vê-los como objetos de caridade, superando o assistencialismo e insistindo em um melhor conhecimento da Doutrina Social da Igreja. O Relatório observa a diversidade da Igreja, sua interculturalidade, fazendo parte de contextos multiculturais e multirreligiosos, com diferentes necessidades espirituais e materiais, o que deve gerar sensibilidade para a riqueza da variedade de expressões do ser Igreja, superando a polarização e a desconfiança. Há um chamado para cuidar da linguagem, do relacionamento com os povos indígenas e da acolhida aos migrantes. Uma Igreja latina chamada a um caminho comum com as Igrejas orientais, mestres na compreensão e na prática da sinodalidade. Tudo isso para avançar no caminho rumo à unidade dos cristãos, que exige arrependimento e cura da memória, no qual estão sendo dados passos, dando como exemplo a Vigília Ecumênica “Togheter” antes do início da Assembleia Sinodal. Todos discípulos, todos missionários Em uma Igreja sinodal, todos são discípulos, todos são missionários, em vista da missão que cabe a todos, destacando o crescente envolvimento pastoral dos leigos na vida pastoral, mas, estranhamente, a Assembleia tem algumas dúvidas sobre “uma Igreja totalmente ministerial”. Na Assembleia, assim como na própria Igreja, as mulheres falaram em alto e bom tom, e o relatório afirma que “em Cristo, mulheres e homens são revestidos com a mesma dignidade batismal e recebem igualmente a variedade dos dons do Espírito”, insistindo no apelo à corresponsabilidade não competitiva. Mulheres que clamam por justiça em todas as áreas, mas também diante de uma Igreja que fere pelo clericalismo, pelo machismo e pelo uso inadequado da autoridade. Isso exige uma renovação das relações e mudanças estruturais, um maior reconhecimento e valorização da contribuição das mulheres e um aumento das responsabilidades pastorais, questionando como incluí-las nas funções e ministérios existentes, ou mesmo criar novos ministérios, havendo diferenças em relação ao diaconato feminino. Portanto, pede-se que se acompanhe as mulheres mais marginalizadas, que elas participem dos processos de tomada de decisão e assumam papéis de responsabilidade no trabalho pastoral e no ministério, que elas não sofram discriminação no trabalho e remuneração injusta dentro da Igreja, que elas não sejam vistas, especialmente as mulheres consagradas, como mão de obra barata. Elas também devem ser formadas em teologia, participar dos processos de formação nos seminários e ter a possibilidade de se tornar juízas eclesiásticas. O texto reflete sobre o papel da vida consagrada e das associações leigas, da hierarquia e do Papa na Igreja sinodal. Destaca a riqueza da diversidade de carismas na Vida Consagrada e nas associações leigas, denunciando os abusos contra as mulheres nessas áreas e pedindo uma renovação de critérios na relação entre os Bispos e a Vida Religiosa. Com relação aos diáconos e sacerdotes, agradece-se a eles por seu trabalho, mas reconhece-se que o clericalismo é…
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Ler e votar, pela primeira vez também as mulheres: “Passos que nos permitem relacionar-nos uns com os outros de uma nova maneira”

Um dia para ler pessoalmente o Documento Síntese e, após uma leitura comum na Sala Sinodal, votar ponto a ponto. Isso é o que espera aos homens e mulheres que são membros do Sínodo neste último sábado da primeira sessão da Assembleia Sinodal. Pela primeira vez, as mulheres poderão votar em um documento do Vaticano, mesmo sabendo que não será um documento oficial, e que elas já votaram na Carta ao Povo de Deus e na eleição dos membros das Comissões de Comunicação e Síntese. Mas agora é outra coisa, e todos nós estamos cientes de sua importância. Disparidade de sentimentos Um momento que é vivido por algumas das mulheres que votarão com sentimentos de responsabilidade, de emoção, de orgulho, de compromisso, de gratidão a Deus, de selar o desejo de ser uma Igreja que seja casa para todos, de romper as barreiras do machismo e do clericalismo, e de abrir novas perspectivas para o futuro de uma Igreja que avança, apesar das resistências, há aqueles que negam a validade deste Sínodo e querem que ele seja apenas de bispos. Daí a importância de lembrar as muitas mulheres e homens que pediram essa oportunidade. Aquelas 35 mulheres que no Sínodo para a Amazônia entregaram uma carta assinada ao Papa pedindo para votar e a quem ele disse na última sessão que naquela ocasião não tinha sido possível, mas que chegaria o dia em que elas votariam em um Sínodo, algo que está acontecendo. No final das contas, como elas mesmas dizem, essa é uma forma de expressar o sentimento de que a Igreja está realmente dando passos, que Francisco acreditou em nós: mulheres, leigas. Votação para selar um compromisso As mulheres membros do Sínodo se deparam com “a possibilidade de escolher e selar um compromisso, de demonstrar através de um gesto as escolhas às quais o coração deu atenção como resultado do discernimento de todo esse tempo, é continuar dando passos que nos permitam nos relacionar uns com os outros de uma nova maneira”. Os não-bispos já haviam tido a oportunidade de participar, de expressar sua opinião. Neste Sínodo, sua participação nos círculos menores, nas intervenções livres nas congregações gerais, foi mais uma maneira, uma maneira diferente de exercer essa participação. Mas “o fato de poder votar acrescenta uma nova dimensão a essa participação e, de forma muito visível, representa o exercício da corresponsabilidade de todos na missão da Igreja“. Todos são necessários para a missão Um voto que “mostra como cada um de nós é necessário para realizar a missão. É também uma mensagem para todo o Povo de Deus que pede, de diferentes esferas e vocações, a possibilidade de participar, tanto nos processos de tomada de decisão, quanto mais ativamente nas dimensões pastorais. É uma imagem que traz muita esperança em relação à Igreja sinodal que queremos ser”. De fato, “não é uma questão de ser mulher, é ser batizada, estar em uma assembleia que antes era para bispos e poder participar da mesma mesa com igual tempo para falar, com igual respeito e escuta para todos. Votar em algo que vai ser muito importante para que, como cristãos, todos nós assumamos e façamos a nossa parte para garantir que algo que será irreversível avance, que todos nós somos homens e mulheres batizados, enviados em missão para o Reino e que, nesse Reino, fazemos parte da Igreja que quer nossa voz, nossa ação, nossa participação, vivendo tudo isso em comunhão, em diálogo e escutando”. Seguindo em frente sem nos apegarmos à nossa posição Uma Assembleia Sinodal na qual as mulheres dizem ter testemunhado “o que essa escuta profunda de cada pessoa pode fazer e como somos capazes de mudar, de nos transformar, de acolher, de buscar maneiras de chegar, se não a um consenso total, pelo menos a uma compreensão profunda de onde está nossa diferença, e conhecê-la, assumi-la e nomeá-la, para continuar caminhando juntas e juntos e buscar onde é conveniente avançarmos e onde o Espírito quer que avancemos sem nos apegarmos à nossa posição“. Uma oportunidade de ter sido capaz de “viver esse desejo de abertura e o desejo de buscar juntos”, de continuar acreditando que “é possível construir novidade nas pequenas coisas“. Um caminho que continuará a dar passos e o fará na medida em que continuarmos a caminhar juntos. É isso que é sinodalidade, mesmo que a palavra em si seja complicada. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Francisco pede o olhar misericordioso de Maria para “a família humana que preferiu Caim a Abel”

Uma hora de oração para pedir a paz no mundo em um dia em que o Papa Francisco pediu jejum, oração e penitência. A Basílica de São Pedro acolheu esse momento no qual a Igreja Católica, com a presidência do sucessor de Pedro, comprometida em ser artífice da paz, junto com outras igrejas, já que há vários delegados fraternos presentes na Assembleia Sinodal, pediu a intercessão de Maria, a Mãe, que “conhece nosso cansaço e nossas feridas”, com a recitação do Rosário. A angústia da guerra Francisco se dirigiu a Maria, dizendo: “Rainha da Paz, tu sofres conosco e por nós, vendo tantos de teus filhos dilacerados pelos conflitos, angustiados pelas guerras que dilaceram o mundo“, relatando situações que são vividas em tantos lugares do planeta e, nos últimos dias, de modo especial na Terra Santa. “Nesta hora de escuridão, mergulhamos em seus olhos luminosos e nos confiamos ao seu coração, que é sensível aos nossos problemas e que não estava isento de preocupações e medos”, foi a oração oferecida àquela que é Mãe, recordando as preocupações vividas quando não havia lugar para Jesus no abrigo, na fuga para o Egito, quando Jesus se perdeu no templo. Nos momentos de provação, Francisco enfatizou sua coragem e audácia, “você confiou em Deus e respondeu à preocupação com cuidado, ao medo com amor, à angústia com doação“. Nos momentos decisivos, ela não recuou Sobre Maria, o Papa disse que ela é aquela que nos momentos decisivos não recuou, mas tomou a iniciativa, como refletido em várias passagens do Evangelho, sendo “uma mulher humilde e forte”, uma tecelã de esperança em meio à tristeza. Ele pediu que ela “mais uma vez tomasse a iniciativa em nosso favor, nestes tempos de conflito e devastados pelas armas”. Que ela volte “seus olhos misericordiosos para a família humana que perdeu o caminho da paz, que preferiu Caim a Abel e que, perdendo o senso de fraternidade, não recupera o calor do lar. Interceda por nosso mundo em perigo e confusão”. Em meio a tantos conflitos, o pontífice pediu que ela nos ensinasse “a acolher e cuidar da vida – toda a vida humana! – e a repudiar a loucura da guerra, que semeia a morte e elimina o futuro”. Reconhecendo que permanecemos surdos aos seus apelos, sabendo que “a senhora nos ama, não se cansa de nós”, ele lhe implorou: “Tome-nos pela mão, leve-nos à conversão, faça-nos colocar Deus novamente no centro. Ajude-nos a manter a unidade na Igreja e a sermos artesãos da comunhão no mundo. Lembre-nos da importância de nosso papel, faça com que nos sintamos responsáveis pela paz, chamados a orar e adorar, a interceder e a reparar por toda a raça humana”. Corações aprisionados pelo ódio Afirmando que ela nos conduz a Jesus, que é a nossa paz, recorrendo ao seu Coração imaculado, o Papa lhe implorou misericórdia e rogou pela paz. Para isso, disse ele, “mova os corações daqueles que estão presos pelo ódio, converta aqueles que alimentam e fomentam conflitos“. Ela enxuga as lágrimas das crianças, assiste os solitários e os idosos, ampara os feridos e os doentes, protege aqueles que tiveram que deixar sua terra e seus entes queridos, consola os desanimados, reaviva a esperança. A Maria, Rainha da Paz, Francisco entregou e consagrou “cada fibra de nosso ser, o que temos e o que somos, para sempre”. Ele a consagrou à Igreja, para que “seja um sinal de harmonia e um instrumento de paz“, e ao mundo, especialmente aos países e regiões em guerra. E pediu a ela que fosse “um lampejo de luz na noite dos conflitos” e que inspirasse os líderes das nações com caminhos de paz. Que ela reconcilie “seus filhos, seduzidos pelo mal, cegos pelo poder e pelo ódio”, que ela transponha “nossas lacunas de separação”, que ela nos ensine “a cuidar dos outros” e “testemunhas de seu consolo”, que ela derrame “nos corações a harmonia de Deus”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Padre Timothy Radcliffe: Neste Sínodo “estamos aprendendo a tomar decisões juntos, a escutar uns aos outros”

Nas últimas horas da primeira sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, os membros da Assembleia trabalharam no Documento de Síntese, que recebeu, segundo Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação, 1251 sugestões de modificação coletivas e 126 individuais, que serão levadas em consideração. Um Documento que chegou a um consenso e que será redigido em sua versão definitiva para ser lido e votado no sábado à tarde, com cada um dos pontos tendo que ser aprovado em uma votação eletrônica por maioria absoluta, e que será tornado pública no final da votação. Luzes para interpretar a realidade Surpreendida por algo incomum para uma monja de clausura, Madre Maria Ignazia Angelini, assistente espiritual do Sínodo, viu essa experiência como uma oportunidade de compartilhar sua experiência monástica, um momento revolucionário na medida em que teve que aprofundar sua capacidade de ouvir diferentes realidades, em um momento difícil em que é necessária luz para poder interpretar essa realidade. Ela vê as diferentes realidades e origens como uma inovação, que ela espera que seja continuada. O outro assistente espiritual, Padre Timothy Radcliffe, que enfatizou a importância da mídia para o bom andamento do Sínodo, insistiu que “a sinodalidade faz parte do meu modo de ser“, algo que vive como dominicano. Ele vê este quarto Sínodo do qual está participando como muito diferente dos outros, onde não havia diálogo e onde eram proferidos discursos previamente preparados. A diferença deste Sínodo é que aprendemos a ser Igreja juntos, sentados ao redor de uma mesa, de uma forma que revela muito mais claramente o papel do bispo, uma grande mudança em relação ao passado. Diante das expectativas de mudança que muitas pessoas têm, ele diz que essa não é uma visão correta, porque este é um Sínodo para descobrir como ser Igreja de uma nova maneira. Ele não o vê como um Sínodo para tomar decisões específicas, mas para escutar as diferentes culturas e a Tradição, como as coisas evoluíram ao longo da história, enfatizando que “estamos aprendendo a tomar decisões juntos, a escutar uns aos outros“, o início de um processo de aprendizagem, que pode ter erros, enfatizando a importância de ouvir uns aos outros em um mundo de violência. Uma profunda experiência de comunhão Um Sínodo que é “uma profunda experiência de comunhão“, segundo o irmão Alois Loeser, Prior da Comunidade de Taizé, que o vê como um sinal de abertura a todos os cristãos e ao mundo, algo vivido na Vigília Ecumênica de 30 de setembro, destacando também a presença de cristãos de outras confissões, o que nos permite avançar no ecumenismo espiritual, já que todos fomos batizados em Cristo e nos torna membros de um só corpo. Os momentos de escuta, nos quais foram discutidas questões difíceis, ele vê como um passo importante. Um modo de ser Igreja que ele espera que se irradie por todo o mundo, fruto de dois anos de preparação, que nos permitiu entrar em um novo modo de ser Igreja, enfatizou. Uma Assembleia Sinodal que, segundo o Prior de Taizé, provocou uma evolução nas pessoas que estavam reticentes em relação a esse processo, algo que é fruto de uma verdadeira escuta, que transformou os participantes. Apesar das muitas diversidades e da necessidade de compreender as culturas, incluindo as culturas eclesiais, esse é um caminho no qual devemos continuar avançando. Medo do método sinodal por parte daqueles que não o entendem Nesse sentido, o padre Radcliffe afirmou que muitas pessoas têm medo do método sinodal, e têm medo porque não o entendem. Enquanto um o interpreta com os olhos da fé, outros o interpretam de um ponto de vista ideológico, o que não é correto. O objetivo não é a ruptura, que é o medo dessas pessoas, enfatizando a importância de comunicar ao mundo que “este Sínodo é uma ferramenta de oração e fé”. Reconhecendo as diferenças culturais presentes, isso não é visto pelo dominicano como um conflito ideológico, considerando que é próprio do catolicismo acolher uma diversidade que nos enriquece, porque as preocupações são diferentes dependendo do lugar onde a fé é vivida. Uma opinião endossada pelo Ir. Alois, que pediu a superação das fronteiras, algo que ele vê presente nos jovens, que ele considera mais respeitosos com a beleza da diversidade. Com relação ao ecumenismo, o prior de Taizé lembrou a doutrina do Concílio Vaticano II, que vê verdades de fé em outras igrejas, admitindo a necessidade de aprofundar esse tema. A abordagem ao mundo digital é vista como uma necessidade pela monja beneditina, que falou de uma necessidade de conversão nesse sentido, refletindo sobre como o que foi dito na Assembleia será levado às comunidades locais. Nesse sentido, ela enfatizou a necessidade de os jovens serem ouvidos, de serem incluídos nos processos de discernimento, de leitura da história, bem como nos processos decisórios das igrejas locais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Na Assembleia Sinodal, o primeiro jogo está nos acréscimos, mas ainda tem o jogo de volta

O primeiro jogo está nos acréscimos, mas ainda tem o jogo de volta. Com esse símile esportivo poderíamos falar sobre o que está acontecendo nas últimas horas da primeira sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, que começou em 4 de outubro e será encerrada neste domingo, 29, com uma missa em São Pedro, o trabalho na noite de sábado, 28. É necessário que haja substância Um documento de cerca de 40 páginas, ainda tem que ser adicionada uma conclusão do rascunho que foi estudado e discutido desde quarta-feira, contém muitas palavras, mas não se sabe se haverá muita substância, um elemento decisivo para o período entre as duas sessões da Assembleia Sinodal. Em uma Igreja sinodal, se o povo santo e fiel de Deus não estiver envolvido na escuta, no diálogo e no discernimento, o significado do processo se perde, e o caminho conjunto vai deixando gente para trás até se tornar um caminho com aqueles que sempre caminhei. Francisco vem marcando o caminho, o tempo do jogo, mas sempre há ovelhas rebeldes que não ouvem o pastor, que querem ser as estrelas do time, mesmo entre aqueles que um dia prometeram derramar seu sangue por ele. Embora muitos a tenham chamado de “Assembleia da Paz e do Amor”, parece que “as estratégias humanas, os cálculos políticos ou as batalhas ideológicas”, sobre os quais o Papa alertou na missa de abertura em 4 de outubro, estão se tornando mais evidentes com o passar das horas. Caminhando juntos, com o olhar de Jesus Pode-se imaginar o conteúdo dos formulários que qualquer membro da Assembleia Sinodal pode enviar individualmente à Comissão de Redação, desde o Prefeito de um Dicastério até o jovem de 19 anos que pediu ao Papa um comprovante de presença para apresentar na Faculdade. Até que ponto serão levados em conta aqueles que dificultam o “caminhar juntos, com o olhar de Jesus”, lembrando novamente as palavras do Pontífice na mesma homilia. Na verdade, deve haver de tudo, sobretudo nos aportes individuais, já que os que vêm dos círculos menores são mais consensuais, algo que pode ser visto como uma expressão do parlamentarismo que o Papa quis combater. Os temas mais polêmicos serão, sem dúvida, aqueles que, implícita ou explicitamente, como experimentamos diariamente nas perguntas feitas nos briefings, têm liderado o caminho: mulheres, incluindo a ordenação, LGBTQ, formação, especialmente de seminaristas, aspectos sobre os quais as posições na Igreja e, consequentemente, na Assembleia Sinodal, são das mais extremas e variadas. O Sínodo tem insistido no método, o que a maioria vê como um bom plano de jogo, mas para levar as pessoas ao estádio ou simplesmente para ficarem ligadas na televisão, são necessários gols. Passar a bola no meio de campo nem sempre é a melhor maneira de vencer. O árbitro precisa exigir que as regras sejam respeitadas E todos querem ganhar, e se for de goleada, melhor ainda, mesmo que tenham de marcar com a mão, como o famoso gol de Maradona, com “la mano de Dios” (a mão de Deus). Alguns estão dispostos a violar as regras mais elementares para colocar a bola na rede. A questão é se isso será permitido pelo árbitro, que alguns identificam com o Espírito Santo, enquanto outros o veem mais como aquele a quem a história deu o título de Vigário de Cristo. Pelas suas palavras duras, pouco antes de o Documento de Síntese ser discutido na Aula Paulo VI, ele não vai permitir que alguém marque gols com a mão. Faltas, penalidades, jogo duro, dependerão da visão de cada um. Há aqueles que respeitaram as regras do jogo durante o primeiro jogo, a questão é se eles farão o mesmo no segundo jogo, na partida decisiva. Há aqueles que permaneceram nas arquibancadas bem-comportados, mas quando as coisas ficam emocionantes, ninguém pode ter certeza de que o hooligan que muitos de nós carregamos dentro de nós não aparecerá. Estamos nos últimos minutos do jogo de ida, por enquanto com clima de empate, mas ainda há o jogo de volta, e quando ele é disputado, ainda mais se for um clássico, poucos estão dispostos a perder. Haverá tempo para treinar nos próximos onze meses e estar em forma para o jogo de volta. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro Rede Clamor partilha os passos dados em América Latina e Caribe buscando avançar no trabalho em comum

Bogotá acolheu de 24 a 26 de outubro o Encontro da Rede Clamor, a Rede Eclesial da América Latina e do Caribe sobre Migração, Deslocamento, Refúgio e Tráfico de Pessoas, com o tema “A vida não é mercancia”, que contou com a presença de representantes de diversas redes de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, como também congregações que são referenciais nesse âmbito. “Uma experiência muito profunda que tenta articular as diversas instituições que trabalham a temática da prevenção ao Tráfico de Pessoas”, segundo a Ir. Rose Bertoldo, secretária executiva do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), e membro da Rede um Grito pela Vida, que é referencial da Comissão de Tráfico de Pessoas na Rede Clamor. Um encontro que segundo a religiosa, ajudou a “tecer um olhar sobre as diversas realidades do Tráfico de Pessoas em América Latina e o Caribe, e poder perceber essa realidade cruel que está presente principalmente na exploração sexual, trabalho forçado e as atividades ilícitas”, ajudando assim a identificar os desafios que a realidade apresenta. Também esteve presente Ir. Sandra Ede da Coordenação Nacional da Rede Um Grito Pela Vida. No encontro, os participantes puderam “compartilhar as diversas realidades e o trabalho das redes que atuam em nosso continente”, também com diversos vídeos, destacou a irmã da Congregação do Imaculado Coração de Maria. A religiosa definiu como muito marcante “a partilha de três mulheres que passaram pela situação de tráfico de pessoas e relataram suas histórias”. No relato, insistiu a Ir. Rose Bertoldo, “as mulheres trazem presente como é importante continuar esse trabalho de dar visibilidade a esse crime e também fazer o trabalho de prevenção a tantas crianças e adolescentes que acabam sendo vítimas desse crime tão cruel”. Igualmente a religiosa relatou experiências muito fortes, especialmente das congregações que trabalham com a acolhida, e da Caritas da Venezuela que trouxe isso muito presente, insistindo em que é importante fazer ações de prevenção, mas também de incidência política para o enfrentamento a essa realidade. Para isso foram apresentados os fundamentos do trabalho pastoral contra o Tráfico de Pessoas. Durante o encontro foram estudadas as Orientações da Santa Sé sobre o Tráfico de Pessoas, e foi construído um plano de ação, “buscando atuar em conjunto, Rede Clamor e Trata CLAR, que reúne as diversas redes da Vida Religiosa Consagrada. Um plano para fortalecer o trabalho coletivo que vem sendo feito desde a realidade de cada país”, enfatizou a Ir. Rose Bertoldo. Igualmente foram apresentadas as ferramentas da Rede Clamor para a prevenção do Tráfico de Pessoas e as ações para 2024, sendo as prioridades a formação de agentes de pastoral, a prevenção e o acompanhamento aos sobreviventes. Dentre as atividades que como Rede Clamor podem fazer juntos, foi colocado a formação, sendo programados diplomados em acompanhamento psicossocial às vítimas do Tráfico de Pessoas, incidência. Também foram apresentadas algumas ferramentas: Guia Didática sobre Orientações Pastorais, Via Sacra, folders formativos, terço pelas vítimas do Tráfico de Pessoas, Hora Santa, Lectio Divina, Sociodrama, vídeo clips, histórias de vida. Finalmente, foi proposto a criação de redes na Venezuela e Antilhas, e a elaboração de recursos para redes sociais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Koch: no caminho ecumênico, “o Batismo é a base da unidade e da sinodalidade”

O briefing deste dia 26 de outubro com os participantes da Assembleia Sinodal, podemos dizer que foi uma mesa ecumênica, com a presença do Cardeal Kurt Koch, Prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Sua Eminência Iosif, Metropolita Ortodoxo Romeno da Europa Ocidental e Meridional, Opoku Onyinah, delegado ao Sínodo das Igrejas Pentecostais, Catherine Clifford, Professora de Teologia Sistemática na Saint Paul University em Ottawa, e Mons. Stanislaw Gadecki, Arcebispo de Poznan e Presidente da Conferência Episcopal Polonesa. Trabalhando no Documento Síntese A Assembleia Sinodal está trabalhando no Documento Síntese. Na quarta-feira à tarde, quando a Carta ao Povo de Deus foi votada, com 336 a favor e 12 contra, e o Papa Francisco falou sobre o que ele entende por Igreja como Povo de Deus, houve intervenções livres, nas quais foi enfatizada a audácia missionária da Igreja, que se constitui como tal no anúncio do Evangelho, que não pode ser pensado fora da missão. Também foi enfatizada a importância do sensus fidei e das mulheres, sua capacidade de escutar e consolar, e o fato de que elas não podem ser objetos, mas sujeitos da Igreja. Antes do trabalho em círculos menores, foram compartilhados os critérios que estão presentes no documento, insistindo que se trata de um documento de transição e que ajuda a saber onde estamos e a retomar um caminho que começou em 2021 e vai até 2024. Um documento que ajuda a trilhar um caminho para todos, um documento que ilumina e ajuda a entender como caminhar juntos e buscar soluções compartilhadas, sem cair na tentação do clericalismo. Sínodo Ecumênico e Ecumenismo Sinodal A dimensão ecumênica, que remonta ao Concílio Vaticano II, é importante na história dos sínodos, enfatizou o Cardeal Koch, lembrando que o batismo é a base da unidade e da sinodalidade, e que todas as igrejas têm estruturas de sinodalidade, algo em que as Igrejas Ortodoxas se destacam. A reflexão sobre a dimensão ecumênica esteve presente na preparação do Sínodo, lembrando a Vigília Ecumênica de 30 de setembro, com representantes de várias Igrejas. Recordando as palavras do Santo Padre, o Cardeal suíço sublinhou que este Sínodo deve ser ecumênico e que o ecumenismo deve ser sinodal. O representante ortodoxo saudou o convite do Papa para um processo que tem interesse no trabalho sinodal, que está muito presente na Igreja Ortodoxa. Nesse campo ecumênico, passamos de relações difíceis para relações fraternas, pois todos buscamos o que nos une, o que temos em comum, destacou. Um ecumenismo presente na vida de muitas famílias, que ele vê como experiências que ajudam a entender que a unidade em torno de Cristo é possível. Para o ganês Opoku Onyinah, que destaca o fato de a Assembleia Sinodal ser uma experiência muito aberta, com uma metodologia que incentiva a participação de todos, o convite do Papa a outras igrejas representa uma atitude de humildade. Em suas palavras, ele destacou a mistura entre os bispos e outras pessoas nos círculos menores e o fato de que cada contribuição é considerada de igual importância, o que ele vê como um sinal de maturidade. Ele também disse que ficou impressionado com a espiritualidade do Sínodo, sendo capaz de ouvir o sopro do Espírito no discernimento. Por fim, ele definiu o Sínodo como uma tentativa de eliminar as divisões para unir os cristãos à maneira de Cristo. Encontrando consenso pacificamente O Arcebispo de Poznan, que está participando de seu quinto Sínodo, disse que ficou surpreso com a metodologia do Sínodo, que ajudou a superar conflitos e, com o sopro do Espírito, a encontrar pacificamente um ponto de consenso. Portanto, ele mostrou como esse método de conversação sob a influência do Espírito, que ajuda a estabelecer diálogos, conversas pacíficas para aliviar problemas, poderia ajudar a resolver conflitos globais, a evitar o confronto entre culturas e civilizações, chamando a caminhar não na direção do confronto e do desacordo, mas na direção do diálogo e da boa vontade. Essa também é uma posição importante no diálogo ecumênico, definindo o caminho sinodal como um processo em direção à unidade. A teóloga canadense destacou a presença da sinodalidade no Magistério do Papa Francisco desde 2013, insistindo que a Igreja Católica tem muito a aprender com a Igreja Ortodoxa em termos da prática da sinodalidade, um elemento aprofundado na Evangelii Gaudium. O ecumenismo tem sido importante no processo de escuta no Canadá, insistindo na participação de todos os fiéis e batizados, incentivando a participação plena em todos os níveis da vida da Igreja, vendo a sinodalidade como um paradigma para o caminho comum, pois a fé em Jesus é muito mais ampla. Levar a sério a igual dignidade de todos os batizados Em resposta à intervenção do Papa na Sala do Sínodo, onde ele insistiu em uma Igreja como povo de Deus e em sua crítica às batinas e chapéus ou alvas e túnicas com rendas, Catherine Clifford insistiu que nos últimos 30 anos houve conversas muito importantes entre os teólogos sobre a compreensão da Igreja, enfatizando a importância de lembrar o ensinamento do Vaticano II sobre a Igreja como comunhão e povo de Deus, uma eclesiologia que ela definiu como muito bíblica e compartilhada com outras Igrejas cristãs que ajuda a crescer em uma compreensão comum da Igreja. Com o objetivo de ajudar os seminaristas a se sintonizarem com a cultura sinodal da Igreja, a teóloga enfatizou a importância da formação para a compreensão da Igreja como um corpo sinodal que leva a sério a igual dignidade de todos os batizados. De acordo com Dom Gadecki, essa formação tem sido prolongada, buscando trabalhar a formação a partir das diferentes ciências, buscando aprender uma nova forma de diálogo, um novo estilo de se relacionar com os outros, chamando a, sem cair no mundanismo, estar em contato com a vida das famílias e a introduzir as mulheres no caminho formativo e a não se distanciar do mundo real. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Francisco, o Papa comprometido em concretizar uma Igreja Povo de Deus

Um dos grandes legados do Concílio Vaticano II foi a concepção da Igreja como o Povo de Deus, uma imagem muito presente no pensamento do Papa Francisco, que está sempre determinado a fazer com que as decisões do último Concílio sejam adotadas na Igreja. Ele está ciente da dificuldade, mas permanece firme em seu propósito e não perde uma oportunidade de mostrar sua posição. Um forte chamado de atenção O que ele experimentou na quarta-feira, durante a 18ª Congregação Geral da 16ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, pode ser definido como um claro chamado de atenção, por causa do tom, com aquele tom “portenho” que ele usa quando quer deixar as coisas claras, e por causa do momento em que o fez, antes do início das discussões sobre o Documento de Síntese que dará a conhecer os elementos presentes nesta primeira sessão da Assembleia Sinodal, que começou em 4 de outubro e será encerrada no domingo, dia 29. Parece que teve gente que ficou engasgada com as palavras. Podemos imaginar os rostos daqueles que experimentam “batinas e chapéus ou alvas e vestes de renda” nas alfaiatarias eclesiásticas de Roma. O fato de Francisco não gostar de tais coisas ficou claro em sua aparição pública logo depois de ser eleito Papa, uma posição que ele expressou repetidamente, apesar da pouca atenção que alguns, também presentes na Sala do Sínodo, dão a isso. O flagelo do clericalismo Palavras com as quais ele quer combater o clericalismo, do qual ele disse muitas vezes que é um pecado, ressaltando que “é um chicote, é um flagelo, é uma forma de mundanismo que contamina e danifica o rosto da esposa do Senhor; escraviza o santo povo fiel de Deus”. Um clericalismo que se traduz em uma Igreja que é “o supermercado da salvação”, onde os sacerdotes são “meros empregados de uma multinacional”. O Sínodo da Sinodalidade quer promover “a Igreja como o povo fiel de Deus, santo e pecador”, a Igreja que Francisco gosta de pensar. A grande questão é o poder, quem está no comando, quem decide e o método usado para isso. Não se trata de uma questão de autoridade, o problema é o poder ao qual alguns se apegam para que a vontade deles, e não a de Deus, seja feita. Uma Igreja na qual as pessoas se empurram, pisam umas nas outras, se acotovelam para poder subir na escada, para poder comandar, não para servir. A Igreja de comando e controle Nessa Igreja de ordem e controle, “o povo simples e humilde que anda na presença do Senhor (o povo fiel de Deus)” é deixado para trás, é ignorado, só interessa como mão de obra barata. O “povo santo e fiel de Deus” a caminho, santo e pecador, não conta quando se trata de tomar decisões, não é ouvido, porque é considerado ignorante. Eles não estão interessados em como acreditam, mas no que acreditam, na Doutrina em detrimento da Caridade, presente na viúva pobre do Evangelho. Todos nós, inclusive os membros da hierarquia, somos batizados e deve ser o batismo o sacramento fundamental. Uma Igreja de homens e mulheres que se expressa em “dialeto feminino“, uma Igreja da qual Francisco diz ser mulher e é desafiada a assumir as atitudes das mulheres, pois “a mulher do povo santo e fiel de Deus é um reflexo da Igreja. A Igreja é feminina, ela é esposa, ela é mãe”. Assumindo a Igreja como o povo santo e fiel de Deus Quando realmente descobriremos a necessidade de uma Igreja Povo de Deus, uma Igreja em que o batismo nos torna iguais? Quando deixaremos para trás uma Igreja em que alguns ministros “maltratam o povo de Deus, desfiguram a face da Igreja com atitudes machistas e ditatoriais”? Quando pediremos perdão por tanto desprezo, maus-tratos e marginalização pelo clericalismo institucionalizado? A esperança é que este Sínodo, especialmente o tempo que transcorrerá entre as duas sessões da Assembleia, possa nos ajudar a assumir a Igreja de que Francisco gosta, a Igreja que é o povo santo e fiel de Deus. Isso exigirá o envolvimento de todos os batizados e batizadas, mas também que aqueles que puderem fazê-lo sejam aspersores e não funis. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Francisco denuncia as atitudes machistas e ditatoriais dos ministros ordenados em uma Igreja que é feminina

Em uma daquelas intervenções tão típicas de Francisco, na Congregação Geral, na tarde desta quarta-feira 25 de outubro, ele se dirigiu aos participantes da Assembleia Sinodal, que estavam iniciando a análise do Documento Síntese. “Gosto de pensar na Igreja como o povo fiel de Deus, santo e pecador, um povo chamado e convocado com a força das bem-aventuranças e de Mateus 25″, começou. Um povo simples e humilde que caminha com o Senhor Lembrando a atitude de Jesus, que “não assumiu nenhum dos esquemas políticos de seu tempo”, nem nenhuma “corporação fechada”, ele insistiu em uma Igreja “como esse povo simples e humilde que caminha na presença do Senhor (o povo fiel de Deus)”, enfatizando a ideia do “povo santo e fiel de Deus” a caminho, santo e pecador, definindo assim a Igreja. Sua infalibilidade é vista pelo Papa como uma das características desse povo, “é infalível in credendo“, explicando-o claramente: “quando você quiser saber o que a Santa Madre Igreja acredita, vá ao Magistério, porque ele é encarregado de ensiná-lo a você, mas quando você quiser saber como a Igreja crê, vá ao povo fiel”. Consciência da dignidade batismal Ele lembrou a imagem do povo fiel reunido na entrada da Catedral de Éfeso, pedindo aos bispos que declarassem dogma a verdade que eles já possuíam como povo de Deus, Maria, Mãe de Deus. A partir daí, ele deixou claro que “o povo fiel, o santo povo fiel de Deus, tem uma alma, e como podemos falar da alma de um povo, podemos falar de uma hermenêutica, de uma maneira de ver a realidade, de uma consciência. Nosso povo fiel tem consciência de sua dignidade, batiza seus filhos, enterra seus mortos”, talvez uma advertência àqueles que, mesmo na Sala Sinodal, estão determinados a não tornar realidade uma Igreja baseada no Sacramento do Batismo e não no Sacramento da Ordem Sagrada. Ele deixou claro que “nós, membros da hierarquia, viemos dessas pessoas e recebemos a fé dessas pessoas, geralmente de nossas mães e avós”, enfatizando a importância de “uma fé transmitida em um dialeto feminino“. Francisco destacou que a fé “foi transmitida em um dialeto, e geralmente em um dialeto feminino. Isso só acontece porque a Igreja é Mãe e são exatamente as mulheres que melhor a refletem”. Mulheres corajosas O Papa vê as mulheres como “aquelas que sabem esperar, que sabem descobrir os recursos da Igreja, do povo fiel, que arriscam além do limite, talvez com medo, mas corajosas, e no claro-escuro de um dia que está começando, elas se aproximam de um túmulo com a intuição (ainda não esperança) de que pode haver alguma vida”. “A mulher do povo santo e fiel de Deus é um reflexo da Igreja. A Igreja é feminina, é esposa, é mãe”, assinalou, denunciando que “quando os ministros vão longe demais em seu serviço e maltratam o povo de Deus, desfiguram o rosto da Igreja com atitudes machistas e ditatoriais“, recordando a intervenção da Ir. Liliana Franco. Ele também expressou sua tristeza por “encontrar em alguns escritórios paroquiais a ‘lista de preços’ dos serviços sacramentais à maneira de um supermercado”. Não a uma Igreja empresa de serviços diversos Por isso, disse que “ou a Igreja é o povo fiel de Deus a caminho, santo e pecador, ou acaba sendo uma empresa de serviços diversos. E quando os agentes pastorais seguem esse segundo caminho, a Igreja se torna o supermercado da salvação e os padres meros funcionários de uma multinacional. Essa é a grande derrota a que o clericalismo nos conduz. E isso com grande tristeza e escândalo”, denunciando o escândalo dos jovens padres que experimentam batinas e chapéus ou alvas e vestes cobertas de renda. “O clericalismo é um chicote, é um flagelo, é uma forma de mundanismo que contamina e danifica o rosto da esposa do Senhor; escraviza o povo santo e fiel de Deus”, ressaltou o pontífice. Diante dessas atitudes, “o santo povo fiel de Deus segue em frente com paciência e humildade, suportando o desprezo, os maus-tratos e a marginalização por parte do clericalismo institucionalizado“, denunciou Francisco, que concluiu com uma nova denúncia, ao dizer que “com que naturalidade falamos dos príncipes da Igreja, ou das promoções episcopais como ascensão na carreira! Os horrores do mundo, o mundanismo que maltrata o povo santo e fiel de Deus”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1