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Cardeal Steiner na Páscoa: perceber e anuciar a vida nova

Cardeal Steiner na Páscoa: perceber e anuciar a vida nova

O cardeal Leonardo Steiner presidiu a Missa do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor na manhã de 5 de abril, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração marca o ínicio do Tempo Pascal no qual somos convidados a perceber e anunciar a vida nova oferecida por Jesus ressuscitado. O arcebispo de Manaus dedicou sua homilia a figura de Maria Madalena que, no texto evangélico, se dirige cedo ao túmulo e não encontra o corpo de Jesus.

Filha amada

A reflexão feita pelo arcebispo conduziu os presentes a vivenciar a cena: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram” pela perspectiva de Maria Madalena. Ela percorre a si mesma no espaço de tempo entre o túmulo vazio, o encontro com Pedro e João, e a certeza da ressurreição. Nesse caminho, percebe que seu “desconsolo” era pela sensação de perda do Mestre “como a um Filho amado, era do meu agrado, me agradava, me era agradável, o perdi na cruz e agora o perdi no túmulo vazio”.

Maria Madalena sente a perda Dele “razão de minha vida, Ele amor de minha, Ele minha vida, vida da minha vida”. Ela que “dele ouvi, mas a Ele não via, tão ocupada estava com os homens da minha vida. Apenas ouvia falar do Homem de Nazaré”. Recordou do encontro em que  o viu e despertou o desejo de ouvi-lo. E ao ouvir as palavras dele que “penetravam as entranhas” de sua alma ao falar do Pai se sentia filha amada.

“E quando Ele comigo se encontrou, nada de mais forte e suave, nada de mais suave e violento, nada de mais puro e transparente! Me senti completamente despida, mas não envergonhada. Não me cobiçava, não me desejava, apenas me amava. Nenhum homem havia me despido assim. Tão despida, tão desvestida, tão eu, eu mesma, como se estivesse só diante de Deus. Foi então que vi meu coração, tão desejoso, tão amoroso, tão sedento de liberdade, de verdade, de amor”, refletiu o cardeal.

Vida nova

Pelo caminho da memória de Maria Madalena, o arcebispo recordou sua entrada na casa do fariseu para lavar os pés de Jesus com suas lágrimas de arrependimento e “ele sem desprezo nem constrangimento se deixava tocar, se deixava lavar os pés”.  O toque onde se sentiu perto de Deus e “amada como uma Filha, quase como uma esposa. E em mim vida nova, pessoa nova, nova mulher, mulher inteira; tudo novo, novo mundo, nova terra um novo céu. Mas ainda não sabia que eu tocara e acariciara o próprio Deus”.

O cardeal Steiner sublinhou que o convívio e o serviço transmitiam a ela liberdade e força. E com a perda de Jesus, restava a Madalena “o túmulo onde guardamos seu corpo frio e inerte” depositando o seu conforto. O desconforto com a ausência do Senhor que revelou a necessidade de perdê-lo para cresse no seu Senhor e Deus.

“Foi preciso perder-te, foi preciso esvaziar o túmulo das minhas seguranças, foi preciso o vazio completo de tudo, foi preciso a liberdade onde meu nome ressoava para que cresse em ti meu Senhor e Deus. Somente agora creio, quando tudo perdi e te ouvi, razão do meu viver, vida de todo ser que vive”.

O nosso peregrinar

Não distante do momento histórico em que vivemos, o arcebispo considerou que o nosso peregrinar também busca consolo e encontra túmulos “abertos e vazios”. E como “Igreja feita da experiência da ressurreição”, é necessário “retirar a pedra e deixar que a esperança do Ressuscitado nos encontre e nos devolva vida em meio a tantas incertezas, sofrimentos, mortes”. Por isso, o cardeal reforçou a importância da Igreja de sair “como Maria Madalena a procura” do Mestre, mas de deixar-se “encontrar pelo Ressuscitado” e anunciar a sua ressurreição.

E na experiência do Ressuscitado, “levar a todos a alegria do Evangelho”. Daí a necessidade de libertar o ressuscitado das “formalidades onde frequentemente o enclausuramos”. E levá-lo, como gesto de paz, para vida cotidiana marcada pela guerra, pela violência e por palavras violentas e ofensivas. “E, sobretudo, com obras de amor e fraternidade, familiaridade”, disse o cardeal.

Como Igreja, somos o corpo de Deus, afirmou o Steiner, e por isso não devemos nos esquecer que louvar ao Senhor é o horizonte da Nova Vida apresentado pela morte e ressurreição de Jesus. De maneira que esse louvor não seja “só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações”, relembrando as palavras de Santo Agostinho. Por fim, o cardeal convidou a levar a todos a alegria do Senhor ressuscitado presente na comunidade dos discípulos missionários e das discípulas missionárias.

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