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Diocese de Borba realiza 2º Encontro Diocesano dos Povos Indígenas

Diocese de Borba realiza 2º Encontro Diocesano dos Povos Indígenas

Nos dias 06 e 07 de março de 2026, a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no Distrito de Canumã, acolheu representantes e lideranças indígenas de diversas comunidades pertencentes à Diocese de Borba, para o 2º Encontro Diocesano dos Povos Indígenas. Inspirado pelo tema “Nossa terra, nossa história” e pelo lema “Uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, o encontro foi um espaço de partilha, reflexão e fortalecimento da caminhada pastoral da Igreja junto aos povos originários.

A assessoria do encontro contou com a presença dos missionários Hoadson Leonardo da Silva e do Pe. Ivanildo Pereira da Silva Filho, SJ, que atua na assessoria jurídica do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), bem como o Coordenador de Pastoral Ademir Jackson e Frei João Bosco, TOR.

O CIMI é um organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criado em 1972, durante o período da ditadura militar, com a missão de articular, organizar e apoiar a ação da Igreja junto aos povos indígenas, promovendo o respeito à diversidade cultural e a defesa de seus direitos e territórios. Frei João Bosco apresentou uma retrospectiva da caminhada da igreja ao longo do tempo, ressaltando os passos significativos da igreja junto aos povos indígenas.

Caminhar com os povos da Amazônia

No percurso formativo, Pe. Ivanildo destacou que o CIMI nasceu do compromisso de cristãos e cristãs que abraçaram a causa indígena, promovendo o diálogo intercultural e a defesa da dignidade dos povos originários. Segundo ele, essa caminhada é fruto de uma história de lutas e conquistas, construída em espírito de “ajurí” (mutirão), fortalecendo a participação dos povos indígenas nos espaços sociais e políticos.

O assessor também recordou o chamado da Igreja para caminhar junto aos povos da Amazônia, conforme expressa o Papa Francisco na Exortação Apostólica Querida Amazônia (2020). Esse caminho pastoral encontra raízes nas grandes conferências do episcopado latino-americano, como Medellín (1968), Santarém (1972), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007), que reforçam a missão de uma Igreja encarnada na realidade do povo.

Fazer memória

Durante o encontro, recordaram importantes lideranças indígenas que marcaram a história da defesa dos direitos dos povos originários. Entre elas, Mário Juruna, indígena do povo Xavante, reconhecido por sua luta em favor dos direitos indígenas e por ter sido o primeiro deputado federal indígena do Brasil.

Os participantes refletiram ainda sobre o processo de construção da Constituição Federal de 1988, que, mesmo sem contar diretamente com representantes indígenas no Congresso Nacional, reconheceu os direitos originários dos povos indígenas sobre seus territórios.

Fé inculturada

Na perspectiva da evangelização, o encontro ressaltou a importância da inculturação da fé cristã, valorizando as culturas e espiritualidades dos povos indígenas. Conforme recorda o Papa Francisco em Querida Amazônia, nos sacramentos “se unem o divino e o cósmico, a graça e a criação”, revelando a presença de Deus na história e na vida dos povos.

Nesse sentido, o missionário do CIMI, Hoadson Leonardo, destacou que a presença missionária nas aldeias fortalece a articulação pastoral da Igreja. Contudo, lembrou que o missionário não leva Jesus às aldeias, pois Cristo já está presente entre os povos e sempre esteve em sua história e cultura.

Movimento Católico Indígena

Ao final do encontro, partilharam o sonho e a esperança de uma “Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos originários e dos últimos, onde a sua voz seja ouvida e a sua dignidade promovida”. Os participantes aprovaram a criação do Movimento Católico Indígena (MCI),que atuará a partir dos quatro eixos inspirados na Exortação Apostólica Querida Amazônia: Social, cultural, ecológico e eclesial.

A coordenação do movimento ficará sob responsabilidade de representantes indígenas do povo Munduruku:

Levi Paz de Oliveira, coordenador;

Valdilene Moreira Rodrigues, vice-coordenadora, e

Anderson Mesac e Andreia Oliveira na secretaria.

Texto e fotos Diocese de Borba.

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