Na manhã deste domingo, 25 de janeiro de 2026, Dom Zenildo Lima da Silva, bispo auxiliar de Manaus presidiu a celebração do 3° Domingo do Tempo Comum, às 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. O bispo iniciou sua homilia dizendo que a Palavra de Deus “sempre nos envolve como participantes dos acontecimentos da vida de Jesus“. Este envolvimento transmitido pela liturgia deste domingo faz com que nos sintamos “convidados por Jesus a participar da sua missão”.
“A atuação de Jesus alcança a nossa vida, nos liberta, nos transforma. A atuação de Jesus nos envolve e nos faz participantes dos seus gestos que alcançam outros e promovem também libertação”, explicou Dom Zenildo.
A experiência da humilhação
Ao comentar a primeira leitura da profecia de Isaías, o bispo recordou que este mesmo trecho foi lido na noite de Natal. Na ocasião, as regiões de Zabulon e Neftali foram apresentadas como uma região humilhada e sob às trevas de onde “vai brilhar uma grande luz”. Essa ideia introduz a acolhida do menino que chegará e será a luz que ilumina as nações. Já no Tempo Comum, Dom Zenildo apontou que a leitura nos situa “numa geografia” onde Jesus começa o exercício de ministério assumido no Batismo.
Em continuidade, explicou que esses dois territórios pertenciam a duas das doze tribos de Israel, e eram cobiçadas pela sua localização próxima ao Mar, que favorecia o comércio. Por essa razão, o território foi tomado pelos assírios, um episódio que remente a tantos outros onde um império decide ocupar outra região. O domínio exercido pelos assírios submeteu “o povo a uma experiência de humilhação” como relatou o profeta.
“Este povo que foi humilhado. Agora é justamente nesse espaço, neste ambiente, neste território, nesta vivência humana, neste contexto de história, marcado pela humilhação, que a ação de Deus, que a intervenção de Deus, vai apresentar, vai gerar, vai possibilitar ao povo experimentar uma novidade. E de repente uma história vergonhosa e humilhante, um lugar que foi chamado até lugar dos pagãos, agora vai ser reconhecido como lugar da morada de Deus. Mais tarde, neste território, ali mesmo próximo de Cafarnaum, é onde Jesus vai se estabelecer e o lugar vai ficar conhecido como a cidade de Jesus”, enfatizou Dom Zenildo.
O Projeto Salvífico do Pai
Ao iniciar a liturgia com essa profecia, Isaías indica que a presença de Jesus na região “faz parte de um grande projeto salvífico do nosso Deus” que ultrapassa o acaso. Essa perspectiva é acentuada pelo evangelista Mateus, que apresenta a tomada de consciência de Jesus do ambiente ameaçador no qual se encontra, no contexto da prisão de João Batista, e mesmo assim opta pela continuidade da pregação iniciada: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.
“Então somos convidados agora a esta experiência de conversão, a esta experiência do Reino. A primeira parte do Evangelho mostra Jesus situado neste lugar, situado nesta região, para fazer acontecer essas mudanças que são próprias do projeto de Deus, da proposta de Deus, da promessa de Deus. A vida, a luminosidade, a abundância, a plenitude na existência de cada homem e de cada mulher. Zabulon e Neftali pode ser o nosso território. Zabulon e Neftali pode ser pedaços de nós, pedaços da nossa história, pedaços da nossa geografia, pedaços do nosso trajeto. Zabulon e Neftali podem ser também experiências humilhantes que porventura tenhamos passado. Mas é justamente nesses lugares, nesses tempos, nestas experiências, que a presença de Jesus vai ser profundamente inovadora e provocadora de novidade”, enfatizou o bispo.

Jesus potencializa tudo em nós
A compreensão da segunda parte do Evangelho categoriza o convite de Jesus a “não ter medo de colocar o dedo nessas feridas”. Dom Zenildo Lima explicou que a novidade desse convite é olhar os espaços da vida e “assimilar e a transformar” as memórias e mágoas de humilhações. Por isso, ao se estabelecer em Cafarnaum, região de Zabulon e Neftali, Jesus envolve pessoas com “necessidade de sentido”, potencializando as “experiências de busca de cada homem e de cada mulher”, pois “é aquele que não apaga o pavio que ainda fumega, nem quebra a cana rachada”.
“Jesus se aproxima de homens que estão pescando. É a atividade deles, é o sustento deles, é onde eles se realizam, é a experiência que eles conhecem para viver e para sustentar a própria existência. Jesus agora propõe, a partir da experiência deles, uma existência mais profunda. Venham comigo, homens que vivem de pesca. Venham comigo, pessoas que fazem da pesca a sua subsistência, a sua existência. Venham comigo, pessoas que descobriram no ato da pesca o próprio sentido. E eu vou ressignificar essa experiência de vocês. Eu vou fazer de vocês pescadores de homens. Eu vou dar sentido novo, eu vou agregar valor novo à experiência que está em vocês”, evidenciou o bispo.
Ao salientar esse chamado de Jesus, o bispo sublinha que os outros dois pescadores (Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João) consertando a rede, expressam uma certa resistência para “tentar ajeitar as coisas para ficar na mesma”. No entanto, o Evangelho destaca que “imediatamente eles aceitaram esta proposta de Jesus que ressignifica a vida da gente”. Com essa atitude, o Evangelho explicita que “João Batista sai de cena, não necessariamente como ruptura, e agora a centralidade é da pessoa de Jesus” que “ressignifica as nossas buscas”.

A centralidade de Jesus desfaz as divisões
“Não há porque haver divisões. As divisões só existem na comunidade quando se perde a centralidade de Jesus. Paulo escreve a uma comunidade que está marcada pela divisão. É uma comunidade que está fascinada com discursos novos”, explicou Dom Zenildo sobre a segunda leitura da Carta de São Paulo aos Coríntios. Para ele, nossas comunidades se encontram dividas porque optam por tirar de foco a “existência divina que convive conosco e se coloca no centro os discursos que se fazem atrativos”. Daí a necessidade de resgatarmos o convite de “acolher a pessoa de Jesus, que dá um novo sentido a tudo” e molda um jeito de “ser e existir que é marcado pela relação pela convivência pelo encontro com pessoas”.
“A pessoa de Jesus eleva a nossa vocação. A pessoa de Jesus eleva a nossa realização profissional. A pessoa de Jesus alarga os nossos horizontes. E se por acaso a gente escolheu um ou outro modelo de vida para que a gente se sinta bem, Jesus ressignifica o nosso modelo de vida para que nós estejamos bem com os outros. Faço de vocês pescadores de homens. Nos sintamos convidados, nos sintamos envolvidos com Jesus, nos sintamos dispostos. A primeira oração da missa de hoje foi um pedido para que Deus nos torne capazes de boas obras. Nós sentamos convidados, convocados, vocacionados com Jesus. E eu vos convido, ao longo desses domingos do Tempo Comum, sempre atentos à Palavra. Irmos mergulhando com Jesus na sua missão que promove a vida das pessoas”, finalizou Dom Zenildo.



