Na Festa do Batismo do Senhor o cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus, iniciou sua homilia recordando que “a liturgia deste domingo evoca o momento em que Jesus, ungido pelo Espírito Santo é apresentado aos homens como ‘Filho Amado’ de Deus. Abraçou a missão que o Pai lhe entregou: fazer nascer uma humanidade nova, um novo Reino. Recorda o batismo, quando fomos recebidos pela Trindade”.
A celebração aconteceu neste domingo, 11 de janeiro, na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30. O cardeal explicou que com a Festa do Batismo de Jesus concluímos o tempo litúrgico do Natal. “Viemos do Natal e hoje encontramos Jesus adulto pedindo que João o batize, iniciando o seu ministério. Tudo acontece nas margens do Rio Jordão”.
Fonte de vida
“O rio Jordão tem um significado todo especial para o dar-se da salvação: foi através do Jordão que os hebreus, conduzidos por Josué entraram na Terra Prometida (cf. Js 3-4). No tempo do profeta Eliseu, o general sírio Naamã viu-se curado da lepra ao mergulhar nas águas do Jordão (cf. 2Rs 5,10-14). O local do batismo era, provavelmente a passagem para os peregrinos que vinham da Galileia para Jerusalém”, sublinhou o Arcebispo de Manaus.
Segundo cardeal “As águas Jordão são fonte de vida. A imersão nas águas do rio tinha um significado de ruptura com a vida passada e o ressurgir para uma vida nova, um novo nascimento, um novo começo. O batismo proposto por João, era, provavelmente um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este ‘batismo’, renunciava ao pecado, buscava vida nova e passava a integrar a comunidade que esperava o Messias”.
Ele explicou que “Jesus, que vivia na aldeia de Nazaré, na Galileia, procurou João nas margens do rio Jordão e escutou o seu apelo à conversão”. Citando o texto onde “João, ao ver Jesus entre as pessoas que vêm para ser batizadas, reage com espanto: ‘Eu é que preciso de ser batizado por Ti, e Tu vens ter comigo?’, destacou que “João, certamente tinha diante de si que o enviado de Deus ia ‘batizar no Espírito Santo e no fogo’ (Mt 3,11)”. acrescentou que “a resposta de Jesus é quase incompreensível: ‘Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça’”, explicando que a “‘justiça’ se refere ao plano amoroso e salvador de Deus, para com toda humanidade”.

Uma nova humanidade
Segundo o presidente do Regional Norte 1 (CNBB Norte 1, citando novamente as palavras do Evangelho: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”, o Filho amado “é do meu agrado, me agrada, me é agradável”. De maneira que “ao entrar nas águas e receber o batismo de penitência, caminho de vida nova, Jesus indica a finitude humana como possibilidade de transformação no Espírito”. Nesse sentido, “afirma disposição de percorrer com os homens o caminho que leva à vida nova e plena”.
“Quem é esse que no batismo indica o caminho da vida nova a ser percorrido? A ‘abertura do céu’ a revelar que Deus desceu ao encontro do seu Povo, tornou-se presença humanada. A descida do Espírito, como uma pomba, sobre Jesus é o sopro de vida de Deus que cria, que renova, que transforma, que cura os vivos e vivifica os mortos. O Espírito de Deus que na criação pairava sobre a superfície das águas (cf. Gn 1,2). Na força do Espírito, Jesus é anúncio, anuncia o encontro de Deus com os homens para o nascer uma nova humanidade. E a voz vinda do céu: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado’, a apresentar o Filho amado no qual todos são os amados e as amadas de Deus”, explicou o cardeal.
Nas palavras do arcebispo “Jesus é o eleito de Deus, o Filho no qual o Pai ‘pôs toda a sua complacência’, Aquele que Deus enviou ao encontro dos homens para recriar a humanidade e para lhe oferecer a salvação”. Ele explicou que “do Filho amado de Deus, nasceu a nova humanidade, o Reino de Deus. A missão de Jesus se manifestará na obediência ao Pai; na suavidade, na simplicidade, na humildade, no agrado pelos homens, pois ‘não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada, nem apaga um pavio que ainda fumega, promoverá o julgamento para obter a verdade’ (cf. Is 42,2-3)”.

A Missão dada pelo Pai
“Batizado no Espírito, ungido com a força de Deus, Jesus anunciar o Reino de Deus. O cuidado do Pai para com seus filhos e filhas que peregrinam na história, o imenso amor que Ele nos dedica, a vontade que Ele tem de levar-nos ao encontro da vida verdadeira… Apesar das nossas fragilidades, apesar da nossa autossuficiência, apesar da nossa ingratidão e da nossa pouca sensibilidade, Deus continua a chamar-nos, a falar conosco, a vir ao nosso encontro, a acompanhar-nos no caminho, a oferecer-nos o seu amor, participar de sua familiaridade”, refletiu o cardeal.
Ele reforçou que “Batizado no Jordão, ungido pelo Espírito, Jesus abraçou, sem reticências, a missão que o Pai lhe confiava: anunciar e visibilizar o Reino de Deus”. E nós ao sermos batizados em Cristo e pertencermos à comunidade dos filhos e filhas de Deus, “recebemos o mesmo Espírito e ouvimos a mesma voz, participamos da vida e missão de Jesus”. O arcebispo enfatizou aos presentes que no dia do nosso batismo “recebemos a missão de seguidores e seguidoras de Jesus, de discípulos missionários, para edificar um mundo mais fraterno e mais humano”, pedindo que busquemos “renovar o nosso compromisso batismal a cada dia, com nossas fraquezas e fragilidades”, pois recebemos a graça de seguir Jesus em todos os momentos de nossa vida e ser a sua presença para curar as feridas e chagas no corpo e no espírito de nossas irmãos e irmãs”.
“O amor agradável e atraente do Pai iluminou o caminho que Jesus percorria: no anuncio da vida nova, na cura dos doentes no corpo e no espírito, na aproximação dos mais necessitados libertando-os das doenças e da maldade. Esse amor do Pai manifestado pelo Filho, o fez obediente em tudo, sem reticências até a morte e morte de cruz. É mesma confiança obediencial de confiança de sermos filhos e filhas amadas que nos deixa caminhar entre a esperança e a desesperança, entre o amor é o ódio, entre a paz e a guerra. Nós também, por nos sentirmos amados e amadas, nos colocamos a serviço dos necessitados para ajudar abrir os olhos, a curar as mãos e os pés nos descaminhos, a devolver os ouvidos para a sonoridade de um amor que sempre apresenta novas melodias”, disse o Cardeal Steiner.

Amar sem distinção
O cardeal Steiner que na segunda leitura, “tocado e enviado pelo Espírito São Pedro entra em casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e o batiza, bem como a toda a sua família (cf. At 10,23b-48)”. Ele explicou que “Cornélio é a primeira pessoa completamente pagã admitida na comunidade cristã por um dos Doze. Jesus e o Evangelho não deve ficar circunscrito aos judeus, mas é uma Boa Nova para todos os homens e mulheres, de todas as raças e culturas”. Segundo as palavras do arcebispo, essa compreensão permite-nos “dizer que o ser o meu Filho amado, a minha filha amada, que são a agradabilidade aos olhos do Pai é para todos, o receber o Espírito é para todos. Todos batizados no Espírito de amor”.
O arcebispo ressaltou que “na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que o teme e pratica a justiça lhe é agradável. Assim, a presença de Pedro na casa de Cornélio “ensina que Jesus veio trazer a salvação a todos os homens e mulheres. Em suas palavras, “os discípulos e as discípulas testemunham a Jesus como mestre e salvador para todos, sem distinção de raça, de cor ou de estado social”.
“Participantes que somos pelo batismo da vida, morte e ressureição de Jesus, também nós somos convidados a gestos de bondade, misericórdia, perdão, solidariedade, amor. Somos convidados a libertar todos os que são oprimidos pelo demônio do egoísmo, da injustiça, da exploração, da violência, da exclusão, da solidão, da doença, do descarte, do sofrimento”, reforçou o arcebispo.
Dignidade para todos
“Como filhos e filhas de Deus somos despertados a amar a todos da mesma forma e oferecer a todos a salvação, recebermos a todos como irmãs e irmãos, propor a mesma dignidade para todos, sem discriminação de pessoas por causa da cor, da raça, do sexo, do estado social”, relembrou o Arcebispo.
Ao comentar a primeira leitura, apontou que o profeta Isaías “nos ensina que o Servo escolhido recebeu a plenitude do Espírito para ser luz das nações, abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas”, ou seja “o servo é enviado para transformar as realidades e libertar a humanidade”. Segundo o Arcebispo, essa realidade de servos e servas nos foi dada pelo Espírito no dia do batismo. Dessa forma, repousa sobre nós “o Espírito da bondade e da misericórdia, e recebimento de uma missão”. O que para ele nos coloca a repetir as palavras do profeta: “te tomei pela mão, te formei e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas.”
O arcebispo finalizou sua homilia convidando a cantarmos com o Salmo 28: “Tributai ao Senhor, filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e poder. Tributai ao Senhor a glória do seu nome, adorai o Senhor com ornamentos sagrados.”



