“Vinho novo em odres novos”. O ensinamento de Jesus nos ajuda a compreender como a Igreja pretende intensificar a vivência sinodal como expressão evangélica desejada e discernida à luz do Espírito Santo. Nos dias 26 e 27 de junho 178 cardeais do mundo inteiro estiveram em Roma para o segundo Consistório convocado por Papa Leão XIV. Entre eles, o cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em seu discurso final, o pontífice recordou duas passagens evangélicas que colaboram para o entendimento do momento em que vivemos: o bom Samaritano e os discípulos de Emaús. Compadecermo-nos com os que sofrem e esperançar o caminho com o Senhor vivo. Os olhos da Igreja estão diante das rápidas mudanças mundiais e das constantes violações da vida no planeta. Por isso, a Igreja é chamada a luzir caminhos de Evangelização que permitam o cumprimento daquilo que o Mestre Jesus nos indicou: vida para todos e em abundância. Discernimento Essa abundância de vida só é possível se construída com a solidez da escuta e do discernimento. O Papa deseja ouvir as vozes das mais distintas localidades que expressam seus anseios, mas igualmente expõe suas esperanças. A construção de um caminho comum é o pedido autêntico do pontífice para os cardeais que atuam como seus conselheiros mais próximos. “Continuamos a redescobrir o significado mais autêntico do Consistório: o encontro do Colégio cardinalício em volta do Sucessor de Pedro para que, na escuta recíproca e no discernimento comum, o Espírito Santo ajude o Papa a guiar a Igreja. Não um parlamento, não um congresso em que prevalecem opiniões ou interesses, mas uma experiência de comunhão ao serviço da missão”, disse o Papa. Abertura Pensar em vinho novo em odres novos é de fato construir uma abertura toda plena àquilo que Espírito Santo quer dizer aos nossos tempos. A insistência do Papa em desarmarmos os corações para retomarmos a dignidade da vida, propõe uma religação com a potência ética do humano. É um convite a testemunhar a plenitude do encontro com Jesus que transforma a vida de cada uma e cada um de nós, convertendo-nos na civilização do amor. “O que aprendemos a viver nestes dias não diz respeito apenas ao Colégio cardinalício. É um estilo que somos chamados a promover em toda a Igreja, para que cada batizado, segundo a sua vocação e responsabilidade, participe na construção da civilização do amor e no serviço ao bem comum”, acentuou o Pontífice. Não há como pensarmos em vinho novo em odres velhos, porque a proposta de Jesus clarifica nosso entendimento para sabermos que o vinho novo pertence aos odres novos. Isto é, uma conversão completa que nos afaste de comportamentos de divisão e fortaleça a fraternidade. Somos todos chamados a degustar a doçura duma vida onde a paz e a justiça florescem em campo aberto, livres. Essa liberdade é também eclesial. Nossos pastores reunidos em colegialidade são sinal de comunhão viva, pois a Igreja é feita por inúmeros rostos tocados pela mensagem do Evangelho. E ao serem tocados, assumem a responsabilidade de trilhar para o mesmo horizonte, que é Cristo. Essa disponibilidade foi o centro de todo o consistório, como indicou o santo padre no discurso final: “Irmãos, agradeço-vos de coração pela vossa contribuição, assim como aos relatores, aos moderadores e a todos aqueles que, com generosidade e discrição, tornaram possíveis estes dias de trabalho e fraternidade. Obrigado por me terdes ajudado, mais uma vez, a reconhecer a obra que Cristo continua a realizar no seio do seu povo e no mundo. Confiemos os frutos deste Consistório à intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja. Que ela nos ensine a preservar a unidade na diversidade e a servir o Evangelho da paz com humildade, coragem e esperança”, agradeceu o Papa. Os desdobramentos do consistório cumprirão aquilo que a Igreja no Brasil já vem construindo, especialmente na Amazônia. Com as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), nossas Igrejas Locais estão comprometidas com a implementação do Sínodo da Sinodalidade e com a absoluta comunhão, participação e missão que nos chama à vida.