“Só o amor nos realiza, só o amor é capaz de embelezar a nossa vida, só o amor é capaz de vencer as dores, os sofrimentos, as contrariedades, as frustrações”. Foram as palavras do Cardeal Leonardo Steiner na Semana do Jovem Líder da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Manaus. O evento aconteceu de 26 a 31 de janeiro de 2026, com aproximadamente 350 jovens lideranças reunidas no Centro de Formação Maromba, no bairro Chapada. Os encontros diários aconteciam pela noite com atividades de formação, espiritualidade e fortalecimento da missão evangelizadora.
Nos passos da Ampliada Nacional, os jovens da Arquidiocese de Manaus abordaram os desdobramentos pastorais da Igreja na Amazônia com tema “Pastoral da Juventude: nosso jeito de ser e fazer Igreja”. O encontro buscou reafirmar a identidade da PJ como presença viva, profética e comprometida com a realidade dos jovens, especialmente nas periferias e nos contextos amazônicos.
A linha de reflexão partiu do lema da Campanha da Fraternidade deste ano “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Os participantes aprofundaram a espiritualidade da encarnação, por meio do reconhecimento da presença de Jesus que caminha com a juventude em suas lutas, sonhos e desafios. A proposta da semana é formar líderes que unam a vida de fé, oração e ação, na igreja e na sociedade, fortalecendo uma juventude protagonista, missionária e comprometida com a construção do Reino de Deus.

O modo de ser de Jesus
O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), participou do momento de oração da penúltima noite (30). O arcebispo agradeceu aos jovens pelo interesse em conhecer e aprofundar o significado de viver o Evangelho de Jesus e o seu modo de ser. Além disso, ele reforçou que mesmo com 75 anos de idade, é necessário permanecer na busca de compreender a grandeza de ser chamados por Jesus.
Steiner recordou que Santo Agostinho, comentado o texto bíblico do Evangelho, diz que “amar a Deus é o máximo que podemos fazer”. Essa perspectiva de “amar de todo o coração, de toda a alma, com todo entendimento” significa “toda a nossa pessoa amando a Deus”, explicou. E na totalidade de cada um e cada uma apresentar-se disponível e cordial para amar a Deus e “nos deixarmos ser amados por Ele” como também esclarece Santo Agostinho.
“Muitas vezes pensamos que nós amamos a Deus, esquecemos que Ele nos amou primeiro. Não diz São João? Então, esse pensamento não é um pensamento. Esse modo nosso de viver que pode nos ajudar demais. Porque o que existe de mais próprio no humano é o amor. Então, amar a Deus de todo o coração, por inteiros, todo inteiros, completamente voltados para a receptividade de um amor. E depois dizia, amar o irmão”, completou o cardeal.

Amar a si mesmo
Ao retomar as palavras do santo sobre o amor aos irmãos, o cardeal Steiner reforça a ideia da impossibilidade do ser humano de não amar a sim mesmo. Ele explicou que o que acontece é que às vezes a pessoa “se ama mal”. Por causa desse amor insuficiente por si mesmo, acaba não conseguindo amar o irmão e ir ao encontro do outro.
“Se ama a si mesmo, é uma pessoa disponível, uma pessoa generosa, é uma pessoa que sai ao encontro, uma pessoa que sempre quer caminhar mais, quer entender mais, abrir horizontes, buscar sentido de vida. Isso é amar a si mesmo. Agora, desse jeito, amar o outro. É nesse modo de amar a Deus e amar o outro, Que nós cada vez mais nos amamos a nós mesmos. Mas para podermos amar ainda mais, estar na receptividade do amor”, esclareceu o arcebispo.
O amor transforma a sociedade
A realização humana passa pela compreensão do amor como uma possibilidade de transformar a sociedade. O arcebispo citou que “uma pessoa pode ter perdido tudo, mas se não perder o amor, se refaz completamente”. Isto expressa a necessidade de aprofundar o horizonte da fé “a partir do amor.
“A partir desse amor é que transformaremos a sociedade. E a nossa sociedade está mais do que necessitada de uma transformação. Seja na política, seja na justiça, seja na fraternidade, em todos os âmbitos. E nós podemos ajudar nessa transformação. Aliás, Nós temos obrigação de ajudar, se realmente queremos amar a Deus e o próximo nos amando a nós mesmos”, reforçou o cardeal.
Nessa perspectiva, o arcebispo convidou os jovens a fazer a caminhada da Igreja de Manaus pautada pela presença “na comunidade em que cada um, cada uma está”. De maneira que todos possam dizer que “vale a pena seguir Jesus”, porque “ele dá sentido a toda a nossa vida”. E finalizou reforçando o agradecimento pela presença dos jovens convidando-os a caminhar “todos juntos” para que a Igreja de Manaus “continue a ser uma igreja viva, missionária, profética e samaritana”.

Renovar a juventude
Um dos Coordenadores Arquidiocesanos da PJ, Gabriel Felipe Gama (28) da comunidade Sagrada do Coração de Jesus, da Paróquia de São Bento, setor Padre Pedro Vignola, falou um pouco sobre o evento. Ele destacou que a programação faz parte do itinerário formativo da PJ. Segundo Gabriel, os momentos de oração, estudo da identidade da Pastoral da Juventude, partilhas de experiências, oficinas formativas e vivências comunitárias, fortalecem a comunhão entre os jovens da Arquidiocese.
Gabriel, como você acha que esse tema que a semana vem trabalhando ao longo dessa semana do Jovem Líder dialoga com a missão evangelizadora da igreja na Amazônia?
Esse tema foi pensado por todo o coletivo da CAPJ, em iluminação junto com o tema da Assembleia da PJ Nacional, né? mas a gente sempre puxa para o nosso lado amazônico. Então, o nosso tema é Pastoral da Juventude, nosso jeito de ser e fazer igreja. E a gente queria mostrar para a juventude da Amazônia como nós fazemos a igreja, como a juventude se participa da igreja, se expressa dentro da igreja. Então, é essa mais ou menos a ideia do nosso tema.
E de que forma a Pastoral da Juventude aqui da Arquidiocese de Manaus, vê a espiritualidade da Encarnação e como ela ajuda os jovens que vocês acompanham, que vocês trabalham nas nossas comunidades, a compreender a missão?
Essa espiritualidade que a gente fala é para retratar mais a parte humana, a nossa parte humana. Uma espiritualidade encarnada, libertadora, que liberta. Uma espiritualidade que vai atrás das pessoas, que busca. A gente tenta passar para as juventudes que elas que tem que procurar o jovem. É jovem evangelizando o jovem. Então essa é mais ou menos a ideia da nossa espiritualidade encarnada.

E, por último, Gabriel, por que você acha que essa semana é importante como um investimento na formação das lideranças dos jovens da Pastoral? da juventude dentro da Arquiocese de Manaus?
Hoje a gente vê uma necessidade muito grande dos jovens serem líderes, serem bons líderes para os outros jovens. Como a gente sempre fala, na pastoral da juventude, é sempre um jovem que vai evangelizar outro jovem, nunca é um adulto, nunca é uma pessoa mais velha. Claro que a gente tem hoje em dia nossos assessores que cuidam dos líderes da nossa juventude, mas é sempre um jovem que tem que estar à frente. Então, essa é a ideia que a gente quer passar, que o jovem tem que evangelizar outro jovem, que ele tem que ser um líder para a comunidade dele, porque só ele mesmo, um jovem mesmo, que vai entender as dores da juventude.
Só um jovem que vai conseguir conversar com outro jovem, só um jovem que vai conseguir expressar os sentimentos da juventude. A juventude muda com o passar dos anos, a gente sabe disso. E hoje em dia, a juventude muda com o passar dos anos, a gente sabe disso.
E hoje em dia, a minha juventude não é mais a juventude que se vive hoje, né? A minha juventude foi de um jeito, né? E a gente vê que a juventude é muito diferente, né? É mais ligada nas redes sociais, né? E não é tão desconectada, né? Então, a gente tenta sempre puxar isso porque a gente vai renovando a juventude, renovando os líderes, renovando o jeito jovem de ser.



