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Cardeal Steiner: vestidos com as vestes do amor para o banquete do Senhor

Cardeal Steiner: vestidos com as vestes do amor para o banquete do Senhor

No 28º Domingo do Tempo Comum a liturgia nos coloca diante do convite para o banquete do Reino da Vida em comunhão com a Trindade Santa. O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, nos recordava a necessidade de estarmos vestidos com as vestes do amor para o banquete do Senhor. Na mesa preparada, todos e todas os convidados recordam “relação nova: nova vida, novo início, novo horizonte”.

“Recorda a fecundidade, a prodigalidade, a partilha; abrem-nos para a geração, a filiação, o cuidado; expressam a grandeza da maternidade, da paternidade. As núpcias, os esponsais, visibilizam o que há de mais próprio e único em cada pessoa humana: o amor. As núpcias, os esponsais, como nos lembra a Sagrada Escritura, falam, dizem, expressam, cantam a beleza, a nobreza, a singeleza, a cordialidade, da relação entre a mulher e o homem, a relação de Deus com cada um de seus filhos e filhas. Deus, o eterno amante em busca de suas amadas, de seus amados”, sublinhou o cardeal.

Convivas do amor

O arcebispo refletiu que “Deus convida insistentemente a cada pessoa à participação de seu Reino, de sua vida, da sua fecundidade, de seu amor, da sua herança”. Seu convite busca “os que à primeira olhada não eram dignos, pois viviam nas encruzilhadas, nos descaminhos”. E quando os convidados rejeitam o convite “para as núpcias, mas também rejeitaram a possibilidade de uma participação maior e mais intensa da vida de quem convidou, envia seus servos “pelos caminhos e encruzilhadas em busca de quem pudesse ser conviva do amor. E que estava tudo preparado e preparado com tanto esmero”.

“A festa das núpcias sempre está pronta. Mesmo que os convidados tenham esquecido, que eles sejam indignos, a festa está preparada. Mesmo que não tenha vindo ninguém e todos se neguem a vir, ela continua preparada. É impossível que não esteja preparada, pois o Amor eterno sempre envia mensageiros para convidar a todas as pessoas às núpcias. Ele está sempre à espera e à procura!”, destacou o arcebispo.

Na insistência de uma oferenda de amor gratuidade e liberdade “sai pelos caminhos pessoais, pelas encruzilhadas da vida na busca dos trôpegos, dos surdos e cegos de amor; dos desvalidos, desvestidos de justiça, dos famintos de dignidade”. Essa busca nos aponta que Deus é “desejoso de encontro, de proximidade, de intimidade, de comunidade”. No caminho “busca de bons e maus; busca a todos, oferece a todos o banquete da vida, do amor!”, é o desejo de Deus para “que a casa, o Reino do amor ficasse repleto e que, assim, participássemos todos como pessoas livres, como filhos e filhas de sua bondade, magnanimidade, cordialidade, gratuidade; de seu amor!”.

O amor nos faz participantes

O texto nos apresenta uma última afirmação: “Com efeito, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”. A cena do Evangelho nos mostrava o incômodo do rei com aquele sem as vestes para o casamento. “Não havia ele insistido com seus servos para que saíssem pelas encruzilhadas e pelos caminhos, convidar a todos que encontrassem? Não só, convidaram bons e maus, isto é, a todos!”, questionou o cardeal. O arcebispo recordou o comentário de São Gregório para refletir essa passagem:

“Que gênero de pessoas são aquelas que vêm sem o hábito nupcial? Em que consiste este hábito e como se pode adquiri-lo? (…) Aqueles que foram chamados e vêm, de alguma maneira têm fé. É a fé que lhes abre a porta; mas falta-lhes o hábito nupcial do amor.” Desvestidos das vestes sagradas do amor! Sim, a fé abre todos a porta, mas é o amor que reveste a participação do banquete amoroso. Não são os tecidos, os panos, mas a vestimenta, o amor vestido que possibilita a participação”.

Nas palavras de Dom Leonardo “As vestes que trazemos, e que nos dão dignidade, e nos deixam participar do banquete da vida são as nossas obras de misericórdia”. É como São Tiago em sua carta nos diz: “A fé se não se traduz em ações, por si só está morta” (Tg 2,17). Por isso nos damos de comer aos famintos, vestimos os nus, damos de beber aos sedentos, visitamos aos doentes e encarcerados e damos guarida aos perambulam sem destinação.

“E ficamos a pensar que em tantas fomes, em tanta nudez, em tantas sedes, em tantos doentes no corpo e no espírito, tantas prisões e amarras, em tantos desabrigados e desajustados sem casa. A fé que nos abre os olhos, mas é o amor estende as mãos, concede agilidade aos nossos pés. Tomados por um amor sem limites como a do Crucificado, vamos sendo revestidos, como Cristo na transfiguração. É ele que é participação, é ele que é comunhão, é ele que nos dá o prazer de estar no banquete das núpcias do Cordeiro, pois no seu amor lavados, de seu amor revestidos”, insistiu o cardeal.

Desistiram do amor

A nossa participação no banquete do amor “nos anima no cuidado dos que desistiram do amor”. Ainda que todos sejam chamados, nem todos participam, mas Deus nos oferece a participação. Como apresenta São Paulo aos filipenses dizendo: “Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me dá força” (Fl 4,12-13). Descobrimos que tudo podemos naquele que nos conforta.

“Tudo podemos, tudo compreendemos, tudo percebemos, tudo recebemos, tudo aceitamos, tudo fazemos, tudo construímos n’Aquele que nos dá força! Tudo nele, nada sem Ele. Ele, amados irmãos e irmãs, que nos oferece a participação do banquete do amor. Pois o Amor é a Palavra feita carne e habita entre nós. E sem Ela, nada se fez; sem ela nada se faz… Ela ilumina e dá vida a toda pessoa que vem a este mundo (cf. Jo 1,1-14)”, explicou o cardeal.

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