Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Blog

Encontro Nacional de psicólogos que trabalham nos Seminários: Parafilias na formação humano-afetiva

Organizado pela Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (OSIB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acontece em Guarulhos – SP, de 22 a 24 de setembro, o Encontro Nacional de Atualização para Psicólogos, com a participação de mais ou menos 120 psicólogos e psicólogas que acompanham a formação de seminaristas em 15 regonais de todas as regiões do Brasil. Assessorados pelo padre Sérgio Lucas Câmara, do Instituto acolher, os participantes, que acostumam se reunir todo ano no mês de setembro, estão refletindo sobre o tema: “Reflexões sobra as parafilias na formação humano-afetiva dos futuros presbíteros“, seguindo a pauta abordada nos últimos anos. Representando o Regional Norte1 da CNBB participam dom José Albuquerque de Araújo, bispo de Parintins e membro da Comissão de Vocações e Ministérios Ordenados da CNBB, e Aldo Aurami Cardoso, psicólogo que acompanha a formação no Seminário São José de Manaus por mais de 10 anos. O psicólogo destaca “a importância, a riqueza e as contribuições do encontro na nossa prática enquanto psicólogos no campo da formação nos seminários contribuindo de forma significativa nessa costura de conhecimento, nessa troca, nessa partilha que é de fato uma grande riqueza”, agradecendo a possibilidade de participar e o incentivo de estar no encontro. A formação humana-afetiva faz parte das diretrizes da formação dos seminários no Brasil. No encontro está sendo abordada a questão das parafilias, realidade muito complexa e ampla. Estamos diante de algo que tem a ver com as desordens no campo da afetividade e da sexualidade e como conhecer, enfrentar e tratar desses distúrbios no tempo da formação, desde quando o jovem entra no propedêutico até as vésperas da ordenação. O psicólogo do Seminário São José considera que esse é “um tema atual, um tema muito importante para que nós possamos aí, de forma significativa ajudar nossa juventude, ajudar essas pessoas que buscam sobretudo melhorar a qualidade de vida, a saúde mental, mas também a saúde comportamental, porque retrata a questão do comportamento, que as vezes é histórico, é algo que ele traz desde a infância, um registro ligado aos transtornos”. Segundo Aurami Cardoso, “o tema de fato vem contribuir, enriquecer também esse conhecimento do psicólogo que está atendendo. Em todas as etapas no Seminário, quando o jovem chega no propedêutico, que traz consigo uma história de vida, traz um referencial de família, mas também traz os traumas, traz de repente algo que precisa ser sinalizado, ajudado, que possamos dar um suporte, através não só do serviço de psicologia dentro de nossos seminários, mas os diretores espirituais e a equipe de formação”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Padre Zenildo Lima: “Não pode haver missão se não tocar uma corporeidade ferida e machucada”

Refletir sobre a relação entre Missão e Reino foi um dos propósitos do Congresso Missionário Regional Norte1, que acontece na Maromba de Manaus de 22 a 24 de setembro, com a participação de umas 80 pessoas. Um Reino que nos ajuda a entender que “o Cristo se faz corpo, se faz carne”, que “não pode haver missão se não tocar uma corporeidade ferida e machucada”, segundo o padre Zenildo Lima, reitor do Seminário São José da Arquidiocese de Manaus. Segundo ele, “o horizonte da missão não pode se reduzir à Igreja e a uma Igreja sacramental, o horizonte é muito maio, o horizonte é o Reino”. Daí a importância de “partir da realidade, da vida do povo”. Uma reflexão que foi iluminada por Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo da diocese de Cachoeiro de Itapemirim e membro da Comissão para a Ação Missionário e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que refletiu sobre “Missão a anúncio do Reino de Deus”. Segundo o bispo, missão é participar ao lado de Deus de sua intenção de amar e promover o ser humano e toda a Criação. Ele insistiu em que a missão é de Deus, é “um movimento voltado para a promoção da vida e do ser humano, de toda a Criação”. Ele lembrou as palavras de Dom Helder Câmara sobre a Missão: “Missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso Eu. É parar de dar volta ao redor de nós mesmos, como se fôssemos o centro do mundo e da vida. É não se deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos: a humanidade é maior. Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, descobri-los e encontrá-los. E, se para encontrá-los e amá-los é preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, então Missão é partir até os confins do mundo.” O bispo de Cachoeiro do Itapemirim apresentou a missão como anúncio (Kerigma), koinonia (comunhão), diakonia (serviço), martirya (testemunho). Segundo ele, o Reino de Deus é essência, é a totalidade do que Jesus veio anunciar, um Reino de justiça e de paz. Dom Luiz Fernando lançou uma pergunta: “Quem é esse Jesus que anunciou o Reino?”, advertindo contra uma visão reducionista e errada, e dizendo que é preciso responsabilidade para falar de Jesus. O bispo ressaltou que “a vida de Jesus é provocativa, desinstala, nos faz sair de nós para ir ao encontro do outro. Jesus é a ponte que nos liga ao Pai”. Lembrando as palavras do teólogo José Antonio Pagola, mostrou Jesus como poeta da compaixão, curador da vida, defensor dos últimos. Basta vermos com quem Jesus andava, os últimos, os mais pobres, os desfavorecidos, os vulneráveis, afirmou o bispo, que também disse que segundo Pagola, na vida de Jesus o lugar central foi ocupado por Deus e seu projeto do Reino. Também recordou as palavras de Jon Sobrino, que advertiu em relação ao perigo de apresentar “um Cristo sem Reino”, que relega a segundo plano as exigências da mediação do Reino. Dom Luiz Fernando insistiu em um Jesus encarnado, que como ser histórico deixou sua ação e mensagem com a finalidade de fazer a vontade do Pai, que se traduz no Reino de Deus. “Entender a missão na Igreja sem esse entendimento de Reino de Deus é difícil”, enfatizou o bispo de Cachoeiro do Itapemirim. Anunciar esse Jesus que veio anunciar o Reino de Deus. Ele retoma a imagem de Deus pastor, com ternura infinita, com amor pelas pessoas mais desprotegidas, disse Dom Luiz. Segundo o membro da Comissão para a Ação Missionária da CNBB, a “senha” para a vida eterna está no capítulo 25 de Mateus, que atualiza a presença de Jesus nos fracos, nos pequenos, nos vulneráveis, nos excluídos, nos estigmatizados, insistindo em que “na carne do pobre sofre a carne de Jesus”. É por isso que “os misericordiosos não têm motivo de temer o julgamento”, disse o bispo. Segundo ele, “no julgamento não se pede nada de religioso e sim como se relacionaram com os irmãos e irmãs a começar pelos últimos”. De acordo com esse texto os não cristãos que amam o próximo podem se salvar, afirmou. Ele destacou a necessidade de ações concretas por amor ao ser humano, ressaltando que só contarão os atos de serviço ao próximo, ter cuidado com a caridade e dignidade, a prática da justiça traduzida em solidariedade e partilha dos bens. Viver o amor aqui e agora, “o Reino de Deus é e sempre será dos que amam o pobre e o ajudam em suas necessidades”, enfatizou. “A missão é anúncio do Reino de Deus, onde quer que estejamos”, disse dom Luiz Fernando. Segundo ele, se queremos ser continuadores da missão de Jesus temos que nos comprometer com ele, que está ressuscitado, mas continua crucificado naqueles que sofrem. Por isso, missão não é só dar, é receber, aprender, compartilhar, tirar as sandálias, respeitar o modo de ser do outro, é proclamar o Reino de Deus. Dom Luiz Fernando Lisboa lembrou sua experiência como bispo de Pemba (Moçambique), destacando “quanto eu aprendi com aqueles povos a quem eu tentei servir”. Ele falou sobre como “Deus se apresentava escandalosamente” nas pessoas que iam ao seu encontro, às vezes para pedir pão, remédio, educação, transporte, afirmando que “o missionário tem que estar disposto a tudo”. Mas ele também insistiu em que muitas vezes se apresentava para entregar uma espiga de milho, uma mandioca, um punhadinho de amendoim, uma cana. Fazendo uma leitura disso, disse que o que estava por traz era “uma vontade de interação, de ser irmão, de ser escutado, de ser valorizado, de dizer eu estou aqui, eu conto, eu quero atenção, eu quero mostrar o que eu sei, o que eu sou”. Ele disse ter aprendido muito “em termos de solidariedade, em termos de partilha”. Na missão, “o Reino de Deus não precisa ser levado, ele já está ali, e preciso descobri-lo, valorizá-lo…
Leia mais

Ir. Regina da Costa Pedro: “A comunhão com as outras Igrejas é constitutiva da natureza de cada Igreja local”

O Congresso Missionário Regional Norte1 é um momento importante em preparação para o 5º Congresso Missionário Nacional que será realizado em Manaus de 10 a 15 de novembro. Uma oportunidade para refletir sobre a responsabilidade da Igreja local pela missão aos confins do mundo, uma temática abordada pela Ir. Regina da Costa Pedro, diretora das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil. A religiosa do PIME iniciou sua fala questionando a vinculação da Igreja local com a Igreja universal na dimensão missionária, os avanços que estão se dando e em que medida as igrejas locais precisam se converter na dimensão pastoral-missionária, e os sinais dessa conversão. “A Igreja é, por sua natureza, missionária”, ressaltou a Ir. Regina Pedro, que incidiu em que “a missão e a fé cristã andam sempre juntas, e só é possível assumir e viver a missionariedade e cooperar na missão a partir da fé”. Partindo da ideia da Igreja Corpo de Cristo, a diretora das POM Brasil questionou como o Concílio Vaticano II vê as “Igrejas locais” e quais as implicações dessa visão, fazendo um chamado a redescobrir o significado da “Igreja local” no Vaticano II e a relação entre a Igreja universal e as igrejas locais, o que é conhecido como teologia da comunhão, pois “a comunhão com as outras Igrejas (no sentido de reciprocidade e solicitude de cada uma para com todas) é constitutiva da natureza de cada Igreja local”. Segundo a diretora das POM Brasil, “a missão é essência da Igreja universal e local”, ressaltando que a missão “é o fim da existência da Igreja”, até o ponto de que “é Igreja verdadeira se testemunhar que Deus ama não somente a nós, mas a todos”. É por isso que “a Igreja é ‘local’ para indicar o lugar a partir do qual deve olhar o mundo, e não para indicar o lugar onde encerrar o nosso olhar”. Ninguém pode esquecer que “as igrejas locais são necessariamente missionárias e sua missão é universal”. De fato, a Igreja local é sujeito da missão universal e enviada aos que não creem. Por isso, a responsabilidade das igrejas locais na cooperação missionária, da missão ad gentes, centrada em Deus, e exigências para todas as igrejas locais. A religiosa refletiu sobre a conversão missionária que tem que levar a Igreja a um estado permanente de missão, nas estruturas e consciência de que todos são chamados a colocar-se em estado permanente de missão. Nessa conversão, o Papa Francisco chama a cinco saídas estratégicas: das estruturas caducas, de si mesmos, das relações excessivamente hierárquicas, de uma pastoral de manutenção, das fronteiras. Uma conversão que leve a entender que “missão é vida, não só ação”, não é só programática, é paradigmática, “é pedido aos discípulos para construírem a sua vida pessoal em chave de missão”. É entender, seguindo as palavras do Documento 100 da CNBB, a exigência de “passar de uma pastoral ocupada apenas com as atividades internas da Igreja, a uma pastoral que dialogue com o mundo”. Uma conversão missionária que leve a não deixar as coisas como estão, segundo fala o Papa Francisco em Evangelii Gaudium. Uma reflexão que deve ser levada as igrejas locais, às paróquias e comunidades do Regional Norte1. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

A Igreja do Regional Norte 1: Iluminação do texto de Lc 4,14-16

O Regional Norte 1 se reuniu para continuar refletindo sua caminhada como Igreja nessa realidade bem específica na região Amazônica. Com o intuito de continuar testemunhando e vivenciando a experiência de uma Igreja encarnada nessa realidade da Amazônia, faz-se necessário reunir-se em conjunto (leigos/as, religiosos/as, padres e bispos) buscar luzes para enxergar melhor a caminhada ecleial, atitude que nem sempre é fácil ou simples, porém, necessária. É o sentido da “Sinodalidade” que as Igrejas locais e a Igeja como um todo está vivenciando. Sempre buscando manter-se vigilante em sua proposta de fidelidade a Jesus Cristo e seu Reino de vida e justiça, proposta que sempre está em dissinância com o projeto de quem busca acúmulo e riqueza e de propostas e projetos de fé desencarnados da realidade de uma Igreja comprometida com a vida em sua concretude econômica, social e religiosa, como está lembrando sempre o Para Francisco. É nessa direção que a Igreja do Regional Norte 1 busca ser fiel e por isso, nem sempre é compreendida e até sofre críticas e muitas das vezes desonestas (por exemplo críticas aos bispos). Olhando nos Evangelhos, aqui de maniera mais especíca Lucas (escrito por volta de 80/90), com a proposta de abrir-se para missão além da região da Palestina acolhendo os povos não judeus (gentios), percebemos justamente esse projeto de anunciar a mensagem de Jesus que se concretiza na realidade em Nazaré, a terra de Jesus, que deve se estender a todas as nações (Lc 24,47), em cumprimento das promessias antigas. Na compreensão e propósito Lucas teve a intenção de integrar “os atos salvíficos de Deus na história universal, tendo o evento-Cristo como centro definidor. O próprio Lucas provavelmente teria dito de outro modo: a história do mundo e seus impérios estão integrados à história universal dos atos salvíficos de Deus”, segundo afirma M. Eugene Boring em sua Introdução ao Novo Testamento. Assim a mensagem evangélica deve ser encarnada na realidade de nossa Igreja como pensa o Regional Norte 1. Na linha profética, Lucas faz uso de textos proféticos justificando essa realização: Is 61,1-2; 58,35; Lv 25,8-55. Mostrando assim, que em Jesus a profecia foi cumprida. O projeto se realiza em Jesus, pois ele foi confirmado pelo Pai (Lc 3,21-22), e está peno do Espírito Santo. Por isso, ele é autorizado para atualizar as palavras antigas da profecia. Essa profecia para Lucas se realiza na história concreta do povo de seu tempo. O povo excluído (os pobres, os presos, os cegos, os oprimidos, Lc 4,18-19) recebe essa Boa Notícia de libertação e salvação, de vida digna mesmo. É o “ano da graça do Senhor” (jubileu do Levítico 25) que está se realizando. O anúncio da Boa Nova não acontece desencarnado da realidade, sem chão ou raiz (cuidar só das almas), mas se realiza dentro da vida de um povo, de uma cultura bem concreta. Aqui está a beleza, preocupação e o compromisso da Igreja do Regional Norte 1 em continuar sendo fiel à proposta evagélica que se realiza aqui e agora na realidade das Igrejas locais da Amazônia, tão ameaçada e explorada. Por isso, uma Igreja viva não compactua com essa situação de degradação da vida na Amazônia em toda sua diversidade de fauna e flora e a vida humana igualmente em toda sua diversidade e riqueza. Os documentos Pontifícios (Laudato Si), da Igreja Continental (Documentos do CELAM) e local, estão sempre iluminando a opção da Igreja do Regional Norte 1 na fidelidade ao projeto do Reino de Deus. Projeto esse que vem sendo ao longo dos anos pensando, refletido e executado na medida do possível nas Igreja locais. José Roberto da Silva Araújo, OMI

Palavra e espiritualidade missionária alimentos para toda vida missionária

A importância da Palavra e da espiritualidade na missão foram elementos abordados na reflexão do Congresso Missionário Regional Norte1 que está sendo realizado na Maromba de Manaus de 22 a 24 de setembro de 2023, em preparação ao 5º Congresso Missionário Nacional, que também será sediado na capital do Amazonas de 10 a 15 de novembro de 2023. Analisando o texto que relata a experiência dos dois discípulos a caminho de Emaús, que inspira o lema do Congresso Missionário Nacional e Regional, o padre Tiago Camargo refletiu sobre “o diálogo, a partilha, o dar a conhecer ao outro as ideias e pensamentos perpassavam aquela caminhada”, vendo no texto a presença de situações que fazem parte da vida das pessoas hoje. O assessor da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB chamou a ver o Congresso como mais um passo que damos no caminho da vida missionária, a se “deixar interpelar pelas tristezas e desilusões daqueles que vamos encontrando”. De fato, ele destacou que “a missão evangelizadora pelo testemunho vai ao encontro desses que estão com o rosto sombrio pela dor, pela morte, pelo luto, pelo medo, pela violência, pelo desespero ou pela desesperança”, fazendo um chamado a se aproximar com atitude de acolhimento, e questionando no caminho de quem os missionários colocam seus pés. O assessor lembrou a importância da Palavra, “que alimenta a espiritualidade do seguimento a Jesus Cristo”, questionando como ela atinge a vida missionária, e destacando a importância de conhecê-la. A mesma coisa com a Eucaristia, onde “o Espírito Santo fortalece a identidade do discípulo e desperta nele a decidida vontade de anunciar”, afirmou citando o Documento de Aparecida. Segundo o padre Tiago Camargo, “não é possível encontrar verdadeiramente Jesus Ressuscitado sem ser inflamado pelo desejo de contar a todos”, que insistiu no constate chamado à missão, pois “a missão recebida da Trindade, não tem limites de fronteira, de tempo ou lugar”. Abordando a questão da espiritualidade missionária, dom José Altevir da Silva, bispo da Prelazia de Tefé, começou se perguntando: “será que existe mesmo uma espiritualidade Missionária?”, afirmando que “todo ponto de partida é o chão onde nossos pés estão pisando”, destacando a importância do “chão histórico que reverte o nosso ser” e que determina o atual modelo de desenvolvimento, que definiu como irracional, “capaz de colocar numa cilada fatal à própria existência da humanidade, ao meio ambiente, aos territórios, à nossa Casa Comum, causando a grande e atual crise civilizacional”. O bispo denunciou “as consequências daninhas de um perverso colonialismo”, que atinge a espiritualidade missionária. Algo que dom Altevir mostrou presente na Laudato Si´, fazendo um chamado a que a espiritualidade missionária, no contexto amazônico, passe por diversas dimensões. Ele lembrou da “ecologia do espírito”, chamando a ver a experiência espiritual como “uma ferramenta poderosa na luta contra a hegemonia cultural, econômica e política do sistema-mundo capitalista ocidental”. Daí chamou a uma reflexão sobre espiritualidade em chave decolonial, a buscar agentes “autenticamente aptos a encarar os desafios da decolonialidade e da interculturalidade”. Após oferecer diversas definições de espiritualidade, o bispo da prelazia de Tefé disse que “da Memória e do Projeto são feitos os bastões da caminhada missionária”. Ele lembrou as palavras do Papa João Paulo II: “o missionário deve ser ‘um contemplativo na ação’”, afirmando que “a missão cristã tem como primordial finalidade revelar o Mistério”. Dom Altevir fez um chamado a descobrir que “as pessoas precisam hoje de proximidade”, de ser missionários com “um coração de cuidador dedicado ao cuidado dos irmãos e irmãs”. Querendo definir a espiritualidade libertadora, o bispo a vê como união entre oração e ação, sagrado e profano, fé e compromisso com a justiça, como algo vivencial, que contempla Deus e seu Espírito na realidade, nos conflitos, no sofrimento humano, que organiza a esperança dos pobres e excluídos, que é ecumênica, servidora e samaritana, resiliente. O bispo colocou sete passos para fortalecer a espiritualidade missionária, afirmando que é importante seguir a pedagogia de Jesus, juntos aos discípulos de Emaús: o encontro, a escuta, a realidade, a palavra, a acolhida, o celebrar e a missão. Com eles, “teremos elementos suficientes para alimentar a espiritualidade missionária”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Congresso Missionário Regional: “Nos alimentarmos da missionariedade como Igreja é fundamental”

O Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1) realiza de 22 a 24 de setembro na Maromba de Manaus o Congresso Missionário Regional, com uma participação de umas 80 pessoas, um momento importante de preparação para o Congresso Missionário Nacional que também vai ter Manaus como sede de 10 a 15 de novembro de 2023. Os dois congressos têm o mesmo tema: “Ide! Da Igreja Local aos confins do mundo”, e o mesmo lema: “Corações ardentes, pés a caminho”, sendo a missão ad e inter gentes e a Igreja local os temas transversais. Ao longo dos três dias de congresso será abordado a espiritualidade missionária, a formação missionária e a animação missionária. Uma dinâmica de trabalho estruturada em torno a três eixos: escutar, abordando o dinamismo do Espírito Santo na missão da igreja-primazia de graça; discernir, a partir da Amazônia até os confins do mundo-testemunho de Cristo; comungar, despertar a consciência missionária ad gentes – das igrejas locais até os confina do mundo. Não podemos esquecer que “nos alimentarmos da missionariedade como Igreja é fundamental”, segundo o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1. Ele insistiu em anunciar uma Boa Notícia, que a vida humana tem um outro sentido. Dom Leonardo chamou a descobrir que “nos alimentarmos dessa grande missão é que nos faz cada vez mais ser Igreja”, a ser “uma Igreja toda anunciando, testemunhando, visibilizando o Reino de Deus”. Uma Igreja que hoje na Amazônia é herança daqueles que fizeram missão ao longo dos anos. Um Congresso que prepara o Congresso Missionário Nacional, lembrou dom Edson Damian, bispo da diocese de São Gabriel da Cachoeira e bispo referencial da dimensão missionária no Regional Norte1, que insistiu em que o Brasil tem os olhares voltados para cá, fazendo um chamado a “aquecer os nossos corações para acolher 800 irmãos e irmãs que vem de todo o Brasil”. Um Congresso chamado a “irradiar a alegria dessa presença missionária nessa Igreja da Amazônia”, segundo a Ir. Rose Bertoldo, secretária executiva do Regional Norte1. Um Congresso que de Manaus vai para o mundo, disse dom Tadeu Canavarros dos Santos, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, que fez um convite a “abraçar aquilo que nós somos, a missão”. Um Congresso que é oportunidade para “levar a palavra, a semente a outras pessoas que tanto precisam dessa alegria de ser missionários”, destacou o padre Gutemberg Pinto, coordenador do Conselho Missionário Regional (COMIRE). Uma oportunidade para que “todos os participantes possam se tornar multiplicadores, assimilar os conteúdos para se tornar animadores missionários, ser missionários”, afirmou a Ir. Rosana Marchetti, da Coordenação de Pastoral da arquidiocese de Manaus. Uma presença missionária da qual participa a Vida Religiosa, segundo a Ir. Maria Couto, coordenadora da CRB Regional, que são “luzes que em vários lugares se fazem presentes como missionários e missionárias que sem medida estão doando sua vida”. “Os olhos do Brasil e do mundo estão voltados para a Amazônia, também por este momento de reflexão e conscientização missionária”, ressaltou a Ir. Regina da Costa Pedro, diretora das Pontifícias Obras Missionárias no Brasil. A religiosa do PIME fez um chamado para que o 5º Congresso Missionário Nacional, “possa acontecer não só como um evento e sim como parte de um processo de saída, de conversão missionária que a Igreja do Brasil já está vivendo”. Daí a importância de que “o que vai acontecer aqui possa ecoar para muitas outras pessoas, acolher e poder transmitir para os outros”. Falando sobre a Missão na Amazônia, o cardeal Steiner lembrou que “Jesus confia a missão aos seus discípulos, ele envia e continua a nos enviar a cada um de nós”. Por isso, ele fez um chamado a ser testemunhas, anunciar, testemunhar, visibilizar a través de gestos, insistindo em que “o caráter missionário da Igreja nasce do envio de Jesus a toda criatura, alimentada, fortalecida e inspirada pelo Espírito”. O presidente do Regional Norte1 lembrou as palavras do Papa Paulo VI, que disse que toda a Igreja é missionária, definindo a missionariedade como força, vigor, energia, que vem da missão e nos envia. Ele ressaltou que a evangelização deve levar a uma mudança de vida, e que a Igreja que evangeliza é a Igreja comunidade de fé. Segundo o cardeal, missão não é para conquistar, e sim para levar um modo de viver, não é para fazer proselitismo. Uma Igreja missionária é misericordiosa, sabe onde estão os pobres, vai ao encontro dos pobres, não tem medo dos pobres, enfatizou o arcebispo de Manaus. Falando sobre a missão na Amazônia, dom Leonardo lembrou a necessidade de levar em conta as línguas e culturas, de inserir isso na liturgia, fazer uma liturgia inculturada. Uma Igreja que vai ao encontro das pessoas, acompanha. A missão na Amazônia tem que ter em conta os sonhos do Papa Francisco na Querida Amazônia. Sonhos que não são para amanhã, são para nos impulsionar agora, segundo o cardeal. Ele também destacou a importância do Encontro de Santarém, que em 1972 insistiu na encarnação e libertação. Analisando a caminhada feita pela Igreja na Amazônia, dom Leonardo a definiu como uma Igreja sinodal, uma Igreja que sempre nos recorda a profecia, uma Igreja dos mártires, que deram a vida pela fé. Ele ressaltou que nossa missão na Amazônia é evangelizar, dizendo que não estamos anunciando uma estrutura, uma ONG, estamos anunciando a Jesus e seu Evangelho, anunciamos a Boa Nova. Finalmente enfatizou que “acreditamos que temos como Igreja um papel fundamental na Amazônia: não deixar que destruam a nossa casa”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

23 de setembro: Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças

Mulheres e meninas são as maiores vítimas da exploração sexual ligada ao tráfico de pessoas O tráfico para fins de exploração sexual de mulheres e meninas é uma violência velada. No Brasil, sobretudo nas fronteiras, esse crime perverso acontece com maior frequência em razão da ausência dos serviços de fiscalização. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU), estima que a exploração sexual ligada ao tráfico de pessoas movimenta mais de 30 bilhões de dólares por ano. Para enfrentar esse tipo de violência contra mulheres e crianças é necessário denunciar e ter ações concretas de conscientização. A Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reforça a importância das ações para o dia 23 de setembro, Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças para afirmar que o tráfico de pessoas existe e precisa ser enfrentado. A data de mobilização de 23 de setembro foi definida no ano de 1999, na Conferência Mundial de Coligação contra o Tráfico de Mulheres, realizada na Argentina e com a participação de diversas representações mundiais. Desde a criação da Comissão de enfrentamento ao tráfico de pessoas da CNBB, foram realizadas diversas mobilizações para trabalhar estratégias de proteção de mulheres, meninas e meninos. Formar, informar e denunciar são ferramentas importantes de combate. Através das mobilizações das pastorais, coletivos e organizações é possível construir redes que promovem a cultura do cuidado, realizando seminários e formando agentes multiplicadores que ajudam as pessoas identificar as formas de aliciamento e detectar as situações de crimes. A irmã Marie Henriqueta Cavalcante que coordena o enfrentamento, a violência sexual e o tráfico de pessoas pela Comissão Justiça e Paz da CNBB Norte 2 e preside o Instituto de Direitos Humanos Dom José Luiz Azcona em Belém (PA), diz que as mobilizações para o dia 23 de setembro precisam ser intensificadas e desenvolver diversas formas para a sociedade tomar conhecimento desse tipo de crime que existe e precisa ser visibilizado. Recentemente (19/09) ela venceu o Prêmio Inspiradoras 2023, uma iniciativa do Instituto Avon e da plataforma Universa UOL. O prêmio  tem como missão descobrir, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida de mulheres brasileiras. Em entrevista para o Audiorreportagem “Na Trilha do Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas” da CEETH, da qual ela também integra, falou sobre o enfrentamento realizado em rede. Porque é importante intensificar ainda mais as mobilizações nesta data do dia 23 de setembro? Henriqueta Cavalcante – É importante que todos nós, que lutamos contra esse crime, possamos intensificar as ações diversificadas. É a partir da nossa fala do conhecimento que nós levamos as informações para a população ter conhecimento que esse crime existe e precisa ser enfrentado. É preciso investir muito mais neste tema para maior visibilidade. A visibilidade conscientiza as pessoas para não aceitarem propostas enganosas para esse fim, que é a exploração sexual. Quais os sinais sociais de nossa realidade brasileira que facilita o aliciamento de mulheres, meninas e de meninos ao tráfico de pessoas, mas sobretudo o tráfico para a exploração sexual? Henriqueta Cavalcante – Consideramos quatro tipos de movimentos que envolvem o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. O primeiro movimento é o estrutural que é intenso. Por isso exige esforço de todas as instituições, de todos os organismos da nossa sociedade civil. Temos que levar em consideração que a questão socioeconômica das pessoas vulneráveis é desesperadora e leva a assumirem essas propostas enganosas. O segundo movimento é o da ganância. Aqueles que estão envolvidos na negociação de dívidas de vidas humanas, são capazes de tudo em nome da ganância e do capital. Por isso fazem propostas enganosas e oferecem coisas grandiosas e as pessoas também acabam caindo nessas armadilhas. Um terceiro movimento, que eu considero hoje muito grave, e que nós temos contemplado aqui na nossa região norte do país, são as redes sociais. Muitas adolescentes, muitas crianças e mulheres são enganadas e conduzidas, inclusive com muita rapidez para o crime e caem nessas organizações criminosas. E considero que um quarto movimento, que é ainda mais grave, é a impunidade destes crimes. Qual é o papel do Estado Brasileiro diante deste crime perverso que acontece no Brasil? Henriqueta Cavalcante – O papel fundamental do Estado é pensar em ações conjuntas, não é possível trabalhar isoladamente diante deste tipo de crime que é muito perigoso. É um crime organizado e nós também precisamos de ações organizadas. Então o estado brasileiro além do papel de pensar em políticas necessárias e fundamentais para esse enfrentamento, deve sustentar ações enérgicas e eficazes para fazer com que as pessoas que são envolvidas nesse crime sejam responsabilizadas pela lei. Nós precisamos fazer com que o estado cumpra as leis que estão expostas para esse enfrentamento. Ouça a entrevista completa “Na Trilha do Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas” através da plataforma do Spotify. Irmã Henriqueta fala sobre as modalidades do crime e as formas de aliciamento. Entre as ações para enfrentar o tráfico de mulheres e crianças para a exploração sexual, é importante fazer a denúncia que contribui no combate e mapear as regiões onde acontece esse tipo de violência. Mesmo que as denúncias sejam baseadas em suspeitas, pode ser feita através do Disque 100 ou pelo Disque Denúncia 181 outra forma de buscar ajuda  é procurar pelas organizações ligadas à igreja católica e solicitar orientações e ajuda. Por Cláudia Pereira| Comunicação  CEETH

Inaugurado o novo parque transmissor da Rádio Rio Mar: levar fraternidade, paz e justiça

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), com a presença dos bispos do Regional e de diversas autoridades, inaugurou nesta quinta-feira 21 de setembro de 2023, o novo parque transmissor da Rádio Rio Mar, situado na Morada do Sol, no bairro Aleixo da cidade de Manaus. Um momento histórico para a Rádio Rio Mar, já próxima a completar 70 anos, segundo o padre Charles Cunha, superintendente da emissora, que lembrou aqueles que semearam o sonho que neste dia se tornou realidade, fazendo com que “o sinal da Rádio Rio Mar FM chegue mais longe e com mais qualidade na região metropolitana de Manaus, especialmente nas zonas Norte e Leste da cidade”. O padre Charles Cunha lembrou que “nosso cardeal tem semeado na consciência coletiva das forças vivas da arquidiocese de Manaus a utilização das nossas estruturas não somente para a arquidiocese de Manaus, mas um dom ao serviço do Regional Norte1 também”, afirmando que “a Rádio Rio Mar é chamada mais uma vez a ir aos rincões da Amazônia”, anunciando que serão instalados 20 retransmissores no Estado do Amazonas, esperando que “sejam, a partir de uma política de comunicação eclesial, um instrumento sinodal para a escuta dos sonhos e esperanças, tristezas e angustias de nossa gente, e meio profissional propagador da Boa Nova do Reino, que aquece o coração e desperta consciência dos seus ouvintes, para engajamento no mundo por um futuro melhor para si e para os outros”. Um momento muito importante, segundo dom Luiz Soares Vieira, arcebispo emérito da arquidiocese de Manaus, que lembrou a história da Rádio Rio Mar, as dificuldades vividas no primeiro momento e como depois se tornou uma rádio muito ouvida, enfatizando a importância da rádio para a Pastoral da Igreja. O arcebispo de Manaus disse que “nós vivemos de sonhos, no dia que deixamos de sonhar, morremos, é preciso sempre sonhar, são os sonhos que nos alentam, são os sonhos que nos atraem, nos conduzem, são os sonhos que nos fazem caminhar”. Isso, “porque vivemos de esperança, a partir do Evangelho somos sempre esperançados, esperançadas, é a esperança que nos conduz e nos faz sonhar, sonhar um mundo novo, um mundo melhor, faz sonhar a justiça, faz sonhar a fraternidade, faz sonhar a sinodalidade, faz sonhar um mundo melhor”, enfatizou o cardeal. Segundo dom Leonardo Steiner, “essa é a missão da Rádio Rio Mar, levar a fraternidade, numa cidade tão violenta como Manaus, levar a fraternidade, levar a paz, anunciar a paz, anunciar a fraternidade, anunciar a fraternidade e também pedir justiça, pedir justiça para que as desigualdades sociais possam diminuir, uma grande missão que tem a nossa Rádio”. O cardeal ressaltou que a Rádio Rio Mar “também tem uma missão de anunciar o Reino de Deus, o Evangelho de Jesus, anunciar a Jesus, a sua vida, a sua morte e a sua Ressurreição”, agradecendo a todas as pessoas que ajudaram a chegar até aqui. Finalmente, o cardeal fez um chamado a apoiar os meios de comunicação da Arquidiocese, “porque nós acreditamos num mundo melhor, porque acreditamos na fraternidade, porque nos deixamos tomar pela esperança e desejamos continuar a sonhar”. Depois da benção das instalações e o descerramento da placa, o cardeal Steiner, junto com os bispos do Regional Norte1, procedeu à ligação do novo parque transmissor da Rádio Rio Mar, momento histórico para a Arquidiocese de Manaus e para a Rádio Rio Mar. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

50ª Assembleia Regional Norte1: luzes, inspirações e passos para seguir semeando o Evangelho na Amazônia

O Regional Norte1 realiza de 18 a 21 de setembro sua 50ª Assembleia Regional, um momento celebrativo marcado pela Memória, Profecia e Esperança. Mais de 80 representantes das nove igrejas locais, pastorais, organismos e movimentos do Regional se encontraram na Maromba de Manaus para buscar luzes, inspirações e passos para seguir semeando o Evangelho na Amazônia. Uma Igreja onde a juventude questiona se o sonho da Igreja para a juventude é o sonho da juventude, que faz com que a Pastoral da Juventude tenha se tornado escola de lideranças para outras pastorais, mas que procuram subsídios de formação encarnados na realidade amazônica, e assim assumir nas bases seu trabalho pastoral. No Regional os indígenas interpelam as igrejas locais a criar e fortalecer a Pastoral Indígena, a defender e promover a cultura e território indígena, suas orações, saberes, símbolos, realidades, vocações, formação. Na vida pastoral das igrejas locais o caminho sinodal sempre está muito presente, mesmo diante das dificuldades vividas, como é o trânsito de missionários que geram descontinuidade nas ações pastorais ou a desarticulação, a falta de unidade, de diálogo e de alguns católicos não assumir muitas propostas que a Igreja faz hoje, existindo lideranças que se sentem donos do serviço que realizam. Por isso, é pedido ações concretas em relação à profecia, um incentivo da ministerialidade e valorização dos leigos, da missionariedade, da conversão ecológica e cuidado da casa comum.  Desde 1967, o Regional viveu momentos que despertam gratidão, mas também demandam melhorar e construir juntos, também com os leigos e leigas, que fazem parte dessa história. Uma Igreja desafiada a ser missionária, presença em todos os lugares onde for necessário, o que demanda descobrir meios e formas para colocarmos em pratica a sinodalidade. Nessa missão tem se inserido a Vida Religiosa Consagrada, vidas doadas na missão, muitas vezes até a morte, presenças proféticas nos lugares mais longínquos, comprometida com a defesa da vida em todas as suas dimensões, com a ecologia integral.  Um caminho como Regional Norte1 que tem luzes de esperança, inspirações e passos para continuar semeando vida no meio do povo, nas comunidades, que devem ser relançadas, sendo destacado o dinamismo das áreas missionárias. Um futuro que precisa de uma formação dos agentes que constrói a consciência da Igreja Local, sendo proposto a criação de escolas em parceria com a Faculdade Católica do Amazonas. Uma Igreja que será melhor iluminada com o protagonismo dos povos indígenas, se fazendo necessário apoiar e implementar a pastoral Indígena e que os próprios indígenas sejam os protagonistas da evangelização.  Na Igreja do Regional Norte1 destaca a força do laicato na atuação das pastorais, mas também reconhece a fragilidade da articulação e o desafio de uma espiritualidade encarnada. Uma realidade é que tem leigos que procuram formação nas redes sociais e não nas igrejas locais. Leigos, principalmente leigas que nas comunidades ribeirinhas são a força da Igreja. Nas igrejas locais o número de ministros ordenados foi crescendo, presbíteros nascidos na Amazônia, um clero jovem que vai assumindo a vida diocesana, mas que também conta com ministros ordenados alheios as causas da Amazônia. Um clero que também conta com Fidei donum, vistos como testemunho de encarnação e desapego, com diáconos, vistos como um caminho a ser descoberto, com bispos vida simples e sóbria, gestados no ventre das comunidades e no amor dos preferidos de Deus, testemunho de comunhão e de servir juntos. Essa Igreja conta com a riqueza da Vida Religiosa Consagrada, que no Regional Norte1 está a vanguarda do serviço à vida, onde destaca a força das mulheres, mas onde se faz ver que já houve maior envolvimento das congregações masculinas. Uma Igreja que quer avançar no caminho da ministerialidade, com subsídios para orientar as Igrejas Locais à escuta e discernimento sobre os ministérios, para avançar na reflexão sobre o diaconato das mulheres. Uma Igreja que cuida da vida, sendo uma marca a vigilante atenção à realidade socioeconômica, pois a encarnação na realidade é vista como condição subjacente a toda pastoral, sendo necessário uma conversão permanente ao Verbo Encarnado. Uma Igreja onde a sede metropolitana sempre teve um papel servidor, sendo garantia de unidade e de comunhão, mas que é demandada a fomentar o diálogo e o comprometimento da Vida Religiosa. Se faz necessário que os planos pastorais das igrejas locais tenham em conta as diretrizes regionais, que haja uma tomada de consciência da responsabilidade, que a história seja resgatada. Uma Igreja desafiada a construir relações ecumênicas diante de um cenário onde algumas igrejas evangélicas e pentecostais, dadas suas atitudes, são vistas como uma ameaça. Igrejas locais nascidas da Missão ad Gentes e que hoje é desafiada a ser missionária nos confins do mundo, uma Igreja que se lança à missão. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

50 assembleias para ser uma Igreja que caminha unida

Caminhar juntos sempre foi uma atitude presente na Igreja do Regional Norte1, que está comemorando sua 50ª Assembleia Regional, um caminho iniciado em 1967. Um caminho trilhado pelos bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas de nove dioceses e prelazias: Manaus, Roraima, Itacoatiara, Parintins, Borba, Coari, Tefé, Alto Solimões e São Gabriel da Cachoeira. Uma assembleia que quer ser memória do caminho percorrido, profecia, lembrando os testemunhos vivenciados nesse tempo, e esperança no futuro, para seguir construindo o Reino de Deus nesse chão amazônico. Uma oportunidade para partilhar as muitas experiências que fazem parte da vida de fé do povo, que ajuda a continuar crescendo como discípulos e discípulas de Jesus. Ser discípulos é caminhar juntos, ser Igreja que dialoga e busca junto com os outros o caminho a seguir. Uma Igreja que cuida da vida, que acompanha a vida daqueles que sofrem, dos vulneráveis, e aqui no Regional Norte1 vive a samaritaneidade no meio aos povos indígenas, aos migrantes, ao povo das periferias, aos quilombolas, aos ribeirinhos. Uma Igreja com rosto feminino, que conta com as mulheres para o trabalho pastoral do dia a dia, mas também para poder decidir o caminho a seguir. São muitas as mulheres que cuidam das comunidades nas dioceses e prelazias que fazem parte do Regional Norte1. Mulheres que doam sua vida nas pastorais, que dedicam seu dia a dia a fazer com que a Igreja possa crescer e assim se ajudar as pessoas a se encontrar com Jesus Cristo. Ser Igreja tem que ser uma necessidade na vida de todo batizado, ninguém pode ser discípulo isolado dos outros, ninguém pode viver a fé sozinho. O cristianismo é uma religião comunitária e muitas vezes isso é esquecido, daí a importância das assembleias para insistir nessa dimensão de caminhada em comum, de planejar, avaliar e agradecer o caminho percorrido. Só assim o futuro pode ser visto com esperança, só assim a Igreja continua crescendo e se tornando presença de Deus na vida do povo, de tantas pessoas que sentem necessidade de Deus em sua vida e encontram na Igreja o caminho para conhecê-lo e segui-lo em Jesus Cristo. É tempo de continuar construindo, de continuar crescendo juntos, como Igreja que sente a necessidade de avançar e concretizar o Reino de Deus hoje na Amazônia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar