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Cardeal Steiner aborda contribuições para COP30

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), concedeu uma entrevista ao Centro para a Comunicação do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho). O diálogo, publicado ontem (14), abordou a participação e as contribuições da Igreja Católica na 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) que acontecerá em novembro de 2025, na cidade de Belém (PA). Ao ser questionado sobre realidade da Amazônia às vésperas da COP 30, o arcebispo aponta que ela exige discussão, reflexão e debate. O avanço do garimpo, mesmo com esforços de combate do governo federal, a mineração, onde o Congresso Nacional busca criar leis para exploração na região, a desflorestação, principalmente no sul do Amazonas, e migração do interior para a cidade, são os grandes desafios que permeiam a dinâmica da região. “O sul do Amazonas hoje já não tem mais a mata amazônica e isso está trazendo cada vez mais dificuldades. Mas também nós vemos devagarinho, nós que moramos nas cidades maiores, que há um peregrinar do interior para a cidade. A cidade de Manaus não cresceu, ela inchou”, declarou Por outro lado, o cardeal destacou que Amazônia carrega beleza, criatividade, poesia e, principalmente, “uma religiosidade muito profunda”. Essas características compõem as inúmeras culturas presentes nos territórios. E, segundo ele, são elas que “nos ajuda, nos anima e nos traz esperança” para enfrentar as questões que “dizem respeito a uma Ecologia Integral”. Caminhar para a fraternidade e o cuidado O entrevistador, Óscar Elizalde Prada, diretor do centro para a Comunicação do Celam destaca que é a primeira vez que uma COP acontece em território amazônico, uma oportunidade que reflexão sobre as realidades da região. E perguntou ao arcebispo quais os apelos manifestados pelos povos, através da escuta, a igreja levará para a conferência. O cardeal explicou que a grande movimentação da igreja em torno da COP30 é pelo “cuidado da nossa casa comum na Amazônia”, ampliando as vozes das comunidades mais vulneráveis.  A criação da comissão “Igreja Rumo à COP30”, composta de bispos e leigos, expressa o compromisso com a justiça climática e a ecologia integral. Além disso, o apoio ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário) , a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e outros organismos da CNBB. A participação da igreja será através de representantes da Santa Sé e da CNBB. E também, “apoiando os povos indígenas, apoiando diversos grupos que têm realmente preocupação com a questão do meio ambiente”, no Brasil e no mundo. Esse espaço fortalece a presença da igreja nos debates, e influencia na tomada de decisões visto que “nos preocuparmos com a igreja, nos preocuparmos porque cremos e temos esperança, queremos cuidar da nossa casa comum, queremos propor”.  “nós queremos estar sinodalmente presentes. porque queremos caminhar juntos, queremos que a humanidade caminhe, mas caminhe com esperança e caminhe com cuidado, não caminhe para a destruição e a dominação, mas caminhe para a fraternidade, para usar uma expressão de Francisco de Assis”, enfatizou o arcebispo. A Sinodalidade como caminho para um mundo melhor O arcebispo de Manaus recorda que “a sinodalidade é a preciosidade que Papa Francisco nos devolveu”, já que possibilita “caminhar juntos na casa comum”. Esse horizonte, permite que se construam processos de escuta mútua, fundamentais para reverter a organização social atual onde “os estados não se escutam em relação à ecologia integral”. Ele acrescenta que isto inclui também ‘escutar o grito da Terra’, como pedia Francisco. “Esses gritos, esses movimentos que existem na terra, existem entre a sociedade ou as sociedades, precisam ser ouvidos”, sublinhou. Além disso, depois do processo de escuta, a sinodalidade favorece a busca de soluções conjuntas. Ou seja, construir propostas que ajudem no cuidado da casa comum, da terra e diminuam a destruição tanto na Amazônia, como em outras regiões do mundo. A expectativa do cardeal Steiner é de que o caminho sinodal permita que as proposições assumidas na COP 21, descritas no acordo de Paris, sejam executadas. “Talvez a grande dificuldade será realmente nos ouvirmos e nos escutarmos, porque tenho a impressão que tem alguns que não desejam participar da escuta, mas impor determinadas compreensões que acabam destruindo ainda mais a nossa Terra”, explicou o cardeal. Laudato Si’ é a grande herança de Francisco Papa Francisco insistiu na necessidade de conversão dos modos vida adotados pela sociedade para ajudar a cuidar da Casa Comum, não apenas para igreja, mas para o mundo. Nessa perspectiva, o caminho trilhado pela igreja nos últimos anos é fortalecido pela publicação da encíclica Laudato Si’. O cardeal comentou a importância do documento para a COP 21.  “A COP de Paris chegou às conclusões que chegou, eu creio que se deve muito ao texto de Papa Francisco. Eu estive lá participando da delegação da Santa Sé e testemunho isso da importância que teve Laudato Si’”, explicou o cardeal. Além disso, o arcebispo insiste que o documento “ainda não chegou em todas as comunidades”. Ele oferece uma nova dinâmica para as relações, “de cultivo e de cuidado, baseado numa hermenêutica do Gênesis” ainda ausente na coletividade. O cardeal explica que essa compreensão precisa se proliferar e todos os âmbitos, mas a relação ainda é “muito comercial. A relação ainda é muito financeira, a relação ainda é muito econômica”. Novas relações sem ganância O arcebispo reforçou a necessidade de novas relações com o ambiente porque a “Terra não suportará no futuro toda essa devastação”. Essa afirmação parte da insistência de cientistas nos efeitos da devastação, mesmo com “elementos muito concretos” apresentados, existe uma “teimosia” em assumir “caminhos possíveis de preservação” e cuidado. Ele vê essa dificuldade em “abrirmos os olhos” para a realidade do planeta está relacionado “à ganância que existe” em relação ao território amazônico e recordou a fala de Francisco na África ‘tirem as mãos da África’.  “Eu às vezes tenho vontade de repetir, até numa ocasião já repeti, tirem as mãos da Amazônia. Tirem as mãos da Amazônia. Quer dizer, esse modo ganancioso, dominador, destruidor, que fere…
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Cardeal Steiner: “Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”

“Celebramos neste domingo, na Igreja no Brasil, a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil”, disse o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Ulrich Steiner, no início de sua homilia. Segundo ele, “o Evangelho nos ensinava que Jesus iniciou a sua presença de salvação com um sinal. As Bodas de Caná na Galileia foi o primeiro sinal de Jesus realizado, indicando o encontro entre Deus e a nossa humanidade. Os sinais sinalizam, indicam realidades que no dia a dia não percebemos. Sinais despertam para a razão, verdades e grandezas desapercebidas e, no entanto, nos deixam participar da festa, do encontro”. Maria percebe a dificuldade O primeiro sinal, recordou o cardeal, “expressa a celebração do amor de dois recém-casados que se encontram em dificuldade no dia mais importante da vida. No meio da festa falta um elemento essencial, o vinho, e a alegria corre o risco de desaparecer entre os convivas. Maria, a Mãe de Jesus, percebeu a dificuldade e diz a Jesus: ‘Eles não têm mais vinho’. As palavras e o gesto de Nossa Senhora é o sinal da participação e do cuidado dela para com a festa de casamento. Nas palavras de Jesus, Nossa Senhora diz aos serventes: ‘Fazei tudo o que ele vos disser!’” Segundo o cardeal, “o mandato, o mandamento, da transformação, a mudança, a alegre continuidade das bodas, pede serviço, trabalho: encher as talhas com águas. O servir é que transforma o encontro das núpcias em sabor, em degustação da preciosidade do amor. As talhas que guardavam a água para a purificação estavam vazias. Jesus pede que sejam enchidas e transforma a água das talhas em vinho. A festa de casamento, sinal da comunidade humana que não tem mais vinho e, por isso, perdeu a alegria de viver, indicando que a humanidade perdeu a esperança”. “Na transformação da água em vinho vemos que Jesus é o vinho novo na celebração das Bodas entre Deus e a humanidade”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Isso porque “Ele é o vinho novo da celebração do amor que concede a alegria do encontro e a esperança do caminho. Sinal de que a purificação exterior, não possibilita a alegria, não devolve a esperança. A Mãe de Jesus percebeu que havia necessidade de um vinho novo, um vinho melhor para experimentar a alegria de conviver, experimentar a esperança. O ‘Fazei o que ele vos disser’, acende a esperança, possibilita a alegria de quem vislumbra a beleza e a ternura da celebração do amor”. Falta-lhes o essencial “Irmãs e irmãos encanta o milagre do Evangelho de hoje!”, disse o cardeal. Segundo ele, “a delicadeza da percepção de Maria, o cuidado de Jesus em encher novamente de água as talhas da purificação, o trabalho generoso dos servos, o servir a água transformada em vinho. Toda narrativa Joanea indicando a transformação da nossa vida, da existência humana. Nossa Senhora participando das núpcias, dos encontros de amor, de nossas vidas, percebendo a falta, a penúria, a necessidade, a quase mendicância da nossa vida, atenta à nossa pobreza, fraqueza, dizendo: ‘Eles não têm mais vinho!’ Como que dizendo: falta-lhes o essencial, falta-lhes o vital, o mais importante, falta o que dê sentido ao encontro, falta o vinho… sem o essencial, sem o vital, não acontece mais a festa, vem a morte, desaparece o encanto de viver, a força de viver. E ela, então, nos repete hoje a palavra: ‘Fazei tudo o que ele voz disser!’” “E nós aceitamos o convite de encher as talhas da purificação. As talhas, a nossa vida, tanta capacidade, com tanto de possibilidade de purificação, de transformação na medida em que caminhamos entre a nossa casa, o nosso coração, e a fonte, Deus fonte de nossas vidas. E depois de pensarmos que fizemos tudo o que deveríamos fazer, talhas cheias, repletas da generosidade de nossa pobreza, transbordantes das possibilidades das nossas deficiências, somos, mais uma vez convidados: ‘Agora tirai e levai ao mestre-sala’. Depois de termos feito tudo o que poderíamos fazer vem o convite da transformação: servir! No servir às necessidades dos que desejam celebrar a bodas da vida que somos purificados, transformados, plenificados”, afirmou o cardeal Steiner. Isso porque “o Evangelho na Bodas de Caná nos revela o amor transformativo de Deus; o amor próximo, terno e compassivo, consolador!”, recordou. A vida do seu povo Na primeira leitura, ele destacou que “Rainha Ester vê as necessidades do povo e vai em socorro. Se apresenta ao rei correndo o risco de morte e implora: ‘A vida do meu povo, eis o meu desejo’! Não pensou em si mesma, mas na vida de seu povo. O rei acolheu o pedido de Ester e salvou o povo. O sinal de Ester é o sinal dos pequenos, dos humilhados, que não temem o poder frente a liberdade do conviver. Ester pôs toda a sua vida a serviço da vida do seu povo. Tornou-se sinal de beleza, de inteligência, da esperança, da libertação do povo”. Na segunda leitura, o arcebispo referiu-se a outro sinal: “apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”. Segundo ele, “uma mulher e um dragão, a fragilidade e a pequenez da mulher, que acabara de dar à luz e a força e a violência do dragão, que destrói e persegue. O Apocalipse a indicar a realidade de conflito e perseguição que as primeiras comunidades cristãs da Ásia Menor estavam sofrendo. Os cristãos eram perseguidos, aniquilados, destruídos pelo Império Romano. O dragão é o símbolo desse mal, da força destruidora. A mulher vestida de sol é o sinal de que o mal é vencido. O sinal, Deus gerado menino, não pode ser dominado pelo mal. A Mulher, força das pequenas comunidades, vence a tentação do medo e confia que Deus veio para permanecer junto ao seu povo”. Aparecida, a Mãe atenta O cardeal Steiner relatou que “em 1717,…
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Dia das Crianças: o melhor presente é garantir seus direitos

O Dia das Crianças, que no Brasil é comemorado no dia 12 de outubro, deveria nos levar a refletir sobre sua realidade no país e no mundo. Diante de uma data marcada pelos presentes, somos chamados a nos perguntarmos sobre os desafios que as crianças enfrentam e sobre o que dar para elas em vista de um futuro melhor. O amanhã das crianças Não podemos esquecer que nas crianças está o futuro da humanidade, mas a realidade atual tem que nos levar a nos questionarmos como será o amanhã. Uma reflexão que tem que abordar questões relacionadas com as mudanças climáticas e o futuro do Planeta, com a Inteligência Artificial e sua influência na vida cotidiana, na vida laboral, com a proteção das crianças diante de todo tipo de abuso e exploração, com o sistema educativo e a formação do conhecimento e da personalidade, com a violência e as guerras, que atingem a vida de muitas crianças. Uma reflexão que tem que estar presente nos diversos âmbitos, na família, na escola, nas igrejas. Na família a criança vai fraguando sua personalidade, assumindo valores e modos de entender a vida que irão determinar sua existência. Uma tarefa que pode ser complementada na escola, nas igrejas, mas que nunca irão substituir o papel fundamental da família. Direitos da criança e do adolescente Os direitos básicos de uma criança e de um adolescente incluem o direito à vida, direito à saúde, direito à educação e cultura, direito ao lazer, direito à liberdade de se expressar, direito à dignidade e ao respeito, direito à convivência familiar e comunitária, direito à proteção e direito a ter preparo para o trabalho, desde que protegido de exploração, abusos e violência. Direitos que no Brasil estão garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. A questão é se de fato esses direitos são respeitados na sociedade brasileira. A realidade nos diz que existem crianças no Brasil que não têm garantidos esses direitos. Diante disso, qual é nossa reação? Até que ponto nos envolvemos para que toda criança, todo adolescente, tenha garantidos seus direitos? Como a gente reage quando sabe que existem crianças e adolescentes que não têm seus direitos respeitados? Garantir os direitos O melhor presente que a sociedade pode dar, mas também cada um e cada uma de nós podemos dar para as crianças e adolescentes é aquele que leve a avançar na garantia desses direitos para todos. Tudo o que acontece na vida da criança que não tem garantidos seus direitos fica no segundo plano, pois está ficando como algo secundário o que de fato é fundamental. Que o Dia das Crianças seja uma oportunidade para mostrar como sociedade a preocupação por elas. Que ninguém se conforme com dar só presentes, com buscar uma felicidade externa nas crianças. O que vai fazer com que elas possam crescer em harmonia e se tornarem adultos construtores de uma sociedade melhor é a garantia de seus direitos, e para isso precisam da ajuda de cada um e cada um de nós. Vamos lhes dar esse presente, o melhor presente. Editorial Rádio Rio Mar

Jubileu do Povos Originários: Cardeal Steiner convida a converter as relações

Na manhã deste domingo (5), o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, participou do Jubileu dos Povos Originários. O evento reuniu lideranças e entidades indígenas no Parque do Mindú, espaço simbólico de biodiversidade e ancestralidade. O objetivo era celebrar a resistência, a cultura e a espiritualidade dos povos em comunhão com o Jubileu da Esperança. Ao saudar os presentes, o cardeal ressaltou que “estamos aqui reunidos na busca de celebrarmos ou participarmos do ano santo da redenção, o ano da esperança”. Por isso, ele recorda a quantidade de “elementos importantes da nossa vida” e “elementos culturais” que foram apresentados. Mas destaca, especialmente, o elemento “das nossas relações mais próximas” como fundamento do júbilo. “Nós que vivemos da Terra, com a Terra, que participamos da vida da Terra. E ao celebrarmos o Jubileu, nós estamos lembrando que Jesus nos redimiu, Jesus nos salvou”, disse o arcebispo. Recordar a dignidade de todas as criaturas Essa perspectiva da salvação é apresentada no Evangelho de São Marcos, onde Jesus “envia os apóstolos e diz: anunciar isso a todas as criaturas”. Dessa maneira, o cardeal explica que “todas as criaturas participam da Salvação, todas as criaturas participam da Redenção, nenhuma criatura ficou de fora”. Por causa disso, a forma de relacionamento dos povos indígenas com a natureza expressa a dignidade de toda a Criação. “Quando nós temos, como povos indígenas, uma relação toda especial com o Meio Ambiente, com todas as criaturas, nós estamos recordando a dignidade de cada criatura, que cada criatura tem, porque participa da vida de Jesus, participa da vida de Jesus que ressuscitou por nós, participa da vida nova”, disse o arcebispo. Converter as relações Cardeal Steiner pediu aos povos indígenas que “nós ajudem a serem esse sinal de esperança”, já que, ao participar do ano santo, “nós somos guiados pela esperança” de que “haja uma outra relação com o Meio Ambiente”. E essa esperança recai sobre a necessidade de que “o nosso mundo se converta, a esperança de que a sociedade branca se converta”. E assim, “nós possamos realmente nos relacionar com as criaturas, não para dominar e destruir, para ganhar dinheiro, mas podermos viver juntos na Casa Comum”. O arcebispo de Manaus trouxe à memória o empenho que a Igreja no Brasil assume em torno da temática ambiental. Essa importância se destaca em muitas atividades realizadas, mas especialmente nas Campanhas da Fraternidade. Mas mesmo com esse esforço, segundo o cardeal, “parece que a sociedade está surda. Parece que os corações estão fechados e não percebem como todas as criaturas, são importantes para podermos viver, conviver”. Assim, cardeal Steiner reforça que celebrar o ano santo é dizer “ainda estamos buscando a salvação”. E mesmo com a destruição do meio ambiente existente, permanece a palavra que diz “não, ainda existe salvação” porque “nós acreditamos na necessidade de uma conversão”.  Ao final, motivou os participantes para que a celebração vivida seja um ânimo e possam permanecer como presença de esperança, de salvação e de harmonia. “Nós vivemos como irmãos e irmãs, nós usamos uma expressão tão bonita e significativa dizendo, somos parentes. Que nós todos possamos nos sentir parentes, irmãos e irmãs, mas também, como dizia São Francisco de Assis, irmão e irmã de todas as criaturas. Que Deus nos ajude e que vocês nos ajudem a sermos cada vez mais motivo de esperança, motivo de transformação e não de destruição”, finalizou o cardeal.

Cardeal Steiner: “Jesus nos pede que percorramos, com coragem e empenho, o caminho da fé”

No vigésimo sétimo domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia recordando que “aumenta a fé é a súplica dos discípulos a Jesus. O pedido, a súplica, que nasce depois de ouvirem a parábola do pobre Lázaro que nos foi proclamado no domingo passado e depois de ouvirem o ensinamento do perdão”, citando o texto do Evangelho: “Se pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe”. Os apóstolos pedem a graça da fé Ele sublinhou que “diante das revelações de Jesus que não cabem na compreensão dos apóstolos, eles pedem a graça da fé. A fé que permite ultrapassar o que é incompreensível, impensável; uma fé que acolhe e oferece horizonte extraordinariamente sem limites. Diante da dificuldade em acolher os ensinamentos de Jesus os discípulos são despertados para a necessidade de uma fé mais robusta, mais aberta, que leva à liberdade diante das contradições e cruzes da vida. A fé que supera a adesão a dogmas ou a um conjunto de verdades abstratas sobre Deus. Fé que é fé, é adesão a Jesus, à sua proposta de vida, à vida do ‘Reino’”. O arcebispo recordou que Santo Ambrósio, nos diz Comentário sobre o Evangelho de Lucas VII, 176-180: “Lembro-me de outra passagem que evoca o grão de mostarda, e onde ele é comparado com a fé; diz o Senhor: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Muda-te daqui para acolá”, e ele há-de mudar-se» (Mt 17,19). […] Se, portanto, o Reino dos Céus é como um grão de mostarda e a fé também é como um grão de mostarda, a fé é seguramente o Reino dos Céus e o Reino dos Céus é a fé. Ter fé é ter o Reino dos Céus. […] Foi por isso que Pedro, que tinha fé, recebeu as chaves do Reino dos Céus: para poder abri-lo aos outros (Mt 16,19). Apreciemos agora o alcance da comparação. Este grão é certamente uma coisa comum e simples; mas, se o trituramos, faz irradiar a sua força. Do mesmo modo, à primeira vista, a fé é simples; mas, tocada pela adversidade, faz irradiar a sua força”. Adesão a Jesus Segundo o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos de Brasil: “a adesão a Jesus e ao seu modo de viver, ao seu Reino, é um caminho incômodo, às vezes difícil, pois é um caminho na fragilidade, nas incertezas, na nossa finitude. Um estar a caminho que devagar vai abrindo horizontes, iluminando as incompreensões, os não saberes, possibilitando novas relações e uma percepção sempre mais profunda e real da vida com Deus”. “Nesse caminhar na fé existe um exercício de abandono. Um abandonar-se na fé, abandonar que é próprio da fé ‘é a máxima ousadia do homem’!”, disse citando Karl Rahner. Isso porque “uma partícula ínfima do cosmos se atreve a relacionar-se com a ‘totalidade incompreensível e fundante do universo” e, além disso, o faz confiando absolutamente com seu poder e em seu amor. Perceber a audácia inaudita que implicada atrever-nos a confiar no mistério de Deus’”, disse seguindo José Antônio Pagola, no “Caminho aberto por Jesus, S. Lucas”. Confiar incondicionalmente no Mistério Em palavras do arcebispo de Manaus, “a mensagem central e original de Jesus consiste precisamente em convidar a cada um de nós a confiar incondicionalmente no Mistério insondável que está na origem de tudo. A confiança que ressoa no anúncio: Não tenhas medo, confiai em Deus, chamai-o de Abbá, pai querido, papai. Ele cuida de vós, até os cabelos de vossa cabeça estão contados. Tende fé em Deus. Não vos preocupes.” Ele recordou o texto de Lucas 12,22-28: “Não fiqueis preocupados quanto a vossa vida, pelo que haveis de comer, nem, quanto aos vosso corpo, pelo que haveis de vestir. A vida vale mais quem o alimento, e o corpo mais que o vestuário. Observai os pássaros não semeiam, nem colhem, não tem dispensa, nem celeiro, e Deus os alimenta. Vós valeis mais que os pássaros do céu. Observai os lírios do campo, como crescem. Não trabalham, nem fiam, no entanto, eu vos digo que nem Salomão em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora se Deus veste assim a erva do campo que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, quanto mais a vós fracos na fé.” O cardeal prosseguiu: “Sim, a fé como confiança, como experimentar o cuidado de Deus para conosco”. O arcebispo referiu-se “à confiança proclamada pelo profeta na primeira leitura. Uma confiança que se torna em determinadas situações um clamor, um confronto: Senhor, até quando clamarei, sem me atenderdes, sem me socorres? Destruição e prepotência estão à minha frente; reina a discussão, surge a discórdia”. Ele considera que “as palavras tão atuais, ressoam os nossos dias, a nossas aflições, e e desilusões. E, no entanto, Habacuc a nos despertar para uma confiança: ‘se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. (…) o justo viverá por sua fé’ (Hab 1,3; 2,3-4)”. Igualmente, ele recordou as palavras de Paulo a Timóteo que nos ilumina ao ensinar: “Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Usa um compêndio de palavras sadias que de mim ouviste em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus. Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós” (2Tm 1,6;8.13-14). É a fé que tem a nós “O Espírito Santo que nos concede o dom da fé, nos concede a gentileza que percebermos que na dinâmica da fé nós não temos fé, é a fé que tem a nós. Mesmo a possibilidade, a disposição de nos abrimos à fé, é doação da fé. A fé é simples: una, inteiriça, coerente. Simples não quer dizer nem…
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Cardeal Steiner no Jubileu da Terra, da Água e da floresta: “olhar as criaturas sem dominação”

Na manhã de hoje (4), durante o Jubileu da Terra, da Água e da Floresta, o Cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, explicou que “os pequeninos significam aqueles que olham as criaturas sem dominação”. Esse jubileu traz “todas as criaturas” e reconhece que “todas as criaturas participam do mistério da Salvação”. Os participantes saíram em peregrinação da Igreja Nossa Senhora dos Remédios em direção à Catedral Metropolitana de Manaus, no percurso, foram tratadas as temáticas da água, da terra e da floresta seguido da Celebração Eucarística. Segundo o arcebispo, “nós fomos redimidos, fomos salvos. Toda obra celeste e terrestre, toda obra criada participa da obra da redenção. Ele explicou que essa compressão da obra da redenção pode ser entendida pelo texto do Evangelho: ‘Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos pequeninos’. O texto destaca os pequeninos como aqueles percebem as criaturas sem a vontade de submetê-las a dominação, “sem o desejo de dinheiro, sem o desejo de cobrança”, mas com um desejo de cuidado e cultivo. Aquele que não se impõe Ao recordar a celebração da festa de São Francisco de Assis, o cardeal explicou a opção do santo em nomear os frades como “menores”. Ela parte da compreensão de serem “menores diante de todas as criaturas, não apenas diante dos irmãos e irmãs do gênero humano”.  Para o arcebispo, ser menor é uma expressão que significa “aquele que não se impõe”. “Menor aquele que pode se tornar plenitude. Menor aquele que serve. Menor aquela que serve. Menor sempre aquele e aquela que está a serviço. Menor é sempre aquele e aquela que compreende a profundidade da irmandade universal”, disse. A incompreensão dos dominadores Ainda sobre o texto do Evangelho, o arcebispo destaca que a incompreensão dos dominadores diante da fraternidade universal acontece “porque não são pequenos”. “Os dominadores não compreendem que a água é irmã, que o sol é irmã, que a terra é mãe”, explicou. Diferente de Francisco de Assis, “que tentou ser menor e compreendeu”. “Por isso, celebramos até hoje o Cântico das Criaturas, onde tudo tem uma irmandade profunda, porque um respeito, uma relação toda própria, que nós poderíamos chamar de fraternidade universal. Nós, nosso pequeno grupo que aqui está, mas tocado pela espiritualidade franciscana, e no desejo de termos cada vez mais um respeito profundo e um cuidado cada vez melhor pela obra criada buscando assim uma Ecologia Integral, nós queremos louvar e bem dizer”, refletiu o cardeal Steiner. Ao final, o arcebispo argumentou que o louvor passa “por podermos ter olhos que guardam a realidade, olhos que podem ver as criaturas e não as destroem, olhos que realmente sabem acolher”. E convidou que cada um pudesse fazer o seu hino de louvor sem esquecer que não só “todo o gênero humano foi redimido, mas que todas as criaturas do mistério da Salvação”. Mas para isso, é fundamental “nos deixarmos tocar pela minoridade de sermos pequenos. Porque até Jesus louva os pequenos”. Vigília Popular pela Amazônia Na noite de ontem (3), a Arquidiocese de Manaus realizou a Vigília Popular pela Amazônia: Vozes do Povo e da Terra.  Segundo organizadores do evento, o objetivo era acolher as vozes num clamor espiritual e político pela Amazônia Viva, pelo direito dos povos e por justiça climática. O encontro aconteceu na Praça do Congresso, em Manaus, com representantes de redes de fé, juventudes, pastorais e movimentos sociais e populares e da comunidade acadêmica. Essa programação é parte de uma série de esforços que as diversas denominações religiosas vêm desenvolvendo em preparação para a 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a Conferência das Partes, (COP30), em Belém (PA), em novembro de 2025. Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus e referencial para as pastorais sociais, convidou os presentes a estender os seus braços e perceber o peso de sustentá-los sem um apoio. Uma imagem alusiva a necessidade de construir caminhos de união em torno de causa comuns a toda sociedade. “Podemos ter imagem de louvor? imagem de clamor? imagens de mãos estendidas pedindo? imagens de mãos estendidas clamando? Quanto tempo aguentaremos sustentando as nossas mãos e os nossos braços nesta posição?”, indagou. Um gesto de clamor e louvor Com esse gesto, o bispo reforça que “milhares de pessoas clamam por ajuda” e acrescenta que “a floresta também clama pelo nosso olhar”. Essa perspectiva direciona para a compreensão da natureza como um sujeito de direitos e por isso “clama pela nossa acolhida, clama pela nossa voz, clama peno nosso cuidado”. O gesto simbólico de clamor, apresentado por Dom Hudson Ribeiro, retrata as realidades sofridas, mas também um gesto “de louvor”, explicou. Em seguida, o bispo convidou para que todos dessem as mãos com os braços levantados e destacou “como é mais fácil quando a gente ergue os braços e ter os nossos braços sustentados uns pelos outros”. “Que o bom Deus, que criou a todos nós, que criou todas as formas de vida desse planeta, esteja sempre conosco ao erguermos os braços, ao erguermos as pessoas que estão caídas, a estendermos as nossas mãos, os nossos braços pra que a solidariedade, a fraternidade, a busca, o sonho, a realização do cuidado para com a Casa Comum aconteçam”,finalizou o bispo. fotos: Ana Paula Lourenço

A missão é fundamento da Igreja, enriquece a vida de cada batizado

A missão é fundamento da Igreja, um chamado inadiável que recebemos todos os batizados e batizadas. Iniciamos o Mês Missionário, que em 2025 tem como tema “Missionários da Esperança entre os Povos”, e como lema o mesmo que nos acompanha ao longo do Ano Jubilar 2025: “A esperança não decepciona”, citando o versículo 5 do capítulo 5 da Carta aos Romanos. Testemunhas de Deus na vida dos outros Quando a gente deixa de lado a missão, como batizados e batizadas e como comunidade eclesial, nos afastamos da razão de nossa vida de fé. Ninguém pode esquecer que somos desafiados a sermos testemunhas de Deus na vida dos outros. Mas também a reconhecer a presença de Deus nas pessoas e em tudo o que acontece, em tudo o que temos em volta de nós. É N´Ele que está a Esperança que não decepciona, daí o desafio de reconhecê-lo e testemunhá-lo. Fazer missão não pode ser entendido como proselitismo e sim como testemunho de vida. As pessoas vão se encantando com Deus, vão se tornando discípulos e discípulas, na medida em que descobrem N´Ele, a partir do testemunho missionário dos irmãos e irmãs, a Esperança que não decepciona. A conquista de novos membros para a Igreja não é consequência de uma batalha, não é furto de uma imposição. As pessoas respondem ao chamado do Deus que se comunica nas coisas pequenas, na leve brisa, na pequenez da cotidianidade. Ele está conosco, e em nós se apresenta na vida de cada pessoa, que é livre para responder à proposta de vida que Ele faz a cada um através de seu chamado a segui-lo. A missão nos enriquece A missão entre os povos enriquece a vida de cada batizado. Na missão a gente vai se enriquecendo, no convívio, no testemunho de fé, a gente vai aprendendo diversos modos de se relacionar com Deus. Ele nos revela seu rosto, encarnado em pessoas concretas, nos mostra que com Ele nossa vida encontra sentido e pode ser vivida com esperança, com alegria, com sentido. O Documento Final do Sínodo para a Amazônia nos desafia a ser uma Igreja de presença. Podemos dizer que a missão tem mais sentido quando ela nos ajuda a ser presença na vida do povo, quando nos leva a partilhar o cotidiano das pessoas. Missão é bem mais do que celebrar, ela tem que nos levar a dividir o caminho do Evangelho, encarnado em tantas pessoas e situações, encarnado no chão e nas águas da Amazônia. Acompanhar a vida de todas as pessoas Acompanhar a vida de todas as pessoas, mas especialmente a vida daqueles que por diversos motivos perderam a esperança, é sempre um desafio a ser enfrentado por aqueles que assumem o chamado a serem missionários da Esperança entre os povos. Nesse caminhar junto, a gente recebe tanto quanto dá, inclusive bem mais do que dá. Na partilha da experiência de fé com o povo, o missionário carrega as baterias para continuar levando o Evangelho entre os povos. A exemplo de Paulo, aquele que na primeira Igreja, em circunstâncias difíceis, levou a Esperança para as pequenas comunidades que se iniciavam no caminho do cristianismo, na trilha do discipulado, somos chamados por Deus a continuar essa tarefa, a levar adiante essa mesma missão. Sem medo a enfrentar os empecilhos, com a coragem que nasce do fato de caminhar em companhia de Jesus, avancemos ao encontro dos outros e levemos o fundamento de nossa vida pessoal e comunitária: a Boa Notícia do Evangelho. Editorial Rádio Rio Mar

Dom Adolfo Zon: No Mês Missionário “reafirmar o compromisso com a missão”

No início do Mês Missionário, o bispo da diocese de Alto Solimões e vice-presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), dom Adolfo Zon, escreveu uma mensagem onde lembra que “somos chamados a vivenciar o mês missionário sob o belo e profundo tema: ‘Missionários da Esperança entre os Povos’, inspirado pelo lema: ‘A esperança não decepciona’ (Rm 5,5)”. Segundo o bispo, “em tempos marcados por incertezas, desigualdades e tantos desafios humanos e espirituais, a Igreja nos convida a ser sinal vivo da esperança que vem de Deus, uma esperança que não se baseia em promessas vazias, mas no amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo” Dom Adolfo Zon faz um triplo chamado: reafirmar o compromisso com a missão; ser esperança viva nas comunidades; caminhar juntos, com espírito sinodal, explicitando os passos a serem dados. Ele mostra o desejo do Mês Missionário ajudar a “redescobrir a beleza da missão, reacendendo em nós o ardor pelo anúncio do Reino”, e junto com isso promover nas paróquias e comunidades “momentos de oração, formação missionária, gestos concretos de solidariedade e evangelização nas casas, nas ruas, nas escolas, com especial atenção aos mais necessitados”.

Cardeal Steiner no término do 14ºMuticom: “uma responsabilidade a partir do Evangelho”

O encerramento do 14° Mutirão de Comunicação (Muticom) aconteceu neste domingo (28) no Encontro da Águas. Um momento marcado por muita alegria e sentimento de responsabilidade “a partir do Evangelho” como reforçou o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, e assumida pelos participantes de serem comunicadores e comunicadoras do Reino Novo. “Nos encontramos em um momento crucial em relação à Terra, mas o momento crucial das nossas relações. Nós temos uma responsabilidade, temos uma responsabilidade não porque achamos que temos responsabilidade, mas o temos a partir do Evangelho. O cuidado e o cultivo”, alertou o arcebispo. Nesta perspectiva, o Cardeal Steiner enfatizou que como “comunicadores e comunicadoras, anunciamos Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado”. E por isso, é de responsabilidade coletiva “comunicar a harmonia contemplada nas criaturas que inspira relações de fraternidade universal”. E dessa forma “despertaremos para relações fraternas, reconhecendo que tudo está interligado.” O convite final é para que todos levem a alegria, a esperança e todos os aprendizados construídos ao longo da programação do evento para as dioceses, paróquias e regionais. Ao final da celebração foi lida e aprovado o texto da Carta de Encerramento do 14° Mutirão de Comunicação junto com o compromisso assumido por todos os presentes. Os documentos se encontram na íntegra abaixo: Compromissos assumidos Mensagem final do 14° Mutirão de Comunicação

Regional Norte 1 participa de Seminário Nacional da Campanha da Fraternidade 2026

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil realizou de 25 a 28 de setembro de 2025 o Seminário da Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia”, e como lema “Ele veio morar entre nós”. O Regional Norte 1 esteve representado pela Ir. Rosiene Gomes, articuladora regional das pastorais sociais, e o padre Alcimar Araújo, vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana de Manaus e vice-reitor do Seminário São José. Um grito que emerge da realidade Segundo a religiosa, “estes dias foram dias de grande aprendizado, de experiências, de uma convivência muito agradável, com a participação dos 19 regionais do Brasil e acompanhado também de testemunhos muito vivos, concretos da nossa realidade hoje.” Segundo a Ir. Rosiene “a temática proposta sobre a moradia é um grito que emerge das nossas realidades, um grito urgente de tantas pessoas que sofrem no dia a dia por não ter um teto, não ter uma casa para viver com mais dignidade”. “O que norteou o seminário foi o Texto base da Campanha da Fraternidade, aonde nós vimos o ver, o iluminar e o agir”, relatou a articuladora das Pastorais Sociais do Regional Norte 1. Ela desataca a presença de assessores com grande experiência e capacidade de apresentar a temática proposta. Junto com isso, a importância da partilha de algumas experiências concretas de vários grupos que realizam sua missão nesse campo da moradia. Trabalho com moradores de rua Dentre as partilhas cabe destacar a Pastoral da Moradia, uma pastoral nova no Brasil, que está crescendo nos vários regionais. O Regional Norte 1 ainda não conta com essa pastoral, mas a Ir. Rosiene vê que essa pode ser uma das propostas a surgir na Campanha da Fraternidade 2026, mostrando o compromisso como Igreja, como cristãos. Os participantes do Seminário conheceram o trabalho que a Pastoral do Povo de Rua realiza junto aos moradores de rua no centro de Brasília. Divididos em grupos, os participantes do Seminário foram ao encontro das pessoas que passam a noites nas calçadas da capital do país, dividindo a janta com essas pessoas, sendo também um momento de conversa, de escuta de seus relatos de vida, de suas experiências de vida, segundo conta a religiosa. Esse momento foi acompanhado por uma celebração, sendo rezado o Ofício Divino, tendo a participação dos moradores de rua, que apresentaram as suas músicas, os seus louvores. A Ir. Rosiene destaca esse momento como uma novidade, como algo muito expressivo. Ela disse acreditar que “esta campanha também é uma extensão da própria campanha que vivemos este ano sobre a Ecologia Integral, que é o cuidado com a casa comum. A luta pela moradia também fala da vida, do cuidado com a vida em todas as suas dimensões e sobretudo a vida humana.” Um seminário que é “ponto inicial para começarmos já a pensar como vamos viver esta campanha nas nossas realidades”, concluiu. Cada número é uma pessoa O padre Alcimar Araujo ressaltou a importância de o seminário “para a gente aprofundar a reflexão sobre a problemática da moradia no Brasil. A gente viu em números tudo isso, mas o mais importante é perceber que cada número é uma pessoa. Uma pessoa idosa, uma pessoa doente, uma criança, um pai, uma mãe.” Ele disse que “aí nós percebemos que sem o teto, que é a porta de entrada para todos os direitos, é muito complicado a gente fazer valer os direitos das pessoas”. O presbítero da arquidiocese de Manaus afirma que “a Igreja reflete sobre isso, é a voz profética da Igreja sobre tudo isso.” Ao longo de 2026, o padre Alcimar espera que “a gente consiga articular e rearticular as pastorais sociais, sobretudo, a Pastoral da Moradia nos estados, nos municípios, reaproximar-se dos movimentos de moradia, porque existem no Brasil já, e assim a gente possa fazer valer as políticas públicas que existem para moradia. Em Manaus, nós sabemos que tem um déficit enorme, assim como em outros municípios, mas também não só entregar casas, mas formar lá e também com qualidade e dignidade para todos”.