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Dom Zenildo: “A esperança deve ser renovada na Ressurreição de Jesus”

A Páscoa é o ápice do ano litúrgico, é a festa da plenitude e da alegria. É o grande anuncio que há séculos ressoa entre os homens e mulheres cristãs. Com a cruz vazia, Jesus dá testemunho de amor à humanidade. Na mensagem do evangelho, Dom Zenildo destacou que “Cristo é nossa passagem. Nele e com Ele passamos de um estado de separação para um relacionamento de comunhão”. Passamos da morte para a vida. Por isso é preciso manter viva a chama da esperança. O Bispo da Diocese de Borba, na homilia pascal, ressaltou o percurso feito pelos apóstolos, desde Via-dolorosa até o túmulo vazio. Esse é um caminho de aprendizado ao cristão. Por isso a festa da vida deve ser para todos nós o momento imperdível para a renovação do empenho em defesa da Terra, nossa casa comum e promoção da vida humana. “A Páscoa é sempre motivo de autêntica alegria”. Assim, “o povo de Deus católico deve servir a Cristo com amor e alegria. Isso deve transparecer no próprio rosto feliz e confiante”. A celebração da Vigília Pascal foi o encontro com o Ressuscitado por meio da experiência salvífica da nossa fé. Fomos convidados a testemunhar a Boa notícia do Ressuscitado. Com a máxima do Papa Francisco que diz “Não deixe que ninguém tire a sua esperança, jamais!” O encorajamento por meio da música do padre Zezinho veio para concretizar a certeza do amor de Deus por nós, quando, em tom de alegria o nosso Bispo cantou… “Vitorioso! Ressuscitou! Após três dias à vida Ele voltou/ Ressuscitado, não morre mais/ Está junto do Pai/ Pois Ele é o Filho eterno/ Mas Ele vive em cada lar/ E onde se encontrar um coração fraterno/ Proclamamos que Jesus de Nazaré/ Glorioso e triunfante, Deus conosco está! Ele é o Cristo e a razão da nossa fé/ E um dia voltará”.  Com isto, alimentemos em nosso coração o ardente desejo de encontrar pessoalmente o Senhor da Vida e da Esperança! A convocação do Bispo Diocesano Dom Zenildo Luiz foi para “seguirmos cantando a alegria de sermos filhos e filhas de Deus, libertos de toda solidão e prontos para entrarmos em comunhão com o Pai, por isso devemos cantar a nossa fé no amor que nos salva, sendo peregrinos em direção à Terra Prometida, fazendo de nossa vida uma páscoa contínua”. Francelina Souza, coordenadora da Pastoral de Comunicação da Diocese de Borba – Am

Dom Leonardo: “Somos a Igreja feita da experiência da Ressurreição”

As palavras de Maria Madalena que vai cedo ao sepulcro: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”, foram destacadas pelo Cardeal Leonardo Steiner no início de sua homilia no Domingo da Páscoa. O Arcebispo de Manaus afirmou que “ainda de madrugada deixa a casa e busca consolo junto ao túmulo do Amado. Mas o túmulo vazio estava! A pedra retirada e o corpo ali já não jazia. E no vazio do túmulo não mais o via. Não que a incomodasse a morte, mas pelo desconsolo de nem sequer o corpo do Amado ter. Visita inútil na madrugada na busca de consolo. Nem o corpo lhe deixaram”. “E enquanto corria na busca de Pedro e João, Maria Madalena passa em seu coração a razão de seu desconsolo. Eu o tinha como a um Filho amado, era do meu agrado, me agradava, me era agradável, o perdi na cruz e agora o perdi no túmulo vazio”, continuou Dom Leonardo em sua reflexão. “Ele razão de minha vida, Ele amor de minha, Ele minha vida, vida da minha vida. ‘Retiram o meu Senhor e não sei onde o colocaram!’ Eu dele ouvi, mas a Ele não via, tão ocupada estava com os homens da minha vida. Apenas ouvia falar do Homem de Nazaré. Mas um dia eu o vi, rosto suave e forte, era quase como a dos outros que me visitavam e me buscavam. Continuei com meus amores e desamores”. Aprofundando nos sentimentos de Maria Madalena, o Cardeal disse que “depois que a Ele vi sobreveio o desejo de ouvir. Me inquietava, me interrogava, e já não tinha tanto tempo para os meus desamores. A sua voz era como a dos outros homens, mas não as suas palavras. Elas penetravam as entranhas, o fundo de minha alma. Ele fala de Deus, falava e balbuciava a palavra Pai. As palavras se aninharam, se calaram, silenciaram nas minhas entranhas. E de lá não mais se desaninharam”. “E quando Ele comigo se encontrou, nada de mais forte e suave, nada de mais suave e violento, nada de mais puro e transparente! Me senti completamente nua, despida, mas não envergonhada. Não me cobiçava, não me desejava, apenas me amava. Nenhum homem havia me despido assim. Tão despida, tão desvestida, tão…, sim tão eu, eu mesma, como se estivesse só diante de Deus. Foi então que vi meu coração, tão desejoso, tão amoroso, tão sedento de liberdade, de verdade, de amor”, disse Dom Leonardo, querendo interpretar os sentimentos da apóstola dos apóstolos. O Cardeal foi relatando o caminho da Madalena com Jesus, “caminhos percorri, estradas andei, não descansei e o encontrei. Na casa do fariseu entrei. Entrei sem bater, sem me conter e aos seus pés me aninhei. A ele toquei, acariciei, lavei com as lágrimas os seus pés. E ele sem desprezo nem constrangimento se deixava tocar, se deixava lavar os pés com meu arrependimento. Ao tocá-lo, ao acariciá-lo, a mim mesma tocava, acariciava e me senti perto de Deus. E desse encontro sai renascida, filha querida. Sim, me senti amada como uma Filha e esposa. E em mim vida nova, pessoa nova, nova mulher, mulher inteira; tudo novo, novo mundo, nova terra um novo céu. Mas ainda não sabia que eu tocara e acariciara o próprio Deus”. Um caminhar onde, em palavras do Arcebispo de Manaus, “eu o ouvia, com ele convivia, o servia. E sempre mais livre, sempre mais mulher, sempre mais filha, sempre mais serva, sempre mais criança, mais forte, com tanta sorte de parecer tocar a morte”. Sentimentos de dor que inundam o coração de Maria Madalena, porque “três dias faz o perdi na dor, na cruz, na morte. Perdi o amor, perdi o Pai, perdi o esposo, perdi o filho. Destruíram o meu céu e a minha terra. Restou apenas o túmulo onde guardamos seu corpo frio e inerte. O túmulo fechado ainda guardava meu consolo. E hoje ainda não amanhecido, na madrugada, no silêncio, na dormência de tudo, vi o túmulo aberto. Rompeu-se o segredo, o lugar do consolo: “Retiram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”! Também os sinais de sua presença perdi; nem mais o corpo de meu Senhor. E ao chegar perto de Pedro e João, esbaforida, sofrida, descontida, apenas sussurrei: ‘Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram’. Sim, sem nosso Senhor”. Mas também relatou o encontro com o Ressuscitado: “E outro dia no jardim esperando, chorando, no jardim me desesperando, me consolando ouvi: Maria!… Maria? No meu nome vi o meu Senhor e Deus. Só agora vi o meu Deus e Senhor. Nem teu corpo preciso, de nada mais preciso, necessito, só agora a ti Vida nova, Vida da vida, Vida escondida, suavidade de vida, germe pronto a brotar, seiva que tudo penetra, todo o universo santifica e vivifica. Tu meu Senhor e Deus; Vida em que agora abito! Como encontrar-te num túmulo se em tudo e por tudo agora estás?” Palavras em que a Madalena, segundo o Cardeal Steiner, nos diz: “quanto tempo Senhor contigo convivi, te servi, te vi, te ouvi, mas não vi que eras meu Deus. Foi preciso perder-te, foi preciso esvaziar o túmulo das minhas seguranças, foi preciso o vazio completo de tudo, foi preciso a liberdade onde meu nome ressoava para que cresse em ti meu Senhor e Deus. Somente agora creio, quando tudo perdi e te ouvi, razão do meu viver, vida de todo ser que vive. Aleluia!”. A partir do que Dom Leonardo imagina foram os sentimentos de Maria Madalena, ele afirmou que “como Maria Madalena estamos a caminho na busca do consolo e encontramos tantos túmulos abertos, encontramo-nos tão expostos nos nosso peregrinar. Somos a Igreja feita da experiência da ressurreição. Há necessidade de retirarmos a pedra e deixar que a esperança do Ressuscitado nos encontre e nos devolva vida em meio a tantas incertezas, sofrimentos, mortes. Ele nos concede a dádiva da esperança. Assim como Igreja saímos como Maria Madalena a procura “retiraram o Senhor…
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Cardeal Steiner: “Guiados pelas mulheres do Evangelho, descobrimos a aurora da luz de Deus”

Lembrando a luz de Cristo, iniciou Dom Leonardo Steiner sua homilia na Vigília Pascal, afirmando que “Guiados pelas mulheres do Evangelho, descobrimos a aurora da luz de Deus que brilha nas trevas. Não mais trevas, mas luz! Não mais noite, mas luz de um novo dia! Não mais noite nos nossos dias, nem noite de nossa humanidade. Luz que ilumina as noites, o anoitecer dos dias, a escuridão do horizonte perdido. Mesmo quando não nos apercebemos, agora há luz: a luz de Cristo!”. Lembrado o que foi cantado no Exultet, o Arcebispo de Manaus destacou que “o céu e a terra, todo universo bendiz e louva, veio a Luz, Nova vida. Nós nesta noite, irmãos e irmãs, aqui estamos a elevar nossas vozes como participantes da claridade e da clarividência de Cristo que ressuscitou”. Se referindo à noite da Páscoa, o cardeal a definiu como “a noite da comunhão e da liberdade. Noite da esperança!”, continuando com as palavras do Exultet. Segundo o Dom Leonardo, “na comunhão com todo o universo, na liberdade de verdadeiros filhos e filhas de Deus, nos deixamos tomar pelo fogo novo, pela nova luz: Cristo Senhor! Se vida nova, se novo horizonte a nos guiar nesta noite, esperança a guiar nossos dias e noites”. O Arcebispo fez ver que “as mulheres antes que se fizesse dia, foram em busca de Jesus”, lembrando as palavras do Papa Francisco na Vigília Pascal de 2022. Ele definiu Cristo como “nossa luz!”, destacando que “com ele devagar tudo se ilumina. Ele a alumiar os vazios, as dores, as mortes, os sepulcros vazios. Ele deixa ver no vazio do túmulo, na ‘removida a pedra da porta do sepulcro e, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus’. Agora somos capazes de contemplar a vida com os olhos abertos, com o olhar de futuro. Já não mais desiludidos, acomodados, apáticos, lamentosos, imóveis diante da nossa finitude e dor”. Fazendo uma leitura da realidade atual, o Arcebispo de Manaus disse que “diante das guerras, das violências, das desesperanças, do pôr-se o a luz dos dias, da convivência: a luz de Cristo. O Círio aceso que introduzimos em nossa catedral desiluminada, foi difundindo luz, espargindo luz. Iluminados, tudo iluminado no resplandecer do Ressuscitado. Iluminados pela esperança. Graças à Páscoa de Jesus, podemos dar o salto do nada para a vida”, citando a Karl Rahner, quando diz que “a morte não poderá mais roubar-nos da nossa existência”. Por isso, o Cardeal Steiner, insistiu em que “O Senhor ressuscitou!: ‘Não tenhais medo!’ Levantemos o olhar, retiremos dos nossos olhos o véu da amargura e da tristeza, abramo-nos à esperança de Deus!”. Jesus “ressuscitou e fez-se o Vivente, a razão da vida e da morte. Tudo nele vive, tudo nele revive, tudo nele, se renova”, afirmou, citando as palavras da Carta aos Romanos, e novamente o Papa Francisco na Vigília de 2022, quando disse que “Não podemos fazer Páscoa, se continuamos a morar na morte; se permanecemos prisioneiros do passado; se na vida não temos a coragem de nos deixar perdoar por Deus – que perdoa tudo -, a coragem de mudar, de romper com as obras do mal, a coragem de nos decidirmos por Jesus e pelo seu amor; se continuamos a reduzir a fé a um amuleto, fazendo de Deus uma bela recordação de tempos passados, em vez de ir hoje ao seu encontro como o Deus vivo que deseja transformar-nos a nós e ao mundo”. Continuando com as palavras do Santo Padre, afirmou que “um cristianismo que busca o Senhor entre as ruínas do passado e O encerra no túmulo da rotina é um cristianismo sem Páscoa. Mas o Senhor ressuscitou! Não nos demoremos ao redor dos túmulos, mas vamos redescobri-lo, a Ele, o Vivente! E não tenhamos medo de O procurar também no rosto dos irmãos, na história de quem espera e de quem sonha, na dor de quem chora e sofre: Deus está lá!”. Uma reflexão que também foi iluminada com as palavras de Santo Agostinho na homilia aos recém batizados na Vigília da Páscoa, afirmando o Santo de Hipona que “Não é grande coisa crer que Jesus morreu; também os pagãos o creem, também os judeus e os condenados; todos o creem. Mas a coisa realmente grande é crer que ressuscitou. A fé dos cristãos é a ressurreição de Cristo”. Finalmente, o Cardeal Steiner convidou a “ressuscitados em Cristo, a Luz a iluminar os nossos dias, faz nascer o cântico de ação de graças na celebração desta noite”, seguindo as palavras cantadas no Salmo: “Dai graças ao senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia!”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Edson Damian: “Em tempos de sinodalidade, Páscoa é a esperança de nova primavera eclesial”

“Páscoa, passagem, vida nova” são as palavras com as que Dom Edson Damian inicia a Mensagem de Páscoa do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Presidente do Regional fala de “passagem da morte cruel de Jesus na Cruz para a Vida Nova da Ressurreição. Sempre passagem do que produz morte para o que gera vida, para todos e todas”. O Bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira foi explicitando o que isso representa hoje na vida do Brasil: “para 33 milhões de brasileiros atingidos pelo flagelo da fome é acordar sabendo que poderão comer. Para 9 milhões de desempregados, Páscoa é passar de um desespero do desemprego ao trabalho com um salário justo. Para milhares que ainda trabalham em regime semelhante à escravidão, Páscoa é trabalhar com direitos trabalhistas garantidos”. Para os povos indígenas, uma realidade muito presente na Diocese de São Gabriel da Cachoeira e no Regional Norte1, “Páscoa é libertação do genocídio gerado pelo garimpo para viver em terras demarcadas e homologadas, pois a morte da floresta é o fim da nossa vida”. Em relação às mulheres, “as primeiras testemunhas da Ressurreição, Páscoa é a libertação da exploração sexual, o feminicídio e de tantas outras crueldades”. “Em tempos de sinodalidade, Páscoa é a esperança de nova primavera eclesial, com a comunhão, com a participação de todos e todas na vida e missão da Igreja”, insistiu Dom Edson Damian. Junto com isso, “Páscoa é tempo de prosseguir construindo democracia com liberdade, direitos humanos, justiça social, paz para todos e todas”, disse o Presidente do Regional Norte1. Finalmente, mostrando que “Cristo Ressuscitou, ressuscitemos com Ele”, Dom Edson Damian desejou para todos e todas, “uma Feliz e abençoada Páscoa”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Domingo da Páscoa: O Evangelho confirma o protagonismo das mulheres na Ressurreição

Comentando o Evangelho de João 20,1-9, presente na Liturgia da Palavra do Domingo da Páscoa, Conceição Silva destaca que “nessa leitura temos 3 personagens que nos inspiram uma reflexão mais clara da nossa realidade: Maria Madalena, Pedro e João (o discípulo amado)“. A membro das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus, destaca que “é muito importante quando o Evangelho relata que Maria Madalena, uma mulher, foi a primeira a chegar no túmulo vazio. Certamente o evangelista quer ressaltar a importância das mulheres que sempre estiveram com Jesus”. Segundo ela, “com isso essa leitura nos remete a confirmar o protagonismo das mulheres, pois nós somos sinônimo de vida nova em nossas famílias, em nossas comunidades, nas pastorais e movimentos, enfim na sociedade, quando lutamos por justiça social e pela vida”. Falando sobre os dias de hoje, Conceição Silva enfatiza que “nossas mulheres sofrem todos os tipos de abusos, são perseguidas, espancadas e mortas, mais, temos um espírito de guerreiras que lutam. São líderes, fortes, e sempre estão sendo exemplos de sabedoria, resiliência, persistência, fé e amor”. Isso a leva a afirmar que “isso é ressurreição, a persistência em lutar a favor da vida dos mais pobres e necessitados”. Ela destaca a mensagem de Pedro, “que, pelos acontecimentos em torno da morte de Jesus, estava triste, desolado, principalmente pela culpa de o ter negado 3 vezes, preferiu acreditar que tinham roubado o corpo de Jesus, ele não lembrou dos ensinamentos deixados por ele quando falava da ressurreição”. Contemplando a atitude de Pedro, ele afirma que “assim como Pedro, também ficamos desmotivados, tristes, parecendo que acabou nossas esperanças, principalmente depois de muitas lutas contra as situações de morte como: a fome, o feminicídio, a morte dos nossos irmãos indígenas, a destruição da nossa floresta, os diversos tipos de violência contra as mulheres, crianças, os desmontes de nossas políticas públicas”, insistindo em que “isso nos desmotiva, nos faz perder as esperanças, o entusiasmo, e até mesmo a fé”. Segundo Conceição Silva, “mesmo que tenhamos começado cedo a buscá-lo, nós nos perdemos dele e saímos a procurá-lo fora de nós, nos túmulos do mundo. Nas dúvidas sobre acontecimentos facilmente perdemos Jesus de vista”. Finalmente, “na terceira mensagem o discípulo amado humildemente esperou por Pedro para testemunhar junto com ele que Jesus tinha ressuscitado, pois, quando entrou logo lembrou das palavras de Jesus, pois seu coração já sabia que ele tinha ressuscitado”, afirma a membro das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Manaus. Ela insiste em que “assim também somos nós, é a fé e a esperança que nos motivam para agir com amor, seguindo os passos de Jesus”. Isso sem esquecer que “a Páscoa para nós hoje é compartilharmos compaixão, justiça, reconciliação, fé, amor e principalmente nos encorajarmos uns aos outros a sermos pessoas de esperança, de Ressurreição, pois, Jesus ressuscita da morte cada vez que vivemos o seu modo de vida, quando temos o cuidado e  a preocupação com a vida”. Por isso, ela pede que “nessa Páscoa de Jesus, ele nos confirma a sua proteção, seu amparo, seu conforto e seu amor, por isso, nunca podemos nos sentir sozinhas ou sozinhos, porque Jesus vive no meio de nós e a Ressurreição é a vida que vence a morte”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Paixão e morte da Amazónia e dos seus cuidadores ancestrais, os povos indígenas

A morte dos povos indígenas é a morte da floresta. Numa Amazônia que caminha na sua Via Sacra no caminho da morte, podemos descobrir os sinais da Paixão, e estes sinais aumentaram nos últimos anos, colocando em perigo um dos pulmões do Planeta, e quando falta ar a um corpo, as hipóteses de sobrevivência estão a desaparecer. No Brasil, o extermínio dos povos indígenas tornou-se política de Estado durante vários anos, com um governo que lhes negou todos os seus direitos, e que incentivou aqueles que se tornaram os executores de uma política de morte: garimpeiros, madeireiros, agronegócio… e tantos outros atores que se constituíram como usurpadores de territórios ancestrais e das vidas dos seus milenares cuidadores. Expulsar os povos indígenas dos seus territórios, ou simplesmente matá-los a míngua, negando-lhes os seus direitos fundamentais, tem sido o caminho escolhido para tomar conta da Amazónia e das suas riquezas. Uma invasão milimetricamente preparada e orquestrada, que tem sido levada a cabo sem demora, causando muito sofrimento. O que aconteceu com o povo Yanomami, um verdadeiro genocídio que levou à morte de centenas de indígenas, incluindo muitas crianças, é um exemplo de uma realidade que em maior ou menor grau se repete em muitos cantos da região amazónica, não só no Brasil, mas em todos os países que dela fazem parte. A corrida pelo ouro tem vindo a matar aqueles que se tornaram o seu principal obstáculo: os povos amazónicos, especialmente os povos indígenas. Defender a Mãe Terra é uma obrigação para esses povos, que se sentem profundamente ligados a ela como resultado das suas cosmovisões. É algo muito mais profundo do que o fato de poder encontrar nela sustento ou benefício, é um sentimento espiritual que brota do mais profundo do seu ser e que os leva a defender aquilo que é a fonte da vida e da harmonia. Os corpos emaciados, não só fisicamente, mas também espiritualmente, dos Yanomami são um exemplo do que está a acontecer na Amazónia, onde as feridas humanas são uma expressão de feridas ambientais. Feridas que corroem corpos, mas que também deixam cicatrizes internas num planeta e em povos que estão a render o Espírito, tal como o Crucificado, curvando a sua cabeça, rendeu o Espírito. Isto sob o olhar de uma sociedade que não é diferente daquela que há quase dois mil anos atrás se encontravam aos pés da Cruz. Muitos impassível, desinteressados diante do sofrimento dos outros, muitos satisfeitos com a morte de alguém que dificultava a sua ânsia de poder e ganho inescrupuloso. No final das contas, os rostos dos crucificados são sempre semelhantes, perpassando a história, marcada pela morte, mas com a esperança de vida em plenitude, da Ressurreição em que muitos ainda acreditam, também da Amazónia, que, não esqueçamos, tem nos povos indígenas os seus grandes cuidadores. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Leonardo na Missa dos Santos Óleos: “Somos o hoje da missão de Jesus”

A Arquidiocese de Manaus reuniu-se na Catedral da Imaculada Conceição na manhã da Quinta-feira Santa para celebrar a Missa dos Santos Óleos, momento em que o clero renova as promessas sacerdotais e os óleos que serão usados ao longo do ano nas paróquias, áreas missionárias e comunidades são consagrados. Uma celebração em que a Igreja nos oferece “o encontro de Jesus com a Palavra e a Palavra a revelar-lhe a missão”, segundo o cardeal Leonardo Steiner. O Arcebispo de Manaus afirmou que “a Palavra do Pai que se escuta na palavra do Povo de Deus”, lembrando que “as leituras nos convidam a renovar nesta celebração as nossas promessas presbítero-sacerdotais”. Seguindo a passagem do Evangelho, Dom Leonardo fez um chamado a “escutar o hoje, o hoje do envio, o hoje da unção, o hoje da missão, o hoje do Espírito. O passado que se faz um hoje. O futuro no acontecer do hoje. O que dá sentido é o hoje. É no hoje que a vida e a missão de Jesus, se faz Reino de Deus. E Jesus lê e se lê na Escritura, por isso assume no hoje a sua missão. Descobre-se missão no hoje da leitura. O hoje que passa a ser o anúncio do Reino de Deus”. Em palavras do cardeal, “a razão de ter-se feito humanidade, fraqueza, presença, proximidade é o hoje do Reino que é Ele mesmo”. Ele destacou “o hoje do Espírito! Ungidos pelo Espírito, no Espírito. E continua a ungir, pois Ele está ‘sobre mim’”, lembrando a primeira leitura. Um Espírito que “está, pois veio, tocou, penetrou com sua força e suavidade e agora permanece sobre, como a nuvem a guiar o Povo de Deus, o povo eleito no deserto”. Isso levou Dom Leonardo a questionar: “nos damos conta de que o Espírito está sobre nós, nos deixarmos tocar, guiar, iluminar pelo Espírito que foi invocado sobre nós?”, afirmando que “sim, o hoje do Espírito Santo! Ele não é passado, futuro: Ele está, permanece sobre, pronto a guiar e a fecundar a missão recebida. A missão no hoje do Espírito”. Ainda sobre a primeira leitura, ele destacou a afirmação que faz: “ungidos pelo Espírito”. É “o hoje da unção. Ungidos com o óleo do Crisma, sobre o qual foi invocado o Espírito Santo e que hoje invocaremos sobre o óleo que nos ungiu. O Espírito que unge, está ungindo sempre. Uma unção do hoje. Sempre ungidos no hoje de nossa vida e missão.  A unção recebida para ungir. A unção de um hoje que é para ungir, untar”.  Uma unção que, lembrando palavras do Papa Francisco, “consagra para o anúncio. Uma unção que proclama uma pertença, uma benevolência”, e junto com isso, “a unção convida-nos a acolher e cuidar deste grande dom: a alegria, o júbilo sacerdotal. A alegria do sacerdote é um bem precioso tanto para si mesmo como para todo o povo fiel de Deus”, uma alegria sacerdotal que “tem a sua fonte no Amor do Pai”. “Uma missão que recebemos que sempre se faz hoje. O nosso hoje é a missão. Missão nos faz ser hoje: renova, matura, eterniza, faz Reino de Deus. Somos o hoje da missão de Jesus. Aquela completude e realização em Jesus que continua na missão recebida. O hoje da missão que devolve a liberdade e a esperança aos amarados, amordaçados, desesperançados; o hoje que desperta o abrir olhos, horizontes, o ver a obra da salvação. O hoje, sempre hoje da proclamação da graça, da beleza, da liberdade que Deus oferece a toda a humanidade”, refletiu o Arcebispo de Manaus. O hoje do Reino que transforma tantas realidades, que é “o hoje extraordinário da vida do irmão, da irmã que recebe no hoje a vida do Reino. É que em cada gesto, em cada olhar, em cada presença, em cada silêncio, em cada palavra há salvação, sanação, redenção. Um hoje transformativo”, segundo o cardeal. Um hoje que também vê como envio, “enviados, caminhantes, procuradores, estradeiros, remadores, navegadores, homens das águas. Como aos apóstolos, o Espírito envia. O hoje sem retorno, sem retrocessos, sem volta, sem olhar para atrás. O hoje do envio que nos encanta, concede bom ânimo, disposição e disponibilidade. Na graça de proclamar que somos amados por Jesus, que por seu sangue nos libertou dos pecados e que fez de nós todos um reino, sacerdotes para o Pai. Um envio que glorifica, bendiz”, lembrando as palavras do Apocalipse na segunda leitura. Se dirigindo ao clero, Dom Leonardo lembrou que “hoje renovamos a alegria do dia da nossa ordenação presbiteral. A alegria que nos ungiu para estar a serviço do Povo de Deus; a alegria incorruptível que integra e torna íntegros, verdadeiros, transparentes, e a alegria missionária que irradia para todos e a todos atrai, nos ensina Papa Francisco”. Lembrando os sinais da liturgia da ordenação, Dom Leonardo lembrou que “nos falam do desejo materno que a Igreja tem de transmitir e comunicar tudo aquilo que o Senhor nos deu”, recordando os diferentes símbolos e afirmando que “fomos ungidos até aos ossos… e hoje da unção desperta a alegria, que brota de dentro, é o eco a unção recebida. A alegria que unge como um hoje, não como um passado longínquo, distante, de sonhos passados, mas como presença alentadora, transformadora de vida e do ministério”. “A Unção do Espírito que se manifesta por sinais”, segundo o cardeal. Ele lembrou que “os óleos serão introduzidos na comunidade e pela comunidade celebrante. A palpabilidade do Espírito que unge nos óleos que a Igreja nos oferece e que hoje são benzidos e o óleo que será consagrado”, explicitando o sentido de cada um dos óleos: enfermos, que é “a inovação do consolo, do alívio das dores na nossa finitude humana; dos catecúmenos, “para ser fortaleza e proteção aos renascidos em Cristo, aos revestidos de Cristo”; do Crisma, “para consagrar, santificar o Povo de Deus”. Dom Leonardo agradeceu “aos irmãos presbíteros que ungem o Povo de Deus nas nossas periferias, junto às pequenas comunidades distantes da cidade”, também “aos presbíteros que servem as nossas…
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Doar a vida vale a pena, porque amar sempre nos faz melhores

Doar a vida é um indicativo de amor, uma atitude cada dia mais necessária numa sociedade, inclusive numa Igreja, onde parece que o ódio pelos outros está cada dia mais presente no coração das pessoas. Não podemos duvidar disso, doar a vida vale a pena, porque amar sempre nos faz melhores. Diante disso, cada um, cada uma de nós tem que se questionar sobre a influência de Jesus em nossa vida, como aquele que serve, aquele que lava os pés, aquele entrega sua vida na Cruz determina nosso jeito de nos relacionarmos com os outros. Só é cristão aquele que ama, e amar significa dar a vida. Para quem se diz cristão esse amor o leva a dar a vida por todos, também por aqueles a quem desde um sentimento humano não daria sua vida. Esse é o diferencial de Jesus, que se entrega até por aqueles que o crucificam, e esse deveria ser o diferencial de quem quer caminhar com o crucificado-ressuscitado. Mas a gente faz parte daqueles que não entendem e não aceitam esse dar a vida por amor. Nós somos aquele que não aceita que o Mestre lave seus pés, pois isso lhe compromete diante dos outros a fazer a mesma coisa. Nós somos aquele que nega, que se desentende de quem tem fundamentado sua vida e diz não conhecer quem era sua referência de vida. Nós somos aqueles que ocultos na multidão, hoje poderíamos dizer ocultos nas redes sociais, riem e fazem chacota dos crucificados. Os crucificados de hoje deveriam nos levar a ter sentimentos de compaixão, sem condenar a quem muitas vezes foi condenado injustamente. Nossa sociedade, nosso entorno está cheio de cruzes e de crucificados, que infelizmente se tornaram invisíveis para a maioria, que os ignora, que faz de conta que não tem nada a ver com eles, que se lava as mãos de novo. Como fazer memória hoje do Mistério que dá sentido à vida de Cristo e que deveria dar sentido a quem se diz discípulo e discípula dele? Como entender que aquilo que aconteceu quase dois mil atrás continua a acontecer hoje em tantos lugares, inclusive perto de nós? Como assumir que Jesus é mais do que um personagem histórico e que ele é uma figura que perpassa a história e a ilumina desde uma proposta diferente de entender a vida? Deus sempre nos dá oportunidades de parar e pensar, pensar na nossa vida, mas também refletir sobre aquilo que a gente tem em volta, sobre essas situações, sobre essas pessoas que tantas vezes passam despercebidas para a sociedade que ignora aqueles que estão jogados na beira do caminho. Mas também nos dá a oportunidade de nos questionarmos onde está o sentido de nossa vida, o que é que nos faz continuar caminhando e tendo esperança. Abre os olhos, enxerga os sinais de vida que estão ao seu lado, seja testemunha da vida, mas também lute pela vida em plenitude para todos e todas, também para aqueles e aquelas que hoje continuam sendo crucificados. É tempo de lutar pela vida e isso também depende da gente. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Mauricio López: Etapa Continental, “uma semente que marca estas formas de ser Igreja, agora e no futuro”

A Etapa Continental do Sínodo 2021-2024, uma experiência sem precedentes na história da Igreja, chegou ao fim a 31 de Março. O coordenador desta etapa foi Mauricio López, que agradece ao Cardeal Grech a confiança para realizar este serviço, algo que assumiu há um ano, pouco depois de estar com o Cardeal Hummes, que considera um professor, um irmão, um pai espiritual, com quem se encontraram em Oxford precisamente num evento do Sínodo, quando o secretário do Sínodo esboçou este convite para poder realizar este serviço associado à etapa continental do Sínodo. Tecer juntos, numa experiência sem precedentes Mauricio recorda que o convite era “para acompanhar e apoiar a preparação desta fase sem precedentes”. Olhando para trás, diz que “o que mais me tocou foi que foi um convite para tecer juntos, para partir para uma experiência sem precedentes, em que o próprio Secretariado e ele próprio estavam a começar uma experiência sem precedentes”. O coordenador da Etapa Continental diz ter a impressão de que “houve uma avaliação muito positiva da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, com uma escuta extensa e também muito poderosa, e que por outro lado teve alguns sinais de começar com um discernimento comunitário com todo o povo de Deus”. Sublinha também que “foi impossível não se ligar à experiência do Sínodo Amazónico, que abriu um modelo de escuta tão amplo quanto possível, com a participação diversificada do povo de Deus nos processos sinodais”. Mauricio recorda o seu pedido muito explícito de ser um compromisso não publicado, querendo evitar uma forte distração do essencial, e juntamente com isto que o Cardeal Grech faça pessoalmente parte do processo, dada a complexidade das realidades das 7 regiões ou continentes, que ele considerava para além das suas capacidades ou experiência, apesar da sua experiência internacional na CVX. Em terceiro lugar, poder fazer este serviço a partir do Equador, o que significou reuniões frequentes de manhã cedo. Mauricio López recorda que comunicou com o Cardeal Hollerich, “com quem cresceu a proximidade e a amizade, dizendo-lhe que esta iniciativa não poderia ser com um modelo normalizado, com um modelo imposto de cima”, afirmando que o Cardeal Grech também teve esta visão. A partir da espiritualidade dos Exercícios de Santo Inácio, ele aponta a existência das anotações, “que são como um preâmbulo para aqueles que vivem os Exercícios e para aqueles que os acompanham, e há uma série de diretrizes para cuidar do processo espiritual. Não nos anteciparmos, não impormos demasiado quando acompanhamos, esperar quando a pessoa precisa de mais tempo, empurrar um pouco e encorajar quando é necessário fazê-lo”. Uma experiência de acompanhamento espiritual A partir daí, ele insiste que “toda a abordagem da Etapa Continental para mim, como coordenador do grupo de trabalho da Etapa Continental, tem sido uma experiência de acompanhamento espiritual“. Nas palavras de Mauricio López, “isto envolveu muitos desafios”, sublinhando que “no início, talvez devido à minha ingenuidade, presumi que talvez com as convocações do Sínodo, do Cardeal Grech, para cada um destes continentes e regiões, haveria uma resposta imediata e maciça, de todos os corpos que animam estas estruturas. A surpresa é que este não foi o caso”. De fato, ele não hesita em afirmar que “não só havia uma certa distância do processo, em alguns lugares devo dizer que havia uma certa objeção e noutros um receio do que poderia implicar, uma sobreposição com as tarefas essenciais destes continentes ou regiões”, algo que ele vê como “um apelo muito forte para colocar os pés no chão”, agradecendo àqueles que fizeram parte desta comissão pelo seu apoio: Susan Pascoe, da Austrália, que também teve uma grande experiência neste processo sinodal; Padre Giacomo Costa, que tem um papel fundamental no acompanhamento de todo o processo; Cardeal Grech e o apoio de dois jovens colaboradores, Maike Sieben, da Alemanha, e Pedro Paulo Weizenmann, do Brasil. Ele define a sua experiência como “uma experiência de confiança, de confiança no Espírito, de escuta, de escuta profunda das necessidades de cada uma destas regiões, continentes, de nos deixarmos desafiar pelas suas próprias necessidades, ritmos, possibilidades e de tecer processos sem precedentes”. Mauricio vê a experiência desta etapa como “um fato à medida, cada caso diferente, com dois elementos essenciais e indispensáveis que estavam presentes em todos os casos, em primeiro lugar o documento para a etapa continental como material de discernimento, o material essencial; em segundo lugar, o método de conversa espiritual porque era uma etapa de aprofundamento da escuta, uma escuta discernida do que o povo de Deus a nível universal já nos tinha expressado”. Uma experiência de interculturalidade Face à diversidade de culturas e realidades, tendo em conta a interculturalidade defendida pelo Sínodo da Amazónia, Mauricio López fala de “uma espiritualidade situada no quadro e no coração do povo de Deus em cada uma das regiões ou continentes“. Neste sentido, recorda que “ao colocar no mesmo lugar, com uma perspectiva de discernimento comum, aquela porção do povo de Deus em cada região ou continente, já existia uma experiência de interculturalidade”. Isto porque “não era comum em alguns casos que este tipo de encontro improvável tivesse lugar entre bispos e cardeais com o resto do povo de Deus, os leigos, mulheres, homens, religiosas, sacerdotes e diáconos, num diálogo em condições de igualdade, como irmãos e irmãs”. “A natureza da interculturalidade tem a ver com essa diversidade que estava presente, mesmo em alguns lugares com os diferentes ritos da Igreja Católica entrando em diálogo“, diz o coordenador da Etapa Continental. A isto se acrescenta “a interculturalidade que implica as vozes das periferias, a expressão também de toda esta diversidade de ministérios, com dinâmicas e realidades muito particulares, mesmo em continentes bastante pequenos em dimensão como a Europa, estamos a falar de 39 conferências episcopais, 45 países, onde era evidente que as realidades culturais do Oriente, às realidades culturais da Europa Ocidental eram muito marcadas, e este método, de certa forma, encurtou distâncias e, de alguma forma, facilitou um diálogo que de outra forma não teria acontecido”. A…
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Dom Leonardo: “O caminho na Semana Santa: nos deixarmos tomar pelo mistério da morte como plenitude da vida”

Com a celebração dos Ramos iniciamos com a Semana Santa, disse Dom Leonardo Steiner no início da homilia deste domingo. Segundo o Arcebispo de Manaus, “com o Domingo dos Ramos meditamos, contemplamos, nos confrontamos com a verdade maior de nossa fé: Deus feito igual a nós, Deus morrente, na morte, amante! Em Jesus de Nazaré que hoje entra solenemente na cidade de Jerusalém, celebramos Deus da nossa humanidade e fragilidade. Na nossa fragilidade e pecado, abre-se o horizonte de sermos amados até o fim”. No relato da paixão segundo Mateus, a humanidade é tal que “sofre a condenação e a morte”, afirmou o Cardeal Steiner. Lá aparece “Deus sofredor, Deus dor, Deus que morre; Deus humildade, Deus humanidade, Deus que morre; Deus paixão, Deus sem razão, Deus que morre; Deus solidão, Deus sem ação, Deus que morre”. Ele lembrou do grito desesperado e desesperador de Jesus que ainda ecoa nos nossos ouvidos: “Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste”.  O Arcebispo denunciou que “ecoa ainda na voz de Jesus o grito da humanidade abandonada em não compreender o abandono do Pai em tantas situações desesperadoras. Grito e gemido de não compreender, de querer entender o porquê do abandono no sofrer. E, no entanto, como Jesus, no abandono, nos abandonamos em suas mãos. No não mais compreender, no não mais saber, também nós nos abandonamos e entregamos a Ele o nosso espírito”.  Citando o Comentário aos Salmos de Santo Agostinho, Dom Leonardo lembrou: “Despertemos, pois, e estejamos vigilantes na fé. Consideremos aquele que assumiu a condição de servo, a quem há pouco contemplávamos na condição de Deus; tornando-se semelhante aos homens e sendo visto como homem, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte (cf. Fl 2,7-8). E quis tornar suas as palavras do salmo, ao dizer, pregado na cruz: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Sl 21,1). Ele ora na sua condição de servo, e recebe a nossa oração na sua condição de Deus; ali é criatura, aqui o Criador; sem sofrer mudança, assumiu a condição mutável da criatura, fazendo de nós, juntamente com ele, um só homem, cabeça e corpo. Nossa oração, pois, se dirige a ele, por ele e nele; oramos juntamente com ele e ele ora juntamente conosco”. Sobre a pergunta de Jesus: “Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?”, o Arcebispo de Manaus citou as palavras do Papa Francisco na Homilia do Domingo de Ramos de 2020: “É uma frase impressionante. Jesus sofrera o abandono dos seus, que fugiram. Restava-lhe, porém, o Pai. Agora, no abismo da solidão, pela primeira vez designa-o pelo nome genérico de «Deus». E clama, «com voz forte», «porquê», o «porquê» mais dilacerante: «Porque me abandonaste também Tu?» Na realidade, trata-se das palavras de um Salmo (cf. 22,2), que nos dizem como Jesus levou à oração inclusive a extrema desolação. Mas, a verdade é que Ele a experimentou: experimentou o maior abandono, que os Evangelhos atestam reproduzindo as suas palavras originais. Por que tudo isto? Uma vez mais… por nós, para servir-nos. Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que nem Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total, a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário conosco. Fê-lo por mim, por ti, por todos nós; fê-lo para nos dizer: «Não temas! Não estás sozinho. Experimentei toda a tua desolação para estar sempre ao teu lado». Eis o ponto até onde nos serviu Jesus, descendo ao abismo dos nossos sofrimentos mais atrozes, até à traição e ao abandono”. Ao elo da primeira leitura, Dom Leonardo Steiner destacou que “no auge da dor e da destruição da humanidade Jesus entra na intimidade do Pai, exclama, grita não me abandones, de ti vim, para ti desejo voltar, não me abandones. E não o abandonou. Mais humano Deus não poderia ser. No grito de Jesus ouvimos nossa humanidade desesperada, na dor, na fome, na guerra, na morte, em fuga”. Já na segunda leitura, o Cardeal nos faz ver que Paulo “nos trazia aos nossos olhos a presença de Deus que se fez um de nós, como nós, o Deus feito homem!” “Assim é Deus-cruz no qual reluz a nossa humanidade”, afirmou seguindo as palavras de São Paulo na carta aos filipenses, insistindo em que “Deus esvaziou-se, não se assegurou na sua divindade, mas se humilhou, trilhou o caminho da morte, se fez morte. E, assim, Ele se torna para nós o nome mais sublime: Deus-homem, homem-Deus, o homem que veio dar razão à nossa finitude humana, iluminar nossas dores e desilusões”.  É por isso, que o Cardeal insistiu em que “nada de mais nosso, mais próximo de nós, como nós, em nós que o Homem Jesus que hoje entra em Jerusalém para padecer a condenação, sofrer a paixão e morrer na cruz. Ninguém mais humano, mais homem, mais humanidade que o Crucificado”.   “E, n’Ele nos vemos, n’Ele nos lemos, n’Ele nos cremos partícipes da mesma sorte, isto é, da mesma morte. Na mesma morte, na mesma sorte de penetrarmos o mistério da dor e da morte. Mistério da dor e da morte no qual nos movemos todos os dias, ora com mais intensidade, ora com maior suavidade. Mas sempre envoltos por esse mistério incompreensível. E hoje ouvindo as palavras de Paulo e ouvirmos e vermos a dor, o sofrimento, a condenação, a exaustão do Filho do Homem até a morte, nos voltamos para esse mistério com maior reverência. Reverência, isto é, com maior abertura, maior acolhimento, por vermos no Filho do Homem o caminho da completa abertura e reverência em relação com o Pai. Por mais que não percebemos o caminho da liberdade”, destacou o Arcebispo de Manaus. “Esse será nosso caminho na Semana Santa: nos deixarmos tomar pelo mistério da morte como plenitude da vida”, ressaltou Dom Leonardo. Segundo ele, “esse jogo de morte no qual Deus mesmo se inseriu e experimentou como grandeza, porque amor. Grandeza…
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