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Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora: conversão das relações a partir da missão

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora têm acompanhado a vida da Igreja do Brasil nas últimas décadas. Desde 2022 estão sendo elaboradas novas diretrizes, que partiram de um processo de escuta, uma dinâmica que ainda continua, que aportou muitas contribuições segundo o bispo da prelazia de Tefé e membro da equipe responsável das diretrizes, dom José Altevir da Silva. Construção em comum Diversos atores, coordenadores diocesanos de pastoral, assessores das comissões episcopais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, representantes dos Organismos do Povo de Deus, as próprias dioceses a partir de fichas de trabalho, o Documento Final do Sínodo da Sinodalidade, tem ajudado a avançar no caminho de construção das diretrizes, que tem assumido uma metodologia sinodal, sustentada na conversação espiritual. Tudo isso está recolhido no Instrumento de Trabalho, que tem procurado objetividade, claridade e acessibilidade, com uma linguagem simples que tem na missão um elemento que atravessa todo o texto, em vista de um verdadeiro instrumento de comunhão e ação evangelizadora e em continuidade com o Sínodo da Sinodalidade. A assembleia do Regional Norte 1, que está sendo realizada no Centro de Formação da arquidiocese de Manaus, de 15 a 18 de setembro de 2025, quer ser uma oportunidade para aportar elementos que devem estar presentes nas Diretrizes Gerais a partir da realidade das igrejas locais e das três conversões necessárias que propõe o Sínodo: das relações, dos processos e dos vínculos. Igreja peregrina e sinodal As diretrizes têm como objetivo “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja peregrina e sinodal, fundada na Palavra e nos Sacramentos, no testemunho de fé, esperança e caridade; formando comunidades de discípulos missionários, valorizando a piedade popular; fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Criação, a caminho da plenitude do Reino”. A sinodalidade desafia a promover processos e não só eventos, animados pelo Espírito, tendo o Povo de Deus como ponto de partida e retorno, com uma pluralidade de sujeitos, promovendo a espiritualidade sinodal e uma renovação missionárias e sinodal das paróquias. Daí a questão que foi motivo de debate entre os participantes da Assembleia: O que hoje o Espírito diz à Igreja do Regional Norte 1? Conversão das relações Os participantes da assembleia destacam a necessidade de uma evangelização sinodal, que tem como base uma espiritualidade encarnada e a escuta do Espírito Santo e promove uma formação integral, que abrange todas as dimensões, com comunidades que anunciam e defendem a vida. Junto com isso a caridade pastoral, a escuta, diálogo e conversação espiritual. Se faz necessário acolher, uma conversão das relações a partir da missão, que tem como base o batismo, que deve ajudar no protagonismo laical, no incentivo da ministerialidade e na presença de mulheres em espaços de decisão, também em instâncias maiores. Isso porque a missão é de todo o Povo de Deus. O desafio é fazer realidade uma Igreja mais sinodal do que sacramental, que demanda rever os processos de acompanhamento e uma formação sinodal gerando uma pertença eclesial que se concretiza na vida em comunidade. O discernimento em todas as dimensões possibilita avançar no caminho da sinodalidade. A opção por Jesus deve ser entendida como base de todo processo, algo que se faz presente na Iniciação à Vida Cristã e na família, base de toda a realidade. Centralidade da Palavra de Deus Assumir a dinâmica da inculturação e da interculturalidade se torna uma necessidade, assim como o diálogo com as novas expressões juvenis. A Palavra de Deus deve ser colocada no centro, como fundamento da espiritualidade bíblica e de uma Liturgia comprometida com a vida e com a ecologia integral. Tudo isso em comunidade, destacando as comunidades eclesiais de base, criar comunidades onde se realizam círculos bíblicos, a liturgia dominical, onde se faz necessária uma alternância nas lideranças. Nessa perspectiva, as constantes mudanças no clero e na Vida Religiosa é visto como algo que dificulta a missão. Devem se dar passos para fortalecer a comunhão, para entender que a missão tem que levar em consideração a diversidade de cada lugar. Promover um trabalho pastoral inclusivo que acolha todas as novas realidades, com um trabalho pastoral em saída, mas sem esquecer a necessidade de recursos financeiros para garantir a presença em comunidades remotas. Sinodalidade nas pastorais A sinodalidade se faz presente nas pastorais do Regional Norte 1 e leva a descobrir a importância dos processos de escuta, segundo acontece no Laicato, ajuda a avançar na organização da Pastoral da Saúde, a ser testemunhas de humanidade diante de uma realidade social que invisibiliza o idoso, uma dinâmica presente na Pastoral da Pessoa Idosa. As comunidades eclesiais de base se apresentam como uma presença nas pequenas comunidades como espaços de vocações. Do mesmo modo, a Pastoral da Criança, em sua tentativa de buscar vida plena para todas as crianças, mesmo a diversidade de realidades no Regional, que desafia o trabalho cotidiano. Um acompanhamento, neste caso com as pessoas com HIV, assumido pela Pastoral da AIDS. Mas também uma presença nas cadeias, que é assumida pela Pastoral Carcerária.

52° Assembleia do Regional: compreender a atuação das Igrejas Locais

No segundo dia (16) da 52° Assembleia do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), iniciou com a Celebração Eucarística na Capela São José. Em seguida, os participantes foram contemplados com uma Análise Conjuntura do cenário Global e a nível local: correlação de forças políticas, econômicas e religiosas. Um ponto fundamental para compreender atuação das igrejas locais. O discurso e a sociedade do cansaço Marcia Oliveira, professora da Universidade Federal de Roraima (UFRR), apresentou os cenários que movimentam os discursos mundiais e que fomentam diversas problemáticas sociais e pastorais. Destacando que no espaço digital se “reforçam crenças, filtros ou ideias divergentes” gerando que ela chamou um “processo de anestesia mental”. Ou seja, as ideias, o poder e como eles transformam as narrativas. “De comodismo da nossa capacidade crítica, né? De pensar e de mudar, de intervir em uma sociedade de forma mais direta, de forma mais incisiva, a partir da nossa capacidade de transformação”, explicou a professora. Em sua fala, fez memória de um diagnóstico presente em todas as dioceses que foi a questão do cansaço, “estamos cansados”. Este processo é uma expressão que corresponde ao modo de ser da sociedade desenvolvido na modernidade ocidental. Dessa forma, a ascensão da extrema direita no mundo como resultado da sociedade de cansaço que reflete a crise da Democracia. Cotidiano político e Ético Dr. Carlos Santiago, (OAB-AM), destacou a necessidade de construir uma composição política para se contrapor ao avanço do extremismo. Essa ideia, pode ser vista em diversas partes do mundo, mas também no Brasil. Do ponto de vista econômico, buscar acordos para avançar com o multilateralismo. Ele enfatizou que o papel do eleitor é entender que a “política se faz cotidianamente” e deve ser construída nos diversos âmbitos da sociedade. Pe. Geraldo Bendahan, coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Manaus, apresentou uma análise eclesial a partir do último censo. Neles constam uma diminuição do número de católicos. Mesmo com esse dado, a discussão abordou que “é possível trabalhar por uma Nova Evangelização que influencie a sociedade”. Ao comentar a exposição de Pe. Geraldo, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, recordou que no passado o pensamento político e as decisões se baseavam em princípios éticos.  “Ética não é norma, é um horizonte que ajuda a fazer política.” E que ao deixá-la de lado “perdemos o horizonte.” Outro ponto acrescentando pelo arcebispo, foi quanto ao “modo como se usa esses irmãos”, ou seja, a forma como essa política exerce influência sobre a vida e organização da sociedade. Por isso é fundamental um “Evangelização mais sinodal, não tanto sacramental. Que é importante”, mas que precisa considerar a organização das comunidades amazônicas. A Solidariedade de Jesus e a Sinodalidade dos Mártires Durante a Celebração, Dom Tadeu Canavarros, bispo da Prelazia de Itacoatiara, destacou que Evangelho de hoje “nos sinaliza solidariedade. E aí toda a cidade se move em solidariedade a esta viúva. E Jesus não é diferente, se solidariza com ela. Porém, Jesus é movido de uma outra questão mais profunda que a solidariedade, a compaixão. Compaixão é, de fato, algo profundo do coração. Por que não dizer das vísceras? Jesus se aproxima, toca e restitui o Filho a nós”. Ao contextualizar com a Assembleia, destacou que “nós cada vez mais queremos nos aproximar de nossas realidades do regional, das nossas igrejas, tocar, como que nos envolver cada vez mais na realidade que é o nosso regional” e para isso olhar o exemplo dos \mártires que trabalharam de “maneira sinodal, na sinodalidade para enfrentar os desafios da sua época” e no Regional “juntos, não simplesmente olhar a realidade, mas aproximar-se, tocar e restituir, para que a vida realmente seja plena”. Ao final de sua reflexão, fez memória do grave acidente com as Carmelitas de Santa Teresinha, onde perderam a vida a Madre Geral, mais alguns conselheiros, na Tanzânia. E o aniversário natalício de Dom Elói, que foi bispo na diocese de Borba.

52ª Assembleia Regional Norte 1, um claro exemplo de Igreja sinodal

Iniciou nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2025 a 52ª Assembleia Regional Norte 1. Mais de 70 representantes das nove igrejas locais que fazem parte do regional se encontram na Maromba, o Centro de Treinamento de Lideranças da arquidiocese de Manaus, até quinta-feira, 18 de setembro, para refletir sobre a sinodalidade, um modo de ser Igreja que por décadas acompanha a vida da Igreja no regional. Um claro exemplo de Igreja sinodal Pode ser dito que estamos diante de uma assembleia eclesial, um claro exemplo de Igreja sinodal, pois se trata de um espaço onde a voz de todos e todas é escutada e serve como base do discernimento. Bispos, presbíteros, diáconos, representantes da Vida Religiosa e do laicato buscando em comunhão o caminho a seguir como Igreja comprometida no anúncio do Evangelho na Amazônia, no meio à diversidade de povos e realidades presentes nas cidades e nas comunidades espalhadas na floresta. Uma assembleia que iniciou com a celebração eucarística presidida pelo arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Ele refletiu sobre a centralidade da Cruz, onde convergem para um ponto, “todos os sofrimentos, as cruzes, as violências, as alegrias, os amores, os desesperos, os clamores, os gritos, tudo parece convergir para um ponto só.” O arcebispo salientou que “na cruz existe uma centralidade, nessa centralidade está aquele que se diz nossa humanidade, a fragilidade”. As dores do mundo No dia em que a Igreja celebra Nossa Senhora das Dores, o cardeal Steiner disse que “na Mãe das Dores, vemos todas as dores”, recordando as dores do mundo, “das crianças, das mulheres, no mundo da fome, no mundo da guerra, no mundo dos desencontros, das injustiças, dos dominadores e dos destruidores, dos governos, das pátrias, das nações”, destacando que “dentro da finitude humana existe resgate, redenção, salvação”. O cardeal Steiner ainda se referiu às dores da nossa casa comum, “de todos os seres, destruídos, dominados, comercializados, financiados”, sublinhando que “no meio dessas dores estamos nós.” O presidente do Regional Norte 1 disse que “nós desejamos colaborar com as Diretrizes para a Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, desejamos, justamente, que o anúncio da cruz seja um anúncio de esperança, porque salvação. A dor seja anunciada, até denunciada, mas na dor também existe salvação.” Para isso, ele pediu “que essa nossa assembleia nos anime e que essa nossa assembleia sempre nos faça olhar tudo com o olhar da Mãe das Dores”. Empenho na missão A apresentação dos participantes e da pauta, que foi aprovada, deu passo ao relatório das atividades do Regional no período de setembro de 2024 a setembro de 2025, um trabalho guiado pelas Diretrizes da Ação Evangelizadora do Regional Norte 1. Nessa perspectiva foi salientado que “houve grande empenho por parte dos bispos, coordenadores, coordenadoras, agentes de pastoral, lideranças leigas e leigos em colocar em prática o que foi assumido nas diretrizes. Cada igreja local construiu seu plano partir das mesmas, contribuindo para a unidade do Regional nesta dinâmica da sinodalidade”. No relatório foi destacado a nomeação de um novo bispo auxiliar para a arquidiocese de Manaus, dom Samuel Ferreira de Lima. Igualmente, no âmbito do compromisso do cuidado com a vida, em todas as Igrejas do Regional foi dado a conhecer e estudado o “Protocolo e Manual de Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis”, desencadeando um processo de formação em nível regional, capacitando a equipe ampliada com dois representantes de cada Igreja local. No Regional Norte 1, a arquidiocese de Manaus tem mostrado contribuição e proximidade com as outras igrejas locais na elaboração dos projetos, assessorias na linha jurídica e outros, uma expressão da colegialidade e compromisso entre as Igrejas, marcas de comunhão numa Igreja que caminha junto. Memória da caminhada-comunhão Ao longo do último ano cabe destacar a participação do presidente do Regional na Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade e no Conclave em que foi eleito o Papa Leão XIV. Igualmente, a vivência com intensidade da Campanha da Fraternidade, atingindo um número bem maior de lideranças que foram capacitadas e trabalharam o tema nas mais diversas comunidades. Nessa perspectiva, cabe destacar a produção dos materiais no Regional para essas campanhas. Um relatório que é uma breve memória da caminhada-comunhão no Regional Norte 1, onde se percebe as inúmeras atividades ao longo do ano e as forças vivas que existem e assumem um caminho expressão de sinodalidade, que escuta e respeita às diversidades e vivencia a dinâmica da interculturalidade. “Um relatório que mostra o muito trabalho realizado e a dinamicidade do nosso Regional”, finalizou o cardeal Steiner.

Dom Altevir para 52° Assembleia do Regional: “Grande momento de participar”

O Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB NORTE 1) inicia nesta tarde (15), sua 52° Assembleia. Dom José Altevir da Silva, Secretário do Regional, comentou as expectativas para o encontro que visto é como um “grande momento, porque a Assembleia do Regional é a única regional que não é a Assembleia, realmente, dos bispos, mas com a participação de todas as lideranças que são enviadas de Dioceses e Prelazias”. Nessa perspectiva, destaca a importância do Sínodo da Sinodalidade. Tendo em vista que ele “possa contribuir conosco, assim como também as próprias diretrizes que estão realmente a caminho, contribuir para que nós possamos formar também, ir construindo a nossa diretriz do próprio regional”. “Essa é uma grande expectativa que nós temos. E ajuda a participação de todos, a comunhão, a participação, a missão brotada em nossas igrejas locais, é a grande ferramenta para que essa Assembleia, como as demais, traga realmente seus frutos de uma verdadeira sinodalidade”, afirmou. A Igreja na Amazônia é Sinodal O Bispo de Tefé também enfatizou que “A igreja na Amazônia é uma igreja totalmente sinodal, porque ela vive do caminhar juntos.” Isto porque “Ninguém na Amazônia pode sobreviver sozinho. Por isso, nós vivemos da sinodalidade.” A sinodalidade presente nas dioceses e prelazias do Regional “E agora, especialmente com essa reflexão do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está, de fato, diretamente presente nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, que está já na sua fase final para aprovação. Então, a gente percebe que a Igreja na Amazônia confirma cada vez mais a vivência sinodal dentro do seu trabalho, dentro da evangelização, desde os tempos primórdios”, explicou.

Encontro da Pastoral Carcerária da Prelazia de Tefé: um sinal de esperança e misericórdia

Nos dias 12 e 13 de setembro de 2025 aconteceu o Retiro da Pastoral Carcerária da Prelazia de Tefé. O objetivo do encontro, que contou com a presença de 20 participantes das paróquias de Tefé, Japurá, Fonte Boa e Maraã, foi organizar e fortalecer esta Pastoral na prelazia. Dias de convívio e aprendizado No encontro se fizeram presentes o bispo local, dom José Altevir da Silva, a coordenadora assessora da justiça restaurativa da Pastoral Carcerária Nacional, irmã Petra Silvia Pfaller, e o coordenador da Pastoral Carcerária do Regional Norte 1, diácono Leonardo Lucas. Segundo os organizadores “foram dois dias de convívio e aprendizado e com certeza muito fecundos que animou os participantes.” No encontro foram escolhidos membros de referência para formarem uma equipe a nível de prelazia. Pastoral estruturada e organizada Dom José Altevir destaca a importância desse primeiro encontro para reorganizar a Pastoral Carcerária, dado que “até hoje não tinha uma pastoral organizada e não tinha representante da prelazia em outras instâncias”. O bispo destaca a presença da coordenação nacional e regional e da assessoria nacional, assim como o fato de ter sido criada uma equipe grande, bastante diversificada, com a presença de diversas paróquias, “com o intuito de organizar a Pastoral Carcerária, de modo que ela possa trabalhar como Pastoral Carcerária com toda sua estrutura, com toda sua organização”. Dom José Altevir salientou que “para nós é um sinal de esperança muito grande essa formação que houve neste final de semana.” Mais uma mostra de compromisso na prelazia de Tefé em vista de ser chama viva de esperança e da Misericórdia de Deus com todos os irmãos e irmãs encarcerados.

Nota de Pesar da diocese de Parintins pela Páscoa de Pe. Benito di Pietro

A diocese de Parintins emitiu uma Nota de Pesar pelo falecimento do Pe. Benito di Pietro, que fez sua Páscoa nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2025, em Rancio di Lecco (Itália). Missionário do PIME, o padre falecido doou sua vida na missão ad gentes, particularmente na diocese de Parintins, de 1968 a 2018. Segundo a nota, assinada pelo bispo diocesano, dom José Albuquerque de Araújo, o bispo emérito, dom Giuliano Frigeni, e o chanceler, Pe. Marcos Aurélio, “Pe. Benito deixa como legado o seu testemunho de fé e de obediência à vocação e missão que Deus lhe confiou, mas, também, às obras sociais que foram organizadas por ele”.

“Semeaduras”: a Arquidiocese de Manaus divulga suas Práticas de Ecologia Integral

A ecologia integral e o chamado ao cuidado da Casa Comum pode ser considerado um dos grandes legados de Papa Francisco, um caminho que continua sendo trilhado pelo Papa Leão XIV. Na arquidiocese de Manaus, no coração da maior e mais importante floresta do mundo, a Amazônia, a Assembleia Sinodal Arquidiocesana, no ano 2022, assumiu essa missão como um dos grandes desafios, que está se concretizando de modo transversal em todas as dimensões da missão. O cuidado da Criação em todos os espaços Na frente desse trabalho está a Comissão para a Ecologia Integral, que quer levar esse cuidado com a criação a todos os espaços: doméstico, laboral, comunitário e eclesial. As diversas práticas de ecologia integral na arquidiocese de Manaus estão sendo divulgadas a través de uma publicação, que tem como nome “Semeaduras”. Um pequeno texto que ajuda a conhecer e espalhar práticas que deveriam ser assumidas por todos aqueles que acreditam no Deus Criador, mas também por aqueles que se preocupam com o futuro do Planeta e da humanidade. Na arquidiocese de Manaus, segundo recolhe o texto, diversas paróquias e áreas missionárias realizam gestão de resíduos, um exemplo que leva à Comissão para a Ecologia Integral a lançar o desafio de assumir essa prática por parte daqueles que ainda não a iniciaram. Nesse caminho da ecologia integral se faz necessário impulsionar parcerias institucionais e comunitárias com outras religiões, associações de moradores, universidades, escolas, cooperativas e grupos de diferentes segmentos. Práticas presentes Dentre as práticas cada vez mais presentes, o livreto “Semeaduras” recolhe a coleta de resíduos eletrônicos, de óleo de cozinha para a fabricação de sabão ecológico, de materiais recicláveis, as hortas comunitárias, a coleta de material orgânico para compostagem, ações sociopolíticas em defesa da casa comum, feiras de economia ssolidária, dentre outras práticas. Essas práticas são assumidas a partir de campanhas educativas com foco no cuidado da Casa Comum, especialmente na Catequese, tendo como fundamento a encíclica Laudato si´, em vista de um novo estilo de vida. Nos últimos anos, tem surgido na arquidiocese de Manaus os educadores ambientais. Eles iniciaram sua missão na Festa de Pentecostes, o maior evento religioso da Igreja de Manaus, mas aos poucos estão se fazendo presentes em outros momentos e espaços. Sua missão é orientar com relação à redução dos resíduos e a conservação do ambiente. Junto com isso a formação para as causas indígenas, os projetos de transição energética, com fontes de energia eólica e solar. Iniciativas que são divulgadas no Programa Laudato si´, que toda semana, na Rádio Rio Mar, veículo de comunicação da arquidiocese, aborda temáticas relacionadas à espiritualidade ecológica e questões socioambientais. Projetos arquidiocesanos Em nível arquidiocesano são vários os projetos desenvolvidos: Projeto Educação em Saúde Ambiental, com a participação de crianças e adolescentes; Casa Amazônica de Francisco e Clara, em vista de uma educação e espiritualidade ecológicas a serviço dos povos amazônicos; Associação de Catadores Filhos/as de Guadalupe, que gerencia resíduos sólidos e promove a formação no campo da ecologia integral; Projeto “Papel de cada um na Casa Comum”; Projeto Horta Escola. Dar a conhecer essas práticas é de extrema importância, ainda mais no Tempo de Oração pelo Cuidado da Casa Comum e às portas do 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação, que será realizado em Manaus de 25 a 28 de setembro de 2025, com o tema “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”, que reúne estudantes, profissionais e representantes de pastorais e agentes sociais de todo o Brasil.

Cardeal Steiner: “Reconhecendo nossas murmurações e desacertos somos salvos”

“No Ano santo da redenção o Evangelho nos apresenta na liturgia de hoje a salvação que vem da cruz! A Igreja celebra hoje Exaltação da Santa Cruz”, disse o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), cardeal Leonardo Steiner. Elevado para ter vida eterna Ele mostrou que “Jesus no Evangelho dirige nossos olhos para o Filho do Homem elevado na cruz: ‘Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna’”. Na primeira leitura, destacou o cardeal, “vimos com o povo murmurava contra Deus e contra Moisés. Então ‘O Senhor enviou serpentes ardentes entre o povo. Elas morderam as pessoas e um grande número de israelitas morreu’ (Nm 21, 4-9). As serpentes da murmuração eram muitas e mortais. Foi necessário levantar a serpente da murmuração sobre uma cruz, torná-la visível, para que o povo visse o pecado da murmuração. Ao ver o pecado da murmuração na serpente erguida os Israelitas percebessem o seu pecado e fossem salvos. Por isso, Deus ordenou a Moisés: ‘Faz para ti uma serpente ardente e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido, olhando para ela, será salvo’”. O arcebispo de Manaus disse que “Deus não faz morrer as serpentes, poupa-as. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida. A serpente foi elevada para obter a salvação. Jesus foi elevado na Cruz, para que pudéssemos perceber a nossa fraqueza e pecado em contemplando o amor gratuito que dela pende e sejamos salvas. Nele pendente vemos os pecados da murmuração venosa que pode nos matar. Reconhecendo nossas murmurações e desacertos somos salvos. Como lemos em outro passo do Evangelho: ‘Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou’ (João 8,28). Ele o libertador, o salvador, o que redime!” Jesus tomou a morte e pregou-a na cruz No ensinar de Santo Agostinho, recordou o presidente do Regional Norte 1, “poderíamos dizer que Jesus tomou a morte e pregou-a na cruz. Com a morte levantada e pregada na cruz fomos salvos e libertos; libertos da morte. Jesus no Evangelho recorda o que aconteceu no passado de forma simbólica: “Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto a fim de que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3,14-15). Mistério profundo!, nos diz Santo Agostinho”. Ele perguntava, disse citando Santo Agostinho no Sermão sobre o evangelho de João, 12: “O que representam as serpentes que mordem? Representam os pecados que provêm da mortalidade da carne. E o que é a serpente que foi elevada? É a morte do Senhor na cruz. Com efeito, como a morte veio pela serpente (Gn 3), foi simbolizada pela efígie de uma serpente. A mordedura da serpente produz a morte; a morte do Senhor dá a vida. O que significa isto? Que, para que a morte deixe de ter poder, temos de olhar para a morte. Mas para a morte de quem? Para a morte da Vida – se é que se pode falar da morte da Vida; e, como se pode, a expressão é maravilhosa. Hesitarei em referir o que o Senhor se dignou fazer por mim? Pois Cristo não é a Vida? E, contudo, Cristo foi crucificado. Cristo não é a Vida? E, contudo, Cristo morreu. Na morte de Cristo, a morte encontrou a morte. […] a plenitude da vida engoliu a morte, a morte foi aniquilada no corpo de Cristo. É isto que diremos à ressurreição quando cantarmos triunfantes: ‘Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?’ (1Cor 15,55)”. A morte não tem poder Segundo o arcebispo, “no Ano Santo da Redenção vislumbramos que a morte foi tragada pela vida; que a morte não tem poder, pois na cruz a vida venceu! Somos hoje convidados a olhar para a cruz como salvação, pois nela pende a vida, Cristo Jesus”. Ele enfatizou que “foi na cruz que se manifestou em plenitude o amor, como nos foi proclamado: ‘Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.’” O cardeal questionou: “E como nos salvou?” Ele disse que “São Paulo, nos ensinava na carta aos Filipenses que Jesus se esvaziou a si mesmo, assumindo a condição humana de escravo e tornando-se igual aos homens… humilhou-se a si mesmo, fazendo obediente até a morte, e morte de cruz.  Humilhou-se, aniquilou-se, fez-se morte, quase ousaríamos dizer ‘pecado’, para que fossemos salvos. Sim, irmãos e irmãs, amor maior não poderíamos merecer. Talvez por isso, São Paulo usou uma expressão fortíssima: ‘Fez-se pecado’. Poderíamos usar o símbolo bíblico do Evangelho: ‘Fez-se serpente’. Como afirmava Papa Francisco: O Filho do homem, como uma serpente, ‘que se fez pecado’, foi elevado para nos salvar”. A serpente alerta para a salvação no deserto “A serpente alerta para a salvação no deserto, no desconforto, na precisão, no conflito que gerou a murmuração, o afastamento da aliança, foi elevada e quem a olhava, ficava curada. Curado, pois viu na serpente a miséria da murmuração, do afastamento de Deus. Para nós esta salvação, não foi realizada com a varinha mágica por um deus que faz coisas; mas com o sofrimento do Filho do homem, com o sofrimento de Jesus Cristo. Um sofrimento tão grande que levou Jesus a pedir ao Pai: ‘Pai, se for possível afasta de mim este cálice’. Na angústia acompanhada pela entrega máxima: ‘Nas tuas mãos entrego o meu espírito’”, refletiu o arcebispo de Manaus. Ele recordou as palavras de Papa Francisco comentando esta passagem: “assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim…
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Assembleia Regional da CRB: “presença e esse testemunho do Reino aqui na Amazônia”

A Vida Religiosa do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), está reunida em Assembleia Geral Ordinária Formativa, em Manaus, nos dias 13 e 14 de setembro. Mais de 70 religiosos e religiosas convocados a refletir a partir do tema “Vida Religiosa Consagrada: Sentinela de esperança em tempos de travessia”. Tema Central Segundo a assessora, Ir. Sônia Matos, o tema segue a pauta da Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Religiosos e Religiosas do Brasil, realizada em Brasília no passado mês de julho. Nessa perspectiva, “as prioridades assumidas na Assembleia Geral, no eixo do seguimento de Jesus, na centralidade da Palavra de Deus, a sinodalidade como um estilo de vida, um modo de viver o Evangelho, e a missão comum, nós vamos traçando, escolhendo as remadas para a Vida Religiosa aqui na Amazônia”. Uma Vida Religiosa que, segundo a Ir. Sônia, “quer ser esse sinal do Reino na profecia de estar sendo, através dos vários carismas, uma presença significativa, que viva realmente a partir da sua identidade carismática e da sua vocação à sinodalidade, essa presença e esse testemunho do Reino aqui na Amazônia”. A exposição da assessora motivou a reflexão em grupos sobre os enfoques: Eclesial, Sinodal, Teológico e Bíblico. Momento de encontro e formação Uma assembleia que sempre procurou “fazer com que a Vida Religiosa tenha esses momentos de encontro e de formação”, segundo a coordenadora da CRB Amazonas e Roraima, Ir. Gervis Monteiro. Ele insiste em que “é uma assembleia formativa, onde nós retomamos toda a caminhada do triênio, sempre com o olhar na assembleia eletiva que aconteceu em julho, em Brasília. E tenta, de uma forma ou de outra repassar o que aconteceu, pegando as diretrizes”. O desejo, afirma a religiosa, é que “toda a Vida Religiosa viva esse momento de confraternização, de partilha, novamente buscando esse olhar, o horizonte que sempre nós como Vida Religiosa temos, ajudar com que as comunidades e nós também possamos viver esse Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida, e podermos cada vez mais nos animar como congregações, como Vida Religiosa, como CRB”. Pontos abordados A assembleia tem sido oportunidade para partilhas e informações sobre a CRB Regional e os diversos núcleos e grupos, assim como para refletir sobre a COP 30 e a importância da participação da Vida Religiosa. Os participantes refletem durante a assembleia sobre o Cuidado e Proteção contra abusos de pessoas vulneráveis com enfoque na Vida Religiosa Consagrada. Igualmente serão apresentados os horizontes e prioridades da 27ª Assembleia Geral Eletiva Nacional, sob três eixos: Seguimento de Jesus Cristo, Sinodalidade e Missão comum, assim como os avanços nas remadas (prioridades) da Assembleia Regional de 2024, que devem ser ponto de partida para as prioridades para o novo triênio do Regional (setembro de 2025 a setembro de 2028). Francelina Souza – Coordenação da Pastoral da Comunicação Diocesana de Borba

Jubileu dos Seminaristas do Regional Norte 1: “que todos nós perseveremos no chamado de Deus”

Os Seminaristas do Seminário São José, onde se formam os futuros presbíteros das igrejas locais que fazem parte do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), junto com os seminaristas do Seminário Propedêutico Padre Luiz Gonzaga de Souza, realizaram no dia 13 de setembro de 2025 seu Jubileu da Esperança. Caminhada de oração Os seminaristas percorreram os cinco quilômetros que separam a sede do Seminário São José da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição, junto com o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, e a equipe formativa dos dois seminários. Um percurso de oração e meditação que despertou o interesse das pessoas que estavam nas ruas da capital amazonense. Na catedral, os seminaristas e formadores celebraram a Eucaristia, presidida pelo arcebispo de Manaus. O cardeal Steiner destacou na homilia a necessidade de “nos colocarmos a caminho, porque em cada momento tivemos que viver nossos passos”, refletindo sobre a importância de construir a casa sobre a rocha, segundo as palavras do Evangelho. Ele chamou a refletir sobre o fato de que Deus nos fez e sobre os frutos da redenção e da salvação, dentre eles sermos sinais da misericórdia de Deus. O cardeal Steiner fez um convite “à disponibilidade da nossa parte de nos deixarmos tocar pela redenção, de nos deixarmos tocar pelo mistério da salvação, de nos deixarmos tocar pela vida nova que Jesus com sua morte e ressurreição nos ofereceu.” O arcebispo de Manaus fez um chamado “para que todos nós perseveremos no chamado de Deus”, e que “este pequeno peregrinar nos reforce no caminho da nossa vocação”. Presbíteros para servir, celebrar e alimentar as comunidades Um Jubileu que recolhe a história de uma casa de formação com 177 anos de história, que “vem contribuindo e formando presbíteros para servir, celebrar e alimentar as comunidades eclesiais com a mesa da Palavra e da Eucaristia”, segundo o reitor do Seminário São José, padre Pedro Cavalcante. Ele enfatizou que a esperança “não é uma virtude passiva, que se limita a esperar que as coisas aconteçam”, mas “extremamente ativa, que ajuda a fazer com que elas aconteçam”. O reitor disse querer “firmar compromissos de conversão e santidade”, dentre eles a sinodalidade e a comunhão, o encontro, a acolhida, a escuta, o discernimento, elementos presentes no tríduo em preparação ao Jubileu. Ele insistiu no fato dos seminaristas estar no período formativo, caminho para assumir “uma Igreja encarnada e toda ministerial, sinal do Reino de Deus”, que leve a atualizar no tempo e contexto atual, “tão conflituoso e tóxico, tão indiferente e descartável, tão narcisista e superficial, a viva, forte e transformadora mensagem do Evangelho”. Aos seminaristas, o reitor fez ver a necessidade de se tornar “próximos dos mais pequenos e invisíveis da sociedade, dos desvalidos e doentes, dos sofridos e abandonados, da humanidade sem esperança. E agora mais do que nunca da Casa Comum, tão aviltada e destruída, que merece ser vista e cuidada dentro da perspectiva de uma ecologia integral”, encomendando esse propósito a “Nossa Senhora da Conceição, a Mãe da Esperança”.