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Cardeais brasileiros partilham sua experiência no Conclave e sua visão de Leão XIV

O Colégio Pio Brasileiro, um pedacinho do Brasil em Roma, segundo o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, acolheu o encontro dos cardeais brasileiros com a imprensa. Uma oportunidade para conhecer suas vivências no Conclave e nas congregações gerais prévias. Mais peruano do que norte-americano Uma experiência de diversidade, de partilha das expectativas de cada cardeal, em espírito de fraternidade, de fé, de oração e de diálogo fraterno, segundo o cardeal Spengler. Ele ressaltou a diversidade que faz parte do Papa Leão XIV e sua visão do mundo, difícil de encontrar em muitas pessoas. Dos cardeais eleitores presentes, não estava presente o cardeal João Braz de Aviz, o arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Scherer, foi o único que participou do anterior conclave em 2013. O cardeal Scherer, que vê o novo Papa como alguém mais peruano do que norte-americano, destacou que o conclave é um momento de celebração, precedido de 12 dias de reflexão sobre a vida da Igreja e o perfil do Papa, em vista de se formar uma consciência, dada a responsabilidade enorme eu lhes foi encomendada. Um conclave rápido, enfatizou o arcebispo de Brasília (DF), cardeal Paulo Cesar Costa, que destacou o papel do Papa dentro da Igreja e o papel político, de diálogo com a sociedade, buscando ajudar com que o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja possam iluminar as grandes questões que fazem parte da vida da humanidade. Elementos presentes nas congregações gerais, onde o arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), cardeal Orani Tempesta, destacou a universalidade da Igreja, tendo visto o Conclave como oportunidade para ver como o Espírito Santo vai agindo. O povo de Deus presente O Conclave foi um momento em que os cardeais, que saíram da Capela Paulina invocando aos santos, sentiram a companhia de uma grande multidão, a presença da Igreja, segundo o arcebispo de Manaus (AM), cardeal Leonardo Steiner, que disse que “nós encontramos o Espírito Santo”. Algo que ajudou diante do pouco conhecimento entre os cardeais eleitores e que fez perceber as possibilidades, “pensando a Igreja que está no mundo inteiro, pensando na diversidade de culturas”. O arcebispo de Manaus destacou a importância da oração de tantas pessoas que rezaram pelo Conclave, sentir a companhia do povo de Deus. Ele agradeceu a Deus “pelo Papa que nós temos”, insistindo em que não será a repetição de outro Papa. Nele destacou sua condição de grande missionário, um homem dedicado. O cardeal Steiner destacou a importância da paz para os cristãos, dado que “o cristianismo nasce com um grande anúncio da paz”. O arcebispo de Manaus disse “as questões sociais, elas sempre terão que estar presentes. E o Papa tem uma grande sensibilidade para isso”, lembrando que “a diocese dele (Chiclayo-Peru), era uma diocese bastante pobre e ele se dedicou muito aos pobres”. Um Papa que a exemplo daquele que levou o mesmo nome por última vez, não vai se eximir da importância da Doutrina Social da Igreja, “porque tem a ver com os pobres, com as periferias, com os povos originários, com a questão do meio ambiente, onde a Terra que está sofrendo, onde as pessoas estão sofrendo”. No Papa Leão XIV destacou que “é um homem que tem muita sensibilidade e é claro que devagarinho vai entrando dentro desse mundo todo, como fez Papa Francisco, como fez Papa Bento XVI, dentro da perspectiva de cada um. “Ele vai nos ajudar a entender o caminho, que é o caminho da paz, mas é o caminho também da liberdade e da libertação”, enfatizou o cardeal Steiner. Tempo de comunhão A Igreja inicia após o conclave “um tempo de comunhão na oração e na acolhida do novo Papa, tempo de reforçar nossa comunhão com o apostolo Pedro, Leão XIV, tempo de esperança pela eleição do novo Papa”, segundo o arcebispo de Salvador (BA). Ele destacou que “o novo Papa conhece a realidade da América Latina, foi bispo no Peru, ele traz no coração a América Latina”, lhe definindo como grande missionário. O arcebispo primaz do Brasil, que tem trabalhado com o Papa como membro do Dicastério dos Bispos, destaca seu “jeito simples, fraterno, acolhedor, sempre atento às necessidades de nosso tempo, muito unido ao Papa Francisco”. Igualmente, sublinhou que Leão XIV está muito unido ao Brasil, e que tinha sido convidado para a Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O arcebispo falou sobre a possibilidade, mesmo em tom distendido, de receber o Papa Leão XIV no Brasil. Um Papa que conta com grande experiencia pastoral e que vai fazer muito pela paz, segundo o cardeal Sérgio da Rocha. O Espírito Santo agiu Don cardeais presentes, o arcebispo emérito de Aparecida (SP), dom Raimundo Damasceno, foi o único que não entrou na Capela Sistina para participar do conclave. Ele destacou a oportunidade de participar das congregações gerais, onde tinha a oportunidade de participar todo membro do Colégio Cardinalício. Ele disse que “o Espírito Sato agiu discretamente, mas efetivamente”, ressaltando que “o Papa idôneo para o momento atual, um mundo dividido por tantas guerras”. Um Papado chamado a dar resposta diante de diversas realidades, como é a paz, os migrantes, e tantas outras. Para isso, como tem sido enfatizado ao longo das congregações gerais, o Papa não está só, toda a política do Vaticano é pensada em conjunto, ainda mais com um Papa de muita escuta, como foi ressaltado pelos cardeais presentes.

Papa Leão XIV: Evangelizar um mundo onde “Não é fácil testemunhar nem anunciar o Evangelho”

Menos de 24 horas depois de ser eleito, o Papa Leão XIV presidiu uma missa na Capela Sistina, o mesmo local onde ele foi eleito sucessor de Pedro no quarto escrutínio de um Conclave iniciado na tarde de 7 de maio. Com a participação do Colégio Cardinalício e de mais algumas pessoas, uma mulher leu a primeira leitura, foi um momento de ação de graças, encerrado com aplausos, enquanto o novo pontífice saía da celebração. Tesouro da Igreja Em sua homilia, ele lembrou as palavras de Jesus no Evangelho de Mateus: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Segundo o Papa, “com estas palavras, Pedro, interrogado juntamente com os outros discípulos pelo Mestre, sobre a sua fé n’Ele, expressa em síntese o tesouro que a Igreja, através da sucessão apostólica, guarda, aprofunda e transmite há dois mil anos”. Ele falou sobre a encarnação e ressurreição de Jesus, o Messias, que “mostrou-nos assim um modelo de humanidade santa que todos podemos imitar, juntamente com a promessa de um destino eterno, que ultrapassa todos os nossos limites e capacidades”. Se referindo ao apóstolo Pedro, o Papa Leão XIV disse que “Deus, de modo particular, chamando-me através do vosso voto a suceder ao Primeiro dos Apóstolos, confia-me este tesouro para que, com a sua ajuda, eu seja seu fiel administrador (cf. 1 Cor 4, 2) em benefício de todo o Corpo místico da Igreja; para que ela seja cada vez mais cidade colocada sobre o monte (cf. Ap 21, 10), arca de salvação que navega sobre as ondas da história, farol que ilumina as noites do mundo”. Algo que acontece com a Igreja, “não tanto pela magnificência das suas estruturas ou pela grandiosidade dos seus edifícios – como estes monumentos em que nos encontramos – mas pela santidade dos seus membros, do povo que Deus adquiriu, a fim de proclamar as maravilhas daquele que o chamou das trevas para a sua luz admirável (cf. 1 Pe 2, 9)”. Ele refletiu sobre “um aspecto importante do nosso ministério: a realidade em que vivemos, com os seus limites e potencialidades, as suas interrogações e convicções”. Uma pessoa sem importância Diante da pergunta de Jesus aos discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”, o Papa disse que o mundo, “considera Jesus uma pessoa totalmente desprovida de importância, quando muito uma personagem curiosa, capaz de suscitar admiração com a sua maneira invulgar de falar e agir. Por isso, quando a sua presença se tornará incómoda, devido aos pedidos de honestidade e às exigências morais que invoca, este ‘mundo’ não hesitará em rejeitá-lo e eliminá-lo”. Junto com isso, para as pessoas comuns o Nazareno “é um homem justo, corajoso, que fala bem e que diz coisas certas, como outros grandes profetas da história de Israel. Por isso, seguem-no, pelo menos enquanto podem fazê-lo sem demasiados riscos ou inconvenientes. Porém, porque essas pessoas o consideram apenas um homem, no momento do perigo, durante a Paixão, também elas o abandonam e vão embora, desiludidas”, disse o Papa. Duas atitudes de grande atualidade, dado que “ainda hoje não faltam contextos em que a fé cristã é considerada uma coisa absurda, para pessoas fracas e pouco inteligentes; contextos em que em vez dela se preferem outras seguranças, como a tecnologia, o dinheiro, o sucesso, o poder e o prazer”. Segundo o Papa, “são ambientes onde não é fácil testemunhar nem anunciar o Evangelho, e onde quem acredita se vê ridicularizado, contrastado, desprezado, ou, quando muito, suportado e digno de pena”. Lugares de missão urgente Diante disso, ele insistiu que “são lugares onde a missão se torna urgente, porque a falta de fé, muitas vezes, traz consigo dramas como a perda do sentido da vida, o esquecimento da misericórdia, a violação – sob as mais dramáticas formas – da dignidade da pessoa, a crise da família e tantas outras feridas das quais a nossa sociedade sofre, e não pouco”. O Papa acrescentou que “ainda hoje, não faltam contextos nos quais Jesus, embora apreciado como homem, é simplesmente reduzido a uma espécie de líder carismático ou super-homem, e isto não apenas entre os não crentes, mas também entre muitos batizados, que acabam por viver, a este nível, num ateísmo prático”. Neste mundo, lembrando as palavras de Papa Francisco, “somos chamados a testemunhar a alegria da fé em Jesus Salvador”. Leão XIV enfatizou a importância da relação pessoal com Jesus, “no empenho em percorrer um caminho quotidiano de conversão”. Mas depois também, “como Igreja, vivendo juntos a nossa pertença ao Senhor e levando a todos a sua Boa Nova”, lembrando as palavras de Lumen gentium. Finalmente, ele refletiu sobre “um compromisso irrenunciável para quem, na Igreja, exerce um ministério de autoridade: desaparecer para que Cristo permaneça, fazer-se pequeno para que Ele seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3, 30), gastar-se até ao limite para que a ninguém falte a oportunidade de O conhecer e amar”. Tudo sob a intercessão de Maria, Mãe da Igreja.

Papa Prevost, a escolha de Francisco para continuar o processo

A Igreja Católica tem um novo Papa. Depois de cuatro votações, o sucessor de Pedro foi anunciado, mas poderíamos dizer que, nesse caso, o sucessor de Francisco foi anunciado. O primeiro Papa latino-americano tem continuidade em alguém que cresceu em sua vocação e experiência eclesial na América Latina, especificamente no Peru. Missionário e bispo no Peru Nascido em Chicago (Estados Unidos), como jovem agostiniano escolheu o Peru para ser missionário em uma terra onde se tornou bispo da diocese de Chiclayo. Anteriormente, durante 12 anos, havia sido Superior Geral da Ordem de Santo Agostinho, período em que morou bem próximo à Praça de São Pedro, de onde uma rua separa a sede da Casa Geral dos Agostinianos. O novo papa pode ser considerado um construtor de pontes entre o Norte e o Sul, dado seu local de nascimento e missão. Mas ele também é alguém que realizou essa tarefa em nível global, já que os agostinianos realizam sua missão em todo o mundo. Essa é a função do bispo de Roma, ser um pontífice, um construtor de pontes. A secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina, a teóloga argentina Emilce Cuda, que trabalhou com o cardeal Prevost desde que ele foi nomeado prefeito do Dicastério para os Bispos, um dos mais importantes da Cúria do Vaticano, tem se dedicado a construir pontes entre o Norte e o Sul desde que chegou ao Vaticano. A escolha de Francisco Cuda não hesita em afirmar que o novo Papa “foi o escolhido de Francisco”, com quem se encontrava todos os sábados em Santa Marta. A teóloga enfatiza que “Francisco deu muitos sinais de que depositava sua confiança nele”, uma afirmação que deriva de sua proximidade com o último pontífice, com quem trabalhou diretamente. De fato, diz ela, Francisco “o colocou em um dos lugares-chave da Cúria Romana, que é o dicastério dos bispos”. Além disso, ele foi nomeado cardeal bispo, o que o fez crescer exponencialmente no Colégio de Cardeais. A secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina insiste na sensatez da escolha, pois considera o novo Papa, seu superior direto até a morte de Francisco, “uma pessoa de grande capacidade de decisão, o que não é fácil de encontrar”. Cuda o define como alguém “de poucas palavras e talvez também não muito expressivo, como todos os norte-americanos. Mas há uma distinção entre latino-americanos e norte-americanos, os primeiros falam e outros agem. Acho que o Cardeal Prevost tem a virtude de ser capaz de apoiar com ambos”, enfatiza. Carisma é a capacidade de mobilizar Sobre esse ponto, ela afirma que “embora alguns digam que ele não tem carisma, o carisma não é apenas a capacidade de fazer um show. Carisma é a capacidade de mobilizar as pessoas em uma direção e em uma ação, sem pressão, mas sim para conseguir essa conversão, para ir junto”. Para a teóloga, ter essas características “é o que nos dá a certeza de que ele pode ir adiante com o processo que Francisco iniciou”. Isso porque “o Papa disse que tínhamos que falar sobre processos, tínhamos que iniciar processos”. A teóloga argentina recorda os quatro princípios bergoglianos. “Quando Francisco disse que o tempo é superior ao espaço, esse tempo é um processo. Não se trata de ganhar esse espaço, mas de levar adiante um processo, que não termina em uma geração. É por isso que ele fala de um povo, porque é um povo que leva esse processo adiante. Acho que o Cardeal Prevost tem a capacidade de levar esse processo adiante. Não apenas por causa do desejo de continuar, mas também porque é preciso ter a mesma virtude de ser capaz de tomar a decisão certa no momento certo, como fez Francisco”. Uma pessoa corajosa Entre as capacidades do novo Papa, Cuda destaca que “ele é uma pessoa corajosa”, algo que ele diz ter visto em várias ocasiões, “onde ele não tinha medo de tomar essas decisões e assumir a responsabilidade pelas consequências que poderiam surgir”. Além disso, ela o define como “uma pessoa sensível, mas, ao mesmo tempo, carinhosa, risonha e, quando você diz a ele algo irônico, ele logo começa a rir. Quando o conheci, não achei que ele pudesse ser o Papa, mas fiquei impressionada com o frescor com que ele ri espontaneamente da ironia, das piadas. E isso fala de uma pessoa espontânea, uma pessoa natural. Ele sempre tem um sorriso no rosto”. Cuda diz que não é possível, nem se pretende, “fazer um culto à figura de Francisco, como foi feito com outros pontífices, é seguir o processo, o que também implica uma mudança. Há continuidade no processo, mas a situação histórica muda e esse processo deve ser flexível o suficiente para se adaptar a essa mudança histórica”. Por essa razão, ele não hesita em dizer que “o Cardeal Prevost não é um daqueles que vai fazer um culto a Francisco, mas vai seguir o processo, tendo a capacidade de tomar decisões para fazer as mudanças ou modificações necessárias exigidas pelo conflito histórico em um determinado momento”. Um americano para uma nova lógica global Analisando alguns dos papados recentes, a Secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina considera que “Paulo VI foi a pessoa certa em um momento em que o socialismo passou pelo voto e a Igreja tinha alguém com capacidade de dialogar com aquele momento político histórico. João Paulo II vem da Polônia, um país comunista, e travou a batalha naquele momento histórico. O Papa Francisco vem da América Latina, o berço do populismo, e teve a capacidade de lidar com essas categorias e dialogar com o populismo”. Seguindo essa lógica de análise, ela afirma que “hoje o mundo está claramente distribuído de uma forma geopolítica diferente, e acredito que quem tem a capacidade de dialogar com os Estados Unidos, com sua nova fase – alguns podem chamá-la de imperial, eu a chamo de neofeudalismo – será um norte-americano que possa falar e entender essa lógica”. É por isso que Cuda conclui que “ele é…
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Leão XIV: O papado continua na América

“Habemus Papam”, a frase mais esperada nos últimos dias, foi pronunciada pelo protodiácono, Cardeal Dominique Mamberti. Depois de cinco votações, o Cardeal Robert Prevost, que de agora em diante será conhecido como Leão XIVpareceu na Loggia Central da Basílica de São Pedro. Um norte-americano peruano Com sua eleição, podemos dizer que o papado continua na América, em toda a América, pois o agostiniano nascido em Chicago (EUA) cresceu como religioso no Peru, país onde se tornou bispo da diocese de Chiclayo entre 2015 e 2023. Uma diocese aparentemente de pouca importância, mas que agora entrará para a história como a única em que o novo Papa foi bispo. Foi lá que Francisco o procurou para assumir o Dicastério dos Bispos, um dos mais importantes da Cúria Vaticana. Antes de retornar ao Peru como bispo, onde viveu por 12 anos, em 1985 e 1986 e de 1988 a 1998, o novo Papa foi geral da Ordem de Santo Agostinho de 2001 a 2013, período em que viveu bem próximo à Praça de São Pedro, de onde uma rua separa a sede da Casa Geral dos Agostinianos. Esse aspecto destaca sua capacidade de governar por um longo período uma das maiores ordens religiosas. Um cardeal próximo a Francisco Estamos diante de um pontífice, um autêntico construtor de pontes, a quem o Colégio de Cardeais, sob a inspiração do Espírito Santo, confia para ser o sucessor de Pedro e de Francisco, com quem, nos últimos anos, ele se reuniu todos os sábados durante duas horas em Santa Marta. Encontros nos quais Francisco e o Prefeito do Dicastério dos Bispos procuraram concretizar, neste momento da história, como tornar realidade um processo que agora continua de maneira diferente, mas com o mesmo objetivo: avançar na Igreja proposta pelo Concílio Vaticano II, uma Igreja povo de Deus, uma Igreja de todos, todos, todos.

Na quarta votação apareceu a esperada fumaça branca: Habemus Papam!

A esperada fumaça branca apareceu na chaminé da Capela Sistina. Depois de quatro votações, pouco depois das 18 horas de Roma, o sinal esperado nos últimos dias surgiu, provocando o alvoroço daqueles que se encontravam em volta da Praça de São Pedro, mas também daqueles que no mundo afora olhavam nas telas das TVs, computadores e celulares. Esperando o Habemus Papam! O nome e o rosto do novo Papa serão conhecidos em pouco tempo. Se espera que em menos de uma hora, o proto diácono, o cardeal francês Dominique Mamberti, apareça na Loggia Central da Basílica de São Pedro para anunciar ao mundo quem será o novo bispo de Roma, o sucessor de Pedro, o sucessor de Francisco, o primeiro Papa latino-americano. Nos próximos minutos, as especulações sobre aquele que vai aparecer e tomar o foco das câmaras do mundo devem tomar conta de milhares de sites e de bilhões de celulares. Mas não adianta especular com a escolha dos 133 cardeais que entraram na Capela Sistina na tarde da quarta-feira, 7 de maio de 2025. Inicia um novo período da história da Igreja, o Papa número 267. Logo, logo iremos conhecer seu nome e nos familiarizar com aquele que até agora tinha um nome e já tem escolhido outro nome, aquele que vai lhe fazer passar à história. O que é certo é que Habemus Papam!

Depois da terceira votação a fumaça continua saindo preta

O Conclave continua, segundo constatou a fumaça preta que apareceu na chaminé da Capela Sistina cinco minutos antes do meio-dia de Roma, depois da terceira votação. Longe das duas horas de espera com relação ao horário previsto na noite da quarta-feira, a fumaça se antecipou cinco minutos ao horário previsto. 89 votos para ser eleito Nenhum dos candidatos alcançou 89 votos entre os 133 cardeais que receberam a encomenda de escolher o sucessor de Pedro, mas também o sucessor de Francisco, o primeiro Papa latino-americano. Nos dois últimos conclaves, o Papa Francisco foi eleito na quinta votação e no Conclave de 2005 o Papa Bento XVI foi eleito no quarto escrutínio. A fumaça foi contemplada, sob um céu romano ensolarado, por milhares de pessoas, a grande maioria turistas, sem chegar aos 45 mil que se calcula esperaram até as 21 horas no primeiro dia do Conclave. Pessoas movidas por um sentimento religioso, que reza e pede pelo novo Papa, mas também aqueles que esperam captar nos celulares um momento histórico. No meio do povo, milhares de jornalistas informam ao mundo do que está acontecendo, sem saber de fato o que está acontecendo dentro da Capela Sistina. As especulações são muitas, mas o resultado do Conclave só será conhecido quando o próximo Papa aparecer na Loggia Central da Basílica de São Pedro.

Comunicadores do Regional Norte 1 unidos para fortalecer participação no 14º Muticom e organizar a comunicação regional

Representantes da comunicação das igrejas que integram o Regional Norte 1 (Amazonas e Roraima) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniram-se online no dia 7 de maio para definir estratégias de mobilização e incentivar a participação de comunicadores no 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom), agendado para Manaus (AM) de 25 a 27 de setembro de 2025. O encontro também proporcionou um diálogo sobre a articulação da comunicação no âmbito regional. Nove igrejas locais O Regional Norte 1 é organizado pela Arquidiocese de Manaus (AM) e pelas Dioceses do Alto Solimões, Coari, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Borba e Roraima. A circunscrição eclesiástica também abrange as Prelazias de Itacoatiara e Tefé, totalizando nove igrejas locais distribuídas nos estados do Amazonas e Roraima. Durante a reunião, os comunicadores dialogaram formas de divulgar o 14º Muticom e motivar a participação de agentes de pastoral, radialistas, jornalistas, influenciadores digitais, estudantes e pesquisadores da área de comunicação e todos aqueles que atuam na comunicação a serviço da evangelização. Qualificação e troca de conhecimentos A importância da qualificação e da troca de conhecimentos para articular a comunicação nas igrejas locais na Amazônia e em Roraima também foi um ponto de diálogo. O 14º Muticom, com sua temática “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”, ressoa profundamente com a realidade do Regional Norte 1, marcado por sua riqueza ímpar, desafios socioambientais e a cultura potente. Organização da comunicação no Regional Segundo o bispo auxiliar de Manaus e referente da comunicação no Regional Norte 1, dom Zenildo Lima, destacou a necessidade de transformar as iniciativas comunicativas nas igrejas locais “numa ferramenta mais sistematizada, quer dizer, esse levantamento do que existe de articulação da comunicação em nossas igrejas locais, poderíamos documentá-lo”. Para isso, ele sugeriu a possibilidade de um pequeno texto que recolha o que cada igreja local tem com relação à comunicação: PASCOM, Rádio, Assessoria de comunicação ou simplesmente um compartilhamento de informações. Junto com isso, destacou a possibilidade de “progressivamente ir nos apropriando do que nós temos como referencial teórico. A dinâmica de comunicação, que recolhe o Diretório de Comunicação da Igreja do Brasil, ele parece bastante conceitual, mas ele nos ajuda muito a filtrar, a ter elementos que nos fazem organizar melhor essa dinâmica de comunicação”. O bispo auxiliar de Manaus também falou da questão da articulação, buscando “como é que a partir de nós podemos ir articulando melhor a comunicação nas igrejas locais. E depois qual a possibilidade de uma articulação entre nós como grupo de responsáveis pela comunicação a partir das igrejas locais”. Finalmente, dom Zenildo Lima falou sobre a necessidade de estabelecer linhas de comunicação para a igreja do Regional Norte 1. Passos que paulatinamente devem ir avançando. Osnilda Lima / Luis Miguel Modino

Com duas horas de atraso, fumaça preta após a primeira votação

Depois de uma longa espera, a fumaça deveria ter saído por volta das 19 horas de Roma e só saiu 21 horas, podemos dizer que na primeira votação ninguém alcançou os 89 votos que são necessários para se tornar o sucessor de Pedro, mas também o sucessor de Francisco, o primeiro Papa latino-americano. 133 eleitores, 89 votos necessários Milhares de pessoas se juntaram em volta da Praça de São Pedro esperando o resultado de uma votação que iniciou depois do “extra omnes”, as palavras com as quais é exigido que saiam da Capela Sistina aqueles que não participam do Conclave. 133 eleitores, dentre eles sete brasileiros, participam de um momento singular da vida da Igreja. Pessoas chegadas de todos os cantos do mundo ficaram na expectativa, ainda mais pela demora com que saiu a fumaça pela primeira vez. Pessoas que ainda lembram de Francisco com um sentimento de gratidão. Sua falta faz com que as pessoas desejem uma eleição que faça com que a cadeira de Pedro volte a ser ocupada. Uma noite de reflexão Como era esperado, depois desta primeira votação, a noite desta quarta-feira será uma oportunidade para refletir e assim buscar um maior consenso, que ajude a alcançar os votos dois terços dos cardeais eleitores. Mesmo com a demora, teria sido uma grande surpresa que alguém tivesse sido eleito neste primeiro dia de Conclave. Na quinta-feira, o programa diz que, sempre que não seja eleito o novo Papa, os cardeais, que iniciam seus trabalhos com uma missa às 8 horas, realizarão quatro votações, duas na manhã e duas na tarde. A fumaça deve sair, se não houver atraso de novo, ao meio-dia de Roma e às 19 horas. Se o Papa fosse eleito na segunda votação do Conclave, haverá fumaça branca por volta das 10:30 da manhã. Se ele fosse eleito na quarta votação, a fumaça seria por volta das 17:30, sempre no horário de Roma.

O Conclave iniciou para escolher o Papa que necessita nosso tempo

O momento mais esperado nos últimos dias, não só pela Igreja católica, mas pelo mundo, iniciou. 133 cardeais entraram na Capela Sistina para eleger o sucessor de Pedro, o sucessor de Francisco, o primeiro Papa latino-americano, o Papa que colocou a Amazônia no foco da Igreja e da sociedade planetária. Um Colégio Cardinalício diverso O Colégio Cardinalício mais diversificado da história da Igreja, depois de se reunir em profundo silencio na Capela Paulina, iniciaram a procissão em duas fileiras escutando a ladainha que pede a intercessão de Deus e dos santos para assumir um momento de grande responsabilidade, que os leve a escolher o Papa que necessita nosso tempo. 7 cardeais brasileiros, dentre eles o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner. O terceiro país com maior número de eleitores, estão entre aqueles a quem a Igreja confia “que seja eleito o Papa que a Igreja e a humanidade precisam neste momento tão difícil e complexo da história”, segundo foi pedido pelo decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Re, na Missa Pro Elegendo Pontífice, na manhã do dia 7 de maio na Basílica de São Pedro. Milhares de jornalistas Uma cerimónia de grande solenidade, que está despertando grande interesse no mundo todo. Milhares de jornalistas informam dia e noite desde os arredores da Praça de São Pedro e dos diversos Media Center instalados na Cidade Eterna. Tanto a mídia católica como meios de comunicação de todo tipo estão atentos a cada detalhe que acontece em volta a uma das eleições mais importantes que acontecem no mundo. A figura do Romano Pontífice representa uma autoridade moral que é respeitada além da Igreja católica. Por isso, nos momentos prévios do juramento de cada um e da primeira votação, foi invocado o Espírito Santo no Veni Creator, pedindo que ele ilumine as mentes e os corações dos cardeais a quem a Igreja confia a missão que eles têm iniciado na tarde deste 7 de maio de 2025. À espera da fumaça branca Uma eleição que acontece sob os afrescos de Miguel Ângelo, as pinturas que têm escrutado com olhares carregados de grande força moral, a realização de numerosos conclaves. Sob a presidência do cardeal Pietro Parolin, o primeiro em fazer o juramento, um dos grandes favoritos para ser o próximo sucessor de Pedro, os cardeais começam um processo que vai captar o interesse de milhões de pessoas mundo afora até da chaminé da Capela Sistina aparecer a esperada fumaça branca. Um a um, os 133 eleitores, segundo sua condição de cardeais bispos, presbíteros ou diáconos, e o tempo de nomeação, foram fazendo seu juramento: “Et ego N. Cardinalis N. spondeo, voveo ac iuro Sic me Deus adiuvet et haec Sancta Dei Evangelia, quae manu mea tango” (E eu, N. Cardeal N., prometo, faço votos e juro. Assim que Deus me aiude a mim e a estes Santos Evangelhos de Deus, que toco com minha mão). Tudo isso antes do “Extra omnes” que encerrou os cardeais “com chave”.

Missa Pro Elegendo Pontífice: “O Espírito suscite o Papa que a Igreja e a humanidade precisam

A Basílica de São Pedro acolheu na manhã deste 7 de maio de 2025 a Missa Pro Elegendo Pontífice, onde a Igreja rezou pelo Conclave que inicia às 16:30 horas, no horário de Roma. O Colégio cardinalício, os 133 eleitores e aqueles que já completaram 80 anos, participaram de uma celebração presidida pelo decano, o cardeal Re. O amor muda o mundo O purpurado italiano destacou que “o amor é a única força capaz de mudar o mundo”. Ele comparou o momento atual da Igreja com o dia de Pentecostes, afirmando sentir “unido a nós todo o povo de Deus, com o seu sentido de fé, de amor ao Papa e de espera confiante.” Uma celebração para “para invocar a ajuda do Espírito Santo, para implorar a sua luz e a sua força, a fim de que seja eleito o Papa que a Igreja e a humanidade precisam neste momento tão difícil e complexo da história”, afirmou. Segundo o cardeal Re, “rezar, invocando o Espírito Santo, é a única atitude justa e necessária, enquanto os Cardeais eleitores se preparam para um ato de máxima responsabilidade humana e eclesial e para uma escolha de excepcional importância; um ato humano pelo qual se deve deixar de lado qualquer consideração pessoal, tendo na mente e no coração apenas o Deus de Jesus Cristo e o bem da Igreja e da humanidade”. Construir a “civilização do amor” Analisando o texto do Evangelho lido, ele disse que “o amor que Jesus revela não conhece limites e deve caracterizar os pensamentos e as ações de todos os seus discípulos”, para construir a “civilização do amor”. Um amor que em Jesus se concretiza em que “abaixou-se para servir os outros, lavando os pés dos Apóstolos, sem discriminação, sem excluir Judas, que o trairia”. Algo que tem a ver com o pedido que o profeta Isaias fazia aos Pastores a amar “até à entrega total de si mesmo”. Textos que fazem “um convite ao amor fraterno, à ajuda recíproca e ao empenho em favor da comunhão eclesial e da fraternidade humana universal”. O cardeal italiano disse que o sucessor de Pedro deve “fazer crescer a comunhão”, insistindo em que seja “não uma comunhão autorreferencial, mas totalmente orientada para a comunhão entre as pessoas, os povos e as culturas”. Junto com isso manter a unidade na Igreja, que “é desejada por Cristo, uma unidade que não significa uniformidade, mas comunhão sólida e profunda na diversidade, desde que se permaneça plenamente fiel ao Evangelho”. O Papa que é “a rocha sobre a qual a Igreja é edificada”. Um Papa segundo o coração de Deus O decano do Colégio Cardinalício, refletiu sobre a figura de Pedro, que sempre retorna em cada Conclave, e sobre a eleição na Capela Sistina. Ele pediu orações para que o Espírito Santo, “nos conceda um novo Papa segundo o coração de Deus, para o bem da Igreja e da humanidade”. O Papa que “melhor saiba despertar as consciências de todos e as energias morais e espirituais na sociedade atual, caracterizada por um grande progresso tecnológico, mas que tende a esquecer Deus”. Segundo o cardeal Re, “o mundo de hoje espera muito da Igreja para a salvaguarda daqueles valores fundamentais, humanos e espirituais, sem os quais a convivência humana nem será melhor nem beneficiará as gerações futuras”. Para isso, ele pediu o auxílio de Maria, “para que o Espírito Santo ilumine as mentes dos Cardeais eleitores e os torne concordes na eleição do Papa de que o nosso tempo necessita”.