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“A crise climática, ela nos exige soluções conjuntas”, afirma reitor da PUC-Rio

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), acolhe de 20 a 24 de maio de 2024 o II Encontro Sinodal de Reitores de Universidades para o Cuidado da Casa Comum, comemorando o 10º aniversário de um documento histórico do Magistério Pontifício, a Laudato Si. Compromisso universitário com o cuidado da Casa Comum 200 universidades de todo o continente americano e da Península Ibérica buscam consolidar o compromisso universitário com o cuidado da Casa Comum, no ano em que o Brasil acolhe a COP 30. Um encontro que dá continuidade à primeira reunião “Organizando a Esperança”, realizada em 2023 na Santa Sé com a participação do Papa Francisco. O congresso está organizado pela Rede Universitária para o Cuidado da Casa Comum (RUC), com o apoio da Pontifícia Comissão para a América Latina (PCAL), da qual o Cardeal Robert Prevost, hoje Papa Leão XIV, foi presidente, por meio da iniciativa Construindo Pontes. Compromiso universitario por el cuidado de la casa común 200 universidades de todo el continente americano y de la Península Ibérica buscan consolidar el compromiso universitario con el cuidado de nuestra Casa Común, en el año en que Brasil acoge la COP 30. El encuentro es la continuación del primero, “Organizando la Esperanza”, celebrado en 2023 en la Santa Sede con la participación del Papa Francisco. El congreso está organizado por la Red Universitaria para el Cuidado de la Casa Común (RUC), con el apoyo de la Pontificia Comisión para América Latina (PCAL), de la que fue presidente el cardenal Robert Prevost, hoy Papa León XIV, a través de la iniciativa Construyendo Puentes. O mundo universitário é um ecossistema complexo, segundo o reitor da PUC-Rio, o padre jesuíta Anderson Antônio Pedroso, “mas unido, pode ir muito mais longe e exercer o seu papel na sociedade”, destaca o reitor. O Papa Francisco insistia, segundo o padre, na necessidade de “incluir todos, fazer convergência para além das nossas crenças e convicções pessoais”. Nessa perspectiva, ele destaca que “a emergência climática, a crise climática, ela nos exige soluções conjuntas. Não dá mais para pensar um mundo globalizado, simplesmente virtualmente. Tem que estar globalizado nas pessoas e nas ações”. Igreja ator global que reúne pessoas Junto com isso, o reitor da PUC-Rio vê o encontro como uma sequência do realizado com o Papa Francisco em 2023. Nesse sentido, ele afirma que esse segundo encontro, “ele consagra a relevância da Igreja como um ator global capaz de reunir as pessoas”, ressaltando que “o poder de convocação é a serviço da humanidade, e coloca a Igreja como esse ator que consegue no mundo de hoje se lançar nas grandes questões da humanidade de maneira mais sistêmica”, algo que, segundo ele, devemos ao Papa Francisco. Reconhecendo que “antes os papas já falavam desde a Doutrina Social até algumas grandes questões, guerras, conflitos, mas quando o Papa Francisco fala de maneira sistêmica e traz o conceito da ecologia integral, ele coloca a Igreja num papel relevante, como ator relevante, fundamental, que consegue convocar todas as pessoas para servir”. Unir um continente Que participem universidades de tantos países e realidades “é uma força enorme, é um despertar das Américas. A gente está unindo o continente, um continente extraordinário, paradoxal, onde tem riqueza e pobreza. Você colocar todo mundo junto já é uma coisa muito grande. Ligar com a Europa, através da Península Ibérica, que tem raízes culturais comuns, por causa da origem da colonização do continente”, afirma o jesuíta. Segundo ele, “unir o continente, baseado em instituições como as universidades, fornece um instrumental potente para que essa união não fique dispersa, porque o mundo universitário, a instituição universitária é o lugar do pensamento, da criatividade, é o lugar onde se faz ciência e, sobretudo, é o lugar que salvaguarda a democracia”. Tudo isso porque “na base da instituição universitária existe essa autonomia de pensamento, a liberdade de falar e de se expressar, existe a liberdade de cátedra, que é uma das bases da democracia, o pensamento crítico, construtivo. É uma potência enorme e formar gerações, a universidade é esse dispositivo, que encerra, que tem dentro dela esses princípios fundamentais, que é da autonomia do pensamento, liberdade de fala, pensamento crítico-construtivo, criatividade, ciência, cultura, humanismo”. Um Congresso entre dois Papas Um congresso que acontece num momento eclesial importante, como é a mudança no pontificado. O Colégio Cardinalício pediu para o novo Papa continuar os processos iniciados pelo Papa Francisco, sendo um dos elementos fundamentais, a ecologia integral e a conversa ecológica. Nessa perspectiva, o reitor da PUC-Rio sublinha que “o Congresso está profundamente implicado nesse processo. Esse Congresso é consequência desse processo, porque nasce como uma iniciativa da Rede de Universidades pelo Cuidado da Casa (RUC), nasce como uma iniciativa do Papa Francisco e estava sendo impulsionada pelo Cardeal Prevost”. O padre Anderson lembra que “a rede tem autonomia, mas ela tem um polo de incentivo, que é a Pontifícia Comissão para a América Latina”, que era presidida pelo cardeal Prevost, e ele estava apoiando essa grande iniciativa. O reitor da universidade anfitriã ressalta como fundamental esse tripé: a Rede, que promove o encontro, a Pontifícia Comissão para América Latina, que apoiou de forma oficial e potente, e a PUC-Rio, que acolhe no território brasileiro, que é o lugar da COP30, que visibiliza esse grande esforço mundial. Finalmente, o jesuíta destaca que “nesse processo dos dois papas, esse encontro está profundamente implicado, ele não é a consequência, mas ele faz parte desse grande processo histórico”.

Unidade, Paz e Missão, os pedidos de Leão XIV na Missa de Início de Pontificado

Leão XIV, o Papa eleito na tarde de quinta-feira, 8 de maio de 2025, como sucessor de Pedro, iniciou seu pontificado. Ele o fez presidindo a Missa de Início de Pontificado, com a participação de boa parte do Colégio de Cardeais, um sinal de comunhão por parte daqueles que o elegeram como sucessor de Pedro e de Francisco. O rito concreto ocorreu entre o Evangelho e a homilia, quando o cardeal Zenari colocou sobre ele o Pálio e o cardeal Tagle colocou no dedo do Papa o Anel do Pescador. Junto com isso, o cardeal Ambongo, entre a entrega do palio e do anel, rezou para que Deus lhe concedesse a benção e reforçar o dom do Espírito. Um construtor de pontes Um Papa que, em virtude de estar imbuído de diversas culturas, supõe-se que tenha maior capacidade de construir pontes, uma necessidade em um mundo cada vez mais polarizado, dividido e conflituoso. Uma hora antes do início da missa, o Papa deixou o Palácio do Santo Ofício, onde está morando, para entrar pela primeira vez em um deslumbrante papamóvel branco. Foi seu primeiro banho com a multidão, na Praça de São Pedro e na Via della Conziliazione, que aos poucos foi se enchendo de peregrinos de todo o mundo. Entre eles estavam os participantes do Jubileu das Confrarias, que neste sábado foram os protagonistas de um momento histórico com a procissão que aconteceu ao redor do Coliseu e do Circo Máximo. Guardar o patrimônio da fé e olhar para longe Na homilia, o Papa iniciou lembrando o início das Confissões de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Vós, [Senhor,] e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Vós”. Igualmente, ele lembrou de Papa Francisco, fazendo um relato dos acontecimentos vividos nas últimas semanas, definindo o Conclave como momento para eleger “o novo sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, um pastor capaz de guardar o rico património da fé cristã e, ao mesmo tempo, de olhar para longe, para ir ao encontro das interrogações, das inquietações e dos desafios de hoje”. Leão XIV disse ter sido “escolhido sem qualquer mérito”, se oferecendo como “um irmão que deseja fazer-se servo da vossa fé e da vossa alegria, percorrendo convosco o caminho do amor de Deus, que nos quer a todos unidos numa única família”. Segundo ele, “amor e unidade: estas são as duas dimensões da missão que Jesus confiou a Pedro”. Diante disso, ele questionou: “Como pode Pedro levar adiante essa tarefa?”, respondendo que foi porque “ele experimentou na própria vida o amor infinito e incondicional de Deus, mesmo na hora do fracasso e da negação”. Não se colocar acima dos outros A chave é conhecer e experimentar o amor de Deus, “que nunca falha”. Ele refletiu sobre a tentação de no primado de Pedro “ser um líder solitário ou um chefe colocado acima dos outros, tornando-se dominador das pessoas que lhe foram confiadas”, dado que “todos nós, com efeito, somos ‘pedras vivas’ (1 Pe 2, 5), chamados pelo nosso Batismo a construir o edifício de Deus na comunhão fraterna, na harmonia do Espírito, na convivência das diversidades”. O Papa sublinhou uma Igreja fundamentada no Batismo, citando de novo Santo Agostinho: “A Igreja é constituída por todos aqueles que mantêm a concórdia com os irmãos e que amam o próximo”. Leão XIV mostrou um desejo: “uma Igreja unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento para um mundo reconciliado”. Uma atitude necessária, dado que “no nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, a violência, os preconceitos, o medo do diferente, por um paradigma económico que explora os recursos da Terra e marginaliza os mais pobres. E nós queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade”. Um mundo de paz Junto com isso, o Papa fez um chamado à unidade “para construirmos um mundo novo onde reine a paz”. Segundo ele, “este é o espírito missionário que nos deve animar, sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo nem nos sentirmos superiores ao mundo; somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para que se realize aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo”. Finalmente, ele disse que “esta é a hora do amor! A caridade de Deus, que faz de nós irmãos, é o coração do Evangelho”, fazendo, com Leão XIII, mais um chamado à paz. Nessa perspectiva, o Papa pediu que “com a luz e a força do Espírito Santo, construamos uma Igreja fundada no amor de Deus e sinal de unidade, uma Igreja missionária, que abre os braços ao mundo, que anuncia a Palavra, que se deixa inquietar pela história e que se torna fermento de concórdia para a humanidade. Juntos, como único povo, todos irmãos, caminhemos ao encontro de Deus e amemo-nos uns aos outros”.

Paz, Justiça e Verdade: As palavras de Leão XIV aos embaixadores

A figura do Papa vai além da Igreja católica. Ele é visto, inclusive entre aqueles que não se dizem católicos, como uma referência moral para a humanidade. Sua voz é escutada frequentemente, também por aqueles que governam os países. Daí a importância da audiência que aconteceu na manhã desta sexta-feira, 16 de maio, onde o Papa Leão XIV recebeu o Corpo Diplomático diante da Santa Sé. Missão da Igreja: estar ao serviço da humanidade O Papa iniciou seu discurso agradecendo o trabalho dos diplomatas, e “as numerosas mensagens de felicitações que se seguiram à minha eleição, bem como as de condolências pelo falecimento do Papa Francisco”, que ele vê como “um significativo atestado de estima, que favorece o aprofundamento das relações mútuas”. Segundo Leão XIV, “a diplomacia pontifícia é realmente expressão da própria catolicidade da Igreja e, na sua ação diplomática, a Santa Sé é animada por uma urgência pastoral que a impele a intensificar a sua missão evangélica ao serviço da humanidade, e não a procurar privilégios”. Uma atitude que motiva o “combate toda a indiferença e chama continuamente a consciência, como o fez incansavelmente o meu venerado Predecessor, sempre atento ao grito dos pobres, dos necessitados e dos marginalizados, bem como aos desafios que marcam o nosso tempo, desde a salvaguarda da criação até à inteligência artificial. O Santo Padre definiu a presença dos diplomatas como um dom, que permite “alcançar e abraçar a todos os povos e a cada pessoa desta terra, desejosas e necessitadas de verdade, de justiça e de paz!”. Ele fez, desde sua experiência vital, um convite a “atravessar fronteiras para encontrar pessoas e culturas diferentes”. Para isso, o Papa quer “consolidar o conhecimento mútuo e o diálogo convosco e com os vossos países”. Paz Ele apresentou três palavras-chave para o diálogo mútuo. A primeira a paz, que é mais do que ausência de conflito ou uma simples trégua, definindo-a como “o primeiro dom de Cristo”. Nessa perspectiva, ele disse que é um dom ativo e envolvente, que se constrói no coração. Ele destacou a importância do diálogo interreligioso para promover contexto de paz, o que exige “o pleno respeito pela liberdade religiosa em todos os países”. Igualmente, deve ser fomentado o diálogo e o encontro, a a diplomacia multilateral e o desarmamento. Justiça Em segundo lugar, ele falou de justiça, denunciando “os numerosos desequilíbrios e injustiças que conduzem, entre outras coisas, a condições indignas de trabalho e a sociedades cada vez mais fragmentadas e conflituosas”, o que tem a ver com a escolha de seu nome, seguindo o exemplo de Leão XIII. O Papa chamou a remediar as desigualdades globais, a construir sociedades civis harmoniosas e pacíficas. Para isso, ele pediu investir na família, proteger “a dignidade de cada pessoa é protegida, especialmente a das mais frágeis e indefesas, do nascituro ao idoso, do doente ao desempregado, seja ele cidadão ou imigrante”, lembrando ser descendente de imigrantes. Verdade A terceira palavra que o Papa lembrou foi a verdade. Ele refletiu sobre a necessidade de palavras autêntica, e na Igreja, sobre uma linguagem franca. Uma verdade que na perspectiva cristã, “não é a afirmação de princípios abstratos e desencarnados, mas o encontro com a própria pessoa de Cristo, que vive na comunidade dos crentes. Assim, a verdade não nos aliena, mas permite-nos enfrentar com maior vigor os desafios do nosso tempo”. Finalmente, o Papa lembrou que “o meu ministério começa no coração de um ano jubilar, dedicado de modo especial à esperança. É um tempo de conversão e de renovação e, sobretudo, uma oportunidade para deixar para trás os conflitos e iniciar um novo caminho, animado pela esperança de poder construir, trabalhando juntos, cada um segundo as suas sensibilidades e responsabilidades, um mundo em que todos possam realizar a sua humanidade na verdade, na justiça e na paz”. Fotos: @Vatican Media

Cardeal Prevost – Leão XIV: Combate aos abusos e avanço na proteção dos vulneráveis

Sobre a questão do abuso “há uma continuidade absoluta, embora com nuances, nos últimos quatro papas”, diz Jordi Bertomeu, Oficial do Dicastério para a Doutrina da Fé e Enviado Pessoal para Missões Especiais. Uma luta contra os abusos que o Cardeal Robert Prevost, agora Leão XIV, assumiu, sem sombra de dúvida. São inaceitáveis as tentativas de difamá-lo e colocar em dúvida sua integridade, originadas em círculos próximos ao Sodalicio de Vida Cristã, com a colaboração da mídia relacionada, que chegou ao ponto de entrar nas congregações gerais antes do Conclave e assediar o então Cardeal Prevost. Medidas pastorais e não canônicas De acordo com Bertomeu, na década de 1980, a Igreja na América do Norte percebeu que o direito penal canônico, embora consagrado no Código de Direito Canónico de 1983, não estava sendo aplicado. Desde o Concílio Vaticano II, optou-se por resolver problemas graves de indisciplina com medidas “pastorais”, distinguindo-as das “canônicas”. Na maioria das dioceses, havia uma falta de estrutura judicial e de pessoal treinado, algo que foi percebido pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Ratzinger, a partir das visitas ad limina de bispos do mundo de língua inglesa e da Europa Central. Particularmente nos Estados Unidos, os bispos costumavam resolver os problemas causados por padres pedófilos fazendo acordos financeiros com as vítimas, mas logo perceberam que era quase impossível remover esses padres e diáconos do estado clerical. Diante dessa situação, Ratzinger pediu ao Papa João Paulo II, em 2001, uma mudança na legislação, lembrando a toda a Igreja que havia crimes muito graves reservados à Santa Sé, especificamente à Congregação para a Doutrina da Fé. O Cardeal Ratzinger estava, portanto, seis meses à frente da explosão do Spotlight em 6 de janeiro de 2002. Na primeira década do século atual, os principais casos a serem tratados serão nos Estados Unidos e na Europa Central, sociedades com maior qualidade de democracia e maior litigiosidade. Gradualmente, a inquietação das vítimas crescerá em outras partes do mundo, à medida que elas perceberem que também precisam de justiça. Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e Vulneráveis Após o pontificado de Bento XVI, veio um papa latino-americano. Francisco, assim que chegou, deu um passo adiante e criou a Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores e Pessoas Vulneráveis. Isso mostra que a Igreja leva o abuso a sério. Um divisor de águas ocorreu em 2018, com a crise que eclodiu no Chile. Lá, o Papa descobriu que, além do abuso, havia em muitos lugares um problema de encobrimento por parte de alguns bispos. Francisco, depois de conhecer pessoalmente as três vítimas de Karadima, reagiu pessoalmente. Como admitiu mais tarde a um jornalista, ele havia se convertido. Ele enviou o bispo Scicluna e o bispo Bertomeu ao Chile para investigar. Mais tarde, eles seriam seus olhos e ouvidos em muitas outras missões especiais. Em sua Carta ao Povo de Deus de 20 de agosto de 2018, Francisco colocou todos os abusos na Igreja no mesmo nível de compreensão: sejam eles sexuais, de poder ou de consciência. Depois, em fevereiro de 2019, ele também convocou os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo em Roma, talvez em uma tentativa de fazer com que toda a Igreja deixasse de ser “surda” aos abusos e reagisse imediatamente, tomando o partido das vítimas. Três temas foram abordados: transparência, responsabilidade e prestação de contas. Evitando que as alegações caiam em ouvidos moucos A partir dessa cúpula, Francisco deixou clara a necessidade de uma lei para evitar, de uma vez por todas, que as denúncias caiam em ouvidos moucos. O Papa percebe que existe uma lei, mas ela não é aplicada porque as denúncias não chegam ao público. Assim, em junho de 2019, foi emitido o Motu Proprio “Vos Estis Lux Mundi”, que obriga todas as dioceses do mundo a ter um escritório para receber, investigar e lidar com denúncias. Junto com isso, a responsabilidade criminal é estabelecida no caso de negligência no recebimento de reclamações. Da mesma forma, o Papa percebe que esse problema não pode ser deixado apenas para a hierarquia. De fato, ele percebe que todo tipo de abuso, seja de consciência, espiritual ou sexual, é fruto do clericalismo e do elitismo, daqueles que se consideram uma casta com privilégios que ninguém lhes concedeu. Uma nova fase está iniciando, na qual os abusos estão começando a ser confrontados de forma sinodal. A razão para essa nova dinâmica está no fato de que Francisco, nas palavras de Bertomeu, “percebe que a Igreja tem sido surda à realidade do abuso, que o abuso nada mais é do que o poder exercido de forma tóxica”. Abuso sexual e abuso de poder De acordo com Bertomeu, “há abuso sexual porque há abuso de poder e esse é sempre um exercício tóxico de poder que, na Igreja, deveria ser puro serviço”. Diante disso, ele ressalta a necessidade de “todo o povo de Deus entrar em uma dinâmica de repensar como o poder é exercido na Igreja”, algo que deve ser feito não de forma ideológica, mas teológica, ou seja, pensando em si mesmo como um povo de batizados que se põe a caminho, desinstalando-se de seus confortos, para olhar suas vidas à luz do Espírito Santo como um lugar de revelação de um Deus que está próximo a eles. Dessa forma, consegue entender que é “todo o povo de Deus que participa da tomada de decisões, porque todos são batizados, porque todos participam do mesmo Espírito, mesmo que haja uma parte do povo de Deus que tenha recebido um carisma especial para conduzi-lo”, enfatiza Bertomeu. Ele não tem dúvidas de que, diante dos abusos na Igreja, Leão XIV dará continuidade ao que Francisco tem feito. Ele dá como exemplo o que aconteceu com o Sodalício, onde “o problema não é tanto o abuso sexual de menores, mas um abuso de poder e de consciência de adultos muito vulneráveis”. É por isso que, nos últimos anos, querendo combater todos os tipos de abuso, a Igreja…
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Seminário São José celebra 177 anos formando padres para a Amazônia

No dia 14 de maio, o Seminário Arquidiocesano São José celebrou, solenemente e com profundo espírito de gratidão, seus 177 anos de existência. A celebração eucarística foi presidida por Dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, e reuniu seminaristas, formadores e bispos convidados Dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira e Dom Adolfo Zon Pereira, bispo da Diocese do Alto solimões. Todos unidos para render graças a Deus por quase dois séculos de história vocacional na Amazônia. É significativo celebrar 177 anos de história Para o reitor do Seminário São José, Pe. Pedro Cavalcante, este foi momento importante para celebrar e recordar a trajetória de formação de padres para a Amazônia. Segundo ele, “hoje afirmamos quanto é significativo celebrar os 177 anos da fundação do Seminário São José. É bom recordar e identificar quem foi que no início acreditou e abriu no coração da Amazônia essa bela aventura pelas vocações sacerdotais diocesanas autóctones . Foi com Dom José Morais Torres , bispo da imensa Diocese do Pará que no dia 14 de maio de 1848 , na antiga Barra do Rio Negro começa a história deste seminário. Ele dizia : ‘será destinado à instrução e educação da mocidade…’ Palavras que conotam a esperança em se ter agentes formados, mas sobretudo um clero próprio e preparado para esta realidade amazônica”. Pe. Pedro pontuou que o seminário percorreu inúmeros desafios que não impediram as graças de Deus sobre a Igreja na Amazônia, formando padres que chegaram ao episcopado e hoje são bispos no Regional Norte 1, como Dom Hudson Ribeiro e Dom Zenildo Lima, que são bispos auxiliares de Manaus; e Dom José Albuquerque, que ée bispo de Parintins. Desafios e avanços “Ao longo desta história, o Seminário enfrentou diversos períodos marcados por dificuldades e desafios , avanços e retrocessos, alegrias e incertezas, chegando a fechar duas vezes suas portas. Fatos estes que não foram capazes de impedir a graça de Deus em realizar os seus desígnios suscitando novos tempos e novos epíscopos e reitores, os quais retomaram com entusiasmo e determinação a abertura do processo formativo a partir de lugar e sede própria […] Olhando essa História com a lente da fé, podemos testemunhar que, o Seminário São José, nossa Casa de Formação, se consolida, torna-se uma realidade fundamental para a Evangelização da Amazônia. Aqui nossas Igrejas locais depositam a confiança. Esperam ver seus jovens seminaristas crescerem, maturarem e contribuírem para que O Evangelho , a Boa Nova seja transmitida e anunciada a partir de uma práxis autêntica e viva no meio das comunidades eclesiais , fruto da experiência com o Cristo Bom Pastor, que nos torna seus discípulos configurados a Ele como o enviado do Pai”, enfatizou Pe. Pedro. Também pediu aos atuais seminaristas, que se preparam para trilhar a vocação do sacerdócio, que compreendam a importância do seminário e contribuam com esta história de evangelização e pastoreio nas igrejas que estão na Amazônia. “Cabe a esta geração, a vocês, peregrinos da Esperança, escrever as novas páginas da história deste Seminário. Espero que este conhecimento histórico não seja estranho às vossas vidas. Ao contrário, que todos os anos, por volta desta data a celebremos e a façamos memória dentro não de um eterno retorno, mas de uma crescente e dinâmica espiral cheia da força transformadora do Espírito, pois somos protagonistas dessa nova etapa do Seminário São José”. Seminarista Francisco Jr

Diocese de Parintins inaugura o mausoleu de seu primeiro bispo, dom Arcângelo Cerquia

No dia 14 de maio de 2025, a Catedral de Nossa Senhora do Carmo de Parintins acolheu a benção do Mausoleu de dom Arcângelo Cerqua, primeiro bispo da diocese. Seu corpo se encontrava em um jazigo temporáreo na entrada da catedral, uma construção iniciada no tempo em que ele foi bispo. Se cumpre assim o desejo deixado pelo bispo em seu testamento espiritual: ser sepultado na catedral. Um desejo que reiterou nos últimos dias de sua vida, em Rancio de Lecco (Itália) ao padre Henrique Uggé. O traslado aconteceu no dia do aniversário de sua ordenação episcopal, sendo instalado próximo do altar da Penitência. Por iniciativa do Instituto Geografico e Histórico de Parintins, com a colaboração e parceria do PIME região amaznica e da Prefeitura de Parinlins, o corpo ãe dom Arcangelo Cerqua foi levado de Ducenta (Itália) a Parintins no dia 16 de julho 2008. Aquele dia, o traslado do aeroporto até a catedral foi uma imensa carreata, uma verdadeira homenagem do povo e das autoridades das cidades que fazem parte da diocese de Parintins. Segundo o padre Henrique Uggé, dom Arcângelo Cerquia deixou três grandes compromissos e desejos: deixo meu coração em Parintins; rezarei sempre pelos habitantes de Parintins; peço aos seminaristas perseverarem até alcançar o altar. O missionário do PIME lembrou os dois pilares da ação missionária de dom Arcângelo Cerqua: atividades sociais e atividades religiosas e pastorais. Entre as atividades sociais, o missionário lembrou a Rádio Alvorada, escolas, hospitais, centros em Parintins e Maués, escola de audiocomunicação, oficinas profissionais, hospital, projeto comunidades e colonias agrícolas. Já entre as atividades religiosas e pastorais, foram citadas a criação de paróquias, seminário, grupos Marianos, JAC (os jovens da Catedral que criaram o Festival Folclórico de Parintins), visitas no interior, pastoral indigenista, pastoral Jda saúde, cursilhos, ECC. O padre Henrique Uggé enfatizou que “sem dúvida dom Arcângelo está nos abençoando e intercedendo por esta diocese que nasceu do seu coração paterno de pastor“. A celebração foi presidida pelo bispo diocesano, dom José Albuquerque de Araújo, e contou com a participação de missionários do PIME, padres da diocese de Parintins e o povo de Deus dessa Igreja local. No início foi realizada a traslação dos restos mortais de dom Arcângelo Cerquia, sendo realizada a continuação a Eucaristia. Na homilia, o bispo diocesano lembrou a figura do primeiro bispo da diocese de Parintins, enfatizando sua missionariedade. Dom José Albuquerque destacou a importância da sinodalidade, de caminhar juntos, de assumir o amor como missão, como resposta, antídoto. Ele agradeceu a presença de tantos missionários e missionárias chaegados ao longo dos anos na diocese de Parintins e pediu a intercesção de dom Arcângelo para que a Igreja seja cada vez mais missionária.

Papa Leão XIV continua presença pontifícia em Instagram e X

O Papa Leão XIV, que já tinha uma conta no X como cardeal Robert Prevost, optou por manter uma presença ativa nas redes sociais por meio das contas papais oficiais no X e no Instagram. X e Instagram Ele continuará a partir deste 13 de maio com as contas @Pontifex usadas no X por Bento XVI e Francisco. São publicadas em nove idiomas (inglês, espanhol, português italiano, francês, alemão, polonês, árabe e latim), atingindo um total de 52 milhões de seguidores. O conteúdo publicado pelo Papa Francisco, segundo informou o Dicastério para a Comunicação da Santa Sé. será arquivado em breve em uma seção especial do site institucional da Santa Sé, o vatican.va. No Instagram, a conta se chama @Pontifex – Pope Leo XIV, a única conta oficial do Santo Padre na plataforma, em continuidade à conta @Franciscus do Papa Francisco. Uma dinâmica iniciada em 2012 O conteúdo publicado na conta @Franciscus permanecerá acessível como arquivo “Ad Memoriam”. A presença dos Papas nas redes sociais iniciou com o Papa Bento XVI, em 12 de dezembro de 2012. Nessa data foi lançada no Twitter a conta @Pontifex, sendo herdada poucos meses depois pelo Papa Francisco. O início da conta no Instagram, com o nome @Franciscus, foi em 19 de março de 2016. Ao longo de seu pontificado foram publicadas 50 mil postagens nas nove contas de X e na conta do Instagram. Acostumavam ser mensagens curtas evangelizadoras ou exortações em favor da paz, da justiça social e do cuidado com a criação, alcançando grande interação, especialmente em tempos difíceis, especialmente em 202, ano do início da pandemia, em que as mensagens tiveram um alcance de 27 bilhões.

Papa Leão XIV inicia seu pontificado como Papa da Paz, também na comunicação

Uma das grandes virtudes de Francisco era sua capacidade de se comunicar, não só com palavras, mas também com gestos. Ao longo de seu pontificado, houve frases que entraram para a história e continuarão presentes na mente de muitas pessoas. Uma delas foi dita em um encontro com jornalistas alguns dias após o início de seu pontificado: “Como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres“. Estamos saindo de um pontificado em que as melhores falas surgiram quando ele saiu do roteiro, quando ele improvisou, quando ele se deixou inspirar pelo que viu na época. Encontro com mais de 4.000 jornalistas No dia 11 de maio, o encontro com os jornalistas se repetiu na Sala Paulo VI. Assim como Francisco, em um dos primeiros atos de seu pontificado, Leão XIV se encontrou com mais de 4.000 jornalistas de diversos países. O Papa foi recebido com aplausos e vivas, algo pelo qual ele expressou expressamente sua gratidão, não apenas pela acolhida, mas também pelo trabalho realizado, que ele disse ser essencial para a Igreja em um tempo de graça. Um Papa que se define nestes primeiros dias de pontificado como o Papa da Paz, também no campo da comunicação, pedindo um “compromisso para realizar uma comunicação diferente, que não busque o consenso a todo custo, que não use palavras agressivas, que não abrace o modelo da competição e que nunca separe a busca da verdade do amor com que devemos buscá-la humildemente”. Paz no modo de olhar, ouvir e falar Leão XIV insistiu que “a paz começa em cada um de nós: na maneira como olhamos, ouvimos e falamos dos outros. Nesse sentido, a maneira como nos comunicamos é de fundamental importância: devemos dizer ‘não’ à guerra das palavras e das imagens; devemos rejeitar o paradigma da guerra”. Um clima de guerra está presente em várias formas na sociedade atual, por isso ele expressou “a solidariedade da Igreja com os jornalistas presos por terem buscado e relatado a verdade“, pedindo sua libertação. Uma atitude que leva ao reconhecimento do Papa, que os define como testemunhas, dizendo pensar “naqueles que relatam a guerra mesmo à custa da vida, na coragem daqueles que defendem a dignidade, a justiça e o direito dos povos à informação, porque só pessoas informadas podem tomar decisões livres”. A serviço da verdade Diante do sofrimento desses jornalistas presos, ele apelou pela proteção do precioso valor da liberdade de expressão e de imprensa. Por isso, o Papa agradeceu aos comunicadores que estão “a serviço da verdade”, especialmente nestes tempos difíceis que o mundo vive. Diante das dificuldades atuais, ele pediu que “nunca cedamos à mediocridade”. A este respeito, Leão XIV enfatizou que “a Igreja deve aceitar o desafio dos tempos e, da mesma forma, não pode haver comunicação nem jornalismo fora do tempo e da história”, recordando as palavras de Santo Agostinho: “Vivamos bem e os tempos serão bons”, acrescentando que “nós somos os tempos”. O Papa pediu uma comunicação que nos tire da Torre de Babel em que nos encontramos, marcada pela “confusão da linguagem sem amor, muitas vezes ideológica ou tendenciosa“. Nesse sentido, ele destacou a importância do trabalho e da palavra dos jornalistas, uma comunicação que “não é apenas transmissão de informação, mas criação de cultura, de ambientes humanos e digitais que se tornem espaços de diálogo e discussão”. Uma urgência que aumenta diante dos avanços tecnológicos, da inteligência artificial, uma realidade com grande potencial, mas que “exige responsabilidade e discernimento para orientar as ferramentas para o bem de todos, para que produzam benefícios para a humanidade”. Uma responsabilidade que diz respeito a todos. Desarmados de preconceito, ressentimento, fanatismo e ódio Sobre o trabalho informativo dos últimos dias, ele enfatizou que “eles nos revelaram um pouco do mistério da nossa humanidade e nos deixaram um desejo de amor e de paz“, ecoando as palavras do Papa Francisco em sua mensagem final para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais. Para isso: “Desarmemos a comunicação de todo preconceito, ressentimento, fanatismo e ódio; purifiquemo-la da agressividade. Não precisamos de uma comunicação ruidosa e vigorosa, mas sim de uma comunicação capaz de ouvir, de acolher a voz dos frágeis e dos que não têm voz. Desarmemos as nossas palavras e ajudaremos a desarmar a Terra. A comunicação desarmada e desarmante permite-nos partilhar uma visão de mundo diferente e agir de forma coerente com a nossa dignidade humana.” Uma paz que os jornalistas perceberam, especialmente os mais de 100 que ele cumprimentou pessoalmente, com calma, recebendo até alguns presentes. As atitudes de cada um são importantes e, desde já, o novo Papa se consolida como um homem de paz, em todos os ambientes, lugares e ocupações, inclusive quando nos comunicamos.

Guerra nunca mais! Primeiro apelo de Leão XIV ao mundo

Uma multidão esperava o Papa Leão XIV quando ao meio-dia de Roma apareceu na Loggia Central da Basílica de São Pedro para recitar a oração do Regina Caeli. Ele disse considerar “um presente de Deus que o primeiro domingo de meu serviço como bispo de Roma seja o do Bom Pastor”. O Bom Pastor que ele definiu como aquele “que conhece e ama seu povo. O verdadeiro Pastor, que conhece e ama suas ovelhas e dá sua vida por elas”. Domingo do Bom Pastor Igualmente, o Santo Padre recordou que nesse domingo é celebrado o Dia Mundial de Oração pelas Vocações e o Jubileu das Bandas e dos Espetáculos Populares. Ele lembrou as palavras do Papa São Gregório Magno, “as pessoas correspondem ao amor daqueles que as amam”, e rezou pelas vocações, “especialmente para as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa. A Igreja tem grande necessidade delas!” O Papa Leão XIV disse que “é importante que os rapazes e as moças encontrem, em nossas comunidades, acolhimento, escuta encorajamento em sua jornada vocacional, e que eles possam contar com modelos confiáveis de dedicação generosa a Deus e a seus irmãos e irmãs”. Para isso, ele lembrou as palavras da Mensagem se Papa Francisco para o dia de hoje, “para acolher e acompanhar os jovens”. Aos pastores pediu serem “capazes de ajudar uns aos outros a caminhar no amor e na verdade”. E aos jovens lhes disse: “Não tenham medo! Aceitem o convite da Igreja e de Cristo, o Senhor!” Paz na Ucrania e em Gaza Após o Regina Caeli, recordou os 80 anos do final da Segunda Guerra Mundial, em 8 de maio, data de sua eleição. Diante do “cenário dramático atual de uma terceira guerra mundial em pedaços, como o Papa Francisco tem afirmado repetidamente, eu também me dirijo aos grandes do mundo, repetindo o apelo sempre oportuno: Guerra nunca mais!”. Nesse momento, o Papa disse trazer em seu coração o sofrimento do povo ucraniano e pediu “que seja feito todo o possível para alcançar o mais rápido possível uma paz genuína, justa e duradoura. Que todos os prisioneiros sejam libertados e que as crianças possam voltar para suas famílias”. Também lembrou da Faixa de Gaza, reclamando “Cessar fogo imediatamente!”, e junto com isso, “a ajuda humanitária deve ser fornecida à população civil exausta e todos os reféns devem ser libertados”. Ele lembrou outros conflitos e pediu “o milagre da paz”. Depois de saudar diversos grupos, o Papa recordou o Dia das Mães, e enviou “uma saudação carinhosa a todas as mães, com uma oração por elas e por aquelas que já estão no Céu”. Missa nas Grutas do Vaticano Antes, ele tinha celebrado Missa nas Grutas do Vaticano, no altar próximo ao túmulo de Pedro. Na homilia, ele refletiu sobre o Bom Pastor, que disse ser o melhor exemplo para sua nova missão. No Dia das Mães, o Papa disse que “uma das expressões mais maravilhosas do amor de Deus é o amor que é derramado pelas mães, especialmente para seus filhos e netos”. Igualmente, ele destacou a importância das vocações, lembrando as conversas dos cardeais nas Congregações Gerais previas ao Conclave, onde foi falado sobre a importância do bom exemplo, vivendo “a alegria do Evangelho, não desencorajando os outros, mas procurando maneiras de incentivar os jovens a ouvir a voz do Senhor, a segui-la e a servir na Igreja”. O Papa falou sobre a universalidade da Igreja, sobre a necessidade de proclamar o Evangelho ao mundo inteiro com coragem, sem medo, com a vida. Ele destacou a importância de ouvir, pedindo que “todos nós aprendamos a ouvir cada vez mais, a entrar em diálogo”. Ouvir a Deus e aos outros, “saber construir pontes, saber ouvir para não julgar, para não fechar as portas pensando que temos toda a verdade e que ninguém mais pode dizer nada”. No final do Regina Caeli, o Papa Leão XIV, na presença do Camerlengo, o cardeal Farrell, o secretário de Estado, cardeal Parolin, o substituto, dom Edgar Peña Parra, e o Secretário de Relações com Estados e Organizações Internacionais, dom Paul Richard Gallagher, e o Regente da Casa Pontifícia, dom Leonardo Sapienza, reabriram as portas do apartamento papal do Palácio Apostólico, removendo os selos afixados na tarde de 21 de abril de 2025, após a morte do Papa Francisco.

Encontro dos cardeais com Leão XIV: “Um humilde servo de Deus e dos irmãos, nada mais do que isso”

O primeiro encontro de Papa Leão XIV foi com o Colégio Cardinalício, que acontece um dia antes do Regina Caeli, que rezará neste domingo, 11 de maio, ao meio-dia de Roma, e do encontro previsto para segunda-feira com os jornalistas. Um encontro que contou com a participação daqueles que o elegeram, mas também dos cardeais não eleitores, aqueles que já completaram 80 anos. Uma reunião que iniciou com uma oração, “pedindo que o Senhor continue a acompanhar este Colégio e, sobretudo, toda a Igreja com este espírito, também com entusiasmo, mas com profunda fé”. Primeiro posicionamento Durante o encontro, o novo pontífice realizou um discurso, que pode ser visto como um primeiro posicionamento, para depois ouvir os conselhos, sugestões, propostas, dos cardeais, insistindo em que fossem “coisas muito concretas, das quais já se falou um pouco nos dias que antecederam o Conclave”. O Bispo de Roma definiu os dias precedentes como “dolorosos pela perda do Papa Francisco e exigentes pela responsabilidade que enfrentamos juntos, mas, ao mesmo tempo, ricos de graça e consolação no Espírito, segundo a promessa que o próprio Jesus nos fez (cf. Jo 14, 25-27)”. Ele lembrou aos cardeais que “vós sois os colaboradores mais próximos do Papa, e isto é de grande conforto para mim, que aceitei um fardo claramente muito superior às minhas forças, assim como o seria para qualquer outra pessoa”. Leão XIV enfatizou aos cardeais que “a vossa presença recorda-me que o Senhor, tendo-me confiado esta missão, não me deixa sozinho a carregar tal responsabilidade. Sei, primeiramente, que posso contar sempre, sempre! – com a vossa ajuda, com a ajuda do Senhor, e, pela sua Graça e Providência, com a vossa proximidade e a de tantos irmãos e irmãs que, em todo o mundo, acreditam em Deus, amam a Igreja e apoiam o Vigário de Cristo com a oração e as boas obras”. Agradecimento ao Decano e ao Camerlengo O Papa agradeceu e pediu aplausos para o Decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Giovanni Battista Re, “cuja sabedoria, fruto de uma longa vida e de muitos anos de fiel serviço à Sé Apostólica, nos ajudou muito neste tempo”. A mesma coisa com o Camerlengo, Cardeal Kevin Joseph Farrell, “pelo precioso e árduo papel que desempenhou durante o tempo da Sede Vacante e da Convocação do Conclave”. No Tempo Pascal, ele pediu olhar juntos “para a partida do saudoso Papa Francisco e para o Conclave como um acontecimento pascal, uma etapa do longo êxodo através do qual o Senhor continua a guiar-nos em direção à plenitude da vida. E, nesta perspectiva, confiamos ao ‘Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação’ (2Cor 1, 3) a alma do falecido Pontífice e também o futuro da Igreja”. Leão XIV definiu o Papa como “um humilde servo de Deus e dos irmãos, nada mais do que isso”. Palavras que ele fundamentou com o exemplo de Papa Francisco, “com o seu estilo de total dedicação ao serviço e sobriedade essencial na vida, de abandono em Deus no tempo da missão e de serena confiança no momento da partida para a Casa do Pai. Acolhamos esta preciosa herança e retomemos o caminho, animados pela mesma esperança que vem da fé”. Aos cardeais e a ele mesmo, o Papa pediu “tornarmo-nos ouvintes dóceis da sua voz e ministros fiéis dos seus desígnios de salvação, recordando que Deus gosta de se comunicar, mais do que no estrondo do trovão e do terremoto, no ‘murmúrio de uma brisa suave’ (1Rs 19, 12) ou, como alguns traduzem, numa ‘leve voz de silêncio’. Este é o encontro importante, a que não se pode faltar, e para o qual devemos educar e acompanhar todo o santo Povo de Deus que nos está confiado”. Adesão ao Vaticano II Nessa perspectiva, ele destacou “a beleza e sentir a força desta imensa comunidade, que com tanto carinho e devoção saudou e chorou o seu Pastor, acompanhando-o com a fé e a oração no momento do seu encontro definitivo com o Senhor. Vimos qual é a verdadeira grandeza da Igreja, que vive na variedade dos seus membros unidos à única Cabeça, que é Cristo, «Pastor e Guarda» (1Pe 2, 25) das nossas almas”. Uma atitude que levou o Papa a pedir “que hoje renovássemos juntos a nossa plena adesão a este caminho, que a Igreja universal percorre há décadas na esteira do Concílio Vaticano II”. Uma dinâmica assumida pelo Papa Francisco, que “recordou e atualizou magistralmente os seus conteúdos na Exortação Apostólica Evangelii gaudium, da qual gostaria de sublinhar alguns pontos fundamentais: o regresso ao primado de Cristo no anúncio (cf. n. 11); a conversão missionária de toda a comunidade cristã (cf. n. 9); o crescimento na colegialidade e na sinodalidade (cf. n. 33); a atenção ao sensus fidei (cf. nn. 119-120), especialmente nas suas formas mais próprias e inclusivas, como a piedade popular (cf. n. 123); o cuidado amoroso com os marginalizados e os excluídos (cf. n. 53); o diálogo corajoso e confiante com o mundo contemporâneo nas suas várias componentes e realidades (cf. n. 84; Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 1-2)”. Leão XIV insistiu em que “trata-se de princípios do Evangelho que sempre animaram e inspiraram a vida e o agir da Família de Deus, valores através dos quais o rosto misericordioso do Pai se revelou e continua a revelar-se no Filho feito homem, última esperança de quem procura com sinceridade a verdade, a justiça, a paz e a fraternidade”, palavras inspiradas no Magistério de seus dois últimos predecessores. Nome de Leão XIV Nesse momento, explicou o motivo de ter escolhido o nome de Leão XIV, explicitando os motivos: “a principal é porque o Papa Leão XIII, com a histórica Encíclica Rerum novarum, abordou a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial; e, hoje, a Igreja oferece a todos a riqueza de sua doutrina social para responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do…
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