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Trabalho Escravo: um combate que precisa do compromisso de todos

Foto: MPT    Na Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo somos chamados a refletir sobre uma realidade ainda presente no meio de nós. 28 de janeiro é a data em que se faz memória e se reafirma o compromisso no combate de uma prática cruel e desumana no Brasil. Não podemos fechar os olhos, uma atitude muito presente na sociedade brasileira diante dessa e muitas outras situações, somos desafiados a ficar de olho aberto para enfrentar uma realidade que provoca dor e sofrimento em muita gente. A data, que vem se celebrando desde sua instituição em 2009, lembra o fato acontecido em Unaí (MG), em 28 de janeiro de 2004, quando três auditores-fiscais do trabalho e o motorista que dirigia o carro foram assassinados enquanto iam a caminho para fiscalizar situações análogas ao trabalho escravo em fazendas de feijão na região. Ninguém pode ignorar que o Trabalho Análogo à Escravidão é uma das formas mais cruéis de tráfico de pessoas. Mesmo com os avanços na fiscalização, os números ainda são alarmantes. Sirva como exemplo o fato de que em 2023 mais de 3.100 trabalhadores foram resgatados de situações degradantes e desumanas, caracterizadas por jornadas exaustivas, condições de trabalho insalubres, cerceamento de liberdade e, muitas vezes, violência física e psicológica, segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foto: MTE    O Papa Francisco tem insistido em que o trabalho é fundamental para a dignidade de uma pessoa, considerando a escravidão moderna como crime de lesa humanidade. São pensamentos que tem que nos levar a refletir sobre situações presentes em nosso meio, dado que o trabalho escravo se manifesta de muitos modos na sociedade brasileira, indo além do que acontece no campo. O trabalho escravo é uma realidade nas fábricas, em empresas de todo tipo e até no trabalho doméstico. As vítimas sempre são as pessoas mais pobres e necessitadas, que diante da falta de recursos e oportunidades são aliciadas com falsas promessas de emprego e submetidas a condições de exploração que violam seus direitos humanos mais básicos. Uma realidade que, mesmo aqueles que conhecem, nem sempre é denunciada. Não podemos aceitar que o lucro de pessoas sem escrúpulos fale mais alto do que os direitos humanos. É inadmissível que ainda hoje algumas pessoas sejam privadas de direitos básicos em consequência do trabalho escravo. Se faz necessário tomar postura, mas na verdade continuamos comprando produtos de empresas condenadas por esse tipo de práticas, e inclusive tentamos contratar trabalhadores sem garantir todos os direitos que eles têm. A realidade muda quando o conjunto da sociedade se empenha para que assim seja. Diante de qualquer tipo de trabalho escravo, diante de qualquer situação de tráfico de pessoas, a atitude tem que ser firmemente contrária. A vida das pessoas depende de nosso compromisso, e por isso estar de olho aberto é uma atitude decisiva.  Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Clero das Igrejas Particulares de Alto Solimões, Tefé e Coari realizam seu Retiro Anual

O Retiro anual reúne o clero das três Igrejas, para rezar, partilhar e alimentar a Espiritualidade do presbítero. Momento de revigorar a comunhão e sinodalidade entre as três Igrejas Locais, e neste ano de 2025 tem como tema: “A missão nasce e se alimenta de uma memória agradecida, para sermos peregrinos da esperança”. A abertura do retiro aconteceu com a celebração Eucarística na noite da 27 de janeiro de 2025, presidida por Dom Marcos Piatek, bispo da Diocese de Coari. No dia 28 iniciou-se propriamente dito, o retiro anual do Clero das Igrejas, tendo Coari como local do encontro, e irá até o dia 31 de janeiro. Este é o terceiro ano consecutivo que a Diocese Alto Solimões, Diocese de Coari e a Prelazia de Tefé, realizam o retiro anual do clero juntas; sinal de comunhão e de sinodalidade entre estas Igrejas. Esta dinâmica iniciou no ano de 2022, e este primeiro ano, o orientador foi Dom Altevir, bispo da Prelazia de Tefé, que convidou o grupo a rezar a partir dos Discípulos de Emaús, construindo junto com todos, um Projeto Missionário, elaborado sob a força da oração. Já o segundo ano quem orientou foi o Pe. Antônio Niemiec, então secretário das Pontifícias Obras Missionárias – POM, a partir do tema: “A identidade do Missionário Presbítero”. O mesmo ressaltava que em cada fase da vida, os clérigos são convidados a visitar o âmago da sua existência, onde se encontram as motivações mais profundas de sua vocação presbiteral. “A missão nasce e se alimenta de uma memória agradecida, para sermos peregrinos da esperança”, é o tema deste ano, orientado pelo Pe. Siro Stocchetti, italiano, comboniano, e atua na Área Missionária São Daniel Comboni, na Arquidiocese de Manaus. Nesta primeira manhã, o orientador, depois da oração invocando a presença do Espírito Santo, se dirigiu aos participantes, que este ano reúne cerca de 40 padres, sendo 19 deles da Prelazia de Tefé, e ainda conta com a participação dos bispos diocesanos destas Igrejas: Dom Adolfo Zon Pereira, Dom Marcos Piatek e Dom Altevir José Altevir da Silva. Este primeiro momento do retiro, o orientador Pe. Siro, trouxe a reflexão sobre o papel do orientador, que é propor um caminhar espiritual, apresentando passo a passo; um itinerário, com metas, ou seja, onde cada um se encontra e onde quer chegar. A partir do tema, o mesmo dizia que é preciso alimentar a Memória deste Deus que fez história com cada um, e que os possibilita seguir a missão com serenidade e confiança. Ao falar do objetivo do retiro, dizia ainda que é necessário: “encontrar com Jesus que me revela o Pai”, citando São Tomás de Aquino, com a frase: “ver em todas as coisas a presença de Deus”, e afirmava que todo encontro com o Senhor, causa em cada um, mudança, levando à conversão. Pe. Siro falou da importância do silêncio, especialmente, o silêncio interior. Destacou a importância da oração, ou seja, Deus falando com cada um. E confirmou que o Espírito Santo é o verdadeiro protagonista do retiro.  Ao indicar o texto de Mc 6,30-32, para cada um entrar no retiro, chamou a atenção para o exercício de autoescuta, recorrendo ao ponto de partida: como cada um se encontra? Na primeira meditação, Pe. Siro apresentou como tema, “o encontro do desejo de Deus com o meu desejo”. Por citações bíblicas, indicadas para este caminho: Ap 3,20 e Lc 19, 1-10, com o foco no versículo 5, “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua Casa”. E ao concluir disse que os participantes devem contemplar Jesus que está à sua porta, pedindo licença para entrar. “Se alguém ouvir a minha voz, abrir a porta, eu entrarei em sua casa, cearei com ele e ele Comigo”. Enviando todos para à meditação pessoal, convidou-os a pedir a graça de Deus rezando: “Concede-me Senhor, contemplar-te em teu desejo de me encontrar, a graça de fortalecer o meu desejo de me encontrar contigo para ser testemunha do teu amor na missão que me confiastes. Dom José Altevir da Silva, CSSp

Cardeal Steiner: “A escuta disponível da Palavra de Deus, conduz às origens, à proximidade com Deus”

Na homilia do terceiro domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia lembrando que “como era do seu costume, Jesus levantou-se para fazer a leitura. Levantar-se, pôr-se de pé, permanecer na prontidão de quem deseja receber a graça da visitação! De pé como alguém que está na receptividade de uma missão e na disponibilidade de pôr-se a caminho. De pé na posição de quem deseja ouvir com reverência o anúncio do passado, do presente e do futuro.” Na primeira leitura ouvimos, disse o presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, “como Esdras, de pé, abriu o livro da Lei à vista de todos, e o povo ficou de pé para ouvir a leitura. E estavam à escuta desde o amanhecer até ao meio-dia. Todo o dia, o tempo todo, deixando-se iluminar, aclarar pela palavra. Todos os que tinham capacidade de compreensão mulheres e homens era dirigida a palavra. E a todos era demonstrado o sentido da Palavra, todos eram instruídos pela palavra.” Ele recordou que “vindo do exílio, ainda no tempo de miséria e desolação, o povo deseja reconstruir Jerusalém com suas muralhas e as portas. Mais que o templo e a cidade, era necessário restaurar a vida do Povo de Deus. Necessário reconstruir, reconciliar a vida com suas injustiças, as contradições e traições.” “A leitura da palavra para que todo o Povo pudesse recordar, acordar para o compromisso fundamental que Deus estabelecera na Aliança. Para garantir que seriam fiéis à Aliança, era necessário voltar às origens, às palavras iluminadoras e encantadoras do princípio, do chamado, da razão de ser Povo de Deus. Então, reconstruir o templo, as muralhas, guiados, alicerçados, assegurados, pela Palavra de Deus. O Povo de pé na disponibilidade da Palavra”, sublinhou. “E diante da palavra que desperta e ilumina, o povo responde; ‘Amém, Amém!’, assim seja! Escuta de pé, mas no assentimento se prostra, se inclina em sinal de aceitação e recolhimento da palavra. O povo ao escutar a palavra de pé se coloca na prontidão de quem deseja restaurar não apenas o templo e as muralhas, mas especialmente a sua relação com Deus. Está disposto à graça de uma vida nova que Deus está a oferecer”, disse o cardeal Steiner. Ele destacou que “Na disposição, aceitação e reverência do povo, Neemias convida: ‘Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será vossa força.’ (Ne 8,8-10)” Segundo o arcebispo de Manaus, “a escuta disponível da Palavra de Deus, conduz às origens, à proximidade com Deus e, por isso, se comove. chora; interpelado pela Palavra quanto à sua origem, o povo se converte busca a mudança de vida, desperta para a alegria e a solidariedade, festeja, partilha. A escuta das origens, da fonte, é a força de povo de Deus.” No Evangelho proclamado, o cardeal ressaltou que “Jesus se levanta, recebe a palavra e a proclama de pé. Caiu-lhe nas mãos o profeta. De pé proclama e escuta a palavra do profeta que no passado indicava o futuro. Na palavra proclamada deixar percutir no presente o que o passado esperava, ansiava, desejava. Deixar ressoar as promessas do futuro que agora se tornaram realidade.” “De pé, na prontidão, disposição, disponibilidade, Jesus escuta a missão: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para proclamar um ano da graça do Senhor.’ E o fogo da paixão, que no Batismo se acendera em seu coração, crepitava com todo o ardor. Ele não se sente apenas ungido, mas o ungido por excelência, o Cristo prometido ao longo de todo o Antigo testamento. O Espírito que se apossa de Jesus, torna-se, assim, sua paixão, seu desejo, seu Amor. Por isso, diferentemente dos profetas, não há mais separação entre ele o Espírito. Ele e o Espírito são um como Ele e o Pai são um”, disse o arcebispo de Manaus, inspirado no comentário de Fernandes e Fassini, acrescentando que “sente-se enviado na força do Espírito.” “De pé, Jesus sente-se enviado, para aqueles que já não caminham: cegos, coxos, feridos no corpo e no espírito. Enviado pelo Espírito, leva o Espírito que transforma todas as coisas, mantém em vida todos os seres, que oferece aos desvalidos a graça e a libertação. Todos agora a caminho na força do Espírito”, disse o presidente do Regional Norte 1. “Proclama as bem-aventuranças, ensina a compaixão e o cuidado do Pai, como aos lírios do campo e os pássaros do céu; mostra transformação da vida na morte, recompõe os desvalidos, sacia os famintos, abre olhos aos cegos, concede passos aos descaminhantes, deixa todos se sentirem irmãos e irmãs. O Espírito que repousou sobre ele, o faz anunciador de um novo céu e de uma nova terra”, destacou das palavras do Evangelho. Segundo o cardeal Steiner, “como Jesus que de pé escuta a palavra e percebe a sua missão, caminha ao encontro das necessidades dos irmãos e irmãs, assim nós, que ouvimos a Palavra do Senhor de pé, com disposição e disponibilidade, somos enviados ao encontro dos irmãos e irmãs. Participamos, pelo batismo, da missão de Jesus.” Ele lembrou as palavras de São João Crisóstomo: “O sacramento do altar é sacramento do irmão; deixamos o altar da Eucaristia para ir ao altar do pobre. Os dois altares são inseparáveis, porque a finalidade da liturgia é gerar a Igreja da compaixão, à imagem de Deus. A Igreja transforma-se na sarça ardente, da qual ninguém pode se aproximar sem ver a miséria do povo e ouvir seus gritos (cfr Ex 3,7).”  Citando as palavras de Jesus, “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”, o arcebispo de Manaus enfatizou que “a palavra que também nos revela uma missão, nos envia, nos coloca a caminho; a Palavra…
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Ninguém pode se achar dono do mundo

Na última segunda-feira 20 de janeiro de 2025, Donald Trump assumiu seu cargo como presidente dos Estados Unidos. Suas primeiras palavras têm que nos levar a refletir, a entender que ninguém pode se achar dono do mundo. O desejo de dominar os outros, de impor a própria visão do mundo, está presente em muitas pessoas. Diante disso somos chamados a entender que uma convivência sadia entre as pessoas, entre os países, é fruto da escuta, do diálogo, do respeito pelo outro, seja grande, seja pequeno. Quando isso não acontece, nos deparamos com as guerras, que podem ser de muitos tipos, não só armadas. As consequências das guerras sempre são dramáticas para todos, mas especialmente para os pequenos, que sempre pagam a conta das decisões erradas dos poderosos. Se Donald Trump levar adiante suas ameaças, podemos nos deparar com uma grande ameaça para o futuro da humanidade. Muitos países irão reagir, colocando em risco a vida de muitas pessoas. Suas atitudes preconceituosas, sem respeito para com o outro, especialmente para quem é ou pensa diferente, é algo que não pode ser tolerado. O que ele tem falado em relação às políticas migratórias, as ameaças aos migrantes que já vivem nos Estados Unidos, seu negacionismo sobre questões de saúde ou climáticas, seus ataques a diversos coletivos, a ameaça de invadir territórios mundo afora, deveria levar a uma reação global. Mas infelizmente essas atitudes estão presentes em muitas pessoas, incapazes de dialogar, com atitudes xenófobas, racistas, aporofóbicas, preconceituosas. Gente que se acha mais do que os outros, que se empenha em instaurar um pensamento único, acorde com o seu próprio pensamento, gente que não respeita quem vem de fora, que não aceita que ninguém pense diferente, gente fechada em seu próprio ego, que não consegue enxergar além do seu nariz. O que fazer diante dessas pessoas? Como reagir frente a essas atitudes? Como evitar cair nesses erros? Como educar os mais jovens para evitar que eles possam chegar nesse ponto? A democracia é bem mais do que um sistema teórico, ela tem a ver com o modo de vida, de se relacionar uns com os outros. Ninguém pode esquecer que sem diálogo, escuta, uma boa convivência, a democracia acaba. Os ditadores, mesmo eles tendo sido eleitos democraticamente, são um grande perigo para a humanidade. Ainda mais quando eles se acham escolhidos por Deus para essa missão. Em verdade, o Deus pelo qual eles se dizem escolhidos, nada tem a ver com o Deus de Jesus Cristo, que prega e vive com atitudes completamente diferentes. Não deixemos nos enganar por sujeitos que só pensam em se próprio, que se esforçam em distorcer a realidade para cuidar unicamente de seus interesses. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Pastorais Sociais e Organismos do Regional Norte1 preparam Seminário das Pastorais Sociais

A sede do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acolheu nesta terça-feira 21 de janeiro de 2025 a reunião das Pastorais Sociais e Organismos em nível regional junto com a Equipe da Ecologia Integral da arquidiocese de Manaus. O objetivo do encontro foi preparar o Seminário das Pastorais Sociais em nível, que será realizado em maio de 2025. Durante a reunião os participantes viram a pauta de reunião, sendo construídos os passos que serão dados ao longo do seminário. Junto com isso foram constituídas as equipes de trabalho que irão realizar os trabalhos durante o seminário. O tema da Ecologia é de grande importância para a Igreja do Brasil em 2025, dado que neste ano completa 10 anos da publicação da encíclica Laudato Si´, a Ecologia é o tema da Campanha da Fraternidade e em novembro de 2025 acontecerá em Belém do Pará a COP 30. Luis Miguel Modino, asseessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Steiner: “Vivemos numa sociedade onde o amor desinteressado, gratuito, vai se diluindo”

“O Evangelho proclamado nos fez ver a festa de casamento em Caná da Galileia, numa pequena aldeia de montanha, a quinze quilômetros de Nazaré”, disse o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner na homilia da missa do Segundo Domingo do Tempo Comum. Ele lembrou que “na Galileia, o casamento entre as pessoas do campo durava de vários dias. Familiares e amigos, juntos a celebrar: comiam, bebiam, dançavam com ritmos próprios de casamento e cantando canções de amor. Uma grande festa!” Segundo o presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), “o centro do Evangelho das Bodas de Caná é Jesus. Não conseguimos ver o rosto da noiva, nem do noivo, como também não ouvimos a voz, nem as ações de cada um. E na celebração do casamento vemos o primeiro sinal de Jesus: ‘Este foi o início dos sinais de Jesus, em Caná da Galileia’”. “Os esponsais lembram uma relação nova: nova vida, novo início, novo horizonte. Recordam a fecundidade, a prodigalidade, a partilha. Os esponsais, expressam o que há de mais próprio e único em cada pessoa humana: o amor. O casamento como o de Caná da Galileia, canta a presença do amor, e o amor revelado por Deus em Jesus Cristo. As núpcias, os esponsais, como nos lembra a Sagrada Escritura, falam, dizem, expressam, cantam a beleza, a nobreza, a singeleza, a cordialidade, da relação de Deus com cada um de seus filhos e filhas. Deus, o eterno amante em busca de seus amados, de suas amadas”, ressaltou o arcebispo. “No meio das danças, dos cantos, da festa, a mãe de Jesus percebe: ‘Eles não têm mais vinho’”, mostrou o cardeal Steiner. Ele questionou: “Como vão prosseguir cantando e dançando? Como continuar com a festa das núpcias?”, lembrando que “o vinho era indispensável num casamento. O vinho era o símbolo mais expressivo do amor e da alegria”. Ele recordou que diz uma tradição: “O vinho alegra o coração”. Igualmente, disse que “o Cântico dos Cânticos eleva o vinho como sinal de alegria e símbolo do amor: ‘o amor é mais doce do que o vinho. O seu aroma é uma delícia! E o seu nome é como o melhor dos perfumes. Ficamos alegres por você e nos lembraremos que o amor que você tem é mais doce do que o vinho’ (1,1-8).” Daí o arcebispo perguntou: “O que acontece com um casamento sem alegria e sem amor? O que se pode celebrar com o coração triste e vazio de amor?” “No pátio da casa estão seis talhas de pedra. Nelas cabem cerca de 100 litros de água em cada uma. Estão colocadas ali de maneira fixa, firme. Nelas se guarda a água para as purificações. A piedade religiosa daqueles camponeses que procuram viver puros diante de Deus. Antes das núpcias todos haviam, certamente, realizado as abluções, a purificação para serem dignos de participar da festa. Jesus diz aos que estavam servindo: Enchei as talhas de água”, recordou. “Da casa à fonte, da fonte à casa. Indo e vindo com os cântaros, com as vasilhas vazias na ida e cheias de água na volta. A água colhida, retirada na fonte, carregada sobre os ombros, sobre a cabeça, devagar enchendo as talhas. Das idas e vindas, de muitas ida e vindas, ali estão as talhas cheias, repletas, transbordantes, pois os que serviam encheram-nas até a boca”, afirmou. Em palavras do arcebispo, “o voltar-se para a fonte das águas é a possibilidade da plenitude da purificação: transformação. Jesus faz o segundo convite: ‘Agora tirai e levai ao mestre-sala’. E retiraram a água das talhas e levaram ao mestre-sala. O mestre-sala não sabia de onde viera esse vinho saboroso, melhor que o primeiro, de fina espécie, mas o sabiam os servos do caminho que haviam colhido, carregado, suado, sofrido a água, e haviam enchido as talhas. Sim eles sabiam da transformação. Eles os servos das núpcias, os que servem, os que fazem a festa acontecer, os que obedecem… sim, os servos sabiam de onde era o vinho mais saboroso.” O cardeal Steiner enfatizou que “Jesus transforma a água em vinho, manifestando novo amor e nova alegria naquelas pessoas que celebravam. O primeiro sinal: a alegria de viver, de conviver, de celebrar! A graça do amor que deixa festejar e fecundar a vida.” Ele lembrou que “Papa Francisco nos ensina: é bom pensar que o primeiro sinal que Jesus realiza não é uma cura extraordinária nem um milagre no templo de Jerusalém, mas um gesto que responde a uma necessidade simples e concreta das pessoas comuns, um gesto doméstico, um milagre, discreto, silencioso. Ele está pronto para nos ajudar, para nos aliviar. E assim, se estivermos atentos a estes “sinais”, somos conquistados pelo seu amor e tornamo-nos seus discípulos. Há outra caraterística distintiva do sinal de Caná: o vinho melhor. Geralmente, o vinho que se oferecia no final da festa era o menos bom; também hoje se faz desta forma, naquele ponto as pessoas já não distinguem muito bem se é um bom vinho ou um vinho ligeiramente regado. Jesus, ao contrário, certifica-se de que a festa se conclua com o melhor vinho. Deus quer o melhor para nós, Ele quer que sejamos felizes. Ele não estabelece limites nem cobra juros. No sinal de Jesus, não há lugar para segundos fins, para pretensões em relação aos noivos. Não, a alegria que Jesus deixa no coração é alegria plena e abnegada. Nunca é uma alegria diluída!”, citando suas palavras no mesmo domingo do ano 2022. “O casamento em Caná é um convite para vivermos com sabor, de modo compassivo, fraterno, amoroso. É uma inspiração para buscar caminhos mais humanos, mais sóbrios, mais partilhados, numa sociedade que busca o bem-estar afogando o espírito e matando a compaixão. O texto pode despertar o gosto por uma vida mais elevada, mas equânime em pessoas vazias de interioridade, pobres de amor, necessitadas de esperança. Um convite a sair para as periferias do espírito e geográfico, para manifestar o verdadeiro sentido viver com prazer!”, ressaltou.…
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Seminaristas de Novo Hamburgo e Colatina iniciam experiência missionária em São Gabriel da Cachoeira

Dois seminaristas da diocese de Novo Hamburgo (RS) e dois seminaristas da diocese de Colatina (ES) iniciaram recentemente uma experiência missionária na diocese de São Gabriel da Cachoeira. Os seminaristas da diocese de Novo Hamburgo são Anderson Possamai e Luan Carneiro, que ficarão nessa experiência durante um ano. Eles chegaram em São Gabriel da Cachoeira acompanhados do reitor do seminário da diocese de Novo Hamburgo, padre Miguel Arnold. Da diocese de Colatina chegaram os seminaristas Carlos Daniel de Souza Martins, que igualmente ficará por um ano, e Wellington Tolentino Gomes, que vai fazer uma experiência missionária de um mês. A Amazônia desperta o deseja de uma Igreja em missão Segundo o bispo da diocese de São Gabriel da Cachoeira, dom Raimundo Vanthuy Neto, a experiência pastoral que os seminaristas irão realizar, para servir na Igreja da Amazônia, mostra que “a Amazônia continua atraindo e continua despertando o desejo de uma Igreja em saída, uma Igreja em missão”. Ele destacou a alegria com que os seminaristas têm sido acolhidos pelo povo da diocese. Eles estão participando da Escola de Teologia e Pastoral da diocese, iniciada no dia 15 de janeiro, onde será trabalhado a Campanha da Fraternidade, o Jubileu, a história da Igreja no Rio Negro e Liturgia, que reúne mais de 70 lideranças das comunidades da diocese de São Gabriel da Cachoeira, dando assim continuidade a uma experiência de formação “para servir bem ao Povo de Deus”, enfatizou dom Vanthuy. Um desejo dos seminaristas Segundo o padre Miguel Arnold, os seminaristas de Novo Hamburgo “se dispuseram a fazer essa experiência missionária como parte de seu processo formativo, foi um desejo do coração deles, que a gente acolheu de muito bom grado, porque a gente percebe o benefício para a formação deles e a repercussão que essa experiência missionária vai trazer dentro do próprio seminário, dentro da própria diocese, na sensibilização de todos os seminaristas e de toda nossa realidade diocesana para a missão”. O reitor do seminário da diocese de Novo Hamburgo disse que “a partir do fato deles estarem aqui, inseridos na missão junto aos povos originários aqui na região amazônica, nós estaremos acompanhando de perto com as nossas orações, de alguma forma também nos mobilizando para enviar ajuda para eles. Estamos todos muito mais sensíveis para a dimensão missionária e quem sabe o Espírito Santo vai suscitando cada vez mais missionários na nossa diocese. Fazendo essa experiência de igrejas irmãs vamos enriquecendo cada vez mais nossa eclesiologia, nossa consciência de sermos uma só Igreja, espalhada pelo mundo todo, pelo Brasil inteiro, somos sempre a mesma Igreja com a única missão de levar Jesus Cristo a todas as pessoas”. A diocese de Novo Hamburgo tem uma experiência de igreja irmã com a arquidiocese de Porto Velho (RO), e “nós estamos alargando essa experiência missionária com a diocese de São Gabriel da Cachoeira”, disse o padre Miguel, que enfatizou o desejo da diocese de “desenvolver cada vez melhor a dimensão missionária”, com o apoio e incentivo do bispo da diocese, dom João Francisco Salm, querendo “estar em linha com a Igreja de Papa Francisco, essa Igreja em saída, essa Igreja que busca as periferias existenciais e geográficas, pois aí onde há povo, aí há razão para estar o anúncio da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo”, disse o reitor de seminário de Novo Hamburgo, que mostrou o desejo de “crescer cada vez mais nessa compreensão, nesse esforço missionário”. Apoio e incentivo do bispo e formadores Para Anderson Possamai, seminarista de 25 anos, da cidade de Parobé (RS), que será missionário na paroquia São Sebastião de Cucui, um distrito do município de São Gabriel da Cachoeira, o desejo missionário surgiu do Congresso Missionário realizado em Manaus, representando o Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE), do Rio Grande do Sul, quando disse ter se apaixonado pela realidade local e a Igreja local. Ele destacou o apoio e incentivo do bispo e dos formadores, e espera “não só ensinar o amor de Deus para aquelas pessoas, mas que eu possa aprender muito também com essas pessoas que encontrar pelo caminho”. Sinal para a Igreja de missão e a Igreja local Também da diocese de Novo Hamburgo chegou o seminarista Luan, do primeiro ano da Teologia, que também realizará sua missão em Cucui. “Esse desejo de fazer missão, de levar Cristo aos outros e aprender deles também sempre esteve comigo desde que entrei no seminário há oito anos”, disse o seminarista, que foi amadurecendo seu desejo na direção espiritual e no diálogo com os formadores. Ele destaca que a diocese sempre ficou muito feliz em acolher seu pedido, pois existe o desejo de ter uma diocese mais missionária. Ele disse que “nós na seremos um sinal para as pessoas aqui, mas para as pessoas que deixamos em nosso Estado, vai ser um grande crescimento para todos”. Desde criança encantado pela missão Carlos Daniel, seminarista da diocese de Colatina, tem 25 anos e terminou os estudos de Teologia no final de 2024, iniciando agora a etapa da síntese vocacional. Ele destacou que “desde pequeno, eu sempre estive muito envolvido com a atividade missionária da Igreja”, participando da Infância e Adolescência Missionária. Um encanto pela missão que continuou quando ele entrou no seminário, sendo reforçado com a participação ativa do Conselho Missionário de Seminaristas, chegando a ser secretário do COMISE Nacional. Ele disse estar em São Gabriel da Cachoeira para acompanhar as celebrações do Ano Santo e vivenciar o centenário da Igreja do Rio Negro, destacando que se encheu de alegria quando soube que iria realizar essa experiência, que “pode enriquecer muito a minha vida e a minha vocação”. Ele disse saber os desafios logísticos e culturais existentes em São Gabriel, pelas distâncias e os muitos povos indígenas que vivem na diocese, “mas venho com muita disposição missionária, venho como um irmão entre irmãos para contemplar o rosto Amazônico da Igreja”, sublinhado que le espera de todo coração, “ser testemunha de Cristo para o povo de São Gabriel da Cachoeira, mas sobretudo encontrar Cristo no…
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A esperança da paz

No Ano Jubilar, que nos faz um chamado a viver com esperança. nos deparamos com que a paz entre israelitas e palestinos é possível. O diálogo dos últimos dias faz vislumbrar a possibilidade, a esperança da paz entre dois povos historicamente inimigos, que nos últimos 15 meses se enfrentaram em mais uma guerra com consequências dramáticas, especialmente para a Franja de Gaza. Uma guerra sem sentido, que tem que nos levar a refletir sobre como superar os conflitos em diversos níveis, mas também os conflitos dos quais cada um, cada uma de nós é protagonista. Em uma sociedade cada vez mais polarizada, onde qualquer situação, muitas vezes nímias, é motivo de enfrentamento, somos chamados a nos perguntarmos até que ponto a paz é importante em nossa vida. Sermos conscientes da necessidade da paz é o primeiro passo para iniciar o caminho que possa nos conduzir até alcançá-la. A paz depois de qualquer conflito é consequência do diálogo e da negociação para encontrar caminhos comuns, que nos permitem conviver com os outros, também com aqueles que pensam de modo diferente. Só no respeito mútuo conseguimos avançar nesse caminho de paz que nos leva a conviver com os outros em um espaço comum. A guerra vivida entre Israel e Palestina deve nos ajudar a entender que o sofrimento dos pequenos é consequência das decisões dos grandes, que respondem a interesses políticos, económicos, pessoais…, mas que fazem com que esses interesses prejudiquem gravemente a vida de muita gente. O egoísmo de poucos provoca o sofrimento de muita gente. Como isso atinge nossa vida? Até que ponto os diversos conflitos presentes no mundo marcam nossa vida cotidiana? Como nos posicionamos diante das guerras que hoje provocam dor e sofrimento em tanta gente? Qual postura tomamos quando vemos tantas cenas de morte, especialmente de morte de inocentes, sobretudo de morte de crianças em tantas guerras espalhadas pelo mundo? Infelizmente, parece que temos nos acostumados com essas situações, fazendo com que nosso coração tenha se endurecido e a compaixão tenha se esfumado de nossos sentimentos. A dor dos outros não produz dor em nossa vida, o sofrimento dos outros não é mais nosso sofrimento. Permanecemos impassíveis diante dessas realidades e aos poucos vamos nos desumanizando. O sofrimento, a dor de qualquer ser humano não pode ser algo indiferente para ninguém. Sermos conscientes disso é um caminho para avançar até a paz, para não perder a esperança de que podemos viver em paz. Se faz necessário um esforço para encontrar o caminho de algo que sempre é possível, inclusive entre inimigos irreconciliáveis: viver em paz. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Mentiras ao serviço do poder político e do mercado

A manipulação da informação sempre foi uma ameaça para a humanidade, pois gera situações que claramente prejudicam os mais fracos. Nos últimos anos, com a proliferação das redes sociais e da internet essa ameaça tem aumentado exponencialmente, gerando situações cada vez mais preocupantes. O anúncio de Mark Zuckerberg de que não serão checadas as publicações nas redes sociais que comanda, principalmente Facebook e Instagram e todos os aplicativos que fazem parte do Meta, abre a possibilidade de que as mentiras, as famosas Fake News, proliferem cada vez mais, servindo interesses espúrios no campo da política, da informação e do poder económico. Podemos dizer que estamos diante de uma institucionalização da mentira, um mecanismo que nos últimos anos, nas últimas eleições no Brasil, tem provocado graves consequências, ajudando a propagar Fake News que tiveram gravíssimas consequências para a sociedade brasileira, um fenómeno que tem se espalhado em diversos países do mundo. Sabemos que as redes sociais têm se tornado um instrumento de grande importância na divulgação das notícias. Através delas, a maioria das pessoas acessam as noticias dos diversos sites e veículos de informação, mas não podemos aceitar ser enganados para favorecer esses interesses espúrios que patrocinam governos, empresas e instituições que não visam o bem comum e muito menos a defesa dos pequenos. O mercado, e não podemos esquecer que as redes sociais são instrumentos para favorecer os interesses do mercado, está ao serviço dos poderosos e dirige as decisões políticas na maioria dos países. Essa realidade vai moldado o pensamento social e fazendo com que as pessoas sejam manipuladas de maneira cada vez mais explícita, mudando o pensamento humano e promovendo o controle social e o pensamento único. Como nos posicionarmos diante dessa realidade? Será que vamos ter a coragem de ir contra um sistema que tenta impor suas próprias regras? Vamos deixar que a mentira, amparada pelo poder político e económico, se torne norma de conduta social que determine o decorrer da história? A ética e a religião, especialmente o cristianismo, que prega o bem comum e a defesa dos pequenos e excluídos, devem ser instrumentos que ajudem a reagir diante dessa realidade. Uma mentira ao serviço do poder político e económico é algo que tem que nos levar a pensar. A liberdade que eles pretendem vender não é real, pois estamos diante de uma anomia, uma falta de leis que nunca leva pelo caminho que favorece a vida para todos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Cardeal Steiner: “Na encarnação de Deus, está Maria, Mãe de Deus, que em Jesus é nossa Mãe e Mãe da Igreja”

Na solenidade da Mãe de Deus, Mãe da Igreja, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), dizendo que “a liturgia nos apresenta a visita dos pastores ao Menino Deus. O texto sagrado a nos recordar a razão, a verdade da nossa fé ao louvarmos a Maria como Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe: o mistério do nascer de Deus em nossa humanidade.” Ele lembrou que “ouvimos, mais uma vez o anúncio do Anjo: ‘Hoje, nasceu para vós um Salvador!’ (Lc 2,10-11). O anúncio levou os pastores uma dupla resposta: que o sinal seja verificado e que seu significado aceito. Os pastores caminham pressurosos e encontram tudo como fora anunciado pelo Anjo: Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Depois de terem aceitado o anúncio e terem encontrado o Menino e sua Mãe, irrompem em louvores e ação de graças. Um verdadeiro anúncio a todos. Um anúncio de paz, de fraternidade. A Boa Nova do nascer de Deus é proclamado a todos quantos encontravam. São os primeiros evangelizadores.” Com as palavras de Fernandes e Fassini, o arcebispo de Manaus afirmou que “A tradição cristã vê nestes pastores a figura dos pobres da terra que vivem à margem da segurança e das benesses do estado, da sociedade e da religião, uma gente fora da lei, envolvida, muitas vezes, em brigas internas por causa de furtos e outras desavenças comuns neste gênero de vida. Mas, não podemos esquecer, principalmente, que esses pastores estão ligados a Belém, a cidade de origem do menino Davi, pequeno pastor, escolhido para ser o grande rei, um segundo fundador do Povo eleito, imagem do futuro Messias; devemos também recordar Abraão e demais patriarcas, humildes e simples pastores que, também, souberam dar sua resposta de fé à visita e ao chamado do Senhor.” Diante disso, o cardeal Steiner questionou: “Quem é o centro do anúncio, quem é recordado, anunciado?”, respondendo que é “Aquele que recebe o nome de Jesus.” Segundo ele, “no mistério revelativo, na encarnação de Deus, está Maria, Mãe de Deus, que em Jesus é nossa Mãe e Mãe da Igreja. Não fosse a Mãe de Deus, não a teríamos como mãe e não a celebraríamos como a Mãe da Igreja.” “Na beleza, singeleza do mistério do Natal temos diante de nossos olhos a presença de Deus em nossa humanidade. Jesus é uma única pessoa, portadora de duas naturezas: a divina e a humana, que, sem se confundir, encontram-se profunda e intimamente unidas. Assim, Maria não é simplesmente a mãe Jesus, mas também do Verbo encarnado, ou, como a saudou Isabel: “Mãe do meu Senhor” (Lc 1,43). Ela é, assim a Theotokos, ela é verdadeira Mãe de Deus. É assim que a invocamos e saudamos e amos. Em cada Ave-Maria que sai do nosso coração a recordamos e a saudamos como a Cheia de Graça. E a invocamos: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores”, ressaltou o arcebispo de Manaus. Analisando a segunda leitura, o cardeal Steiner destacou que “nos recorda que somos filhos e filhas no Filho (Gl 4,4-7), pois “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher” (Gl 4,4). O Filho de Deus, o filho de Maria, gestado em nossa humanidade. Nesse processo gestativo, Jesus comunga da condição humana e nós recebemos a dignidade divina. Paulo insiste que o Filho de Deus é homem como todo e qualquer homem, homem inteiramente humano. Porque nascido de mulher, proclamarmos Maria como Mãe de Deus, nos afirmamos que somos todos verdadeiros irmãos, e irmãs. Nela vemos como Deus não fez descriminação, e nela, Mãe de Deus e nossa, somos todos pertencentes à mesma filiação. No Filho nascido, e nela Mãe de Deus, buscamos superar todos as discriminações: sociais, religiosas, econômicas, de raça, de cultura. ou político.” O presidente do Regional Norte1 recordou que “ao celebrarmos Mãe de Deus e nossa, celebramos o Dia Mundial da Paz”, e disse que “Papa Francisco nos enviou uma mensagem provocativa para o dia da Paz: ‘Perdoa-nos as nossas ofensas, concede-nos a tua paz’. A paz que nasce do perdão, a paz que nasce com o perdão. Sem reconciliação a paz permanece um desejo.” O cardeal citou as palavras do Santo Padre: “Na aurora deste novo ano que nos é dado pelo nosso Pai celeste, um tempo jubilar dedicado à esperança, dirijo os meus mais sinceros votos de paz a cada mulher e a cada homem, especialmente àqueles que se sentem prostrados pela sua condição existencial, condenados pelos seus próprios erros, esmagados pelo julgamento dos outros e já não veem qualquer perspectiva para a sua própria vida. A todos vós, esperança e paz, porque este é um Ano de Graça, que vem do Coração do Redentor!” “As relações novas que o perdão possibilita, cria a fraternidade. Dela nasce a paz. A intoxicação individualista, idólatra, consumista, oculta a justiça, desfaz a concórdia e impede a paz. A paz minada pela “desfraternidade”! Somos provocados a promover e fomentar relações que abrem o caminho da fraternidade: “Perdoa-nos as nossas ofensas, concede-nos a tua paz”. A paz nasce da fraternidade, do sermos todos irmãos e irmãs. Paz que é o cuidado uns pelos outros. O cuidado de irmãs e irmãos, desperta o espírito de bem-querer. Existem tensões, incompreensões, diferenças, até, às vezes agressões, mas o ser irmã, o ser irmão, refaz os laços, reconduz ao amor gerativo, possibilita a convivência de cuidado, justiça e fraternidade. Nada que não possa aproximar e no amar perdoar”, refletiu o arcebispo de Manaus. “Juntos pelas sendas da paz! E na busca da paz há necessidade da justiça e do perdão. A verdadeira paz é fruto da justiça. Será o perdão a curar as feridas e a restabelecer em profundidade as relações humanas fragmentadas, danificadas, rompidas. O perdão e a justiça estabelecem relações profundas e fecundas, pois não acontece na solidão, mas no encontro”, lembrou o cardeal Steiner com as palavras do Papa João Paulo II no Dia Mundial…
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