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Dom Samuel é acolhido na arquidiocese de Manaus para “verdadeiramente ser um instrumento de Deus”

A arquidiocese de Manaus, numa Eucaristia celebrada na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, acolheu seu novo bispo auxiliar, dom Samuel Ferreira de Lima, nomeado pelo Papa Francisco no dia 25 de novembro de 2024 e ordenado no dia 1º de fevereiro de 2025 em Rodeio (SC). A celebração contou com a presença dos bispos de Manaus, de várias dioceses do Regional Norte1, do clero local, da Vida Religiosa, seminaristas, representantes das paróquias, áreas missionárias, comunidades, pastorais, movimentos e organismos da arquidiocese. No início da celebração, depois de ser lida a Bulla pontifícia de nomeação, repetindo o gesto realizado na ordenação, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, junto com os bispos auxiliares, dom Zenildo Lima e dom Hudson Ribeiro, entregaram o báculo, sinal de pastoreio, a dom Samuel. O novo bispo iniciou sua homilia destacando no Evangelho a realidade do rio, algo presente no povo da arquidiocese de Manaus, “o rio que traz vida, o rio que faz a ligação entre as pessoas, o rio que traz o alimento.” Entretanto, disse o bispo, “Pedro vive uma experiência de frustração, a experiência do cansaço, da dor, de ter trabalhado a noite inteira e nada ter conseguido”. Nessa situação, “Jesus faz um convite a ele: lançar as redes em águas mais profundas”, ressaltando que “esse convite que Jesus faz a Pedro, também faz a cada um de nós, que diante dos dilemas da vida, muitas vezes nos sentimos cansados, acabrunhados, desesperançados, alquebrados pelas situações que humilham, que degradam, que excluem, que nos distanciam da verdadeira dignidade de sermos filhos e filhas do Deus amado.” “Pedro acolhe a Palavra, Pedro aceita o convite que Jesus faz e lança as redes em águas mais profundas”, disse dom Samuel, explicitando que “o significado em lançar as redes em águas mais profundas em nossa vida, significa a partir da palavra de Deus que nos faz perceber, como diz o profeta Isaías, que somos pecadores, que somos limitados, mas a Palavra vem como um toque em nossa boca. Para nos libertar, para nos dignificar, para nos impulsionar a se responsabilizar, a ir.” O bispo auxiliar enfatizou que “cada um de nós é chamado a se colocar nessa disposição, de acolher a palavra de Deus, e no toque dela, se lançar na disposição de deixar o Senhor agir através de nós, de Ele nos enviar. Cada um de nós, como batizados, somos enviados ao mundo para anunciar a boa nova do Evangelho, como nos diz São Paulo na Carta aos Coríntios, anunciar isso, que morreu por nós, que nos libertou do pecado e da morte. E que nos convida a lançar as redes em águas mais profundas”, que significa “cada dia se perguntar qual o sentido daquilo que nós estamos fazendo, para onde estamos indo, qual é a intensidade, a profundidade da vivência de fé que nos motiva a agir em prol dos irmãos, anunciando a boa nova.” “O Evangelho é sempre um questionamento e uma provocação a todos nós. O Evangelho deve fazer com que todos nós nos sintamos inquietos, confrontados, porque precisamos cada dia nos converter”, disse o bispo auxiliar de Manaus. Segundo ele, “precisamos cada dia aprofundar a vivência de fé e a nossa espiritualidade para não fazer da nossa vivência de fé uma cultura religiosa. Não viver nas superficialidades divinas, não viver nas superficialidades dos ritos, mas ao contrário, fazer com que a paciência seja mais forte. A palavra de Deus se traduz em nossa vida como sentido, como razão, como elemento que dá significado aquilo que a gente faz, aquilo que a gente vive, o trabalho que a gente exerce.” E é a partir dessa experiência, segundo dom Samuel, “que Jesus diz a Pedro que ele não vai ser mais um pescador comum, um homem simples, mas pescador de homens.” Por isso, o bispo afirmou que “todos nós somos chamados hoje a ser pescadores de homens. Pescar, trazer a humanidade, os homens, para sua dignidade plena de filhos de Deus. Trazer os homens para a vivência do Evangelho que liberta e nos faz ser realmente irmãos e irmãs”, lembrando as palavras de João 10,10: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude”. Somos desafiados a “fazer a pescaria dos homens, homens caídos pelas ruas, pelas situações de sofrimento, de opressão, de abandono, de exclusão, resgatar o humano em sua plenitude”, lembrando a inauguração da Casa da Esperança, inaugurada na última sexta-feira para “resgatar, pescar o homem para sua dignidade, trazer a vida aos seres humanos, trazer para a plenitude de Deus, para junto do seu coração.” Dom Samuel Ferreira de Lima sublinhou que “essa deve ser a nossa missão, por isso todos os dias devemos nos questionar e se perguntar até que ponto estamos verdadeiramente aprofundando a nossa fé, até que ponto estamos assumindo o Evangelho como a razão do nosso viver, até que ponto estamos encarnando a Palavra de Deus para que ela se torne Palavra viva em nosso ser e em nosso agir.” Ele disse que “essa provocação constante nos faz ir aprofundando, adensando e nessa experiência se colocando na disponibilidade de servir e no serviço realmente ser plenificado.” O bispo franciscano citou São Francisco: “É dando que se recebe”, afirmando que “à medida que a gente partilha, que a gente se doa, que a gente se coloca, realmente a gente é plenificado em Cristo, a gente é renovado na graça, a gente é transformado no Espírito.” Diante disso ele fez um convite para que “peçamos essa disposição que o povo tinha que ir ao encontro de Jesus para ouvir a palavra e através da palavra se sentirem esperançados e ali retomar a vida numa nova perspectiva, num novo dimensionamento, numa nova postura, uma postura que nos faz esperar em Deus.” Por isso, disse o bispo, “somos convidados neste ano a sermos peregrinos da esperança, aqueles que envolvidos pelo Espírito de Deus vão ao encontro dos irmãos. Levar o amor, a fraternidade, a misericórdia, a compaixão, o cuidado, o cuidado com a vida, o cuidado com…
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Cardeal Steiner: “Avançar, para a profundidade do Reino que nos é ofertado”

No 5º domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, iniciou sua homilia lembrando que “Jesus rodeado da multidão, sobe na barca de Pedro e começa a ensinar. O lugar, o púlpito, do ensino de Jesus é a barca de Pedro. Na realidade, o lugar do ensinamento de Jesus é o lugar do ganha pão do pescador. A vida do pescador torna-se o lugar da pregação. Mais que da pregação da escuta. Por isso, Jesus envia Pedro para águas mais profundas depois de uma noite sem pesca.” “Jesus, Palavra do Pai, é buscada, comprimida pela multidão desejosa da boa nova! A Palavra que começa a ressoar, ao distanciar-se tomando a barca, a cotidianidade de Pedro, como lugar de ensinamento. A palavra dirigida à multidão é uma palavra para cada pessoa! Ao procurar o coração de Pedro, Jesus procura o coração de todos os escutadores da Palavra”, afirmou o cardeal. Após citar o texto bíblico: “Avança mais para o fundo, e ali lançai vossas redes para a pesca!”, ele disse que Pedro responderá à provocação de Jesus: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e não pescamos nada”. Diante disso, o arcebispo questionou: “Como avançar para profundidade, se perdemos uma noite, e o cansaço tomou conta de nossos braços e de nosso coração? Como avançar para a profundidade e recomeçar, depois da frustração, da perda do pão? Como sair da noite do fracasso para o raiar de um novo dia?” Segundo o presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), “a força da Palavra transforma, revigora, acalenta, desperta a esperança, fortifica o espírito abatido: ‘pela tua palavra, lançarei as redes’! No lançar, lançar-se, atirar-se nas profundezas insinuadas pela Palavra. E na aceitação do convite a surpresa: que abundância! Inacreditável como o avançar para as profundezas produz frutos abundantes! Não só. Como da frustração do ganha-pão, nasce a abundância, nova visão, nova percepção. Como da abundância nasce a solidariedade, a ajuda mútua, a comunhão de forças! Mais: como da abundância que nasce das profundezas, brota o espanto, a confissão, a admiração! E da admiração e espanto, uma nova vocação! Provocador o texto proclamado”! “A palavra de Jesus que reverbera na nossa cotidianidade, na nossa vida diária, nos dissabores, nas alegrias, em todos os momentos de nossa vida. Mas, especialmente quando no labor de nossas mãos se faz noite e saímos de mãos vazias. Nesse dissabor recebemos, como Pedro, o convite para as águas mais profundas, Depois da secura, da noite incompreendida, bem trabalhada, mas mal trabalhada, coração vazio, o vazio de quem apenas permanece a lavar as redes e desejando guardá-las, um encontro opara recomeçar. É do encontro com Jesus que somos convidados, convidadas a avançar e não retroceder. Avançar, para a profundidade do Reino que nos é ofertado.  Nesse partir, retomar, aprofundar é que descobrimos a grandeza e a abundância da vida com Jesus. É ali que nasce a atração por Jesus e a admiração. E da admiração recebemos a missão de ensinar”, disse o cardeal Steiner. Ele chamou a “ensinar, animar, iluminar, ajudar a abrir veredas no emaranhado da vida. Como seguidores e seguidoras de Jesus somos provocados a usar de todos os meios para que Jesus, o Reino de Deus, seja anunciado, conhecido e amado. Participamos, expomos, as frustrações, as decepções, as noites frustradas, e sentimo-nos provocados, atraídos pela profundidade. Recebemos o convite para avançar para águas mais profundas. Sabemos que lançar-se para águas mais profundas, é deixamo-nos tomar pela força e suavidade do Reino de Deus, pelas profundezas do mistério amoroso de Deus, pelas águas sobre as quais sempre repousa o Espírito do Senhor. Lenitivo que nasce das profundezas da misericórdia de Deus, onde se manifesta a abundância de uma vida nova, de um Reino novo.” “Às águas mais profundas às quais Jesus nos envia, nos faz perceber que não estamos sós, sempre podemos contar com as irmãs e os irmãos para servir, ajudar, socorrer, misericordiar. Vamos aprendendo que a vida do Evangelho pertence a todos, e a todos cabe espalhar, esparramar, testemunhar a superabundância da vida nova, da Boa notícia. Somos convocados e provocados à comunhão, à solidariedade, ao anúncio e ao testemunho”, segundo o arcebispo de Manaus. Inspirado em Aparecida, o cardeal disse que “diante da grandeza, a abundância da vida que Jesus nos oferece, nasce a admiração e gratidão.” Segundo ele, “a fecundidade e os sinais da presença da vida de Jesus, despertam admiração, espanto e encanto. Quando atraídos pelas águas extraordinárias da Palavra de Deus somos como Pedro levados à maior disponibilidade e ousadia no servir e no anúncio. Nos alegramos e louvamos pelas obras benfazejas que a Palavra suscita e realiza em nós. Somos provocados ao anúncio, mas também à graça da celebração, da meditação. A Eucaristia, a celebração comum, torna-se fonte e cume da comunidade de fé. Da profundidade das águas da Palavra vamos ao encontro da Palavra feita Pão.” Ele lembrou que “nós, como Pedro, somos, então, tomados pela reverência e reconhecemos a nossa fraqueza e miséria. Na admiração e gratidão, percebemos melhor a nossa fragilidade e fraqueza. Por isso, nos expomos sempre mais à graça da profundidade da Palavra, das águas mais profundas, à força e suavidade do Espírito e ao amor misericordioso do Pai.” “A admiração e a gratidão transformam Pedro, num homem de esperança e de confiança. É um esperançado, um aguardador e construtor de novos tempos, novos céus e nova terra. Sabemos, então apontar novos horizontes, oferecer novo sentido, despertar vida nova nos ribeirinhos, nas pequenas comunidades. É para toda a comunidade eclesial somos discípulos missionários, discipulas missionárias”, sublinhou o cardeal Steiner. Segundo o arcebispo, “a vida cristã é um risco, quando permanecemos à margem, lavando as redes da noite do vazio de nós mesmos. É um risco, quando não nos entregamos de corpo e alma, por inteiros, todo inteiros ao serviço dos irmãos, das irmãs! É um risco, quando não chegamos até as periferias geográficas e existenciais e deixamos de anunciar e proclamar a grandeza do Reino de…
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Assembleia do CIMI Norte1: No Regional “a Igreja sempre foi uma grande parceira dos povos indígenas”

O Conselho Indigenista Missionário Regional Norte 1 realiza de 8 a 10 de fevereiro de 2025 no Xare de Manaus sua assembleia anual. Mais de 50 missionários e lideranças indígenas analisam a atual conjuntura social e eclesial no Brasil em vista de avançar diante dos muitos desafios que os povos originários enfrentam na Amazônia e no Brasil. Um encontro em que se fizeram presentes o bispo de Alto Solimões e vice-presidente do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Adolfo Zon, o bispo de São Gabriel da Cachoeira, dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo referencial para a Pastoral Indigenista e do CIMI no Regional, o bispo de Parintins, dom José Albuquerque, e a secretária executiva do Regional, Ir. Rose Bertoldo. No Brasil, “os direitos dos povos indígenas estão passando por uma situação delicada, porque é uma situação de negociação dos direitos que foram conquistados na Constituição Federal de 88”, afirma o secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário, Luis Ventura. Ele se pergunta “Como é que chegamos aqui?”. Diante disso, ele disse que “apesar de que o Supremo Tribunal Federal determinou que o Marco Temporal era inconstitucional e falou isso em setembro de 2023, depois o Congresso Nacional aprovou uma lei que continua em vigor até hoje, que determina de novo o Marco Temporal como parâmetro e que afronta totalmente os direitos que os povos indígenas conquistaram na Constituição.” Luis Ventura lembrou que essa lei continua em vigor porque o Supremo Tribunal Federal, em lugar de declarar ela inconstitucional, abriu o que chamou uma mesa de conciliação ou de negociação, que no nosso entendimento é absolutamente inapropriado, inadequado, não competente, poder fazer conciliação sobre direitos humanos fundamentais”. Diante disso, sublinha que “esse é o momento em que estamos, em que os direitos dos povos indígenas não estão sendo garantidos, há uma reconfiguração dos direitos. Da forma como está na Constituição Federal de 1988 e a única forma de poder superar essa situação, esse impasse, será através da mobilização política e jurídica também dos povos indígenas e de todos os seus aliados.” Não podemos esquecer que no Regional Norte1 “a Igreja sempre foi uma grande parceira dos povos indígenas”, segundo dom Vanthuy. Ele destaca a importância do pontificado do Papa Francisco e sua preocupação com os povos e seus direitos, ressaltando a importância do Sínodo para a Amazônia, onde os povos indígenas se envolveram, dado que “nenhuma outra região do mundo o Papa chamou para discutir em Roma”. “Os bispos sentem uma necessidade de uma rearticulação do tema do sínodo, daquilo que o Sínodo indicou como sonho, mas também como processo de conversão”, disse o bispo de São Gabriel da Cachoeira, recordando aqueles famosos quatro sonhos, os quatro caminhos de conversão. Para isso está previsto um encontro em Bogotá no mês de agosto com todos os bispos da Pan-Amazônia, inclusive os eméritos, são convidados, “para repensar e, diríamos assim, talvez até relançar todo o caminho iniciado pelo Sínodo”, lembrando que “em algumas igrejas deram alguns sinais pequenos, foram plantadas algumas sementes, em outras ainda está para vir”. Igualmente, ele destacou que o atual pontificado está aberto para as questões de direitos das minorias, dos pobres, sendo feito pelo Papa, aa Laudato Si´, uma ligação entre terra e povos, pensar as questões sociais e as questões ecológicas num único caminho, não separados”. Dom Vanthuy refletiu sobre o aumento do movimento neopentecostal dentro da igreja, com pessoas reacionárias, inclusive contra o Papa, citando diversos exemplos dessa tendência. Frente a isso, dom Vanthuy destacou a importância, dentro da Igreja e na sociedade, de o cardeal Leonardo Steiner ser o presidente do CIMI. Isso numa Igreja em que “nós vivemos um tempo, apesar de um Papa que aponta uma Igreja em saída, nós vivemos um tempo muito forte na Igreja de um voltar para dentro de casa. Uma grande força do movimento intra-eclesial, cuidar de dentro de casa. O diálogo com o mundo, apesar da insistência do Papa Francisco, apesar de aparecerem vozes, mas não é uma constante”, disse dom Vanthuy. Ele lembrou que as lideranças eclesiais que defendem a luta pelos direitos são rejeitadas, inclusive perseguidas. A causa indígena tem que ser a causa de quem nasceu no Brasil e na Amazônia, disse o bispo de Parintins, dom José Araújo de Albuquerque. Como membro da Comissão de Ministérios e Vocações da CNBB, ligado ao serviço de animação vocacional e aos formadores, ele enfatizou que “temos que formar os nossos seminaristas, os nossos futuros padres, os diáconos, as religiosas, nessa perspectiva, senão a gente sempre vai ficar preocupado mais com os aspectos secundários da nossa missão e não somar forças.” Segundo o bispo de Parintins, “o nosso papel seria sempre acompanhar, incentivar, apoiar, favorecer.” Ele destaca a importância dos padres nascidos e formados na região acompanhar as causas indígenas, pois isso sempre foi visto como algo próprio dos missionários chegados de fora, ressaltando que em sua diocese, tem padres que “não conhecem as nossas áreas indígenas”, denunciando que a falta de presença da Igreja católica provoca a entrada de outras igrejas, o que demanda maior acompanhamento do clero, algo que deve ser incentivado desde o tempo do Seminário, desde a animação vocacional, ajudando os padres a ir além do litúrgico, não reduzir a missão só ao aspecto sacramental. O bispo de Alto Solimões, dom Adolfo Zon recordou que é a segunda diocese que mais indígenas tem depois de São Gabriel da Cachoeira. Essa realidade representa um desafio grande para a diocese, relatando situações presentes no trabalho com os povos indígenas naquela igreja local, mostrando sua preocupação diante dos poucos missionários que trabalham com os indígenas, inclusive nas cidades. Ele chamou a mobilizar as comunidades para deixar-se interpelar por esta realidade indígena, que “não são outros, é a nossa gente.” Um desafio que leva dom Adolfo a esperar que “na próxima Assembleia do Povo de Deus, possamos tirar alguma diretriz que nos ajude para esta aproximação e, sobretudo, uma presença mais contínua”, que considera “uma riqueza para nós, Igreja, e também para os próprios…
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Ordenados 6 diáconos permanentes em Manaus para “ser expressão da esperança, sinal da esperança”

A arquidiocese de Manaus, em uma celebração presidida pelo arcebispo, cardeal Leonardo Steiner, que contou com a presença dos bispos auxiliares, dom Zenildo Lima, dom Hudson Ribeiro e dom Samuel Ferreira de Lima, ordenou neste sábado 08 de fevereiro seis diáconos permanentes: Antônio Sérgio das S. Ribeiro, Dalcimar César D. Machado, Frank Luiz Mesquita de Souza, Lídio Rodrigues de Souza, Roberto Guedes os Santos e Turíbio José Correa da Costa. Uma celebração que contou com a presença das famílias dos novos diáconos e dos presbíteros e diáconos permanentes da arquidiocese. Na homilia, o cardeal destacou o despertar do Evangelho proclamado para a fonte da nossa fé: “Como meu Pai em amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor”, sublinhando mais uma quase advertência “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça.” Segundo o arcebispo, “fomos amados, com o mesmo amor que o Pai tem por Jesus. Um amor livre, generoso, desmedido, gratuito”. Citando Santo Agostinho: “Tu és sempre o mesmo e tudo o que é amanhã ou depois de amanhã, o que é ontem e também anteontem, tu o fizeste hoje, o fazes o hoje” (Sto Agostinho, Confissões, 6,10), o cardeal disse que “o amar do Pai é sempre um hoje, é sempre presente, sempre um aqui e agora, sem passado, sem futuro, sem descanso, sem tempo, sem espaço. Ele está amando sempre.” Ele lembrou as palavras de São Gregório: O “amar de Deus jamais é ocioso; de fato opera grandes coisas, se é amor; se renuncia a operar, então não é amor.” Algo que o arcebispo vê como “um amor operativo, dinâmico, comunicativo: ‘Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça.’ Um amor que sai ao encontro, pois é expansivo e desejoso de frutificação na dinâmica do amor.” “Pertencemos a essa grandeza, a esse movimento amoroso, pois ‘como o Pai me amou, assim também eu vos amei’. Sim somos amados com a mesma intensidade e suavidade do amor que o Pai tem para com seu Filho Jesus, nosso irmão. E somos recordamos: ‘Permanecei no meu amor’! Permanecer no amor é a possibilidade de termos vida em plenitude, uma vida plena! É no permanecer que somos participação do mistério do Reino de Deus, do Reino da salvação”, disse o cardeal Steiner. Segundo o arcebispo, “Permanecer nesse amor é responder a um chamado, a uma vocação. O diaconado é uma vocação, é um chamado. Um chamado a serviço do amor. Bem ouvíamos na segunda leitura dos Atos que os Apóstolos: ao perceberem que as viúvas dos irmãos de origem grega eram mal servidas no atendimento diário, escolherem sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e os encarregaram do serviço. Foram escolhidos, isto é chamados. Nada de escolha pessoal, de cargo, de promoção, mas de serviço; serviçais, diáconos! Como nos lembrava o Evangelho: ‘Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes’ para serem servidores. Servidores com frutos e permanecer na fidelidade do serviço, frutificando.” O arcebispo lembrou o ensinamento de Papa Francisco aos diáconos permanentes de Roma e suas esposas: “Os diáconos não são meios-sacerdotes ou padres de segunda categoria, nem acólitos de luxo. São servos atenciosos que trabalham a fim de que ninguém seja excluído e para que o amor do Senhor toque concretamente a vida das pessoas. É a espiritualidade do serviço: um coração aberto para os outros. Disponíveis dentro, de coração, prontos a dizer sim, dóceis, sem fazer a vida girar em torno da própria agenda; e abertos ao exterior, olhando para todos, especialmente para aqueles que ficam fora, aqueles que se sentem excluídos”. Ele lembrou que “na oração de ordenação ao invocarmos o Espírito Santo sobre cada um, vamos implorar: ‘Resplandeça as virtudes evangélicas: o amor sincero, a solicitude com os enfermos e os pobres, a autoridade discreta, a simplicidade de coração e uma vida segundo o Espírito’ (Rito, Oração de consagração). Os diáconos ‘fortalecidos com a graça sacramental, servem o Povo de Deus em união com o Bispo e o seu presbitério, no ministério da Liturgia, da palavra e da caridade. É próprio do diácono, segundo for conferido pela competente autoridade, administrar solenemente o Batismo, guardar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o Matrimônio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, administrar os sacramentais, dirigir os ritos do funeral e da sepultura’, disse citando Lumen gentium. O arcebispo citou o texto de Atos dos Apóstolos: “Então escolheram homens repletos do Espírito Santo e cheios de fé” (cf. At 6,5). Segundo ele, “invocarmos o Espírito Santo na Prece da Ordenação: ‘Enviai sobre eles, Senhor, nós vos pedimos, o Espírito Santo que os fortaleça com os sete dons da vossa graça, a fim de exercerem com fidelidade o seu ministério’ (Rito de Ordenação). Nessa perspectiva o cardeal disse que “o Diaconado como vida segundo o Espírito; homens do Espírito. O Espírito deverá ter sempre a primazia. Se assim for, a vida diaconal será um serviço ao Povo de Deus cheio de riqueza de dons e graças. Viver na força e suavidade, na claridade e no fogo do Espírito. O diaconado exercido no Espírito da unção da ordenação para uma “unção quotidiana”.  O Espírito que os faz imagem de Cristo que se fez diácono para todos. Assim, misericordiosos, diligentes, serventes, presentes, caminhando na verdade do Senhor, no Espírito que se fez servo de todos”, lembrando as palavras de São Policarpo. Na primeira leitura, o arcebispo de Manaus destacou que “nos convidava a escutar na disponibilidade e na liberdade a Palavra de Deus. Na volta do Exílio, o templo destruído, as muralhas e as porta fendidas, o Povo é convidado a voltar-se para a Fonte, voltar às…
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Casa Esperança: Compromisso da Igreja de Manaus para superar a violência sexual contra crianças e adolescentes

A arquidiocese de Manaus inaugurou nesta sexta-feira 07 de fevereiro a Casa Esperança, uma manifestação concreta do compromisso da Igreja católica com a vida e a esperança, sobretudo junto aos mais vulneráveis. Um espaço que pode ser considerado um sinal neste Ano Jubilar, um sinónimo de proteção, acolhimento, apoio, de busca por justiça e de esperança para a superação das adversidades a que são submetidas crianças, adolescentes e suas famílias. Será um espaço gratuito para atendimentos psicológico, jurídico e social, tanto presencial quanto on-line, dado que esse serviço estará disponível para as nove igrejas locais que fazem parte do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1). Na Casa Esperança serão desenvolvidas atividades na linha da prevenção, da capacitação de lideranças comunitárias e profissionais, de estudo e pesquisas, e de articulação com a rede de proteção para o fortalecimento de políticas públicas direcionada à infância e à adolescência. A assistência psicológica voltada à temática é uma prática na arquidiocese de Manaus há 13 anos por meio do Serviço de Atendimento Psicológico Familiar (SAPFAM). Agora, em um desdobramento do Projeto Iça – Ação e Proteção, sob responsabilidade da Cáritas Arquidiocesana de Manaus que vem realizando ações de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, em parceria com a Rede de Proteção e o Sistema de Garantia de Direitos, é dado um passo a mais. Uma ação mais do que necessária, dado o alto número de vítimas, que quer ser símbolo de superação e de esperança. Algo que aparece na simbologia da Casa, onde aparece uma folha de imbaúba, uma das primeiras árvores que nasce depois que a floresta pegou fogo, sinal de resistência e de teimosia em querer viver. É por isso que estamos diante de uma Casa que acolhe, Casa que protege, Casa que busca por justiça, Casa que é sinal do Reino de Deus entre nós, na luta por uma cultura protetiva e respeitosa pelo direito de ser criança, adolescente e mulher. Mais um sinal de que é tempo de esperançar. Na inauguração, que contou com a participação de representantes da Igreja católica e da sociedade civil, estando presentes vários bispos do Regional Norte1, o arcebispo de Manaus agradeceu a todas as pessoas que fizeram possível a Casa da Esperança, contribuindo de diversos modos, afirmando que “cada um, dedicadamente, está fazendo o melhor para que essa casa pudesse estar hoje no ponto em que está”. O cardeal agradeceu o trabalho de coordenação do bispo auxiliar, dom Hudson Ribeiro, que coordenou os trabalhos para fazer realidade “esse belíssimo serviço evangelizador da nossa arquidiocese, da nossa Igreja católica”. O arcebispo de Manaus expressou o desejo de que as crianças “se aproximem, através da nossa receptividade, do nosso modo, do nosso jeito, das nossas mãos, do nosso silêncio, das nossas palavras”, pedindo que “sejamos para elas uma bênção”. O cardeal Steiner disse que “nós desejamos ser mais, desejamos ser uma cura, para que elas tenham um futuro, se sintam profundamente pessoas integradas na sua afetividade, na sua sexualidade, desejamos que elas sejam curadas integralmente, para que possam ser na nossa sociedade, presença viva”. Ele afirmou que “Deus que se fez nossa humanidade, Ele nos ajudará a sermos sempre muito receptivos nessa casa”, pedindo “união para que o abuso seja superado”, e junto com isso, “todos nos dar as mãos para podermos enfrentar essa questão”, sendo a casa do encontro, encontro com a dor para superá-la, encontro com o consolo para ser presença de consolo”. Uma casa que segundo o testemunho de uma mulher, já atendida pela arquidiocese de Manaus, que viu como sua neta foi vítima de abuso por parte do pai, é um local que “traz nova esperança para quem não tem mais, que traz vida para quem já morreu”. Ela disse ver na casa uma obra de Deus, presente no trabalho dos profissionais, que conseguem irr além daquilo que deveriam fazer como profissionais. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Samuel chega em Manaus para “aprender e caminhar juntos na busca sempre de promover a vida”

Dom Samuel Ferreira de Lima, nomeado bispo auxiliar de Manaus pelo Papa Francisco no dia 25 de novembro de 2024 e ordenado no dia 1º de fevereiro de 2025 em Rodeio (SC), e que será acolhido na Eucaristia que será celebrada no domingo dia 09 de fevereiro às 10  horas da manhã na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, Igreja Matriz da arquidiocese de Manaus, chegou na manhã desta sexta-feira 07 de fevereiro no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes da capital amazonense. No aeroporto, dom Samuel foi recebido por uma comitiva da arquidiocese de Manaus e o arcebispo, cardeal Leonardo Steiner, que mostrou sua alegria e de toda a arquidiocese diante da chegada do novo bispo auxiliar, que irá acompanhar a Região Episcopal Nossa Senhora dos Navegantes. O cardeal destacou que “nós como bispos, sempre juntos, unidos, servindo às nossas comunidades”. O arcebispo disse que “ele vai se inserir no meio de nós e vai nos ajudar”, definindo dom Samuel como “um homem muito disponível, com grande espírito missionário, tem uma espiritualidade muito profunda, vai nos ajudar a ser uma Igreja ainda mais missionária e uma Igreja ainda bem inserida nas nossas comunidades”. O cardeal lembrou que dom Samuel Ferreira de Lima será apresentado à Igreja de Manaus no domingo dia 09 às 10 horas da manhã na Catedral. Na celebração será lida a Bulla de nomeação e presidirá a celebração da Eucaristia. O novo bispo auxiliar disse estar vivendo um momento “de grande alegria, de grande expectativa, um novo trabalho, uma nova missão, uma nova realidade que a gente está assumindo, vindo lá do Sul do Brasil, agora para o Norte. Então, é com muita alegria e esperança que eu chego aqui, com o coração aberto, para viver esse tempo de caminhada junto com vocês”. Dom Samuel insistiu em que “vamos aprender juntos, ver as situações e caminhar juntos na busca sempre de promover a vida, redimensionar cada vez mais a esperança”. Ele disse que “a gente como frade é sempre itinerante e peregrino, onde a gente está é a nossa casa. Com quem a gente está junto, caminhar e aprender para ser um só povo no seguimento de Jesus Cristo”. Dom Samuel ainda deixou “uma saudação de paz e bem, a alegria de estar junto com vocês e juntos fazer essa caminhada daqui em diante, sempre buscando cada vez mais viver o Evangelho de uma forma autêntica, dando testemunho da justiça, da paz e da esperança”. bri Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Fotos Ana Paula Lourenço

11º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas: Um crime invisível que precisamos combater

No 11º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, realizado em 8 de fevereiro, unimo-nos em solidariedade e ação contra uma das formas mais cruéis de violação dos direitos humanos. Em 2024, o Brasil registrou 1 caso alarmante de tráfico humano por dia, evidenciando a gravidade desse crime que afeta milhões globalmente, especialmente mulheres, crianças, migrantes e refugiados. Como destacou a irmã Rose Bertoldo, do Grupo de Mulheres da REPAM-Brasil e secretária executiva do Regional Norte I da CNBB, este dia não apenas lança luz sobre o problema, mas também nos convoca a agir. “O tráfico humano abrange formas ocultas de exploração, desde a exploração sexual até o trabalho escravo e a venda ilegal de órgãos. A vulnerabilidade social muitas vezes coloca as pessoas em maior risco, tornando-as alvos fáceis para os traficantes.” A fala da professora Márcia Oliveira também nos traz uma reflexão importante sobre essa questão, especialmente no contexto da Amazônia e suas fronteiras. Doutora em Sociedade e Cultura na Amazônia, Márcia enfatiza a gravidade do tráfico de pessoas, uma grande economia mundial baseada na exploração, violação sexual e sofrimento humano. Para ela, mais do que em qualquer outro momento da história, a sociedade e a igreja precisam estar atentas a essa questão e trabalhar para prevenir, combater e criar condições para que as pessoas não se tornem vítimas desse crime. A oração, como destaca, é um primeiro passo fundamental, pois sensibiliza e coloca todos em sintonia com a defesa da vida, orientando-nos a agir na prevenção e no enfrentamento dessa violação dos direitos humanos. Ela ainda ressalta: “O tráfico de pessoas virou uma grande economia mundial, baseada no crime, na injustiça, no sofrimento e na exploração das pessoas, na violação sexual, na violação da dignidade humana. Então, mais do que em outros tempos, precisamos, como igreja, como sociedade, estar mais atentos e sensíveis a esse tema, trabalhando no enfrentamento, no combate, na prevenção, na orientação, mas, acima de tudo, criando condições para que as pessoas não se submetam ao tráfico, não sejam enganadas, não se sujeitem a trabalhos degradantes, análogos à escravidão, não percam sua dignidade.” As fronteiras da Amazônia estão terrivelmente afetadas pela atuação de redes especializadas no contrabando de imigrantes e no tráfico de pessoas, ferindo a dignidade e roubando a esperança de tantas pessoas em todo o planeta. Mas, de modo muito especial, devemos estar atentos ao que ocorre nas fronteiras da Amazônia. Daí a importância da Repam também assumir essa pauta, estando nessa luta, no combate a esse crime, que é uma violação terrível dos direitos humanos. A campanha deste ano, sob o tema “Embaixadoras da Esperança”, destaca a importância da prevenção e da conscientização. Através da operação e da mobilização global, buscamos não apenas dar visibilidade a essas atrocidades, mas também promover ações concretas para proteger os vulneráveis e combater o tráfico de pessoas em todas as suas formas. É essencial denunciar quaisquer suspeitas de tráfico humano através dos canais adequados, como o Disque 100 – Direitos Humanos ou Disque 180. Somente através do esforço conjunto, incluindo organizações como a Rede Um Grito Pela Vida e outras instituições engajadas, podemos fazer a diferença e oferecer esperança às vítimas. Neste Dia Mundial de Oração e Reflexão, unamo-nos em solidariedade, fortalecendo nosso compromisso de não apenas orar, mas também agir contra o tráfico de pessoas, protegendo os mais vulneráveis e defendendo a dignidade de todos os seres humanos. Como Márcia ressaltou, a oração é o ponto de partida, mas precisamos avançar com ações concretas que realmente transformem a realidade, combinando cuidado com os afetados e o combate a essa violação sistêmica.  REPAM Brasil

Encontro dos bispos do Regional Norte1: Um caminho no espírito da Igreja sinodal

Os bispos do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1) estão reunidos em Coari de 03 a 07 de fevereiro de 2025. Um encontro norteado pela frase: “o amor precisa de concretude, presença e encontro”, segundo a secretária executiva, Ir. Rose Bertoldo. A religiosa acha que “essa grande caminhada nessa dimensão também do fortalecimento do amor, da esperança, perpassa por esse encontro dos bispos, que é uma presença fecunda que fortalece a caminhada na colegialidade”. No encontro de 2025, a secretária executiva, que participa pelo terceiro ano desses encontros, afirma que “esse ano teve um aspecto muito profundo de partilha das realidades das dioceses”, algo que disse lhe ajudar a “entender como secretária a realidade específica de cada diocese e entender que os bispos também têm uma carga muito grande de responsabilidade, de encaminhamento dos processos”, sublinhado que “eles não são sozinhos, também depende da caminhada em conjunto das dioceses e essa caminhada em conjunto é que perpassa pelas coordenações de pastoral, e articulações de toda a vida e missão, que é realizada juntamente com leigos e leigas”. A vida e missão das igrejas locais acontece “nessa dimensão da coletividade”, ressaltando que não é só responsabilidade do bispo. Em seu serviço como secretária executiva, a religiosa fala sobre “essa responsabilidade de manter essa articulação e esse caminho de sinodalidade entre as nove igrejas locais. É uma missão bonita, porém de muita responsabilidade e que eu faço isso também dentro da leveza, daquilo que me é confiado nessa também responsabilidade e confiança”. A religiosa, que disse agradecer muito “por poder participar desses encontros, que cada vez mais eu aprendo e nesse aprendizado também a gente compartilha as responsabilidades”. Ela acrescentou se sentir “imensamente agradecida pela confiança que os bispos também depositam a mim nesse cuidado da vida, da dimensão, tanto mais administrativa do Regional, mas também nessa dinâmica da pastoral”. Finalmente lembrou a participação no encontro da Ir. Rosiene Gomes, que é articuladora das pastorais sociais do Regional, que também, a partir dessas socializações e partilha dos bispos, consegue também entender essa dinâmica maior das pastorais”, realizando “um trabalho maior de acompanhamento dentro dessa dimensão da coletividade, da sinodalidade”. A fraternidade, a alegria e colegialidade vividas no encontro foram elementos destacados pelo bispo da prelazia de Itacoatiara, dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos. Ele ressaltou “a partilha daquilo que são nossos desafios, daquilo que são nossas expectativas e esperanças em cada, prelazia, em cada diocese e arquidiocese”.  Igualmente destacou a celebração do primeiro ano de episcopado do bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson Ribeiro, e do bispo de São Gabriel da Cachoeira, dom Raimundo Vanthuy Neto, e a presença “dos nossos bispos eméritos que colaboram muito com a experiência, com a dedicação”. Um encontro que, segundo dom Tadeu “nos marca e nos agrega em várias dimensões daquilo que é o ministério do bispo”. O encontro é visto pelo bispo da diocese de Borba, dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, como “uma experiência de comunhão, na convivência, na partilha, no exercício da amizade e é a celebração da esperança, pois estamos vivendo o Ano Jubilar”. A partilha da vida durante o encontro, “nos faz celebrar a esperança e esperançosos exercer o nosso ministério enquanto pastores, enquanto bispos em nossas igrejas locais”. O bispo, que sublinho que “é bom participar do encontro dos bispos e ser bispo do Regional Norte 1”, vê o fato de estar juntos como uma oportunidade para “olhar para o nosso ministério, para a nossa corresponsabilidade em nossas igrejas, por tantas preocupações, mas também com esperança abraçando cada vez mais um trabalho em conjunto, um trabalho interno, um trabalho em unidade”. Finalmente, dom Zenildo disse que “saio deste encontro bem renovado, rejuvenescido para a missão”. Do encontro participam alguns dos bispos eméritos. Segundo o bispo emérito da diocese de São Gabriel da Cachoeira, este encontro “é algo extraordinário”, que leva a conhecer a realidade da diocese onde acontece o encontro, destacando que “entre nós, há um clima de diálogo, de partilha, sem barreiras, muito transparente”. Para dom Edson, “voltar um ano depois, eu percebi o quanto os nossos bispos aqui do Norte 1 assumem as pastorais, porque cada um tem aí um número expressivo de pastorais e consegue realizar encontros, reuniões, e envolver muitos leigos e leigas. Isso que é importante nessa igreja aqui da Amazônia, onde o número de padres religiosos é restrito, quantos leigos e leigas estão trabalhando nas diversas pastorais”. O bispo emérito destacou igualmente “o quanto o nosso Regional caminha no espírito da Igreja sinodal”. Segundo ele, “a presença do cardeal dom Leonardo é uma bênção de Deus aqui conosco, porque ele tem contatos com a CNBB, com o mundo inteiro, para nos ajudar na nossa caminhada”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Sermos embaixadores de Esperança para superar o Tráfico de Pessoas

Em uma sociedade onde se aproveitar do outro parece que virou moda, não só entre as pessoas, mas também entre os países, somos chamados a refletir, com motivo da festa de Santa Bakhita e o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, que se celebra no dia 08 de fevereiro, sobre um fenómeno que pode ser considerado como a escravidão moderna. Nascida no Sudão, Santa Bakhita foi sequestrada com 9 anos por mercantes de escravos, iniciando assim uma vida de torturas que se prolongaria por 10 anos. Comprada por um oficial italiano, chegou na Itália em 1884. Ela, depois de conhecer as Irmãs Canossianas, será batizada em 1890, entrando no noviciado dessa congregação em 1893, com 24 anos de idade. Depois de proferir seus votos, durante 45 anos, foi cozinheira, sacristã e, acima de tudo, uma porteira do convento de Schio, onde agia com bondade, se tornando sinal de alegria e paz. Ela faleceu em 8 de fevereiro de 1947 e foi canonizada em 1º de outubro de 2000. Em 2025, o XI Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, uma data instituída em 2015 pelo Papa Francisco, tem como tema “Embaixadores da Esperança. Juntos contra o tráfico de pessoas”, em consonância com o Ano Jubilar que a Igreja está vivenciando ao longo do ano, que pretende que possamos assumir ações concretas que gerem esperança. Não podemos fechar os olhos diante de uma realidade que atinge mais de 50 milhões de pessoas no mundo, principalmente crianças, mulheres, migrantes e refugiados. Atualmente, 120 milhões de pessoas no Planeta são obrigadas a migrar em consequência das guerras, conflitos, violência, pobreza, catástrofes ambientais, se tornando particularmente vulneráveis ao tráfico e à exploração. Ao longo desta semana estão acontecendo no mundo todo momentos de oração, encontro e conscientização contra esse terrível crime. Também em Manaus, sobretudo através do Núcleo da Rede um Grito pela Vida, estão sendo realizados diversos eventos em vista dessa tomada de consciência. Cada um, cada uma de nós, eu, você, todos nós somos chamados a refletir diante de uma realidade que mostra as mazelas de nossa condição humana. Na medida em que esse crime continua presente em nossa sociedade, nossa humanidade é diminuída, deixamos de ter o sentimento que nos faz humanos, que é cuidado do outro, a compaixão diante do sofrimento alheio. Ainda mais para quem se diz cristão, uma religião que tem como fundamento o amor por todos, mas especialmente por aqueles que o mundo descarta. As vítimas do tráfico de pessoas são imagem do Cristo sofredor, e nós devemos reconhecer nelas o rosto daquele que deu a vida para que todos tenham vida em abundância. O cristianismo é um chamado a concretizar nosso compromisso para que as vítimas possam superar essa condição e ser tratadas como irmãos e irmãs. A vida das pessoas muda, as vítimas recuperam sua plenitude de vida quando nosso compromisso é firme e concreto. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Bispos do Regional Norte1 celebram missa na Catedral de Coari e chamam a “fixar os olhos em Jesus e caminhar na esperança”

Os bispos do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estão reunidos em Coari de 3 a 7 de fevereiro de 2025. Nesta terça-feira 4 de fevereiro, depois de um dia de trabalho, onde foram abordadas diversas questões em reação ao trabalho evangelizador que vem se desenvolvendo nas 9 igrejas locais que fazem parte do Regional, os bispos participaram de uma celebração eucarística na Catedral de Sant´Ana e São Sebastião de Coari, presidida pelo arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1, cardeal Leonardo Ulrich Steiner. O presidente do Regional Norte1, analisando o texto do Evangelho do dia, destacou a presença de “uma mulher sofrida, doída, quase desesperada, 12 anos perdendo sangue, e no perder o sangue perdeu tudo o que tinha com os médicos. Tinha quase perdido a esperança. 12 anos de sofrimento. 12 anos e certamente perdendo a fecundidade, o seu ser mulher, devia viver fora”. No entanto, ressaltou o cardeal Steiner, “ela fixa os olhos em Jesus, como dizia a primeira leitura. Fixa os olhos em Jesus e nós ouvimos no meio da multidão, ela vai, ela vai, ela vai até encostar no manto. E porque fixou os olhos em Jesus, não se deixou tomar pela desesperança, mas perseverou na esperança, se sentiu curada.” Analisando o texto, o arcebispo de Manaus disse: “Jesus percebendo que uma força tinha saído dele, ele perguntou, quem me tocou?” O cardeal Steiner recordou que “a mulher se coloca diante dele. Pode até ser que ela tenha dito, senhor, fui eu. Eu já não aguentava mais, nada mais tinha, tudo perdi, quase desesperei, mas te vi, em ti acreditei, a ti busquei, e ao te tocar, tu me curaste, me resgataste, me deste a vida. Senhor, sou tão agradecida, e por isso, curvada diante de ti, me sinto de novo mulher, sinto de novo o povo de Deus, me sinto de novo participante do Mistério da Aliança do amor de Deus”. “Uma mulher tão sofrida e, no entanto, persevera. Tão sofrida, mas na esperança”, sublinhou o presidente do Regional Norte1. Ele lembrou que estamos no Ano da Esperança, afirmando que “em todos os momentos da nossa vida, sempre de novo, temos os olhos fixos em Jesus, e nos deixamos guiar pela esperança. Mesmo que sejam doze anos, mesmo que sejam doze gerações nós queremos olhar para Jesus, fixar nele os nossos olhos”. “E queremos tocá-lo, tocar a Jesus, porque fomos por ele tocados, porque fomos por ele atraídos”, acrescentou o cardeal. Ele destacou que “é que nós queremos tocá-lo, e ao tocá-lo, nos sentimos salvos, ao tocá-lo nos sentimos redimidos, ao tocá-lo nos sentimos curados, porque ele de antemão nos chamou, nos atraiu.” O arcebispo de Manaus falou igualmente do desespero do pai, a preocupação, diante da morte da filha, “se a outra tinha caminhado, essa menina ainda não tinha começado a caminhar direito”. Sobre o número 12 ele disse que lembra os 12 apóstolos, lembra as 12 tribos de Israel, lembra esse cuidado de Deus para com seu povo, lembra os 12 filhos de Jacó, lembra a sua família, lembra a todos nós que formamos a igreja, o novo povo de Deus, que sempre de novo é levado. Segundo o cardeal Steiner, “Jesus sempre de novo toma o povo de Deus pela mão, ergue, talita kum, menina, eu te digo, levanta-te”. Diante disso ele insistiu em “jamais ficar prostrados, nós povo de Deus, nós imagem de Deus, nós comunidades do povo de Deus, Jesus sempre dizendo: levanta, não fica deitado, não entra na sonolência da morte, da indiferença, mas levanta, toma a esperança como caminho, e coloque-se de próprio caminho”, insistindo em “não nos deixemos abater, mesmo quando pensamos que perdemos tudo, mesmo quando pensamos que já não tem mais jeito”. Diante disso, “olhar para Jesus, fixar os olhos em Jesus e caminhar na esperança. Porque todos queremos ser peregrinos, peregrinas da esperança”. No final da celebração, o bispo da diocese de Coari, dom Marcos Piatek, agradeceu a presença dos bispos, dos presbíteros e diáconos, da secretária executiva do Regional e da articuladora das pastorais, que participam do encontro, assim como aos presentes na celebração e aqueles que participaram através da Rádio Educação Rural de Coari. Em seguida, o pároco da Catedral, padre Valdivino Araujo, depois de acolher e agradecer pela presença dos bispos, contou brevemente a história do templo, que iniciou em 1689 o padre Samuel Fritz com a fundação da Missão de Sant´Ana, em uma localidade dentro do Lago de Coari, que em 1854 foi transferida para o local atual, sendo inaugurada Matriz Sant´Ana em 1874. Ele ainda contou o motivo de ter dois padroeiros e como foram vivenciadas suas festas ao longo dos anos. O presidente do Regional Norte1 agradeceu a todos os que ajudaram na celebração, as crianças que cantaram, destacando seu cantar muito bonito. Também agradeceu a presença dos padres e apresentou a presidência do Regional, da qual fazem parte o bispo da diocese de Alto Solimões, dom Adolfo Zon, que é o vice-presidente, e o bispo da prelazia de Tefé, dom José Altevir da Silva, que é o secretário. Igualmente, ele agradeceu a ajuda no Regional das irmãs Rose e Rosiene, presentes na celebração. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1