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Encerrada a Cúpula dos Povos, “uma chave de esperança” na COP30

A Cúpula dos Povos, o movimento mais importante em volta da COP30, encerrou suas atividades neste 16 de novembro. Mais de 23.000 credenciados, de mais de 60 países, além de muitas pessoas que passaram nas diversas atividades realizadas na Universidade Federal do Pará (UFPA). Dentre eles diversas pastorais, movimentos e organismos da Igreja católica. Compromisso da Igreja com os marginalizados Uma presença da Igreja católica que o bispo da diocese de Brejo (Maranhão), e presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Valdeci Santos Mendes, considera muito importante, “nesse sentido do testemunho, do compromisso com os marginalizados e marginalizadas”. No dia em que a Igreja católica celebra a Jornada Mundial dos Pobres, o bispo enfatizou que “isso requer de nós um testemunho, um compromisso e uma luta pela vida. E eu diria que essa luta pela vida é luta pelo território livre dos povos, é luta pela dignidade, é luta pelo direito, é luta para que a justiça social, a justiça socioambiental seja de fato realizada no nosso meio”. Dom Valdeci ressaltou que “as pastorais sociais, os organismos do povo de Deus têm esse compromisso grande de assumir a luta juntamente com os movimentos populares, com aqueles e aquelas que lutam por vida, vida humana e vida do Planeta”. Nessa perspectiva, quando o Brasil acolhe a COP30, o bispo insistiu em que “a Igreja católica precisa ouvir mais as comunidades tradicionais, os povos originários e aprender também, ter essa humildade de aprender também para que de fato possa cumprir o seu papel e testemunhar Cristo. Cristo que sofreu, Cristo que foi perseguido e assim também são os nossos povos e nossas comunidades”. Finalmente, o bispo da diocese de Brejo, disse que “precisamos assumir cada vez mais, ouvindo o grito de tantos irmãos e irmãs que ainda hoje são torturados, são marginalizados. Precisamos dar esse passo no compromisso e fidelidade ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”. A voz de Raoni Metuktire A clausura da Cúpula dos Povos contou com a presença de uma das maiores lideranças indígenas do Brasil e do mundo, Raoni Metuktire. O indígena do povo Kayapó, que foi recebido pelo Papa Francisco no Vaticano, pediu união entre todos, fazendo um apelo pela “continuidade para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal neste universo, querem destruir esta terra”. Diante das mudanças climáticas, das guerras, ele pediu o respeito um pelo outro e poder viver em paz nessa terra. Junto com isso, o cacique Raoni pediu “dar continuidade nessa missão de poder defender a vida”. O cacique do povo Kayapó chamou ao diálogo com as autoridades, com os estados, em vista de acabar com o desmatamento, o garimpo e a exploração da terra. Ele pediu proteção e cuidado para os povos indígenas, sobretudo na área da saúde. Finalmente, Raoni refletiu sobre as consequências das mudanças climáticas, advertindo sobre o caos muito grande que pode acontecer “se não tivermos a consciência de defender o que resta”. Declaração da Cúpula e Carta das Infâncias A Cúpula dos Povos elaborou uma declaração onde mostram sua disposição para assumir “a tarefa de construir um mundo justo e democrático, com bem viver para todas e todos”, ressaltando que “somos a unidade na diversidade”. O texto afirma que “não há vida sem natureza. Não há vida sem a ética e o trabalho de cuidados”. Para isso apostam nos “intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade”. Um texto que analisa a realidade atual em sete pontos para depois fazer 15 propostas. Para avançar nesse caminho, fizeram um chamado a unificar forças mediante a organização dos povos. Também foi apresentada a Carta das Infâncias na Cúpulas dos povos, que se reuniram em Belém (PA) para conversar sobre o clima. O texto denuncia o aumento da temperatura e suas consequências na vida das crianças. Elas afirmam que “Nós somos natureza, o planeta é natureza. A natureza é tudo!”, e pedem “um futuro bonito para viver”. Para isso “Temos que cuidar e proteger a AMAZÔNIA”, destacam as crianças, que fazem uma longa lista de propostas e exigências, dado que “queremos continuar vivos e vivas! Crescer num mundo bonito, num mundo que ainda respire. Com esperança e sem medo!” Levar em conta a sociedade civil Tanto a declaração como a carta foram apresentadas ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e ao Governo Federal do Brasil, representado pelas ministras Sônia Guajajara, Marina Silva e o ministro Guilherme Boulos. Corrêa de Lago recordou o recordou o pedido do presidente Lula da COP30 levar em conta a sociedade civil. Nesse sentido, ele destacou a importância dos textos, que serão levados à reunião de alto nível onde são tomadas as decisões. Sônia Guajajara insistiu em que a democracia precisa da participação do povo, que deve ser escutado. A ministra dos Povos Indígenas definiu os participantes da cúpula como “os maiores guardiães da vida, seja no território, seja nas periferias das grandes cidades, dos quilombos”. Ela enfatizou a presença indígena na Zona Azul, com mais de 900 representantes, que ajudam a mudar o foco das discussões. Mensagem do presidente Lula A ministra Marina Silva leu a mensagem do presidente Lula à Cúpula dos Povos. Ele disse que “a COP30 não seria viável sem a participação de vocês”, ado que “o combate à mudança do clima precisa da mobilização e contribuição de toda a sociedade, não só dos governos. O entusiasmo e o engajamento de vocês são fundamentais para que possamos seguir nessa luta. Vocês são portadores da força e da legitimidade dos que almejam o melhor”. O presidente do Brasil insistiu na urgência da mudança e defendeu o desenvolvimento sustentável, e “um mundo em paz, mais solidário, menos desigual, livre da pobreza, da fome e da crise”. É por isso que “não podemos adiar as decisões que estão sendo debatidas há tantos anos”. Para isso, ele pediu “mapas do caminho para que a humanidade, de forma justa e planejada, supere a dependência dos combustíveis fósseis, pare…
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COP30: Na Marcha dos Povos, a Igreja se une aos defensores do meio ambiente

As ruas de Belém foram tomadas pelos povos, que marcharam por uma das maiores cidades da Amazônia para gritar ao mundo a necessidade de conversão, de mudança em todos os níveis. Movimentos sociais, sindicatos, políticos, povos indígenas e a Igreja católica, com a presença de vários cardeais e bispos, juntos pelo cuidado da Casa Comum. Povos que sentem excluídos das decisões Uma marcha que é expressão de um povo que “não concorda com o que está acontecendo dentro da COP, porque mesmo estando no Brasil muitos povos têm se sentido excluídos, não se sentindo partícipes dentro de seu próprio ecossistema, que é a Amazônia”, segundo denunciou uma das maiores lideranças indígenas em nível mundial, a vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazônia, membro do povo Kichwa de Sarayaku (Equador), Patrícia Gualinga. Que a COP30 seja realizada na Amazônia tem um forte significado para a Igreja católica, dado que “Papa Francisco convocou a Amazônia a Roma faz seis anos, e agora as Nações Unidas que convocam o mundo à Amazônia. Um retorno que conecta os povos do mundo para o cuidado daquilo que é fundamental para o equilíbrio sistêmico e climático do Planeta”, segundo o irmão João Gutemberg Coelho, secretário executivo da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM). Uma rede que nasceu para isso, que tem “na sua índole, na sua identidade, no seu projeto de existência o cuidado da sociobiodiversidade amazônica”, sublinhou o secretário executivo, que vê nisso, “aquilo que salva o clima, que salva a nossa vida no Planeta”. Cardeais na marcha dos povos A CEAMA e a REPAM, expressões da caminhada eclesial na Amazônia, encontram apoio na Igreja universal, também presente na COP30 e em todas as atividades que estão sendo realizadas em Belém nesses dias. Especialmente as igrejas do Sul Global, que sentem que aquilo que está sendo debatido na COP “afeta a toda a humanidade, especialmente os pobres, os vulneráveis”, segundo o cardeal Felipe Neri Ferrão, arcebispo de Goa e presidente da Federação de Conferências Episcopais da Asia. Ele reconhece que “a missão da Igreja é para toda a humanidade, mas especialmente os pobres, os vulneráveis”, vítimas principais das consequências das mudanças climáticas. A participação da Igreja católica na Marcha dos Povos é importante. Acompanhar os povos sempre fez parte da sua missão. Papa Francisco e atualmente Papa Leão XIV têm colocado os pobres no centro. O atual pontífice, em seu recente discurso aos Movimentos Populares disse que “é necessário estar do lado dos pobres, dos descartados”. Nesse encontro, Papa Leão XIV disse: “eu estou com vocês”. Palavras que tem que nos levar a “seguir esse exemplo”, como fez a Igreja católica na marcha com a presença dos cardeais e bispos. Participar da COP30 e da Marcha dos Povos “é uma oportunidade para nos unirmos a outros defensores do meio ambiente”, segundo o cardeal Pablo Virgílio Davi, bispo de Kalookan (Filipinas). Ele enfatizou que “estamos rodeados por pessoas que realmente se preocupam com a integridade da criação”. Ao mesmo tempo, o cardeal recordou que “Papa Francisco nos ensinou a adotar a atitude da sinodalidade, caminharmos com todas as pessoas de diferentes estilos de vida”. Ele reconheceu que “as pessoas aqui podem ter diferentes motivos para defender o meio ambiente, para se juntar à comunidade, mas o importante é que encontremos nossos pontos de convergência juntos, que é o nosso cuidado com o bem comum”. Incluir na Igreja as demandas da sociedade organizada Não podemos esquecer que “a questão ambiental e social depende da democracia direta, da participação ampla de todos os movimentos sociais, de todos os segmentos que acreditam em mudanças profundas na humanidade, de mudanças civilizatórias”, disse dom Reginaldo Andrietta, bispo diocesano de Jales (SP). Ele sublinhou que “devemos sempre incluir as demandas da sociedade organizada”. Dado que essas demandas nem sempre são ouvidas, o bispo brasileiro destaca que a “articulação de todos os segmentos na unidade de ação é que faz a diferença”. O bispo disse que a Marcha dos Povos é “uma expressão a ser ouvida na COP por aqueles que misteriosamente estão fazendo as negociações, sem conhecermos todos os acordos que estão sendo feitos”. Dom Reginaldo cobrou o conhecimento íntegro dos acordos alcançados. Para isso é importante que o clamor da Marcha dos Povos seja ouvido. Ministras brasileiras cobram implementação dos acordos O governo brasileiro, que nem sempre tem assumido a importância do cuidado do Planeta, se fez presente na Marcha nas ministras Marina Silva e Sônia Guajajara. A ministra de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas destacou a importante presença daqueles “que sabem o que é a mudança do clima”. Daí a necessidade de “desenhar o mapa e o caminho que precisa sair desta COP” que deve conduzir ao fim do desmatamento e do uso de agrotóxicos. Por sua vez, Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas destacou a presença daqueles que cuidam da Amazônia e se encontram em Belém para dizer “Basta”. Um grito necessário diante da emergência climática, que deve levar com urgência a assumir o compromisso de combater juntos as mudanças climáticas em vista de “um mundo mais justo, um mundo mais inclusivo, um mundo que compreenda as nossas causas”, concluiu a ministra.

Cardeal Steiner: “a ecologia integral tem que ser expressão da fé daqueles que seguem o Evangelho”

Organizado pelo Movimento Laudato si´, o Pavilhão Balanço Ético, na Zona Azul da COP30, que acontece em Belém (PA), de 10 a 21 de novembro de 2025, foi realizado, na manhã da sexta-feira 14, o painel: “Espalhando a Esperança: 10 anos do Acordo de Paris e da Encíclica Laudato si´”. Laudato Si’: um movimento contracorrente Jean-Pascal van Ypersele, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o órgão das Nações Unidas responsável pela avaliação científica relacionada às mudanças climáticas, Josianne Gauthier, de Cooperação Internacional pelo Desenvolvimento e la Solidariedade (CIDSE), e o cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), debateram sobre o impacto que o Papa Francisco teve nesta década na agenda climática. O Movimento Laudato Si’ é um dos frutos desse caminho nos últimos 10 anos, e a encíclica pode ser considerada “não apenas como um documento, mas como um catalisador”, que foi decisivo no decorrer da COP21, facilitando o processo político para o Acordo de Paris, segundo o coordenador mundial do Movimento Laudato Si’, Yeb Saño. “Um movimento contracorrente, um movimento tremendamente difícil, porque não é um movimento do lucro, do ganho, não é um movimento econômico, mas é um movimento que nos leva a uma fraternidade universal e cuidado da casa comum”, afirmou o cardeal Steiner. Laudato Si’: uma encíclica além da comunidade católica Jean-Pascal van Ypersele refletiu do ponto de vista científico, incidindo na importância decisiva de preservar a camada de ozônio. Para isso, em palavras do cientista climático, “precisamos da chamada neutralidade de carbono. Isso significa não emitir mais CO2 do que a natureza, incluindo as florestas e os oceanos, pode absorver”. Ele insistiu em que “Laudato Si’ vai além da comunidade católica e da comunidade religiosa. Ela influenciou um público muito mais amplo, são centenas de milhões de pessoas no mundo”. Isso porque, a encíclica “proporcionou uma ponte entre a ciência e os valores”, influenciando nas políticas. Uma encíclica que colocou em palavras coisas que, em nossos corações e em nossa experiência de vida, não tínhamos como expressar, como é a expressão “casa comum”, recordou Josianne Gauthier, fazendo com que “começamos a entender que a crise, a forma como tratamos uns aos outros, era a mesma coisa”, ajudando a ter uma nova visão. Isso criou, reconhece Gauthier, “um movimento de solidariedade, aprendizado e compreensão dentro de nossa fé para ter um papel a desempenhar”. Ela fez um chamado a ser políticos, a ser ativos, a estar unidos. Laudato Si’ influenciou decisivamente o Acordo de Paris O cardeal Leonardo Steiner foi um dos delegados da Santa Sé na COP21, em Paris. Ele testemunhou que “era impressionante ouvir como quase todas as delegações mencionavam Laudato Si’. E talvez se tenha alcançado o resultado que se alcançou em Paris devido ao texto Laudato Si’”. Um texto que, segundo o arcebispo de Manaus, “abre um horizonte de discussão, de reflexão exigente”, um texto que faz um grande aporte para a questão da mudança climática. O fundo da encíclica, afirmou o cardeal Steiner, “é a busca de uma nova relação, do cuidado diante da dominação e da destruição”. Ele insistiu em que “essa relação que precisa mudar porque o horizonte das mudanças climáticas está dentro do lucro, dentro do dinheiro. Não existe o horizonte de uma compreensão fraterna, como o Papa menciona no início, citando Francisco de Assis. Esse horizonte de compreensão que é a fraternidade universal do irmão Sol e irmã Lua”. A ecologia integral expressão da fé Frente aos negacionistas climáticos, o cardeal ressalta que “onde existe respeito pela natureza, que propõe a Laudato Si, existe a harmonia, existe a possibilidade da vida como um todo”. Ele sublinha a importância da educação para uma ecologia integral, uma questão que aparece em Querida Amazônia, onde ao mencionar os quatro sonhos, Papa Francisco aborda uma totalidade das relações, “nada fica fora dos sonhos”. Junto com isso, a Laudato Si e Querida Amazônia mostram que “a questão da ecologia integral tem que ser expressão da fé, daqueles que seguem o Evangelho”, destacou o cardeal. “O meio ambiente tem a ver com o desaparecer de povos. O meio ambiente tem a ver com o desaparecimento de culturas, de línguas. O meio ambiente tem a ver com os povos indígenas, os povos originários. O meio ambiente tem a ver com a nossa humanidade”, refletiu o arcebispo de Manaus. Ele mostrou como Papa Francisco ao abordar a questão do meio ambiente, nos faz pensar que existe um todo. Daí ele deduze que “esse todo é que dá razão de nós, como Igreja, como comunidades de fé, não deixarmos de lado a questão ambiental”. De fato, no Evangelho de Marcos, Jesus disse: “Ide e anunciai a toda criatura”, o que mostra que “a redenção tem a ver com todo o universo. Todo o universo está dentro do mistério da cruz e da ressurreição”. O meio ambiente presente na vida das comunidades Uma reflexão que leva o cardeal a dizer que “o meio ambiente não pode estar excluído da vida das nossas comunidades”, dado que tudo é obra criada. Nessa perspectiva, somos chamados a ser cuidadores da obra criada, não dominadores, seguindo o texto de Gênesis. Uma nova relação, que considera o todo e não só o lucro, “uma relação de cuidado, uma relação de cultivo, mas especialmente uma relação fraterna”, a exemplo de Francisco de Assis, desafiou o cardeal. Daí o chamado a, sustentados na teimosia, “levar adiante todo esse horizonte de compreensão que nos foi dado por Papa Francisco, em vista de que a nossa terra não chegue ao seu colapso, não chegue a sua destruição. E que todos possam se sentir em casa, também os outros seres, até os seres que nós chamamos de inanimados possam se sentir em casa”, dado que cada ser é um modo diferente de manifestação de um mesmo amor. Uma encíclica que nos leva a “continuar firmes nessa luta”, reafirmou o cardeal Steiner. Mesmo diante da pressão que a COP recebe das grandes empresas, que não querem se desfazer do…
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Na COP30, diálogo socioambiental pela Paz: “não mais domínio, mas relação respeitosa com todos os seres”

O diálogo é o instrumento que nos permite avançar na construção social. Daí a importância do Painel “Diálogo socioambiental pela Paz: adaptação e transição justa”, realizado na Zona Azul da COP30 na manhã do dia 13 de novembro de 2025. Diálogo entre diversos atores sociais Um diálogo entre a Igreja católica, representada pelo arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, o diretor do Departamento de Ecologia Integral da Conferência Episcopal Espanhola, padre Eduardo Agosta, e a secretária da Pontifícia Comissão para América Latina, Emilce Cuda, a universidade, com a presença de Juliano Assunção, do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e os empresários Ana Cabral, presidenta de Sigma Lithium, e José Luis Manzano, presidente de Integral Capital. Se faz necessário reconhecer que as mudanças climáticas são um sinal de que temos perdido relação com a verdadeira essência da humanidade, em palavras do presidente da Fundação para a Equidade nos Mercados Ambientais, Patricio Lombardi, organizador do evento. Ele, que fez um chamado escutar, refletir, nos reconectar, destacou a importância do Acordo de Paris e sua relação com Laudato si´, incidindo no Artigo 12 do acordo, que demanda “cooperar para tomar medidas, conforme apropriado, para ampliar a educação, a formação, a sensibilização do público, a participação do público e o acesso do público a informação sobre as mudanças climáticas, reconhecendo a importância dessas etapas para ampliar as ações previstas”. Um painel, como o realizado, possibilita o diálogo social, fundamento da Doutrina Social da Igreja, segundo salientou Emilce Cuda. A secretária da PCAL. Ela recordou as palavras de Papa Leão XIV, que diz que “para desarmar as palavras, para chegar à paz, temos que dialogar”. Daí a necessidade de desarmar as palavras como única forma de resolver o conflito, que a teóloga argentina considera a base do diálogo social, que “não é um diálogo entre amigos, é um diálogo entre representantes de partes organizadas de uma sociedade para poder chegar a um acordo que sempre é aberto, negociado”, uma necessidade diante da situação social e ambiental atual que “está em risco de chegar a um ponto crítico”. Diálogo sem escuta é imposição O cardeal Steiner partiu da ideia de que “diálogo é sempre uma escuta”, fazendo um chamado a “sermos escutadores, escutadoras, para podermos devagar ir percebendo qual é a razão de fundo que nos move e que nos dá horizonte da compreensão da nossa vida, mas também da nossa fé”. Por isso, “diálogo sem escuta não é diálogo, é imposição de ideologias ou de ideias”, algo que demanda se ouvir, porque “é na escuta que a esperança se faz presente, é no ouvir que a esperança vai devagarinho surgindo no horizonte das nossas compreensões”. O cardeal, inspirado em Romano Guardini, refletiu sobre a dimensão relacional, a necessidade de estar a serviço, se superar a atitude de posse. Ele refletiu sobre as relações com o meio ambiente, apostando na “obrigação de levantar a bandeira da esperança para que essas relações possam ser mais condizentes com o que pede a própria natureza”. Frente a isso, “outra modalidade de saber, que não observa, mas analisa, já não se emerge no objeto, mas o agarra e o destrói”. O cardeal Steiner demanda uma ética “não mais do domínio, mas de uma relação condizente, respeitosa com todos os seres”. O arcebispo de Manaus refletiu sobre a necessidade de levar em consideração os pobres, aqueles que mais estão sofrendo com as mudanças climática, que no Brasil são os povos indígenas. Diante disso, o presidente do Conselho Indigenista Missionário disse que “nós queremos ser para eles um sinal de esperança”, dado que eles são sinal de esperança em consequência do seu modo harmônico de convivência com o meio ambiente. Por isso, a necessidade de levar em conta que “Jesus nos possibilita um outro modo de relação, que é samaritano, que é fraterno, que é consolador, que é de uma fraternidade universal”. Necessidade de conversão O problema climático é algo que goza de convicção científica desde 1987, segundo Eduardo Agosta. Ele mostrou a demora para chegar em decisões políticas, vendo como uma das causas do atual fracasso o fato de não levar em conta o moral e o ético que aparece em Laudato si´. Ele reconhece a existência de soluções técnicas, mas denuncia a falta de vontade política para enfrentar aquilo que não gostamos, dada a necessidade de conversão para alcançar a mudança. Junto com isso, a falta de consciência de pertença a uma fraternidade humana, que habita uma casa comum, com uma dívida climática a pagar. Para isso demanda abraçar a ecologia integral imanente, superando o pensamento fragmentado, ver o clima como a base de tudo o que coloca em risco a dignidade humana e a vida de muitas pessoas; ver o território como lar e não como recurso; fomentar a transição justa; assumir a opção preferencial pelos pobres, que sofrem a maior parte das consequências das mudanças climáticas. Por isso, Agosta demanda mais alma para assumir de verdade o Acordo de Paris. A universidade é espaço de avanços científicos, também em tudo o que tem a ver com as mudanças climáticas, um problema a ser tratado de maneira conjunta, segundo Juliano Assunção, dado que ele afeta a todos nós e que demanda uma ajuda para com aqueles que mais sofrem. Daí a necessidade de justiça climática, sobretudo para com os países mais pobres, com quem o Planeta tem uma maior dívida ecológica. Por isso a necessidade de criar meios para que as pessoas consigam viver melhor, defendeu o professor brasileiro. Todos sentados na mesa do diálogo O grande desafio é estabelecer diálogos com aqueles que participam na tomada de decisões, com os empresários. Isso, porque segundo lembrou Emilce Cuda, recordando as palavras de Papa Francisco, “não haverá justiça social até que todos não estejam sentados à mesma mesa da tomada de decisões, não para contar seus dramas, mas para decidir”, como único caminho para a paz, que é consequência do diálogo social. Daí a importância da presença do mundo da empresa no…
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Coordenadores das Pastorais Sociais e Organismos realizam última reunião

Na tarde de hoje (12), as coordenações das Pastorais Sociais e Organismos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Regional Norte 1), realizaram a última reunião do ano de 2025, na sede do Regional, em Manaus. O encontro avaliou o caminho percorrido durante o ano, destacando a atuação de cada pastoral. Um momento de partilha, agradecimento, avaliação e reconhecimento.   Conduzido pela Articuladora Regional das Pastorais Sociais, Ir. Rosiene Gomes, contou com a participação de Ir. Maria Irene Tondin, da Pastoral IST/Aids; Ir. Andréia Muller, Pastoral do Surdo; Diácono Leonardo Cunha, Pastoral Carcerária; Vera Lúcia Gama, Pastoral da Pessoa Idosa (PPI); Guadalupe Peres, Pastoral da Saúde e Alriani Santos, da Pastoral da Criança; bem como Ir. Gervis Monteiro, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e Serviço de Animação Vocacional (SAV); Pe. Gutemberg Gonçalves, Conselho Missionário Regional (COMIRE); Francisco Meireles, Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) e Jussara da Fonseca, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Sintonia com a realidade das comunidades O processo de escuta sinodal da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) para elaboração dos horizontes de atuação norteou o encontro. Durante de discernimento comunitário, os coordenadores expressaram suas impressões vivenciadas ao longo do ano em cada encontro com as comunidades que compõe o Regional. O diálogo sobre os desafios encontrados ao longo do ano permitiu uma integração entre as pastorais e apontou caminhos para a conferência. Entre os desafios apontados, a questão da dimensão territorial do regional é uma realidade enfrentada por todos. Isto porque, para que as formações e encontros aconteçam nas dioceses e prelazias, é necessário um grande aporte financeiro para deslocamento. Outro ponto relacionado, é a necessidade de pessoas para atuar nas pastorais e abranger todas as comunidades remotas. Os participantes também destacaram que as assembleias, conselhos e processos formativos são uma outra expressão da atuação sinodal dentro do Regional Norte 1. Esses espaços de interação com as dinâmicas sociais de todo regional permite um grande alcance de pessoas, e consolida a opção de caminhar juntos assumida pela Igreja na Amazônia. Por isso, o apoio mútuo e a busca por soluções conjuntas permanecem na perspectiva do regional. Preparação para atividades Na ocasião, foram antecipados os convites para eventos que acontecerão no ano de 2026 que envolvem o dinamismo de todas as Pastorais, como o Congresso Vocacional. E também a precisão de informar eventos que acontecerão, assim como fornecer dados daqueles que foram realizados para a comunicação do regional. No encerramento do encontro, Ir. Rose Bertoldo, Secretária Executiva do Regional, agradeceu pelos trabalhos realizados por cada uma das pastorais e organismos durante todo ano. Reforçou a comunhão e o diálogo entre coordenações e o Regional como elementos fundamentais para atender as necessidades de cada pastoral. E por isso, a importância do calendário de atividades do ano 2026 para identificar, planejar e responder as demandas cada uma, fortalecendo a atuação nas dioceses e prelazias.

Pastoral da Saúde realiza Formação Continuada na Prelazia de Tefé

Com o tema “Espiritualidade, conhecimento e motivação para seguir evangelizando”, a Pastoral da Saúde do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Regional Norte 1) realizou a Formação Continuada na Prelazia de Tefé. 40 agentes de pastoral participaram do evento, nos dias 8 e 9 de novembro, no Centro Pastoral Irmão Falco. Segundo Guadalupe Peres, Coordenadora da Pastoral da Saúde do Regional Norte 1, as paróquias participantes foram Nossa Senhora de Guadalupe, município de Fonte Boa, São Joaquim, de Alvarães, Nossa Senhora da Conceição, de Maraã, Paróquia Divino Espírito Santo – Missão/Setor São José, a Área Missionária São Sebastião do Distrito de Caiambé e as paróquias Santa Teresa D’Avila, Santo Antônio e Bom Jesus de Tefé. As perpectivas de organização da Pastoral da Saúde No sábado (8), a formação explorou a definição do que é a Pastoral da Saúde, sua organização e suas dimensões. Além disso, Guadalupe Peres, abordou sobre visita Domiciliar e Hospitalar. E Neurismar de Oliveira, agente da Pastoral da Saúde de Tefé e presidente do Conselho Municipal de Saúde de Tefé (CMS), falou a respeito do SUS (Sistema Único de Saúde) e da SUAS (Sistema Único de Assistência Social) que garante apoio e proteção a indivíduos e famílias em dificuldades, por meio de programas, benefícios e serviços socioassistenciais. Outro ponto do dia foram o Termo de voluntariado LF 9608, que dispõe sobre o serviço voluntário caracterizado por não gerar vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista previdenciária ou afim. E também Orientação de Proteção a Menores e Pessoas Vulneráveis conduzido por Naraiza e Francisca Iranildes. Ao final do dia, Dom Altevir presidiu a celebração Eucarística. Riqueza da partilha da vivência comunitária No domingo (9), o encontro contou com a partilha dos coordenadores de cada Paróquia e Área Missionária. Segundo a coordenadora regional, Guadalupe Peres, cada coordenador e coordenadora disse seu “sim” a missão recebida. Eles também receberam da coordenação regional o Manual do Agente da Pastoral da Saúde. “A partilha foi muito rica, onde cada um falou da sua realidade, suas necessidades, enfatizando a importância da formação que motivou a continuar com mais vigor e compromisso a missão na pastoral, e já estão cheios de ideias para impulsionar mais a Pastoral da Saúde na sua Paróquia e Área Missionária”, expressou a coordenadora. Ao final, expressou gratidão a todos e todas e em especial a coordenadora Edyana Vieira, Ir. Creuza, Naida, Neurismar, Cida e Francisca. Recordando a missão da Pastoral de priorizar a vida e testemunhar o Evangelho no mundo da saúde nas três dimensões: Solidária, comunitária e sociotransformadora. Colaboração e fotos: Guadalupe Peres – Coordenadora da Pastoral da Saúde do Regional Norte 1

Cardeal Leonardo Steiner celebra seus 75 anos de vida

Na manhã deste domingo (9), às 10h, o Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Regional Norte 1) , cardeal Leonardo Steiner, presidiu a missa de comemoração aos seus 75 anos de vida. A celebração Eucarística aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus com a presença dos bispos auxiliares e emérito, padres, vida religiosa, seminaristas e grande número de fiéis. O arcebispo agradeceu o carinho dos participantes e, brevemente, recordou sua trajetória de vida. “Eu queria agradecer essas palavras todas, os gestos de afeto, de carinho, de proximidade. Mas especialmente gostaria de agradecer as orações de cada, de cada uma. Assim nos sentimos mais igreja, sentimos mais igreja. Eu sou muito grato a Deus, sou muito grato a Deus” enfatizou o arcebispo. Semente da vida comunitária O cardeal Steiner recordou que seu crescimento familiar é marcado pela profunda religiosidade de seus pais. Sendo o décimo terceiro de dezesseis irmãos, onde todos foram ensinados desde pequenos a rezar uns pelos outros. Essa característica religiosa também é presente em sua comunidade de origem, que mesmo pequena, gerou muitos frutos vocacionais. “Quando nasci, os mais velhos já estavam fora de casa, mas a nossa mãe todo dia à noite rezava por aqueles que já tinham saído de casa, e também pelos dois que já haviam falecido. Esse senso de família, esse senso de comunidade: nesse ambiente que eu cresci. Venho de uma comunidade pequena, de origem alemã, onde todos os cantos e orações naquele tempo ainda eram em alemão. Uma comunidade muito pequena, mas uma comunidade muito ativa, profundamente religiosa. Dessa comunidade vieram muitas religiosas, muitos padres”, explicou. Confrontar-se com a vida de comunidades Ao comentar sobre o processo formativo, o arcebispo disse que o seu tempo de seminário “foi um tempo muito rico”. E sublinhou que teve “grandes formadores, grandes pensadores, grandes teólogos, filósofos”, que o introduziram “numa vida acadêmica muito profunda”, além da oportunidade de fazer especialização fora do país. Ao retornar, foi nomeado bispo de São Félix do Araguaia, uma experiência que possibilitou um novo olhar sobre a organização comunitária. “Me ajudou demais. Eu que vinha de um ambiente apenas formativo, fui confrontado com a vida de comunidades, comunidades eclesiais de base, que abriu os olhos e me fez perceber quão grande é a igreja que está ali presente nessas pequenas comunidades, nessas expressões religiosas que eu nem sequer conhecia, de gerações e piedades que mantiveram vivas essas comunidades”, explicou. Formar-se um templo bem construído Em sua fala, o cardeal Steiner reforçou sua gratidão a Deus por tudo que recebeu, “recebi e recebi muito, talvez tenha correspondido pouco”. Para enfatizar seu pedido de orações por sua conversão, relembrou que ao passar por dois procedimentos cirúrgicos, os médicos garantiram mais 50 anos de vida, mas que, para ele, “tanto tempo eu não preciso, mas eu ainda preciso um tempo para ver se eu me converto”. E terminou associando essas dinâmicas ao texto do Evangelho do dia. “Esses textos do Evangelho de hoje são tão bonitos. Nós somos casa de Deus, somos templo de Deus. E desses templos é que deveriam jorrar a justiça, a bondade, o consolo, a fraternidade, a vida de comunidade, a experiência de Evangelho. E ainda estou tão longe de tudo isso. Mas com a ajuda de vocês, com as orações de vocês, espero poder me apresentar diante de Deus como um templo bem construído e poder participar da vida do reino definitivamente”, finalizou. Transmitir vida é a missão O arcebispo emérito de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira, destacou em sua homilia que “sem o bispo, a igreja perde os caminhos”. E por isso, é preciso compreender-se como “uma igreja que transmite vida. Por onde passa, vai transmitindo a vida. Quem é essa vida? Jesus disse, eu sou o caminho, a verdade e a vida. Jesus é a vida”. É o modo de vida de Jesus que permeia caminho de trabalho da Evangelização. “A igreja de Jesus Cristo é uma igreja que transmite vida, que tem vida e transmite vida. Você vê como é importante no mundo de hoje. Nós estamos num mundo marcado muito por guerras, por mortes, por tantas coisas que estão acontecendo, são mortos, não são de Deus. E nós temos de dizer para o pessoal, olha, minha gente, nós temos uma boa notícia para vocês, uma boa notícia. Nós temos a solução para tudo isso que está acontecendo de desgraça no mundo. É Jesus Cristo”, pontuou Dom Luiz. Em relação a segunda leitura, tirada da primeira carta de Paulo aos Coríntios, Dom Luiz recorda que “cada cristão, cada cristã é um tijolinho nessa construção”. E que “o alicerce é Jesus Cristo, portanto Jesus deve ser realmente a razão do nosso ser, do nosso agir, do nosso pensar. Jesus é, portanto, o fundamento, o alicerce de nós, dessa comunidade, dessa arquidiocese”. Dessa maneira, a igreja permanece em construção até completar sua missão dinâmica quando chegar ao final dos tempos. Quanto ao Evangelho, ele reflete que Jesus é o templo, Jesus é nossa cabeça, nós todos formamos um corpo”. Por isso, é necessário que a comunidade se abra ao Espírito Santo e não perca o estilo de vida ao modo de Jesus de transmitir vida. E quando a natureza humana foge dessa dinâmica, é preciso ter pessoas que chamem atenção e apontem o caminho que conduzam a comunhão, e a figura do bispo luta para que essa comunhão não desapareça. “Então, o bispo é aquele que fica atento, fica atento e mostra caminhos, e mostra, minha gente, é por aqui, Jesus está aqui, olha, vamos atrás dele, vamos atrás de Jesus. Ele que é tudo para nós. Então, Dom Leonardo, a sua missão é muito importante, sabe disso, né?”, recordou Dom Luiz. Caminhar juntos como Igreja O Conselho de Leigos e Leigas da Arquidiocese de Manaus e a Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil, Regional Amazonas e Roraima estiveram presentes e prestaram homenagens ao arcebispo. Seus representantes destacaram a importância de seu testemunho profético e…
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Encerrada a IV Assembleia Diocesana do Povo de Deus de Alto Solimões com novos caminhos para a missão   

Entre os dias 5 e 9 de novembro de 2025, o Centro Diocesano de Formação Frei Ciro, em Tabatinga, acolheu a IV Assembleia Diocesana do Povo de Deus da Diocese de Alto Solimões, um importante momento de oração, escuta, partilha e discernimento sobre os rumos da caminhada pastoral da Igreja nessa Igreja local. Quatro grandes caminhos pastorais A assembleia contou com a participação de representantes de todas as paróquias, movimentos e pastorais da diocese. O objetivo era avaliar o caminho percorrido nos últimos anos e definir as prioridades que orientarão a missão evangelizadora nos próximos anos. Após dias de intensa reflexão e diálogo comunitário, os participantes definiram quatro grandes caminhos pastorais que deverão guiar a ação da Igreja do Alto Solimões: consolidação da Iniciação à Vida Cristã (IVC) em todas as paróquias, buscando fortalecer a formação e o amadurecimento da fé desde o primeiro anúncio até a vida comunitária; Fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da ministerialidade, promovendo a corresponsabilidade e o protagonismo dos leigos e leigas na vida da Igreja; Cuidar das fragilidades das pessoas e da Casa Comum, assumindo o compromisso com a vida, a justiça social e a ecologia integral, em sintonia com o magistério do Papa Francisco; Acompanhamento da juventude, favorecendo espaços de escuta, formação e engajamento dos jovens na comunidade e na sociedade. Um caminho que continua nas paróquias A Assembleia encerrou-se em clima de esperança e comunhão, reforçando o compromisso de cada comunidade com a missão evangelizadora. A partir de agora, cada paróquia realizará sua própria assembleia paroquial, para discernir e escolher as ações concretas necessárias para trilhar esses quatro caminhos definidos em nível diocesano. O bispo diocesano, dom Adolfo Zon Pereira, destacou no encerramento que “a Assembleia é sinal de uma Igreja viva, participativa e missionária, que busca caminhar unida, escutando o Espírito Santo e servindo com alegria o povo de Deus no Alto Solimões”. Com esse espírito sinodal e comprometido, a diocese segue firme em sua missão de anunciar o Evangelho e promover a vida plena para todos. Um espírito que se fez presente na Eucaristia de encerramento celebrada na manhã deste domingo, 9 de novembro, momento em que foi realizado o encerramento do Ano Jubilar Diocesano pelos 115 anos da criação da Igreja Local de Alto Solimões.

Cardeal Steiner: “A Igreja nascida de Jesus é hoje o testemunho vivo da presença de Deus na história”

Na comemoração da Dedicação da Igreja do Latrão, a catedral do bispo de Roma, do Papa, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia recordando que “construída pelo imperador Constantino, no tempo do Papa Silvestre I, foi consagrada no ano 324. Ela é chamada ‘a igreja-mãe de todas as igrejas da Urbe e do Orbe’. Mãe de todas as igrejas de Roma e do mundo, símbolo das igrejas de todo o mundo, unidas ao sucessor de Pedro. No fontal da Basília pode-se ler: ‘Papa Clemente XII, no quinto ano de seu pontificado, dedicou este edifício a Cristo, o Salvador, em homenagem aos Santos João Batista e João Evangelista’. A Igreja do Latrão foi dedicada inicialmente a Cristo Salvador e somente séculos depois é que foi codedicada aos dois outros santos”. A morada de Deus “A Festa da Dedicação da Basílica de Latrão que se celebra no dia 9 de novembro, convida-nos a perceber que a Igreja nascida de Jesus é hoje, no meio do mundo, a ‘morada de Deus’, o testemunho vivo da presença de Deus na história dos homens. Ao celebrarmos a dedicação, a consagração, dessa igreja, renovamos a unidade, a comunhão e a sinodalidade da Igreja Católica. Na celebração de hoje expressamos a nossa comunhão com todas as comunidades em unidade com o Papa Leão XIV”, disse o cardeal Steiner. Segundo ele, “na Festa de hoje, meditemos as leituras que nos remetem para o templo: Igreja templo; nós como templo”. A experiência de Israel Na primeira leitura, ele enfatizou que “o profeta ‘vê’ brotar um rio de águas correntes, vivas. Símbolo de vida, de fecundidade, de abundância, de felicidade, a água tem sua fonte no templo na morda de Deus. Para o Povo marcado pela experiência do deserto, onde a falta água, a ervas são escassas, as frutas não abundantes, água traz vida, o verdor, a frutificação, a vida em abundância; é a experiência da vida, da terra da promessa.  O ‘rio’ de que o profeta fala brota da casa de Deus, a sua água evoca o poder vivificante e fecundante de Deus que, de Jerusalém, se derrama sobre o seu Povo, uma vez que transforma até as águas do mar morto”. “O profeta nos anuncia a sua visão de vida: rio de água viva e abundante que brota do Templo de Deus desce para a região mais desolada e árida do país até o Mar Morto. A água do templo de Deus que desce caudalosa e viva, fecunda a aridez do deserto, a tudo de vida, faz frutificar. As águas fazem nascer o verdor nas margens, fazem crescer árvores de toda a espécie, carregadas de frutos saborosos e levam vida fazendo submergir a morte. Os seus frutos servem de alimento e suas folhas são remédios. As águas fecundam e transformam a vida em todas as partes”, comentou o arcebispo. Continuando com a reflexão, ele ressaltou que “durante os anos sombrios da deportação, nas terras estrangeiras, esta promessa animou os exilados, despertando a esperança. De olhos postos em Jerusalém, no Monte do Templo, os exilados sonhavam de olhos abertos com esse novo templo prometido a partir do qual a vida de Deus voltaria a derramar-se abundantemente sobre toda a terra e em todo o povo. Do templo que renasce a vida, tudo se transforma, tudo é fecundado, e há abundância de bens, de vida e saúde” inspirado em Dehonianos, Festa da Dedicação. Nós somos templo de Deus São Paulo, na segunda leitura, segundo o cardeal, “a nos recordar que nós somos o templo de Deus, somos a casa do Espírito, Deus habita em nós. ‘Vós sois edifício de Deus… Veja cada um como constrói: ninguém pode colocar outro alicerce além do que está posto, que é Jesus Cristo. Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é santo e vós sois esse templo’ (1Cor 3, 9-17)”. “Somos templos em Cristo! Pela sua morte e ressurreição nos tornamos templos, morada! Fomos atraídos por Cristo, pertencemos à comunidade dos redimidos, dos libertados, dos esperançados. A comunidade que recebe o seu corpo e seu sangue, fonte abundante que conduz sempre à vida.  Fazemos parte de um Corpo do qual Cristo é a cabeça (cf. Rm 12,5; 1 Cor 12,27; Ef 1,22-23), a fonte que tudo transforma e vivifica. Somos templos que podem visibilizar o rosto bondoso e terno de Deus. Na partilha, solidariedade, serviço, reconciliação, consolo, gratuidade, se manifestam as águas que saem do templo e transformam os vales desérticos e secos em fertilidade, verdor, saúde! Fecundam com a justiça, a paz e o amor os desertos existenciais dos homens”, sublinhou o presidente do Regional Norte 1 da CNBB. Lugar de negócio Na passagem do Evangelho, ele destacou que “Jesus encontra os vendedores de bois e ovelhas no templo e os expulsa; convida os vendedores de pomba a retirarem seus animais. Limpa o templo, não deseja que o templo seja um lugar de comércio, de negócios. O templo tornara-se um lugar de compra e venda. O lugar do encontro, da oferta, da oferenda, transformada em negócio, em lucro. A templo de Deus, lugar da doação, do encontro, feito lugar de negociação. O lugar das águas fecundas e abundantes transformado no deserto da compra e venda”. Ele recordou que “Mestre Eckhart comentando a expulsão dos vendilhões do templo ensina”, citando o texto: “Quem eram as pessoas que compravam e vendiam, e quem eram elas? (…) todas elas são pessoas que compram (…) que desejam ser pessoas boas e fazem as suas boas obras como jejuar, dar esmolas e rezar e tudo o mais possível de boas obras (…) para que o Senhor lhes dê algo em troca ou Deus lhes faça alguma coisa que para eles fosse bom: Esses são compradores” (Deutsche Predigten und Traktate). É por isso que “a purificação do templo, a desobstrução do templo, possibilidade ser…
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Sinodalidade marca a Assembleia Diocesana da Diocese de Borba

Nos dias 7 e 8 de novembro, a diocese de Borba está realizando, na sede da diocese, a Assembleia diocesana, com o tema: “Por uma Igreja Sinodal, Comunhão, Participação e Missão.” Um encontro que conta com a participação de todos os organismos, as áreas missionárias, as áreas pastorais, as paróquias e as foranias. Momento de avaliação e planejamento “Uma assembleia avaliativa e, ao mesmo tempo, de organização para o próximo ano. dinâmica de uma igreja toda sinodal”, segundo o bispo diocesano, dom Zenildo Luiz Pereira da Silva. Ele ressaltou que “eu me sinto muito feliz e apoiado por esse povo, pela missionariedade que aqui existe”. A assembleia teve como ponto de partida o Documento Final do Sínodo da Sinodalidade, destacando alguns elementos, por exemplo, “a unidade que cria entre nós uma harmonia na missão. Depois, a corresponsabilidade diferenciada que envolve todos os batizados, que nos leva à valorização da diversidade dos dons e ministérios” afirmou o bispo. Dom Zenildo enfatizou a grande importância desta assembleia, “porque meditando sobre o documento, nós temos aí o chamado à conversão, conversão das relações, conversão dos vínculos, conversão dos processos e isso vem acontecendo em toda a nossa diocese, porque as paróquias avaliaram, as foranias avaliaram e as pastorais também”. Memória e profecia Segundo o bispo diocesano de Borba, “agora é hora de a gente juntar tudo e elaborar um projeto ou vários projetos comuns que vão nortear o próximo ano de evangelização”, destacando a importância da memória e a profecia. “A memória trazendo presente tudo o que foi realizado durante alguns anos, colocando no altar de Deus, colocando na mesa da comunidade todo o nosso trabalho de evangelização”, disse o bispo. Ele colocou como exemplo que “um projeto grande, bonito e novo que estamos vivendo é a construção, o início da Fazenda da Esperança, que está envolvendo toda a diocese”, assim como “todas as iniciativas que temos na diocese em prol da defesa da vida.” Segundo o bispo, “isso é muito bonito, isso nos dá o rosto de uma Igreja que faz memória e que tem uma profecia.” Ele destacou finalmente, “a questão da sacralidade da vida, sacralidade da vida humana, sacralidade da criação”.