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Educação: direito de todos, obrigação do Estado

A Constituição Federal brasileira de 1988, no artigo 205 afirma que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Podemos dizer, seguindo as palavras do texto constitucional que a educação visa o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Mas será que isso está acontecendo na sociedade brasileira? Após quase 35 anos de Constituição Federal, a educação no Brasil é realmente um direito de todos? “Promover diálogos a partir da realidade educativa do Brasil, à luz da fé cristã, propondo caminhos em favor do humanismo integral e solidário”, é o objetivo da Campanha da Fraternidade em 2022, que acompanha a vida da Igreja do Brasil durante o tempo da Quaresma desde a década de 1960, ajudando a refletir sobre temáticas que ajudem a fazer realidade um mundo melhor para todos e todas. Segundo recolhe o Texto Base da Campanha, que tem como tema “Fraternidade e Educação”, e como lema “Fala com sabedoria, ensina com amor”, em 2022, após ser abordado em 1982 e 1998, “pela terceira vez, a educação volta a ocupar as reflexões da Campanha da Fraternidade, agora, impulsionada pelo Pacto Educativo Global”. Qual o contexto da educação atual? Quais os desafios a serem enfrentados após a pandemia que atingiu gravemente os processos de ensino no Brasil? Como fomentar políticas públicas que garantam educação de qualidade para todos os brasileiros? Como gerar processos humanizadores e que fomentem a dignidade humana a partir da educação? Como ajudar as famílias a assumir a necessária colaboração nos processos educativos? O ato de educar tem que ser assumido como sociedade, também como Igreja, uma urgência em uma sociedade onde a maioria das pessoas, inclusive aquelas que tem obrigação moral, inclusive legal, de agir assim, não assumem sua responsabilidade. Diante disso a Campanha da Fraternidade 2022, segundo recolhe o Texto Base, nos faz ver “a necessidade de uma verdadeira mudança de mentalidade, de reorientação da vida, revisão das atitudes e busca de um caminho que promova o desenvolvimento pessoal integral, a formação para a vida fraterna e para a cidadania”, uma grande urgência diante da atual conjuntura social e política que o Brasil enfrenta. A Campanha da Fraternidade é também uma oportunidade de escuta, tendo em conta as consequências da pandemia e o novo projeto de sociedade que o Papa Francisco está nos propondo. Trata-se de fomentar uma educação para o diálogo, para um novo humanismo, sempre buscando dar continuidade aos processos. Se busca ajudar a entender que educar com sabedoria e amor é estimular o cuidado pela vida, é aprender a sermos mais solidários. Mas para isso se faz urgente a participação de todos os atores envolvidos em um clima de apoio e solidariedade. Assim faremos realidade caminhos novos que tornem realidade um direito que é de todos e todas: uma educação de qualidade. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Dom Mário Antônio assume sua nomeação com sentimento de comunhão e obediência ao Papa Francisco

Com um sentimento de comunhão e obediência ao Papa Francisco está vivendo sua nomeação como arcebispo de Cuiabá Dom Mário Antônio da Silva. No dia em que foi dada a conhecer sua nova missão, o até agora bispo de Roraima, missão que desempenha desde setembro de 2016, afirmou que a nomeação é algo que faz parte do processo da Igreja. Dom Mário Antônio falou essas palavras na missa celebrada na noite desta quarta-feira 23 de fevereiro na Matriz Nossa Senhora do Carmo de Boa Vista, onde agradeceu ao Povo de Deus, à Vida Religiosa Consagrada, Presbíteros e Diáconos pelos quase seis anos de missão na Diocese de Roraima e os frutos recolhidos nesse tempo. O arcebispo eleito de Cuiabá diz que sua intenção é ficar em Roraima até o finalzinho de abril, momento em que deve assumir sua nova missão na capital do Mato Grosso. Ele quer viver esse tempo rezando e ir se preparando também para a missão que vai assumir em Cuiabá na sucessão de Dom Milton que durante 19 anos ficou na arquidiocese. De sua nova cidade, Dom Mário Antônio disse não conhecer nada. Ele lembrou do dia da sua chegada em Roraima, quando pouco depois de chegar também foi na Igreja onde hoje celebrou a Eucaristia, algo que “mexe com meu coração, me traz memórias”, disse Dom Mário Antônio. O arcebispo eleito diz que vivenciar as próximas semanas “não em um clima de despedida, mas de gratidão, de fraternidade, de Igreja, de comunidade, onde nós nos amamos uns aos outros“. Dom Mário Antônio pediu que “Deus continue abençoando a nossa querida Diocese de Roraima e também a nossa Arquidiocese de Cuiabá”. Também chamou a rezar pelo novo processo que inicia a Diocese de Roraima na sua sucessão com um novo bispo, pois agora a Diocese de Roraima, onde ele continua como administrador apostólico, está vacante. Segundo o arcebispo eleito de Cuiabá indicou, após sua saída, o Colégio de Consultores terá 5 dias para eleger um administrador diocesano até que seja nomeado o novo bispo. Dom Mário Antônio disse que “a gente reza para que este processo seja tranquilo, seja sereno, continue sendo frutuoso”, chamado a todos a rezar para que esse processo aconteça no coração de cada um dos diocesanos. Fotos: Padre Josimar Lobo Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

“Nosso Regional fica mais pobre e sentiremos muita saudade”. Mensagem do Regional Norte1 diante da nomeação de Dom Mário Antônio como arcebispo de Cuiabá

A nomeação de Dom Mario Antônio da Silva como novo arcebispo de Cuiabá tem sido recebida com surpresa no Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), segundo afirma a mensagem assinada pela presidência da entidade, publicada neste 23 de fevereiro de 2022. A mensagem lembra o percurso do arcebispo eleito de Cuiabá desde que foi acolhido no Regional Norte 1 como bispo auxiliar de Manaus no dia 12 de setembro de 2010, onde permaneceu até ser nomeado bispo de Roraima, sede que assumiu em setembro de 2016. No Regional Norte 1 Dom Mário Antônio foi presidente, de 2015 a 2019 e referencial da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética. A presidência do Regional Norte 1 afirma que durante os 12 anos que permaneceu no Regional, fiel ao seu lema episcopal: “Testemunhar e Servir”, “sempre testemunhou o Evangelho com entusiasmo e serviu a todos com alegria e generosidade”. O texto lembra alguns momentos marcantes no ministério episcopal de Dom Mário Antônio em Roraima, como foi o drama que “enfrentou para ajudar a acolher e oferecer condições de vida digna aos milhares de migrantes venezuelanos”. Para realizar essa árdua missão, “soube unir os cristãos, as pessoas de boa vontade e organismos nacionais e internacionais para ver Jesus em cada irmão e cada irmã sem pão, sem teto, sem trabalho e sem terra“. O texto afirma que “nosso Regional fica mais pobre e sentiremos muita saudade de dom Mário Antônio”, a quem define como alguém que “sabe confiar nas pessoas, transmitir esperança e irradiar alegria”. No arcebispo eleito de Cuiabá o Regional Norte 1, “sempre vimos refletidas em sua vida e missão as características que o Papa Francisco traça para o discípulo missionário de Jesus”, lembrando as palavras da Evangelii Gaudium, e afirmando que “se o coração, não arde, os pés não caminham”. Diante da nova missão, o Regional Norte1 suplica ao Espírito Santo “para que ilumine, fortaleça e conduza nosso estimado Dom Mário Antônio para prosseguir vivendo na Arquidiocese de Cuiabá o ministério episcopal traçado pelo Papa Francisco”, favorecendo a comunhão missionária, sustentar a esperança do povo, ser proximidade simples e misericordiosa, e ajudar aqueles que se atrasaram. Finalmente, em nome do Regional Norte 1, a presidência agradece “ao Dom Mario Antônio sua presença jovial e profícua missão entre nós e também lhe oferecemos nossa comunhão na oração, na alegria da fraternidade colegial e na amizade de sempre”.

Papa Francisco nomeia Dom Mário Antônio da Silva arcebispo de Cuiabá

O Papa Francisco nomeou nesta quarta-feira, 23 de fevereiro, dom Mário Antônio da Silva como novo arcebispo de Cuiabá (MT), após ser acolhido o pedido de renúncia apresentado por dom Milton Antônio dos Santos. Dom Mário Antônio, atual segundo vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), era bispo de Roraima. Nascido em Itararé (SP) em 17 de outubro de 1966, o novo arcebispo de Cuiabá foi ordenado padre em 21 de dezembro de 1991, sendo incardinado na diocese de Jacarezinho (PR). Prosseguiu seus estudos com um mestrado em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma. Em 9 de junho de 2010 foi nomeado bispo auxiliar de Manaus e em junho de 2016 passou a ser o 6º bispo de Roraima. No Regional Norte 1 da CNBB foi presidente de 2015 a 2019 e em 6 de maio de 2019 foi eleito segundo vice-presidente da CNBB para o quadriênio 2019-2023. Atualmente, Dom Mário Antônio da Silva é presidente da Cáritas Brasileira. Dom Milton Antônio dos Santos completou 75 anos em 23 de setembro de 2021, idade canônica para apresentar a renúncia ao governo pastoral da arquidiocese. Nascido em Campos do Jordão (SP), foi ordenado padre em 22 de dezembro de 1974, pela congregação dos Salesianos de dom Bosco. Após diferentes serviços na congregação, foi eleito bispo de Corumbá no ano 2000 e arcebispo coadjutor de Cuiabá em 2003, assumindo como arcebispo em 2004. A presidência da CNBB enviou saudação ao novo arcebispo e ao arcebispo demissionário. A Dom Mário Antônio lhe enviam felicitações e lhe desejam que tenha exitoso pastoreio à frente da Arquidiocese de Cuiabá, lembrando as palavras do Papa Francisco onde diz: “quando somos chamados a servir os últimos, os indefesos, os órfãos, os doentes, os descartados da sociedade, rezemos a São José para que seja Providência para nós”. A Dom Milton Antônio dos Santos, a presidência da CNBB lhe agradece o seu pastoreio à frente da Arquidiocese de Cuiabá ao longo de 18 anos, destacando seu trabalho na promoção da comunicação social e a realização do Sínodo Arquidiocesano (2004-2009), as visitas pastorais em toda a arquidiocese e criação de novas paróquias. E ainda o incentivo ao protagonismo dos leigos, com equipes capacitadas em vista da descentralização do poder decisório em algumas situações. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

70 anos de Arquidiocese em Manaus: “motivo de louvor e ação de graças”, segundo Dom Leonardo

No dia 27 de abril de 1892 o Papa Leão XIII erigiu a Diocese do Amazonas. Desmembrada do território da então Diocese de Belém do Pará. Em 16 de fevereiro de 1952, o Papa Pio XII elevou-a a Arquidiocese, passando a ser denominada Arquidiocese de Manaus. Neste domingo, 20 de fevereiro de 2022, na Eucaristia celebrada na Catedral Metropolitana, presidida por Dom Leonardo Steiner, 7º arcebispo de Manaus, foi comemorado o 70 aniversário da Arquidiocese. No início da celebração foi acolhido o brasão da Arquidiocese de Manaus, “um momento solene onde nós agradecemos a Deus por esta Igreja de Manaus, cuja vida é missão”, segundo lembrou o padre Hudson Ribeiro, pároco da Catedral Imaculada Conceição de Manaus. Dom Leonardo iniciou a celebração afirmando que “agradecemos a Deus, rendemos graças, pelos 70 anos da nossa Arquidiocese”. O arcebispo de lembrou “quantos homens e mulheres, quantos filhos e filhas de Deus construíram a nossa Arquidiocese, quantas pessoas nestes 70 anos se santificaram na nossa Arquidiocese, quantos missionários e missionárias nestes 70 anos para que a nossa Igreja fosse uma Igreja em missão, em saída, quantas pessoas que ajudaram a fundar e animar as nossas comunidades”. “Queremos louvar e bendizer a Deus por tudo o que foi possível realizar para que nossa Arquidiocese pudesse se tornar sinal do Reino de Deus”, insistiu o arcebispo. Olhando ao futuro, Dom Leonardo pediu também “a graça de continuarmos sempre o nosso caminho, continuarmos o caminho como Arquidiocese para que Deus seja sempre louvado e bendito, e seja visibilizado o Reino de Deus”. Na homilia, Dom Leonardo insistiu em que “ao celebrarmos 70 anos de Arquidiocese, quantas pessoas participando intensamente da vida do Evangelho, tentando ser presença de Jesus, foram transbordantes”. O arcebispo disse que “se formos olhar a vidas das nossas comunidades, a vida da nossa Igreja, veremos quantos padres generosamente foram transbordantes, quantas religiosas, religiosos, foram transbordantes, quantas pessoas das nossas comunidades, ministros da Palavra, ministros da Eucaristia, lideranças, pessoas das nossas pastorais foram transbordantes”. Diante disso, o arcebispo se perguntou: “Não é motivo de louvor e ação de graças? Não é momento de agradecer e pedir que sejamos perseverantes no transbordar, que sejamos transbordantes no amar, que continuemos a testemunhar a Jesus e o seu Reino?”. Ele prosseguiu no seu questionamento dizendo: “quantas pessoas profundamente inseridas na sociedade, nos meios de comunicação, na política, foram testemunhas do Evangelho?”, insistindo que “hoje temos medo da política, caluniamos a política”. Por isso, o arcebispo fez um chamado a vê-la como “lugar do nosso testemunho para o bem comum, como lugar da caridade”, lembrando as palavras de São Paulo VI. Isso é algo “tão difícil de compreender nu momento político que nós vivemos”. Por isso, fez um chamado a que “continuemos a gostar da nossa Igreja, a participar ativamente da nossa Igreja, participarmos das nossas pastorais, participarmos de todos os momentos celebrativos quando possível, e assim sermos a presença do transbordamento de Deus”. Finalmente, o arcebispo afirmou que “a nossa Assembleia Sinodal Arquidiocesana há de nos ajudar a sermos uma presença ainda mais missionária, consoladora, transbordante”. Os 70 anos de caminhada, que o Dom Leonardo Steiner definiu como extraordinária, o levou a lembrar novamente de “quantas pessoas em nossas comunidades dando vida às vidas, quantos irmãos e irmãs procurando viver o Evangelho de Jesus, quantas lideranças nossas construindo comunidades, quanta entrega, quanta doação, quanto cuidado. Mas apesar dos 70, quanto caminho a ser feito na sociedade em que nós vivemos”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Edinei Lima de Souza é ordenado presbítero na Diocese de Coari

Na noite deste sábado, 19 de fevereiro, a Diocese de Coari ganho mais um padre. Em uma celebração presidida por Dom Marcos Piatek, realizada na cidade de Anori, o diácono Edinei Lima de Souza foi ordenado presbítero, contando com a presença do bispo emérito Dom Gutemberg Freire, e de um bom número de padres da Diocese de Coari e de outras dioceses. Na homilia, Dom Marcos começou agradecendo os presentes numa noite que o bispo diocesano definiu como especial. Ele destacou a importância do Simpósio Sacerdotal realizado de 17 a 19 de fevereiro no Vaticano, promovido pela Congregação para os Bispos para discutir pontos importantes da vocação e missão do sacerdote. Dom Piatek lembrou a presença do Papa Francisco na abertura do encontro, onde o Pontífice através de 25 pontos fez um convite a eles para que se abram à cultura da proximidade. O bispo diocesano de Coari insistiu em três marcas características de um presbítero. A primeira ser rei, “a pessoa que governa, a pessoa que administra, a pessoa que faz o discernimento, que guia”, insistindo, seguindo as palavras do Evangelho, na necessidade de amar e de dar a vida, de entender o ser presbítero como ser homens da fraternidade, da sinodalidade, deixando de lado o individualismo e o subjetivismo. Em segundo lugar ser sacerdote, entrar no caminho da santidade desde o seguimento de Jesus. O bispo insistiu na “primazia de Deus em nossa vida presbiteral”. Em terceiro lugar falo da profecia na vida do presbítero, que deve ser vivida na evangelização, no anúncio. Lembrava nesse ponto as palavras do profeta Isaias que falam do envio e as condições desse envio para evangelizar. Finalmente, Dom Marcos Piatek agradecia a família do novo presbítero, por oferecer “seu filho a Deus e à Igreja de Coari”. Nesse momento, o bispo invitou ao diácono Edinei a ter Maria como companheira no seguimento de Jesus. No final da celebração, o novo presbítero após agradecer aos presentes na celebração e aqueles que o acompanhavam pelas redes sociais, agradecia pelo chamado de Deus e pela sua história vocacional vivida nos últimos anos em diferentes lugares e junto com muitas pessoas. O padre Edinei agradeceu a sua família, ao bispo diocesano, ao clero da Diocese de Coari e ao Seminário São José de Manaus, representado pelo seu reitor, o padre Zenildo Lima, onde se formou ao longo de 7 anos, dentro outras pessoas e instituições que foi citando nas suas palavras.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dois seminaristas da Diocese de Coari recebem leitorado

Em uma celebração presidida pelo bispo diocesano de Coari, Dom Marcos Piatek, os seminaristas do terceiro ano de Teologia Leonardo Rufino e William Aragão receberam o ministério do leitorado. A celebração aconteceu no dia 17 de fevereiro de 2022, na paroquia Imaculada Conceição de Maria, de Anori, e contou com a participação de vários padres, religiosas, seminaristas e o Povo de Deus da Diocese de Coari. Também se fez presente o padre Zenildo Lima, reitor do Seminário São José de Manaus, onde se formam os seminaristas do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dentre eles os seminaristas da Diocese de Coari. Segundo o bispo diocesano, “os novos leitores são chamados a proclamar e testemunhar a Palavra cumprindo a tarefa deixada pelo próprio Jesus: Ide pelo mundo inteiro e pregai a Boa Nova a toda a criatura! Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Curso de Realidade Amazônica: 39 missionários buscando colocar o pé no chão da Amazônia

Conhecer a realidade é um requisito para a missão, algo que a Igreja do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vem fazendo com o Curso de Realidade Amazônica desde 1991. Mais uma vez, o Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (ITEPES), em parceria com o Regional Norte 1 da CNBB, a Comissão Episcopal para a Amazônia e em comunhão com a REPAM, depois de um ano sem curso como consequência da pandemia da Covid-19, tem juntado 39 missionários e missionárias, presbíteros, religiosas e religiosos e laicas, chegados da Europa, Ásia, África, América e também de outras regiões do Brasil, para participar do curso, que iniciou no dia 9 de fevereiro e será encerrado no dia 26. Eles estão fazendo realidade aquilo que os bispos da Amazônia brasileira, reunidos em Manaus em outubro de 2013, colocaram como compromisso: “investir na formação de presbíteros e de irmãos e irmãs de vida consagrada – autóctones e os que chegam de fora – para que sejam despojados, simples, não busquem a autopromoção, que sejam missionários e vivam em maior sintonia e contato com as comunidades e saibam trabalhar em equipe com os leigos e as leigas, evitando centralismo, clericalização e autoritarismo”. O curso pretende “oferecer aos agentes de evangelização engajados nas diversas frentes de trabalho pastoral, um conjunto de informações mais sistematizadas sobre a própria região amazônica, concentrando sua reflexão sobre o humano, o meio ambiente, a vida e a ação evangelizadora da Igreja”. Os participantes são convidados a “uma imersão no território, na história e temáticas contemporâneas da realidade amazônica, refletindo sobre as questões pastorais emergentes para compreender a missão da Igreja como ‘amazonizar’ a teologia e as práticas missionárias, a partir de uma metodologia sinodal, decolonial e intercultural”. Ao longo do curso são abordadas questões de antropologia, história, realidade, Bíblia e Teologia, Igreja e Pastoral. O curso tem momentos de aulas teóricas e vivências nas comunidades ribeirinhas e da periferia de Manaus. Mariana Salbeli é da Argentina e pertence à comunidade missionária Cristo Ressuscitado. Consagrada há 30 anos, ela veio com outra irmã e uma jovem voluntária para trabalhar em Tonantins, Diocese de Alto Solimões, sendo a primeira experiência de sua comunidade na Amazônia. É uma experiência intercongregacional junto com as irmãs de Santa Catarina. A chegada delas é “uma resposta ao Papa Francisco em seu chamado para se amazonizar, vamos fazer um discernimento do lugar para ver o que podemos fazer como comunidade”. Ela diz ter vindo para “conhecer e aprender com a sabedoria destes povos, com o caminho da Igreja aqui“, do qual ela destaca o cuidado da casa comum, “algo que hoje é uma questão para o mundo inteiro”, de acordo com a consagrada. Ela insiste que “os povos indígenas têm a sabedoria de ter vivido juntos na Amazônia e de ter cuidado e ter essa sabedoria de viver em união, todos interligados, o que o resto de nós não temos”. Da Igreja na Amazônia, ela diz conhecer o grau de comprometimento dos leigos, uma expressão da sinodalidade, que segundo ela “já é vivida há algum tempo, nas comunidades, com os catequistas, onde não há clero. É toda uma experiência eclesial que fala ao resto da Igreja“. Seguindo os sonhos da Querida Amazônia, uma reflexão presente no curso, ela afirma que “os 4 sonhos são bons para mim”, mas fala da citação que diz que os povos da Amazônia “são os primeiros interlocutores, com quem temos que aprender, e onde nossos projetos, nossos pensamentos, colocá-los, abri-los, para ver se eles respondem às suas necessidades“. Por esta razão, ela conclui dizendo que “meu sonho é poder ouvir as necessidades, os sonhos que existem aqui, as alegrias, as tristezas, e dar minha vida para construir esses sonhos”. Também na diocese de Alto Solimões, Mayra Gutiérrez, uma jovem mexicana de 25 anos, missionária leiga marista, com um compromisso de dois anos, que vive em Tabatinga com dois irmãos maristas, vai trabalhar. Ela diz que seus sonhos e ter claro que as coisas podem ser diferentes levaram-na a deixar tudo em sua Guadalajara nativa para viver na Amazônia. Ela reconhece que “é uma decisão difícil deixar a família, deixar o que se construiu, mas eu tenho uma convicção muito forte de que as coisas na sociedade, neste mundo, podem ser diferentes”. É por isso que ela diz ter vindo para a Amazônia, pensando na preservação ecológica e também em toda a sabedoria dos povos indígenas, que por mais de 500 anos foram desacreditados, historicamente foram vítimas de exclusão e discriminação, e devemos a eles a recuperação desses espaços para eles”. Daí a importância das “pequenas coisas que estamos fazendo, que não são apenas para mim, mas para todos“. Na Igreja da Amazônia ela espera encontrar novos caminhos, novas perspectivas, diferentes realidades de viver e ser Igreja, especialmente levando em conta a voz das mulheres, das crianças e dos jovens”. Padre Jaime Alfonso Quintero, Missionário de Yarumal, está na selva colombiana há 29 anos, dois deles na Venezuela. Há três meses ele chegou à Diocese de São Gabriel da Cachoeira, pensando no trabalho pastoral na fronteira, em uma região onde o Brasil, a Colômbia e a Venezuela se encontram, embora atualmente ele acompanhe os migrantes venezuelanos. O religioso entende a pastoral da fronteira, algo que surgiu fortemente durante o Sínodo para a Amazônia, como “um ir e vir, acompanhando e formando, formando catequistas, formando líderes, porque não há ninguém naquela fronteira”. É uma região onde ele vê a necessidade de formar equipes, embora também existem dificuldades econômicas para sustentar essas equipes. Em sua missão em Mitú (Colômbia) ele tinha uma estação de rádio, algo que o ajudava a enviar “um pequeno comprimido todos os dias” para aqueles que viviam no meio da selva. Padre Quintero considera o rádio como “a maneira mais fácil para a mensagem chegar àqueles que estão no meio da selva na Amazônia, um lugar de longas distâncias, chegando aos analfabetos, aqueles que estão trabalhando, aqueles que estão viajando”. É por isso…
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Rede Clamor aprova o Documento de Identidade e os Estatutos “para prestar um melhor serviço aos migrantes”

  A Rede Clamor encerrou sua Assembleia, realizada em Bogotá de 15 a 17 de fevereiro, em clima de alegria, conforme expresso por seu presidente, Dom Gustavo Rodríguez Vega. Uma das razões é que “nosso documento de identidade foi aprovado, nossos estatutos e fizemos a eleição dos vários cargos da Rede Clamor”, destacando a reeleição de Elvy Monzant como secretário executivo para os próximos 4 anos. Esta rede existe oficialmente desde 2017, “mas agora tivemos a oportunidade de repensar-nos como rede e assim fazer este documento de identidade e estatutos“, de acordo com seu presidente. O arcebispo mexicano insistiu que “isto nos fortalece como uma rede para prestar um melhor serviço a nossos irmãos migrantes, refugiados e vítimas de tráfico humano”. Uma das representantes do Brasil na Assembleia foi a irmã Rose Bertoldo, coordenadora da Rede Um Grito pela Vida no Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A religiosa do Imaculado Coração de Maria foi eleita coordenadora da Comissão de Articulação e Serviços para os próximos 4 anos. A sinodalidade marca a vida da Igreja neste momento, uma reflexão que tem estado presente na Assembleia da Rede Clamor. Neste contexto, o padre Fabio Baggio levou os participantes a se perguntarem como passar de uma pastoral de assistência para uma pastoral que procura compartilhar oportunidades. Tudo isso em uma época de mudanças que exige uma visão proativa e não reativa da Igreja. De acordo com o subsecretário da Seção de Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, devemos procurar ser fermento no mundo, vendo a sinodalidade como um processo comprometido com a transformação. A partir daí ele refletiu sobre o que é o Sínodo, que ele definiu como um momento eclesial, como caminhar juntos na mesma direção, rumo à unidade, uma necessidade diante das ameaças de divisão, que aumentaram com a pandemia.  Padre Baggio refletiu sobre as três palavras-chave do Sínodo: comunhão, participação e missão. O religioso scalabriniano vê o Sínodo como uma oportunidade para uma conversão pastoral em chave missionária e ecumênica, chamando a entender que não se trata de fazer outra Igreja, mas uma Igreja diferente. Neste sentido, ele alertou sobre três riscos: o formalismo, que reduz o Sínodo a um acontecimento, o intelectualismo, que separa a reflexão da realidade, e o imobilismo, que permanece no “sempre foi assim”, um veneno na vida da Igreja. É necessário, portanto, aprender a sonhar juntos, insistiu ele. Esta dimensão de sinodalidade também foi abordada por Maurício López, que partiu da experiência da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, perguntando: “Como fomos transformados pela experiência concreta que vivemos no processo de escuta em preparação à Assembleia Eclesial? O que a experiência da Assembleia Eclesial produziu em nós? Como vamos responder às interpelações do Espírito? O coordenador do Centro de Redes e Ação Pastoral do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), insistiu na necessidade de uma escuta recíproca para que ela seja verdadeira. Partindo da ideia de conversão pastoral, nascida em Aparecida, Maurício questionou como o que ouvimos nos transforma, convidando a Rede Clamor a continuar sendo, e a ser ainda mais, uma presença de escuta e diálogo, para contribuir com os processos de formação e incidência. Em seu discurso, ele insistiu que os migrantes devem ser acolhidos, protegidos, integrados, vistos como uma oportunidade e não como uma ameaça, algo que pode ser visto na crescente falta de hospitalidade. Ele enfatizou a necessidade de responder à dor e ao sofrimento dos migrantes e das vítimas do tráfico de pessoas. Analisando a Assembleia Eclesial, ele a vê como um evento único, ainda mais porque ocorreu em meio a uma pandemia, uma oportunidade de avançar como Igreja na América Latina e no Caribe, destacando a grande participação no processo de escuta e em uma assembleia presencial e virtual, que mostrou testemunhos que tornaram visíveis as muitas realidades diferentes do continente. Uma assembleia que desafia os batizados a passar do “eu” para o “você”, a superar o clericalismo, a ser uma Igreja inclusiva, que apresentou 12 urgências e 41 desafios, que “são essenciais para nossa Igreja”, e também para a Rede Clamor. Alguns migrantes participaram da Assembleia da Rede Clamor, como Jaqueline González, que pode ser considerada uma migrante por partida dupla. Nascida no departamento colombiano de La Guajira, ela emigrou para a Venezuela aos 15 anos de idade, de onde retornou ao seu país depois de trinta e poucos anos. No entanto, ela se sente como uma migrante em sua própria terra, por causa de seu sotaque, sua dificuldade de adaptação ao seu país, problemas de moradia e trabalho. Na verdade, ela é formada em enfermagem e não conseguiu um emprego porque não tem dinheiro para reconhecer seu diploma. Ela define sua participação na Assembleia como “uma prancha para aqueles que estão naufragados, como uma luz na escuridão, saber que a Igreja Católica, juntamente com outras instituições, está cuidando de seu bem-estar e para que todos os países possam aceitar e oferecer-lhes a dignidade que todo ser humano deve ter como um filho de Deus“. Ela insiste na necessidade de aceitar os migrantes, “que não importa de que país eles venham, o que eles devem ter em mente é que nós também somos seres humanos e também estamos passando por algum tipo de trauma, dor ou tragédia para deixar tudo para trás e nos jogarmos num abismo sem saber o que vai acontecer com nossas vidas”. Dom Jorge Eduardo Lozano, enviou saudações à Assembleia da Rede Clamor. Depois de definir o tráfico como “uma realidade criminosa que nos envergonha como seres humanos“, e “um drama muito sério que nos mostra a baixeza em que conseguimos cair”, ele contou situações presentes na vida das vítimas, enganadas, sequestradas, forçadas a vícios, prostituídas, entre outras situações que provocam traumas dos quais é difícil escapar para aqueles que são libertados das redes de tráfico. Estes não são crimes casuais ou isolados, mas “o resultado da operação de estruturas pecaminosas que se consolidam através de organizações criminosas cujo objetivo é explorar outros irmãos…
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Estar no meio do povo, requisito necessário para ser Igreja que evangeliza

No último sábado 12 de fevereiro, Querida Amazônia, a exortação pós-sinodal do Sínodo para a Amazônia completou dois anos, uma boa oportunidade para refletir sobre os desafios que esse momento histórico na vida da Igreja da Amazônia, mas também na vida da Igreja universal, nos deixou. O texto do Papa Francisco tem ajudado a ir marcando o caminho a seguir, uma Igreja que escuta, que se faz presente no meio do povo, que abre espaços para que o povo possa dizer como deveríamos caminhar como Igreja católica e os passos a serem dados nos diferentes âmbitos que fazem parte da vida da nossa Igreja. Querida Amazônia nos invita a sonhar, a olhar em frente, a entrar em um caminho de conversão que faça possível responder aos anseios do povo, especialmente daqueles que surcam os rios da Amazônia, que se aglomeram nas periferias de cidades onde os direitos dos mais pobres não são respeitados, que lutam por direitos que a Constituição garante para os povos indígenas e comunidades tradicionais, que são deixados de lado pela sociedade, e muitas vezes, infelizmente, também pela Igreja. É por isso que estarmos presente como Igreja nas comunidades da periferia, nas comunidades indígenas, nas comunidades ribeirinhas, deve ser um esforço cada vez maior, uma reflexão que Dom Leonardo Steiner fazia recentemente. Segundo o arcebispo de Manaus, “as comunidades deveriam perceber que pertencem à Igreja, à Arquidiocese. Um elemento importante é que elas sintam que a Arquidiocese está com elas; elas são Igreja, Arquidiocese, e não tenham a percepção de que foram abandonadas. Estar com elas! ajudar e apoiar na criação e organização de novas comunidades. Elas percebam a solidariedade entre todas as comunidades”. Os questionamentos de Dom Leonardo devem nos levar a olhar a realidade de um modo diferente, a nos fazermos presentes na atenção e no diálogo, mas também a descobrir as riquezas que encerram, levando em consideração tudo o que faz parte da sua vida, descobrindo que “tudo deveria ser transformado pela força do Evangelho”, segundo nos lembra o arcebispo de Manaus. A presença nas comunidades, mesmo limitada, é sempre motivo de felicidade para um povo que acolhe de coração e sente-se contemplado com essas visitas que alegram a caminhada das comunidades. Mesmo diante das dificuldades motivadas pelas distâncias, o custo e uma agenda cheia de compromissos, essa presença, esse estar no meio do povo, se faz requisito necessário para ser Igreja que evangeliza. Sonhar nos leva a encontrar forças para descobrir caminhos que nos ajudam a superar dificuldades, a deixar para trás obstáculos que pareciam insuperáveis. Sonhemos com uma Igreja mais presente, mais companheira de caminho, mais preocupada em construir juntos, mesmo que devagar, aquilo que pode ajudar a fazer carne o Evangelho da Vida. Ver o sorriso com que aqueles que sempre ficaram do lado de fora da história recebem a gente é algo que faz esquecer as dificuldades que a gente enfrenta para chegar até lá. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio Rio Mar