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Da exortação “Querida Amazônia” ao Sínodo sobre a Sinodalidade: A Igreja movida pelo mesmo Espírito

            Ao celebrarmos o 2º aniversário da publicação da exortação apóstolica “Querida Amazônia”, escrita pelo Papa Francisco e apresentada ao público no dia 12 de fevereiro de 2020, muitos de nós podemos estar nos perguntando que impacto causaram as palavras e os sonhos compartilhados pelo Papa a respeito do Sínodo especial sobre a Amazônia, em relação à situação eclesial e socioambiental na Amazônia, como também em toda a Igreja universal.             Ora, partindo da minha experiência de ter participado do Sínodo Pan-Amazônico e de estar colaborando atualmente na realização deste novo Sínodo sobre a Sinodalidade, iniciado oficialmente pelo Papa Francisco no dia 9 de outubro de 2021 e cuja conclusão está prevista para acontecer na assembleia sinodal de outubro de 2023, tenho a nítida convicção de que estamos a testemunhar a ação do mesmo Espírito Santo, que continua a soprar ventos de renovação em nossos corações e em nossas estruturas, o que faz deste momento histórico do pontificado de Francisco, um tempo verdadeiramente de kairós e de conversão para toda a Igreja e para todos nós, apesar de toda resistência que isso provoca em alguns grupos de católicos (incluindo leigos, clérigos, bispos e até cardeais), sempre contrários a qualquer tipo de mudança no status quo, já que entendem que qualquer tentativa de “atualização” da fé cristã não passaria de uma forma de “mundanização” da mesma.             O que essas vozes críticas (e, às vezes, desrespeitosas) ao pensamento do Papa Francisco nunca conseguirão, contudo, frear, é o inequívoco movimento que o Espirito Santo tem suscitado na Igreja, sendo Ele o autor dos recentes e históricos acontecimentos acontecidos no âmbito eclesial. De fato, é ação renovadora do Espírito sempre esteve presente na história da salvação, como recordou o Papa em “Querida Amazônia”, citando as palavras de São João Paulo Segundo, para quem “o Espírito Santo embeleza a Igreja, mostrando-lhe novos aspectos da Revelação e presenteando-a com um novo rosto”[1]. Por isso, insistirá Francisco na sua exortação apostólica que completa dois anos, “é necessário aceitar corajosamente a novidade do Espírito capaz de criar sempre algo de novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo“[2]. Aliás, o que o Papa atual nos ensina é o que a Igreja sempre afirmou sobre a ação do Espírito de Cristo sobre a sua Igreja, levando-a a atualizar constantemente em si mesma o mistério da comunhão com a comunidade cristã original e com a tradição apostólica, por meio da transmissão dos bens da salvação, como ensina o grande teólogo Bento XVI. E acrescenta o nosso Papa emérito que esta atualização permanente da presença ativa de Jesus Senhor no seu povo, realizada pelo Espírito Santo e expressa na Igreja através do ministério apostólico e a comunhão fraterna, é aquilo que em sentido teológico se quer dizer com a palavra Tradição: ela não é a simples transmissão material de quanto foi doado no início aos Apóstolos, mas a presença eficaz do Senhor Jesus, crucificado e ressuscitado, que acompanha e guia no Espírito a comunidade por ele reunida[3].      Portanto, não há dúvida da presença atualizadora, iluminadora e guiadora do Espírito em todo este movimento que vemos acontecer na Igreja em saída do Papa Franscisco, que nos convida a todos a caminhar juntos em um grande processo de encontro, escuta e discernimento sinodal, cujo ápice se dará na assembleia sinodal de 2023, mas que desde a realização dos recentes sínodos da família, da juventude e, especialmente, o da Amazônia, vem preparando a Igreja a abrir-se para este novo tempo, impelida pelo “fogo do Espírito que nos impele para a missão”[4].  De fato, já desde o Sínodo sobre “Os desafíos pastorais da família no contexto da evangelização”, realizado em outubro de 2014, Francisco quis que o Sínodo, metodologicamente, criasse mais momentos para ouvir, sobretudo a voz dos leigos,  promovendo duas reuniões pré-sinodais, antes da assembleia. Da mesma forma, no Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, em outubro de 2018, ampliou-se a modalidade de escuta, resultando em maior espaço para a participação dos jovens na fase preparatória e também na assembleia. Francisco percebeu que, para ouvir o que o Espirito Santo diz, era necessário promover um amplo processo de escuta e discernimento espiritual, anteriores à assembleia sinodal conclusiva, que se realiza geralmente no Vaticano. Contudo, o maior exemplo deste movimento do Espírito na Igreja, em direção à sinodalidade, veio com a realização do Sínodo Especial sobre a Amazônia, com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e por uma ecologia integral”, marcado por uma ampla presença do Povo de Deus em todo o processo de escuta concreta e inclusiva de todos os rostos pan-Amazônicos, como os povos indígenas, as lideranças femininas das comunidades, convidados de organismos científicos internacionais, irmãos e irmãs de outras denominações cristãs, etc.Essas experiências podem ser consideradas como as precursoras do atual momento que a Igreja vive, com a convocação de um Sínodo sobre a Sinodalidade, a ser feito em três fases distintas (diocesana, continental e universal), ao longo dos próximos dois anos. Em sua exortação “Querida Amazônia”, o Papa faz referência a experiências positivas vivenciadas pelas comunidades eclesiais pan-amazônicas, considerando-as “verdadeiras experiências de sinodalidade no caminho evangelizador da Igreja na Amazônia”. Contudo, Francisco é consciente de que os sopros de renovação do Espírito Santo sobre a Igreja implicam também em um grande processo de conversão, pessoal e institucional. Daí o seu constante apelo a que nos deixemos converter, abrindo-nos à ação do divino Espírito. Assim que, assumindo tudo o que os padres sinodais do Sínodo sobre a Amazônia disseram a respeito da necessidade de novos caminhos de conversão integral, em suas dimensões pastoral, cultural, ecológica e sinodal, o Papa em “Querida Amazônia” afirma que somente a “conversão interior é que nos permitirá chorar pela Amazônia e gritar com ela diante do Senhor”[5]. Eis por que, na celebração do segundo ano de sua publicação, esta exortação continua a ser um grito em favor da Amazônia e da Igreja na Amazônia, que deve também nos converter. E, quanto…
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Prelazia de Borba tem mais 3 diáconos permanentes

Três novos diáconos foram ordenados neste sábado, 5 de fevereiro na Prelazia de Borba: Edilson de Souza Campo, João Paulo Marques Gonzaga e Luiz Rosinaldo de Lima Goes. Com os 3 novos diáconos já são 10 os diáconos ordenados nos últimos messes. A Celebração, que aconteceu na Paróquia Cristo Rei da cidade de Borba, foi presidida por Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, bispo prelado de Borba. Na homilia, o bispo destacou que “a ordenação aconteceu em um ano muito forte para nossa Prelazia: o ano da Palavra”. Em suas palavras, ele exortou os novos diáconos a levarem a Palavra às famílias e em todos os lugares que forem chamados. Os novos diáconos têm sido formados na escola diaconal Dom Adriano da Prelazia de Borba, onde tem estudado 3 anos de Teologia. Em cada paróquia da Prelazia, segundo seu bispo, há uma preparação para os ministérios, acompanhados pela equipe de formação e os párocos. Tem outros candidatos que, depois de receber o leitorado e o acolitado, serão ordenados. Entre os atuais candidatos ao diaconato, que estão participando do processo de formação, tem alguns candidatos indígenas. “A Escola diaconal Dom Adriano foi instituída para responder as necessidades pastorais em nossa Prelazia”, segundo Dom Zenildo. Ele afirma que “trata-se de homens inseridos nas paróquias, nas comunidades, nas pastorais”. O bispo também vê a escola como uma resposta seguindo a motivação da Querida Amazônia, que está completando dois anos da sua publicação, e do Sínodo para a Amazônia. A missão principal dos diáconos permanentes na Prelazia de Borba, segundo seu bispo, é o serviço da caridade, sobretudo o cuidado das obras sociais. Também a visitas às comunidades do interior, para a formação de lideranças. Dom Zenildo considera de grande importância do diaconato na Prelazia, insistindo que “nós temos em vista diáconos que são discípulos e missionários”. No Ano da Palavra, que está acontecendo na Prelazia de Borba, “estamos motivados, impulsionados pela força da Palavra de Deus para o estudo bíblico, em grupos de reflexão, congressos bíblicos, formação de lideranças em nossas comunidades, trabalhar a temática bíblica nos novenários”, segundo Dom Zenildo. Ele considera que os diáconos estão bem integrados, porque eles fazem parte das nossas decisões. O bispo insiste em que “é uma resposta, um anseio, uma grande motivação do sonho sonhado por Deus, sonhado pelo Papa Francisco, e agora concretizado nessa Prelazia de Borba, na Amazônia”. Dom Zenildo diz se mostrar feliz, esperançoso, afirmando que serão trabalhadas algumas disciplinas com os novos diáconos, sobretudo a espiritualidade. Ele insiste em que se trata de uma formação permanente, depois de ter superado a grade preparada pelo ITEPES para sua formação. Os novos diáconos devem continuar estudando disciplinas que o Dom Zenildo considera importantes, como eclesiologia ou liturgia, sempre em uma perspectiva mais prática. Também na Prelazia de Borba, neste domingo, 6 de fevereiro, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Borba, celebrou-se a missa onde o seminarista Rodrigo de Souza recebeu o ministério da Acolitado, em uma celebração presidida por Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva. Na celebração, que marcou a abertura do ano letivo do Seminário Menor/Propedêutico da Prelazia de Borba, o bispo incentivou a todos a rezarem pelas vocações. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Dom Edgar Moreira da Cunha: “A Igreja dos Estados Unidos não seria o que ela é se não fosse os imigrantes”

Um imigrante que em sua condição de bispo acompanha os imigrantes. Dom Edgar Moreira da Cunha, nascido em Riachão do Jacuípe (Bahia), chegou nos Estados Unidos em 1978, sendo ainda seminarista da congregação dos vocacionistas. Depois de ser bispo auxiliar da Arquidiocese de Newark, atualmente é bispo de Fall River, no estado de Massachusetts. Dom Edgar faz parte da Comissão para América Latina da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, e em visita a alguns regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil partilha a realidade de uma Igreja onde os imigrantes dão muita força. Segundo o bispo, cada vez existe uma relação mais fluida entre a Igreja dos Estados Unidos e as Igrejas da América Latina, reconhecendo a importância de participar dos encontros promovidos pelo Celam. Uma Igreja que está bem envolvida no processo sinodal que a Igreja está vivendo, uma Igreja com protagonismo laical, especialmente entre os imigrantes latinos. Para alguém que chegou nos Estados Unidos em 1978, ainda como seminarista, o que significa ser um bispo brasileiro numa diocese daquele país? Primeiramente significa ver como os planos de Deus se realizam, aquilo que nós não planejamos e que Deus nos guia em nosso caminho. ´Também a Igreja que acolhe, que se preocupa com os imigrantes. Quando eu fui nomeado bispo, uma das coisas que eu disse para o povo foi que eu sou um imigrante também. Sempre trabalhei com as comunidades imigrantes. Na Arquidiocese de Newark quando eu fui nomeado bispo tinha muitos imigrantes, essa diocese onde eu estou, Fall River, tem muitos imigrantes. Eu disse para eles, eu sou um de vocês, um com vocês, um para vocês. A Igreja demostra isso, que ela está acolhendo, aberta a aceitar um bispo de fora, do Brasil, para trabalhar com as comunidades nos Estados Unidos. Eu vejo nisso a mão de Deus e a abertura da Igreja. O senhor fala sobre os imigrantes. A Igreja católica nos Estados Unidos tem uma alta porcentagem de imigrantes, dentre eles os imigrantes latinos. O que significa essa comunidade latina na vida da Igreja dos Estados Unidos? Significa muito, a Igreja dos Estados Unidos não seria o que ela é, não teria a mesma força, a mesma dinâmica, a mesma participação, quantidade de pessoas, se não fosse os imigrantes. Os imigrantes dão muita vida à Igreja, porque infelizmente os americanos, aqueles descendentes dos antigos imigrantes, porque os Estados Unidos é uma nação feita de migrantes e por imigrantes, os imigrantes que vieram da Europa, não fazem. Os imigrantes que vieram mais recente da África, da Ásia e das Américas, realmente dão muita força à Igreja. E os latino-americanos, como são uma população de tradição muito católica e com alto número de católicos, realmente eles dão muita força à Igreja. E hoje os católicos dos Estados Unidos a maioria é formada por imigrantes, por latinos especialmente. O senhor faz parte da Comissão para América Latina da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que tem como missão administrar a coleta que a Igreja faz desde 1965 para ajudar a Igreja da América Latina. Isso é algo assumido por todas as dioceses, algo que que os católicos dos Estados Unidos vêm como uma realidade que ajuda a Igreja local? Sim, porque já tem mais de 50 anos, desde 1965, e continua tendo uma resposta positiva, o povo responde, o povo doa, contribui para essa finalidade, eles sabem que estão fazendo uma coisa boa para atender as necessidades dos mais pobres da América. Nem todas as dioceses respondem do mesmo jeito, tem algumas dioceses que em vez de fazer a coleta, elas simplesmente mandam uma oferta para a Conferência para esse fundo. A gente tem que estar constantemente promovendo, animando, reiterando das necessidades para conscientizar o povo da importância dessa coleta e de contar com a generosidade deles. Como criar mais pontes de união entre a Igreja da América Latina e a Igreja dos Estados Unidos? Uma das coisas que a gente tem feito, além dessa ponte de colaboração e apoio financeiro, é um intercâmbio maior entre a Igreja de Estados Unidos e de América Latina, apesar de que eu acho que existe um grande intercâmbio. Quando existem encontros do Celam para América Latina, eles sempre incluem os Estados Unidos, como a Conferência Eclesial que teve no México, eles mandaram o convite para os bispos, tinha vaga para 10 bispos e 20 leigos, ou uma coisa assim. Eles sempre incluem a gente e a gente sempre tenta participar. O presidente da Comissão para América Latina foi no Mexico para o encontro, o padre Leo Pérez estava lá no México, eu participei pela internet, assistindo as palestras. É um intercâmbio que já existe, mas pode ser sempre melhorado e fortalecido. O senhor fala da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que é vista por algumas pessoas como uma preparação para o Sínodo sobre a Sinodalidade. Como esse Sínodo está sendo vivenciado na Igreja dos Estados Unidos, sobretudo nas comunidades imigrantes? Está sendo bem recebido. Na minha diocese nós estamos promovendo muito o Sínodo com uma comissão diocesana, criamos líderes em todas as paróquias, vários encontros já foram feitos, os párocos, os líderes paroquiais, coordenando tudo isso para que o Sínodo seja uma grande oportunidade para abrir as portas à participação e envolvimento dos leigos e a conscientização do papel e da missão dos leigos na Igreja. Nesse papel dos leigos, qual a importâncias dos imigrantes nas comunidades locais da Igreja dos Estados Unidos? Os imigrantes tem um papel muito importante na Igreja, talvez mais do que os americanos em geral. Eu vejo nas comunidades brasileiras e hispânicas da minha diocese como os leigos têm assumido um papel importante. Eu tenho uma comunidade na minha diocese que não tem padres, era uma comunidade brasileira pequena, que passava de um lugar para outro. Aí, eu encontrei uma igreja que estava fechada e dei para eles e lhes falei, vocês vão ser responsáveis por esta igreja e se vocês conseguirem construir uma comunidade forte que dá para manter a…
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Deputado Zé Ricardo analisa conjuntura brasileira e suas graves crises com os bispos do Regional Norte1

“A conjuntura brasileira, hoje, é de graves crises simultâneas como a da economia, política, social, sanitária, judiciária, ambiental”. Assim começava o Deputado Federal José Ricardo Wendling sua análise de conjuntura para os bispos do Regional Norte 1, que nos dias 2 e 3 de fevereiro se encontraram na Maromba da Manaus para sua primeira reunião de 2022. Estamos diante de uma realidade que em seu conjunto está “produzindo efeitos bastante negativos para a vida do povo brasileiro como por exemplo a volta da fome”, segundo Zé Ricardo. Para sustentar essas afirmações analisou a realidade brasileira desde diferentes perspectivas. No campo da economia apresentou a alta do desemprego, que atinge a 12 milhões de pessoas, a inflação acima de 10%, algo que repercute no aumento no preço dos alimentos, do combustível, do gás de cozinha, da energia, da água, com aumento do preço do dólar, já próximos dos R$ 6,00, da taxa de juros e que tem como consequência a queda do PIB, com uma previsão de aumento para 2022 de só 0,3 %.   Outro elemento preocupante é a situação da saúde, que no Brasil provocou 630 mil mortes pela Covid-19, quase 14 mil no Estado do Amazonas, uma região que sofreu com a crise do oxigênio, a demora na compra das vacinas, a negação da ciência, as tentativas de privatização do SUS. Nesse ponto, o Deputado Federal mais votado na última eleição no Estado do Amazonas, insistiu em que vacinas salvam vidas. O deputado colocou o atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, no centro da crise política. Alguém que tem incentivado um discurso de ódio, com mais de 130 pedidos de impeachment, promotor de contínuos ataques a democracia, as instituições (Congresso, STF e MP), e a Constituição. Isso tem provocado uma criminalização da política, segundo Zé Ricardo, que falava sobre as influencias religiosas neopentecostais na conjuntura política e a tentativa de tumultuar as eleições de 2022, seguindo exemplo de Trump nos Estados Unidos. Nos últimos anos, o povo brasileiro sofreu a retirada de direitos, com a reforma trabalhista e da previdência, a terceirização dos serviços públicos, as privatizações, o fim dos programas sociais, das demarcações de terras indígenas, ameaçadas pela expansão do garimpo, o aumento da violência no campo. O Brasil voltou de novo ao mapa da fome, hoje 116 milhões de brasileiros sofrem de insegurança alimentar e 19 milhões passam fome, números que aumentam no estado do Amazonas. Uma situação que deve piorar diante das políticas de Combate a Fome do Governo Federal.   A comunicação está determinada pelas Fake News, se dando um enfraquecimento de canais populares de comunicação, das Rádios Comunitárias, com a maioria dos veículos de comunicação atrelados à prefeitura e Governo, segundo o deputado. Ele apresentou as pautas do Congresso para 2022, marcadas pelos combustíveis, os Jogos de azar, que nesta semana a CNBB mostrou uma postura claramente contrária, o piso salarial da enfermagem, licenciamento ambiental, flexibilizando a legislação, a reforma tributária e administrativa, a educação domiciliar, privatização dos correios, redução da idade mínima para trabalhar de 16 a 14 anos, a prisão em segunda instância, entre outros. Ao falar sobre o orçamento, Zé Ricardo afirmou que é controlado pelo Centrão. O deputado refletiu sobre a política ambiental e suas graves consequências, sobretudo a crise hídrica, consequência do desmatamento da Amazônia e do aumento do consumo de água pelo agronegócio e a mineração. Também abordou a questão da judicialização da política e da militarização das instituições, o que coloca em risco a democracia. O deputado apresentou os principais problemas do país segundo a pesquisa Datafolha, sendo a saúde e o desemprego as principais preocupações da população. Também refletiu sobre a realidade económica no Estado do Amazonas e a política partidária, explicando algumas novidades de cara às próximas eleições, sobretudo o que se conhece como federações de partidos, apresentando algumas possibilidades e as novas regras eleitorais. Partindo disso analisou as previsões para as eleições de outubro em nível nacional e estadual, mostrando os possíveis candidatos e as possibilidades reais de serem eleitos. Tudo isso foi debatido entre os presentes, refletindo desde a realidade local de cada uma das dioceses, que foi partilhada pelos bispos do Regional Norte 1 da CNBB. Não podemos esquecer a necessidade de um compromisso político como cristãos, uma questão abordada pelo Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti, onde fala da melhor política. A partir dai os bispos devem se pronunciar nos próximos meses, oferecendo critérios para os católicos e para as pessoas de boa vontade em vista de umas eleições que podem ter uma importância decisiva no futuro do país. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Conferência Episcopal dos Estados Unidos oferece programa de ajuda às igrejas do Regional Norte 1

Em 1965, a Conferência Episcopal dos Estados Unidos criou uma coleta anual em todas as paróquias para América Latina. Posteriormente foi constituída uma comissão para administrar e distribuir os recursos, da qual hoje fazem parte 11 bispos, presididos por Dom Octavio Cisneros, bispo auxiliar emérito da Diocese de Brooklyn. Os bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dentro da programação do seu encontro, que acontece em Manaus nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2022, tem conhecido o trabalho da Comissão e o modo de solicitar ajuda. Antes, os bispos do Regional apresentaram a realidade de suas dioceses e prelazias. Enviados pela Comissão tem participado do encontro com os bispos do Regional Norte 1, Dom Edgar Moreira da Cunha, SDV, bispo da Diocese de Fall River, Massachusetts, Estados Unidos, que é membro da Comissão, e o padre Leo Pérez, diretor da Comissão. Antes de se reunir com os bispos do Regional Norte 1, se encontraram com os bispos do Regional Nordeste 3 (Bahia e Sergipe), do Nordeste 1 (Ceará), e Nordeste 4 (Piauí). Dom Edgar Moreira da Cunha, religioso Vocacionista, nasceu em Riachão do Jacuípe (Bahia), e é missionário nos Estados Unidos desde 1978, onde foi enviado sendo seminarista. Em 2003 foi nomeado bispo auxiliar para a Arquidiocese de Newark, onde trabalhou até ser nomeado bispo da Diocese de Fall River, Massachusetts, em 2014, onde continua sendo bispo diocesano. Nos Estados Unidos vivem aproximadamente 1,7 milhões de brasileiros, 30 mil na diocese de Fall River. Antes da pandemia, a coleta arrecadava 6 milhões de dólares por ano, destinados a diferentes países da América Latina e do Caribe. As ajudas tem prioridade para programas pastorais, também para planejar com mais eficiência e fortalecer a capacidade de liderança, programas de capacitação, segundo Dom Edgar, sempre buscando ideias novas que vão ajudar para novas capacitações. Segundo o bispo, se incentivam projetos regionais, interdiocesanos, nacionais, insistindo em que não se limitam a projetos pequenos. Desde a Comissão, se promove o crescimento humano e cristão dos indivíduos, mas também da Igreja, buscando desenvolver a solidariedade, segundo o bispo. Algo que tem insistido no encontro com os bispos do Regional Norte 1 é que um terço do custo do projeto deve ser financiado localmente ou através de outro financiador. A catequese, a formação de leigos, a evangelização, a preparação para o diaconato permanente, a formação do clero, dos seminaristas, dos religiosos e religiosas, fazer pesquisas como base para um plano pastoral, o rito de iniciação cristã dos adultos, são alguns dos campos que podem receber ajuda da Igreja dos Estados Unidos. Uma insistência da Comissão como condição indispensável para financiar os projetos, é a exigência de plano de proteção de menores e pessoas vulneráveis nas dioceses que pedem projetos para serem financiados. O padre Leo Pérez fez uma apresentação prática do projeto, explicitando como são distribuídos os recursos. O diretor da Comissão fez uma explicação prática sobre como enviar um projeto. Posteriormente, os bispos do Regional Norte 1 resolveram suas dúvidas estabelecendo um diálogo com os enviados da Conferência Episcopal dos Estados Unidos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Vida Religiosa feminina na Amazônia: rosto amoroso do Deus Mãe

  Na semana em que a Igreja católica comemora o Dia da Vida Consagrada, a gente gostaria de reconhecer sua importância na Igreja, mas especialmente na Igreja da Amazônia. Sem deixar de reconhecer o trabalho missionário da Vida Religiosa masculina, gostaria de refletir sobre a missão da Vida Religiosa feminina na Amazônia, tantas mulheres que assumem as palavras de outro religioso, o padre Cláudio Perani: “estar onde, com e como ninguém quer estar”. A gente pensa em rostos concretos, em mulheres que a gente conhece, companheiras de caminhada em tantos lugares e missões que a Igreja tem nos confiado. Lembro da primeira coletiva de imprensa do Sínodo para a Amazônia, onde se tornou manchete em muitos meios de comunicação, inclusive não religiosos, uma dessas religiosas identificadas com a vida da Amazônia e de seus povos. O que a irmã Alba Teresa Cediel Castillo, religiosa das Missionárias da Madre Laura, disse foi algo que relatava a vida de muitas religiosas que doam sua vida na Amazônia. Na Sala Stampa, na frente de dezenas de jornalistas, falou sem medo aquilo que faz parte da sua vida como missionária, afirmando que ela e suas irmãs batizam, são testemunhas do amor quando alguém quer casar e inclusive escutam confissão, mesmo sem dar a absolução, mas sabendo que a misericórdia de Deus se faz presente através delas. São mulheres que são presença constante, gratuita, que cuidam da vida, que acompanham as dores e as alegrias do povo, que escutam e tem a palavra, ou simplesmente o gesto, diante da necessidade do povo. Nelas se faz presente o rosto amoroso do Deus que é Mãe, que carrega no colo aquele que machucado espera da Igreja um gesto de compaixão e de carinho. Aos poucos, a Igreja católica vai dando passos no reconhecimento do papel da mulher, que vai assumindo seu lugar nos espaços de decisão. Sabemos que ainda deve se avançar nesse sentido, mas ao mesmo tempo é justo reconhecer o processo iniciado nos últimos anos, fazendo mais institucional o rosto feminino da Igreja, algo presente desde as primeiras comunidades cristãs. Não podemos esquecer que a mulher sempre foi presença constante e determinante na vida da Igreja católica. O desafio que a Igreja enfrenta, na medida em que quer ser uma Igreja sinodal, é aprender a caminhar juntos, a viver a comunhão na missão, desde a diversidade de vocações e ministérios. Nessa vivência da sinodalidade, a Vida Consagrada feminina está chamada a fomentar aquilo que possa ajudar a Igreja a construir um futuro sustentado em relações diferentes, mais fraternas, mais parecidas com aquilo que Deus espera de quem diz acreditar nele. Numa terra marcada pela diversidade de povos e culturas, de espécies animais e vegetais, de dores, alegrias e esperanças, descubramos juntos aquilo que Deus espera de nós. É na diversidade que a gente se enriquece e cresce, se faz mais humano, mas também assume parte da divindade daquele que tem a capacidade de se doar por completo, de dar vida, aquela mesma vida que surge do seio maternal da mulher. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1 – Editorial Rádio RioMar

Encontro dos Bispos do Regional Norte 1: momento de partilha e programação

Os bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), estão reunidos na Maromba de Manaus para seu primeiro encontro anual. O encontro, que acontece nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2022, começou com a partilha sobre as diferentes pastorais presentes no Regional, dentre elas Pastoral Familiar, Liturgia, Catequese, Pastoral Vocacional, Pastoral da Criança, Comunidades Eclesiais de Base, dentre outras. No encontro foi realizada a prestação de contas do ano 2021 e a apresentação do orçamento para 2022. Também foi abordada a organização da visita as limina, prevista para o próximo mês de junho, onde os bispos do Regional Norte 1, junto com os bispos do Regional Noroeste irão visitar o Papa Francisco e diferentes dicastérios, congregações e conselhos da Cúria Romana. Também serão abordadas questões em relação com os povos indígenas e o trabalho do Conselho Indigenista Missionário no Regional Norte 1. Não podemos esquecer que os povos indígenas é uma das prioridades das Diretrizes Pastorais do Regional neste quatriênio. Nesta quinta-feira, 3 de fevereiro, o encontro vai contar com a presença de Dom Edgar Moreira da Cunha, SDV, bispo da Diocese de Fall River, Massachusetts, Estados Unidos, nascido em Riachão do Jacuípe, Bahia, e do padre Leo Pérez, OMI. Eles são representantes da Comissão para a América Latina da Conferência Episcopal Norte Americana. Sua presença responde ao desejo de apresentar aos bispos do Regional Norte 1 o processo de aplicação para Projetos Pastorais apoiados pela Conferência Episcopal dos Estados Unidos. Durante o encontro com os representantes da Igreja católica estadunidense, os bispos terão a oportunidade de esclarecer as dúvidas em relação com essa questão. No programa aparece um momento dedicado ao Análise de Conjuntura Política, onde foi convidado a participar o deputado federal do Estado do Amazonas José Ricardo Wendling, que desde sua juventude participa da caminhada da Arquidiocese de Manaus. Com os encaminhamentos finais está previsto que seja encerrado o encontro na tarde da quinta-feira. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1

Ir. Liliana Franco: “Só colocando-nos no lugar dos mais pobres é que a Vida Religiosa se reabastecerá de sentido”

A Irmã Liliana Franco define a Vida Religiosa na América Latina e no Caribe como uma narrativa confiável, como “o ícone evangélico e profético de um novo modo de ser, de fazer e de estar“. A presidenta da Confederação Latino-americana de Religiosos (CLAR), usa três imagens para fazê-lo: sandálias empoeiradas na arte de caminhar, um farol no meio da noite e uma ponte que favorece a comunhão. A religiosa colombiana define a instituição que ela representa como algo que “traz a riqueza de uma sólida espiritualidade, inspirada nos valores do Evangelho, fruto da contemplação da Pessoa de Jesus e da paixão por seu Reino”. É uma história de testemunhas, de respostas a gritos reais, caminhando em fraternidade, sendo uma presença nas periferias. Esta presença é vista por Liliana Franco como a condição, pois “somente se colocando geográfica e existencialmente no lugar dos mais pobres, que é o lugar de Jesus, a Vida Religiosa se reabastecerá de sentido“. Por todas estas razões, diante da celebração do Dia da Vida Consagrada, ela agradece a generosa dedicação de tantos religiosos e religiosas, tendo consciência de que “a força e a possibilidade da Vida Religiosa estão na riqueza do que é comum, do que é patrimônio de todos e que nos esforçamos para dar”. O que a Vida Religiosa representa para a Igreja na América Latina e no Caribe neste momento? Hoje, mais do que nunca, a Vida Religiosa neste continente não é apenas uma narrativa confiável, mas também o ícone evangélico e profético de um novo modo de ser, de fazer e de estar.  É por isso que eu gostaria de usar três imagens para responder à sua pergunta.  Depois de quase quatro anos de serviço aos religiosos e religiosas do Continente, encontro três imagens que expressam o que a vida religiosa representa para a Igreja no Continente. A primeira são as sandálias empoeiradas na arte de caminhar.  A Igreja do Continente é desafiada por uma Vida Religiosa que permanece inserida nos lugares mais empobrecidos, que continua a acreditar nos processos, no germinal e no gratuito.  Que não se cansa de retórica e não se esforça para fazer manchetes na mídia, que simplesmente se dá em simplicidade e profecia, que faz sua morada entre os pobres, caminha com os migrantes, acompanha e escuta as vítimas, compromete-se a educar, a curar as feridas, a trabalhar pela paz e pela justiça. Em segundo lugar, é um farol no meio da noite. Diante da crise de credibilidade da Igreja e passando por sua própria noite, a Vida Religiosa, mais diminuída nos membros, mais envelhecida, mais desgastada pelo peso da instituição, está determinada a responder com novidade e, por isso, não deixa de se formar com a consciência de que são necessárias melhores testemunhas, não poupa esforços para refletir, em discernir onde se encontram os horizontes da novidade e da ressignificação.  Ela mantém essa autocrítica saudável que lhe permite superar a tentação de se tornar confortável, de se paralisar em respostas medíocres.  Ela sabe que é portadora de uma riqueza carismática plural e isto a mantém dinâmica, conduzida pelo Espírito, e por esta razão se agarra à esperança. A terceira, uma ponte que favorece a comunhão, porque consciente da diversidade que a habita, da riqueza vocacional que recebeu e que a torna parte da Igreja: mística, missão e profecia, a Vida Religiosa está convencida da necessidade de caminhar em favor da comunhão.   Não é uma tarefa fácil, mas devemos investir todas as nossas energias nela, porque os aspectos fraternos e sororais são o sinal que a sociedade espera ler na Igreja.  É por isso que tantos religiosos estão ali localizados, no lugar do trabalho em rede e da sinergia, da construção coletiva e da pesquisa conjunta. Em uma Igreja que quer caminhar na sinodalidade, o que pode a CLAR, que há mais de 60 anos se esforça para promover o trabalho em rede dentro da Vida Religiosa e da Igreja, contribuir para esta forma de ser Igreja para a qual o Papa Francisco nos chama? A CLAR traz a riqueza de uma sólida espiritualidade, inspirada nos valores do Evangelho, fruto da contemplação da Pessoa de Jesus e da paixão por seu Reino. É também a memória de uma forma de estar na Igreja, na qual a kenosis, a doação da própria vida, tem precedência.  A história da CLAR é marcada por homens e mulheres que são testemunhas autênticas, verdadeiros profetas, mártires que banharam a terra deste continente com seu sangue.  Sua vida, sua morte, suas causas continuam a ser o sangue vital que alimenta a caminhada da CLAR. Da mesma forma, um estilo pastoral que pressupõe ouvir a realidade, discernir os acontecimentos e questionar diariamente a vontade de Deus.  Os ícones evangélicos da CLAR ao longo de sua história, as prioridades de seus diferentes Horizontes Inspiradores, sempre respondem a urgências, a gritos reais.  É uma ação habitada pela realidade. Finalmente, é uma forma de caminhar, como irmãos e irmãs, em rede, apoiando-se uns aos outros.  Unindo forças, gerando alianças de solidariedade, alcançando uns aos outros.  A presença da Vida Religiosa nas periferias sempre foi algo notável na América Latina e no Caribe, uma presença acentuada durante este tempo de pandemia. Na sua opinião, o que este tempo de pandemia significou para a Vida Religiosa no continente? Uma minoria permaneceu nas trincheiras de segurança e conforto.  Mas a maioria tem estado no lugar do contágio, nossas múltiplas plataformas pastorais: educação, paróquia, saúde, assistência, colocaram a maioria de nós na zona de risco.  Na verdade, milhares de religiosos e religiosas deram suas vidas em meio a esta pandemia.  Para quase todos eles, isso significou uma dose imensa de fé que lhes permite navegar no meio da incerteza que esta pandemia trouxe.  Ela nos levou a repensar, a nos formar com novidade e a usar outras plataformas para fazê-lo; exigiu de nós criatividade ao enfrentar desafios apostólicos, nos colocou no território da ousadia de buscar recursos, de criar redes de solidariedade, de tentar fazer com que a sopa seja…
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Ir. Maria Inês Ribeiro: “Ser profecia, presença, curar, redimir, salvar, libertar, fora disso não há sentido para a Vida Consagrada”

Como uma “experiência de uma escolha de Deus”, assim vê a irmã Maria Inês Ribeiro sua vocação. A presidenta da Conferência dos Religiosos do Brasil, no contexto do Dia da Vida Religiosa, reflete sobre a vida consagrada num momento caótico. A irmã Maria Inês é consciente dos desafios que enfrenta a Vida Religiosa, insistindo na “abertura aonde a vida realmente mais necessita, aonde realmente precisa da presença salvadora, redentora de Deus”. Por isso, ela destaca que a necessidade “de ser profecia, de ser presença, de curar, de redimir, de salvar, de libertar, fora disso não há sentido para a Vida Consagrada”. Diante disso se faz necessário sair do comodismo e buscar o caminho para poder avançar, insiste a religiosa. Também faz um chamado a se envolver no processo sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, lançando uma mensagem de coragem para descobrir “como ser resposta, como ser consagrados no mundo de hoje”.  No dia 2 de fevereiro a Igreja comemora o Dia da Vida Religiosa, um momento que representa uma recordação especial para os religiosos e as religiosas. O que significa ser religioso, religiosa, hoje no Brasil? A vocação religiosa significa um chamado de Deus, a nossa fé nos coloca muito claro que é um chamado de Deus, uma experiência que fazemos do desejo de doar nossa vida aos outros, de uma experiência de fé realmente. Quando eu olho a minha história desde muito criança, adolescente, o desejo que eu tinha era exatamente colocar a minha vida ao serviço dos outros, ser útil, ser servidora, ser servidora daqueles que precisavam. Era muito presente na minha vida, e para muitos de nós também essa experiência de uma escolha de Deus, de um chamado de Deus, para estar a serviço, estar realmente como pessoa escolhida, destinada, reservada. O religioso, a religiosa, é aquele que se reserva para o Senhor e está ao serviço das obras do Reino. Isso é ser religioso hoje, religiosa hoje. A senhora fala de estar ao serviço, ser presença, uma presença que deve ser para todas as pessoas. Mas diante da realidade que o mundo e o Brasil estão vivendo hoje, a vida religiosa hoje tem um desafio especial a ser presença nas periferias, na vida dos vulneráveis? Nós estamos vivendo um momento caótico, um momento de caos, de grande confusão e desordem em nossa humanidade, em nosso Brasil. E essa situação afeta profundamente, tem consequências pastorais, tem consequências espirituais, institucionais, econômicas, sociais, e que também nos deixam como consagrados e consagradas, muito perplexos. Essa situação de pandemia nos colocou a todos meio acomodados, e aqueles que são mais sensíveis, nós ficamos meio vislumbrados e quase sem forças para enfrentar a situação. A vida religiosa hoje está muito desafiada, com os números pequenos que todos temos, diante de tantas situações, envelhecimento, a falta de vocações. Nos deixa assim porque o lugar da vida consagrada, por todas as experiências que nós vivemos, os nossos fundadores e fundadoras, todos eles iniciaram com essa abertura aonde a vida realmente mais necessita, aonde realmente precisa da presença salvadora, redentora de Deus. Nossa fé nos coloca aonde o mundo precisa, nos atira, como foi a presença de Deus no Êxodo, que está vendo esse povo que sofre. Eu vi, e para muitos de nós é também a mesma experiência, nós estamos vendo. E temos, graças a Deus, muitas pessoas empenhadas. Cresce entre nós um desejo muito forte, estamos preparando a assembleia nacional da CRB e nós estamos vendo que precisamos que ressignificar a nossa Vida Religiosa. Não vamos salvar todas as situações do Brasil, mas nós temos que estar muito atentos, muito atentas, aonde realmente é o lugar da Vida Consagrada, é ali que nós devemos responder aos clamores. Se não, não tem sentido a nossa Vida Consagrada. Aí é que carece de olharmos com mais profundidade, por que é que não atraímos mais vocações, porque estamos fugindo a nosso carisma, estamos fugindo a nossa presença profética. Porque comunidades, grupos, congregações, novos grupos que estão surgindo com essa atenção aos mais pobres, pequenos, periferias, eles estão rodeados de pessoas que querem somar com eles, somar com elas, isto é muito visível. Realmente, o lugar da Vida Consagrada é de ser profecia, de ser presença, de curar, de redimir, de salvar, de libertar, fora disso não há sentido para a Vida Consagrada. A senhora fala de certa acomodação da Vida Religiosa neste tempo de pandemia. De cara ao futuro, quais são os desafios e os novos caminhos que a pandemia está colocando para a Vida Religiosa no Brasil? A gente sente uma certa acomodação, primeiro é o próprio receio, porque nós temos na Vida Consagrada uma porcentagem mais numerosa de pessoas mais vividas, de pessoas envelhecidas. O desafio está em redefinir, rever nossas obras, atividades, carismas. Nós vamos viver daqui para frente como Vida Consagrada um desafio muito grande, não só em desaparecimento de grupos, com muitos grupos em Brasil que estão terminando seus dias. Outros, mesmo pequenos, estão entusiasmados no sentido de retomar o carisma, de rever realmente a sua presença, esse é o grande desafio para a Vida Consagrada no momento. Alguns acham que é um fenómeno passageiro, outros estão empenhados e estão realmente querendo resinificar para sermos sinais do Evangelho, da presença de Cristo no mundo, do serviço apostólico, significativo para os irmãos e irmãs que mais precisam de nós. O problema que nós vemos é que não está só no individuo, está na instituição, nós estamos vendo as vezes muitas das nossas instituições, ainda muito preocupadas com a manutenção das obras. Obras educacionais, mas muitas estão perdendo o chão pela concorrência de inúmeras escolas particulares. Há pouco tempo um bispo me disse de sua preocupação porque na sua diocese tinham fechado duas escolas católicas. A resposta que eu dei para o bispo foi que essas irmãs poderiam ir para a periferia e ver as crianças que estão sem escola, talvez recomeçar lá, como fez a sua fundadora, como fez o seu fundador. E vai vir os recursos para recomeçar com…
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Santarém: 50 anos do Vaticano II da Amazônia

O Concilio Vaticano II marcou decisivamente a vida da Igreja, especialmente na América Latina, o continente que se empenhou em trazer para a realidade local as reflexões do último concilio na história da Igreja. Medellín pode ser considerado o Vaticano II da América Latina, e na mesma linha, Santarém poderia ser visto como o Vaticano II da Amazônia brasileira. Em 2022 é comemorado os 50 anos do IV Encontro Pastoral da Amazônia, realizado de 24 a 30 de maio de 1972, lembrando as palavras do Papa Paulo VI, quem disse que “Cristo Aponta para a Amazônia”, que levo a Igreja da região a buscar as Linhas Prioritárias da Pastoral da Amazônia. Foi o encontro que reuniu a grande maioria dos prelados da Amazônia Brasileira, que o Documento, assinado por 26 bispos e administradores diocesanos, considera “homens sensíveis aos problemas e aspirações dos homens e dos grupos humanos que ocupam o espaço amazônico”. Eles ressaltaram elementos que hoje, 50 anos depois, continuam vigentes, destacando a simplicidade, espontaneidade, fortaleza e religiosidade presentes numa região com uma cultura vinculada à amplitude da natureza. Em 1972, os bispos já alertaram sobre as limitações e perigos da realidade da Amazônia, intuindo problemáticas que com o tempo foram se acentuando. Nessa conjuntura, a Igreja da Amazônia optou por “quatro prioridades e por quatro séries de serviços pastorais, à luz destas duas diretrizes básicas: Encarnação na realidade e Evangelização libertadora”. A Encarnação na realidade é fruto do conhecimento e convivência com o povo, e queria levar a elementos que depois foram retomados: “superar todo paternalismo, todo etnocentrismo, todo modelo importado, pré-fabricado ou artificial de vida”. Mas também se torno ponto de partida da Evangelização libertadora, sem dicotomias, atenta “aos sinais de lugar e do tempo, das culturas e dos grupos, da natureza e do homem”, que busque conscientizar para a libertação do homem. Dai surgiram propostas de formação de agentes de Pastoral, numa Igreja ministerial, para sacerdotes, vida religiosa e leigos, fundamentada na realidade local, visando a ação e o trabalho em equipe, sempre em contato com suas comunidades locais. Também foram propostas as matérias que deveriam fazer parte dessa formação, insistindo na reciclagem dos agentes. No Documento de Santarém se fala da criação de Comunidades Cristãs de Base como “um dos objetivos primários da Pastoral Amazônica”. Seguindo o modelo de Medellín, são vistas como “o primeiro e fundamental núcleo eclesial” e como elemento fundamental para transformar o tipo tradicional de Paróquia. Assim aparece a proposta de “comunidades ambientais de base, como fermento no meio da massa”, para as cidades, superando as desobrigas nas zonas rurais e buscando que a comunidade “seja o fator propulsor do desenvolvimento integral do homem como sujeito de sua promoção”. Ao falar da Pastoral indígena, afirma que “a Igreja na Amazônia, sem favor algum, tornou-se historicamente a maior responsável pelo índio”, relatando os perigos que ameaçavam os povos indígenas. O CIMI, criado pouco tempo atrás foi apresentado como nova perspectiva de trabalho, insistindo na necessária colaboração entre as Igrejas da Amazônia e o Conselho Indigenista Missionário. Santarém abordo a pastoral nas estradas e outras frentes pioneiras que estavam surgindo na época, apresentando as problemáticas que estavam aparecendo. Por isso, insistiu na necessidade de agentes bem preparados para acompanhar essas realidades, propondo alguns elementos a serem considerados. Também sugere encontros em diferentes níveis, assim como formação de agentes nos Institutos de Pastoral, que devem buscar “desenvolver um esforço sério e sistemático de reflexão, pesquisa e documentação sobre a realidade sociológica e a situação do homem amazônida”. Junto com isso foi abordada a questão dos Meios de Comunicação Social, insistindo “a necessidade de a Igreja estar presente nos meios de comunicação social”. Santarém nos mostra a capacidade de olhar o futuro com perspectiva assumido pela Igreja da Amazônia 50 anos atrás. A história tem demostrado que foi um momento que ajudou a fazer realidade, a partir dos sinais dos tempos, uma Igreja com rosto amazônico, comprometida na defesa da vida e dos povos que dela cuidam. Conhecer e aprofundar no Documento continua sendo um desafio que não pode ser deixado para trás. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte 1