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Dom Luis Marín: No Sínodo, “não há varinhas mágicas, as coisas não mudam de um dia para o outro, são processos de renovação”

“O Sínodo, como a fé cristã, é fundamentalmente uma experiência de Cristo, e se não formos a essa experiência não vivemos a fé cristã em toda a sua profundidade”, disse o subsecretário do Sínodo, Dom Luis Marín de San Martín, na Sala Stampa do Vaticano, analisando o processo sinodal pelo qual a Igreja está passando, algo que ele conhece de seu serviço na Secretaria do Sínodo. Processo sinodal, um filho do Vaticano II Em suas palavras, ele lembrou que “o processo sinodal é filho da eclesiologia do Vaticano II, sobretudo da Lumen Gentium”, insistindo que vale a pena reler e aprofundar esses documentos, e lembrando que é algo que “vem de mais longe, não é uma invenção, não é algo que o Concílio descobriu”. Diante dessa situação, Marín de San Martín assinalou que “a mudança que temos que fazer é que a Igreja é sinodal em sua essência, assim como a Igreja é missionária, assim como a Igreja é comunhão em si mesma”. Nesse sentido, ele disse que “isso vem da Igreja primitiva. É por isso que as fontes são a Sagrada Escritura, os Padres da Igreja, o Magistério, a história, o desenvolvimento canônico”, algo que ‘nos faz ver que a Igreja é essencialmente sinodal’. Um processo que depende de todos e de cada um Lembrando que “tudo isso é um processo”, o subsecretário do Sínodo exclamou: “como eu gostaria do que que tudo mudasse de um dia para o outro”. No entanto, “não há varinhas mágicas, as coisas não mudam de um dia para o outro, são processos de renovação, e dependerá de cada um de nós, de nossas paróquias, de nossas dioceses, de nossos grupos, tornar tudo isso concreto”. Diante desta dinâmica, o bispo agostiniano insistiu em que “todo este processo sinodal não pode ficar nos princípios, nas ideias, deve descer à prática, deve descer ao nosso mundo, deve descer à nossa realidade concreta”, destacando a importância das paróquias, das pequenas comunidades. Nesse sentido, ele lembrou a reunião de párocos, realizada em abril e maio, onde surgiu o tema. “Todo processo de renovação deve ser de baixo para cima, não de cima para baixo, deve vir de baixo para cima, da realidade, da vida cotidiana”, algo que ele disse acreditar estar sendo vivenciado no Sínodo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

A Assembleia Sinodal diz que o Mediterrâneo, assim como a Amazônia, merece um Sínodo

A Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade encerrou nesta sexta-feira o último módulo, o de Lugares. A partir de segunda-feira, quando os trabalhos forem retomados na Sala Sinodal, será a vez de abordar as conclusões. Descentralização e o papel das Igrejas Particulares De acordo com o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, a Assembleia Sinodal nas últimas horas tratou de dois tópicos: os critérios para definir uma descentralização saudável e o papel das igrejas particulares no contexto mais amplo da Igreja Católica e das Igrejas sub iudice. Nesse sentido, foi dito que a singularidade de cada igreja não deve ser vista como um desafio, mas como um dom especial. Ele se referiu à necessidade de garantir a revitalização das Igrejas Católicas Orientais e a possibilidade de celebração comum da Páscoa. Uma reunião dos 10 grupos de estudo criados pelo Papa em torno do Sínodo, uma reunião com os canonistas e outra com os jovens estão programadas para sexta-feira. Para a próxima semana, período de conclusões e redação do Documento Final, foi solicitado um clima de oração e retiro, e na segunda-feira, antes de retomar os trabalhos, será celebrada uma missa presidida pelo Cardeal Grech, secretário do Sínodo. Comunidades de base como um lugar privilegiado para a Igreja Com relação aos critérios para definir uma descentralização saudável, Sheila Pires citou a proximidade e a sacramentalidade, com o papel das comunidades de base como o lugar privilegiado da Igreja sendo enfatizado mais uma vez. Ela falou sobre o mundo digital e a necessidade de discernimento no mundo digital, de ser discípulos digitais. Houve um chamado para sermos resilientes, para não termos medo da pluralidade, o que não desvaloriza os ministérios e os lugares. Em relação às paróquias dentro da assembleia, ficou claro que a administração devora a dimensão missionária na paróquia, o que exige novas formas de ser paróquia. Levando em conta que a sinodalidade acontece nas realidades, há um apelo à escuta das pessoas que sofrem, à descentralização em vista da corresponsabilidade do Povo de Deus, à promoção dos leigos, à clareza das competências. Na Igreja, a Palavra de Deus está inserida em conceitos culturais específicos, o que exige inculturar o Evangelho, buscando a unidade na diversidade, em uma tensão que não é estática, mas dinâmica. Não se pode esquecer que o desafio sinodal está em acolher o que é diferente, mas a unidade não é um quebra-cabeça. Ela está em uma igreja que vive e cresce como qualquer outro organismo vivo. É por isso que a unidade no essencial e a diversidade no secundário são necessárias. Mais uma vez, o diaconato feminino foi discutido e o fato de as mulheres estarem presentes nos processos de tomada de decisão é importante, mas não suficiente. Sheila Pires relatou que a violência contra a mulher, a capacidade de inclusão e o cuidado com o meio ambiente foram mencionados. Caminho comum das Igrejas do Mediterrâneo O Papa Francisco confiou ao arcebispo de Marselha (França), Cardeal Jean-Marc Aveline, a tarefa de preparar o trabalho comum no Mediterrâneo. Uma iniciativa que começou em 2020 em Bari, na reunião de todos os bispos da bacia do Mediterrâneo, onde houve uma troca de situações em torno desse mar, que são muito diferentes. Um caminho que continuou com novas reuniões em Florença em 2022 e Marselha em 2023. O desejo do Papa de criar redes, de ouvir as igrejas em dificuldade, está sendo colocado em prática. Não se deve esquecer que o Mediterrâneo é uma região onde coisas dramáticas estão acontecendo, guerras, falta de liberdade, corrupção, migrantes tentando atravessar o mar, o que exige que trabalhemos juntos nesse contexto. Nesse sentido, o cardeal francês falou da existência de redes para ajudar os migrantes quando eles chegam, redes de faculdades de teologia, o trabalho comum dos santuários, redes de educação, espaços de diálogo entre jovens e bispos, com prefeitos, com pessoas de diferentes religiões. Essas são realidades que têm uma conexão com o processo sinodal. Trata-se de ver como a Igreja pode contribuir para a justiça e a paz nessa região, como ela pode fazer a sua parte, em uma região com três continentes e cinco margens. Uma realidade que exige diálogo ecumênico e inter-religioso, sobre rotas de migração, clima, tensões geopolíticas. Diante de tantos desafios, Avelline disse abertamente que, assim como foi realizado um Sínodo para a Amazônia, o Mediterrâneo também merece um Sínodo. O Sínodo como um caminho para a paz O caminho sinodal ajuda a resolver muitos problemas humanos em conjunto, disse o Cardeal Stephen Ameyu Martin Mulla, arcebispo de Juba (Sudão do Sul), um país nascido em 2011, onde a conferência episcopal é formada juntamente com os bispos do Sudão. O cardeal lembrou a necessidade de as pessoas entenderem que as guerras que ocorreram foram travadas por pessoas que queriam ser livres. Nesse sentido, ele disse que ainda existem “situações pendentes que temos que enfrentar e resolver juntos, problemas humanitários muito sérios, criados por seres humanos”. A divisão do Sudão aumentou, os problemas aumentaram, os acordos de paz não estão sendo cumpridos e precisam ser atualizados. O Arcebispo de Juba lembrou a preocupação do Santo Padre, mas isso não impediu a continuidade de uma situação de instabilidade, que está aumentando como resultado da corrupção e da má administração dos recursos, em um país com enorme potencial. Ele vê o Sínodo como uma ajuda para o diálogo dos bispos com os políticos. Ele também relatou os problemas relacionados à mudança climática, que causa secas e inundações, referindo-se à recente visita do Cardeal Czerny. O Sudão do Sul está crescendo como Igreja e regredindo no campo social e político, o que exige mais diálogo. A situação é agravada pela falta de empregos e de lugares para morar. É necessário, a partir do Sínodo, “nos colocarmos a serviço do povo, diante de uma guerra que destrói tudo”. É por isso que, diante dos problemas, que são de todos, o diálogo é necessário. Um continente unido eclesialmente para servir melhor O Arcebispo de Bogotá…
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Na sinodalidade, o caminho é longo e os frutos virão quando Deus quiser.

Há mais de 20 anos, durante um retiro, Adolfo Chércoles, falando sobre o imediatismo da cultura atual, disse que hoje ninguém construiria uma catedral gótica, cuja construção levava décadas, até mesmo séculos, para ser concluída. O jesuíta estava se referindo à dificuldade que temos em plantar sabendo que não colheremos os frutos, uma atitude que tem aumentado ainda mais com o passar dos anos. O caminho e o tempo de Deus Na Amazônia, aprendi a entender que o espaço e o tempo podem ser compreendidos de forma diferente. Naquela imensidão de terra, de águas, onde em algumas regiões é possível navegar por seus rios sem encontrar ninguém além do Criador, sempre presente em tudo o que nos cerca, descobrimos que perto e longe, cedo e tarde são conceitos cuja percepção varia. O caminho e o tempo de Deus não são conceitos facilmente compreendidos e assumidos no momento histórico atual. O caminho de Deus é uma longa estrada, que deve ser percorrida lentamente, para ser desfrutada, ainda mais quando, em nossos passos, desfrutamos da companhia de outras pessoas, quando somos capazes de avançar juntos, encontrando um ritmo no qual todos nos sentimos à vontade. Os processos do Francisco Quando assumirmos que vale a pena percorrer o caminho mais longo, entenderemos a Igreja dos processos que Francisco propõe. Em certa ocasião, em um encontro com jesuítas chilenos, o Papa lhes disse que as propostas do Concílio Vaticano II só seriam assumidas 100 anos depois, algo que não é exagerado, pois, passados 60 anos, percebe-se que muitos dos elementos e dinâmicas fundamentais propostos nos documentos conciliares ainda estão um tanto distantes. A sinodalidade é uma dinâmica que favorece a missão, ajuda a compreender o sentido fundamental de ser Igreja, que é ser comunidade, caminhar juntos, viver a comunhão. Uma Igreja que restringe a participação se enfraquece, porque o envolvimento decisivo de todos os batizados e batizadas na missão é um caminho necessário para realizar o que pedimos todos os dias: “Venha a nós o vosso reino”, o Reino de Deus. Não perder a esperança Se as propostas do Concílio levarão 100 anos para serem adotadas, de acordo com o atual pontífice, podemos pensar que o processo sinodal não será algo que se fará de hoje para amanhã. Haverá momentos e lugares de progresso e outros em que as dificuldades forçarão a desaceleração do ritmo, mas isso não pode desencorajar aqueles que vivem na fé e na esperança. A questão fundamental é se na Igreja de hoje estamos prontos para construir a catedral gótica, se queremos construir para aqueles que virão depois de nós. Nesse sentido, o Papa Francisco, prestes a completar 88 anos, que provavelmente não colherá muitos frutos do processo sinodal que vem implementando ao longo de seu pontificado, é um verdadeiro testemunho de que, ao tomar atalhos, os perigos aumentam e o risco de não chegar se torna mais plausível, de que vale a pena construir uma catedral gótica, cuja beleza, apesar da demora em alcançá-la, é admirável. Ninguém é obrigado a tomar o caminho mais longo, mas quem escolhe atalhos não deve pensar que sua escolha é a única possível. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação 

Emilce Cuda: “América Latina ainda não perdeu a capacidade de sentir o sofrimento dos outros”

Evangelizar não se reduz a algo metafísico, o importante é como fazê-lo, e a resposta é com palavras e gestos, tocando a carne sofredora de Cristo no povo, lavando os pés. Inspirada pelas palavras do Papa Francisco, a Secretária da Pontifícia Comissão para a América Latina, Emilce Cuda, iniciou sua intervenção na Tenda da Sinodalidade, onde ela e Alessandro Galassi abordaram a questão da Sinodalidade e dos Movimentos Populares. Fortalecendo a sinodalidade A teóloga argentina mostrou seu desejo de fortalecer a sinodalidade, em vista de uma mudança na Igreja, uma conversão estrutural, algo que responda ao fato de que a Igreja é uma reforma permanente, que deve levar a pregar o Evangelho de forma sinodal, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. O importante é fazer coisas concretas, o que pode ser feito pelo caminho longo, o caminho de Francisco, iniciando processos, algo que exige colaboração e paciência, porque não sabemos se veremos os resultados, com a fé de que outros continuarão o caminho, mesmo que seja longo. Em contrapartida, há o caminho curto, os atalhos, aqueles que nos pedem mudanças imediatas, mas que talvez não sejam possíveis agora, pois têm a ver com estruturas. Passando do mundo católico para o mundo secular, Cuda se referiu à solidariedade, que ela definiu como “uma forma concreta de dizer sinodalidade”. Referindo-se ao tema proposto, ela afirmou que o que hoje é chamado de movimentos populares é conhecido como comunidade organizada há mais de 100 anos. A partir disso, deduziu que “ser sinodal é uma maneira de pregar o Evangelho de forma organizada, de forma comunitária”. Algo que vai além do que Francisco chama de “individualismo comunitário”, que encerra as demandas sociais em suas próprias comunidades, lutando por suas próprias identidades, sem a capacidade de estabelecer laços de solidariedade. Fazer do sonho do outro o nosso próprio sonho O desafio é que todo um país, todo um continente, seja uma comunidade organizada, o que se consegue quando há solidariedade entre as demandas, quando há solidariedade e caminhamos juntos, acompanhando as demandas dos outros, de forma colaborativa e intergeracional, em rede, em diálogo, sentindo a necessidade do outro e tornando nosso o sonho do outro. Diante disso, o caminho mais curto é cada um seguir com sua própria demanda, narrativa, anseio, sem cair no desespero e na angústia de não ver resultados imediatos em minha própria vida. De fato, a semente não vê a planta, mas confia que ela se tornará uma planta. Emilce Cuda pediu a todas as comunidades organizadas que pensem em suas necessidades e sonhos sendo reconhecidos pelos Estados como direitos. Segundo ela, a solidariedade não pode ser algo individual. Por isso, o que vivemos nesse Sínodo “temos que valorizá-lo”, continuar trabalhando nessa sinodalidade, citando várias organizações latino-americanas nesse sentido, como CEAMA, CELAM, REPAM, REMAM, REGCHAG, Rede Clamor, que mostram a riqueza da capacidade de organização da América Latina, de resiliência, de recomeçar sempre, de sonhar. Um continente jovem que luta pela vida, que quer construir pontes com outros continentes, algo que a Santa Sé promoveu por meio da Comissão para a América Latina. A Europa deve aprender com a América Latina Uma experiência de sinodalidade que Alessandro Galassi começou a viver com o Sínodo para a Amazônia, e que foi descobrindo ao conhecer vários movimentos populares na América Latina, um continente para o qual a Europa deve olhar com muita atenção para aprender com os processos e como evoluíram esses movimentos populares. Em suas palavras, ele contou o que tem visto no Brasil, na luta pela defesa da água. Nessa perspectiva, o documentarista italiano vê a sinodalidade como a capacidade de estar junto e de levar adiante um processo, que ele vivência em seu trabalho. Galassi vê a esperança como um antídoto para o medo, para o desejo contemporâneo de viver. Como contraponto, ele define a esperança como o recebimento da mística, algo que vai além do otimismo, uma esperança que se combina com a coragem, exigindo dos europeus a coragem de olhar para a América Latina como um modelo para uma mudança de paradigma, que leva, diante de um Estado, à organização a partir de baixo. De fato, Galassi afirmou que os movimentos populares na Itália e na Europa de hoje precisam de uma mudança de rumo. Ele também refletiu sobre a migração e a mudança climática como algo que a causa, vendo no Papa Francisco o único líder capaz de encontrar uma chave para ler a realidade atual. Olhando para o futuro, ele enfatizou a importância dos espaços de ação, citando alguns exemplos, que ele vê como uma ponte para uma mudança de paradigma. Para isso, ele considerou a escuta como fundamental. Discernimento para escolher entre o caminho curto e o longo Para escolher entre o caminho longo e o curto, Emilce Cuda vê a necessidade de exercitar o discernimento. A teóloga falou sobre a realidade das periferias na América Latina, sobre a necessidade de descentralizar o Evangelho, de explicar em linguagem compreensível, especialmente aos jovens das periferias, o que é sinodalidade e solidariedade, para que eles entendam que “ou se unem ou morrem”, algo que muitas vezes são forçados a fazer pela realidade social, Ela deu vários exemplos de solidariedade com e entre os pobres na América Latina, onde “as pessoas têm misericórdia, têm compaixão, mesmo que estejam com raiva, mesmo que ouçam outras histórias”, porque “a América Latina ainda não perdeu a capacidade de sentir o sofrimento dos outros em seus corações”, o que se traduz em solidariedade organizada. Para Cuda, as virtudes teológicas são uma condição para pregar o Evangelho concretamente, já que a fé em Deus se traduz horizontalmente em confiança, que por sua vez é uma condição para a política. Contra isso há o medo, como aponta Fratelli tutti, onde o Papa adverte contra aqueles que aparecem com seu falso misticismo de salvação comunitária, que acontece quando estamos isolados, o que mostra a necessidade de fazer comunidade. Junto com isso, é necessário traduzir o amor de Deus no campo horizontal, na…
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Sínodo: “aprender a dar adeus a coisas antigas que já cumpriram sua missão e acolher o novo que está chegando”

A Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade está prestes a concluir as reflexões sobre o terceiro Módulo do Instrumentum Laboris, que fala de lugares. Nas últimas horas, duas questões foram destacadas, de acordo com Sheila Pires, secretária da Comissão de Comunicação: Como configurar a participação numa chave missionária num contexto de tempos de mudança face aos fenómenos da mobilidade humana na cultura do ambiente digital, o que somos chamados e estamos dispostos a adotar, quais os obstáculos e o que promover. E o segundo tema, que teve a ver com a sinodalidade como colegialidade e primado, o papel da Cúria Romana à luz da Praedicate Evangelium, o Sínodo universal, as assembleias eclesiais e continentais, assim como os sínodos e os concílios particulares. Temas abordados Foi falado sobre as dificuldades e o drama dos migrantes, a criação de uma Assembleia Eclesial Mediterrânea, uma região onde as igrejas têm criado estruturas de redes. Foi abordada a questão de novas propostas para o atendimento aos jovens, a reconfiguração das paróquias em redes de pequenas comunidades, como caminho para agilizar a sinodalidade. O trabalho da Rede Talitha Kum, com os migrantes e vítimas do tráfico de pessoas, o acompanhamento sem paternalismos das pessoas com necessidades especiais, a necessidade de abalar as consciências dos católicos com relação aos pobres, a presença da Igreja onde o Espírito sopra, nas encruzilhadas, lugares de sinodalidade e não se fechar em lugares seguros. Por sua vez, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, destacou o serviço da Vida Religiosa, a importância da relação entre sinodalidade e primazia, com a contribuição das igrejas orientais, as contribuições dos fóruns teológicos, o papel das conferências episcopais, como responder às perguntas da cultura e do contexto. Junto com isso, o valor das igrejas locais, o papel dos bispos, a necessidade de não ter medo da sinodalidade, o status das conferências episcopais, a importância da escuta do Papa aos fiéis e a centralidade da Eucaristia, entre outras questões. Finalmente, Ruffini lembrou que nesta sexta-feira haverá um encontro dos membros da Assembleia Sinodal com mais de 150 jovens na Sala Sinodal. O Sínodo mostra a universalidade da Igreja O processo sinodal está sendo vivido pela Irmã Samuela Maria Rígon como uma experiência da universalidade da Igreja, que ela também experimenta em sua congregação, uma oportunidade de entrar em contato com realidades das quais ninguém fala, com diferentes vocações e papéis, dada a diversidade da Assembleia Sinodal, onde todos podem falar e que é um sinal de abertura. A Superiora Geral das Irmãs de Nossa Senhora das Dores, diante das polarizações, propõe viver as polaridades, a diversidade. Na Assembleia há uma centralidade das relações, segundo a Irmã, razão pela qual ela vê a necessidade de retornar à ideia original da Igreja, tendo em mente que Jesus lidava com os outros através de relações fraternas, algo que deve estar presente nas relações entre pessoas, culturas, igrejas. No caminho de renovação da Igreja, é necessário ler os acontecimentos à luz do sopro do Espírito Santo e seguir o exemplo de Jesus para encontrar as pessoas onde elas vivem e sofrem. O Sínodo na Ásia O Cardeal Charles Bo explicitou a conexão entre o caminho sinodal e seu efeito na Ásia. A partir daí, ele lembrou o que o Papa Francisco pediu às igrejas da Ásia em uma de suas viagens, convidando-as a olhar para frente. No processo sinodal, ele enfatizou a importância da conversa espiritual, do reconhecimento da importância do batismo e da participação de todos na tomada de decisões, incluindo os jovens, para os quais ele pediu que levassem em conta a importância da evangelização virtual. O Arcebispo de Rangoon (Mianmar) refletiu sobre o desafio da cultura para a sinodalidade e a necessidade de mais recursos para promover a sinodalidade na Ásia, onde as grandes distâncias dificultam a caminhada conjunta. Ele também se referiu ao desafio de confrontar o clericalismo por meio da prestação de contas, ainda mais quando há membros do clero que se sentem ameaçados pela sinodalidade. Da mesma forma, em meio a sociedades patriarcais, ele refletiu sobre as dificuldades para as mulheres assumirem papéis de liderança. Ele também se referiu aos seminários, às conferências episcopais, como um instrumento para promover a colaboração entre as igrejas locais em vista do trabalho pastoral. “A Igreja Asiática, apesar dos desafios, quer ser uma Igreja sinodal, escutando a todos e acolhendo a todos”, concluiu. Precisamos escutar “Essa experiência sinodal é muito importante porque precisamos escutar”, disse o cardeal Gérard Lacroix. No processo desde 2021, toda a Igreja está escutando a Palavra de Deus e os outros, de acordo com o arcebispo de Quebec (Canadá), que pediu para ouvir não apenas dentro da Igreja, mas também todos os nossos irmãos e irmãs. “Estamos nos preparando para sermos homens e mulheres que escutam os outros, mesmo aqueles que pensam de forma diferente”, disse ele. Uma dinâmica que ele vê como um testemunho para o mundo de que é possível escutar uns aos outros e fazer um bom discernimento, já que no mundo de hoje as pessoas não ouvem e pensam em resolver os problemas com armas e bombas. “Estamos na assembleia para escutar as diferentes realidades”, de acordo com o arcebispo, que vê isso como uma experiência maravilhosa, que vê o desafio de viver isso nas igrejas locais para discernir as grandes questões que afetam o mundo, as questões candentes que precisam ser aprofundadas para sermos crentes confiáveis. Trata-se de fazer isso por meio da sinodalidade, sentando-se juntos como uma comunidade de discípulos de Jesus para escutar juntos o que Deus está nos dizendo. Lacroix vê a grande dádiva deste sínodo na conversa no espírito, unindo-nos em torno de mesas, escutando a Deus e uns aos outros. Algo que já está dando frutos, “não estamos buscando resultados, estamos buscando a santidade, os frutos do Reino de Deus”, enfatizou. Para isso, “precisamos continuar discernindo e lidando com essas questões, ouvindo o Deus fiel que está sempre ao lado das pessoas no caminho”. Três conversões…
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Na Igreja Sinodal, o mundo digital é um lugar decisivo para a missão

A Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade está refletindo nestes dias sobre os lugares, entre os quais está, e não pode deixar de estar, o mundo digital, um campo onde a presença do Evangelho está se tornando cada vez mais necessária. A missão hoje é diferente Como lembrou Xiskya Valladares, que podemos dizer que foi uma das primeiras a perceber a importância dessa missão no mundo digital, em uma das primeiras coletivas de imprensa desta Segunda Sessão, “nosso mundo mudou, não é mais o que era há 20 anos, a missão é diferente“. A religiosa nicaraguense radicada na Espanha insistiu que, diante das mudanças tecnológicas e da Inteligência Artificial, “a Igreja não pode ficar para trás”. A missão digital foi uma reflexão muito presente na Primeira Sessão da Assembleia Sinodal, estando presente no Relatório Síntese, que lhe dedica um capítulo, intitulado “Missionários no ambiente digital”, onde se diz que “a cultura digital, portanto, não é tanto uma área distinta de missão, mas uma dimensão crucial do testemunho da Igreja na cultura contemporânea. Por essa razão, ela tem um significado especial em uma Igreja sinodal”. Não deixar que a missão digital perca força Pelo que se ouve entre os participantes da Assembleia Sinodal, parece que ao longo desta Segunda Sessão ela vem perdendo força, o que é preocupante, pois distanciaria a missão da Igreja de realidades muito presentes na sociedade atual e de pessoas que muitas vezes têm uma presença muito limitada na vida comunitária. Como lembrou Siskya Valladares, os missionários digitais, que ela considera um novo carisma na vida da Igreja, sentem “a forte vocação de acompanhar aqueles que não estão na Igreja, aqueles que foram batizados e saíram, mas ainda sentem uma preocupação com a verdade, com o amor de Deus, e que às vezes até andam feridos no mundo, também por causa de suas experiências ruins com pessoas da Igreja”. Testemunho da ternura e da misericórdia de Deus Francisco insiste, como uma vez deixou claro para “a freira no Twitter”, na necessidade de ser uma testemunha da ternura e da misericórdia de Deus para com todos. Um testemunho que o pontífice pediu que ela realizasse no mundo digital. A esse respeito, lembro-me de uma situação pela qual passei anos atrás, quando não se falava em missão digital. Um jovem, que eu nunca conheci pessoalmente, começou a me escrever pelo Messenger, e eu tentei acompanhá-lo nas dificuldades que ele estava enfrentando. Meses depois, ele me disse que esse acompanhamento, essa missão digital que eu realizei, o impediu de cometer suicídio. Elas podem ser consideradas especulações sem sentido, mas ouso dizer que minha missão digital salvou uma vida. Naquela ocasião, pude testemunhar o que o Papa propõe, a ternura e a misericórdia de Deus. Portanto, não podemos nos esquecer de algo sobre o qual a Igreja parece estar se tornando mais consciente de sua necessidade. Nesse sentido, não há melhor ocasião do que um Sínodo da Igreja Católica universal para insistir nessa missão digital, se realmente quisermos dar respostas à realidade de hoje. Mas não podemos nos esquecer da maneira pela qual essa missão digital é realizada. Volto novamente à ideia de que na Igreja sinodal o modo é superior ao conteúdo. E a maneira de realizar essa missão é na sinodalidade, juntos, um grande desafio, dado o sentimento individualista tão presente na sociedade atual, especialmente entre as gerações mais jovens, estrato etário no qual se encontra a maioria dos chamados influenciadores digitais. Formação e acompanhamento Também para a missão digital, a formação e o acompanhamento são necessários. Diante da tentação de pensar que estou dizendo a última verdade, o grande desafio é estabelecer canais de comunhão na missão digital. Ser missionário digital em uma Igreja sinodal é promover caminhos comuns, acompanhando o que a Igreja, por meio da proclamação do Evangelho e do Magistério, incluindo o do Papa Francisco, nos propõe. Diante da polarização nas redes sociais, a alternativa é a comunhão, a sinodalidade, um caminho comum. A missão digital precisa ser purificada, mas nunca abandonada. Não percamos a oportunidade deste Sínodo de oferecer a Boa Nova às centenas de milhões de pessoas que hoje habitam o continente digital. Jesus enviou seus discípulos até os confins da terra e, guiados pelo Espírito, eles conseguiram testemunhar essa mensagem nos vários areópagos, hoje também no mundo digital em constante mudança. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Relação entre a Igreja local e a universal: um elemento que sustenta a sinodalidade

Os fóruns teológico-pastorais, uma novidade da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, retomaram suas atividades na quarta-feira. Nessa ocasião, eles abordaram o tema do Exercício do Primado e o Sínodo dos Bispos, e a Relação mútua entre a Igreja local e a Igreja universal. Igreja relacional e, portanto, sinodal “A Igreja é constitutivamente relacional e, portanto, sinodal”, disse Miguel de Salis Amaral, citando as palavras do Papa Francisco na abertura da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal. Nesse sentido, disse que “as relações alimentam e sustentam a sinodalidade”, afirmando que “a relação entre a Igreja local e a Igreja universal é uma relação que é o fundamento da sinodalidade”. A partir daí, ele quis convidar um olhar de fé para essa relação, apontando para o Mistério, buscando oferecer ajuda no discernimento para se tornar uma Igreja sinodal e missionária. A partir daí, refletiu sobre o núcleo teórico do Mistério e sua concretização dinâmica, afirmando, com o Vaticano II, que a Igreja local é uma parte da Igreja universal, na qual o todo está presente e em ação, a riqueza de todos os dons sacramentais e carismáticos está presente. A Igreja local e a universal estão relacionadas, não são alternativas, dando origem a várias instituições em vista da missão, diversas com várias formulações jurídicas. O cristão pertence à Igreja local e universal e, portanto, está sempre em casa, disse ele. Em suas palavras, destacou a Eucaristia e o episcopado como expressões da catolicidade, da comunhão entre a Igreja local e a universal, sendo a Igreja universal um corpo de igrejas, ressaltando a importância da pluralidade de lugares. “A sinodalidade nos orienta para uma compreensão da relação entre a Igreja local e a universal, e nos leva a ver a Igreja universal como uma concretização visível das diversidades”, ressaltou. Algo que se concretiza de diferentes maneiras, com diferentes sotaques, de modo a enriquecer a todos e favorecer o discernimento sinodal, enriquecendo a missão evangelizadora. A vida missionária sinodal é vivida na Igreja local Para Antonio Autierio, esse tema está presente em muitas partes do Istrumentum Laboris, especialmente no Módulo Lugares. A partir daí, ele enfatizou a igreja local como o lugar onde a vida sinodal missionária é experimentada. Em sua opinião, há dois caminhos para o relacionamento entre a Igreja local e a universal, um com uma visão hierárquica e piramidal, destacando a Igreja universal, e o outro baseado no Povo de Deus como fonte de unidade. De um ponto de vista prático, como teólogo moral, ele se referiu às ações da Igreja, refletindo sobre o exercício da autoridade na Igreja local, enfatizando a importância do contexto na compreensão da relação entre fé e moral, uma vez que esta é influenciada pela cultura do povo. A antropologia e as condições sociais não podem ser deixadas de lado, considerando a necessidade de reconhecer a autoridade de ensino de todos os crentes, inspirados por Karl Rahner, para tornar as Boas Novas do Evangelho uma fonte de vida para todos, defendendo um modelo experimental de expressão da doutrina. Conselhos pastorais e concílios provinciais Miriam Wijlens falou sobre os conselhos pastorais, em vários níveis, e os concílios provinciais, que o Povo de Deus vê como necessários, como verdadeiros veículos da Igreja sinodal para viver a responsabilidade batismal, tornando a Igreja inclusiva, responsável, transparente e ecumenicamente acolhedora. Nessa perspectiva, destacou alguns elementos: o método de seleção dos membros, que sejam eleitos e não nomeados, com diversidade de presenças, abertos a todos, com membros com disposição missionária, ecumênica, com uma agenda em que os membros possam apresentar pontos em vista da corresponsabilidade. Para que esses órgãos tenham impacto, ela defende a obrigação de ouvi-los, de que todos tenham todas as informações e de que as pessoas consultadas possam se expressar livremente. Isso se estende ao trabalho comum entre as igrejas vizinhas, com a participação de todo o povo de Deus, não apenas dos bispos, dos organismos da Igreja, onde todos os participantes têm voto deliberativo, explicando quem deve ser convidado e qual deve ser sua tarefa. Finalmente, ela se referiu à tomada de decisões, cujo modo vem mudando para responder a várias necessidades, desafios e possibilidades, um processo de transformação que deve estar presente em uma Igreja sinodal. Igreja local e Igreja universal como uma só Finalmente, o prefeito do Dicastério dos Bispos, Cardeal Robert Prevost, recordou que Santo Agostinho afirmou que a Igreja local e a Igreja universal são únicas, com o objetivo de proclamar o Evangelho. O prefeito recordou o curso para novos bispos do qual participou, onde os bispos foram chamados a olhar além dos limites de suas dioceses e a entender o que significa fazer parte da Igreja Católica, da Igreja universal, da importância de crescer em um profundo sentido de comunhão, algo que deve ser promovido diante de tantas situações de sofrimento. O prefeito do Dicastério para os Bispos delineou como os bispos são nomeados, referindo-se novamente ao curso para novos bispos, que representa uma experiência da natureza universal da Igreja, vislumbrada no fato do encontro e do diálogo com bispos de todas as partes do mundo, cada um enfrentando seus próprios desafios e obstáculos. “A unidade é criada na diversidade, mas precisamos fortalecer esses laços de comunhão”, enfatizou Prevost, algo que ele vê nos círculos menores, onde há uma compreensão do que significa fazer parte da Igreja universal. “Em cada Igreja local há a Igreja universal, mas nenhuma Igreja local representa toda a essência da Igreja universal”, ressaltou o prefeito. Para o Cardeal Prevost, “a perseverança na oração é um dever primordial para fortalecer a solidariedade”. Em suas palavras, ele analisou várias realidades que buscam criar vínculos entre as igrejas locais, sempre com o objetivo de anunciar o Evangelho em todo o mundo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal Aguiar: “Enfrentemos com esperança aqueles que criticam e dificultam a implementação da vida sinodal em nossas comunidades”

A celebração eucarística no Altar da Cátedra, na Basílica de São Pedro, onde estiveram presentes os participantes da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo da Sinodalidade, constituiu mais um passo no desenvolvimento das atividades, marcadas nestes dias pela reflexão sobre os Lugares. A desordem egoísta causa más ações A missa foi presidida por um dos presidentes delegados do Sínodo, o Arcebispo da Cidade do México, Cardeal Carlos Aguiar. Em sua homilia, começou recordando o conselho de São Paulo aos Gálatas, a quem disse que “a desordem egoísta do homem é a causa das más ações”. Diante dessa realidade, questionou como superar essa tendência, ao que respondeu que isso se consegue “aprendendo a deixar-se guiar pelo Espírito Santo; para o que o caminho é conhecer Jesus Cristo, e assumir como bom discípulo, seu testemunho de vida e seus ensinamentos”. De acordo com o cardeal mexicano, “dessa forma obteremos os frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, generosidade, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrole”. Nesse caminho, continuou, “sem dúvida, ganharemos, como Jesus expressa no Evangelho, a liberdade de intervir e corrigir aqueles que são desviados, mal orientados ou pretensiosos, que se apresentam como modelos para os outros ou que exigem encargos que não cumprem”. Comprometidos com a vivência e a promoção da sinodalidade Para Aguiar, “é oportuno, diante desta Palavra de Deus, fortalecer nossa confiança na ajuda divina para enfrentar com esperança as diferentes presenças e comportamentos que, dentro e fora da Igreja, criticam e dificultam a aplicação da vida sinodal em nossas comunidades eclesiais”. Uma dinâmica que deve nos levar a nos perguntar “até que ponto estamos comprometidos em viver e promover a sinodalidade em nossas próprias áreas de responsabilidade eclesial e social”. Isso é influenciado por “nossas expectativas condicionadas por nossos próprios contextos sociais e eclesiais”. Em vista disso, ele convidou a “lembrar em nossa oração habitual que certamente não nos faltará a assistência do Espírito Santo para promover nossas tarefas específicas, no caminho e na prática sinodal”. E, juntamente com isso, agir com coerência, pois assim “obteremos os frutos do Espírito Santo, percebendo, por meio de nossa realização, a intervenção divina, que muitas vezes nos surpreenderá, alcançando muito mais do que humanamente esperávamos”. Incentivar para que ninguém desanime ao longo do caminho “Essa experiência espiritual de ver a assistência divina em nossas responsabilidades diárias nos permitirá reconhecer os benefícios do Espírito Santo nos outros e encorajar os membros de nossas comunidades para que, diante das dificuldades habituais, como bons discípulos, não desanimem ao longo do caminho”, enfatizou o arcebispo da Cidade do México. Uma ação com a qual “ganharemos a liberdade espiritual para intervir por meio da correção fraterna, solidária e sincera de nossos vizinhos que precisam de ajuda”, com a qual “nos desenvolveremos como pessoas confiantes no Senhor Jesus, que sabem como não se deixar guiar por critérios mundanos, e seremos felizes, não duvidemos, como uma árvore plantada junto ao rio da graça, que dá frutos em seu tempo e nunca murcha”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

O Sínodo discute a substituição das conferências episcopais por estruturas sinodais

O papel dos teólogos ganhou importância na Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade. Alguns deles, como o coordenador desse grupo, Dario Vitale, o canonista espanhol José San José Prisco, a teóloga romena Klára Antonia Csiszar e o teólogo australiano Ormond Rush, compartilharam suas reflexões na coletiva de imprensa de 16 de outubro. Papel das Conferências Episcopais Sobre o que foi desenvolvido na Sala Sinodal, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, destacou que na Igreja, desde o início, sempre houve uma relação estreita com o território. Ele também refletiu sobre o mundo digital e seus perigos, a necessidade de as paróquias serem lugares de encontro, a necessidade de ser criativo para fortalecer a presença da Igreja em mais áreas, algumas questões relacionadas às conferências episcopais, também em nível continental, o compromisso de preservar a unidade da Igreja, o ministério do Papa a serviço da unidade e a descoberta do interior do coração humano como o primeiro lugar. Esses elementos também estiveram presentes nas palavras da secretária da Comissão de Comunicação, Sheila Pires. Ao falar sobre a unidade da Igreja, a assembleia discutiu a atribuição de competências doutrinárias às conferências episcopais e o perigo de fragmentação da Igreja. Da mesma forma, a necessidade de a Igreja ser um testemunho de evangelização para a cultura, refletindo sobre a diferença entre o depósito e a formulação da fé. A Assembleia Sinodal falou sobre a possibilidade de substituir as conferências episcopais por outras estruturas sinodais. Ele também relatou a insistência em considerar cada lugar como uma terra de missão e a importância de se coordenar com Roma antes de tomar decisões. Por fim, Pires enfatizou a importância das pequenas comunidades de base, “que podem contribuir para tornar a paróquia mais viva e dinâmica”, e a necessidade de se adaptar às mudanças culturais e digitais. Um texto para vislumbrar caminhos Para o coordenador dos teólogos, o trabalho deles no atual sínodo é diferente do de outros sínodos. Dario Vitali destacou o fato de os teólogos terem se envolvido em todas as fases do processo e a importância dos grupos linguísticos, onde são captadas as orientações e os consensos para discernir, buscando convergências e pontos que geram mais debate. Para o teólogo italiano, o elemento decisivo é o consenso, que é alcançado ouvindo o Espírito depois de ouvir os outros. A partir daí, se buscará um texto coerente que nos ajude a vislumbrar o caminho a seguir pela Igreja. Caminho comum de canonistas e teólogos José San José Prisco destacou o trabalho conjunto entre canonistas e teólogos, algo que não era normal há muito tempo, dado o caminho paralelo entre a Teologia e o Direito Canônico ao longo da história. O canonista espanhol destacou a necessidade mútua, pois “os canonistas se dedicam a compreender melhor a norma canônica e sua possível aplicação ou mudança para o momento atual”. Nesse sentido, sua tarefa é acompanhar os pedidos do Sínodo para possíveis mudanças em relação à legislação, para descobrir entre os pedidos as possibilidades de mudança que poderiam melhorar a legislação atual, uma função que é muito complementar à dos teólogos. Um par de óculos para vislumbrar o que Deus pede de nós Reconhecendo a participação no Sínodo como um espaço para o aprendizado conjunto, Klara Antonia Csiszár reconheceu que se abriu um espaço para a teologia no Sínodo, no qual eles querem fazer uma contribuição no estilo sinodal. Os temas dos fóruns são vistos pela teóloga romena como uma orientação diante dos obstáculos. Destacou que se percebe um certo cansaço, desafiando o que chamou de melodia básica, a teologia do Povo de Deus, que deve ser percebido como sujeito da missão. Nessa perspectiva, refletiu sobre o papel dos bispos na Igreja sinodal e na primazia papal, bem como sobre o desafio de fazer da sinodalidade uma prática cotidiana. Para esse fim, ela nos convidou a “colocar novos óculos para pedir um vislumbre do que Deus está pedindo de nós“. Junto com isso, o papel dos teólogos é “fazer a nossa parte para ajudar o nascimento de uma Igreja sinodal”. Aplicar o Evangelho no tempo e no espaço de hoje Esse Sínodo nos leva a entrar em um processo que faz parte da tradição viva da Igreja, ouvindo a fé viva do povo de Deus, enfatizou Ormond Rush. O papel do teólogo é ajudar as comunidades cristãs a interpretar e aplicar o Evangelho no tempo e no espaço, para levar o Evangelho a todos, algo revelado por Jesus, afirmando que o Espírito Santo nos conduzirá ao futuro. O teólogo australiano enfatizou a importância de ouvir o sensus fidei a fim de chegar a um acordo, para ver como a figura de Jesus ainda é relevante hoje. Com esse objetivo, a teologia constrói pontes, vendo o Vaticano II como um instrumento para ver a história de uma maneira diferente. Nesse sentido, Rush lembrou que as perspectivas mudam ao longo da história da Igreja, o que torna necessário entender os sinais dos tempos, que podem fornecer uma nova visão de Deus. Novas respostas são necessárias, porque as respostas antigas impedem a Igreja de proclamar de uma forma que a mensagem possa ser compreendida, de uma forma que seja empática e misericordiosa. Nesse caminho, os teólogos são chamados a ajudar a Igreja a seguir a Tradição, um papel que estão desempenhando no atual processo sinodal. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Assembleia Sinodal vislumbra lugares de pouso

Há quase um ano, em 20 de outubro de 2023, durante a Primeira Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, escrevi que “se o Sínodo não for concreto, não aterrissar, corre o risco de cair“. Houve aqueles que não entenderam o texto, mas eu gostaria de pensar que eles só ficaram manchete, que eles leram o texto, para não pensar que não tiveram a capacidade de entender o conteúdo. As mulheres conduzem ao concreto Um ano depois, já na segunda metade de um play-off de ida e volta, usando parâmetros futebolísticos, podemos dizer que a Assembleia Sinodal, em sua Segunda Sessão, está encontrando lugares, pistas de pouso. É um sentimento que se percebe ao conversar com os membros da Assembleia, especialmente neste módulo sobre lugares. Uma das mulheres membros da Assembleia me fez perceber seu papel decisivo para conseguir aterrissar, quando ela disse que “os homens geralmente ficam divagando, nós somos mais práticas, mais concretas“. Não estou voltando atrás na afirmação que fiz há alguns dias, quando disse que, em uma Igreja sinodal, o modo é superior ao conteúdo. Na realidade, a primeira grande pista de pouso é o próprio modo, pouco a pouco estamos aprendendo a colocar o avião no chão, embora fosse mais apropriado dizer o barco de Pedro, e falar em trazê-lo ao porto. Há um ano, questionei o fato de o avião estar voando constantemente, mas agora podemos dizer que, na Igreja, o tempo pertence a Deus, e é Ele quem controla o cronômetro, fazendo do chronos um Kairos, um tempo do Espírito. Escutar a voz do Espírito tem sido um bom plano de voo, que corajosamente traçou a rota a ser seguida, superando as turbulências, muitas delas criadas artificialmente por aqueles que insistem que o avião vai cair, que o barco de Francisco, que hoje dirige com maestria aquele em que Pedro já esteve ao leme, vai afundar. Destreza para pousar em cada contexto e cultura Também não podemos esquecer que nem todas as pistas são iguais; algumas exigem grande destreza por parte do piloto. Essas pistas têm a ver com contexto e cultura, lembrando que “a experiência do pluralismo das culturas e da fecundidade do encontro e do diálogo entre elas é uma condição da vida da Igreja, não uma ameaça à sua catolicidade”, como nos diz o Instrumentum Laboris para a Segunda Sessão da Assembleia. As pistas em que a sinodalidade deve aterrissar são as Igrejas locais, que, é verdade, fazem parte de uma Igreja que é católica, una e única, mas que têm suas especificidades. Um contraponto entre unidade e diversidade, guiado pelo Bispo de Roma, para assumir que juntos somos mais e que a diversidade só enriquece quando a unidade é o nosso foco, o que faz com que o plano de voo nos leve a alcançar o objetivo concreto, a pista de pouso. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1