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Uma Igreja sinodal que nos leva a dialogar juntos pela paz

Os caminhos em uma Igreja sinodal são importantes e, nessa dinâmica eclesial, nutrir relacionamentos em um mundo ferido, promover o diálogo pela paz, colocar-se a serviço da sociedade para criar novas formas de ver e se relacionar com os outros, deixando de lado a autorreferencialidade, é de grande importância. Um mundo polarizado e fragmentado O mundo de hoje está cada vez mais polarizado e fragmentado, com guerras atrozes e conflitos violentos se tornando uma característica permanente da vida de muitos países e pessoas. Francisco tem alertado repetidamente que uma terceira guerra mundial está sendo travada em pedaços. Diante dessa situação, a Igreja deve sentir o chamado para caminhar junto, para viver a sinodalidade, para buscar a unidade na diversidade. Somente assim seremos testemunhas de Cristo, que, como nos diz Efésios, “fez dos dois povos um só e derrubou o muro que os separava”. Um dos desafios que a Igreja Sinodal enfrenta é ser uma testemunha autêntica e confiável no contexto global, para se tornar um lugar onde “a visão do profeta Isaías é vivida: ‘ser uma força para os fracos, uma fortaleza para os pobres em sua angústia, um refúgio na tempestade, uma sombra contra o calor’”, como afirma o Instrumentum Laboris para a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade, que está sendo realizada na Sala Paulo VI, no Vaticano, de 2 a 27 de outubro de 2024. Novos horizontes do Espírito Uma Igreja que “abre seu coração ao Reino”, diz ainda o mesmo texto, e assume sua missão de promover a “amizade social”, proposta por Francisco em Fratelli tutti, que se caracteriza por não excluir ninguém, e a “fraternidade aberta” a todas as pessoas. Nessa perspectiva, quando todos os membros do Povo de Deus se deixam guiar pelo Espírito Santo, protagonista do processo sinodal, experimentamos com grande alegria e profunda gratidão que Deus, por meio de seu Espírito, nos abre novos horizontes. Assim, acolhemos com convicção, humildade e simplicidade o fato de que isso requer a disposição de todos os membros do Povo de Deus para uma conversão relacional permanente na Igreja, a fim de sermos testemunhas desses novos caminhos relacionais para o mundo. Somente dessa forma, com a graça de Deus, poderemos nos tornar cada vez mais uma Igreja verdadeiramente sinodal e esperançosa. Isso requer uma conversão permanente, que exige uma profunda mudança de mente e coração para caminharmos juntos com diferentes carismas e ministérios em uma corresponsabilidade diferenciada na missão da Igreja para promover uma prática sinodal autêntica. Não nos esqueçamos de que a sinodalidade precisa ser encarnada e inculturada nos diversos contextos das Igrejas locais e regionais, conforme expresso no Instrumentum Laboris. Assumir a prática de escutar Para alcançar credibilidade e coerência em nosso testemunho, essa prática sinodal deve ser realizada por todos, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas, enfim, todos os membros do Povo de Deus. Algo que pode e deve ser concretizado na “celebração de assembleias eclesiais em todos os níveis”, como proposto no Instrumentum Laboris da Segunda Sessão, já que essa é uma forma concreta de praticar a escuta e prestar a devida atenção ao sensus fidei fidelium. Finalmente, ninguém deve se esquecer de que a Igreja também é chamada a caminhar sinodalmente com os outros seres vivos da natureza. Neste momento crítico para nosso planeta, é imperativo ouvir o grito da terra e o grito dos pobres e nos comprometermos mais com o cuidado de nossa casa comum, pois “o mundo que nos acolhe está desmoronando e talvez se aproxime de um ponto de ruptura”, como Francisco nos diz na Laudato Deum. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Discernimento que leva a concretizar organismos eclesiais sinodais

Uma Igreja sinodal sem discernimento não vai muito longe, e é por isso que esse deve ser o caminho para elaborar e tomar decisões, tendo em mente que todas as pessoas batizadas receberam o dom do Espírito. De fato, o discernimento eclesial é a essência do itinerário da espiritualidade sinodal. Para isso, a metodologia a ser seguida é a “conversa no Espírito” e o discernimento comum. Entrando no coração do outro No atual processo sinodal, essa tem sido uma experiência muito enriquecedora. Pode-se dizer que essa dinâmica, que permite entrar no coração do outro, criou um espaço para expressar livremente os próprios pontos de vista e para a prática da escuta recíproca, algo que foi incluído no Instrumentum Laboris para a Primeira Sessão da Assembleia Sinodal. É um caminho no qual se avança ainda mais quando se dialoga com outras ciências, quando se concretiza o que foi pedido na Gaudium et Spes, um documento que não pode ser ignorado para entender a medula do Vaticano II: “examinar em profundidade os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho”. Outra condição necessária é valorizar o sensus fidei de todos os participantes, independentemente de seu gênero, sua vocação, o ministério que assumem na Igreja. Ouvir Deus e as pessoas, “a ponto de respirar nelas a vontade à qual Deus nos chama”, e assim buscar “um consenso que brota não da lógica humana, mas de uma obediência comum ao Espírito de Cristo”, como nos diz a Episcopalis Communio. Nesse sentido, a Igreja não pode se contentar em ter um Sínodo, ela tem que ser um Sínodo. Algo que São João Crisóstomo, um dos pais da Igreja, já dizia: “Igreja e Sínodo são sinônimos”. A CEAMA, um organismo sinodal Uma questão importante é como realizar os processos de discernimento e quem participa deles. O Sínodo para a Amazônia, no qual muitos veem um “treinamento” para o atual processo sinodal, teve, entre suas 157 propostas, a criação de um organismo episcopal para a região amazônica, que se concretizou na Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), uma novidade na história da Igreja. A presidência da CEAMA, que pode ser considerada um órgão de tomada de decisões, é composta por um bispo, um padre, um representante da vida religiosa, um representante do laicato e um representante dos povos indígenas. Isso é complementado pela Assembleia, da qual participam representantes das sete conferências episcopais presentes no bioma amazônico. São 105 jurisdições eclesiásticas de nove países. Nesse sentido, a CEAMA, uma continuidade do processo iniciado com a REPAM há 10 anos, é uma expressão do nós eclesial com um discernimento criativo, onde se entrelaçam as relações das pessoas, os itinerários formativos e os lugares para um autêntico intercâmbio de dons espirituais, culturais, sociais, ecológicos e litúrgicos, algo que se concretizou em vários elementos, entre eles o Rito Amazônico e a ministerialidade das mulheres. Promoção de processos de conversão Em uma Amazônia ferida por assassinatos de líderes ambientais, tráfico humano, mineração ilegal, incêndios florestais, desmatamento, secas e tráfico de drogas, entre outras situações, é necessário promover processos de conversão, também na vida da Igreja. Isso deve ocorrer nos órgãos episcopais, nas igrejas locais, nas paróquias, nas comunidades e nas pastorais, onde os processos de formação para o discernimento eclesial devem ser realizados em uma perspectiva sinodal que possibilite a busca de novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral. É uma questão de coragem, de não ter medo de avançar nessa conversão eclesial. Caso contrário, o atual Sínodo pode continuar sendo um evento isolado ou momentâneo. O desafio é assumir um modo cada vez mais vivo de ser e de proceder por meio de organismos eclesiais em sua composição e sinodais em sua ação. Não deixemos de seguir a audácia do Espírito, para que a Igreja continue sendo “luz das nações”, “sinal e sacramento de salvação” neste momento da história em que nos cabe viver. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

No Dia de Aparecida, Papa Francisco pede aos brasileiros que “cuidem uns dos outros e do clima”

No dia 12 de outubro, o Brasil celebra a festa de sua padroeira, Nossa Senhora Aparecida, a virgem negra, em torno da qual se reúnem todos os anos milhões de peregrinos que vão à casa da Mãe. Um lugar que reúne todos os elementos da religiosidade popular, algo tão presente no Brasil e na América Latina. Cumprimentá-los e estar perto de vocês Por ocasião dessa festa, o Papa Francisco enviou uma breve mensagem, gravada em vídeo dentro da Sala Paulo VI, e transmitida pelo Vatican News em português, onde está acontecendo a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, de 2 a 27 de outubro. Francisco, falando em espanhol, iniciou seu discurso ao povo brasileiro dizendo que queria “cumprimentá-los e estar perto de vocês”. Aos brasileiros, o país com o maior número de católicos do mundo, pediu que “sigam em frente, com aquela mensagem de Nossa Senhora que é toda harmonia, harmonia entre todos os cristãos, harmonia com toda a humanidade, harmonia climática”. Em vista dessa harmonia, o Papa enfatizou que “temos que cuidar uns dos outros e cuidar do clima”. Aparecida um lugar importante para Francisco Em suas palavras, ele lembrou que já visitou o Santuário de Aparecida várias vezes. A última ocasião foi em 2013, ano em que o Brasil sediou a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, e Francisco, em seus primeiros meses de pontificado, aproveitou para visitar a casa da Padroeira do Brasil. Vale lembrar também que foi em Aparecida que se realizou a última Assembleia Geral do episcopado latino-americano e caribenho. Um momento que pode ser considerado de grande importância para o atual pontífice. O então Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Bergoglio, foi o relator geral da V Conferência Geral do CELAM, e muitos concordam que o Documento de Aparecida foi uma fonte de inspiração para a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, um documento relevante no magistério do Papa Francisco. O Papa pediu à Virgem Aparecida “que os abençoe, que os faça ir adiante e que os deixe muito alegres, porque ela é a Virgem da alegria”, uma bênção que ele também implorou no final de sua mensagem ao Senhor. Vea aqui o video do Papa. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Do Sínodo Amazônico ao Sínodo da Sinodalidade: Escutar para descobrir a narrativa de Deus

A sinodalidade é algo que obviamente vai além da Sala Sinodal. Buscando aprofundar a reflexão sobre uma Igreja sinodal, Amerindia criou o Observatório Latino-Americano da Sinodalidade, que, coincidindo com a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, a ser realizada em Roma de 2 a 27 de outubro de 2024, organizou a Tenda da Sinodalidade, na qual as reflexões são compartilhadas, em alguns casos, com os membros da assembleia. Dois participantes dos dois sínodos Buscando encontrar uma linha de continuidade entre o Sínodo para a Amazônia e o Sínodo sobre a Sinodalidade, dois participantes de ambos os sínodos, o prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, Cardeal Michael Czerny, e a presidenta da Confederação de Religiosos e Religiosas da América Latina e do Caribe (CLAR), Liliana Franco, refletiram sobre o caminho percorrido. Czerny partiu da imagem do rio como uma orientação inspiradora, concreta e relevante no Sínodo para a Amazônia, “que nos encorajou a trabalhar, como diz o tema, para descobrir novos caminhos para a Igreja e a ecologia integral”. Uma renovação da Igreja baseada na ecologia integral, chegando à conclusão radical de que “a renovação da Igreja na Amazônia era fundamental para a ecologia de toda a região”. Em torno de um território Liliana Franco, por sua vez, viveu o Sínodo para a Amazônia como uma graça pascal, já que foi o primeiro momento de encontro com toda a Igreja, com diferentes culturas e sensibilidades, “em torno de um território“, visto como responsabilidade de todos. Uma imensa possibilidade de “viver a interconexão, a certeza e a experiência da sacralidade de toda a criação e a interconexão que existe entre tudo”. Algo vivido a partir do protagonismo do Espírito em cada encontro de seres humanos, em cada experiência de tecer juntos, apesar das tensões e contradições, ainda mais em torno da Amazônia, uma beleza ferida. Uma experiência de que “o Espírito sabe romper além das resistências ou posições ancoradas ou aprendidas“, o que a leva a ver o Sínodo da Amazônia como frutífero, algo que trouxe muita vida. Isso vem se concretizando de várias formas, na CEAMA, na REIBA, dando passos para se inserir no território, o que leva a descobrir a vida nova que os processos sinodais trazem. Um Sínodo que foi um laboratório de escuta, com “um exercício saudável, consciente e respeitoso de habitar o território para poder escutar as pessoas e entender que a escuta é a narrativa que Deus usa para nos mostrar o que ele quer de nós”. Uma escuta com a qual o atual Sínodo aprendeu, destacando o método como uma chave, que foi colocada em prática. Ele também destacou a figura e as contribuições do Cardeal Claudio Hummes naquele Sínodo. A novidade da CEAMA Do Sínodo para a Amazônia surgiu a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA). A esse respeito, o Cardeal Czerny enfatizou que em todos os países amazônicos essa região é uma periferia, com seus problemas, espiritualidades e espírito. Reunir em uma conferência cada região de cada país é “poder enfocar as questões e os processos da Amazônia“, destacou o prefeito. Uma conferência que inclui bispos, padres, religiosos e leigos, que Czerny vê como uma continuação do processo sinodal, que deve levar a CEAMA a “orientar a busca do caminho a seguir para a Igreja em toda a Amazônia”, para ser uma concretização, mas acima de tudo a continuação do processo, para continuar caminhando juntos, algo urgente, porque os problemas estão crescendo. Partindo da questão abordada na Segunda Sessão da Assembleia Sinodal, como ser uma Igreja sinodal em missão, Liliana Franco vê a CEAMA como “uma expressão do que significa ser uma Igreja sinodal e missionária“, porque “nos coloca diante de uma nova maneira de tecer relações, com essa dinâmica que é verdadeiramente eclesial”, seguindo nas relações a lógica do Povo de Deus, e junto com isso porque é uma união para a missão, para responder às necessidades concretas de um território e não para fazer ouvidos moucos. A escuta leva à conversão A religiosa lembrou uma expressão do Sínodo para a Amazônia: “a escuta leva à conversão“, a uma mudança de atitudes e estruturas. Isso porque “a escuta é o que mobiliza a mudança”, e como Vida Religiosa no território, que são os que mais assumiram esses processos sinodais, estão acolhendo esse momento da Igreja a partir dessa escuta, sendo multiplicadores, superando a autorreferencialidade e vários tipos de abusos, tendo em vista a necessária reflexão e reforma, e a presença no território amazônico, com experiências muito significativas de intercongregacionalidade, que transformaram lógicas, sensibilidades, formas de se situar. Segundo Liliana Franco, o Sínodo sobre a Sinodalidade está sendo realizado na perspectiva de um caminho, de um processo, no qual foi privilegiada a escuta em vários níveis, com o método da conversação no Espírito, que torna possível a escuta acolhendo a palavra do outro. A Irmã enfatizou o modo de trabalho dos círculos menores, que encorajam uma reflexão vital e profunda, trazendo para a mesa a vida e a realidade de cada contexto. Falando sobre os percursos, ela vê nesse módulo a possibilidade de ir a questões mais vitais no entrelaçamento da Igreja, fazendo da experiência uma escola de aprendizado, de ser modificado pelo Espírito, a partir de um ato de fé, tendo a santidade de cada um de seus membros como critério para a reforma da Igreja. “Haverá uma transformação de estruturas, quando houver uma transformação de atitudes, haverá uma transformação de modos relacionais, quando nos dispusermos de forma mais reverente a escutar uns aos outros”, sublinhou, o que leva a novos modos de relacionamento, para crescer em capacidade missionária. O Sínodo é mais do que estatísticas O Cardeal Czerny criticou a tentativa de avaliar o Sínodo com estatísticas, porque “o fato é que esta consulta é a mais ampla consulta na história da humanidade“. Nesse sentido, ele disse que novas formas de caminhar não são algo que se faz de uma só vez, é preciso começar. Ele ressaltou que tem “a impressão de que começamos bem,…
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Papa Francisco na Vigília Ecuménica: “A unidade dos cristãos e a sinodalidade estão ligadas”

A Praça dos Protomártires Romanos, dentro do Vaticano, local onde a tradição diz foi martirizado o apóstolo Pedro, segundo lembrou o cardeal Koch, foi palco de mais uma das atividades em torno da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade, a Vigília Ecumênica, precedida por uma procissão acompanhada por velas, à qual se juntaram mais de 80 celebrações em todo o mundo. Uma celebração que ocorreu no dia em que se comemora o aniversário do início do Concílio Vaticano II. Mártires como testemunhas da unidade A celebração, que contou com a presença do Papa Francisco, juntamente com os participantes da Assembleia Sinodal, incluindo os delegados fraternos, cujo número aumentou nesta Segunda Sessão, e representantes de outras igrejas, deu um papel de destaque a dois documentos conciliares, Lumen Gentium, um dos textos base, que serviu para conduzir a Ladainha de Louvor, e Unitatis Redintegratio, o documento que contém as reflexões sobre a unidade dos cristãos, que foi o fio condutor da Oração de Intercessão. Recordando os mártires, glorificados pelo testemunho de Cristo, à luz do capítulo 17 do Evangelho de João, o Papa Francisco afirmou, a homilia não foi lida pelo Santo Padre, mas entregue aos participantes, que “neste lugar, recordamos os primeiros mártires da Igreja de Roma: sobre o seu sangue foi construída esta basílica, sobre o seu sangue foi edificada a Igreja”, pedindo “que estes Mártires fortaleçam em nós a certeza de que nos aproximamos uns dos outros ao aproximarmo-nos de Cristo, apoiados pela oração dos santos das nossas Igrejas, já perfeitamente unidos pela sua participação no Mistério Pascal”. Mais perto de Cristo para uma maior proximidade entre os cristãos Em seu 60º aniversário, Francisco recordou a Unitatis redintegratio: “quanto mais os cristãos estão próximos de Cristo, tanto mais próximos estão uns dos outros”. Lembrando que a abertura do Concílio “marcou a entrada oficial da Igreja Católica no movimento ecumênico”, ele destacou a presença de delegados fraternos e irmãos e irmãs de outras Igrejas. Ali citou o que São João XXIII disse aos observadores na abertura do Concílio, no qual se refere à oração de Cristo na Última Ceia, um texto aprofundado pelo Papa em sua homilia. “A unidade dos cristãos e a sinodalidade estão ligadas”, enfatizou Francisco. Dois processos, a sinodalidade e a unidade dos cristãos, nos quais “não se trata tanto de construir algo, mas sim de acolher e fazer frutificar o dom que já recebemos”. Após perguntar sobre como apresentar o dom da unidade, ele respondeu que “a experiência sinodal ajuda-nos a descobrir alguns aspetos experiência sinodal ajuda-nos a descobrir alguns aspetos”. Em primeiro lugar, ele destacou que “a unidade é uma graça, um dom imprevisível. O verdadeiro protagonista não nós, mas o Espírito Santo, que nos guia para uma maior comunhão”. Unidade, fruto do céu Com base no fato de que não sabemos o resultado do Sínodo e o caminho para a unidade, ele enfatizou que “a unidade não é em primeiro lugar um fruto da terra, mas do céu”, é algo a ser implorado “como Cristo quer” e “com os meios que Ele quer”, citando o padre Paul Couturier. No caso do processo sinodal, “a unidade é um caminho: amadurece em movimento, durante o percurso. Cresce no serviço recíproco, no diálogo da vida, na colaboração entre todos os cristãos que ’apresenta o rosto de Cristo Servo numa luz mais radiante’”, disse Francisco. Algo que nos chama a “caminhar segundo o Espírito”, como diz Gálatas, ou como “uma caravana de irmãos”, nas palavras de Santo Irineu. Isso porque “a união entre os cristãos cresce e amadurece na peregrinação comum “ao ritmo de Deus”, como os peregrinos de Emaús acompanhados por Jesus ressuscitado”. “Um terceiro ensinamento é que a unidade é harmonia”, lembrou Francisco. Nessa perspectiva, ele afirmou que “o Sínodo tem-nos ajudado a redescobrir a beleza da Igreja na variedade dos seus rostos. Assim, a unidade não é uniformidade, nem é o resultado de compromissos ou equilíbrios. A unidade cristã é harmonia na diversidade dos carismas suscitados pelo Espírito para a edificação de todos os cristãos”. Para o Papa, “a harmonia é o caminho do Espírito, porque Ele mesmo, como diz São Basílio, é harmonia”. Para isso, “precisamos de percorrer o caminho da unidade. Durante este percurso, não deixemos que as dificuldades nos detenham! Confiemos no Espírito Santo, que impele à unidade numa harmonia de policroma diversidade”, enfatizou. O Papa disse que “tal como a sinodalidade, a unidade dos cristãos é necessária para o seu testemunho: a unidade é para a missão”. Recordando a convicção da unidade dos Padres Conciliares, ele lembrou que “o movimento ecuménico nasceu do desejo de testemunhar juntos, na companhia dos outros, não afastados uns dos outros ou, pior ainda, uns contra os outros”. Do local da celebração, o Papa observou que “os Protomártires recordam-nos que hoje, em muitas partes do mundo, cristãos de diferentes tradições dão juntos a vida por causa da fé em Jesus Cristo, vivendo o ecumenismo do sangue. O seu testemunho é mais forte do que qualquer palavra, porque a unidade vem da Cruz do Senhor”. Vergonha diante do escândalo da divisão dos cristãos Como na celebra ção penitencial antes da Assembleia, o Papa expressou “nossa vergonha pelo escândalo da divisão dos cristãos, pelo escândalo de não testemunharmos juntos o Senhor Jesus”. Diante dessa realidade, ele disse que “este Sínodo é uma oportunidade para melhorar, para ultrapassar os muros que ainda persistem entre nós”, pedindo para se concentrar “no chão comum do nosso mesmo Batismo, que nos impele a ser discípulos missionários de Cristo, com uma missão comum. O mundo precisa de um testemunho comum, o mundo precisa que sejamos fiéis à nossa missão comum”. Finalmente, lembrando que “diante do Crucifixo, São Francisco de Assis recebeu o apelo para restaurar a Igreja”, ele pediu “que em cada dia, também nós sejamos guiados pela Cruz de Cristo no caminho para a plena unidade, em harmonia uns com os outros e com toda a criação, ‘porque foi nele que aprouve a Deus fazer habitar toda a…
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Assembleia Sinodal: Uma reflexão séria que se baseia na escuta conjunta

A Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está sendo realizada na Aula Paulo VI, no Vaticano, de 2 a 27 de outubro de 2024, entrou em um novo módulo, o dos percursos, dando continuidade ao que foi visto nos relatórios. A Sala Stampa do Vaticano realizou uma nova coletiva de imprensa para dar detalhes do que foi realizado. Trabalho na Assembleia Sinodal Como de costume, a secretária da Comissão de Comunicação, Sheila Pires, relatou o que aconteceu na Aula Sinodal, no seu caso o que se vivenciou no início dos trabalhos sobre os percursos, destacando alguns elementos presentes na apresentação do Módulo pelo Relator Geral, Cardeal Hollerich, e na meditação prévia do Padre Radcliffe. Por sua vez, o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, destacou que nesta manhã de sexta-feira o trabalho foi em círculos menores, lembrando a Vigília Ecumênica que acontecerá na Praça dos Protomártires Romanos esta noite, com orações locais em 80 lugares do mundo, e na qual o Papa Francisco estará presente, juntamente com delegados fraternos e representantes de várias igrejas, bem como todos os participantes da Assembleia. Tobin, um cardeal com 7 sínodos Os convidados de 11 de outubro foram o Arcebispo de Newark (EUA), Cardeal Joseph Tobin, o Bispo de Sandhurst (Austrália), Dom Shane Anthony Mackinlay, e a professora italiana Giuseppina De Simone. O Cardeal Tobin já participou de sete Sínodos, sendo o primeiro o Sínodo Especial para a Oceania, pouco depois de ser eleito Superior Geral dos Redentoristas. O Arcebispo de Newark apontou algumas diferenças ao longo de 26 anos de participação em sínodos. Em primeiro lugar, ele destacou a escuta, antes restrita a pequenos grupos selecionados, e agora aberta a todos, o que vale a pena. Com base na experiência de sua igreja local, com missas em 23 idiomas diferentes, ele enfatizou a importância de escutar com ouvidos diferentes. Além disso, ele considera fundamental que nesta Assembleia Sinodal seja dada muita atenção ao silêncio, à contemplação, porque em um mundo onde as palavras dominam, o silêncio é fundamental. Finalmente, o Cardeal destacou a maior participação dos teólogos nesta Segunda Sessão. Semeando uma palavra de esperança Um Sínodo com um método muito significativo e revolucionário, um método que é um grande sinal de esperança, que fala de uma Igreja que age em prol do mundo, segundo Giuseppina De Simone. Para a professora italiana, a Igreja quer semear uma palavra de esperança para o mundo. Segundo ela, o que emerge da assembleia é uma reflexão séria que se constrói em comum através da escuta, enfatizando, como fez o Cardeal Tobin, a importância do silêncio para não buscar imediatamente uma resposta simples e superficial, o que ajuda a responder às tensões que algumas questões levantam, o que deve nos levar a não ter medo das perguntas que nascem de uma humanidade ferida e a ser sinais de esperança diante de tanto sofrimento. Lembrando que o Concílio Vaticano II nos ensina a olhar o mundo e a história com esperança, a deixar de lado as visões apocalípticas, a professora enfatizou a imagem das mesas sinodais como maravilhosa, uma vez que todos estão sentados ao redor delas, todo o povo de Deus, a humanidade, mostrando uma imagem que nasce da união, círculos menores em que não prevalece a opinião de ninguém, com a presença de teólogos nas mesas, que ajudam a reflexão teológica a entrar em diálogo, em uma reflexão que nasce da escuta. Trata-se de conhecimento técnico, mas sem perder a relação com a vida, de estar juntos a partir de diferentes papéis e origens, mas unidos pela escuta para alcançar um pensamento comum, relações que devem estar presentes na vida cotidiana, de acordo com De Simone. Aula Sinodal, um espaço de muita energia Para o bispo de Sandhurst, o caminho sinodal na Austrália tem muitos pontos em comum com o que está acontecendo na Assembleia Sinodal. O bispo disse que, na preparação, foram construídas estruturas úteis, que foram projetadas com base no exercício da autoridade, algo que é solidificado pela participação de todos os tipos de pessoas nos processos sinodais. Para o Bispo Mackinlay, a Aula Paulo VI é “um espaço que me dá muita energia”, destacando o papel proeminente da conversa no Espírito, abordando uma ampla variedade de temas comuns. De acordo com o bispo, a Assembleia Sinodal toma decisões importantes, abordando questões de diversas perspectivas culturais. A Segunda Sessão da Assembleia Sinodal fez progressos, pois há uma maior familiaridade com as pessoas, os processos e os objetivos. Isso se deve ao fato de que “muito trabalho foi feito nos últimos 12 meses”, disse Dom Mackinlay. Um Sínodo para alcançar uma participação mais sinodal na missão, com maior corresponsabilidade, com processos de discernimento comunitário e conversação espiritual mais eficazes, nos quais há apoio mútuo e maior corresponsabilidade durante o discernimento nos círculos menores. A partir daí, ele destacou que “estamos tentando tomar decisões, estamos explorando diferentes caminhos”, para os quais o Módulo sobre os percursos que estão sendo trabalhados nestes dias é de grande importância. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Em uma Igreja sinodal, o modo é superior ao conteúdo

Um Sínodo sem novidades, monótono, sem temas concretos, que nada vai mudar… Essas e outras mensagens semelhantes chegaram nos últimos dias, sinal de que a grande maioria não entende que, da mesma forma que para Francisco o tempo é superior ao espaço, poderíamos dizer que o modo é superior ao conteúdo. Testemunhas em vez de mestres A história nos mostra que os essencialismos deixaram os modos de lado. Nessa perspectiva, pode-se dizer que o Concílio Vaticano II foi uma tentativa de recuperar a importância do modo. Paulo VI, um dos papas do Concílio, diz que “o homem contemporâneo ouve mais as testemunhas do que os mestres ou, se ouve os mestres, o faz porque eles são testemunhas”. O modo como algo superior ao conteúdo, uma dinâmica que foi posteriormente relegada. No atual pontificado, podemos dizer que Francisco deu um novo impulso à dinâmica conciliar. Ele o faz na Praedicate Evangelium, onde, no primeiro parágrafo, explicita “a missão que o Senhor Jesus confiou aos seus discípulos”, que não é outrasenão “anunciar o Evangelho do Filho de Deus, Cristo Senhor, e, através do mesmo, suscitar a obediência da fé em todos os povos”. Para isso, Francisco fala do caminho, não do conteúdo, e afirma: “a Igreja cumpre o seu mandato, sobretudo quando testemunha, por palavras e por obras, a misericórdia que ela própria gratuitamente recebeu”. Gestos e ações para se envolver na vida cotidiana O fundamental é o exemplo, colocando no texto o que Jesus fez, “lavou os pés aos seus discípulos e disse que seríamos felizes se assim fizéssemos também nós”. E, caso não tenha ficado claro, ele continua: “deste modo, ‘com obras e palavras, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo’”, explicando que, para anunciar o Evangelho, o Senhor “instou-nos a cuidar dos irmãos e irmãs mais frágeis, doentes e atribulados”. É assim que Francisco está orientando a Igreja a responder hoje aos sinais dos tempos, com modos, com testemunho, sem doutrinação. Na meditação antes do início dos trabalhos sobre o Módulo do Instrumentum Laboris que fala dos itinerários, Padre Radcliffe adverte sobre isso: “muitas pessoas querem que este Sínodo dê um Sim ou um Não imediato sobre várias questões, mas não é assim que a Igreja avança no profundo mistério do Amor Divino! Não devemos nos esquivar de perguntas difíceis”. A Igreja deve adotar modos Um Sínodo, uma Igreja, que explica detalhadamente o que deve ser feito em cada momento, é uma Igreja do Levítico e não do Evangelho. É por isso que ainda existem aqueles que defendem a Igreja do conteúdo, da doutrina, a Igreja piramidal em que alguns dizem o que deve ser feito e outros obedecem sem reclamar. Com o Sínodo, Francisco quer nos levar a entender que a Igreja deve adotar modos e, quando isso for feito, o conteúdo virá em seguida. A escuta, o diálogo, a conversa no Espírito, o discernimento comunitário são formas que ajudam a avançar o processo, um termo decisivo no Magistério do atual pontífice. Mas quando se trata de sinodalidade, parafraseando Georg Bätzing, bispo de Limburg e presidente da Conferência Episcopal alemã, “é preciso muita paciência para aprendê-la”, vendo-a como “exaustiva, às vezes árdua”, mas certamente o caminho para “apreciar a diversidade na Igreja e promover a unidade”. Para isso, Bätzing também aponta o caminho: “escutar uns aos outros e levar os outros a sério”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Itinerários: “Pensar nos processos pelos quais a Igreja muda os caminhos que devemos seguir”

A Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que se realiza em Roma de 2 a 27 de outubro de 2024, está dando mais um passo. Acaba de iniciar a reflexão sobre o módulo dos itinerários, com a presença de Papa Francisco, querendo assim “pensar nos processos pelos quais a Igreja muda os caminhos que devemos seguir”, como indicou o padre Timothy Radcliffe na meditação anterior ao início da apresentação, posteriormente realizada pelo Relator Geral, Cardeal Hollerich. Jesus e a mulher cananeia Para a meditação, ele usou o encontro de Jesus com a mulher cananeia, onde “à primeira vista parece que Jesus está sendo rude, chamando-a de cachorra”. Um texto que é a missão para judeus e gentios, “um momento de profunda transição”. Para o recém-nomeado cardeal, “esse silêncio não é uma rejeição”, porque “nesse silêncio, Nosso Senhor ouve a mulher e ouve seu Pai. A Igreja entra mais profundamente no mistério do Amor Divino ao se deter em questões profundas para as quais não temos respostas rápidas”, lembrando o que aconteceu no Concílio de Jerusalém. A partir daí, ele afirmou que “nossa tarefa no Sínodo é viver com perguntas difíceis e não, como os discípulos, livrar-se delas”, declarando que “devemos responder a todos os gritos de mães e pais em todo o mundo por jovens filhas e filhos presos na guerra e na pobreza. Não devemos fechar nossos ouvidos como os discípulos fizeram naquela época”. Referindo-se às discussões no salão do sínodo, ele disse: “Como homens e mulheres, feitos à imagem e semelhança de Deus, podem ser iguais e, ao mesmo tempo, diferentes? E como a Igreja pode ser a comunidade dos batizados, todos iguais, e ainda assim o Corpo de Cristo com diferentes papéis e hierarquias? Essas são perguntas profundas”. O Sínodo não dá um Sim e um Não imediatos O dominicano mostrou algumas passagens bíblicas que falam sobre cães, que para os judeus eram animais impuros, mas Jesus “transcende as limitações culturais de seu povo”. Para Radcliffe, “muitas pessoas querem que este Sínodo dê um Sim ou um Não imediato sobre várias questões, mas não é assim que a Igreja avança no profundo mistério do Amor Divino! Não devemos nos esquivar de perguntas difíceis como os discípulos que disseram: ‘Cale a boca!’ Nós nos debruçamos sobre essas perguntas no silêncio da oração e da escuta mútua. Ouvimos, como alguém disse, não para responder, mas para aprender. Expandimos nossa imaginação para novas maneiras de ser a casa de Deus, na qual há espaço para todos”. A partir daí, ela concluiu dizendo que “apesar da recepção hostil dos discípulos, a mulher permanece. Ela não desiste nem vai embora. Por favor, fique, seja qual for a sua frustração com a Igreja, continue perguntando! Juntos descobriremos a vontade do Senhor”. Itinerários para manter relacionamentos Para o cardeal Hollerich, o terceiro Módulo adota “a perspectiva dos Itinerários que sustentam e alimentam concretamente o dinamismo dos relacionamentos”, mostrando que “estamos, portanto, em continuidade com o Módulo 2, com um passo mais concreto. A riqueza da rede de relacionamentos que compõem a Igreja, que contemplamos nestes dias, é ao mesmo tempo poderosa e frágil, é um grande dom que recebemos, mas precisa de cuidados. Sem cuidado, os relacionamentos rapidamente murcham e, acima de tudo, tornam-se tóxicos para as pessoas envolvidas, como nos mostram os numerosos casos de falhas relacionais em nossas sociedades e até mesmo em nossas comunidades”. Para o relator geral, “o cuidado é, portanto, o primeiro objetivo de nosso módulo: com quais ferramentas podemos apoiar e nutrir o tecido relacional de que as pessoas e as comunidades precisam, o que pode fortalecê-las e o que, por outro lado, amortece e extingue os relacionamentos?” Partindo do fato de que “os relacionamentos são justamente o objeto de nossa contemplação e oração, bem como de nossa reflexão e elaboração teológica e até mesmo canônica”, ele agradeceu pelo tesouro inesgotável que a Igreja oferece. De acordo com o cardeal, “os relacionamentos são algo que vivemos em práticas concretas, dia após dia. Essas práticas devem ser consistentes com o que dizemos, caso contrário, as pessoas ouvirão nossas palavras, mas não acreditarão em nossas práticas, e isso tornará nosso patrimônio sem sentido e o corroerá lentamente”. As ações falam mais alto do que as palavras Nesse sentido, “as ações falam mais alto do que as palavras”. Isso o levou a perguntar: “Que articulação dos processos de tomada de decisão na Igreja é coerente com o que dizemos sobre as relações entre vocações, carismas e ministérios, sobre sua reciprocidade e complementaridade? E com o que dizemos sobre a dignidade de cada pessoa batizada?”, destacando o cuidado e a coerência como chave, para abordar os itinerários, uma seção dividida em quatro parágrafos. O primeiro trata da formação; o segundo, da profundidade espiritual; o terceiro, da necessidade de a Igreja desenvolver modos participativos de tomada de decisões, na circularidade do diálogo entre todos os membros do Povo de Deus e no respeito às diferentes funções; e o quarto, da transparência e da avaliação periódica. Tudo isso para entender que “a reflexão e o diálogo sobre o cuidado com os relacionamentos e a coerência entre as palavras e as práticas nos dão uma valiosa oportunidade de agir”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Assembleia Sinodal: um lugar onde a fraternidade transborda

No dia em que a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está sendo realizada na Sala Paulo VI do Vaticano de 2 a 27 de outubro de 2024, encerrou o módulo sobre relações, alguns membros da Assembleia Sinodal, juntamente com os que normalmente estão presentes, a secretária da Comissão de Comunicação, Sheila Pires, a vice-diretora da Sala Stampa, Cristiane Murray, e o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, compartilharam o que haviam experimentado na assembleia nos últimos dias. Os presentes em 10 de outubro foram o prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, e, juntamente com o cardeal três delegados fraternos, o Metropolita da Pisídia, Sua Eminência Job, o Bispo Anglicano de Chichester, Dom Martin Warner, e a pastora menonita Anne-Cathy Graber. As relações com outras igrejas são um elemento importante, algo que o atual processo sinodal quer promover. Criatividade e transbordamento Entre os tópicos discutidos na Sala Sinodal nos círculos menores, Sheila Pires destacou a novidade dos fóruns realizados na tarde de quarta-feira, que o Cardeal Grech disse terem sido muito positivos. Ela também lembrou que o módulo sobre itinerários será iniciado. O trabalho realizado no módulo sobre relações foi apresentado à Secretaria do Sínodo, disse Ruffini, que destacou o estímulo à criatividade e ao transbordamento, palavra usada em Querida Amazônia pelo Papa Francisco. Nesse sentido, o prefeito do Dicastério para a Comunicação recordou o chamado do Papa a “transcender a dialética para reconhecer um dom maior que Deus nos ofereceu. A partir desse dom inesperado, uma criatividade renovada é despertada”, algo que se espera que leve a um transborde missionário. Vigília ecumênica nesta sexta-feira Uma vigília ecumênica estará sendo realizada na noite desta sexta-feira, o que pode ser visto como uma das razões para a presença dos delegados fraternos na coletiva de imprensa. Para o Cardeal Koch, um dos elementos mais importantes do atual Sínodo é a sua dimensão ecumênica, algo que está incluído no Instrumentum laboris, onde a sinodalidade aparece como um caminho para o ecumenismo. A Vigília Ecumênica é algo que já foi realizado antes do início da Primeira Sessão da Assembleia Sinodal, lembrou Koch. Este ano, ela coincide com o aniversário do início do Concílio Vaticano II e será realizada na Praça dos Protomártires Romanos, onde a tradição diz que o apóstolo Pedro foi martirizado. Para o prefeito, a oração em conjunto é muito importante para o avanço do movimento ecumênico, pois Jesus não ordena a unidade, mas reza por ela. Koch reconheceu a importância da presença maior e mais representativa de delegados fraternos na Segunda Sessão, agradecendo ao Santo Padre por aumentar seu número. O cardeal suíço destacou os elementos positivos existentes em todas as igrejas e a necessidade que umas têm das outras, considerando um sinal muito positivo o fato de tantas igrejas quererem se envolver na Assembleia Sinodal. O batismo como base do caminho sinodal Para Sua Eminência Job, o delegado fraterno ortodoxo, é muito bonito poder ver todo esse caminho sinodal, não como uma inovação da Igreja Católica, mas como uma implementação da eclesiologia do Concílio Vaticano II, que fez uma revolução copernicana. Partindo do Povo de Deus, uma eclesiologia baseada no batismo, o delegado ortodoxo considera isso como a base para o caminho sinodal, porque há outros batizados além da Igreja Católica, o que ajudou o diálogo entre as igrejas cristãs após o Vaticano II. O diálogo entre católicos e ortodoxos aborda a questão da autoridade, sinodalidade, primazia, ministérios na Igreja, algo que vem sendo discutido há anos em um diálogo que, além de ser um passo adiante no caminho da unidade, pode dar frutos na vida interior de cada Igreja. Ele também destacou que ficou impressionado com a convergência dos diálogos entre as diferentes confissões, que não buscam apenas um acordo, um compromisso, mas “estabelecer a base para nossa vida comum, que pode nos levar à unidade cristã”. Importância da relacionalidade Dom Warner falou das diferenças entre os sínodos anglicanos e o atual Sínodo, que “nos lembra da importância da relacionalidade”, dadas as relações profundas que estão ocorrendo, olhando uns para os outros como família, respeitando as diferenças, reconhecendo a importância da troca de presentes. Ele também lembrou que os sínodos anglicanos são deliberativos, lembrando que o Papa Francisco alertou sobre os riscos do modelo parlamentar. Nessa perspectiva, ele ressaltou a importância da conversa no Espírito para responder aos desafios e a importância da oração e do silêncio no processo sinodal, que “nos lembra que estamos sob a autoridade de Jesus Cristo”. Uma igreja comprometida com a paz A Igreja Menonita é uma igreja pouco conhecida, pertencente à tradição da reforma do século XVI, caracterizada por escolher o caminho da não violência, lembrou Anne-Cathy Graber. A pastora expressou sua alegria por ter sido convidada para o sínodo, especialmente porque a Igreja Católica não precisa da voz da Igreja Menonita, uma igreja pequena. Para ela, isso mostra que cada voz, cada cultura conta, que cada país tem a mesma importância. “A unidade cristã não é uma promessa para amanhã, é agora”, disse ela, para a qual é necessária uma recepção generosa. Junto com isso, ela insistiu que “somos delegados fraternos, não apenas observadores”, lembrando que somos feitos da mesma carne, do mesmo Corpo de Cristo, o que motiva toda voz e presença a serem bem-vindas. Ela lembrou que, como foi dito na Sala Sinodal, “estamos vivendo o transbordamento, estamos experimentando um transbordamento de fraternidade”, fazendo com que o sofrimento e a esperança das outras igrejas sejam nossos. A partir daí, é importante superar a desilusão ecumênica, não se contentar com a ideia que temos de outra igreja, porque não deve haver uma igreja que caminha acima das outras, mas todos nós devemos caminhar juntos. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Relações e reações em uma Igreja sinodal

A reflexão teológica, que nos diz que ninguém se salva sozinho, como a própria vida cotidiana, nos mostra a importância dos relacionamentos. O Instrumentum laboris da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que acontece de 2 a 27 de outubro de 2024 na Sala Paulo VI, tem as relações como um dos módulos em que o documento está dividido, orientando o trabalho dos participantes. Purificando as relações Está claro que os relacionamentos determinam a missão, pois é somente quando esses relacionamentos são purificados que podemos interagir e, assim, testemunhar, escutar, dialogar e discernir. Se os relacionamentos se deterioram, a corda se quebra em algum momento, acabando com o grande objetivo: realizar a missão que nos permite construir o Reino de Deus, que é algo que deve ser feito por todos e em conjunto. A falta de escuta, a autorreferencialidade, o clericalismo são alguns dos perigos que deterioram as relações. No domingo, 6 de outubro, o Papa Francisco, em meio à Assembleia Sinodal, anunciou a criação de 21 novos cardeais para 8 de dezembro. Nove deles estão na sala sinodal e é interessante estudar as reações que se percebe, que mostram que a sinodalidade está permeando os vários estratos da vida da Igreja, incluindo o teoricamente mais alto, o Colégio de Cardeais, embora em uma Igreja onde todos se sentam em mesas redondas, parece que essas considerações piramidais estão se perdendo. Esperemos que isso não seja algo passageiro. Relações em um nível fraterno Do lugar onde nós jornalistas nos encontramos, o “curralinho” na entrada da Sala Paulo VI, ou no andar superior da própria sala, nos momentos em que a entrada é liberada, ou seja, durante as orações e a apresentação dos vários módulos, vemos os participantes da assembleia passando e interagindo uns com os outros e, neste caso, vimos aqueles que o Papa decidiu acrescentar ao Colégio de Cardeais. Relacionar-se uns com os outros em nível fraterno, conhecendo e assumindo o ministério e o serviço que cada um assume, mas sem menosprezar ninguém, é um requisito importante para que a sinodalidade seja estabelecida como uma forma de ser Igreja no século XXI. Ser um cardeal deve ser entendido como um serviço, um serviço importante, mas um serviço. À medida que a responsabilidade cresce na Igreja, a disponibilidade para escutar, com relações evangélicas e fraternas, deve aumentar na mesma medida. Servir para ser o maior A ninguém é negada a última palavra na tomada de decisões, quando é preciso tê-la, mas é importante o caminho que se percorre para chegar a esse ponto, os relacionamentos que se estabelecem com os outros para poder discernir o que nos é pedido, o que Deus espera de nós no caso da Igreja. Isso não é novidade, o Evangelho, que deve ser nossa fonte de inspiração, nos diz: “quem quiser tornar-se grande entre vocês será seu servo, e quem quiser ser o primeiro entre vocês será seu escravo”. É possível perceber essas atitudes em muitos dos cardeais nomeados pelo Papa Francisco, pessoas que não se acham, que não mudam o passo, seu modo de olhar e se relacionar com os outros. Um deles disse que na primeira noite a surpresa não o deixou dormir, mas a vida continua, de uma maneira diferente, e como ele sempre fez, sem dizer não a nada que a Igreja lhe pede. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1