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Relações na Igreja Sinodal: “Um lugar onde todos são bem-vindos. Um lugar de cuidado gratuito”

Um novo módulo, o de relações, foi aberto na Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade. No dia em que, conforme solicitado pelo Papa Francisco, acontece o Dia de Jejum e Oração pela Paz, no primeiro aniversário do bombardeio que provocou a guerra. Menos de 24 horas após a convocação de um consistório do qual participarão alguns dos participantes da Assembleia Sinodal. Cardeais na Assembleia Sinodal São 8 membros da Assembleia Sinodal: Dom Luis Gerardo Cabrera, Arcebispo de Guayaquil (Equador), um dos presidentes delegados; Dom Tarcisio Isao Kikuchi, Arcebispo de Tóquio (Japão); Dom Pablo Virgilio Siongco David, Bispo de Kalookan (Filipinas); Dom Ladislav Nemet, Arcebispo de Belgrado-Smederevo (Sérvia); Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (Brasil); Dom Ignace Bessi Dogbo, Arcebispo de Abidjan (Costa d’Avorio); Dom Ladislav Nemet, Arcebispo de Belgrado-Smederevo (Sérvia); Dom Dominique Joseph Mathieu, Arcebispo de Teerã-Ispahan (Irã), Dom Roberto Repole, Arcebispo de Turim (Itália). A eles se juntam um dos acompanhantes espirituais da assembleia e o coordenador do Grupo de Estudos 9, que fazem parte do Sínodo, o arcebispo Carlos Gustavo Castillo Mattasoglio, de Lima (Peru). Dez dos 21 novos cardeais são, de uma forma ou de outra, membros do Sínodo, um fato a ser levado em consideração. Novos cardeais, que continuam o seu trabalho da mesma forma, que se aproximam de todo mundo e são cumprimentados sem cerimónia, que foram abraçados e felicitados pelos participantes da assembleia e entre si, e que receberam felicitações públicas do secretário da Secretaria do Sínodo, Cardeal Mario Grech, que foram respondidas pelos aplausos dos presentes na Aula Paulo VI. Como um gesto concreto, os participantes foram convidados pelo Esmoleiro Pontifício, Cardeal Konrad Krajewski, a praticar a caridade com a paróquia de Gaza. Para esse fim, o próprio cardeal polonês coletará doações no início da sessão da tarde no Dia de Jejum e Oração. As esmolas serão enviadas imediatamente para a paróquia de Gaza, a quem o Papa telefona todos os dias para perguntar como estão indo e para encorajá-los, enfatizou o esmoleiro papal. Relacionamentos: com o Senhor, entre irmãos e irmãs e entre as igrejas No dia 7 de outubro, a Assembleia sinodal iniciou o módulo sobre as Relações. Trata-se de “relações com o Senhor, entre irmãos e irmãs e entre Igrejas”, que “sustentam a vitalidade da Igreja muito mais radicalmente do que suas estruturas“, como lembrou Maria Inazia Angelini em sua meditação, citando o Instrumetum laboris. A monja beneditina concentrou sua reflexão na parábola do Bom Samaritano e nos relacionamentos que aparecem no texto, onde “encontramos implicitamente desenhado, em símbolo, um mapa do caminho sinodal. Que tem sua rede de apoio nos relacionamentos. Relacionamentos nos quais, antes mesmo de fazer, é preciso ver”. Isso porque é “o ver que está na base da espiritualidade sinodal: onde há amor, abre-se uma nova visão”, sublinhou Angelini. De acordo com a monja beneditina, “o mistério do Mandamento só pode ser entendido através do evento do relacionamento“, sublinhando que o caminho sinodal, iniciado de diferentes maneiras, “é único”, mas, ao mesmo tempo, “para aqueles que o percorrem – o Evangelho nos revela – ele abre diferentes visões: ver e passar, distanciar-se do outro lado”. Isso em um mundo de guerras, que “deixa o ser humano igual à terra: meio morto”. Diante dessa realidade, a missão da Igreja “deve descobrir como abrir seu olhar para a alegria de ver com olhos de compaixão”. Relacionamentos que falam de Deus, não de si mesmo São relacionamentos “que falam de Deus, não de si mesmo“, afirmou, analisando as formas de relacionamento dos personagens da parábola do Bom Samaritano, onde “a história do gênero humano é contada”, onde o samaritano cria uma rede de relacionamentos, tece uma cultura de gratuidade. Algo que deveria tornar a Igreja “um lugar onde todos são bem-vindos. Um lugar de cuidado gratuito. Dessa forma, somos verdadeiramente provocados a ser uma igreja sinodal”. Isso em um mundo, e em uma Igreja, em que “o outro necessitado se torna invisível para aqueles que estão presos em suas próprias agendas, urgências, autorreferências“, em que “a indiferença é o mal de uma sociedade complexa, global, mas anônima”, destacou a monja. A paz como um horizonte de reflexão Os trabalhos propriamente ditos foram abertos pela Presidente Delegada desta Congregação Geral, a japonesa Momoko Nishimura, que depois de cumprimentar em espanhol, ela foi missionária na Argentina, passou a palavra ao Relator Geral, Cardeal Hollerich, que apresentou o módulo II, dedicado às Relações, que depois de cumprimentar, lembrou a oração do Rosário deste domingo em Santa Maria Maior, e o jejum e a oração desta segunda-feira, unindo-se aos bons votos para os novos membros do Colégio Cardinalício, em particular os presentes na assembleia. Na perspectiva da paz, ele pediu “que o anseio pela paz seja o horizonte de nossa reflexão e de nossos intercâmbios e que o Senhor nos mostre o caminho para nos tornarmos pacificadores, a serviço de toda a humanidade”. O cardeal explicou a natureza diferente desse módulo e dos seguintes, em relação aos fundamentos. São três módulos, relações, itinerários e lugares, intimamente interligados, que “iluminam, a partir de diferentes perspectivas, a vida sinodal missionária da Igreja”, como afirma o Instrumentum laboris. Descrever maneiras de incorporar os Fundamentos Trata-se de, com base no trabalho da Primeira Sessão da Assembleia Sinodal e refletido no Relatório de Síntese, “delinear formas de encarnar os Fundamentos na vida cotidiana e nas práticas das comunidades cristãs, tornando-os concretos e, portanto, capazes de serem experimentados pelo Povo de Deus”. Relações com o Senhor, entre irmãos e irmãs e entre as Igrejas, “que sustentam a vitalidade da Igreja muito mais radicalmente do que suas estruturas”. De acordo com Hollerich, “essa rede de relações, que oferece aos indivíduos e às comunidades pontos de referência e orientação, é multifacetada e atravessa uma multiplicidade de níveis”. Essa parte está organizada em quatro seções, cada uma das quais se concentra em um aspecto específico: relações trinitárias, expressas no itinerário da iniciação cristã; relações entre aqueles que receberam o dom do Batismo, membros do Povo de Deus…
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Francisco pede a ajuda de Maria pela paz: “Convertei os que alimentam o ódio”

A paz é uma das grandes preocupações de Francisco, especialmente neste momento em que, como ele já repetiu várias vezes, o mundo está vivendo uma Terceira Guerra Mundial em pedaços. Isso o levou, às vésperas do Dia de Oração e Jejum, que acontece em 7 de outubro, a convocar a reza do Rosário na Basílica de Santa Maria Maggiore, aos pés do Salus Populi Romani, para onde ele sempre vai para encomendar e agradecer por suas viagens apostólicas. Presença dos participantes da Assembleia Sinodal Uma celebração com a presença dos participantes da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está sendo realizada na Sala Paulo VI de 2 a 27 de outubro, entre eles alguns dos futuros cardeais, cujos nomes foram anunciados no Angelus de domingo, 6 de outubro. É uma assembleia que pede constantemente pela paz no mundo e da qual participam pessoas que sofrem as consequências das várias guerras que fazem parte do atual panorama mundial. Francisco invocou “Maria, nossa Mãe”, dizendo: “eis-nos aqui de novo na vossa presença. Vós conheceis as dores e os cansaços que nesta hora pesam sobre os nossos corações”, especialmente o dele, para quem a paz no mundo é algo constantemente presente em seu coração, em sua oração e em seus discursos. Ele disse a Maria: “Para Vós, erguemos os nossos olhos; sob o vosso olhar encontramos refúgio; e ao vosso coração nos confiamos”, lembrando as “provações difíceis e receios humanos” pelos quais Maria passou. Diante disso, Francisco lembrou que ela foi “corajosa e audaz: tudo confiastes a Deus, respondendo-Lhe com amor e oferecendo-Vos a Vós mesma sem reservas”. Mulher destemida da caridade O Papa elogiou Maria como uma “intrépida Mulher da Caridade”, observando que ela foi “apressastes-Vos a socorrer Isabel; com prontidão, acolhestes a necessidade dos esposos nas bodas de Caná; e com fortaleza de espírito, iluminastes no Calvário a noite da dor com a esperança pascal. Por fim, com ternura de Mãe, infundistes coragem aos discípulos atemorizados no Cenáculo e, com eles, acolhestes o dom do Espírito”. A ela ele orou: “acolhei o nosso grito! Precisamos do vosso olhar de amor que nos convida a confiar no vosso Filho Jesus. Vós que estais disposta a acolher as nossas mágoas, vinde socorrer-nos nestes tempos subjugados pela injustiça e devastados pelas guerras, enxugai as lágrimas dos rostos sofredores de quem chora a morte dos seus entes queridos, despertai-nos do torpor que obscureceu o nosso caminho e tirai do nosso coração as armas da violência, para que se realize sem demora a profecia de Isaías: «transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra» (Is 2, 4).   Converter corações Ele também pediu a Maria que voltasse seu “Voltai o vosso olhar maternal para a família humana, que perdeu a alegria da paz e o sentido da fraternidade. Intercedei pelo nosso mundo em perigo, para que preserve a vida e rejeite a guerra, cuide dos que sofrem, dos pobres, dos indefesos, dos doentes e dos aflitos, e proteja a nossa Casa Comum”. Por fim, ele disse: “Ó Rainha da Paz, de Vós imploramos a misericórdia de Deus. Convertei os que alimentam o ódio, silenciai o ruído das armas que geram a morte, extingui a violência que grassa no coração humano e inspirai projetos de paz nas mãos de quem governa as Nações”. À Rainha do Santo Rosário, Francisco disse: “desatai os nós do egoísmo e dissipai as nuvens sombrias do mal. Enchei-nos com a vossa ternura, levantai-nos com a vossa mão carinhosa e dai a estes filhos, a vossa carícia de Mãe, que nos faz esperar o advento de uma nova humanidade onde ‘o deserto se converterá em pomar, e o pomar será como uma floresta. Na terra, agora deserta, habitará o direito, e a justiça no pomar. A paz será obra da justiça’ (Is 32, 15-17)”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Mounir Khairallah, o bispo maronita que foi ensinado por sua tia monja a perdoar os assassinos de seus pais

A paz é uma das grandes preocupações do Papa Francisco, daí a convocação de um Dia de Oração e Jejum pela Paz na segunda-feira, 7 de outubro, e a recitação do Rosário no domingo, 6 de outubro. Uma paz que só é possível por meio do perdão, algo que nem sempre é fácil de aceitar. Daí a importância do testemunho dado na Sala Stampa do Vaticano pelo bispo maronita Mounir Khairallah. Um país que teve uma guerra imposta O bispo libanês, um dos membros da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, começou contando a situação em seu país, que está em guerra desde 1975, uma guerra que começou com a desculpa de ser uma guerra religiosa entre muçulmanos e cristãos. Dom Mounir Khairallah não hesitou em afirmar que “50 anos depois, eles não conseguiram fazer com que as pessoas entendessem que não se trata de uma guerra religiosa, mas de uma guerra imposta ao Líbano”. Ele lembrou as palavras do Papa João Paulo II, que definiu o Líbano como um país que é uma mensagem de coexistência, liberdade, democracia e vida, caracterizado pelo respeito à diversidade, algo que o Papa Francisco também afirmou. De acordo com o bispo, “o Líbano é uma mensagem de paz e deve continuar a ser uma mensagem de paz”. Isso porque é “o único país do Oriente Médio onde cristãos, muçulmanos e judeus podem continuar a viver juntos, no respeito à sua diversidade em uma nação que é uma nação modelo”, como disse Bento XVI. Diante dessa situação de guerra prolongada, o bispo reconheceu sua dificuldade em falar do sínodo e do perdão, o perdão que o Papa Francisco escolheu como o sinal desta Segunda Sessão, lembrou. Falar de perdão e reconciliação, “enquanto meu país, meu povo sofre as consequências de guerras, conflitos, violência, vingança, ódio”. Condenamos o ódio, a vingança e a violência. “Nós, libaneses, queremos sempre condenar o ódio, a vingança e a violência. Queremos construir a paz e somos capazes de fazê-lo”, disse ele, afirmando que ‘para mim, essa é uma ótima mensagem para falar sobre o perdão’. Na ocasião, ele enfatizou que “o povo do Líbano rejeita a linguagem do ódio e da vingança”. O perdão é algo que o Bispo Mounir Khairallah foi chamado a experimentar quando criança. Como ele contou, produzindo um silêncio estrondoso de todos os ouvintes, “quando eu tinha cinco anos de idade, alguém foi à minha casa e assassinou selvagemente meus pais”. Os quatro irmãos, o mais novo com dois anos de idade, foram levados por sua tia monja maronita para seu mosteiro, onde, na igreja, “ela nos convidou a ajoelhar e orar ao Deus misericordioso, o Deus do amor”. Ela nos disse, continuou o bispo, “não rezem por seus pais, seus pais são mártires diante de Deus. Orem pela pessoa que os matou e tentem perdoar durante toda a vida, para que sejam filhos de seu pai, que está no céu”, lembrando as palavras de Jesus: “Se vocês amam aqueles que os amam, qual é o mérito de fazer isso? Amem aqueles que os perseguem”. “Quatro crianças que carregamos isso em nossos corações”, disse o bispo maronita, acrescentando que ‘o Senhor nunca nos abandonou e nos permitiu viver esse perdão’. Renovando sua promessa de perdão O bispo Mounir Khairallah foi ordenado sacerdote no aniversário do assassinato de seus pais, na véspera da festa da Exaltação da Santa Cruz, uma grande festa para as igrejas orientais. Citando a frase do Evangelho: “o grão, a menos que morra na terra, não pode dar frutos”, ele destacou que “o fruto desse grão é a vontade de Deus que nossos pais aceitaram e pela qual vivemos”, enfatizando que “renovo minha promessa de perdão a todos aqueles que nos prejudicam”. Poucos meses depois de sua ordenação, em 77-78, ele deu um retiro para alguns jovens, aos quais falou sobre o sacramento da reconciliação e do perdão, percebendo que “os jovens não me entendiam, estavam armados e queriam fazer guerra contra nossos inimigos”. Depois de quatro horas, ele percebeu que eles não aceitaram a mensagem, então lhes contou o que havia vivido e sua experiência de perdão e reconciliação. “Depois de um tempo de silêncio, um jovem se levantou e me disse: “Padre, suponho que o senhor tenha perdoado, mas imagine agora, padre, se o senhor estiver no confessionário e essa pessoa estiver ao seu lado, se confessar e pedir perdão, o que o senhor faz?” Naquele momento, reconhecendo que não era fácil responder, ele entendeu o que significava perdoar. Eu daria a absolvição ao assassino de meus pais. “É verdade, eu perdoei, mas agora sei que perdoei de longe, porque nunca o vi. Agora você me ajuda a vê-lo ao meu lado, e eu também sou um homem, tenho meus sentimentos. Mas, finalmente, sim, eu lhe daria a minha absolvição, o meu perdão”, disse aos jovens, fazendo-os ver que ‘o perdão é difícil, mas não é impossível’, que, apesar de compreendê-los, “é possível viver o perdão se quisermos ser discípulos de Cristo na terra de Cristo”. Isso porque, na Cruz, Jesus perdoou, ao que ele questionou: “Será que somos capazes de perdoar?” Para o bispo maronita, “todos aqueles que fazem guerra contra nós, que consideramos inimigos, israelenses, palestinos, de todas as nacionalidades, não são inimigos, porque aqueles que fomentam a guerra não têm identidade, nem confissão, nem religião”. Nesse sentido, ele afirmou que “as pessoas querem paz, querem viver em paz na terra da paz, a terra de Jesus Cristo, rei da paz”. Portanto, “também hoje, apesar de tudo o que está acontecendo depois de 50 anos de guerra cega e selvagem, apesar de tudo, nós, como povos de todas as culturas, de todas as confissões, nós, como povos, queremos a paz, somos capazes de construir a paz”. Vamos construir a paz O bispo Mounir Khairallah pediu para deixar de lado os políticos, que fazem e seguem seus interesses, “mas nós, como povos, não queremos tudo isso, rejeitamos tudo isso, um dia teremos a oportunidade…
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Segunda Sessão da Assembleia Sinodal: “Sinodalidade significa que todos se sentem em casa”

A Assembleia Sinodal continua recheada de temas a serem tratados, algo que se torna conhecido todos os dias nas coletivas de imprensa, nas quais alguns dos membros da assembleia vêm à Sala Stampa do Vaticano para compartilhar suas impressões sobre o que estão vivenciando no salão sinodal. Além dos habituais Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação, e Sheila Pires, Secretária da Comissão para a Comunicação, o dia também contou com a presença do Bispo de Kalookan (Filipinas), dom Pablo Virgílio David, Dom Launay Saturné, arcebispo de Cap Haïtien (Haiti), Dom Mounir Khairallah, bispo de Batrun dos Maronitas (Líbano), e a teóloga Catherine Clifford, professora da St. Paul University em Ottawa (Canadá). Todos eles coordenados por Cristiane Murray, vice-diretora da Sala Stampa. Elementos abordados na sala de aula sinodal Como de costume, foram revelados os elementos fundamentais presentes na manhã e na tarde anterior, um trabalho realizado por Pires e Ruffini. O prefeito do dicastério para a comunicação destacou como importante a intervenção do cardeal Grech, secretário do Sínodo, que anunciou a necessidade de a Assembleia entrar em diálogo com os 10 grupos de estudo criados pelo Papa, o que foi aprovado com 265 votos a favor e 74 contra. O trabalho nas últimas horas foi realizado em círculos menores, que elaboram relatórios a serem entregues à Secretaria do Sínodo, onde são coletados os pontos a favor e o que precisa ser aprofundado, para os quais deve ser sugerido o que e como fazer isso. Ele também se referiu à oração do Rosário neste domingo em Santa Maria Maggiore, onde o Papa invocará a Paz, e ao Dia de Oração e Jejum na segunda-feira, dia 7. Tópicos mais relevantes Quanto aos temas, Sheila Pires lembrou o desejo de alguns membros de que o Sínodo fizesse um apelo à paz, com passos concretos para acabar com a guerra e pôr fim às migrações forçadas, ser artesãos da paz e condenar os fundamentalismos, denunciando o tráfico de armas, causa do sofrimento mundial, porque às vezes “além de rezar, é preciso denunciar”, sublinhou. Na assembleia, surgiu o tema dos pobres, que são os sujeitos e não os destinatários da sinodalidade, uma vez que o caminho para a salvação é frequentemente mostrado pelos últimos. O clamor da terra e dos povos também foi ouvido, assim como o fato de a caridade aparecer apenas duas vezes no Instrumentum laboris, o que não é bom, pois “a caridade e a misericórdia estão no centro da vida de todos os cristãos”. Pires lembrou que “sinodalidade significa que todos se sintam em casa, evitando formas de discriminação, ouvindo aqueles que não são ouvidos”. Sobre o papel das mulheres, tema que voltou a ser abordado, foi enfatizado que não deve acontecer que “as mulheres que querem servir a Igreja, que tanto ajudam a Igreja e a sociedade, que são comprometidas, estejam em posições marginais”, sendo dito da necessidade de acolher a todos, “inclusive as mulheres que querem ser ordenadas sacerdotes” e outros grupos marginalizados. Também foi discutido o tema dos jovens, sujeitos e não objetos de evangelização, atraídos pelo radicalismo evangélico, que deve levar a colocar Jesus novamente no centro. O tema do ecumenismo foi abordado, e foi afirmado que “a sinodalidade é uma forma de lutar contra o clericalismo“, destacando a necessidade de alcançar as igrejas locais e de realizar sínodos diocesanos. Importância da reunião de párocos Entre a primeira e a segunda sessão da Assembleia, foi realizada uma consulta global com os párocos, uma solicitação do Papa, como lembrou Dom Pablo Virgílio David. Depois de participar da reunião de párocos em Roma, em maio, foi organizada uma consulta continental com os párocos, a quem o Papa pediu que fossem apóstolos da sinodalidade, e o progresso da sinodalidade em cada conferência. Sobre a migração dos filipinos, primeiro das áreas rurais para as cidades locais, especialmente Manila, e depois para fora das Filipinas, ele disse que isso é visto como um desafio, já que os migrantes, mesmo dentro do país, são vistos como uma ameaça, o que levou a Igreja filipina a fazer missão entre eles e, assim, estar no meio dos mais pobres, nas periferias, um termo que não era bem conhecido nas Filipinas, mas que o processo sinodal tem ajudado a compreender. Preparando a Assembleia Sinodal em meio a dificuldades A preparação para a Primeira Sessão foi muito difícil no Haiti, segundo Dom Launay Saturné, dada a grave situação social de insegurança, com falta de respeito à dignidade da pessoa, o que leva a constantes massacres, diante dos quais as autoridades nada fazem, denunciou o bispo. Isso faz com que as pessoas fujam, o que dificulta a missão da Igreja, dada a violência dos grupos armados, que inclusive impede o acesso à educação. Apesar de tudo, a Igreja fez todo o possível para se preparar para a Assembleia Sinodal, buscando, por meio da formação e da catequese, transmitir os valores que tornam possível a democracia, e pedindo, como Conferência Episcopal, que as autoridades realizem a transição, algo que está parado há muitos anos. A Igreja pede à população que colabore para alcançar a paz e a segurança, destacando o apoio constante do Papa e agradecendo sua proximidade. Um país que rejeita a linguagem do ódio e da vingança O Líbano está em guerra desde 1975 e, 50 anos depois, não se quer reconhecer que se trata de uma guerra imposta. Um país que, nas palavras do bispo maronita Mounir Khairallah, é “uma mensagem de paz e deve continuar sendo uma mensagem de paz, no único país do Oriente Médio onde há coexistência pacífica entre cristãos, judeus e muçulmanos”. O bispo, cuja vida foi profundamente marcada pela violência desde que seus pais foram brutalmente assassinados quando ele tinha cinco anos de idade, diz que no Líbano “queremos construir a paz e somos capazes de fazê-lo“, em um país cuja população rejeita a linguagem do ódio e da vingança. Um clima de grande abertura O clima é muito diferente na Segunda Sessão da Assembleia Sinodal, observou Catherine…
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Metodologia sinodal: Oferecer ao Papa orientações sobre como ser uma Igreja sinodal em missão

O Instrumentum laboris marca a metodologia de trabalho das assembleias sinodais, algo que não é diferente na Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, que está sendo realizada de 2 a 27 de outubro de 2024, na Sala Paulo VI do Vaticano, com a participação de mais de 350 membros, aos quais se juntam outros participantes que fazem parte de diferentes equipes. Ser Igreja sinodal em missão Parte-se da pergunta que orienta o desenvolvimento desta Segunda Sessão: “Como ser uma Igreja sinodal em missão?”. O propósito é descobrir como concretizar a identidade do Povo de Deus sinodal em missão nas relações, itinerários e lugares onde se desenvolve a vida da Igreja. Quer que esta proposta possa chegar aonde se vive a sinodalidade, às comunidades, paróquias, dioceses, pastorais, movimentos… Por isso é tão importante que todos possam enviar contribuições, observações, propostas, através da Secretaria do Sínodo, para avançar no caminho sinodal. Essa possibilidade, que é fundamental para o processo avançar, não deve ter sido fácil. Os medos de escutar, de ser a Igreja sinodal, de ser aquela Igreja de todos, todos, todos, da qual Francisco fala constantemente, sempre aparecem. Mas é bom lembrar as palavras de Pedro Casaldáliga, que dizia que o medo é contrário à fé. Vem à minha cabeça a música de Gilberto Gil: ” Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá’”. O medo excessivo nos leva a buscar seguranças que sacrificam a vida, que matam o Espírito, e não esqueçamos que, na metodologia da Assembleia Sinodal, a conversa no Espírito é elemento protagonista. Fundamentos de uma Igreja sinodal missionária Os Fundamentos não pretendem ser “um tratado sinodal”, afirmou o arcebispo de Luxemburgo e relator geral do Sínodo, o cardeal Jean Claude Hollerich, ao começar a abordar esta parte. Nas suas palavras, ele citava o próprio Instrumentum laboris, que diz que esta seção “tenta delinear os fundamentos da visão de uma Igreja sinodal missionária, convidando-nos a aprofundar a compreensão do mistério da Igreja”. Nesta dinâmica processual, algo de grande importância no pensamento de Francisco e no caminho sinodal, o Instrumento de trabalho, neste primeiro momento, recolhe “a consciência que nestes anos foi se consolidando e em particular as convergências que no ano passado reconhecemos e expressamos no Relatório de Síntese”. Daí que o caminho a seguir não deve procurar “reabrir o debate sobre o que já aprovamos no ano passado, mas tomar o tempo necessário para nos apropriarmos dela e nos situarmos dentro de um horizonte”. Sintonizar com o método de trabalho Para isso, os Fundamentos oferecem “a oportunidade de nos sintonizarmos com o método de trabalho”, dado que “as coisas não funcionam exatamente como no ano passado”, embora seja verdade que permanecem as linhas fundamentais propostas na Primeira Sessão. Insiste-se na sinodalidade como modo de ser Igreja e na necessidade de implementá-la, na missão, em ser uma Igreja misericordiosa, aberta a todos, com protagonismo laical e feminino cada vez maior. Depois serão abordados os relacionamentos, itinerários e lugares, procurando discernir os pontos fortes e as questões a explorar em relação ao que propõe o Instrumentum laboris para responder à pergunta orientadora da Assembleia. Quer-se debater, emendar e aprovar um documento que ofereça ao Papa Francisco algumas orientações sobre como ser uma Igreja sinodal em missão. Importância da dinâmica a seguir Esse documento, sob a responsabilidade do relator geral e dos secretários especiais, com o apoio dos especialistas, recolherá os materiais produzidos durante as duas sessões da Assembleia Sinodal, com particular atenção ao fruto do discernimento da Segunda Sessão. Tudo isso seguindo uma dinâmica de oração, invocação ao Espírito Santo, apresentação do rascunho do documento, reflexão pessoal, compartilhamento, debate em plenário, emendas em grupo e aprovação final. Os Grupos de Trabalho, as famosas mesas redondas, 36 no total, com 10-11 participantes cada, são formados por línguas, 16 em inglês, 7 em italiano, 6 em francês, 6 em espanhol e uma em português, cujos trabalhos se juntam em 5 mesas linguísticas, dois em inglês, e uma em italiano, francês e espanhol-português. Um trabalho que segue o método da conversa no Espírito, com a ajuda de um facilitador e um especialista. Conversa no Espírito Na conversa no Espírito cada um toma a palavra a partir de sua própria experiência e oração, e escuta atentamente a contribuição dos outros. Em um segundo momento, procura-se abrir espaço para os outros e para o Outro, compartilhando a partir do que os outros disseram, o que mais ressoou nele ou o que mais resistência suscitou nele, deixando-se guiar pelo Espírito Santo. Finalmente, é hora de construir juntos, a partir do diálogo comum, discernir e colher o fruto da conversa no Espírito: reconhecer intuições e convergências; identificar discordâncias, obstáculos e novas perguntas; deixar que surjam vozes proféticas. Por isso, é importante que todos possam se sentir representados pelo resultado do trabalho, e que todos ajam com plena liberdade. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Cardeal López Romero: A partir deste Sínodo, “a Igreja emergirá mais católica, mais universal”

O Arcebispo de Rabat (Marrocos), Cardeal Cristóbal López Romero, um dos membros da Assembleia Sinodal que participou da coletiva de imprensa na Sala Stampa no dia 4 de outubro, disse querer tirar a sinodalidade da aula Paulo VI, “onde se fala, se reflete e se reza, para trazê-la para a vida cotidiana, para diferentes lugares, e para mostrar que não é um assunto para estudo, mas uma realidade que já está, pelo menos germinalmente, em ação“. Experiências de sinodalidade na África Em seu discurso, o cardeal salesiano contou algumas experiências de sinodalidade na África anglófona realizadas por uma das religiosas membros da Assembleia Sinodal, criando uma experiência de reflexão e encontro, afirmando que essa mulher “fez muito mais do que muitas Conferências Episcopais para divulgar a sinodalidade e, sobretudo, para promover a sua implementação“. Ele também contou três experiências da Conferência Episcopal que representa, composta pelas dioceses do Marrocos, Líbia, Argélia e Tunísia e na Arquidiocese de Rabat. Experiências de participação de todos para definir o caminho das dioceses, buscando criar comunhão entre todos, dar voz a todos, traduzi-la a serviço da missão, em um plano pastoral. Estamos falando de um pequeno número de igrejas, com um número estimado de 25.000 católicos em Rabat, provenientes de 100 países, o que “nos deu uma riqueza extraordinária, mas também dificuldades para viver a comunhão entre tantas diferenças”, destacou o cardeal. Nesse sentido, ele disse que “quando os cristãos começaram a se escutar uns aos outros, encontraram maravilhas naqueles que os rodeavam, que os viam todos os dias, mas sem se descobrirem“, a ponto de uma pessoa dizer: “pela primeira vez em minha vida, pude me apresentar, falar de mim mesmo e fazer com que as pessoas me escutassem”, algo que ele definiu como interessante. Assumir a sinodalidade em cada diocese Uma Igreja com mais homens do que mulheres, mais jovens do que idosos e com uma presença cada vez maior de subsaarianos. Uma Igreja cujo plano pastoral é: “Seguindo Cristo, sejamos uma Igreja para o Reino de Deus”. Uma experiência de sinodalidade que deveria ser adotada em todas as dioceses e que ele deseja colocar em prática e levar adiante, porque a sinodalidade colocada em prática produz muitos frutos. Para o arcebispo de Rabat, “este Sínodo está sendo extremamente enriquecedor, porque reúne pessoas de diferentes continentes, porque reúne homens e mulheres, este Sínodo reúne clérigos e leigos, e toda essa diversidade nos enriquece, embora signifique polir uns aos outros”. López Romero lembrou as palavras do Papa Francisco, que diz que a Igreja Católica ainda é muito europeizada, ocidentalizada, algo que ele diz ser verdade, e que ele experimentou vivendo na América Latina e na África. Todos precisam aprender com todos Daí o convite que ele fez para “ajudarmos uns aos outros”, dizendo que “a Igreja se tornará mais católica, no melhor sentido da palavra, mais universal“. O cardeal insistiu que, na Igreja, todos precisam aprender com os outros e “ajudar uns aos outros a viver o Evangelho de forma autêntica nas circunstâncias em que vivemos, com muitos ou com poucos”. A partir daí, enfatizo o quanto é bom nos aproximarmos e evitarmos nos distanciar uns dos outros. Algo que nos obriga a interagir, a escutar, a aprender uns com os outros e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Com relação à Fiducia Supplicans, em resposta a uma das perguntas, ele disse que teria sido melhor que esse documento tivesse passado por um processo sinodal, já que não foi consultado, o que levou a divergências em alguns pontos. Sua conferência episcopal se posicionou de forma diferente do restante das conferências africanas, o que o levou a dizer que a prática da sinodalidade não é fácil, o que leva a tropeços e desculpas. Uma dinâmica que possibilitará ser mais humilde e se permitir ser mais iluminado pelo Espírito Santo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Xiskya Valladares: Missionários digitais, “acompanhar aqueles que não estão na Igreja, aqueles que foram batizados e saíram”

A importância da missão digital no contexto da missão da Igreja foi o tema abordado por Ir. Xiskya Valladares na conferência de imprensa realizada na Sala Stampa em 4 de outubro. A freira nicaraguense radicada na Espanha, “a freira do twitter”, como foi apresentada por Cristiane Murray, vice-diretora da Sala Stampa da Santa Sé, lembrou que participa da Assembleia Sinodal por designação pontifícia, apresentando-se como religiosa e missionária digital, como alguém que colabora há muitos anos na missão digital, trabalhando com “a Igreja te escuta”. Um mundo que mudou Partindo da pergunta que marca esta Segunda Sessão da Assembleia Sinodal: Como ser uma Igreja sinodal em missão, ela ressaltou que “nosso mundo mudou, não é mais o que era há 20 anos, a missão é diferente“, e que diante das mudanças tecnológicas e da Inteligência Artificial, “a Igreja não pode ficar para trás”. Em resposta ao chamado de Francisco para ir a todos, a todos, a todos, Ir. Xiskya enfatizou que “65% da população mundial percorre as ruas digitais”. Ele lembrou o trabalho que estão fazendo desde o início do Sínodo, “para que a Igreja entenda que a sinodalidade e a missão da Igreja estão nos ambientes digitais como outro aspecto da missão”. A religiosa falou sobre os encontros com missionários digitais de 67 países, onde foi destacado o nascimento do carisma do missionário digital, “que está sentindo uma forte vocação para acompanhar aqueles que não estão na Igreja, aqueles que foram batizados e saíram, mas que continuam a sentir uma preocupação com a verdade, com o amor de Deus, e que às vezes até andam feridos no mundo, também por causa de suas más experiências com pessoas da Igreja”, insistindo que a missão é para o mundo de hoje e não para o mundo de 20 anos atrás, para o qual é necessário discernir o como. Xiskya Valladares enfatizou a necessidade da “samaritaneidade”, lembrando o que o Papa lhe disse na Primeira Sessão da Assembleia: “seja a ternura e a misericórdia de Deus para todas essas pessoas”, lembrando as histórias que ela escuta todos os dias de pessoas feridas, que buscam a Deus, que querem começar a orar, que querem recuperar os valores evangélicos e muitas que ainda não ouviram o nome de Jesus. Aumento da conscientização sobre a missão digital na Igreja A missionária digital, diante da missão da Igreja no mundo digital, afirmou que “ainda temos que aprender, mas cada vez mais está surgindo a consciência da necessidade“, ressaltando que depende das regiões e dos países, destacando que a América Latina a tem muito presente, sendo criada nas conferências episcopais equipes para a missão digital e os missionários digitais estão se organizando, algo que falta na Europa. A religiosa conta como na Assembleia Sinodal muitos bispos expressam a ela a importância do que fazem. Ela insiste que “no ano passado a missão digital era uma novidade, este ano não é uma novidade e há um desejo de que possamos fazer algo, porque estamos perdendo muitos jovens, muitas gerações que não vão mais às paróquias”. Da mesma forma, sobre a polarização nas redes sociais, afirmou que “a sinodalidade é muito mais do que mudar as estruturas, mudar as coisas para fora, a sinodalidade supõe uma mudança de atitude interior, uma conversão pessoal e, nesse sentido, não é algo que vai acontecer imediatamente, não é algo rápido, começaremos a ver o fruto deste Sínodo anos depois de seu término”. Isso se deve ao fato de que “é muito mais profundo do que mudar as leis, do que mudar as estruturas, é necessário mudar os corações”. Xiskya lembrou o chamado do Papa para viver com esperança em um mundo muito difícil, no qual as relações tóxicas estão prevalecendo, mesmo dentro da Igreja. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

A sinodalidade não é uma técnica, mas um estilo que exige escuta e conversão.

No dia da festa de São Francisco, um dos grandes santos da história da Igreja, sem esquecer o primeiro Papa que escolheu esse nome e para quem os participantes da Assembleia Sinodal cantaram no final da oração da manhã por ocasião de sua festa, alguns membros do Sínodo estiveram presentes na Sala Stampa para relatar o progresso da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre a Sinodalidade, algo que se tornará habitual nas próximas semanas. No dia 4 de outubro, além do prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, da vice-diretora da Sala Stampa, Cristiane Murray, e de Sheila Pires, secretária da Comissão para a Comunicação da Assembleia Sinodal, estavam presentes dom Antony Randazzo, bispo de Broken Bay (Austrália), Ir. Xiskya Valladares, grande referência para a missão no mundo digital, o arcebispo de Rabat, cardeal Cristóbal López, e o bispo de Nanterre, dom Matthieu Rougé. A segunda congregação geral A segunda congregação geral da Segunda Sessão da Assembleia Sinodal foi um momento para intervenções individuais, especificamente 36 pessoas intervieram, como relatou Paolo Ruffini, com dois temas sendo tratados: como a sinodalidade molda a vida da Igreja, ministérios e carismas, e como podemos desenvolver a espiritualidade da sinodalidade, a escuta, o discernimento, o respeito. De acordo com o prefeito do dicastério, a Assembleia destacou a importância dos leigos, “todos nós entramos na Igreja como leigos”, a ponto de a Igreja do futuro depender dos leigos, o que não diminui a importância do sacerdócio. Ruffini também destacou que o tema das mulheres na Igreja foi abordado, afirmando que “há mulheres que sentem o chamado de Deus e pedem para ser ordenadas”, sendo mostrado o exemplo de mulheres que cuidam de comunidades, sendo solicitada sua inclusão no grupo de estudo número 5, sobre ministérios e carismas. Foi destacada a importância da escuta ativa, do diálogo, do respeito pelos outros, de se chegar àqueles que se sentem excluídos da Igreja, do clericalismo, da liturgia como expressão da sinodalidade, de que o sacerdote não é o único que celebra. As questões abordadas A assembleia discutiu o conceito de sinodalidade, destacou Sheila Pires, “não como uma técnica, mas como um estilo que exige escuta e conversão”, abordando a relação entre sinodalidade e batismo; a necessidade de a Igreja ser uma família para aqueles que não têm família; a Igreja como Corpo de Cristo que reúne ministérios e carismas que formam um só corpo; o papel das mulheres e dos leigos na Igreja; a pluralidade como termo apropriado para abordar o Mistério e sua unidade. A secretária da Comissão de Comunicação citou a necessidade de superar os confrontos ideológicos e a lógica do nós e eles; a corresponsabilidade e a dignidade de todos os batizados nos processos de tomada de decisão; a relação entre homens e mulheres e os medos e apreensões que estão por trás dela, que levaram a atitudes de ignorância e desprezo em relação às mulheres; a pouca menção aos leigos e à família como Igreja doméstica no Instrumento de Trabalho; o aprofundamento do relacionamento das igrejas e culturas locais; a linguagem simples que expressa reciprocidade e pode aquecer os corações; entender que a vida é mais importante do que a teoria e a importância dos pobres. Levando a sinodalidade para fora da sala sinodal Os membros da Assembleia Sinodal iniciaram sua intervenção com as palavras do Arcebispo de Rabat, Cardeal Cristóbal López Romero, que disse que “gostaria de tirar a sinodalidade da sala sinodal, onde se fala, se reflete e se reza por ela, para trazê-la para a vida cotidiana, para os diferentes lugares, e mostrar que não é um assunto para estudo, mas uma realidade que já está, pelo menos germinalmente, em ação”. Em sua intervenção, ele relatou algumas experiências de sinodalidade na África de língua francesa e na arquidiocese de Rabat, dando alguns detalhes sobre isso. Sinodalidade, uma experiência que une Por sua vez, o bispo de Nanterre destacou que a sinodalidade é algo que continua a ser exigido na diocese francesa. Sobre a experiência dessa segunda sessão, ele enfatizou a importância da reunião, que foi ajudada pela acolhida e pela experiência espiritual vivida há um ano na primeira sessão. Sobre os dias anteriores de retiro, ele destacou a meditação do Padre Radcliffe sobre a pesca milagrosa, onde “experimentamos o que une”. Ele também lembrou as palavras do Papa Francisco de que o Sínodo não é um parlamento e que o mais importante é a atitude espiritual. Dom Mathieu Rougé insistiu que a reflexão sobre a sinodalidade deve partir do sacerdócio batismal do Concílio Vaticano II, o Vaticano II é a base do trabalho sinodal, definindo a sinodalidade como a unidade de todos os cristãos, caminhando juntos, uma dinâmica na qual o progresso está sendo feito. Ecologia e sua relação com as pessoas Dom Antony Randazzo ressaltou a importância da recente viagem apostólica do Papa Francisco à Ásia e à Oceania, uma área ecologicamente frágil, uma importante reflexão no dia de São Francisco, que pede o cuidado da Criação, algo cada vez mais preocupante na Oceania, que causa fluxos migratórios por razões ecológicas. Nesse sentido, ele pediu que as pessoas não sejam esquecidas quando se fala de ecologia. Ele também se referiu à sinodalidade como algo natural em muitas comunidades da Oceania, onde as pessoas falam e escutam umas às outras com respeito. A missão no mundo digital Xiskya Valladares, que foi apresentada como “a freira do Twitter”, definiu-se como uma religiosa e missionária digital. Partindo da pergunta que marca esta Segunda Sessão da Assembleia Sinodal: Como ser uma Igreja sinodal em missão, ela destacou que nosso mundo mudou e que, diante das mudanças tecnológicas e da Inteligência Artificial, a Igreja não pode ficar para trás. Diante do chamado de Francisco para ir a todos, a todos, a todos, Xiskya destacou que 65% da população mundial está em ambientes digitais, onde a sinodalidade também está presente, destacando os missionários digitais como um novo carisma. Nesse ambiente digital, a Igreja é desafiada a acompanhar, a escutar, a “ir ao…
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A Igreja sinodal de Francisco, uma Igreja que escuta a todos, todos, todos

A Igreja sinodal de Francisco, que o próprio Papa definiu como o modo de ser Igreja no século XXI, é algo que vai muito além da Assembleia Sinodal. A sinodalidade é um processo que a Igreja leva adiante de várias maneiras. Assumindo o estilo sinodal como Igreja Nesse sentido, é importante a declaração feita pelo Secretário da Secretaria do Sínodo, que poderíamos dizer que é a sala de máquinas da sinodalidade e, portanto, um dos instrumentos decisivos da Igreja de Francisco. O Cardeal Mario Grech se referiu aos 10 Grupos de Estudo criados a pedido do Santo Padre para aprofundar as questões teológicas presentes no Relatório Síntese da Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, algo que foi retomado por Giacomo Costa na Sala Stampa. O cardeal maltês disse que o trabalho desses grupos “não é estranho ao Caminho Sinodal e, especialmente, ao estilo sinodal que nós, como Igreja, estamos tentando assumir”. Grech lembrou o que o Papa Francisco lhe disse em uma carta datada de 22 de fevereiro de 2024, na qual ele pediu a esses grupos que “trabalhassem de acordo com um método autenticamente sinodal”. Para o Secretário da Secretaria do Sínodo, “isso significa que, dentro do Sínodo, esses grupos são chamados a incentivar a participação efetiva de todos os membros, mas também são chamados a permanecer abertos a uma participação mais ampla, a de todo o Povo de Deus”. Participação de todo o Povo de Deus, um ponto-chave A participação de todo o povo de Deus é o ponto-chave dessa Igreja sinodal. Aqueles que participam desses grupos, incluindo os membros da Assembleia Sinodal, não podem se sentir como alguém que decide, mas como alguém que escuta a todos, escuta a voz do Espírito e, junto com outros, por meio da conversa no Espírito, discerne. Na comunicação do Cardeal Grech, afirma-se claramente que “enquanto os 10 grupos – e com eles também a Comissão – continuarem funcionando, ou seja, até junho de 2025, será possível que todos enviem contribuições, comentários e propostas. Pastores e líderes da Igreja, mas também, e acima de tudo, cada crente, homem ou mulher, e cada grupo, associação, movimento ou comunidade poderá participar com sua própria contribuição”. Uma Igreja que escuta A importância dessa proposta é decisiva para entender o que significa uma Igreja que escuta. Penso, e me enche de alegria, na possibilidade de que um ministro da Palavra, uma catequista de uma das comunidades ribeirinhas que acompanho às margens do Rio Negro, na arquidiocese de Manaus, possa enviar à Secretaria do Sínodo o que é vivido, rezado, celebrado, testemunhado, nessas comunidades, por tantos homens e, principalmente, mulheres, que doam suas vidas gratuitamente para que o Evangelho continue presente na vida dessas pessoas. Quantas coisas interessantes poderiam vir dessas e de outras comunidades semelhantes! Uma Igreja que tem medo de escutar a todos se torna autorreferencial, e Francisco nos adverte constantemente contra esse perigo. Portanto, só podemos dizer ao Secretariado do Sínodo: obrigado por garantir o método sinodal, por sua disposição em coletar o material que lhe será enviado e repassá-lo ao(s) grupo(s) relevante(s). A sinodalidade não é teoria, é prática, e isso, mesmo que deixe algumas pessoas nervosas, é sinodalidade, é Igreja real, porque a Igreja nunca foi um pequeno grupo de puros e escolhidos. Não nos esqueçamos que uma Igreja de puros e escolhidos, isso é heresia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Sinodalidade é compartilhar a água com todos, puxá-la ao seu moinho nos empobrece

Em poucas horas, a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal do Sínodo sobre Sinodalidade nos deixou algumas reflexões, que devem nos levar a nos perguntar sobre algumas atitudes que devemos deixar para trás se quisermos ser uma Igreja sinodal, se quisermos viver a sinodalidade na prática. Diálogos entre surdos Fiquei impressionado com as palavras do Papa Francisco em sua homilia na missa de abertura, na qual ele advertiu sobre o perigo de “nos fechar num diálogo de surdos, onde cada um tenta ‘puxar água ao seu moinho’ sem ouvir os outros e, sobretudo, sem ouvir a voz do Senhor”. Mais uma vez, ele nos adverte sobre uma atitude que está presente em muitas pessoas, até mesmo em muitos de nós, até mesmo em mim e em você, mesmo que não sejamos capazes de reconhecê-la. A tentativa de “levar água para o seu próprio moinho” é um sinal de que não sabemos quem é Deus, fonte de água em abundância para todos, que move a vida de todos, a água move a roda do moinho, também daqueles em quem não somos capazes de descobrir a vida que nasce deles, pois não nos esqueçamos de que Deus deposita essa vida em cada uma das criaturas. Quando escutamos os outros e escutamos a voz do Senhor, somos enriquecidos, ainda mais quando essa escuta nasce da diversidade. Mesmo que tenhamos medo de quem é diferente, de quem pensa diferente, isso também acontece na Igreja. A diversidade é uma fonte de conhecimento, é algo que enriquece nossa vida, porque encontramos pessoas, realidades, maneiras de viver a fé que, por serem desconhecidas, nos permitem aumentar nosso conhecimento. Apontar trajetórias de crescimento Francisco é alguém com uma grande capacidade de nos questionar, de nos colocar diante de nós mesmos e diante de Deus, uma atitude necessária para podermos crescer pessoalmente e como comunidade, para podermos caminhar juntos, para podermos tornar realidade uma Igreja sinodal. Daí a importância do tempo de retiro antes da Assembleia Sinodal, da necessidade de viver o Sínodo em um clima de oração para escutar a voz do Espírito, que pode ajudar os membros da Assembleia Sinodal a indicar “possíveis caminhos de crescimento pelos quais convidar as Igrejas a caminhar”, como disse o Cardeal Hollerich, relator geral do Sínodo, na primeira congregação geral, realizada na tarde de 2 de outubro. Não queiramos monopolizar Deus, não pensemos que somos os únicos que o conhecem, não nos sintamos donos de Deus. Estejamos convencidos de que caminhar juntos nos enriquece, que compartilhar a água que vem de Deus não só enriquece os outros, mas também a nós mesmos. Vamos disfrutar do caminhar juntos, vamos sentir a alegria de viver nossa fé em comunhão com a humanidade e com todas as criaturas. É hora de assumir que a sinodalidade é compartilhar a água com todos, que puxá-la ao seu moinho só nos empobrece. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1