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Cardeal Leonardo Steiner cidadão manauara, um título que “oferece mais deveres que direito”

A Câmara Municipal de Manaus, mediante proposta do vereador Daniel Amaral de Vasconcelos, outorgou o título de Cidadão Manauara ao arcebispo metropolitano da arquidiocese de Manaus, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, já Cidadão Amazonense desde 2023, em sessão solene realizada no Legislativo municipal, que contou com a presença dos bispos auxiliares, dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos, dom Zenildo Lima e dom Hudson Ribeiro, de representantes do clero, da Vida Religiosa e das pastorais e movimentos da Igreja local. O vereador Daniel Vasconcelos, que se declarou católico, participante da Pastoral Familiar e do Encontro de Casais com Cristo, destacou em dom Leonardo Steiner, que “ele trabalha por todos nós, independente de religião, esse é o verdadeiro cristão”. Ele insistiu na simplicidade do cardeal, em sua presença na periferia, e no fato da Igreja católica ser a maior instituição de caridade do mundo, também em Manaus, citando diversos exemplos disso, e da parceria do poder público nesse trabalho. O vereador pediu que Deus possa conduzir o mais novo Cidadão Manauara e ele tenha a força para conduzir o povo da arquidiocese de Manaus. Osvaldo Lopes Filho, diretor presidente do Sistema Encontro das Águas, em representação do Governo do Estado do Amazonas, mostrou sua admiração e reconheceu a grandeza de sua pregação, cada domingo, na missa celebrada na Catedral, transmitida pela TV Encontro das Águas. Ele destacou “o quanto e em tão pouco tempo, ele cultivou a simpatia de todos”, ressaltando a admiração das demais religiões pelo cardeal. Igualmente, refletiu sobre o papel fundamental da Igreja, num momento em que a tecnologia está levando o homem a esquecer o homem, como aquela que mostra a existência de Deus. Dom Zenildo Lima, em nome dos bispos auxiliares e da Igreja de Manaus, falou sobre o significado do momento desde três perspectivas. Em primeiro lugar, o reconhecimento, afirmando que “dom Leonardo ganho a confiança de nós manauaras”, vendo ele como “alguém que consegue caminhar conosco, que temos nosso jeito de andar”. O bispo auxiliar ressaltou a presença de dom Leonardo com nossas situações de vida, no meio ao povo de rua, no cemitério ou num caminhão descarregando cilindros de oxigênio durante a pandemia da Covid19. Em segundo lugar, outorga, “a gente oferece a dom Leonardo tudo o que a gente tem nesta cidade, mas também tudo o que tem como drama, desafio”. Em terceiro lugar, destacou o comprometimento de quem está de mãos dadas, e ressaltando a presença de construtores de cidadania ocupando os lugares dos vereadores na bancada, enfatizou que “dom Leonardo está conosco nesta construção de cidadania, juntos continuamos esse processo de construção de cidadania”. Em sua intervenção, o homenageado iniciou sua fala dizendo que “se não estivesse eu na Amazônia, não seria cardeal”. Depois de agradecer aos presentes, o cardeal Steiner, reconhecendo sua alegria ao receber o título, afirmou que “o Município gira em torno da cidade de Manaus, a cidade dos manaos que se tornou cidade de culturas e povos”. O arcebispo de Manaus lembrou que “a cidade, pólis, é mais que uma forma de organização do convívio humano, é o lugar, a dimensão, a abertura, em que se dá a experiência do acontecer e do destinar histórico das pessoas que vão construindo o povo”. Comparando a cidade com diversos conceitos, o cardeal definiu a cidade como “sonho do Reino de Deus que se manifestava entre os pequeninos e despossuído”s. Inspirado no poete Hölderlin, que dialogou com o mundo grego, ele disse que “o povo grego tinha como seu dom inato o fogo do céu e como própria a ternura. Para proteger este fogo do céu e a ternura é que desenvolveram a sobriedade e o rigor”. Para proteger o espírito, os gregos potenciavam a força atlética dos corpos e a força aclaradora da reflexão, identificando esse espírito com “a força de vida e de iluminação, concedida pelo fogo do céu e pela ternura”. A força da ternura emerge, enfatizou o arcebispo de Manaus, “na hospitalidade, na proximidade, na solidariedade”. Ele destacou que “mesmo com dificuldade continuamos na poesia, na arte, na persistência, na perseverança dos pobres e intelectuais a proteger o espírito que nos deixa ser como cidade”. Nessa perspectiva, ele disse que “a polis intuída pelos gregos como possibilidade de convivência humana no mundo comum, no espaço público, não era tanto um quê, mas muito mais um como. Não era tanto um fato, quanto uma tarefa, um quefazer”. Igualmente, dom Leonardo destacou a cidade como local em que “a totalidade dos cidadãos, exercia a liberdade e a responsabilidade histórica pelo todo de seu mundo comum, de seu espaço público”, e junto com isso, a polis como “lugar em que o povo experimenta sua força, seu vigor, como  livre e soberano, guardados pela ternura e pelo fogo do céu”. Reconhecendo as dificuldades, violências, mortes, ele disse que “a fé nos obriga a deixar vir o vislumbre do fogo do céu e da ternura”, refletindo sobre a Cidade de Deus de Santo Agostinho e seu movimento do reino de Deus. O fato de pertencer à polis, a politeia, a cidadania, “com seus direitos e deveres, o modo de viver na responsabilização pelo cuidado da polis”, levou o cardeal a refletir sobre o fato de que “o título oferece direitos e deveres. Mais deveres que direito”. El disse se sentir, ao receber o título, “mais pertencente a esse movimento de ser cidade”, e “convocado a essa vitalidade politéica”. Isso, porque “pertencemos quando moramos e moramos quando construímos”, na medida em que obramos. O cardeal refletiu sobre o conceito de lugar, que “nos diz, nos constrói e nos oferece um pensamento distinto”. Ele recordou as palavras de Heidegger: “construir já é em si mesmo morar, viver”. Dom Leonardo ressaltou que “morar, pertencer é ser! Ser que não advém de um Título, mas que o Título pode despertar para melhor morar e obrar, isto é participar, transformar”. É por isso que “receber o título responsabiliza o morar e, por isso, o pertencer, pois morar é construir, obrar”, sublinhou o presidente do Regional Norte1…
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Dom Leonardo: “Levar Jesus é a essência do discípulo missionário, dos seguidores e das seguidoras de Jesus”

Na homilia do 12º domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, iniciou suas palavras lembrando o texto do Evangelho: “Ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: Vamos para a outra margem!”. Ele lembro que a passagem do Evangelho do dia começa dizendo: “Ao entardecer… (Mc 4,35)”. Ele lembrou as palavras de Papa Francisco no meio da pandemia do Covid19 na Praça de São Pedro vazia, “onde nos consolava com estas palavras, demonstrado o que era o entardecer, o cair da tarde, mas com confiança na travessia”: “Desde há semanas que parece entardecer, parece cair a noite. Densas trevas cobriram nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se de nossas vidas, enchendo tudo com um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares! Encontramo-nos temerosos e perdidos. À semelhança dos discípulos do Evangelho, fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda.” Segundo o arcebispo, “somos convidados à travessia, a buscar outra margem. Ao cair da tarde buscar a outra margem. Ao cair de um dia, quando começa a descer a noite, quando percebe-se findar uma possibilidade, quando as possibilidades parecem findar, buscar a outra margem. Ao cair da tarde, quando estamos a perder a luz, quando estamos para perder os olhos, quando os olhos começam a perder o ver; quando a necessidade de ultrapassar o já visto, o já compreendido, ultrapassar a segurança do tudo saber, do tudo ter, buscar a outra margem. No meio das dificuldades, no meio da tormenta, no meio do burburinho, no meio de tantos sofreres e não saberes, somos despertados pela outra margem: da liberdade, da fé, da misericórdia, da esperança, da vida do Reino. A outra margem nos atrai. A outra margem é mais que a espera de um novo dia! É travessia”. Dom Leonardo analisou o texto de Marcos, a nos dizer que os discípulos “despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava, na barca” (Mc 4,36). Nesse versículo, o arcebispo de Manaus destaca que “eles levaram Jesus com eles. Levar Jesus é a essência do discípulo missionário, dos seguidores e das seguidoras de Jesus. Levar significa, carregar o próprio Filho de Deus que não tem casa, pois todos os homens, todas as criaturas, todos os povos são sua casa. Fazer a travessia com Jesus. Ele presente no barco; Ele a travessia: caminho, verdade e vida. Ele estará sempre na quase não presença no fundo da barca”. No meio da travessia, diz o texto, “começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a encher-se de água” (Mc 4,37). “Os ventos, as ondas, a agitação, e os discípulos tomados pelo medo de soçobrar. Os ventos, as ondas que nos agitam, despertam sentimentos de morte de desesperança”. Se referindo à travessia dos nossos dias, dom Leonardo Steiner os identificou com “os ventos e as ondas da violência, da pandemia, da agressão, da ganância a qualquer custo, do desemprego, da fome, das águas, do negacionismo, da destruição do meio ambiente, da negação da ética; quantas ondas e ventos. Ondas a nos atingir às vezes duas de cada vez, somos tomados pelo medo de afundarmos como sociedade como pessoas dadas à convivência”. “Esse vento forte e agitado, destruidor e essas ondas violentas que nos fazem temer pela vida de nossas famílias, pela moral de liberdade e integridade. Essas ondas agitadas e ventos de ídolos do vazio, da religião mascarada e mercantilizada. Uma religião de um ritualismo vazio, sem amor aos pequenos e abandonados. Essa onda de morte e vingança que leva a encher o barco a existência, das paixões humanas e do mundo – os ídolos do poder, do domínio sobre os outros, da competição religiosa; a ansiedade pela fama e pelos aplausos do mundo. Na medida em que buscamos o outro lado essas tensões e desumanidades se apresentam como sinais de morte. Não existe travessia sem tensão, sem desconforto, sem ventos fortes e ondas agitadas. É que nos dada a graça da vida nova do reino de Deus: transformação”, enfatizou o cardeal. Citando as palavras de Rombach, quando fala do sofrer, o arcebispo de Manaus disse: “Através da experiência da cruz o homem aprendeu a ver o sofrer de outro modo. Sempre houve sofrimento, mas ele não era sofrido. Só com o sofrer divino o homem aprendeu a captar o sofrimento como figura fundamental do ser-homem: o homem que sofre tem um direito infinito, sua figura é intocável, nem repreensão nem acusação, nem boas palavras e exortações, nem louvação e recompensa nem meras ajudas técnicas são de valia para ele. O sofredor perdeu algo de irreparável, a pátria, os seus, o sentido. Caso nele a dor se transforme em sofrer, então ele se torna um indivíduo infinito, que não é alcançado por nada mais. O sofredor tem um direito absoluto. Rente a ele não passa nenhum caminho. Nele se torna presente o ser-homem e a humanidade. Nisso reside seu serviço, sua oferenda, sua tarefa: sofrer como experiência da infinitude e ajudar como um suportar estar junto. Nessa figura em que co-pertencem sofrer e suportar-junto, as existências individuais crescem para fora e para além de si.” “A travessia é uma espécie de purificação, de conversão, de mudança de vida. Melhor é uma imersão sempre maior e mais dinâmica no Evangelho, no modo de viver de Jesus que sofreu na cruz até a morte”, segundo dom Leonardo. É por isso que “na travessia Jesus conosco! Jesus a nos levar no meio de tudo o que acontece na travessia. Ele ali no meio das tormentas, a dormir e nós esquecidos de sua presença, apesar de termos levado conosco. É no meio da agitação e do desassossego o buscamos e o vemos. E com sua presença, apesar da agitação e do odor de morte, nos entregamos à suavidade de sua presença e somos tomados pela serenidade das ondas e dos ventos.” Citando uma homilia de Santo…
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Diocese de Roraima envia dom Lucio Nicoletto para sua nova missão em São Félix do Araguaia, “uma Prelazia com uma história belíssima”

A Igreja de Roraima, onde ele foi missionário desde 2016, enviou neste sábado, 22 de junho, dom Lucio Nicoletto para sua nova missão como bispo da Prelazia de São Felix do Araguaia. Ordenado bispo na catedral de Padova no dia 1º de junho, catedral de Cristo Redentor acolheu uma celebração com a participação de mais quatro bispos, o clero local, a Vida Religiosa, e de representantes das paróquias e comunidades da diocese, dentre eles os migrantes e os povos indígenas. Na homilia, após agradecer aos presentes, ao povo da prelazia de São Félix do Araguaia e aquele que foi seu bispo até agora, dom Adriano Ciocca, e aos bispos que participaram de sua ordenação episcopal em Padova, dom Lucio Nicoletto iniciou reconhecendo seu sentimento de gratidão, que nasce das “inúmeras memorias dessa caminhada que Deus me deu de viver aqui com vocês desde 2016”, um tempo marcado pelo conhecimento “dos mais pobres e de todos aqueles que sofrem”. Uma Igreja que ele define, seguindo Gaudium et Spes, como “uma Igreja que desde os seus primórdios guardou em seu coração o eco de toda realidade verdadeiramente humana”.  Uma Igreja que tem feito uma “reiterada opção pelos pobres e marginalizados, pelos povos indígenas e o povo dos migrantes e refugiados”. O bispo eleito de São Félix do Araguaia questionou “como poderíamos justificar essa pressão de que fala São Paulo na segunda leitura que o amor de Cristo nos faz, esse coração ardente que a Palavra de Deus acende em nós a partir do momento em que como Maria e com Maria queremos dizer o nosso Sim a Cristo na missão evangelizadora?”, respondendo que “os pés das discípulas e dos discípulos de Jesus Cristo se colocam a caminho por causa de uma urgência!”, insistindo na necessidade de uma resposta de amor. “Assim como eu vos amei!”, ressaltou dom Nicoletto, uma resposta necessária “quando o nosso coração se depara com tanta violência e injustiça, com tantas divisões e polarizações, até mesmo dentro da nossa mesma igreja; quando sentimos o cansaço de tanta dor e a tentação de dar o fora. Numa hora como essa sentimo-nos representados pelos discípulos de Jesus na hora mais crítica dessa travessia no meio do mar da vida: Mestre, não te importas que estamos perecendo, que estamos sofrendo demais? Deus parece dormir”, disse o bispo. “Será que Deus se esqueceu de nós?”, questionou dom Lucio Nicoletto, refletindo sobre o significado da barca e o mar, mostrando que “o mar simboliza o perigo, a ameaça na vida” uma realidade presente na comunidade de Marcos. Mesmo diante do perigo, Jesus chama seus discípulos a continuar sua missão, “a ir ao encontro das pessoas nas diferentes situações e lugares onde estão”, onde ele vê representada a Igreja missionária, que “atravessa diferentes mares para ir ao encontro dos homens e mulheres para lhes comunicar a boa notícia do reino de Deus”. Nas ondas do mar, dom Lúcio vê o “aburguesamento e cumplicidade: já fizemos bastante, pobres sempre existiram e existirão; o fundamentalismo e superioridade: é importante cuidar a pureza de nossos ritos, liturgias; as injustiças e discriminação para com a vida dos povos originários e migrantes; a rejeição para com as nossas crianças e jovens que ficam cada vez menos no topo de nossas preocupações e políticas públicas”.  No texto, destacou o bispo, Marcos quer transmitir aos seus, que “quando a comunidade segue os passos de seu Mestre, vai sofrer perseguições, vai ter dificuldades, vai vivenciar noites de tormentas, mas Deus é maior que tudo isso”. Para cresce na fé, “somos convidados e convidadas a passar para o outro lado. Para isso é preciso atravessar o mar com a confiança que demonstra Jesus no texto: ele dorme sereno porque confia no Pai”, salientou dom Lucio Nicoletto, mostrando que “os discípulos ainda têm uma fé que se desespera e devem aprender de Jesus a ter uma fé que confia”. Jesus grita, e em seu grito, se posiciona “diante de todo o mal que provocamos quando nos afastamos da lógica do amor e transformamos a fé numa ideologia; diante de nossa incapacidade de deixar-nos transformar pela sua Palavras em autênticos promotores de Justiça e de Paz para a realização da civilização do amor; diante da nossa obcecação pelo poder, pelo sucesso, pela ganância que desconsideram cada vez mais a vida dos outros e só se importa com a própria!” No convite de Jesus para irmos para outra margem, dom Lúcio vê “um convite a uma conversão radical e permanente”, que exige “um contínuo e permanente processo de conversão, principalmente de uma vida mais pautada pelo egoísmo árido e mortífero para uma vida que seja fruto de um contínuo deixar-se plasmar por Deus como Jesus fazia, sempre em intima e profunda comunhão com o Pai, para aprendermos assim a guardar em nós os mesmos sentimentos que foram de Cristo Jesus”. No Jesus apresentado pelo evangelista Marcos, o bispo vê “Aquele que veio para nos acompanhar no êxodo da vida e fazer-nos sentir que não estamos só, mas Ele nos guia e está conosco, como lâmpada resplandecente, como força profética para anunciar seu amor e sua justiça sem calar diante das ‘ondas’ do egoísmo e dos interesses particulares que não pertencem a Deus nem tampouco ao seu Reino”. Ele insistiu em que “essa é a tua vocação Igreja na Amazônia: ser sinal de Cristo Bom Pastor que ama e guia o seu povo com amor e ternura de Pai e Mãe, que abre para nós o caminho da vida plena para todos, que mostra para nós que não há salvação sem comunhão, não há misericórdia sem compaixão, não há evangelização sem missão, não há esperança sem conversão ao amor para com todas as criaturas”. No final da celebração, dom Lucio Nicoletto recebeu as homenagens dos missionários italianos, do laicato, a Vida Religiosa, o clero, a Pastoral do Migrante, lembrando e agradecendo pelos momentos vividos juntos ao longo de oito anos, destacando aquilo que foi marcante nesse tempo em sua missão na diocese de Roraima. Foi lida a…
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Mensagem do Regional Norte1 a dom Lucio Nicoletto em seu envio como bispo de São Félix do Araguaia

Na celebração de envio de dom Lucio Nicoletto como bispo da prelazia de São Félix do Araguaia, realizada na catedral Cristo Redentor da diocese de Roraima, o Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1) enviou uma mensagem assinada pelo presidente, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus. O texto manifesta a alegria com que o Regional Norte1 recebeu a notícia da nomeação episcopal de dom Lucio Nicoletto, lembrando seu trabalho missionário no Brasil desde 2005, na diocese de Duque de Caxias, e desde 2016 na diocese de Roraima. O Regional Norte1 lhe agradece ao bispo eleito de São Félix do Araguaia pelos oito anos que trabalhou no Regional, destacando sua “doação e testemunho missionário”. Igualmente, a mensagem agradece a dom Lucio Nicoletto, “por ter aceitado o pedido do Papa Francisco para exercer o ministério Episcopal na Prelazia de São Félix do Araguaia”, ressaltando a alegria pelo fato de continuar sua missão na Amazônia. O Regional Norte1 pede a Deus “que, por intercessão de Nossa Senhora da Amazônia e de Nossa Senhora da Assunção, padroeira da igreja de São Félix do Araguaia, abençoe sua missão e lhe concede bom ânimo e generosidade para realizar seu pastoreio em meio ao povo que Deus está lhe confiando”, enviado a saudação dom Regional a dom Adriano Vasino Ciocca, predecessor de dom Lucio Nicoletto no pastoreio da Igreja de São Félix do Araguaia, e ao bom povo da estimada e querida Prelazia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação do Regional Norte1 da CNBB

Comissão contra o tráfico de pessoas da CNBB encerra missão em Roraima, pedindo à Igreja tratar o tema de forma mais incisiva

Os frutos são aquilo que a gente carrega na memória. Depois de uma semana de missão na diocese de Roraima, com visitas na Guiana e na Venezuela, para a Comissão Episcopal Especial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, chega o momento de concretizar os caminhos que ajudem a esquentar a resistência, a dar os passos para que a Igreja e a sociedade assumam para valer o enfrentamento ao tráfico de pessoas, para dizer alto e forte: “Tráfico de Pessoas existe! Enfrentá-lo é nossa missão!”. Uma luta de muitos anos Uma luta assumida na Amazônia pela Rede um Grito pela Vida durante mais de dez anos, e pelo Regional Norte1 da CNBB, que tem como causa permanente a prevenção ao abuso, exploração sexual e tráfico de pessoas. A Igreja de Roraima, que evangeliza a região desde 1725, e que em 1907 foi configurada como prelazia, confiada aos beneditinos do Rio de Janeiro, foi desde o início uma Igreja que fez opção pelos povos indígenas, com alto custo, pois sempre encontrou a oposição dos fazendeiros e da sociedade local. Uma luta em favor dos povos indígenas que tem preparado a Igreja de Roraima para a atual luta em favor dos migrantes, que podemos dizer também encontra forte rejeição em boa parte da sociedade roraimense. A missão da comissão tem sido uma oportunidade para os participantes para renovar a esperança e o compromisso com a causa do enfrentamento ao tráfico de pessoas, para uma maior incidência dentro da Igreja e na sociedade. Uma visão ampliada da realidade ajuda a ter maior consciência daquilo que tem que ser mudado, dos desafios, do papel a ser assumido, em comunhão, caminhando juntos, em sinodalidade, com uma fraternidade alargada, criando redes de enfrentamento, sempre em vista do cuidado das vítimas. Para isso, se faz necessário ter dados objetivos, alargar a escuta, dar a oportunidade do povo, dos migrantes, que confiam na Igreja católica, falar, andar sem pressa, maior interação com os migrantes, que favoreça o acolhimento. Uma missão que vai ajudar a elaborar informes para ajudar no trabalho pastoral da Igreja e na incidência política numa sociedade que nem sempre tem o olhar que deveria para com as vítimas do tráfico de pessoas. Um problema global “Nós viemos aqui como Igreja do Brasil, e nós vimos a necessidade de tornar a pauta do tráfico humano mais conhecida dentro da própria Igreja”, afirma o bispo de Tubarão (SC) e presidente da comissão, dom Adilson Pedro Busin. Ele lança um desafio à presidência da CNBB e do CELAM a assumir que o tráfico de pessoas “é um problema global que tem que ser tratado de maneira global”. Um problema que engloba toda América, e ele tem que ser tratado nessa dimensão, pedindo que “o CELAM, junto com as conferências episcopais de cada país, esse tema do tráfico humano seja tratado de uma forma mais incisiva e mais envolvente, inclusive com os bispos”. O presidente da comissão insiste em que “é uma questão candente, ela perpassa as nossas fronteiras”, mas também em seus diversos aspectos, “é uma questão presente dentro de cada país, na exploração sexual, a exploração de mulheres e crianças, o trabalho análogo à escravidão, isso está em nossos países”. Diante dessa realidade, o bispo ressalta que “essa temática tem que ser tratada com mais amplitude”. Como comissão, ele disse que “fica o desafio de irmos a outra realidade, a outro estado do Brasil, mover, cutucar e provocar à imprensa local, às autoridades locais, acima desse tema”. Para a diocese de Roraima, “ficam desafios maiores, porque nós estamos mais conscientes de toda a realidade de tráfico de pessoas, exploração sexual, que está interligado a muitos outros tráficos, de armas, de mercúrio para o garimpo ilegal”, afirma o bispo local, dom Evaristo Spengler. Por outro lado, “uma consciência maior, e isso leva a uma organização maior enquanto Igreja e enquanto sociedade para um trabalho em rede”, sublinho o bispo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Colóquio na Universidade Federal de Roraima sobre Tráfico Humano: dar respostas aos clamores dos migrantes

Numa sociedade em que os migrantes sofrem xenofobia, falta de oportunidades, preconceito, tristeza, desemprego, desproteção, antipatia, racismo, se faz necessário superar essas atitudes, e para isso a colaboração de todos é decisiva. Alargar o espaço da tua tenda, de cada um de nós, das famílias, da sociedade, da Igreja, algo que nos pede a 39ª Semana do Migrante, é uma atitude inadiável. Um trabalho conjunto, como foi destacado no III Colóquio: Tráfico Humano, realizado na Universidade Federal de Roraima, uma universidade sempre aberta às causas sociais, com grande presença, especialmente de migrantes, e também os participantes da missão que está realizando a Comissão Episcopal Especial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O presidente da comissão, dom Adilson Pedro Busin, bispo de Tubarão (SC), agradeceu a possibilidade de participar do colóquio. Numa semana em que a comissão quis ver e escutar diversas realidades que são vividas em Roraima pelos migrantes, mas também na Guiana e na Venezuela, para mostrar que “o tráfico de pessoas existe, enfrentá-lo é nossa missão”. Se trata de buscar luzes para reconhecer que o tráfico de pessoas existe e juntos enfrentá-lo, destacou o bispo, que deu a conhecer os objetivos da comissão e os materiais que orientam e ajudam a combater o tráfico de pessoas. Um momento importante para uma Igreja missionária sem fronteiras, segundo destacou dom Gonzalo Ontiveros, bispo do Vicariato Apostólico do Caroní (Venezuela), participante do colóquio, que mais uma vez agradeceu a acolhida do povo brasileiro aos migrantes venezuelanos. O colóquio pretendia escutar as demandas dos migrantes, buscando respostas aos clamores presentes em sua vida. Em primeiro lugar, num evento para sensibilizar à população roraimense sobre a realidade da migração, foi questionado em relação aos idosos migrantes que estão chegando no Brasil, à dificuldade para conseguir um trabalho estável, uma casa. Diante dos questionamentos foi apresentada a proteção social básica existente no Brasil e as condições para ser beneficiários. O direito ao trabalho é garantido, é um direito social fundamental, independentemente de sua nacionalidade, nas mesmas condições e remuneração que qualquer brasileiro. Daí a importância da sensibilização para combater a exploração laboral, mostrando para os migrantes os direitos que ele tem, para evitar ser explorado e reduzir a vulnerabilidade, segundo mostrou o representante do Ministério Público de Roraima, que insistiu em combater o tráfico de pessoas, uma urgência diante do fato do Ministério Público do Trabalho de Roraima ter recebido só uma denúncia em 2024, o que mostra o medo a denunciar existente. Igualmente foi informado sobre os passos a ser dados para revalidar os títulos universitários de outros países. Algo que pode facilitar entrar no mercado laboral, onde os migrantes recebem um salário 30 por cento menor do que os brasileiros pelo mesmo serviço, 35 por cento no caso das mulheres. Não alugar uma casa para migrantes é algo ilícito, mas muitas vezes, dada a burocracia existente no Brasil, os migrantes acabam pagando aluguel mais caro. Diante disso, se faz necessário que os migrantes possam ter acesso às políticas de habitação popular. A vulnerabilidade entre os migrantes faz com que eles sejam recrutados para trabalhar em garimpos e fazendas, se tornando vítimas do tráfico humano, sem receber os devidos direitos trabalhistas, insistindo em que a dignidade humana não tem fronteiras. Essa vulnerabilidade também está presente também entre as crianças, com dificuldade para poder aceder ao sistema educativo, muitas vezes dificultado pela falta de informação e a grande burocracia existente. Diante dessa realidade, precisa de muita mobilização social, o que demostra a importância de momentos como o colóquio realizado na Universidade Federal de Roraima. A articulação é algo fundamental, ir somando pessoas nessas causas, trabalhar em rede, se fortalecer, denunciar situações de tráfico de pessoas presentes na sociedade, como caminho para avançar na acolhida dos migrantes e no enfrentamento ao tráfico de pessoas. Para isso, o bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler, disse que o contato entre as instituições presentes no coloquio vai ser permanente, em vista de enfrentar uma realidade invisível, onde as vítimas têm amarras que as impede denuciar. “Quando se reúne pessoas há caminhos de solução”, ressaltou o bispo. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Evaristo Spengler: “Nossa Igreja não seria tão rica se não tivesse ficado do lado dos indígenas e do lado dos migrantes”

Acompanhar os migrantes é prioridade, não a única, mas uma das mais importantes, na diocese de Roraima. As Pastorais Sociais da diocese, que tem sua sede na Casa da Caridade Papa Francisco, se empenham de diversos modos em seu acompanhamento, mesmo diante da escassez de recursos e de pessoas para levar em frente essa missão. Muitas mãos que se juntam para construir um futuro melhor, para gerar vida, para tantas pessoas vulneráveis, buscando apaziguar seu sofrimento. Nesse sentido, são muitos os projetos sociais que mostram o rosto samaritano da Igreja de Roraima, até o ponto de o bispo afirmar que “Nossa Igreja não seria tão rica se não tivesse ficado do lado dos indígenas e do lado dos migrantes”. Em coletiva de imprensa foi dado a conhecer aos meios de comunicação locais o trabalho da Comissão Episcopal Especial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que está em missão na diocese de Roraima de 17 a 23 de junho, com visitas na Guiana e na Venezuela. Uma comissão que segundo lembrou seu presidente, o bispo da diocese de Tubarão (SC), dom Adilson Pedro Busin, faz parte da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB e que, na estrutura da Cúria Vaticana, estaria dentro do guarda-chuva do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral. O bispo ressaltou que a CNBB se preocupa sempre com a dimensão social, lembrando que a comissão, criada em 2016, formada por bispos, religiosos, religiosas, leigos e leigas, é um dos frutos da Campanha da Fraternidade de 2014, que teve como tema “Fraternidade e Tráfico Humano”. Dom Adilson Busin lembrou as palavras do Papa Francisco, que define o tráfico de pessoas como “uma chaga aberta que envergonha a humanidade”. A comissão já fez uma visita em Roraima em 2018, um estado com grande imigração fronteiriça. O bispo lembrou que o tráfico humano faz parte da migração de forma velada e silenciada. Daí a importância de pisar o chão, escutar as pessoas, ver, para poder levar adiante a missão de vigiar e dar resposta como Igreja a essa problemática. Ele insistiu na importância de cutucar, de recordar à sociedade a realidade do tráfico de pessoas. Para isso, a comissão existe para ajudar a esclarecer, a manter as antenas atentas, para escutar as vítimas e descobrir em seus rostos o rosto do Senhor. O bispo local, que também é membro da comissão, dom Evaristo Spengler, lembrou sua missão episcopal na Prelazia do Marajó (PA), uma região que desperta muita atenção da mídia com relação ao tráfico de pessoas, exploração sexual, trabalho escravo, afirmando com toda certeza que o que existe em Roraima é bem maior do que no Marajó. Numa região onde as fronteiras têm pouco controle migratório, o que possibilita o tráfico de pessoas, inclusive crianças, também de mercúrio para o garimpo ilegal. Diante disso o bispo denuncia a falta de atuação do poder público, diante de episódios de contrabando de todo tipo, de episódios de aliciamento, de exploração, de coiotes que se aproveitam da falta de conhecimento das pessoas. Na realidade interna de Roraima, o bispo falou sobre o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, que acaba com a natureza, polui os rios, e apesar da Operação Desintrusão, a força do narco garimpo, financiado nacional e internacionalmente, onde existe tráfico de armas, de drogas, exploração sexual das indígenas, lembrando as palavras de Davi Kopenawa: “o branco vai lá, usa as nossas mulheres, as nossas meninas, como se fosse um prato descartável que jogam fora”, algo que define como realidades muito duras. Diante disso dom Evaristo Spengler denuncia: “O estado não tem assumido ainda o seu papel no enfrentamento ao tráfico de pessoas”. Nessa perspectiva, a missão da comissão é ajudar a fazer um diagnóstico profundo e descobrir caminhos como Igreja, trabalhando em rede com a sociedade, e cobrar do poder público a sua ação. Isso porque o poder público está deixando a ação na mão da sociedade, das organizações humanitárias. O aumento do tráfico humano na região de fronteira está relacionado ao aumento das migrações, é algo que aparece nas pesquisas realizadas pela Universidade Federal de Roraima. A professora dessa instituição, Márcia Maria de Oliveira, destacou que “o migrante é alvo especial da exploração das rotas do tráfico” falando sobre a existência de empresas especializadas no tráfico, no traslado com transportes clandestinos, que tem aumentado nos dois últimos anos em Roraima. Esses migrantes são depois são destinados a trabalhos sem contrato, não pago, análogo à escravidão, em madeireiras, nos garimpos, em grandes fazendas. As mulheres são as vítimas principais, com aumento do abuso sexual de crianças, segundo a socióloga, que ressaltou que na região o tráfico de pessoas está estreitamente vinculado ao garimpo, que por sua vez está controlado pelo narcotráfico, falando do crescimento dos chamados “prostibares”. Existe um vínculo entre trabalho escravo, sendo os homens as vítimas principais, a exploração sexual, no caso das mulheres, e a exploração de crianças para cavar pequenos túneis nos garimpos. A comissão, segundo sua secretária executiva, Alessandra Miranda, trabalha na metodologia de atuação e formação junto aos regionais da CNBB e as pastorais sociais. Para isso são elaborados materiais, que seguem o método ver, julgar, agir, ajudando no conhecimento dos protocolos internacionais, e no conhecimento das diversas modalidades do tráfico de pessoas. Um dos problemas do Estado de Roraima, segundo o bispo local é a falta de interesse do poder público com relação ao tráfico de pessoas. Um exemplo disso foi a audiência pública na Assembleia Legislativa de Roraima em julho de 2023 sobre tráfico de pessoas, onde nenhum deputado participou, mesmo tendo sido todos convidados. Diante disso, dom Evaristo Spengler disse que “se naturalizou, aqui no estado, crimes que são bárbaros: a destruição da natureza, a venda de pessoas, a exploração sexual, parece que estão naturalizados”, denunciando a dificuldade de envolver o poder público do estado nessas causas. O bispo de Roraima fez um chamado à sociedade roraimense a pensar em quem vota. Ele lembrou que o Papa Francisco tem dito que…
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Comissão contra o Tráfico de Pessoas da CNBB: Ao outro lado da fronteira, conhecer a realidade para ampliar a prevenção

Muitas pessoas, movidas pelo preconceito, condenam os migrantes, todos os migrantes. Conhecer a realidade de onde eles vêm, nos ajuda a entender os motivos que levam essas pessoas a deixar tudo para trás e se aventurar numa nova vida, desconhecida, nem sempre fácil. Daí a importância da missão que a Comissão Episcopal Especial de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está realizando de 17 a 23 de junho na diocese de Roraima, com visitas em Bonfim e Lethem, o principal passo fronteiriço entre a Guiana e o Brasil, e em Pacaraima e Santa Elena de Uairén, passo fronteiriço entre a Venezuela e o Brasil. A Igreja do Vicariato do Caroní Santa Elena de Uairén é sede do Vicariato Apostólico do Caroní, uma Igreja com rosto indígena, que desde 1922 acompanha a vida do povo pemón, habitantes da Grande Sabana, numa tentativa de ser uma Igreja inculturada. Um território de 80 mil quilómetros, com grandes dificuldades de deslocamento, algo que desafia a ação missionária. Uma Igreja que quer caminhar junto com a diocese de Roraima, com objetivos comuns, numa Igreja sem fronteiras. Aos poucos isso vai se concretizando no trabalho da Caritas, nas experiências de formação e trabalho pastoral comum. Um caminhar junto que é motivo de gratidão para o bispo do Vicariato do Caroní, dom Gonzalo Ontiveros, que insiste na solidariedade da Igreja brasileira com o povo venezuelano. Uma visita que o bispo vê como experiência de escuta sinodal, que deve ajudar para avançar em caminhos comuns. Motivações, dificuldades, pedidos dos migrantes Segundo uma pesquisa da Caritas do Vicariato do Caroní, desde 2022 o ingresso de venezuelanos no Brasil, o 5º país aonde chega mais venezuelanos, tem aumentado. 23% eram migrantes de volta a Venezuela, 22% gente que vai e volta, e 55% por cento migrantes sem intenção de voltar. 74% por centos dos migrantes são mulheres. Entre as motivações está a reunificação familiar, a falta de emprego e os salários muito baixos na Venezuela, falta de serviços médicos e medicamentos. Entre as dificuldades no caminho, os migrantes sofrem com a falta de água potável, falta de lugares para banho e hospedagem, falta de dinheiro, falta de documentação para ingressar em outro país. Eles pedem alimentos, muitos não sabiam se iriam comer no outro dia, dinheiro para o dia a dia, serviço de saúde.   Como alternativas para resolver as dificuldades, é pedido pelas pessoas em trânsito, mais pontos de informação sobre os requisitos para sair do país, pontos de acompanhamento socioemocional, espaços de higiene adequados e para adquirir água potável. Poucas pessoas relatam situações de tráfico de pessoas, mas também é certo que nem sempre se tem a possibilidade de uma conversa mais pausada. Mesmo assim, são relatadas situações que sofrem os migrantes, especialmente cubanos, vítimas das máfias. Uma realidade que também atinge às comunidades indígenas, segundo relatam as lideranças indígenas locais, que destacam a falta de saúde como a causa principal de migração dos indígenas. O trabalho da Comissão de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da CNBB Diante dessa realidade, foram lembradas as palavras do Papa Francisco: “se nós queremos cooperar com nosso Pai celestial na construção do futuro, façamo-lo junto com nossos irmãos e irmãs migrantes e refugiados. Construamo-lo juntos!”. São desafios enfrentados pela Comissão de enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da CNBB, segundo o bispo de Tubarão e presidente da comissão, dom Adilson Busin, que destacou o trabalho em comum que está sendo realizado. A migração é um fenómeno mundial, o que tem ampliado as rotas migratórias, segundo a professora da Universidade Federal de Roraima, Márcia de Oliveira, que faz parte de um grupo de estudo que tem descoberto a exploração que sofrem os migrantes, vítimas de redes organizadas criminosas, nos traslados, relatando situações vividas pelos migrantes, principalmente mulheres, inclusive menores, que não são denunciadas, diante das ameaças que sofrem e o medo que isso provoca. Dificuldades que os migrantes continuam sofrendo já no Brasil, nos traslados internos, com situações de trabalho análogo à escravidão, com grupos especializados na exploração dos migrantes. Diante disso, a professora faz um chamado a ficar atentos e denunciar esse tipo de situações de exploração e tráfico de pessoas. O trabalho pastoral da comissão para o tráfico de pessoas, segundo a Ir. Eurides Alves de Oliveira, leva a refletir sobre o trabalho de evangelização e promoção humana, como apelo do Evangelho na defesa da vida dos vulneráveis, “um apelo urgente para nossa ação evangelizadora se queremos ser fiéis ao Evangelho e a uma Igreja em saída”, segundo a religiosa. Ela refletiu sobre as palavras de Francisco no final da última assembleia da Rede Talitha Kum, onde definiu o tráfico de pessoas como um mal sistémico e que tem muitas raízes, muitas causas, como algo programado por um sistema que não coloca as pessoas no centro e sim o lucro. Essa realidade do tráfico de pessoas é muito presente no Brasil, mas pouco denunciada, ressalta a Ir. Eurides, daí a importância do trabalho da comissão, apresentando seus objetivos. Os passos a seguir De acordo com dom Gonzalo Ontiveros, Santa Elena é um lugar de passagem, o migrante chega ao terminal de ônibus e geralmente estão esperando-o para ir diretamente para Pacaraima, ou diretamente para Boa Vista, o que significa que o Vicariato de Caroní tem pouco contato com os migrantes, que em alguns casos vão de táxi de Caracas ou de outras cidades da Venezuela diretamente para o Brasil. Os poucos que ficam, ressalta o bispo, vão para algumas comunidades, que são muito vulneráveis, onde são acompanhados. Nessas comunidades, eles constroem suas cabanas e começam a viver por um tempo. Essas comunidades são visitadas pelos agentes pastorais do Vicariato, conhecendo de onde eles vêm, quantos membros fazem parte da família, uma pastoral de contato direto com eles e de assistência espiritual, com celebrações da Eucaristia. O número de migrantes tem aumentado em 2024, enfatiza o bispo, que fala do processo eleitoral que realizará eleições em 28 de julho, o que gera expectativas, e cujo…
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Ver o outro como um irmão, o caminho para acolher quem chega perto de nós

A fraternidade deveria ser uma necessidade na vida de todo ser humano, na vida da sociedade como um todo. Uma atitude que nos leva a ver o outro como um irmão, como uma irmã, a acolher aquele que chega perto de nós, também aquele que é diferente, aquele que vem de longe, o estrangeiro, o migrante, tantas vezes vítima de exclusão, de desrespeito em seus direitos fundamentais. Estamos celebrando a Semana do Migrante, que nos desafia a alargar a nossa tenda, a criar espaços de acolhida em nossa vida, em nossas famílias, em nossas comunidades eclesiais. A migração é um fenómeno que tem diversas causas, e uma delas é as mudanças climáticas. Daí o tema da 39ª Semana do Migrante, que nos leva a refletir sobre o cuidado da casa comum. A migração forçada é uma realidade presente no mundo, são muitas as pessoas obrigadas, por diferentes motivos, a deixar tudo para trás e se aventurar numa nova experiência de vida, as vezes longe, muito longe de casa, de tudo aquilo que dava segurança na vida da pessoa. Se adentrar num novo modo de vida, numa cultura diferente, numa língua que custa entender e falar. Nessas situações, o perigo aumenta e o risco de se tornar vítimas das diversas explorações que fazem parte do tráfico de pessoas aumenta. As redes do crime organizado se aproveitam da vulnerabilidade dessas pessoas, exploradas sem escrúpulo por criminosos sem entranhas, sem a mínima empatia com os outros seres humanos. Combater essas situações é um dever para quem tem fé, mas ao mesmo tempo se faz necessário “acolher, promover, acompanhar e integrar”, segundo insiste o Papa Francisco. Um compromisso comum que vai além quando ele é assumido por todos, quando todo mundo se envolve e olha o futuro com esperança. Eu estou disposto arrimar o ombro? Descubro a necessidade de me comprometer para que a vida daqueles que passam por momentos de dificuldade possam melhorar? Em minha vida tem lugar para aqueles que procuram uma vida melhor, para aqueles que por diversos motivos foram obrigados a iniciar a vida longe de onde eles viviam? Nos questionarmos sobre essa realidade pode ajudar os outros a ter vida em plenitude, a evitar situações de sofrimento. Ser fraternos é o caminho para um mundo melhor, para concretizar o Evangelho, a proposta de Jesus, que sempre pensa nos últimos, naqueles que por diversos motivos sofrem, mas querem continuar caminhando e construindo um mundo melhor para todos e todas. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Pacaraima, a fronteira onde a Igreja alarga sua tenda cada dia

Foto: Cláudia Pereira    Pacaraima, uma pequena cidade na fronteira com a Venezuela, era um local desconhecido, que se tornou manchete dos jornais com o início da migração venezuelana. A cidade mudou o rosto, em dez anos sua população dobrou, e hoje 50 por cento são venezuelanos. Pacaraima é local onde a Igreja alarga sua tenda cada dia, se tornando casa de acolhida, mas ao mesmo tempo lugar de diversas formas de exploração, com episódios que são claros exemplos das dificuldades que enfrentam os migrantes em muitos lugares do planeta. Uma realidade de sofrimento e esperança A missão que a Comissão Episcopal Especial para o Tráfico de Pessoas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está realizando em Roraima, com visitas à Guiana e a Venezuela, permite conhecer uma realidade que encerra muitas macelas, situações de sofrimento que muitas vezes não aparecem, mas acontecem, provocando aflição em pessoas que carregam histórias de vidas feridas. Em Pacaraima, uma cidade marcada pelas filas, por pessoas deambulando nas ruas, a acolhida é realizada pelo poder público, principalmente pelo exército brasileiro, por organismos internacionais e por diversas instituições, dentre elas a Igreja católica. São diversos os espaços de acolhida, destinados a diversos públicos, dentre eles povos indígenas, mulheres com crianças, famílias, idosos. O refúgio dos povos indígenas abriga cinco povos diferentes chegados da Venezuela, fugindo da fome, da violência, do garimpo e de muitas outras situações adversas. No Brasil eles querem constituir comunidades indígenas, onde os diversos povos possam reconduzir sua vida. Foto: Cláudia Pereira    A Igreja acompanha os migrantes A Casa São José, abrigo para mulheres e crianças, foi criado em 2020 pelas Irmãs de São José de Chambery. As condições em que se encontravam as mulheres, que sofriam diversas formas de maltrato, exploração e tráfico de pessoas, levou as religiosas, sem nenhum recurso, nem ajuda, a iniciar uma verdadeira aventura. Aos poucos as ajudas chegaram, primeiro da Operação Acolhida do Governo Brasileiro, que até hoje fornece alimentação, e depois de muitas pessoas, de diversos lugares do Brasil e do mundo, sensibilizadas depois da invasão do abrigo em 2021. Um tempo de “muito sacrifício, muito choro”, diz nas lágrimas a religiosa que coordena o espaço, junto com voluntárias venezuelanas, que conhecem melhor a cultura das mulheres que lá chegam. Atualmente a passagem é mais rápida, no máximo um mês, no início algumas mulheres ficavam até seis meses, porque não tinham aonde ir. As irmãs de São José de Chambery também acompanham a primeira associação de migrantes venezuelanos no Brasil no ramo da panificação, a Padaria São José, um sonho de ter pão em todas as mesas, de levar o pão às comunidades mais necessitadas, mais distantes de Pacaraima. Um sonho que foi iniciado no salão da paróquia e onde depois de dois anos trabalham sete pessoas, que tem seu espaço de atendimento, ajudando os venezuelanos que cada dia entram pela fronteira. Criar essa associação não foi fácil, mas o apoio da diocese de Roraima fez possível sua legalização. Outros dois projetos da Igreja católica são o Projeto Porta Aberta, com capacidade para 50 pessoas, que acostumam ficar duas semanas, acolhendo aqueles que esperam a interiorização no Brasil. Oferece café da manhã, almoço e janta, e desde novembro de 2023 passaram mais de 120 famílias. Igualmente o projeto com idosos, que durante o dia oferece diversas atividades aos idosos, ambos projetos coordenados pelo padre Jesus Fernández de Bobadilla. Indiferença diante da migração e o tráfico de pessoas Dessa missão participam o bispo de Picos (PI) e membro da comissão, dom Plinio José Luz da Silva, que, diante do tráfico dos seres humanos, denuncia “a indiferença da sociedade, também da Igreja, em diversas regiões”. Diante disso, o bispo afirma que estamos diante de “algo que é escondido, mas que existe, e ele precisa ser considerado e combatido”. Um assunto que quando é falado, “não dá nenhum impacto, o pessoal não quer discutir sobre esse determinado assunto, entrar nos fatos”. Ele destaca que na própria CNBB não se fala nesse assunto, ele mesmo veio conhecer a comissão agora que foi convidado para fazer parte, “mas não tinha conhecimento desse trabalho que era feito”, sublinhando “o desconhecimento e por tanto desinteresse” sobre a temática. Diante dessa realidade, “eu vejo a necessidade da divulgação para prevenir”. Do mesmo modo que outras realidades que tem a ver com os pobres e a injustiça social são debatidas pelas Pastorais Sociais, o bispo de Picos insiste na necessidade de divulgação, de que nos subsídios da CNBB para as diversas campanhas, seja contado a realidade, como acontece em Roraima, onde “as pessoas ficam vulneráveis diante da migração, as pessoas ficam desfavorecidas de todos os recursos”, o que faz com que as organizações criminosas encontrem a oportunidade para usar os migrantes como mercadoria. Dom Plinio destaca a necessidade de a comissão conhecer a realidade para saber enfrentar os ataques à vida, essa chaga na vida das vítimas. Ele afirma que “esta missão, ela enriquece a gente com um conhecimento para que possa argumentar para a sociedade aquilo que a gente conhece”, o que demanda da comissão estar “permanentemente nessa investigação”, em vista de divulgar fatos nos meios de comunicação, o que ele considera fundamental, “as pessoas precisam tomar conhecimento do que está acontecendo e possam reconhecer em volta da realidade local, casos que são ocultos”. Foto: Cláudia Pereira    Defender a vida sempre Como Igreja, “nós precisamos defender a vida, desde a sua concepção até o fim último”, como missão da Igreja, segundo o bispo. Ele destaca que “essa vida, ela está realmente envolta na realidade”, afirmando que “o maior sofrimento do povo é gerado por uma sociedade da indiferença, da divisão de valores, da falta de oportunidades de viver dignamente, principalmente os mais pobres, os mais vulneráveis, que são os primeiros a sentir esse impacto”. Ele denuncia iniciativas dentro da Igreja católica que “praticamente excluem de sua missão essa parte de olhar a pessoa como um todo, na sua dignidade”. O bispo enfatiza que “há situações em que só…
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