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Inicia o Seminário das Pastorais Sociais do Regional Norte1: “Um modo de levar a semente do Reino de Deus”

Formar os agentes pastorais na dimensão sociotransformadora é umas das prioridades do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1). Para concretizar esse propósito foi iniciado nesta sexta-feira, 07 de junho, o Seminário Regional das Pastorais Sociais, com o tema “Amizade Social e o Compromisso Sociopolítico da Fé na construção do bem viver”, e o lema “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23,8). Partindo da parábola da semente, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1, cardeal Leonardo Steiner, destacou que “Deus nos gerou para produzimos muito fruto, para abrigar, para sombrear, para levar vida, para alimentar, animar, esperançar”. Segundo ele, “nossas Pastorais Sociais são um modo de levar a semente do Reino de Deus, a vida do Reino de Deus, o modo do Reino de Deus. Esse modo do Reino de Deus que vai transformando a vida das pessoas, o Reino de Deus que vai dando muitos frutos. As nossas Pastorais Sociais que vão lançando, vão visibilizando o Evangelho, o Reino de Deus”. Essas Pastorais Sociais são nomeadas pelo Papa Francisco na Bula de convocação para o Ano da Esperança, definindo-as, lembrou o arcebispo de Manaus, que disse que “são sementes de esperança as nossas Pastorais Sociais, nossas Pastorais Sociais elevam, lutam, alimentam, dessedentam, levando sempre esperança. As nossas Pastorais Sociais são transformadoras, não porque nós queremos, mas porque são evangélicas”. Ele fez um chamado a ter sempre diante dos nossos olhos, que “o Reino é sempre um Reino de esperança, porque é um Reino de transformação”, vendo o fato de levar a paz como missão das Pastorais Sociais e assim superar os diversos conflitos. Com relação à amizade social e ao compromisso sociopolítico da fé para construirmos uma nova fraternidade, uma nova sociedade, mais justa, o presidente do Regional Norte1, denunciou a violência presente na sociedade e as mortes de muitos jovens que não vem a público, chamando a estar atento a essas realidades, como compromisso de fé, como missão da Igreja. Diante do fato da política ter perdido importância e da resistência frente a ela, desafiou a recuperar a política, lembrando que existe no Brasil um movimento da Igreja para isso. Ele insistiu para não desistir do exercício da política, pedindo que o Seminário anime a fazer “o Reino de Deus cada vez mais visível e cada vez mais presente”. Um Seminário que é um espaço de formação para todos aqueles que tem que lutar cada dia com as coisas da cidade, segundo disse o bispo da diocese de Alto Solimões e referencial das Pastorais Sociais no Regional Norte1, em vista de que a sociedade nos subsidie em vista do bem comum. Ele animou a conhecer aquilo que Papa Francisco chama de boa política para poder chegar ao bem comum. Juntamente, dom Adolfo Zon denunciou que “falar de política hoje na nossa Igreja, para algumas pessoas, parece que é falar do diabo”. O bispo lembrou do trabalho da Igreja católica no Brasil em busca de políticas públicas, denunciando a volta atrás e o desinteresse com relação à coisa comum na sociedade atual. Ele insistiu em que “a fé tem que ser encarnada, uma fé etérea, volátil, não existe”, isso porque “o ser humano, ele é ação, e os valores do Evangelho iluminam as nossas ações”. Daí ele disse que “uma boa política sem gente que se interesse, ela não vai chegar”, vendo a Doutrina Social da Igreja como conjunto critérios e diretrizes de ação para avançar em vista da melhor política, tendo como instrumento para isso a formação, animando os participantes do Seminário a ser multiplicadores nas bases. Depois da apresentação, acolhida e mística, os 50 representantes das nove igrejas locais que fazem parte do Regional Norte1 participaram do Análise de Conjuntura, momento aberto ao público em geral, onde foi debatido sobre o “Compromisso sociopolítico do cristão/ã frente às eleições municipais”, que contou com a assessoria do advogado, economista e político, José Ricardo Wendling, ex-deputado federal. Ele iniciou sua fala se referindo ao sentido da política, afirmando que a política é cuidar das pessoas da cidade, é um serviço para a sociedade. Mas ao mesmo tempo denunciou um problema em volta da política, que leva a identificar a política com assistencialismo, esperteza, corrupção, e aos políticos com gente que não presta. A política é um exercício da cidadania, lembrando o papel ativo da Igreja católica na luta por direitos garantidos da Constituição Brasileira de 1988. As políticas públicas devem ser construídas a partir das necessidades da população, segundo José Ricardo, reclamando a necessidade de debate e definir prioridades no orçamento público. O problema é, segundo o ex-deputado federal, que não há processo participativo, o povo não é ouvido, não há debate. Com relação ao processo eleitoral destacou a importância do direito de votar, de se organizar em partido político, em associações e sindicatos, o direito de se candidato, refletindo sobre a necessidade de conhecer a ideologia dos partidos. Igualmente, José Ricardo mostrou o que é a Lei Eleitoral, que muda constantemente no Brasil, e o processo eleitoral, com chapas e alianças, mais por conveniência que por projetos comuns, e com pouco debate de propostas. Ele refletiu sobre o financiamento dos partidos, a compra de votos, assistencialismo e uso da máquina pública. Diante disso, o papel do Tribunal Eleitoral, a distribuição do fundo eleitoral, as Fake News e sua influência no processo eleitoral. José Ricardo Wendling, diante das eleições municipais, falou sobre o papel dos prefeitos e vereadores, os desafios a ser enfrentados nas cidades, algo a ser considerado na hora de eleger prefeitos e vereadores, mostrando diversos exemplos disso. Ele refletiu sobre a grande e crescente influência de igrejas evangélicas, do tráfico de drogas. Com relação à Amazônia, mostrou o aumento de membros do poder legislativo que defendem a mineração e garimpo, o Marco Temporal e não demarcação de terras indígenas, a flexibilização de leis ambientais, a redução de Reserva Legal e mais desmatamento. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Adolfo Zon: “Nós bispos, tomemos nossa responsabilidade para que o nosso povo se coloque a serviço do cuidado da casa comum”

Os membros da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), junto com seus assessores e os bispos referenciais dessa dimensão nos regionais se reuniram na Casa dom Luciano de Brasília os dias 5 e 6 de junho para um momento de formação. Em representação do Regional Norte 1 participou o bispo da diocese de Alto Solimões (AM), vice-presidente do Regional e referencial das Pastorais Sociais, dom Adolfo Zon. Entre as temáticas abordadas, o bispo de Alto Solimões destaca o cuidado da casa comum, do meio ambiente, como parte integrante da ação evangelizadora, que contou com a assessoria do bispo da diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comissão para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, dom Vicente de Paula Ferreira, tendo como referência a encíclica Laudato Si´ e a exortação apostólica Laudate Deum. Ele sublinhou, tendo como referência a exortação apostólica pós-sinodal “Pastores Gregis”, onde São João Paulo II diz que “há necessidade, pois, duma conversão ecológica, para a qual os Bispos hão-de dar a sua contribuição ensinando a correcta relação do homem com a natureza”. Um documento que segundo dom Adolfo Zon é um chamado para que “nós bispos, tomemos nossa responsabilidade na animação, para que o nosso povo se coloque a serviço do cuidado da casa comum”, sendo feitas sugestões para trabalhar a Ecologia Integral como eixo transversal no ministério episcopal, na evangelização com o povo e nas incidências políticas nacionais e internacionais. Outra temática abordada foi sobre a dimensão sociotransformadora da fé, com a assessoria do padre Francisco Aquino Junior, que destacou elementos da Doutrina Social da Igreja, elencando as linhas mais destacadas no Magistério do Papa Francisco, sobretudo em seus encontros e mensagens aos Movimentos Populares, afirmou o bispo referencial das Pastorais Sociais no Regional Norte1, que igualmente ressaltou o compromisso de trabalhar cada vez mais esta dimensão na base. Estiveram presentes no início da formação o núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, e o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers. O núncio apostólico, em base às enchentes no Rio Grande do Sul, destacou que têm se tornado frequentes os desastres naturais no cenário de mudanças climáticas, se referindo à solidariedade da Igreja em ajudar as pessoas atingidas pela catástrofe. Dom Ricardo Hoepers, insistindo na necessidade da Igreja do Brasil se mobilizar para a Campanha da Fraternidade 2025, que tem como tema “Fraternidade e Ecologia Integral”, com o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1, 31), e que isso seja assumido por toda a população brasileira, destacou o trabalho realizado pela Comissão Sociotransformadora em pautas imprescindíveis como a da ecologia integral. O encontro foi oportunidade para refletir sobre o atual sistema económico, que tem como base o paradigma tecnocrático, que busca o lucro máximo com o menor custo, atingindo os pobres e o planeta Terra, um organismo vivo, onde tudo está interligado, o que faz com que “para os problemas globais, as soluções têm de ser globais”. Diante disso, dom Vicente Ferreira fez um chamado à profecia na Igreja, a partir de uma espiritualidade ecológica. Passos que devem ser concretizados em vista da Campanha da Fraternidade 2025 e a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Com informações da CNBB Nacional

Uma paróquia que celebra os 25 anos de uma Ministra da Eucaristia é um exemplo de Igreja sinodal

A sinodalidade não é uma teoria, é uma prática, que nos leva a caminhar juntos e a reconhecer a importância de todos e todas no trabalho pastoral, missionário, evangelizador, da Igreja, das nossas comunidades e paróquias. Às vezes a gente se depara com situações que nos enchem de esperança e nos ajudam a acreditar que essa Igreja sinodal é possível. Ontem, 05 de junho de 2024, aconteceu numa paróquia da arquidiocese de Manaus uma Eucaristia onde foi comemorado os 25 anos de serviço de uma ministra extraordinária da Sagrada Eucaristia. São muitos os leigos e leigas que nos diversos ministérios, serviços e pastorais, doam sua vida nas comunidades, nas paróquias, na Igreja. Não é comum que esse trabalho sea reconhecido publicamente pela comunidade, pelo pároco, e se é reconhecido não se da a conhecer tanto quanto outras comemorações são divulgadas. Tem um ditado que diz que aquilo que não é conhecido, não existe, daí a importância desse fato ser celebrado e divulgado. Enquanto é comum que seja celebrado e divulgado anualmente os aniversários do clero, é mais raro que isso aconteça com os leigos, algo que não é feito nem mesmo diante de muitos anos de serviço. O pecado do clericalismo sempre é uma ameaça para o bem andar da nossa Igreja católica. Nesta semana, diante de uma notícia que tinha como título: “O pároco não governará sozinho, as paroquias serão coordenadas por uma equipe de leigos e presbíteros”, um padre jovem reagia numa rede social dando risada. Uma das demandas das mulheres na Igreja é que seja reconhecido seu trabalho e que elas possam participar dos espaços de decisão. As resistências a essas demandas são fortes em alguns grupos eclesiais, e isso dificulta gravemente avançar no caminho da sinodalidade. Temos dificuldade para reconhecer que o pensamento, a vivência da fé, o serviço dos outros, nos ajuda a crescer em conhecimento, abre nosso olhar, faz melhor o trabalho evangelizador. O valor que é dado às pessoas se manifesta no reconhecimento que temos delas, quando estamos ao lado nos momentos de dificuldade, mas também quando celebramos com elas os momentos importantes em sua vida, também na vida eclesial. 25 anos de doação num serviço concreto manifestam o compromisso cotidiano com a Igreja, e em consequência com Deus. Parabéns a dona Dayse Barros pelo seu compromisso de 25 anos como ministra extraordinária da Sagrada Eucaristia. Obrigado à paróquia Rainha dos Apóstolos da arquidiocese de Manaus por nos ajudar a descobrir que numa Igreja sinodal somos chamados a reconhecer publicamente o trabalho de todos e todas, também de tantas mulheres que doam sua vida em favor das comunidades e paróquias. Sem dúvida um sinal de esperança que nos mostra que a sinodalidade é mais do que a temática do Sínodo, é um modo de ser Igreja que deve se concretizar nas comunidades e paróquias onde todos e todas vivenciamos nossa fé. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Encaminhados os últimos detalhes do Seminário das Pastorais Sociais do Regional Norte1: uma reflexão em vista das eleições municipais

O Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte1), realiza de 07 a 09 de junho de 2024, na Maromba da arquidiocese de Manaus o Seminário das Pastorais Sociais. O tema a ser refletido é: “A Amizade Social e o compromisso sociopolítico da fé na construção do bem viver dos povos”, tendo como lema “Vos sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23,8). Para ultimar os detalhes do encontro aconteceu no dia 04 de junho na sede do Regional uma reunião em que foram definidos os últimos detalhes do encontro que será iniciado na sexta-feira, às 19 horas, com uma análise de conjuntura aberto a todas as comunidades, grupos, pastorais e organismos. Com a assessoria de José Ricardo Wendling, economista e advogado, será abordada a questão do compromisso sociopolítico do cristão/ã frente às eleições municipais. A formação de agentes na dimensão sociotransformadora da fé é umas das prioridades que aparecem nas Diretrizes para a Ação Evangelizadora do Regional Norte 1 (2022-2024), em vista de uma Igreja servidora e defensora da vida. O objetivo do seminário, que contará com a assessoria do padre Paolo Cugini, professor da Faculdade Católica do Amazonas, é contribuir na formação de lideranças para atuarem nas pastorais sociais, organismos e igrejas locais de forma mais qualificada, fortalecendo as mesmas, bem como as iniciativas no cuidado da vida a partir da fraternidade e amizade social.   Além desse objetivo principal, o Seminário das Pastorais Sociais 2024, pretende aprofundar na Encíclica Fratelli Tutti, na Laudato Si e Laudate Deum, refletindo sobre as relações e o cuidado com as pessoas e a casa comum; fortalecer as Pastorais Sociais no Regional Norte1, neste ano em que a Campanha da Fraternidade, que contribuiu para o nascimento de muitas pastorais, está completando 60 anos; aprofundar a dimensão sociotransformadora da fé no ano eleitoral, como compromisso dos cristãos leigos e leigas na construção da boa política; e partilhar as ressonâncias da 6ª semana Social Brasileira e encaminhamentos para o Grito dos Excutidos 2024. Se espera a presença de quatro ou cinco representantes de cada Igreja local, que possam contribuir e multiplicar nas dioceses e prelazias do Regional, a través estudos que ajudem nos encaminhamentos e desdobramentos realizados no Seminário. Mais uma oportunidade para que pessoas motivadas no compromisso sociotransformador da fé nas diferentes comunidades eclesiais possam se formar para assumir essa missão da Igreja na Amazônia. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Canoa de Entrada dá início à Trezena de Santo Antônio em Borba

O primeiro dia da Festa em honra a Santo Antônio, padroeiro da diocese de Borba, aconteceu um momento que já se tornou tradição: a Canoa de Entrada. A balsa e outras embarcações, enfeitadas pelos Jovens em Espírito e Verdade (JEV) e os vicentinos, saíram de Borba até a comunidade do Acará, próxima da cidade, para buscar Santo Antônio que tinha sido levado até lá uma semana antes, num momento que é conhecido como Canoa de Saída. Os fiéis e devotos de Santo Antônio, acompanhados pelo pároco da catedral de Santo Antônio de Borba, padre Joseph Raj e o diácono José Carlos foram animados, cantando juntamente com o grupo de música Filhos do Altíssimo, e vivenciaram mais um ano essa tradição que acontece há mais de 70 anos. Chegando na comunidade, subiram até a capela e trouxeram Santo Antônio no andor enfeitado. Uma emoção tomou conta tanto dos que carregaram o andor, quanto dos que aguardavam nas embarcações. Ao chegar na cidade, Santo Antônio desembarcou no porto, e uma multidão de fiéis e devotos já o aguardavam juntamente com o grupo musical para a subida do Santo, tocando o hino oficial, o dobrado de Santo Antônio. Em frente à Basílica, iniciou-se o 1° dia da Trezena em honra a Santo Antônio como já é feito há mais de 268 anos. Durante a Celebração Eucarística, em frente da cidade também passaram, flutuando no Rio Madeira, mais de 8 mil luminárias, confeccionadas com casca de laranjas e que foram colocadas no rio desde a comunidade do Acará, após a saída da procissão fluvial. Diocese de Borba

42ª Assembleia Geral do Laicato do Brasil: “O laicato, na sua forma organizativa, adquiriu a maturidade eclesial”

A 42ª Assembleia Geral do Laicato do Brasil, que reuniu em Manaus (AM), de 30 de maio a 02 de junho, 200 representantes dos 19 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foi encerrada com uma celebração eucarística, presidida pelo bispo de Araguaína (TO) e presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, dom Giovane Pereira de Melo. No contexto do Jubileu dos 50 anos do Conselho Nacional do Laicato (CNLB), o presidente da Comissão Episcopal para o Laicato destaca que “são 50 anos de presença, de organização, de mobilização. Segundo o bispo, “o laicato, na sua forma organizativa, adquiriu a maturidade eclesial”, afirmando que são 50 anos de compromisso com a missão evangelizadora da Igreja, de compromisso social com as lutas em momentos importantes da vida nacional, e uma tomada de consciência cada vez mais ampla da vocação batismal”. “Quando o laicato realiza uma assembleia como esta que nós fizemos agora, de revisão estatutária, mostra esta maturidade, esta tomada de consciência da identidade, da missão, da vocação, da importância da organização do laicato na Igreja do Brasil”, ressaltou dom Giovane Pereira de Melo. O bispo disse que “é preciso crescer, não só o laicato, também os ministros ordenados. Ainda está muito presente nos ambientes eclesiais o clericalismo, ainda há resistência e pouca compreensão em alguns ministros ordenados da importância da organização do laicato através dos conselhos de leigos”. Na 42ª Assembleia Geral do Laicato do Brasil foi aberta uma pauta para o Ano da Missão, que será realizado em 2025, depois de viver em 2023 o Ano da Profecia e em 2024 o Ano do Testemunho, “de pensar não mais um Conselho, mas pensar uma Conferência Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas”, disse o bispo. Segundo ele, “uma das missões que o laicato sai desta assembleia é trabalhar não só com os leigos, mas também no diálogo com os bispos, com os presbíteros, com as outras conferências dos religiosos, dos consagrados, a importância de o Conselho de Leigos ser reconhecido como uma Conferência Nacional, a exemplo das outras vocações na vida da Igreja”. O fato de ter realizado na 42ª Assembleia Geral do Laicato é Manaus, leva a presidenta do CNLB, Sônia Gomes de Oliveira, a dizer que “de forma assertiva, quando nós pensamos o tema, testemunhas da Igreja do Reino, e trazer a 42ª Assembleia para a Amazônia, para Manaus, marcou muito como é ser testemunho do Reino numa Igreja como esta”. Ela disse que “nós saímos daqui com nosso lema, anunciar aquilo que vimos e ouvimos, e nós vimos testemunho de uma Igreja encarnada com a vida, uma Igreja que é comprometida”, insistindo em que é marcante “a experiência que esta Igreja tem e que nos mostrou”. Na celebração final, Sônia Gomes de Oliveira, que é membro do Sínodo sobre a Sinodalidade, foi enviada para a segunda sessão da assembleia, algo que ele vê como “mais uma vez abrir para esse jeito de Igreja sinodal, dar essa abertura para mulheres, leiga, também ser vista, representada, nessa corresponsabilidade na missão da Igreja”. Uma assembleia que no Regional Norte1 pode ajudar, segundo o coordenador regional do laicato, Francisco Meireles, “a motivar mais os nossos cristãos leigos e leigas e assim fazer com que o trabalho do laicato do nosso Regional possa crescer nas nossas dioceses e prelazias e ser multiplicadores dentro das nossas paróquias, áreas missionárias e comunidades”. Para isso, serão preparados multiplicadores a partir daqueles que participaram da Assembleia, buscando implementar o conselho do laicato nas igrejas locais onde não tem e que possa continuar caminhando onde tem, e assim aumentar cada vez mais o trabalho do laicato.  Francisco Meireles insistiu na importância e necessidade da formação, “formar nossos cristãos leigos e leigas na dimensão espiritual, na vocação do cristão leigo e leiga, na missão do cristão leigo e leiga, e também na espiritualidade do cristão leigo e leiga, formando-o tanto para a comunidade como também para a sociedade, no campo da dimensão sociopolítica transformadora”. Participar da Assembleia tem sido uma experiência muito rica para Vanda Carvalho, vice-presidenta do CNLB. Ela disse ter percebido “nos gestos de cada pessoa, que eles vão vivendo essa Igreja sinodal”, algo que ela vê como consequência do Sínodo para a Amazônia, que “ajudou muito nesse processo de caminhada deles”. Ela destacou a celebração de Corpus Christi no centro de Manaus com todo o povo de Deus da arquidiocese, que “estão imbuídos dessa caminhada, dessa alegria, dessa contemplação do corpo e sangue de Cristo no irmão que está precisando”. A vice-presidenta do CNLB destacou a fala de dom Zenildo Lima, “que nos ajudou muito a entender essa realidade aqui dentro desta Igreja sinodal”. Ela, que disse ter sido a primeira vez em Manaus, tem vivido esse momento como uma experiência única e gratificante. Nessa perspectiva, Vanda Carvalho espera que “esses dias tenham trazido muita esperança para nós, e que nós possamos, a partir dessa experiência crescer com nossa espiritualidade, com nosso testemunho, onde estamos, sempre à luz dessa Amazônia, que é o próprio Evangelho de Cristo que está vivo aqui no nosso meio”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Lúcio Nicoletto é ordenado bispo na catedral de Padova, para continuar sua missão em São Félix do Araguaia

A catedral de Padova (Itália) acolheu no dia 1º de junho de 2024 a ordenação episcopal de dom Lúcio Nicoletto, bispo eleito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). Missionário no Brasil desde 2005, o novo bispo foi missionário na diocese de Roraima desde 2016 até sua nomeação episcopal, no dia 13 de março de 2024, data em que Papa Francisco completou 11 anos de sua eleição para ocupar a cadeira de Pedro. A celebração foi presidida pelo arcebispo de Cuiabá (MT), dom Mário Antônio da Silva, que foi bispo de Roraima enquanto dom Lúcio Nicoletto era missionário nessa diocese. Dentre os bispos do Regional Norte1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, concelebraram o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte1, cardeal Leonardo Ulrich Steiner, o bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler, o bispo de São Gabriel da Cachoeira, dom Raimundo Vanthuy Neto e o bispo emérito de Parintins, dom Giuliano Frigenni. Também concelebrou o arcebispo de Porto Velho, dom Roque Paloschi, que já foi bispo da diocese de Roraima, e outros bispos brasileiros. Igualmente se fizeram presentes presbíteros da diocese de Roraima e da Prelazia de São Felix do Araguaia, assim como da Vida Religiosa e do laicato. Na homilia, o arcebispo de Cuiabá destacou que “Jesus é modelo de um pastor, que não busca o próprio interesse, ao contrário, dona a própria vida a todos aqueles que aceitam a sua proposta”, destacando que ele é o verdadeiro pastor, que cura, ama e dá a vida pelas suas ovelhas, destacando a mútua dependência entre o pastor e as ovelhas. Dom Mário Antônio disse ao novo bispo que a missão principal de seu ofício apostólico é conduzir os fiéis à unidade da Igreja para a salvação, buscando criar no povo a consciência de criar uma sociedade justa e fraterna, “a justiça deve permear todas as relações sociais e interpessoais”, enfatizou o arcebispo de Cuiabá. Os bispos do Brasil presentes na celebração entregaram ao novo bispo, à sua mãe e ao bispo da diocese de Padova, alguns presentes, feitos pelos indígenas, como expressão de sinodalidade, de comunhão, agradecendo, nas palavras do cardeal Steiner, por tanto que a Igreja do Brasil tem recebido da Igreja da Itália, e agradecendo ao novo bispo por ter aceitado a nova missão que a Igreja lhe confia como bispo da prelazia de São Félix do Araguaia, “para servir e amar aquela Igreja”, segundo disse dom Vanthuy, a um povo que “lhe espera como sinal de esperança de Jesus Cristo, do Reino”. Em nome da Igreja de Roraima, seu bispo, dom Evaristo Spengler, disse que no coração daquela Igreja, “hoje só há gratidão, gratidão por você ser esse missionário que deixou sua terra, pronto para entregar-se de corpo e alma ao povo que encontrou”. O bispo destacou em dom Lúcio o fato de ter sido um homem de comunhão com a Igreja do Regional Norte1 e a Igreja da Amazônia, “que quer buscar cada vez mais ser uma Igreja presente junto ao povo sofredor, os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, uma Igreja que mostra o rosto misericordioso de Deus”. Dom Lúcio Nicoletto, no final da celebração, iniciou sua intervenção agradecendo a todas as pessoas que prepararam a ordenação, refletindo sobre o sentido da Eucaristia, no dia em que na Itália é celebrado Corpus Christi, e sobre a caridade. Ele lembrou suas palavras ao povo da prelazia de São Felix do Araguaia pouco depois de ser eleito bispo: “A graça da missão chegou à minha vida como um vento forte, um furacão que me mudou profundamente a partir do caminho da lógica da encarnação. E foi no encontro com a Amazônia, no caminho junto ao amado povo da Igreja de Roraima que aprendi que ‘A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia’. Este armar a tenda manifestou-se como um irrenunciável anúncio central da boa nova: anunciar aos povos o Evangelho de Jesus Cristo e de seu Reino como fonte de sentido e de libertação”, destacando a importância da missão em sua vida, e agradecendo a sua família e a todos os que acompanharam sua vida de fé desde seu nascimento, em sua formação e missão, na Itália e no Brasil. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Zenildo Lima: Corpus Christi “é trazer para a rua a admiração que a gente tem pela comensalidade de Deus”

A Solenidade de Corpus Christi, que em 2024 deu continuidade ao tema da Campanha da Fraternidade, refletindo sobre a Amizade Social, reuniu no Centro de Manaus milhares de pessoas das comunidades, áreas missionárias e paróquias da Arquidiocese de Manaus, contando com a presença daqueles que participam da 42ª Assembleia Geral do Laicato do Brasil, que está sendo realizada em Manaus de 30 de maio a 02 de junho de 2024. Na homilia, o bispo auxiliar de Manaus, dom Zenildo Lima, presidente da celebração, iniciou lembrando a condição de admirável, adjetivo que aparece na oração coleta do dia, uma oração que é usada quando é realizada a exposição do Santíssimo Sacramento, para se referir ao que é celebrado neste dia em tantas celebrações. Ele definiu como admirável a vida de Jesus, “que recupera para cada homem e para cada mulher a possibilidade da amizade com Deus”. Segundo dom Zenildo Lima, “é admirável sermos servidores da Eucaristia, é admirável termos a possibilidade de participar da comunhão da vida de Jesus, do seu corpo e de seu sangue, é admirável o papel de ministros e ministras da Eucaristia”. O bispo auxiliar ressaltou como é admirável “aqueles que estão ao serviço do altar de Deus, porque tornam presente Jesus na Eucaristia, como os nossos presbíteros, porque também presidem celebração da Palavra, como os nossos diáconos”, afirmando que “nos sentimos vocacionados ao serviço da comunhão, nos sentimos vocacionados ao serviço da Eucaristia, não simplesmente porque queremos ser celebradores de um ritualismo, mas porque nos atrai a admirável vida de Jesus que se dá no seu corpo e no seu sangue”. Dom Zenildo vê como sinal de alegria, o fato de que “Deus nos oferece a comensalidade”, recordando as palavras do Salmo do dia: “O Senhor nos alimentou com a flor do trigo”, um Deus que é fiel à Aliança, “quando Deus oferece banquete para nós, quando Deus nos sacia na nossa caminhada, no nosso percurso histórico, ele está revelando o seu compromisso para conosco”. O bispo auxiliar de Manaus disse que “ninguém quer esquecer da amizade de Deus, ninguém quer esquecer da providência de Deus, ninguém quer ficar fora desta ação amorosa de Deus”, o que leva o povo de Deus a sentir a necessidade de ações cultuais, de ações religiosas, como possibilidade de estar de novo na mesa com Deus, de fazer refeição com ele, quando nos distanciamos dele, algo presente na primeira leitura do dia. São situações que levam o povo a querer realizar a vontade de Deus, não por medo dele, não por uma pactuação somente, e sim porque o povo, “ele se sente envolvido, inebriado, tomado por esta relação amorosa, e faz questão de repeti-lo: ‘nós iremos viver, nós iremos fazer, tudo aquilo que o Senhor dizer, e nós vamos lhe obedecer’”, definindo os sacrifícios cultuais como expressão do compromisso do povo com Deus. É por isso que “toda ação litúrgica, toda ação sacrifical, toda experiência de comensalidade que a gente quer fazer com Deus, são experiências comprometedoras”, vendo cada celebração da Eucaristia e da Palavra nas comunidades como renovação desse comprometimento. Segundo o bispo auxiliar, “Deus não está cobrando o nosso comprometimento com ele, Deus está oferecendo o comprometimento dele conosco”, vendo o pão e o vinho, corpo e sangue de Jesus, como algo que “está dizendo do comprometimento amoroso de Deus por cada um de nós”. Falando sobre a celebração e a procissão de Corpus Christi, do fato de apresentar o corpo de Deus deste modo, dom Zenildo Lima disse que “é trazer para a rua a admiração que a gente tem pela comensalidade de Deus”. Ele explicou o sentido histórico da procissão do dia de hoje, vendo-a como algo que nos faz “romper com esquemas que tentam aprisionar-nos”, como expressão de Igreja em saída, como um modo de dizer para quem está na rua: “este é meu corpo, e é para você também”, este é meu sangue e é para você também”. “A vida sacrifical de Jesus supera e derruba toda pretensão de poder, que é seletiva, derruba e supera toda arrogância de poder, que quer premiar pessoas”, destacou dom Zenildo Lima. Segundo ele, “no sacrifício de Jesus, na vida oferecida de Jesus, está esta novidade admirável, que supera e vence toda relação que é seletiva”, insistindo em que “a procissão de Corpus Christi não é uma procissão para um gueto religioso, não é uma procissão para um gueto católico, é uma afirmação que todo homem e toda mulher podem participar desta amizade de Deus”. É por isso, que “o sacrifício de Jesus supera toda pretensão de querer se apresentar com juízes, de quem pode e quem não pode chegar perto de Deus”, enfatizou, pois “a vida oferecida de Jesus nem se encerra, nem se enquadra e nem se aprisiona em esquemas religiosos, promovendo a possibilidade de relações novas”. “Nós não somos devotos da Eucaristia, nós temos uma espiritualidade eucarística de seguidores de Jesus, de multiplicadores dos gestos de Jesus”, enfatizou o bispo auxiliar. Segundo ele, não combina conosco os esquemas seletivos, “não combina sermos promotores de inimizade e depois ficarmos compartilhando o ódio, e depois ficarmos propagando discursos de discriminação e de violência”. Dom Zenildo Lima denuncio que no percurso da procissão, nos deparamos com o barulho durante o dia e com cenas dramáticas de abandono durante a noite, afirmando “cabe na experiência de Deus a vida de todo homem machucado”. O bispo auxiliar insistiu em que “com o corpo e o sangue de Jesus está o corpo e o sangue de muita gente que empenha pela paz, de muita gente que se empenha pela promoção da vida, de muita gente que se faz guardião, guardiã dos direitos humanos, de muita gente que se faz cuidador da casa comum. Com o corpo e o sangue de Jesus estão associados muitos homens e mulheres que tombaram em seus corpos, derramaram o seu sangue, pela defesa da vida dos nossos povos. Mas com o corpo e o sangue de Jesus estão também muitos corpos esquecidos, dilacerados, dilapidados”. No…
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Francisco à Vida Religiosa do Brasil: “A vida consagrada, se permanecer firme no amor do Senhor, vê a beleza”

Mais de 800 religiosos e religiosas do Brasil estão reunidos em Fortaleza (CE), de 30 de maio a 02 de junho, com representantes do Regional Norte1, dentre eles o bispo auxiliar de Manaus, dom Edmilson Tadeu Canavarros dos Santos, para o Congresso dos 70 anos da Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil, que tem como tema: “CRB 70 anos: Memória agradecida, Mística, Profecia e Esperança”, e como lema: “Permanecei no meu amor” (Jo 15, 9). Na abertura do Congresso foi lida uma mensagem do Papa Francisco, onde ele lhes assegura sua proximidade e suas orações “pelo bom andamento do encontro e para que produza abundantes frutos na vida de cada comunidade religiosa e da Igreja no Brasil”. O Papa mostrou sua gratidão “pelo imenso dom da vocação à vida consagrada que, nos seus mais diversos carismas, enriquece a comunhão eclesial e colabora grandemente com a missão da Igreja em todo o mundo”, destacando que “de fato, em muitos lugares do planeta o primeiro anúncio do Evangelho tem a face dos consagrados e consagradas que assumem com grande empenho, e com a dedicação da própria vida, o mandato do Senhor: ‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura’ (Mc 16, 15)”. O texto faz um chamado aos religiosos e religiosas para que tenham consciência de que “o dom da vocação deve ser custodiado e cultivado a cada dia, para que produza bons frutos na vida de cada religioso e de cada religiosa”, alegrando-se com o lema, inspirado na última ceia. Para permanecer, Francisco destaca a necessidade “do diálogo constante com Jesus na oração diária e da fidelidade aos votos que expressam de maneira belíssima nossa consagração”. Ele recordou as palavras da homilia proferida em 1º de fevereiro de 2020, onde diz que “A vida consagrada, se permanecer firme no amor do Senhor, vê a beleza. Vê que a pobreza não é um esforço titânico, mas uma liberdade superior, que nos presenteia como verdadeiras riquezas Deus e os outros. Vê que a castidade não é uma esterilidade austera, mas o caminho para amar sem se apoderar. Vê que a obediência não é disciplina, mas a vitória, no estilo de Jesus, sobre a nossa anarquia”. Para o encontro, o Santo Padre espera que “seja momento de recordar com gratidão o passado – 70 anos de história! –, de viver o presente sustentados pela mística dos carismas específicos de cada família religiosa e comprometidos de maneira profética com o anúncio do Evangelho, e de olhar para o futuro com esperança”. A todos, com a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, envia sua bênção, e como ée costume, pede “que não deixem de rezar por mim”. Mensagem do Papa Francisco ao Congresso dos 70 anos da CRB FRANCISCO Queridos religiosos e religiosas do Brasil, Com o coração repleto de gratidão ao Senhor, dirijo-me a todos os participantes do Congresso da vida religiosa consagrada, promovido pela Conferência dos religiosos do Brasil, na comemoração dos seus 70 anos de fundação, com o tema “CRB 70 anos: Memória agradecida, Mística, Profecia e Esperança”. Quero assegurar-lhes minha proximidade e minhas orações pelo bom andamento do encontro e para que produza abundantes frutos na vida de cada comunidade religiosa e da Igreja no Brasil. Sou grato pelo imenso dom da vocação à vida consagrada que, nos seus mais diversos carismas, enriquece a comunhão eclesial e colabora grandemente com a missão da Igreja em todo o mundo. De fato, em muitos lugares do planeta o primeiro anúncio do Evangelho tem a face dos consagrados e consagradas que assumem com grande empenho, e com a dedicação da própria vida, o mandato do Senhor: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura” (Mc 16, 15). Sabemos, entretanto, que o dom da vocação deve ser custodiado e cultivado a cada dia, para que produza bons frutos na vida de cada religioso e de cada religiosa. Por isso, muito me alegrou saber que o lema escolhido para esse Congresso foi a recomendação de Jesus aos apóstolos, durante a última ceia: “Permanecei no meu amor” (Jo 15, 9). Com efeito, para viver bem o chamado divino é necessário permanecer em Seu amor, através do diálogo constante com Jesus na oração diária e da fidelidade aos votos que expressam de maneira belíssima nossa consagração, como recordei há alguns anos: “A vida consagrada, se permanecer firme no amor do Senhor, vê a beleza. Vê que a pobreza não é um esforço titânico, mas uma liberdade superior, que nos presenteia como verdadeiras riquezas Deus e os outros. Vê que a castidade não é uma esterilidade austera, mas o caminho para amar sem se apoderar. Vê que a obediência não é disciplina, mas a vitória, no estilo de Jesus, sobre a nossa anarquia” (Homilia, 1º de fevereiro de 2020). Como já expresso no tema do Congresso, faço votos que esse encontro seja momento de recordar com gratidão o passado – 70 anos de história! –, de viver o presente sustentados pela mística dos carismas específicos de cada família religiosa e comprometidos de maneira profética com o anúncio do Evangelho, e de olhar para o futuro com esperança. Confio estes desejos e preces à intercessão de Virgem Santíssima de Aparecida, Mãe dos consagrados e das consagradas do Brasil, a quem concedo de coração a minha bênção, pedindo ainda que não deixem de rezar por mim. Roma, São João de Latrão, 14 de abril de 2024 FRANCISCO Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Eucaristia: até quando teremos comunidades sem possibilidade de celebrá-la assiduamente?

A Solenidade de Corpus Christi é a Festa da Eucaristia. Neste dia somos desafiados a refletir sobre o que significa a Eucaristia na vida do povo católico e as dificuldades para que as pessoas possam celebrar a Eucaristia em alguns lugares. Muitas comunidades da periferia de Manaus, do interior da Amazônia, de muitas regiões do Brasil e do mundo, não têm a possibilidade de celebrar a Eucaristia cada domingo. Um dos mandamentos da Igreja fala da necessidade de participar da celebração da Missa todos os domingos. Diante dessa situação, como fazer realidade nessas comunidades esse mandamento? Como continuar sustentando a afirmação do Concílio Vaticano II que diz que a Eucaristia é a fonte e o ápice da vida cristã? O Sínodo para a Amazônia refletiu sobre essa realidade, propondo caminhos para que as comunidades possam celebrar a Eucaristia no dia do Senhor. Mas as resistências são grandes, não é fácil dar passos que ajudem no caminhar da Igreja, para fazer realidade aquilo que a própria Igreja sustenta em seu Magistério, em seus ensinamentos. Presidir a celebração da Eucaristia é algo que compete aos presbíteros e bispos, mas a falta de padres em muitas regiões é uma realidade que nos desafia. Também deve ser refletido sobre a distribuição do clero. Enquanto algumas comunidades contam com a presença de vários ministros ordenados, muitas outras tem que dividir o padre entre dezenas de comunidades. Também a falta de recursos, de disposição para chegar nos locais mais distantes, são situações que dificultam a possibilidade dessas comunidades poder celebrar a Eucaristia. Mas estamos diante de comunidades que valorizam grandemente a celebração da Eucaristia. Para as comunidades do interior, também na arquidiocese de Manaus, a Missa é momento de grande importância. O encontro em volta do pão partilhado, do sangue entregado em favor de todos, alimenta a vida de fé daqueles que, mesmo na dificuldade, vivenciam sua fé nesses locais. A Missa não é algo monótono, é sinal da presença do ressuscitado, que nos leva a fazer memória do mistério da fé que é celebrado. Daí a pergunta que nos leva a questionar até quando teremos comunidades sem possibilidade de celebrar a Eucaristia assiduamente? Encontrar novos caminhos para a Igreja, um dos propósitos do Sínodo para a Amazônia, é uma realidade que precisa de respostas, não só na região amazônica, mas em muitos lugares do mundo, em muitas comunidades eclesiais, que gostariam que a Eucaristia fosse celebrada com maior frequência. Aproveitemos a Solenidade de Corpus Christi para refletir sobre a Festa da Eucaristia, mas como uma festa para todos e todas, como um alimento cotidiano, que fortalece a vida de fé de todas as comunidades. O local onde as pessoas moram não deveria ser empecilho para que elas possam participar assiduamente da fonte e o ápice da vida cristã. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar