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“O tempo do higienismo social já passou”, denuncia Dom Hudson Ribeiro após ação da Prefeitura de Manaus contra a população de rua

Que os direitos da população de rua sejam respeitados é uma preocupação da Pastoral do Povo de Rua da arquidiocese de Manaus, segundo dom Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, que denunciou as ações de retirada de pertences, destruição de lugares de dormida, levar documentos, fatos acontecidos nesta quinta-feira, 23 de maio, na Praça dos Remédios, Centro de Manaus, insistindo em que a Igreja de Manaus “não pode permitir que isso volte a acontecer”. Segundo o bispo auxiliar, em entrevista à Rádio Rio Mar, “são ações constantes, que vem acontecendo com uma grande quantidade de policiais”, uma ação similar aconteceu no dia 14 de maio, denunciando o modo em que a operação da Prefeitura de Manaus foi feita, que não respeita as políticas públicas voltadas para a população de rua. É a quarta ação desse gênero, segundo o bispo, “existe uma insistência em continuar com esse tipo de ação. Hoje foi mais uma delas”. As pessoas que vivem em situação de rua afirmaram que essas ações conduzidas por secretarias da Prefeitura de Manaus com o suporte da Polícia Militar e da Guarda Municipal, estão se tornando constantes no Centro de Manaus. Essas ações têm provocado que pessoas que vivem em situação de rua, assustados e com receio, tenham procurado outros lugares, sobretudo para dormir. Uma pessoa que vive em situação de rua, que já está nessa situação há 13 anos, disse que os policiais chegaram derrubando tudo, questionando a presença de tantos policiais na operação, e perguntando por que não chegaram falando normal. Segundo a mulher, os policiais levaram até os pratos, “e a gente come aí”, disse com pesar. Outro homem em situação de rua, falando da operação realizada no dia 14 de maio, disse que “as pessoas mais atingidas foram os moradores da até então conhecida por eles como Cracolândia, que é onde os usuários utilizam as drogas mais pesadas e que apresentam maior risco a segurança”. Outros pequenos vendedores ambulantes no entorno da feira da Manaus Moderna denunciaram que seus pertences de vendas, carrinhos e produtos, foram apreendidos. Dom Hudson Ribeiro insiste em “não permitir com que direitos humanos sejam violados, as pessoas não podem ser retiradas se elas não tiverem um lugar onde serem abrigadas, se não tiverem condições de poder estar ali, que seus pertences não podem ser retirados, e que nas praças e lugares públicos, as pessoas têm direito de ir e vir, porque a Constituição permite isso, e elas não podem ser ceceadas desses direitos que são direitos básicos”, afirmando que “o tempo do higienismo social já passou”. Segundo o bispo auxiliar, “são mulheres e homens que tentam sobreviver com o pouco que adquirem para vender e têm seus meios de sustento confiscados”. A Pastoral do Povo de Rua se fez presente no local e denunciou os fatos acontecidos, “para evitar que situações piores possam vir a acontecer”, segundo o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus. Dizendo respeitar as ações da Prefeitura de Manaus com relação ao reordenamento do Centro de Manaus, ele denunciou que se faz necessário que o poder público entenda que nesses espaços existem pessoas e que “as pessoas são mais importantes do que monumentos e que é preciso que as políticas públicas voltadas para a população de rua, de fato sejam pactuadas entre as secretarias do campo, em vista da ação, e não sejam ações separadas, onde um não sabe o que o outro faz, onde a sociedade civil organizada também não é comunicada para poder acompanhar, e as coisas acabam acontecendo na calada da noite”. “A população de rua anda muito assustada, se sente ameaçada, e a Igreja precisa estar do lado daqueles que realmente precisam que alguém possa ajudar a falar com eles e por eles”, sublinhou o bispo auxiliar de Manaus. Dom Hudson Ribeiro denunciou a falta de diálogo entre as próprias secretarias da Prefeitura de Manaus, “para pensar e evitar com que esse tipo de situação possa vir a ocorrer”, questionando quem tem ordenado essas ações. Ele perguntou onde está o Ministério Público diante dessa situação, para exigir que os direitos das pessoas sejam respeitados e efetivados. Francilene Carneiro, assistente social da Comunidade Nova e Eterna Aliança, destaca o trabalho de escuta que é realizado com a população de rua, buscando assim conhecer as demandas dessas pessoas. Ela insiste na necessidade de um plano de ação por parte da Prefeitura de Manaus, “porque não adianta chegar na praça e destruir uma casa, porque por mais que seja um papelão, mas é a moradia dele”. Ao mesmo tempo questionou que o direito de ir e vir não é garantido para todas as pessoas, perguntando para onde levar as pessoas em situação de rua. Os organismos que acompanham a população de rua em Manaus pedem acompanhar as reuniões em que a Prefeitura de Manaus decide os passos a serem dados com essa população. A arquidiocese de Manaus a través da Pastoral do Povo de Rua, segundo Josilene Lustosa, assistente social da Pastoral, oferece diariamente café da manhã, serviço se banho, acolhida assistencial e encaminhamentos/acompanhamentos a outros órgãos em vista de resgate e promoção da dignidade deles. Ela denunciou a situação dos abrigos da Prefeitura de Manaus. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Milagre na Amazônia leva a canonização do fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata

Papa Francisco aprovou na manhã deste 23 de maio o decreto que leva à canonização do Bem-Aventurado José Allamano, a quem se atribui o milagre da cura do indígena Sorino Yanomami, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima Na manhã desta quarta-feira, 23 de maio, o Papa Francisco recebeu o cardeal Marcelo Semeraro, Prefeito do Dicastério da Causa dos Santos, e autorizou a publicação do decreto que leva a canonização do bem-aventurado José Allamano, fundador dos missionários e missionárias da Consolata. Na audiência também foram aprovados os decretos de canonização do jovem Carlos Acutis e de um grupo de franciscanos martirizados na Síria, de beatificação de um missionário do Precioso Sangue e dois mártires da Polônia e Hungria. No mesmo ato foram reconhecidas as virtudes heróicas de três servos de Deus da Itália e Espanha.   Milagre Os missionários da Consolata chegaram à Amazônia em 1948, justamente em Roraima, na região norte do Brasil que faz fronteiras com Venezuela e Guiana. Desde o princípio estiveram dedicados ao acompanhamento das comunidades desse território e fazendo paulatinamento uma opção preferencial pelos povos indígenas das atuais Terras Indígenas Raposa-Serra do Sol e Yanomami. Foi justamente na Terra Indígena Yanomami, a partir da missão na região Catrimani, onde os missionários e missionárias da Consolata tem uma presença efetiva e significativa desde 1965, onde vive o indígena Sorino Yanomami, que foi curado milagrosamente. No dia 7 de fevereiro de 1996, no primeiro dia da novena ao Bem-Aventurado José Allamano, o indígena Sorino, com 40 anos de idade, foi atacado por uma onça no interior da floresta, colocando em risco sua vida, pois teve parte do cérebro exposto e sendo declarado com poucas chances de sobreviver. Realizando o atendimento inicial à sua saúde na missão Catrimani, tendo que esperar oito horas até que foi transladado em avião ao hospital de Boa Vista, onde foi operado e ingressou a cuidados intensivos. Neste caminho, invocando ao bem-aventurado José Allamano e realizando a novena colocam uma relíquia dele junto à cama de Sorino e ao lado da sua esposa, um grupo de missionárias e missionários o acompanhou nesse caminho. Assim que, contrariando a muitos diagnósticos médicos, Sorino despertou dez dias depois da operação sem problemas neurológicos. No dia 4 de março saiu do hospital e no dia 8 de maio regressou completamente curando ao Catrimani, retomando sua vida normalmente na Terra Indígena Yanomami. A pedido dos missionários e das missionárias da Consolata, o bispo de Roraima, Dom Mário Antônio da Silva, no dia 29 de julho de 2020 nomeou os membros do Tribunal Diocesano para a Causa dos Santos local que estiveram reunidos em Boa Vista de 7 a 15 de março de 2021 estudando a veracidade da cura milagrosa de Sorino Yanomami atribuida a intercessão do Bem-Aventurado José Allamano, e enviando posteriormente as conclusões e relatórios ao Dicastério da Causa dos Santos, no Vaticano. Segundo o padre Luiz Carlos Emer, superior regional dos missionários no Brasil naquele tempo, “a graça recebida pelo indígena Sorino Yanomami, membro de um povo originário de nossa terra brasileira, é muito simbólica e carregada de esperanças para os missionários e para as missionárias da Consolata, que sempre levaram o povo Yanomami no coração e no centro de suas prioridades pastorais e teriam, graças a este milagre concedido a um de seus filhos prediletos, a consolação de ver finalmente seu fundador elevado aos altares. Por isso, convidamos todos a unirem-se em oração à Família Consolata para pedir que esta graça possa ser confirmada e reconhecida pela Igreja”.   José Allamano O padre José Allamano nasceu no dia 21 de janeiro de 1851, em Castelnuovo d’Asti (hoje Castelnuovo Don Bosco), norte da Itália. Educado solidamente nas virtudes humanas e cristãs pela mãe, irmã de São José Cafasso, e pelo próprio Dom Bosco, de quem foi aluno por quatro anos, respondeu à vocação sacerdotal com firmeza e decisão. Ordenado presbítero em 20 de setembro de 1873, foi por sete anos formador e diretor espi­ritual no seminário maior da diocese de Turim. Em 1880 foi nomeado Reitor do Santuário da Consolata, ofício que desem­penhou por 46 anos até a morte. Ali desenvolveu o ministé­rio sacerdotal em todas as dimensões: restaurou completamente e ampliou o santuário, transformando-o num centro vital de devoção mariana e de iniciativas apostólicas. Reabriu e dirigiu o Instituto de Pas­toral (Convitto Ecclesiastico) para os jovens sacerdotes. Empe­nhou-se carinhosamente na formação espiritual, intelectual e pastoral deles. Empreendeu a Causa de Canonização do seu tio José Cafasso. Restituiu grande vigor à casa de retiros espirituais da diocese no santuário de Santo Inácio, em Lanzo. Foi procurado para direção espiritual, confissão e conselho por inumeráveis pes­soas de toda categoria social. Promoveu associações católicas para a formação cristã, deu grande apoio ao trabalho dos leigos empenhados no campo social, editorial e educativo. Para enriquecer a  Igreja com a nota essencial da missionariedade, em 1901 fundou o Instituto dos Missionários e em 1910 o das Missionárias da Consolata, para a missão na África. A eles, embora continuasse seus numerosos empenhos diocesanos, dedicou os principais cuidados, formando-os àquele espírito que ele sabia ter recebido de Deus. Morreu santamente no dia 16 de fevereiro de 1926, em Turim, junto ao Santuário da Consolata. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, a 7 de outubro de 1990. A festa litúrgica do Bem-Aventurado José Allamano celebra-se no dia 16 de fevereiro. Com o atual milagre atribuído a sua intercessão neste dia 23 de maio, o papa Francisco informa que em breve convocará o Consistório para a cerimônia de canonização.   Por Julio Caldeira IMC – Com informações de Consolata América e VaticanNews

O Espírito não pode ficar preso no sambódromo

Não é fácil juntar oitenta mil pessoas, um número importante, mas que só representa pouco mais de seis por cento daqueles que se declaram católicos na arquidiocese de Manaus. A Festa de Pentecostes, a Festa do Espírito Santo é um momento importante na vida das comunidades da Igreja de Manaus, mas o desafio é que esse momento seja mais do que um evento, que se torne parte de um processo que leve aos católicos a assumir sua condição de enviados e enviadas com a força do Espírito Santo para anunciar o Evangelho. Nessa grande festa, que encheu de alegria o coração de muitos daqueles que se fizeram presentes, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, refletiu na homilia sobre a riqueza da Igreja católica nas vocações, nos ministérios, nos serviços, nas pastorais, “tudo sendo alimentados, revigorados, fortalecidos pelo Espírito”, que vai suscitando ministérios. Ele fez um chamado a ter na arquidiocese de Manaus o ministério da missão, “em cada comunidade termos irmãos e irmãs que levam a Palavra de Deus nas casas, para que a nossa Igreja seja cada vez mais missionária, cada vez mais evangelizadora, empurrada pelo Espírito, atraída pelo Espírito”. Isso porque “a comunidade não é para ela, a comunidade é para os outros”, pedindo “colocar os nossos dons ao serviço”. Esse ministério da missão tem que nos levar àqueles que nos dizemos católicos a pensar em caminhos de missão, lá onde a gente vivencia seu batismo. O grande desafio é conseguir que as pessoas possam descobrir a presença de Jesus em sua vida do dia a dia, que Jesus é alguém que está ao nosso lado sempre, que Deus está no meio das panelas, segundo dizia Santa Teresa D´Avila. Ninguém pode prender Deus ou pensar que Deus só se faz presente em alguns lugares, em alguns momentos. Deus habita a história em todo momento, em todo lugar, em toda circunstância, o desafio é fazer com que cada pessoa possa descobrir essa presença. Daí a importância do nosso testemunho, de assumir a missão como batizados e batizadas, mas também como Igreja. Sem isso, Deus vai continuar preso em determinados momentos, em determinados lugares. A gente vai precisar esperar o tempo passar ou se deslocar num lugar concreto para poder nos encontrarmos com Deus. Isso faz com que a gente esqueça que Deus, através de seu Espírito habita todos os cantos do mundo, Ele está no meio de nós, se faz presente na vida cotidiana, uma afirmação que faz parte da liturgia da Igreja católica, e que deve nos levar como cristãos a ter um olhar diferente, que nos permita enxergar essa presença. Uma Igreja missionária ajuda a entender quem é o Deus Trinitário, esse Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, esse Deus que se manifesta de diversos modos e que sempre acompanha a vida da humanidade. Quando cada batizado, cada batizada, descobre isso e o testemunha com sua vida, as pessoas vão se interessando em seguir esse Deus que nunca fica preso em nenhum espaço, em nenhum evento, esse Deus que em todo momento e em todo lugar acompanha a vida da humanidade, também a tua e a minha. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1 – Editorial Rádio Rio Mar

Dom Leonardo: O abuso contra crianças, “às vezes não se consegue fechar a ferida durante toda uma existência”

A luta contra o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes deveria ser uma luta de todos, pois quando esse crime é enfrentado de mãos dadas os direitos são garantidos. Mas para isso, o atendimento às vítimas tem que funcionar, algo que nem sempre acontece, segundo foi denunciado no Seminário Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes em Alusão ao 18 de Maio, que está sendo realizado em Manaus os dias 20 e 21 de maio de 2024. Se faz necessário que as crianças sejam tratadas como seres humanos, que precisam seus direitos garantidos, segundo denunciou Amanda Cristina Ferreira, presidenta do Instituto de Assistência à Criança e ao Adolescente Santo Antônio (IACAS), um organismo inspirado em princípios cristãos. Ela reclamou a necessidade de uma infância e uma adolescência sadia, demando que os adultos têm o papel de proteger. No seminário se fez presente o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, que iniciou sua fala agradecendo o trabalho daqueles que, na pessoa da presidenta do IACAS, definiu como grandes batalhadores por esta causa, enfrentada com liberdade e um amor muito grande. O cardeal insistiu em que “nós estamos abordando uma essência da pessoa humana, a sexualidade, nós não estamos falando de um aparelho genital, nós estamos falando de uma intimidade própria de cada pessoa”. Isso porque “a sexualidade é que existe de mais íntimo, de mais único, a sexualidade que nos leva a buscar relações, assexualidade que nos leva a entregar no amor, a sexualidade que nos inspira até na poesia. Essa sexualidade que nos leva a gerar, dar vida, dar descendência”. Uma sexualidade, que tem a ver com Deus, pois ele a definiu como “essa energia extraordinária que Deus nos deu, e é essa energia extraordinária que é agredida, essa intimidade que é agredida”. Dom Leonardo Steiner disse que “é por isso que machuca tanto, que às vezes não se consegue fechar a ferida durante toda uma existência, dada a grandeza, a intimidade, a unicidade da sexualidade”. O arcebispo de Manaus ressaltou a importância do encontro, “mas especialmente a importância de tentarmos buscar a superação do abuso, da exploração das crianças e adolescentes”. Falando da Igreja católica, destacou o esforço extraordinário do Papa Francisco, insistindo em que “tem exigido de nós bispos, ações muito concretas”, afirmando a atenção da Arquidiocese de Manaus, há muito tempo, a essa questão, ajudando na reflexão e nos embates. O cardeal destacou dois questões que considera muito importantes na superação do abuso e exploração de crianças e adolescentes, e que não tem dado passos. Em primeiro lugar, a vara da justiça, que assume diversas funções, além do combate ao abuso e exploração de crianças e adolescentes, dizendo que “é a sociedade civil que deve propor, é a sociedade civil que deve exigir proteção, nós devemos exigir”. O segundo elemento que recordou foi o centro integrado, que mesmo com várias reuniões não chega a uma conclusão, denunciando que “orçamento tem, o dinheiro está aí, mas não sai”, pedindo que isso seja abordado ao longo do Seminário. “Nós como sociedade temos obrigação, se realmente quisermos superar, quisermos proteger, nós teríamos uma boa base se tivéssemos o centro integrado”, insistiu, agradecendo o trabalho, o esforço, que as pessoas fazem, e pedindo que “de mãos dadas ajudemos a superar essa violência contra crianças e adolescentes”, em vista de que as crianças possam “crescer com saúde psíquica, com saúde religiosa, com saúde cultural, com saúde educacional”. A coordenadora do Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Ir. Michele da Silva, denunciou o desmanche das instituições que possibilitam o enfrentamento. Uma luta que é muito mais do que uma campanha ou um dia, pois “o cuidado da vida é um compromisso de todos e todas, e nós temos que assumir isso como algo inerente a nossa vida. A criança e o adolescente precisam se cuidado e ter os seus direitos respeitados e garantidos todos os dias”. A Procuradora-Chefe do Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima, Alzira Melo Costa, fez um chamado a refletir sobre o papel de cada um, de cada instituição, da sociedade, da família, do Estado, no enfrentamento desse crime. Indo além do enfrentamento, disse que “temos que começar a falar em erradicação da violência sexual contra crianças e adolescentes”, ter a convicção que é possível erradicar. Para isso se faz preciso efetivar, fazer um esforço árduo para atender as vítimas, com mais pessoas dedicadas a isso, angariando mais forças. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

80 mil pessoas celebram Pentecostes em Manaus: aprender a linguagem do Espírito, da suavidade do amor, do sair para encontrar

Uma celebração para agradecer a Deus pelo dom do Espírito Santo reuniu no Sambódromo de Manaus umas 80 mil pessoas. A grande festa da Igreja de Manaus, uma festa da partilha, onde a partilha de alimentos, arrecadados pela Caritas, ajuda aos mais carentes, é oportunidade para descobrir “como é bom estarmos aqui a nossa Igreja de Manaus e podermos invocar os dons do Espírito, dos quais não somos merecedores”, disse o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner no início da celebração, que destacou o fato de “nos sentirmos no Espírito, todos irmãos e irmãs”, lembrando o lema da Festa de Pentecostes 2024. Na homilia, o arcebispo iniciou agradecendo os 2000 voluntários na organização da Festa e aos funcionários públicos da Prefeitura de Manaus e do Estado do Amazonas que garantiram a tranquilidade durante a celebração. Comentando a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos lida na primeira leitura, o cardeal Steiner destacou diante da diversidade de procedências, o fato de ser “todos, no Espírito, irmãos e irmãs”, um Espírito que não escolheu, mas que abundantemente se apresentou, iluminou, “e pelo fato de ser irmãos e irmãs no Espírito, é que ouviram falar na própria língua, na própria cultura, no seu modo próprio de pensar, de ser”. O arcebispo de Manaus ressaltou que “a linguagem do Espírito, não é a nossa linguagem, porque a linguagem do Espírito é a suavidade do amor, mas é a suavidade da gratuidade, do dom da graça, a linguagem do Espírito é sempre a linguagem da proximidade, é sempre a linguagem do caminho, é sempre um sair para encontrar”. Uma Festa de Pentecostes inspirada na Campanha da Fraternidade 2024, “para reafirmar mais uma vez: irmãos e irmãs no Espírito”, disse o cardeal, enfatizando que “nós somos irmãos e irmãs”. Dom Leonardo comparou o sopro do Espírito sobre os discípulos, relatado no Evangelho, com o que acontece diante de uma criança que se machuca, que com o sopro da mãe, a dor se vai. Segundo ele, “é o sopro do Espírito, porque é o sopro da maternidade, é o sopro da paternidade, é esse sopro que cura as feridas, é esse sopro que cura as quedas da vida, é esse Espírito que vai sempre renovando, colocando de pé, esse Espírito que vai afastando a divisão, esse Espírito que sempre de novo recolhe e acolhe, o sopro do Espírito”. “Jesus soprou sobre eles, e nós recebemos esse sopro na Crisma”, disse o arcebispo de Manaus. Ele destacou que “todos nós recebemos o Espírito Santo, e todos nós somos iluminados pelo Espírito Santo, e todos nós temos o vigor do Espírito Santo, só que às vezes não nos damos conta, porque achamos que nós é que sabemos tudo, que nós é que sabemos os passos a serem dados, não temos a paciência de recolher, de esperar, para que o Espírito possa indicar qual é o melhor caminho, qual a melhor escolha, qual a melhor vocação, qual é o melhor ministério que nos é confiado”. Igualmente, dom Leonardo destacou que “o Espírito nos leva ao perdão, o Espírito nos leva à reconciliação, o Espírito harmoniza de novo a nossa vida, o Espírito que é capaz de sempre de novo tecer as relações familiares, as relações amorosas, as relações mais íntimas. É o Espírito que sempre de novo tece as relações da comunidade, as relações sociais”. Isso porque, “não existe família sem perdão, não existe irmãos e irmãs sem perdão”, disse o arcebispo, que destacou o fato de receber e oferecer o perdão, algo que aproxima, “porque aprendemos esse acarinhar de Deus no perdão”, chamando a perdão do modo de Deus, “porque o nome de Deus é misericórdia”. O cardeal Steiner refletiu sobre a riqueza da Igreja católica nas vocações, nos ministérios, nos serviços, nas pastorais, “tudo sendo alimentados, revigorados, fortalecidos pelo Espírito”, que vai suscitando ministérios. Ele fez um chamado a ter na Arquidiocese de Manaus o ministério da missão, “em cada comunidade termos irmãos e irmãs que levam a Palavra de Deus nas casas, para que a nossa Igreja seja cada vez mais missionária, cada vez mais evangelizadora, empurrada pelo Espírito, atraída pelo Espírito”. Isso porque “a comunidade não é para ela, a comunidade é para os outros”, pedindo “colocar os nossos dons ao serviço”. Um se colocar ao dispor porque Espírito é Pai e Mãe dos pobres, e porque o recebemos, “ele quer que sejamos pais dos pobres, ele pede que sejamos mãe dos pobres, que não deixemos ninguém de lado, que vamos sempre ao encontro dos outros, não apenas para oferecer o perdão, que já é muito, mas oferecer também o conforto, a justiça, o lazer, a cultura, a educação, a oportunidade de trabalho”. Lembrando que ao menos da metade da coleta seria destinada a ajudar os irmãos e irmãs que estão sofrendo no Rio Grande do Sul, ele fez um chamado a ver “o que nós estamos fazendo com a natureza, nós estamos empobrecendo a natureza, nós estamos destruindo, nós estamos dominando, nós estamos obrigando a natureza a fazer aquilo que ela não pode fazer”. Uma preocupação que deve estar presente em que mora na Amazônia, afirmando que “nós deveríamos estar profundamente preocupados com o meio ambiente, porque estamos delapidando a Mãe Terra, estamos destruindo a Mãe Terra, e ela necessita de um novo espírito, ela necessita de um novo cuidado”, dizendo que “porque recebemos os sete dons do Espírito, queremos dela cuidar”. Finalmente, o cardeal Steiner fez um chamado a cuidar das crianças e adolescentes abusadas sexualmente, “são os pobres, atingidos na alma, porque atingidos na sexualidade. Destruir a vida não é possível, porque são morada do Espírito, receberam o Espírito, é obrigação nossa termos um cuidado cada vez maior”. Para isso, dom Leonardo pediu que “o Espírito nos eleve, nos encante, nos transforme, nos alegre, nos dê a jovialidade, nos dê a graça da gratuidade para bem servir”, rezando: “Vinde Pai dos pobres, vinde doador dos dons, vinde, transformai as nossas vidas, alegrai as nossas comunidades, elevai a nossa pobreza de alma, enriquecei…
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Diocese de Borba institucionaliza a Caritas diocesana: “A fé sem obras é morta”

“Caridade, amor ao próximo, solidariedade, escuta às dores alheias…”, foram alguns dos conceitos atribuídos ao significado de Caritas. Assim pontuou a Articuladora da Caritas Regional Norte1, Márcia Maria Miranda, no em encontro diocesano, com a participação de representantes das quatro foranias da diocese, que institucionalizou a Caritas na diocese de Borba. A formação trouxe o histórico das Cáritas no Brasil e no mundo. Sua origem está na ação mobilizadora de dom Helder Câmara, na época, secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Assim, a Caritas brasileira foi fundada em 12 de novembro de 1956, como parte da ação social da Igreja e organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. As orientações do Concílio Vaticano ll marcaram a ação deste organismo eclesial que desde então, vive sobre os valores da pastoralidade transformadora. A assessora afirmou que a missão da Cáritas é testemunhar e anunciar Jesus Cristo. E neste ensejo, o Papa Francisco pontua que “Caritas é a carícia da Igreja”. Sob a orientação da Sagrada Escritura, dos Documentos da Doutrina Social da Igreja e pelo encontro pessoal de amor aos pobres a Caritas foi institucionalizada por dom Zenildo Luiz Pereira da Silva na celebração de encerramento do encontro, na Basílica de Santo Antônio, que afirmou que “a fé sem obras é morta”. O momento celebrativo foi também marcado pela missa em ação de graças aos cinco anos de ordenação do padre Jair Vieira, coordenador de Pastoral da Diocese de Borba e presidente da Caritas nesta diocese. Que o amor a Deus e ao próximo venha guiar os agentes deste organismo de pastoral, para encontrar no outro a pessoa de Jesus Cristo. Fonte: Diocesede Borba

Faleceu aos 61 anos a Ir. Frida Schröder, missionária na Prelazia de Tefé

Segundo informou a prelazia de Tefé em Nota de Pesar, assinada pelo bispo, dom José Altevir da Silva, CSSp, faleceu neste sábado, 18 de maio de 2024, às 7:45 horas, no Hospital 28 de agosto em Manaus, a Ir. Frida Schröder. A Nota mostra o profundo pesar da Prelazia de Tefé e de seu bispo, apresentando suas sentidas condolências aos parentes, amigos e toda a sua Congregação de Santa Catarina, “a quem a Prelazia de Tefé tem muita gratidão pelo serviço missionário que dedicou a esta Igreja Local”. A religiosa nasceu em Iporã (SC) aos 13 de março de 1963. O texto informa que “o corpo está sendo velado em Manaus, em preparação para que depois de alguns procedimentos, possa ser transladado para o Sul. Tais procedimentos serão feitos nesta segunda feira, 20 de maio”. Novas informações apontam que o velório será aberto neste domingo 19 de maio no Memorial São Francisco, em Iranduba (AM). A missa de corpo presente será celebrada na segunda-feira, 20 de maio, às 14 horas. Logo após a missa seguirá o sepultamento. Finalmente, dom José Altevir da Silva pede que “Deus a acolha em sua morada eterna. Que nossa irmã descanse em paz!” Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Diocese de Parintins cria Paróquia de São Pedro no município de Maues, com quase 70 comunidades

A diocese de Parintins tem mais uma paróquia, criada neste sábado 18 de maio na cidade de Maués. “A Paróquia São Pedro Apóstolo nasce de um desejo, de um sonho antigo, há mais de 20 anos as comunidades desta área da cidade vêm pedido para torná-la paróquia”, segundo o bispo diocesano, dom José Albuquerque de Araújo. Na cidade de Maues, que é uma das cidades com maior população do Estado do Amazonas, só havia uma paróquia, dedicada à Nossa Senhora da Conceição. A paróquia de São Pedro está formada por cinco comunidades da área urbana e 63 comunidades da área rural. O primeiro pároco, padre Ozéias Pontes Cativo, do clero diocesano, foi empossado com a criação da paróquia. Ele é natural de Parintins e tem 10 anos de ministério. A celebração eucarística de criação da paróquia e posse do novo pároco iniciou lembrando o histórico da comunidade, iniciada em 1967, a leitura do Decreto de fundação da paróquia, pelo vigário geral da diocese de Parintins, padre Dorival Nascimento, e a leitura de provisão do novo pároco, pelo coordenador de pastoral diocesano, padre Jânio Negreiros. Dom José Albuquerque fez um chamado a rezar pelo novo pároco, alguém que o bispo espera “continue sendo esse bom pastor”,  que inicia sua missão às vésperas da grande Solenidade de Pentecostes, pois “é o Espírito Santo que conduz a Igreja, é o Espirito Santo que nos ajuda a discernirmos, a agirmos sempre com prudência, sabedoria”. Após a celebração da criação da paróquia, presidida pelo bispo diocesano, o padre Ozéias disse que “iniciamos essa grande missão, juntamente com o povo de Deus, juntamente com as comunidades urbanas e rurais, esse desafio a frente dessa paróquia São Pedro Apóstolo”. Segundo o pároco, “nós queremos agradecer muito a Deus, agradecer as orações de cada um de vocês, agradecer todos os que estiveram aqui conosco, nesta manhã de sábado, véspera de Pentecostes, que celebraram conosco”. Ele insistiu em agradecer a quem colaborou, às diversas equipes de trabalho, pedindo “as orações de cada um para que possamos fazer um frutuoso trabalho, uma linda missão”. Segundo dom José Albuquerque, “foi um dia de grande comoção, de alegria, de entusiasmo, com esta nova paróquia no município de Maués”. O bispo ressaltou que “sabemos que esta paróquia, ela sempre vai estar em sintonia, em comunhão com nosso plano de evangelização, e fazemos votos para que essa sinodalidade aconteça”. A final de contas, disse o bispo diocesano de Parintins, “nós não estamos nos dividindo, mas pelo contrário, estamos nos multiplicando para atender os desafios da evangelização nesse grande município, principalmente na área rural”. Ele lembrou que a única paróquia existente até agora, Nossa Senhora da Conceição, além das comunidades da área urbana, ela tinha 126 comunidades na área rural, espalhadas numa grande região. Isso sem contar as 28 comunidades na Área Indígena, na região do Marau”. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Encontro do povo Ticuna: avançar no projeto Igreja Sinodal com Rosto Magüta

Criar uma Igreja com rosto amazônico e indígena é uma das propostas que surgiram do Sínodo para a Amazônia. Em alguns lugares, como entre o povo Ticuna na Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, há um desejo de avançar nessa direção. Um novo passo foi dado nos dias 15 e 17 de maio, com o encontro realizado na comunidade de Arara, na Colômbia. Durante três dias, seguindo um caminho iniciado anos atrás, essa comunidade indígena se tornou um ponto de encontro para mais de 70 catequistas, animadores e missionários do projeto Igreja Sinodal com rosto Magüta, segundo com Jonhatan S. Olarte. Esse evento reuniu agentes pastorais que trabalham nas comunidades Ticuna do povo Magüta, espalhadas ao longo do rio Amazonas, no Vicariato Apostólico de Letícia, na Colômbia; no Vicariato Apostólico de São José do Amazonas, no Peru; e na Diocese de Alto Solimões, no Brasil. Algumas das comunidades onde esse projeto está sendo realizado estiveram presentes nesse encontro: as comunidades de San José de Yanayacu, Yahuma e Barranco, do Peru, as comunidades Umariaçu I e Emaús, do Brasil, e Nazareth, Progreso e Arara, que foi a anfitriã, da Colômbia. O tema central de reflexão durante os três dias de reunião foi a comunhão, vista como essencial tanto no trabalho pastoral quanto no bem-estar das comunidades. Nessa perspectiva, foi destacada a importância da comunhão na prática cotidiana e como ela fortalece o tecido social e espiritual das comunidades Magüta. A metodologia do encontro buscou resgatar e valorizar as tradições indígenas, entrelaçando-as com a experiência cristã, criando um diálogo enriquecedor entre a fé e a cultura ancestral. Segundo os participantes, os dias foram marcados pela alegria e por momentos de partilha, onde experiências foram compartilhadas e vínculos foram fortalecidos. Essa alegria era palpável, refletindo a essência do que significa viver em comunidade e harmonia. Esse encontro não foi apenas uma reunião para discutir questões de fé, mas também uma celebração da vida e da cultura que une o povo Ticuna, formado por 35.000 pessoas que vivem nessa região da Amazônia, e no qual, pouco a pouco, vários ministérios estão surgindo para que o Evangelho possa ser anunciado a partir da realidade amazônica e indígena.   Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1

Dom Hudson Ribeiro: 18 de Maio, Faça Bonito!, um chamado a “proteger as crianças e adolescentes contra todas as formas de violações”

A cada 15 minutos uma criança é vítima de espancamento ou violência sexual no Brasil, um país onde segundo a Organização Mundial da Saúde, somente 7 em cada 100 casos de exploração sexual são denunciados. Em 2023, foram denunciados 39.357 casos de abuso e exploração sexual, com 42.031 violações existentes. São números alarmantes e daí a importância do 18 de maio, o Dia Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que já conta com 24 anos de mobilização com a Campanha Faça Bonito! Denunciar se faz necessário, dado que essa é uma das formas de enfrentar essa violência silenciosa que deixa sequelas graves. A Igreja católica brasileira vem se empenhando nisso há tempo, levando esse debate para a sociedade e alertando os organismos públicos. Para avançar nesse combate foi criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH). No caso das crianças, o tráfico humano acontece muitas vezes através de adoção ilegal, com finalidades para trabalho análogo a escravidão e exploração sexual comercial. A legislação brasileira continua avançando com novas leis e a Constituição Brasileira garante os direitos das crianças e adolescentes, mas na prática, a realidade é bem diferente e são muitas as crianças e adolescentes que sofrem violência no Brasil e se tornam vítimas do Tráfico de Pessoas. Em Manaus, como em tantas cidades do Brasil, se realizam ao longo do dia 18 de maio diversos atos para lembrar a necessidade de assumir o enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes. Representantes do poder público e da sociedade civil participaram desse momento. Para a Igreja católica, que no ato de Manaus estava representada pela Pastoral do Menor, a Cáritas, a Pastoral dos Migrantes, e a Rede um Grito pela Vida, a participação do Faça Bonito! é, segundo o bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson Ribeiro, que lembrou as palavras de Jesus no Evangelho: “deixar vir a mim as crianças porque delas é o Reino dos Céus”, um chamado a “proteger as crianças e adolescentes contra todas as formas de violações”. O bispo auxiliar destacou que “o Dia do Faça Bonito! é o compromisso da Igreja católica com a infância e a adolescência. Precisamos proteger, defender os diretos, promover tudo aquilo que é em favor da vida de crianças e adolescentes”. Segundo dom Hudson Ribeiro, estamos diante de “um compromisso de toda a sociedade que a Igreja católica participa nesse compromisso, que é um compromisso de vida”, ressaltando que “Faça Bonito! – 18 de maio é a nossa luta em favor dos direitos de crianças e adolescentes contra todas as formas de violação”. Mesmo diante da forte chuva, “queremos continuar lutando pelos direitos das nossas crianças e adolescentes”, disse a Ir. Michele Silva, coordenadora do Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, que ressaltou a necessidade do ato em favor da “vida e proteção das nossas crianças e adolescentes”, de ser cuidadores da vida. Um clamor por direitos que também chegou desde as crianças, na voz de Vitória Sofia, criança de nove anos, representante de um dos 327 grêmios estudantis das escolas municipais de Manaus, que disse que “as crianças e adolescentes precisam ter seus direitos respeitados, essa cidade precisa ser segura para mim e tantas outras crianças como eu”, dizendo aos presentes que “é meu direito viver num mundo sem violências, é meu direito crescer e segurança”. Representantes do poder público destacaram a necessidade de assumir essa causa como uma causa diária, sendo a informação e a educação as principais ferramentas para alcançar uma sociedade mais segura para as crianças e adolescentes. Algo que tem a ver com diversos âmbitos e que demanda um trabalho em rede em busca da melhora das políticas públicas. Nessas demandas também devem ser envolvidas as crianças e adolescentes, uma luta que tem que envolver toda a sociedade para que toda criança tenha seus direitos garantidos. O ato foi oportunidade para denunciar situações presentes em Manaus, mas também na Amazônia e no Brasil, como é a gravidez na adolescência, que o diácono Alfonso Brito, secretário executivo da Caritas Arquidiocesana de Manaus, denunciou como violação das crianças e adolescentes, insistindo para que os órgãos do poder público mudem essa realidade. Ele lembrou da criação do Centro Integrado que ainda será concretizado e que vai facilitar as denúncias e o acompanhamento das crianças e adolescentes, algo que pediu ser levado a todos os municípios do Estado do Amazonas, dotando de profissionais para atender as crianças e adolescentes. Uma luta que é de todos e é diária, segundo enfatizou a representante da Rede um Grito pela Vida. Luis Miguel Modino, assessor de comunicação CNBB Norte1