Mais de 70 mil pessoas participaram da Solenidade de Pentecostes na Arquidiocese de Manaus. A celebração aconteceu no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o sambódromo, no domingo (24) em que a Igreja celebra a vinda do Espírito Santo.
O tema escolhido para 2026 foi “O Espírito Santo faz da Igreja morada de todos e todas”. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo Metropolitano de Manaus, presidiu a celebração e nos recordou que a linguagem do amor permite que Igreja esteja em todos os povos e nações como presença consoladora aos mais necessitados. E por isso, desejos do Espírito para anunciar Jesus.
“Aqueles sem rumo, aqueles sem casa, aqueles sem teto, aqueles sem família, aqueles sem justiça, aqueles sem consolo, todos eles, queridos irmãos e irmãs, a esperar a nossa presença consoladora, amorosa, amorosa”, ressaltou o arcebispo.

O encontro fortalece a unidade
Durante o dia, muitas equipes se dedicaram na preparação do espaço onde acontece a celebração. Essa organização reflete o compromisso de caminhar juntos da Igreja em Manaus. É a grande oportunidade de encontro entre todas as comunidades que compõem a Arquidiocese, um momento no qual a unidade prevalece diante de tantas diferenças, dons e carismas.
Para compreender essa dinâmica escolhida e vivida pela Igreja em Manaus, é necessário que cada um e cada uma se sinta tocado pela mensagem de paz anunciada pelo Ressuscitado. O cardeal Leonardo Steiner recordou em sua homilia que essa não é uma paz sem tensões ou discussões, mas uma paz “que nos dá o horizonte de podermos conversar entre nós como irmãos e irmãs e conservar as nossas diferenças”.

O esforço de construir essa paz em nossas relações é alcançado quando há espaço para a atuação Espírito Santo como protagonista de transformação. É pelo Espírito que fortalecemos a unidade e a paz em nossas comunidades e famílias. O seu sopro a nos recordar a maneira de agir diante de tantas realidades de violência e a necessidade de invocá-lo.
“Para termos paz precisamos do Espírito Santo. Ele vai indicando caminhos, ele vai iluminando as nossas discussões, ele vai nos aproximando nossos afetos, ele vai nos dando língua e linguagem capaz de nos entendermos. Vai nos dando capacidade de entre nós estabelecermos laços que ninguém é capaz de romper. A paz só é possível no Espírito Santo”, apontou o cardeal.
O perdão constrói a paz
“Para haver paz é preciso perdão. E o Espírito amolece o nosso coração. O Espírito clareia as nossas ideias para que haja o perdão. O perdão entre nós lá em casa, aquele perdão que às vezes é difícil porque a ofensa foi grande, às vezes foi até abuso. E o perdão, só o perdão é capaz de nos devolver a paz. E o dom do Espírito que nos dá o perdão, que nos ajuda a dar o perdão”, enfatizou o cardeal Steiner.
A cultura do perdão é um elo para a construção da paz em todo o mundo. No início da celebração, uma grande bandeira da paz entra como sinal da paz tão desejada. Hasteada ao lado do palco torna viva a esperança de dias de paz em nossas comunidades tão machucadas pelas inúmeras violências. O arcebispo nos impele a repetir a mensagem do ressuscitado: “A paz esteja convosco”.
“A paz, queridos irmãos e irmãs, ameaçada também nas guerras entre nós, aquela violência nos nossos bairros, aquela violência política que cresce cada vez mais, a violência econômica. Já não sabemos mais aonde foi parar a ética, tudo uma violência, vivemos num clima sem paz”, reforçou o cardeal.

Sinal concreto de amor
Na Solenidade de Pentecostes em Manaus, a grande participação dos fiéis se torna sinal concreto do cuidado aos mais necessitados. A Cáritas Arquidiocesana organiza a coleta e distribuição de alimentos não perecíveis trazidos pelos participantes. Segundo informações da Cáritas, esse ano mais de 14 toneladas de alimentos foram arrecadas, esses alimentos serão distribuídos entre as Cáritas Paroquiais e chegaram as famílias em situação de vulnerabilidade social.
“Mais de 14 toneladas recolhidas, recebidas, doadas. É o dom do Espírito que transforma os corações e se tornam generosos. Nós somos muito agradecidos por podermos, como Arquidiocese, ir ao encontro dos necessitados com os dons que os irmãos e as irmãs nos oferecem”, foram as palavras de agradecimento do cardeal pelos alimentos arrecadados.
Com muita alegria a Cáritas informou que quantidade alimentos superou a arrecadação do ano passado em mais de 4 toneladas. A Secretária Executiva da Cáritas Arquidiocesana, Daniele Rodrigues, agradeceu a atuação voluntária de toda a Rede Cáritas e dos membros das Pastorais Sociais no recebimento dos alimentos. Um sinal de grande solidariedade que permeia a Igreja em Manaus.

A unidade rompe distâncias
No agradecimento pela presença de Dom Luiz Soares, arcebispo emérito e Dom Mário Pasqualotto, auxiliar emérito, e de Dom Hudson Ribeiro, o cardeal Leonardo Steiner também recordou os bispos auxiliares de Manaus, Dom Zenildo Lima, em recuperação de uma cirurgia, e Dom Samuel Ferreira, que o acompanha no processo de recuperação.
A trajetória pastoral de cada um dos bispos é de forte presença pastoral e atuação com as comunidades. E, para a Arquidiocese, são sinais de unidade e serviço na construção do Reino de Deus, sempre perpassados pelo anúncio autêntico do crucificado-Ressuscitado.
“Para que ele pudesse sentir a presença de todos nós no momento da recuperação. Nós queremos lembrar dele nas nossas orações, queremos lembrar de todos os nossos doentes, queremos lembrar de todos aqueles e aquelas que passam por necessidade, para que o Espírito seja o Espírito do consolo, o Espírito do amor”, finalizou o cardeal.

Convocação da XI APA
Ao final da celebração, o arcebispo de Manaus convocou toda a Igreja em Manaus para a realização da XI Assembleia Pastoral Arquidiocesana (APA) com o tema: “Igreja em Manaus, Missionária e Sinodal” e o lema: “O Espírito do Senhor me ungiu e enviou” (CF Lc 4,18), com duração de ano a contar da festa de Pentecostes até o junho de 2027. Abaixo um trecho da carta com as primeiras orientações:
CONVOCO A XI ASSEMBLEIA PASTORAL ARQUIDIOCESANA (XI APA) a realizar-se segundo um itinerário de preparação partindo das comunidades, setores, Regiões Episcopais, com os devidos encaminhamentos. Para tal foi nomeada uma Comissão de Coordenação que oferecerá as necessárias orientações quanto a dinâmica de participação, etapas do processo sinodal desta assembleia e conteúdos orientadores.







