Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Tag: Arquidiocese de Manaus

Dom Zenildo Lima: A experiência sinodal da Amazônia pode iluminar a Igreja universal

No âmbito da VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e vice-presidente da CEAMA, compartilhou uma reflexão sobre o valor da sinodalidade na vida da Igreja e sua expressão particular no território amazônico. Durante sua intervenção, o bispo explicou que a sinodalidade é uma experiência que manifesta a universalidade da Igreja. No entanto, ele lembrou que a Igreja sempre se concretiza em um lugar específico e em uma realidade concreta. Por isso, a teologia da Igreja local está profundamente ligada à experiência sinodal, pois é nos territórios que a Igreja vive, discerne e caminha junto aos povos. Nesse sentido, Dom Zenildo destacou que a Igreja na Amazônia foi construída historicamente por meio de processos missionários marcados pela sinodalidade. Embora esse caminho tenha sido marcado por contradições e desafios, também permitiu o desenvolvimento de uma experiência eclesial profundamente participativa e próxima das comunidades. Para o bispo, existe hoje uma grande oportunidade:que a experiência sinodal vivida na Amazônia possa se tornar um sinal e uma inspiração para a sinodalidade da Igreja universal. Ele lembrou também que, no Congresso Missionário Nacional da Igreja no Brasil, refletiu-se sobre como a Igreja local pode se abrir para as fronteiras do mundo, compartilhando seus aprendizados e seu caminho pastoral. Nessa perspectiva, destacou a proposta da CEAMA de salvaguardar e fortalecer as experiências sinodais na Amazônia, como forma de consolidar esse processo e oferecê-lo como referência para outras realidades eclesiais. Por fim, Dom Zenildo ressaltou que a construção de uma Igreja com rosto amazônico, que brota de sua identidade, de sua cultura e de sua relação com o território, permite viver uma comunhão eclesial profunda. Uma comunhão que, embora nasça em uma realidade local, permanece plenamente unida à Igreja presente em todo o mundo.

CEAMA inicia VI Assembleia Geral em Bogotá

A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) realiza, de 16 a 20 de março de 2026, sua VI Assembleia Geral em Bogotá, Colômbia, reunindo delegadas e delegados provenientes de diferentes territórios amazônicos e representantes de organismos eclesiais internacionais que acompanham o caminho da Igreja na região. O encontro reflete a diversidade e a riqueza do processo sinodal que a Igreja vem desenvolvendo na Amazônia desde o Sínodo para a Amazônia de 2019, consolidando uma rede de comunhão entre Igrejas locais, povos amazônicos e organizações eclesiais comprometidas com a defesa da vida e o cuidado da Casa Comum. Delegações de países amazônicos Participam da assembleia cinco delegados por cada conferência episcopal das Antilhas, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia, e dez delegados da conferência episcopal do Brasil, refletindo a dimensão do território amazônico. A composição das delegações expressa a diversidade de vocações e ministérios da Igreja na Amazônia: leigos e leigas, sacerdotes, bispos, religiosas e religiosos, bem como representantes dos povos amazônicos. Essa pluralidade manifesta o espírito sinodal da CEAMA, onde todos participam do discernimento e da missão comum. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da CNBB, participa como convidado juntamente com Dom Evaristo Spengler, bispo da Diocese de Roraima e Dom Vanthy Neto, bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira, na equipe de Liturgia. Além dos delegados, estarão presentes a Presidência, os assessores e a Secretaria Executiva da CEAMA, acompanhando o processo de reflexão, oração e diálogo. Delegados por países Colômbia • Dom Joselito Carreño Quiñones • Pe. Álvaro Antonio Luna Sosa • Irmã Claudia Yolima Amaya Díaz • María Rosario Giraldo Heredia • Henry Yasmani Fuentes Solís Bolívia • Dom Juan Carlos Huaygua • Pe. Francisco Guillermo Pará Tomichá • Irmã Digna Lucía Pauta • José Antonio Achipa Satonaka • Juan Urañavi Yeroqui Equador • Dom Celmo Lazzari, C.S.I. • Pe. Kléver René Urbina Ocampo • Irmã Marlene Llovana Cachipuendo Ulcuango • Carmen Inés Llerena Gómez • Uvaldo Garces Ajon Huatatoca Venezuela • Dom Jonny Eduardo Reyes Sace • Ricardo Elías Guillén Dávila • Peggy Jhoksanna Vivas Rodríguez • José Luis Andrades • Manuel Antonio Moraleda Antilhas • Dom Francis Alleyne, O.S.B. • Fr. Jean-Paul Komi Sikpe • Pe. Santiago Felipe Lantigua Santana • Auxilia Jacqueline Reand • Marva Joy Hawksworth Peru • Dom Augusto Martín Quijano Rodríguez, SDB • Pe. Jesús Huamán Conisilla • Irmã María Elena Bravo Cubas • Marco Arturo José Berrocal Carpio • Rubiela Ríos Bunaijima Brasil • Dom Neri Tondello, bispo da Diocese de Juína, no Mato Grosso • Dom Irineu Román, Arcebispo de Santarém, no Pará • Pe. Jadson Borba • Pe. Reinaldo Braga Junior • Ir. Sônia Maria Pinho de Matos • Ir. Mariluce dos Santos, da Diocese de São Gabriel da Cachoeira • Ima Célia Guimarães Vieira • Maria Istélia Coelho Folha • Antônia Moreira Cabral Neta da Silva • Ernestina Afonso de Souza Presidência da CEAMA A Assembleia é animada pela Presidência da CEAMA, composta por: • Cardeal Pedro Barreto Jimeno – Peru • Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus. • Irmã Laura Vicuña Pereira Manso, da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas. • Mauricio López – Equador • Patricia Gualinga – Equador Uma Igreja que caminha em sinodalidade Como sinal da articulação eclesial que sustenta este processo, participarão representantes das organizações fundadoras: o Conselho Episcopal Latino-americano e do Caribe (CELAM), a Confederação Latino-americana e do Caribe de Religiosos (CLAR), a Cáritas América Latina e Caribe e a Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), juntamente com agências de ajuda internacional e organismos da Santa Sé, como o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o Dicastério para a Comunicação e a Secretaria Geral do Sínodo. Além disso, participarão outras instâncias eclesiais e acadêmicas, como a Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina e do Caribe (CPAL), a Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA) e o Programa Universitário Amazônico (PUAM). Essas participações expressam a ampla comunhão a serviço da vida e da missão na Amazônia. A VI Assembleia Geral da CEAMA torna-se, assim, um espaço de encontro entre povos, culturas e ministérios diversos, onde a Igreja continua aprofundando o caminho rumo a uma Igreja com rosto amazônico, intercultural e comprometida com a defesa da vida, dos povos e dos territórios. Durante esses dias, os participantes compartilharão experiências, discernirão desafios pastorais e fortalecerão a missão da CEAMA no território amazônico, uma região fundamental para o equilíbrio ecológico do planeta e para a vida de milhões de pessoas que habitam seus territórios.

Regional Norte 1 participa de Articulação pós-COP 30

Entre os dias 13 e 15 de março aconteceu o Encontro de Articulação por Ecologia Integral e Justiça Climática, na Casa Dom Luciano, em Brasília (DF). O evento busca consolidar o caminho pós-COP 30 nas ações da Igreja Católica. Reprsentando o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) estiveram presentes Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar de Manaus, Irmã Rosana Marchetti e Ademir Jackson. Os caminhos de preparação No dia 14, os participantes fizeram memória do caminho da Articulação Igreja Rumo à COP30. Irmã Rosana Marchetti, coordenação de Pastoral e da Comissão de Ecologia Integral da Arquidiocese de Manaus, destacou que a Igreja do Regional Norte 1 realizou em Manaus “encontros em nível regional, em nível local, falando sobre a COP30 e quanto era importante para a Igreja do Brasil”. Ela aponta que as iniciativas realizadas no pré-COP prepararam os regionais na macrorregião Norte. “Muitas pessoas do nosso regional tiveram a graça de participar das atividades de sensibilização na COP30, ou seja, nos dias de realização da COP30. Foram realizadas várias tendas de aprofundamento e o nosso regional esteve presente com as lideranças indígenas, com a Casa de Francisco e Clara, com outras representações, como a Vida Religiosa, os bispos do Regional Norte 1”, explicou. A programação incluiu o painel com o tema “do evento à ação: caminhos do pós-COP 30 a partir de Belém”. Com intuito de pensar como continuar esta sensibilização a respeito da Ecologia Integral. Por isso, Ir. Rosana destaca a importância desse evento da COP 30 não seja “isolado, mas seja parte de um processo de sensibilização a respeito da mudança climática e da justiça socioambiental”. Consolidar o projeto da Igreja rumo à COP 30 Além disso, Ademir Jackson, coordenador de Pastoral da Diocese de Borba, destacou a temática da presença sinodal, das articulações, experiências e aprendizados da Igreja na COP 30. Para ele, o encontro foi uma oportunidade de “consolidar o projeto da igreja rumo à COP 30”. “Fomentar as ações que foram discutidas, que foram encaminhadas, que foram colocadas no nosso projeto pré-COP30, na COP30 e agora no pós-COP30. Então, como igreja, nós estamos nos reunindo para exatamente isso, com as outras instituições, para que possamos concretizar essas ações relacionadas à crise climática que nós enfrentamos hoje”, explicou Ademir. O coordenador enfatizou também a valorização do território nesses processos, partindo das necessidades de cada um. Ademir Jackson apontou sua representatividade nessa perspectiva territorial por ser “Caboclo Ribeirinho” e participante da COP30 pelo Norte 1. “É um olhar de águia para tudo aquilo que nós temos de forças para enfrentar as questões climáticas, mas também olhar para as forças que nós temos que são capazes de transformar as injustiças climáticas numa justiça social, numa justiça de direitos, numa justiça de território, de direitos de território, e, acima de tudo, na proteção dos povos, do território dos povos originários”, finalizou.

Diretores espirituais refletem sobre inteligência artificial em encontro nacional da OSIB

Entre os dias 9 e 12 de março, aconteceu o Encontro Nacional de Atualização para Diretores Espirituais, na Casa Mãe Acolhedora, em Belo Horizonte (MG). O encontro promovido pela Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) abordou o tema “Inteligência artificial, ferramenta ou obstáculo? O papel da tecnologia na direção espiritual”. Entre os presentes estavam Dom José Albuquerque, bispo da Diocese de Parintins, e Pe. Manoel Rubson Vilhena, da Arquidiocese de Manaus. No encontro, direcionado à Diretores Espirituais, Reitores e Formadores de Seminários, o Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), contou com a participação de Pe. Rubson Vilhena, que acompanha os seminaristas da etapa da Configuração do Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus. Além de 65 Diretores/as Espirituais de 17 regionais da CNBB com uma religiosa que atua no acompanhamento de seminaristas. Mudanças antropológicas e uso das redes A programação contou com assessorias de Pe. Danilo Pinto, Mestre em História (UnB) e Secretário-executivo do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (INAPAZ/CNBB), um organismo técnico de assessoria teológico-pastoral vinculado ao secretariado geral da CNBB e do professor Everthon Oliveira, de Belo Horizonte. O INAPAZ foi recriado com a perspectiva de que se torne um serviço de inteligência pastoral para a Igreja no Brasil. Para o presidente da OSIB, Pe. Vagner João Pacheco de Moraes, as contribuições ajudaram os participantes a compreender melhor as mudanças antropológicas provocadas pelo uso crescente das tecnologias digitais e das redes sociais. Em suas palavras “Foi uma oportunidade muito rica para refletir sobre as dificuldades e desafios que surgem a partir dessas transformações culturais e tecnológicas”. Tecnologia e formação Segundo a CNBB, o presidente da OSIB destacou que os inscritos vivenciaram dias de convivência fraterna, estudo e partilha. O foco principal das reflexões foi o impacto da inteligência artificial na formação e no acompanhamento espiritual. De acordo com o sacerdote, o momento foi importante para aprofundar conceitos e compreender melhor o cenário contemporâneo e trabalhá-lo nas casas de formção e comunidades formativas. O encontro buscou oferecer subsídios para que os diretores espirituais possam responder, de forma mais consciente e pastoral, às novas realidades vividas pelas gerações que crescem em um ambiente cada vez mais marcado pela cultura digital e pela inteligência artificial. Com informações e fotos de CNBB Nacional.

Steiner para o 3º Domingo da Quaresma: saciemo-nos dos dons da redenção

“Em nossa caminhada, na busca da água que eleva para a vida eterna, bebamos, saciemo-nos dos dons da nossa redenção”. Foi o convite feito pelo cardeal Leonardo Steiner para o 3º Domingo da Quaresma (8). A liturgia do dia apresenta a cena do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, onde Jesus diz à Samaritana: Dá-me de beber!. A celebração aconteceu às 7h30, na Catedral Metropolitana de Manaus. “Lá estava Jesus sentado junto ao poço de Jacó à espera de que alguém viesse e lhe desse de beber. Depois de longa caminhada, cansado da viagem, enquanto os discípulos vão em busca de alimento, Jesus está à espera de alguém que lhe mate a sede. Ele ali sentado, só, ao lado do poço, com sede, à espera de alguém que tire água e lhe dê de beber. E somente por volta do meio-dia uma samaritana se aproxima”, explicou o cardeal.  O desconhecido O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), reforçou a narrativa da aproximação da mulher “à busca de água”. Ela, mulher samaritana, é surpreendida pelo homem judeu “ali sentado a dirigir-lhe a palavra: Dá-me de beber”. Ele destaca que a visão dela se limitou a vê-lo como “o não do meu povo, aquele que adora em Jerusalém. Ele homem, ele desconhecido, ele quase atrevido, falando, mendigando água”. “Ela viu o judeu, o homem, o estrangeiro, o atrevido; não vira nele o seu Senhor e Deus. Ela não via, não sabia, não percebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia. Pedia água. “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: Dá-me de beber, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. Não sabia e não via e não se apercebia que seu Senhor e Deus ali estava à sua espera e lhe pedia para saciar a sua sede. Pedia água, para oferecer-lhe a água viva que jorra para a eternidade”, destacou. Tocar a alma No encontro, Jesus “sentado à beira do poço” parecia “apenas um pedinte” e, ao mesmo tempo, oferece “uma fonte de água que jorra para vida eterna”. A samaritana, movida pela dúvida, não consegue perceber “a força e a graça daquele que lhe pede água”. E para que ela acordasse, disse o cardeal, “Jesus toca no desejo de sua alma, na sua intimidade, nos seus amores. Disse-lhe Jesus:“vai chamar o teu marido e volta aqui. A mulher respondeu: eu não tenho marido. Jesus disse: Disseste bem, que não tens marido, pois tiveste cinco maridos e o que tens agora não é o teu marido”. “Ela era uma mulher quase solitária. Ela tinha um homem, mas não tinha marido. Perdera cinco e não tinha nenhum. Talvez, perdida em si mesma, mas sedenta, pois busca água, talvez a razão da vida. Ela mulher, mas não esposa, mas buscadora. Ela aquela que não se deixa amar e não consegue amar. Ela aquela que vem à fonte na busca de água. Ela a sedenta, necessitada, ela que agora é buscada”, enfatizou o cardeal. Terás a quem amar A samaritana não notara que “o seu Senhor e Deus estava à sua espera” e que ao pedir “dá-me de beber”, pedia “para “ser por ela amado”. O arcebispo enfatizou que ao perceber que aquele judeu era “fonte de água viva que jorra para a vida eterna”, ela encontra “um marido, isto é, a quem amar” porque Ele a ama. E transbordando diz “acho que Ele é o Cristo, o Deus. Sai a anunciar que encontrou o Messias”. “E nós nesse tempo da quaresma desejosos e desejosas de sermos visitados pelo nosso Senhor e Deus” frisou o cardeal, o vemos “sentado à beira do poço de nossa existência, a nossa espera”. Ele diante nós “tão perto, tão desejo de nós, dando a vida por nós, nos oferecendo a água que jorra do peito aberto, salva e redime”. “O convite de Jesus é para que “estabeleçamos uma relação amorosa, íntima, mais intensa e mais vigorosa que o amor entre o homem e a mulher. Ele aqui na força da palavra, na força do pão. “Como a samaritana anunciando, saltitando, proclamando: o Filho de Deus, o Cristo está aqui e me pede água. Deus aqui pedindo água, Deus aqui pedindo cuidado. É por isso que nós faremos de tudo para armar nossas realidades e estabelecermos relações em que podemos servir a água da vida e fazer as existências destruídas pela violência. Aproximemo-nos do poço da água da eternidade. Aceitemos o convite que ele nos faz: dá-me de beber. Deixemos que transforme a nossa, recupera nossa interioridade e nos ajude a sair de nós mesmo e o anunciemos. Ele o nosso salvador e redentor”. Quaresma: sair ao encontro de Jesus O arcebispo destacou que o tempo da Quaresma é tempo “de sair e encontrar Jesus” e deixar-se encontrar por ele, como a mulher samaritana. Esse percurso quaresmal conduz “a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte”. Ele também pontuou o incessante convite à conversão, “o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Joel 2,12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”. Ele também expressou que este é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. E, nas palavras de Papa Francisco, nos recordou que “na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo”. Degustar as águas da salvação O jejum nos ajuda a degustar melhor as águas da salvação, observou o cardeal. Ele pediu as palavras de Papa Leão quanto ao jejum não sejam esquecidas durante esse período: “abster-se de palavras que atingem e ferem o nosso próximo”. O cardeal indica que o ponto de partida seja “desarmar a linguagem, renunciando às palavras…
Leia mais

Conselho Missionário de Seminaristas do Regional Norte 1 celebra seus 14 anos

Na manhã do dia 03 de março de 2026, o Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus, celebrou os 14 anos do Conselho Missionário de Seminaristas do Regional Norte 1 – COMISE Labonté. A celebração em Ação de Graças reuniu seminaristas, formadores, padres, religiosas e representantes de diversos organismos eclesiais, todos unidos em memória e gratidão pela caminhada iniciada em 2012. Em sinal de comunhão e fortalecimento da missão, participaram representantes de importantes organismos eclesiais. Dentre os quais, o COMIRE (Conselho Missionário Regional); COMIDI (Conselho Missionário Diocesano); CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil); SAV (Serviço de Animação Vocacional); CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil); Faculdade Católica do Amazonas (FCA) e Seminário São José. A presença de cada um reafirmou que a missão não se faz sozinha, mas no corpo eclesial, onde todos colaboram para que o Evangelho chegue a todos os povos. “Vamos começar de baixo, uma coisa bem pequena, para depois chegar aonde queremos”, foram as palavras de Pe. Guido Labonté, missionário canadense da Sociedade Missionária Estrangeira de Quibéc (SME). No ano de 2012, um grupo de seminaristas, movidos pelo sonho de uma Igreja mais missionária, acolheu o desafio lançado pelo Pe. Guido. Com olhar acolhedor e coração incansável, ele nos ensinou que a missão se constrói na humildade, começando de baixo, com paciência e confiança. Hoje, sua semente frutifica em tantas vidas e vocações espalhadas pelas igrejas de nosso regional. Um chamado à humildade e à missão encarnada A celebração foi presidida pelo Pe. Gutemberg Gonçalves, coordenador do COMIRE Norte 1. Ele recordou figuras marcantes da caminhada do COMISE, como Dom Sérgio Castriani, “homem próximo, que amava os seminaristas e caminhava conosco”. Fez memória também de Pe. Marciney Marques, da Diocese de Parintins, cujo testemunho de vida simples e entrega generosa inspira tantos jovens a dizerem “sim” à vocação sacerdotal.À luz da liturgia do dia, ele fez um forte apelo à autenticidade: “Nós também queremos colocar fardos nos outros. Queremos nos exibir, usar roupas para chamar atenção. Precisamos ter os pés no chão. Na pastoral, ser seminaristas que visitam, que se aproximam, que servem. Vivamos o que pregamos e professamos”. Em sua reflexão, Pe. Gutemberg também evocou a memória das convivências com muitos seminaristas. Dentre estes, citou Rolisson Afonso, seminarista da Arquidiocese de Manaus, que nos trabalhos simples do seminário, testemunha que a missão se faz no cotidiano, na discrição, no serviço escondido, mas fecundo. “Tudo na humildade”, reiterou, “porque ser missionário é ser humilde“. “A missão é daquele que se coloca como servidor. Hoje celebramos 14 anos de história, de partilha, de cuidado, de memórias. Que sigamos humildes, como aprendemos com o Pe. Guido e com tantos que construíram essa caminhada”, finalizou o padre. Palavra da coordenação Ao final da celebração, o seminarista Leonan Barros, da Diocese do Alto Solimões, coordenador do COMISE Labonté, dirigiu-se aos presentes com palavras de gratidão e esperança. Ele destacou a beleza desse caminho memorável construído ao longo de 14 anos, lembrando quantos se dedicaram a esse processo, muitas vezes na discrição, mas sempre com amor, como o papel essencial da missionária Esther Chaco que colaborou no início deste processo. Em suas palavras, Leonan enfatizou que “a missão deste conselho se concretiza em caminhar juntos, em comunhão com o Seminário São José e com os demais organismos missionários, mantendo-nos unidos à Igreja e ao nosso Regional”. O coordenador também apresentou a equipe de coordenação regional para o triênio 2026-2029, composta por seminaristas das diferentes dioceses. Na vice-coordenação – Gilson Ribeiro (São Gabriel da Cachoeira); 1º secretário – Jocimar Marinho (Arquidiocese de Manaus); 2º secretário – Adalberto Peres (Diocese do Alto Solimões); Assessor financeiro – Hilton Silva (Diocese de Coari). A equipe conta com o a Assessoria Eclesiástica de Pe. Odílio Gentil (Membro da Equipe Formativa) e Irmã Rosanna Marchetti (Missionária da Imaculada) e concluiu com um convite fraterno a caminhar juntos “pois só não somos capazes. Que sigamos unidos, com os pés no chão e o coração na missão.” A semente continua a germinar Para a coordenação, a celebração dos 14 anos do COMISE Labonté “não foi apenas um olhar para o passado, mas uma renovação do compromisso missionário para o futuro”. Em cada canto da igreja deste regional, onde um padre formado nesta casa formativa e missionária – Seminário São José, e exerce seu ministério, ali está presente a semente plantada por Pe. Guido e regada por tantos seminaristas, formadores e agentes de pastoral. Que São José, patrono do seminário, continue a nos ensinar a ser pequenos, a começar de baixo e a confiar: a missão, quando vivida com amor, sempre dá frutos. Informações e imagens: Coordenação do COMISE Labonté

Conselho de Leigos e Leigas refletem participação do laicato na Igreja e na sociedade e elegem nova coordenação para 2026-2029

No último sábado de fevereiro (28) aconteceu nas dependências da Cúria Metropolitana a Assembleia Formativa e Eletiva do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) da Arquidiocese de Manaus. O encontro iniciou com um momento de acolhida e mística conduzida por Francisco Meireles e Mercy Soares, seguido da exposição da Cartilha da CNLB assessorado por Diego Aguiar, da comissão de Formação para o Laicato no Regional Norte 1 e pela Irmã Sônia Matos, religiosa da Congregação das Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo (ASC). Participaram da assembleia os leigos das coordenações das pastorais, comunidades, movimentos, dos setores e das regiões episcopais da Arquidiocese de Manaus, ou seja, todos aqueles que estão dentro da nossa igreja a serviço e nos diversos carismas. Sujeito eclesial Para Francisco Meireles, que esteve à frente da presidência do Laicato na Arquidiocese de Manaus nos últimos três anos, foi um importante momento de comunhão, formação e discernimento, com escuta, partilha e renovação do compromisso dos cristãos leigos de serem uma Igreja em saída, testemunhando o Evangelho com esperança. “Foi um dia de formação, estudo e aprofundamento sobre a identidade, a vocação, a missão e a espiritualidade do cristão leigo, com a assessoria do Diego Aguiar, e a tarde com a irmã Sônia, falou do papel do(a) cristão(ã) leigo(a) como sujeito eclesial, falando do sínodo para a sinodalidade, a partir dodocumento final da XVI Assembleia Geral Ordinária dos Sínodo dos Bispos ‘Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão’, trabalhando o cristão leigo como sujeito eclesial. Cristãos leigos e leigas, sal da terra e luz do mundo, a serviço da nossa igreja de Manaus”, explicou Francisco Meireles. Sal da terra e luz do mundo Diego Aguiar conduziu reflexões a partir da Cartilha Vocação, identidade, espiritualidade e missão, “elaborada com o objetivo principal de ajudar as arqui/dioceses a criarem seu Conselho de Leigos”, contribuindo para um “laicato consciente de sua identidade, vocação e missão, vivendo a espiritualidade do seguimento de Jesus, para continuar sendo sal da terra e luz do mundo nas diversas realidades”. Para Diego, é importante conhecer a história da caminhada dos cristãos leigos e entender o papel que têm assumido na Igreja e na Sociedade. “Trabalhamos a questão do Leigo dentro do contexto da história da Igreja, a sua participação e missão enquanto sujeito eclesial, como vê sua participação dimensão da Igreja e para além, também na sociedade. Trouxe o Conselho do Laicato, desde a dimensão nacional e a dimensão arquidiocesana, como o CNLB consegue atingir as bases, fazendo o processo de fortalecer em cada leigo e leiga a sua identidade, a sua missão, dentro da dinâmica da cartilha trabalhada que está disponível no site da CNLB, alinhando a perspectiva do que é ser um cristão leigo e leiga, e pra que, no processo de planejamento, de elaboração de calendário, podemos ter de forma clara a visão da igreja e as escrituras vão norteando o caminho do laicato”, destacou. Durante a assembleia ocorreu a eleição da nova presidência local do Conselho de Leigos, sendo escolhidos: • Presidente: Josiel Coelho• Vice-Presidente: Ivanir Jacaúna• 1ª. Secretaria: Helen Prestes• 2ª. Secretaria: Adenira Sousa• 1º. Tesoureiro: Humberto Souza• 2ª. Tesoureira: Lucia Cleide Ao final, houve um momento de agradecimento ao trabalho realizado pelos leigos que estiveram à frente do CNLB/Manaus no último triênio. Por: Ana Paula G. Lourenço

Dom Mário Antônio da Silva é nomeado Arcebispo de Aparecida (SP)

O Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) se alegra com a nomeação de Dom Mário Antonio da Silva como Arcebispo de Aparecida. Dom Mário Antônio estava a frente da Arquidiocese de Cuiabá. Seu governo pastoral é marcado pela dedicação, simplicidade e compromisso com as causas sociais. Em 2010, foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, no Amazonas, onde desempenhou um papel significativo no fortalecimento das comunidades eclesiais de base e na defesa dos direitos das populações do bioma. Sua atuação foi marcada pela proximidade com o povo, especialmente com os mais pobres e marginalizados. De 2015 a 2019, foi eleito presidente do regional Norte 1 da CNBB, que compreende os estados de Amazonas e Roraima. De 2013 a 2015, foi professor de Teologia Moral e Bioética no Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia  (ITEPES), atual Faculdade Católica do Amazonas, em  Manaus (AM). No ano de 2015, Dom Mário Antonio foi nomeado bispo diocesano de Roraima, onde enfrentou grandes desafios, como a crise migratória decorrente do fluxo de refugiados venezuelanos. Sua liderança pastoral foi essencial na organização de uma resposta humanitária da Igreja, articulando esforços para acolher e assistir milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. Caminho Vocacional Nascido em 17 de outubro de 1966, em Itararé, no estado de São Paulo, ele cresceu em uma família católica, onde desde cedo despertou sua vocação religiosa. Iniciou sua formação no seminário maior Divino Mestre, na diocese de Jacarezinho (PR), possui mestrado em Teologia Moral, pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, na Itália. Após sua ordenação sacerdotal em 1991, ele se dedicou intensamente ao trabalho pastoral, ocupando a função de formador e reitor de seminário. Na diocese de Jacarezinho, dom Mário foi diretor espiritual do Seminário Maior “Divino Mestre” – 1999 – 2006;  Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Jacarezinho (desde 03/12/2006); Chanceler da Cúria Diocesana (2006);  Orientador Geral da Comunidade Feminina de Assistência à Dependentes de Drogas – COFADD – 2003 – 2006;  Professor de Ética Filosófica no Seminário Maior “Rainha da Paz” – 2003 – 2006; Coordenador da Pastoral Vocacional – 1999 – 2001;  Coordenador Diocesano da Ação Evangelizadora (2004);   Professor de Teologia Moral no Seminário Maior “Divino Mestre” – 1999; Diretor Espiritual da Comunidade de Assistência aos Dependentes de Drogas – CADD – 1999;  Reitor do Seminário Menor “Nossa Senhora da Assunção” – 1994 – 1996; Coordenador da Pastoral Vocacional – 1994 – 1996; e Diretor Espiritual do Seminário Menor “Nossa Senhora da Assunção” – 1992 – 1993. Testemunhar e servir Nomeado pelo Papa Francisco em fevereiro de 2022, o arcebispo metropolitano de Cuiabá, dom Mário Antonio, assumiu a arquidiocese, com traços que marcaram sua trajetória: um espírito missionário e uma visão pastoral voltada para a sinodalidade e para a construção de uma Igreja em saída. Seu lema episcopal, “Testemunhar e Servir” reflete sua entrega confiante à vontade de Deus. Dom Mário foi eleito segundo vice presidente da CNBB no quadriênio 2019 – 2023. É membro do Conselho do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e Presidente da Cáritas Brasileira, que atua diretamente nas ações de solidariedade as comunidades e pessoas afetadas por situações socioambientais ou em situação de vulnerabilidade. O arcebispo de Cuiabá têm se destacado por sua habilidade em dialogar com diversos setores da sociedade, promovendo a paz, a justiça e o bem comum. Sob sua liderança, a arquidiocese de Cuiabá tem reforçado seu compromisso com a Evangelização, a formação de lideranças leigas e a ação social, sempre inspirada pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja.

Construir pontes no diálogo: Regional Norte 1 inicia Encontro Regional de Coordenadores de Pastoral

Entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026, com o tema “unidos construímos pontes, no diálogo”, acontece o encontro anual dos coordenadores e coordenadoras de Pastoral do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no Seminário Arquidiocesano São José, em Manaus. Um momento de encontro e partilha da caminhada de cada uma das Igrejas Locais. Durante dois dias os participantes realizarão estudo, socialização e encaminhamento das questões práticas das atividades em comum. Na manhã do primeiro dia, Pe. Valdivino Araújo, da Diocese de Coari, conduziu a oração inicial. Em seguida, o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, expressou que esse encontro é “desejo do regional de fazer uma caminhada” em conjunto, por isso é incentivado pelos bispos como um modo de fortalecer um caminho comum dentro de cada realidade. Essa perspectiva, contribui para a concretização do Sínodo sobre a Sinodalidade e na iluminação das novas diretrizes da ação evangelizadora da CNBB Nacional. Avanços e dificuldades Em seguida, os coordenadores dispuseram de um tempo para apresentar os avanços e dificuldades nos processos pastorais que estão em construção. A criação, organização ou ampliação de conselhos e organismos pastorais tem favorecido as dinâmicas de Evangelização, principalmente pela adesão de leigos e leigas com o apoio dos bispos. Embora haja pequena resistência em alguns pontos, o caminho do diálogo sinodal tem prevalecida e oportunizado novos horizontes. Na Diocese de Roraima, o apelo a unidade por meio da organização dos conselhos diocesanos corresponde ao caminho proposto pelo regional. A formação de novos missionários e missionárias também tem um papel fundamental pela alta rotatividade que acontece na diocese. Além de formações para fortalecimento da pastoral presbiteral, das missões nas áreas indígenas e nas áreas missionárias, alinhadas com as prioridades da diocese: iniciação a vida cristã, o decreto de proteção, e os conselhos pastorais e econômicos em todas as paróquias e a finalização do diretório sacramental. O caminho coletivo na Diocese de Coari, composta por 7 cidades, é marcado pela Assembleia Diocesana Anual. Uma das dificuldades apontadas pelo coordenador de Pastoral, Pe. Valdivino Araújo, é de realizar atividades do programa de formação a nível diocesano, que agora se dividirá nos polos de Coari e Manacapuru. Ele também destacou a força vocacional ao longo da história da diocese, mas que nos últimos anos tem enfrentado um declínio, o que ocasiona uma sobrecarga do clero. Ministerialidade O coordenador de Pastoral da Diocese de Borba, Ademir Jackson Lima, apontou a descentralização das atividades como um caminho para o desenvolvimento das atividades pastorais. Essa iniciativa, permite que mais pessoas acompanhem as formações e vivenciem as propostas pastorais trabalhadas ao longo do ano. Outro destaque feito pelo coordenador, é da importância da presença das lideranças de leigos e leigas que sustentam e colaboram com a concretização da missão. O representante da Diocese do Alto Solimões, o seminarista Leonan Barros, ressaltou que mesmo sem uma equipe de coordenação definida, o foco do trabalho pastoral diocesano é o fortalecimento da iniciação a vida cristã, a reestruturação das comunidades eclesiais de base trabalhando a ministerialidade. Além do aprofundamento do protocolo de proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis e da questão vocacional. Dinamismo A realidade amazônica impõe aos discípulos e discípulas missionários um intenso dinamismo. Durante o encontro, a palavra dinamismo foi muito utilizada, o que reverbera no comportamento pastoral assumido por cada igreja local. Os planos pastorais têm auxiliado nos desafios de articulação das bases, principalmente pelas distâncias geográficas. Pe. Geraldo Bendaham, coordenador de pastoral da Arquidiocese Manaus, apontou o forte dinamismo presente na arquidiocese, como característica que fortalece o caminho sinodal abraçado pela Igreja na Amazônia. Ele apresentou que a grande participação de leigos e leigas nas lideranças colabora para o alcance pastoral efetivo. Essa realidade é comum, e presente nas nove Igrejas, o que possibilita a articulação das atividades regionais com forte anúncio profético, missionário e eclesial sempre no horizonte da plenitude do Reino de Deus.

Steiner para 1º Domingo da Quaresma: Purificar a experiência da fé

“A tentação pode ser a purificação da experiência da fé acontecendo em nossa limitação. Ao mesmo tempo, é a experiência de, na limitação, nos abrirmos para a graça da vida nova oferecida por Jesus e que o Evangelho sempre nos aponta: a liberdade, o amor do Pai”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner para o 1º Domingo da Quaresma. A celebração aconteceu na Catedral Metropolitana de Manaus, às 7h30 da manhã. O arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispo do Brasil (CNBB Norte 1), explicou em sua homilia que o Evangelho desse domingo nos ensina que Jesus é conduzindo pelo Espírito ao deserto e “jejua quarenta dias”. O desejo do Espírito, é “prepará-lo para iniciar a missão de anunciador do Reino dos céus”. No deserto, Jesus é tentado pelo diabo, e depois dos “quarenta dias e quarenta noites” de jejum “teve fome”. A experiência da fé na condição humana Em sua reflexão, o cardeal Steiner apontou que “a tentação é a experiência da fé em nossa condição humana, na nossa situação finita, da finitude”. Para ele, essa “experiência da realidade humana”, “confrontada com a decisão da busca da vida eterna”, é “onde podemos nos deixar iluminar pela verdade do Evangelho, pela vida morte e ressurreição de Jesus”. O arcebispo enfatizou que o texto proclamado “nos fala da tentação como experiência da transparência de Jesus na relação com o Pai”. Na narrativa do Evangelho, Jesus é confrontado com três tentações. “Com a fome, com o poder e com o abandono de Deus. A tentação da fome de transformar a pedra em pão; a tentação do domínio de assumir o poder dos reinos; a tentação de não ser abandonado por Deus, sendo servido e acolhido pelos próprios anjos”. Transparência de Deus Segundo o cardeal Steiner, os 40 dias de jejum de Jesus no deserto nos ensinam que “somos sempre de novo confrontados com o que deveríamos ser: transparência de Deus”. Ele recordou que nas tentações Jesus “é asto, continente, transparência de Deus”. E que em cada uma das tentações, “Jesus vai aclarando o sentido de todas as coisas e de si mesmo com a Palavra de Deus”. “A cada tentação Jesus deixa mais evidente a sua pertença ao Pai; em cada tentação Jesus se torna mais límpido e transparente na sua relação com o Pai. Assim, Jesus sai das tentações do deserto mais forte, mais lúcido, pronto para iniciar o Reino de Deus, a Vida Nova. O Filho do Pai não é tentado pelo Pai, não tenta o Pai, mas é tentado por aquele que divide: diabo. É tentado e na tentação se reencontra como Filho no Pai”, explicou. Confronto e decisão: caminho do seguimento de Jesus Quotidianamente somos colocados diante “de tentação ou expressões de tentação”. O arcebispo explicou que essas experiências da tentação levam ao confronto e à decisão. Em suas palavras, exemplificou “O doce enfeitado que enche os olhos desperta o desejo de experimentar. A poça de água atrai a criança e suscita o impulso de tocar e ser tocada pela água. A beleza e a simpatia do homem e da mulher podem suscitar desejos”. O cardeal destacou que a “tentação pode levar ao pecado, mas não é pecado”, e que Jesus é “a medida grandiosa” da capacidade de ultrapassá-la a partir de Deus. Ele citou Santo Agostinho, que diz “que a tentação pode nos fortificar no caminho do seguimento de Jesus”. Isto é, sublinhou o arcebispo, “essa é a experiência da tentação apresentada no Evangelho de hoje: à luz da Palavra de Deus, sermos fiéis no seguimento de Jesus”. “Na aridez, no confronto com a nossa temporalidade, no deserto, nos 40 dias de nossa vida, não estamos sempre na tentação do fechamento e do enclausuramento em nossa realidade e na tentação contínua de querermos ultrapassar, transcender a nós mesmos as nossas dificuldades e tensões? Não estamos na tentação de fugir do deserto, isto é, do confronto com nossa realidade nua e crua, dura, ofegante, pesada e tentarmos, num passe de mágica, querer ultrapassar, ir para além, a partir de nós e não enfrentarmos na raiz as limitações?”, questionou o arcebispo. Optar pela vida amorosa com o Pai Neste início da Quaresma, o presidente explicou que a palavra de Deus indica o caminho da tentação “como a experiência da nitidez de sermos filhas e filhos do Pai Celeste”. Essa tentação, vivenciada “com nossa realidade desértica, e no jejum, na oração, na esmola”, não seria a possibilidade de “abrir toda a nossa pessoa à verdade do Pai?”, questionou. Ou ainda a experiência “de aprofundar nossa relação com o Pai e sermos conduzidos pelo Espírito?”. “E como Jesus no deserto, tentado por 40 dias, se aproxima limpidamente do Pai, não seria a tentação no deserto de nosso peregrinar, nos 40 dias de nosso tempo, a nossa possibilidade de entramos com maior nitidez, guiados pelo Espírito, no mistério da dor, da cruz, da morte de Jesus e nossa?” Para o cardeal, o tempo da Quaresma possibilita a percepção, na experiência concreta do Evangelho, da “beleza e a razão da nossa vida cristã”. E que na tentação, guiados pelo Espírito à luz da Palavra de Deus, abrir e limpar os olhos para “vermos melhor as coisas do alto”. Assim, “a tentação nos aponta para a grandeza da nossa fé cristã que não foge e despreza a tentação, mas em cada tentação elucida e opta pela grandeza sem igual da vida amorosa com o Pai”.  “Então para os seguidores e seguidoras de Jesus a tentação é a possibilidade, sempre renovada, de confronto, deixarmo-nos guiar pelo Espírito. Tentação é fazer a experiência de quem apreendeu a amar como Jesus ama e é amado pelo Pai. Por isso, rezamos em cada Pai nosso: não nos deixeis cair da tentação”, destacou o cardeal. Sondar o mistério de Deus O arcebispo recordou as cinzas recebidas na Quarta-Feira de Cinzas marcam o início do caminho quaresmal. Ao recebê-las, assumimos o compromisso de “sondar com mais disposição e alegria a nossa…
Leia mais