Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Tag: Arquidiocese de Manaus

Cardeal Steiner: “deixemos ressoar o consolo: ‘Não se perturbe o vosso coração’”

A Palavra de Jesus a indicar que nos momentos de perturbação, angústia incerteza deixemos ressoar o consolo: “Não se perturbe o vosso coração”. Afirmou o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, em sua homilia para o 5° Domingo da Páscoa, 3 de maio, na Catedral Metropolitana de Manaus. Essa afirmação indica o consolo de Jesus que chega a cada um de nós, assim como chegou aos discípulos que se encontravam aflitos e perturbados durante a Ceia Pascal. “A casa onde mora a perturbação e angústia será transformada na casa do aconchego, do amor, da compreensão. […] Termos a percepção de que Jesus está presente e nos acompanha. Papa Francisco nos ensinava que Jesus pede para termos fé n’Ele, para não nos apoiarmos em nós mesmos, mas em Jesus, pois a libertação da perturbação passa pela confiança. Confiar-nos a Jesus, dar o “salto” na fé. Esta é a libertação da perturbação. Jesus ressuscitou e vive precisamente para estar sempre ao nosso lado”, explicou o arcebispo. Jesus é o caminho Ao se apresentar como “caminho, verdade e vida” diante da pergunta de Tomé, Jesus direciona a compreensão para a dinâmica de “sua vida, as suas palavras, os seus gestos, o seu amor e a sua bondade, o dom de sua vida por amor com a morte de cruz”. Esse caminho apresentado por Jesus é o que caracteriza seus discípulos e discípulas. Ao aceitá-lo, os seguidores assumem esse caminho de identificação com o Mestre e caminham “ao encontro da verdade e da vida em plenitude, o Reino de Deus. “Caminhantes que somos, seguimos o caminho que é Jesus. Como nos ensina Santo Agostinho: ‘Ouçamos o Senhor: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida». Se procuras a verdade, segue o caminho; porque o caminho é também a verdade; ele é o teu destino e o teu percurso. Não é por outra coisa que vais a outra coisa; não é por outra coisa que vens a Cristo: é por Cristo que vens a Cristo. E como vais a Cristo por Cristo? Vais ao Cristo Deus pelo Cristo homem; pelo Verbo feito carne, vais ao Verbo que estava, no começo, em Deus; por aquilo que o homem comeu àquilo que os anjos comem todos os dias’”, disse o cardeal. Caminho a seguir “Por onde queres ir? Eu sou o caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida. Todo o homem consegue compreender a Verdade e a Vida; mas nem todos encontram o Caminho. Os sábios do mundo compreendem que Deus é vida eterna e verdade cognoscível; mas o Verbo de Deus, que é Verdade e Vida junto ao Pai, fez-se caminho ao assumir a natureza humana. Caminha contemplando a sua humildade e chegarás até Deus”, argumentou o cardeal citando Santo Agostinho, no texto dosTratados sobre o Evangelho de São João. Recordando as meditações de Papa Francisco, o cardeal Steiner refletiu sobre os caminhos que seguimos que podem não nos levar ao céu, como “os caminhos da mundanidade, os caminhos da autoafirmação, os caminhos do poder”. Ele também apresentou o caminho de Jesus, que é o “caminho do amor humilde, da oração, da mansidão, da confiança, do serviço aos outros”. O caminho de Jesus coloca o próprio Mestre como protagonista de nossas vidas e levanta duas questões abordadas por Papa Francisco: “Jesus, o que achas desta minha escolha? O que farias nesta situação, com estas pessoas?”. (cf. Regina Coeli, 10/05/ 2020) “Jesus que hoje nos consola como caminho, desperta em nós o desejo de sermos caminho de presença misericordiosa, transformadora, curadora, sanadora no meio dos mais necessitados. Ele-caminho, nos leva ao encontro dos famintos e necessitados de justiça. Ele-caminho, nos conduz ao encontro da verdade, a verdade de nossas relações, a verdade das notícias, a verdade que nos deixa ver a bondade, o amor que nos guia. Ele-caminho, nos leva a superar o modo agressivo de viver, de matar, de caluniar. Ele-caminho, nos leva a superação de um estilo de vida de consumismo, de hedonismo, para o encontro com irmãos e irmãs na diferença.”, explicou o arcebispo. Ver o Pai O pedido de Felipe a Jesus para ver o Pai demonstra que ele “não havia percebido que na presença consoladora e misericordiosa de Jesus era visível o Pai”. Dom Leonardo explicou que “no modo de Jesus estava vivo o Pai”, a nitidez dessa revelação acontece no alívio das dores, reconforto dos desolados, na reinserção na vida religiosa e social dos afastados e descartados pela lepra, no despertar à vida dos desconsolados “Ensinava o cuidado do Pai nos pássaros do céu, na beleza dos lírios do campo. Nele tudo falava e fazia ver o Pai e Felipe não via, “Quem me viu, viu o Pai”. Na sua bondade, na sua cordialidade, na sua gratuidade, na sua amabilidade, na sua amorosidade, na sua singeleza, simpatia, na sua doação, no consolo, Felipe ainda não havia se dado conta que no Filho estava o Pai. Pois quem vê o Filho vê o Pai.” Partilha e fraternidade Na segunda leitura, o cardeal destacou que o “modo de Jesus viver, de se relacionar e de estar entre as pessoas” e a relação com o Pai, deveria despertar os discípulos “para conhecerem a Jesus e nele ver o Pai”. Na primeira, a uma certa divisão na comunidade aponto para necessidade dos discípulos de realizar a “escuta e a oração em comunidade”. Delas é possível reconstruir a “comunhão” e “o bem para toda a comunidade”, pois “como comunidade de discípulos missionários e discípulas missionárias, somos animados a realizar as obras da partilha, da fraternidade”. “Ao lermos, meditarmos e a Palavra de Deus morando em nós, vamos vendo Jesus e em vendo Jesus vemos o Pai. E em vendo a Jesus e o Pai, somos guiados, fortalecidos pelo Espírito Santo. Jesus nos prometeu uma morada, que é a morada da Trindade, que caminhemos com alegria e esperança ao encontro da morada definitiva”, finalizou o cardeal.

Cardeal Steiner: O Bom Pastor nos convida a uma nova vida

O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, presidiu a Celebração do quarto domingo da Páscoa, na manhã de 26 de março, na Catedral Metropolitana de Manaus. Neste domingo, a liturgia nos recorda Jesus Bom Pastor como Porta para uma nova vida. Nas palavras do cardeal “Jesus se apresenta como aquele que cuida das ovelhas e nos convida a uma nova passagem: Eu sou o bom Pastor, ‘Eu sou a porta’”. “Ele se apresenta hoje como a “Porta”: “Quem entrar por mim será salvo”. Jesus a porta, a passagem; passagem de salvação, de libertação. Jesus nos diz: Eu sou a porta, porque sempre passagem de vida! Uma porta estreita, mas larga, generosa. Nela passamos todo-inteiros, como filhas e filhos de Deus, como salvos”. O cardeal ressaltou que em algumas situações da vida é possível “que não vejamos mais a porta, a abertura, a saída, a passagem”. Esse sentimento pode vir “no sem sentido da morte de um filho, da esposa, do esposo, de nosso pai, de nossa mãe, pode acontecer que não vejamos mais a porta, a saída”, em momentos de passagem pela dor ou do sofrimento. Ele também pode se revelar diante da “doença grave, incurável, as portas todas não apenas se fecham, mas elas simplesmente não existem mais”, e esse é o espaço onde “Jesus nos diz: Eu sou a porta!”. Jesus: Porta da fé Bento XVI apresenta Jesus como a porta da fé. “A porta da fé (cf. At 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma” (Bento XVI, PF nº 1). Essa perspectiva apresentada por ele significa que “Jesus é o lugar de acesso para que possamos encontrar o significado da vida e o espaço, a paisagem que dão vida”, explicou o cardeal. Em sua reflexão, o arcebispo continuou afirmando que “passar pela porta significa aderir a Ele, segui-lo, acolher a sua vida o seu modo de viver”. No caminho para a vida em em plenitude “as ovelhas que passam pela porta que é Jesus, os que aderem a Ele, podem passar para a terra da liberdade onde encontrarão pastos verdejantes”. Assim, Jesus é “a passagem que deseja que todas as pessoas encontrem vida em plenitude”. “O vencedor da morte tornou-se a passagem para espaço sempre mais livres com sentido renovador, transformador. Ele é a passagem pois nele lemos os fenômenos cotidianos, os mais difíceis e sem sentido. Passagem porque indicou o caminho do drama humano como soerguimento, elevação da nossa humanidade. Passagem, pois nele vamos percebendo como na maior dor e desespero, a luz se acende e damo-nos conta dos rasgos de eternidade. Passagem, pois no humano mais humano ele nos indica o divino”, disse o cardeal. A verdadeira contradição Há uma verdadeira contradição em aderir ao “perdão na ofensa, a reconciliação no desprezo, a misericórdia na traição, a gratuidade na compra do existir humano”. Essa contradição existe porque “Jesus-porta, Jesus passagem, vai abrindo passagens perdidas, espaços desaparecidos”. A própria “morte violenta de cruz” de Jesus, que nos permite a “passagem para a vida”, expõe a contradição. Dom Leonardo explicou que ao colocarmos “nossa vida em sintonia com o Evangelho, abrem-se passagens imperceptíveis, passagens surpreendentes” onde é possível compreender a morte como uma passagem. “Ele abre a porta do consolo, do perdão, da reconciliação, da fraternidade, do amor expansivo. Quantas portas Ele vai abrindo através da Palavra, dos sacramentos, da caridade, da solidariedade? Ele vai abrindo passagens para mundo sempre mais amplos, livres, amorosos. Quem vive de Jesus pode dizer como ele sendo a porta, abre a porta, as passagens existenciais. Aproximemo-nos de Jesus, Ele abrirá portas, nos indicará passagens que nos conduzem à vida: ‘Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância’”, explicou. Passar pela porta e sair em missão O arcebispo destacou que é por Jesus que entramos na Igreja e, nos ensinamentos de Papa Francisco, é por Ele que saímos em missão. Esse horozinte permite compreender constante envio em missão, onde “na Igreja se entra para sair e sai-se para entrar”. O que permite compreender que “a Igreja não é um espaço fechado, nem um paraíso, um edifício ornamental”, mas o lugar de reconhecer que Jesus “acompanha, conduz, cuida, alimenta, oferece fontes de água viva”. “Na Igreja, nota-se um admirável dinamismo, onde se harmoniza o aparentemente contraditório. Todos estão a caminho, em permanente movimento. Aquele movimento que reúne, congrega, cria comunhão, a comunidade e, ao mesmo tempo o movimento para sair, a porta de saída pois todos chamados à proclamação, ao anúncio, a proclamação do Reino de Deus”. No horizonte da fé, o pastor de ovelhas “quase sempre estava a serviço de outra pessoa; cuidava das ovelhas de outros”. A postura de cuidado e dedicação diário com cada uma das ovelhas criava laços de confiança e segurança, que “quando ele chamava, elas obedeciam, pois reconheciam a sua voz: ele sempre estava com elas, não as abandonava”. Ao segui-lo, as ovelhas, “não passavam nem fome e nem sede”. Dia Mundial de Oração pelas Vocações Ao recordar o Domingo do Bom Pastor, onde se comemora também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o arcebispo retoma o convite para “descobrir o dom gratuito de Deus que floresce no mais profundo do coração de cada um de nós, para percorrermos juntos, o caminho da vida nova do Ressuscitado”. E cintando Papa Leão, “a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, brilhar a partir da sua própria beleza” (Papa Leão XIV, Mensagem Dia Mundial de Oração/2026). “Ao rezarmos hoje pelas vocações, desejamos reafirmar a necessidade de criar espaços de silêncio interior para intuir o que Deus deseja para cada um de nós. Não se trata de um saber abstrato ou de um conhecimento erudito, mas de um encontro pessoal que transforma a vida e nos coloca a serviço dos irmãos e…
Leia mais

Dom Zenildo Lima comenta aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora

Na manhã desta quinta-feira, dia 23 de abril, o episcopado brasileiro reunido na 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP), aprovou as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil para os próximos seis anos (2026-2032). O Bispo auxiliar de Manaus, Dom Zenildo Lima, destacou o extenso trabalho para a construção das diretrizes considerando os acontecimentos na Igreja e no mundo. “As últimas diretrizes tiveram o seu tempo prorrogado. Nós tivemos toda a dificuldade de implantação das diretrizes até então vigentes por causa da pandemia. Tivemos a mudança no pontificado, tivemos o Sínodo sobre a Sinodalidade, o que fez com que a construção do processo das atuais diretrizes aprovadas na manhã de hoje se estendesse por um período de pelo menos uns quatro anos”, disse o bispo. Diretrizes: sinal de convergência Ele aponta que o texto das diretrizes aprovado traz “as principais linhas nas quais a igreja deve se concentrar na sua ação evangelizadora”, numa “convergência da Igreja do Brasil”. Essa perspectiva foi construída considerando as análises de conjuntura, a questões da Sinodalidade e da “compreensão de quem são os sujeitos da missão, partindo do reconhecimento de uma necessária conversão pastoral”. “Para que nós tornemos uma Igreja mais sinodal, apontamos os caminhos para a nossa missão. Inicialmente, a força da Palavra de Deus, a animação bíblica da vida e da pastoral, reconhecendo a força da Palavra para a animação das nossas comunidades, para a fundamentação da nossa ação evangelizadora e com uma série de pistas concretas de como cada vez mais animar e como cada vez mais perfilar a nossa pastoral a partir da palavra de Deus”, explicou Dom Zenildo. Comunidade de discípulos-missionários Dom Zenildo destacou que um dos caminhos para a missão de toda a Igreja no Brasil “diz respeito à vida na comunidade eclesial, destacada como comunidade de discípulos-missionários”. Por isso, a iniciação à vida cristã é um dos caminhos para “o desenvolvimento dessa ação evangelizadora”. Além disso, ele enfatizou que o documento recupera a contribuição das comunidades eclesiais de base, um “modelo eclesiológico muito marcante na história de evangelização do nosso país”. Por fim, o auxiliar de Manaus reforçou o compromisso de toda a Igreja no Brasil com o serviço à vida plena, a defesa da vida em todas as suas circunstâncias e com a Ecologia Integral. Esse compromisso, considera as linhas de ações propostas pelo documento final do Sínodo da Sinodalidade no horizonte da conversão das relações, dos processos e dos vínculos. O texto final será publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e busca “orientar e iluminar o caminho das nossas igrejas particulares”.

Dom Altevir e Dom Samuel partilham sobre o 1º dia de Assembleia da CNBB

Dom José Altevir, bispo da Prelazia de Tefé, e Dom Frei Samuel Ferreira, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, participam 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em Aparecida (SP). Durante 10 dias, mais de 300 bispos estão reunidos para refletir os desafios e as oportunidade da Igreja no Brasil, à luz do Evangelho e das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. A sessão de abertura foi dedicada à acolhida dos novos membros do episcopado. Entre os 33 bispos nomeados ao longo dos últimos dois anos, estava Dom Frei Samuel. A apresentação permite integração e comunhão dos novos bispos com os demais bispos da Igreja no Brasil. “A gente teve uma panorâmica geral de todo o corpo que é a CNBB, então a da grandeza, as mensagens que recebemos do Papa, do Cardeal Pizzaballa, do Presidente da República, mostram também a importância, a significância que tem a CNBB para a caminhada da Igreja do Brasil e também de toda a Igreja no mundo”, destacou Dom Samuel. Programação intensa Na sequência, ocorreu a leitura do relatório da presidência, apresentou um panorama das atividades e desafios enfrentados no período recente. Ainda durante a manhã, os bispos aprovaram a pauta da assembleia, que recebeu complementações antes de sua validação final. Para Dom Altevir, o 1º dia da Assembleia contou “com uma programação intensa”, e “marcado por momentos institucionais, informes e espiritualidade.” No período da tarde (15), teve início o retiro espiritual dos bispos, que se estendeu até a tarde do segundo dia da assembleia (16). Para o auxiliar de Manaus, o tempo dedicado à oração, reflexão e preparação espiritual para os dias de Assembleia ajudam “a perceber a dimensão da missão, a profundidade que precisamos estar em comunhão de fé com o Cristo Jesus”. Uma realidade fundamental “para poder vivenciar esse ministério sempre como serviço e como pastor que está no cuidado, no diálogo, na sinodalidade, na comunhão de pensamento e alma”. “Para mim está sendo uma experiência gratificante, importante, porque vai nos ajudando a perceber as exigências e ao mesmo tempo a força do ministério e da missão que Deus concede a todos nós, como igreja, como cristão, como servidor ordenado para anunciar e testemunhar o Evangelho de Cristo”, enfatizou Dom Samuel. Além disso, há uma grande expectativa pela votação das novas Diretrizes da Igreja no Brasil, fruto de um percurso sinodal marcado pela escuta e pela comunhão. Dom Altevir compõe a equipe central responsável pela elaboração do texto final. A assembleia segue nos próximos dias com debates, encaminhamentos e definições importantes para a Igreja no Brasil. Colaboração de texto: https://prelaziadetefe.org.br/

Cardeal Steiner na Sexta-feira Santa: celebrar a radicalidade da nossa vida

“É a celebração da radicalidade da nossa vida. Porque Jesus foi ao mais radical da nossa existência humana, que é a morte”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner ao meditar as leituras da Celebração da Paixão do Senhor nesta Sexta-Feira Santa (3). O arcebispo de Manaus reforçou que o sentido dessa celebração é compreender que Jesus, ao vencer a morte, inaugura um “horizonte novo”, da morte como um processo de completude da vida. A celebração aconteceu no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, no bairro Praça 14. Desejados por Deus Em sua reflexão, o cardeal destacou que a Sexta-Feira Santa é um privilégio para nós cristãos católicos. Nela, é possível perceber “o quanto fomos amados desejados por Deus” e como Ele “se entregou por cada um de nós” em sacrifício. Isto porque “o sumo sacerdote agora é Jesus”, explicou o cardeal, “que se oferece como sacrifício por todos nós, por toda a humanidade. Nós até poderíamos dizer para todo o universo”. O arcebispo sublinhou que na Sexta-Feira Santa “recordamos o silêncio do mundo diante da morte”. Esse silêncio permite que ouçamos “mais facilmente o choro, o soluço”, mas também “repercute dentro de cada um de nós, especialmente quando se trata dos entes queridos mais próximos”. Essa repercussão, transfigura a sensação de perda dentro de nós no horizonte “extraordinário da ressurreição”, tornando-nos participantes na morte de Jesus. “Vivemos desta certeza, de que Jesus morrendo na cruz, Nos trouxe a vida. Que Jesus crucificado nos indica a vida maior. Aquele que morreu na cruz, indica que a morte é incapaz de vencer a vida. Que a morte jamais pode vencer a vida. Porque Cristo morreu. Deu a vida por nós. E ressuscitou como celebraremos amanhã na vigília” explicou o cardeal. Participar no sofrimento de Jesus Para ilustrar “os nossos sofrimentos” e “as mortes” como participações no sofrimento de Jesus”, o cardeal Steiner recordou que ao encontrar um enfermo o convida a “pedir a Jesus que ele deixe você participar do seu sofrimento para a salvação do mundo”. Essa sugestão provoca um estranhamento inicial, mas, em seguida, a pessoa “é capaz de dizer: ‘eu gostaria de participar dos sofrimentos de Jesus’”. Pois, segundo ele, “os nossos sofreres são participações no sofrimento de Jesus”. “Eu fico imaginando, por exemplo, tantas guerras que temos tido ultimamente só por cobiça de dinheiro. Quantas mães sofrendo? Quantas crianças sofrendo? Quantas crianças se tornaram órfãs? No mundo, eu fico olhando, meditando e pensando, todas elas participam da cruz de Jesus. E mesmo que elas não queiram, participam da nossa salvação”, enfatizou o arcebispo. Olhar para Jesus crucificado Evocando a memória de Papa Francisco, o arcebispo salientou que inúmeros santos e santas meditavam olhando para Jesus crucificado e a conversão de São Francisco de Assis aconteceu diante de uma cruz. Nessa perspectiva, o santo de Assis se tornou o amante da cruz, compreendendo que “era preciso reconstruir os corações”. Também em São Paulo, ao dizer “eu não anuncio, eu anuncio o Cristo crucificado, se encontra a radicalidade da fé cristã. “Aqui está a grandeza da nossa fé. Devagarinho irmos tentando sondar, compreender, meditar, contemplar a morte, mas como vida, como eternidade, como participação na vida de Deus”, disse o cardeal. Essa compreensão da grandeza de nossa fé perpassa as palavras de Jesus lidas no texto do Domingo de Ramos: “nas suas mãos eu entrego o meu espírito”. Porque nela está contida a participação na vida de Deus. Como disse o cardeal “sem nada mais. Tudo perdido. Tudo sofrido”, e no abandono “até o Pai” diz antes de expirar: “olha, o que eu tenho ainda te dou: o meu espírito”. No recolhimento que antecede o Sábado Santo, os presentes retornaram à Catedral em procissão com a imagem do Senhor morto para veneração.

Cardeal Steiner na Missa de Santos Óleos: o Reino de Deus nos torna participantes de um amor desmedido

“Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido”. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, para a Missa dos Santos Óleos, dia 2 de março, na Catedral Metropolitana de Manaus. A celebração foi concelebrada pelos auxiliares Dom Zenildo Lima, Dom Joaquim Hudson e Dom Samuel Ferreira. Além dos eméritos Dom Luiz Soares, Dom Mário Pasqualotto e Dom Derek Byrne. Aproximadamente 200 sacerdotes participaram da missa do Crisma onde renovaram suas promessas sacerdotais. A Vida Religiosa e grande número de fiéis também estiveram presentes num sinal de plena comunhão sinodal da Igreja de Manaus. Na celebração, foram abençoados os óleos que serão utilizados ao longo do ano nos sacramentos em nossas comunidades, áreas missionárias e paróquias. Um momento de renovação de fé e unidade. Em sua homilia, o presidente do Regional Norte 1 da CNBB, agradeceu a disponibilidade daqueles que se propõem a anunciar a Boa-Nova do Cristo Crucificado-Ressuscitado. Confira a homilia do cardeal Leonardo Steiner na Missa dos Santos Óleos: Levantando-se para fazer a leitura, deram-lhe o livro de Isaías. Jesus se colocara a caminho ao regressar a Nazaré, espacialidade do crescimento em idade, sabedoria e graça. Na pequena sinagoga de Nazaré, lugar da escuta da Palavra, levantando-se, desenrola o livro e proclama Isaías, deixando percutir a sacralidade da palavra. Entre a proclamação de pé e o sentar-se, é encontrado pela sonoridade da Palavra. Hoje se cumpriu esta passagem que acabastes de ouvir. Na leitura foi lido: O Espírito do Senhor que o consagrou com unção aponta a missão anunciar a Boa-Nova aos pobres. Envia para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista. Libertar os oprimidos e para proclamar a graça do Senhor. sentindo-se ungido e enviado pelo Espírito, não mais deixou de levantar-se, pois percorria a Judeia, a Galileia, passando pela Samaria, entrava nas vilas, nas cidades, nas sinagogas, proclamando o ano da Graça, o Reino de Deus. Na disponibilidade, caminhante, desperta a todas para o cuidado do Pai, para com seus filhos e filhas, do mesmo modo como ele vela, cuida das flores do campo, dos pássaros do céu. Devolve à vida os adormecidos na morte. Oferece passos aos claudicantes. Possibilita a palavra ao desatar a língua. Sana os corpos e as relações. Devolve o movimento e a dinamicidade do encontro. Todos libertados, confortados, participantes de um encontro. E levantando-se, levantado pela Palavra, está sempre a caminho incansável, imparável. Disponibilidade na Missão Continua a leitura do cuidado do Pai nos pobres esquecidos. os colocados à margem pelas suas doenças do corpo e do espírito, sempre de pé, continua se levantando. De pé, a caminho se perfez envio missão até a cruz. E no alto da cruz, como ouvimos na narrativa da paixão no dia de Ramos, eu te ofereço o meu espírito. Na completa solidão, na suspensão de tudo e de todos, no quase esmorecer, no quase cair na tentação de não suportar a dor e a morte, levantado da cruz, se levanta. E na disponibilidade e na cordialidade da missão: Eu entrego o meu Espírito, levanta até o Pai a si mesmo. Ungido pelo Espírito, enviado para proclamar a Boa-Nova, esteve sempre no movimento do levantar-se, audiente e proclamante até a morte. Assim, exaltado, transfigurado, ressuscitado, como memorava o livro do Apocalipse que ouvimos, aquele que é, aquele que era, aquele que vem, foi feito em tudo e em todos no poder do amor. É que o amor sempre nos mantém de pé. A Boa-Nova aos pobres E nós, queridos irmãos, queridas irmãs, ao desenrolarmos o livro dos Evangelhos, nos lemos também nós, como ungidos e enviados, pois recebemos o Espírito que nos ungiu e consagrou no Batismo e na Crisma, para levar a Boa-Nova aos pobres. Também nós proclamarmos a libertação dos cativos e aos cegos a recuperação da vista, liberar os oprimidos e proclamar que somos todos participantes da graça. Todos nós, tomados pelo espírito da Boa-Nova, também nos levantamos. E nos colocamos a caminho, pois uma Igreja em Saída anunciar a alegria Daquele que venceu a morte, e na morte deu-nos vida e vida em plenitude. Levantados, levantadas. itinerantes a anunciar a todas as famílias, comunidades, casas e descasas, ruas, becos, caminhos, estradas, ramais e vicinais, periferias, comunidades ribeirinhas, nos condomínios abertos e fechados, o Reino de Deus, todos nós. Reino de Deus plenificado em Jesus Cristo Crucificado-Ressuscitado. Anunciar com alegria o Cristo Crucificado-ressuscitado Participantes pelo Batismo da mesma unção envio, somos todos nós presença da vida nova, testemunhas da morte e da ressurreição. E como nos ensinava Papa Francisco, não anunciamos de maneira triste. Não anunciamos de maneira triste ou de maneira neutra, mas expressamos a alegria do hoje que se cumpriu a Palavra que acabamos de ouvir. Tudo cumprido em Cristo Crucificado-ressuscitado. A alegria do Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos. A alegria de Jesus ao ver que os pobres são evangelizados e que os pequeninos saem evangelizar. a Boa-Nova, o Reino de Deus, a pérola preciosa do Evangelho que anunciamos, testemunhamos. Não testemunhamos e não anunciamos um objeto, não é um objeto, é a nossa missão. Não a mostração de normas e regras, nem uma condição moral, mas participantes de um amor desmedido. O “ser presbítero” Queridos irmãos presbíteros, na celebração do Crisma todos os anos renovamos as nossas promessas sacerdotais. Jesus no Evangelho nos convida a voltarmos a pequenina sinagoga da terra do nosso ser presbítero antes das promessas sacerdotais, no dia da nossa ordenação presbiteral, diante da comunidade, também nós nos levantamos e na disponibilidade e na prontidão, como Jesus em Nazaré, dissemos: Eis-me aqui. Hoje nos levantamos, mais uma vez, reafirmamos nossa disponibilidade e nossa prontidão de estarmos a caminho servindo o povo de Deus. Nos levantamos, percebendo-nos vocados, chamados pelo Espírito, repousados sobre cada um de nós, percebendo-nos…
Leia mais

Pastoral do Menor participa de curso sobre Justiça Restaurativa e Construção de Círculos de Paz

De 28 a 30 de março aconteceu a Formação da Pastoral do Menor, em Manaus (AM). Com participação de 18 pessoas a nível de Região Norte,incluindo educadores e coordenações dos Regionais: Norte 1, Norte 2 e Noroeste, sobre Justiça Restaurativa e Construção de Círculos de Paz. O curso, promovido pela Pastoral do Menor Nacional, acontece por regiões e busca construir estratégias de prevenção a violência, capacitando agentes da Pastoral do Menor. Escuta, diálogo e entendimento A metodologia dos Círculos de Paz envolve a construção de habilidades de escuta empática e capacidade de promover o diálogo respeitoso, buscando facilitar conversas construtivas e entendimento mútuo. Essa abordagem, permite ao agente uma expansão dos horizontes de atuação para o cotidiano das relações: na comunidade, em escolas, com famílias, adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e aparelhos institucionais que atendam crianças e adolescentes. O intuito é resolver conflitos de forma pacífica e criar um ambiente de confiança e respeito entre as pessoas. Fortalecer a cultura da paz Os dois primeiros dias de programação, 28 e 29 de março, aconteceram no Centro de Treinamento Maromba, no bairro Chapada, em Manaus. Com a assessoria de Maria Aurilene Moreira Vidal, Bacharela em Serviço Social, Facilitadora e Instrutora de Círculos de Paz e da Justiça Restaurativa e agente da Pastoral do Menor há mais de 30 anos no regional Nordeste 1, no estado do Ceará. Ela possui ampla experiência na área da Justiça Restaurativa com mais de 50 cursos ministrados em escolas e organizações da sociedade civil. O curso de Justiça Restaurativa e dos Círculos de Paz trabalha a cultura de paz nos espaços onde a Pastoral atua. Ao comentar sobre a assessoria, Maria Aurilene classificou as participações como pontapé inicial para que as bases fortaleçam a cultura de paz. Em suas palavras, uma “paz verdadeira que a gente espera que aconteça em nós e nos outros, nas nossas relações, nas nossas comunidades”. “A gente trabalhou várias habilidades do facilitador do Círculo de Paz, a gente aprendeu o que é e onde a gente pode estar utilizando o Círculo de Paz, quais são as habilidades que a gente precisa desenvolver para isso e como, enquanto Igreja, eu posso estar ajudando nessa transformação desse mundo que a gente acredita, nesse mundo melhor, tendo essa ferramenta, essa metodologia como suporte da minha prática de ser igreja e de estar no mundo”, explicou a assessora. Teoria e prática No dia 30 de março, as atividades foram realizadas na sede do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), no bairro Centro. Durante o período de curso, os participantes seguirão o referencial teórico para a prática dos Círculos de Construção de Paz que incluem os princípios e valores da Justiça Restaurativa. A carga horária do curso soma 52 horas total, divididas em:

Representantes da Pastoral da AIDS do Regional Norte 1 participam de Seminário de Incidência Política

Quatro representantes do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) participaram do Seminário Nacional de Incidência Política, de 26 a 29 de março, em Porto Alegre (RS). O evento, com o tema ” Novo Impulso”, promovido pela Pastoral da AIDS Nacional, contou com a presença de Dom Luiz Ricci, bispo referencial da pastoral. Os participantes do Regional Norte 1 foram: Adinamar Farias, da diocese de Parintins, Liliane Cruz, Assistente Social da casa de Acolhida Frei Mario Monacelli, em Manaus, Tatyanny Bindá, conselheira estadual de saúde, e Ir. Maria Irene Tondin, coordenadora da Pastoral da AIDS do regional. Nova configuração Entre as atividades vivenciadas durante o seminário, Adinamar Farias, agente da pastoral da AIDS na diocese de Parintins, destacou o acompanhamento da nova dinâmica de configuração da pastoral. A reconfiguração foi apresentada pelo Frei Luiz Carlos Lunardi (OFMCap), Assessor Eclesiástico Nacional da pastoral. Além disso, acompanharam uma palestra sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). “E podemos ver a síntese de onde a Pastoral está, em quais conselhos a Pastoral da AIDS se encontra, nos diversos municípios, nos diversos estados, nos diversos regionais que existem”, disse Adinamar Farias, destacando a importância da presença regional. Participação nas Políticas Públicas Para a Ir. Maria Irene Tondin, coordenadora da Pastoral no Regional Norte 1, os conhecimentos adquiridos no seminário de incidência política possibilitam “uma participação mais confiante, mais aprimorada na questão das políticas públicas”. Essa participação, contribui na luta “pelos direitos das pessoas que vivem com HIV”. A irmã enfatizou que os conteúdos abordados servem para todos os regionais do Brasil, fortalecendo a caminhada da Pastoral da AIDS e de outros grupos. “Tantos outros grupos que necessitam desse conhecimento de prevenção, aprimoramento e de incidir nas políticas públicas, incidir nos conselhos, incidir naqueles momentos que precisam da nossa atuação e ação como participantes e conhecendo um pouco mais dessa caminhada”, explicou a religiosa. Informações e imagens: Cordenação da Pastoral da AIDS Regional Norte 1 da CNBB.

Cardeal Steiner: Como em Jesus, Deus não nos abandona.

Tantos momentos em que pensamos que Deus nos abandonou, mas como em Jesus, não nos abandona. Foram as palavras do cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, ao presidir a missa do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (28), início da Semana Santa, na qual celebraremos os mistérios da Paixão, morte e Ressurreição de Cristo. A celebração, com grande número de fiéis e a presença do arcebispo emérito, Dom Luiz Soares Vieira, iniciou com a bênção dos ramos, na praça em frente à Catedral Metropolitana de Manaus. Em seguida, uma procissão até a igreja, recordando a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém para o mistério da morte-ressurreição. Solidário com as nossas solidões Em sua homilia, o arcebispo recordou o grito de Jesus: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, que reflete a proximidade com o Pai, mas também um eco da “humanidade abandonada”. Segundo o cardeal, o grito e o gemido de Jesus são por não “compreender o abandono do Pai”, assim como nós em “tantas situações desesperadoras”, não entendemos o porquê “do abandono e do sofrer, ou porquê das mortes, dos assassinatos, das guerras”. Nas palavras do cardeal Steiner, essa experiência de total abandono e desolação foi “por nós, para servir-nos”. Ele recordou que Papa Francisco nos ensinava meditando esse grito de Jesus na perspectiva do “abandono dos seus, que fugiram”. Nesse “abismo da solidão”, experimentado por Jesus, “restava-lhe, porém, o Pai” a quem se dirige nas palavras de um Salmo (cf 22,2).  “Porque quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que não Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos. Jesus experimentou o abandono total, a situação mais estranha para Ele, a fim de ser em tudo solidário com as nossas solidões. O fez por mim, por ti, por cada um nós”, afirmou o cardeal. No grito de Jesus, o grito da humanidade Ao comentar a primeira leitura, cardeal Steiner destacou, citando o livro de Isaías, o alento de ter o Senhor Deus como “meu auxiliador, por isso não deixei abater o ânimo”. Nessa perspectiva “da dor e da destruição da humanidade”, disse o cardeal, “Jesus se faz intimidade como Pai, exclama, grita não me abandones, de ti vim, para ti desejo voltar, não me abandones. E não o abandonou”, e assim também nós somos alcançados pelo auxílio de Deus em Jesus. “Porque Jesus diz: tudo o que Eu tenho, o que me resta, eu te dou o meu espírito. No grito de Jesus ouvimos a humanidade desesperada: dor, fome, fuga, imigração, guerra, a morte”, explicou o cardeal. Jesus transforma a nossa humanidade Ao refletir sobre a segunda leitura, onde Paulo aponta a condição de esvaziamento de Jesus que assume a “condição de escravo e tornando-se igual aos homens”, o cardeal aponta que “assim é Deus-cruz no qual reluz a nossa humanidade transformada”. Isto porque “Deus esvaziou-se, não se assegurou na sua divindade, mas se humilhou, trilhou o caminho da morte, se fez morte”. Essa atitude de Jesus nos permite ver “na morte a nossa salvação”. “Em Jesus nos vemos, em Jesus Crucificado nos lemos, n’Ele nos cremos. Participamos da sua sorte, isto é, da mesma morte, da vida. Na mesma morte, na mesma sorte de sermos perpassados pelo mistério da dor e da morte que nos desperta para vida da eternidade. Mistério da dor e da morte no qual nos movemos todos os dias, ora com mais intensidade, ora suavidade. Mas sempre envoltos por esse mistério incompreensível, mas que Jesus crucificado nos indica o horizonte, o sinal, a redenção, a salvação” explicou o arcebispo. O cardeal também indicou um caminho possível para trilhar na Semana Santa: “deixarmos tomar pelo mistério da morte como plenitude da vida”. Esse caminho, ajuda a compreender o “jogo de morte no qual Deus mesmo se inseriu e experimentou” como indicativo de que “no amor tudo se transforma”. E reforçou que a grandeza do abandono aponta não “uma piedade conformista, mas de um itinerário e caminho único de quem na fraqueza a possiblidade de transformação, de salvação”, capaz de iniciar uma vida nova com o Pai. Oferecer os frutos da conversão O arcebispo também recordou que a contribuição na Coleta Nacional da Solidariedade é a oferta dos “frutos do nosso caminho de conversão, do encontro com Jesus que deu sua vida por nós”.  Ela expressa um “desejo de identificação com Jesus”. E por fim, o cardeal agradeceu e aos irmãos e irmãs que, no período quaresmal, foram ao encontro dos necessitados continuando “o caminho de caridade”. A vida, morte e ressurreição de Jesus nos atrai e nos faz consolação. Em nome de todas as irmãs e todos os irmãos que receberam e receberão ajuda, a minha gratidão. “O Senhor das dores nos ajude no caminho desta Semana. Ele nos mostrará na dor e na morte não o reino dos mortos, nem o Reino dos mortos-vivos, nem dos vivos-mortos, mas apenas na morte o Reino dos vivos, o convívio o mais precioso e suave com o Pai. Entremos com Jesus em Jerusalém e experimentemos o que pode fazer de nós o Amor”, finalizou o cardeal.

Obrigado por construir uma Igreja com rosto amazônico: Presidência da CEAMA 2022–2026

A CEAMA expressa sua mais profunda gratidão à presidência cessante por seu serviço generoso, comprometido e profético neste tempo de consolidação e crescimento da Igreja na Amazônia. Durante seu mandato, a presidência acompanhou com dedicação o caminho de uma Igreja sinodal, missionária e encarnada nos territórios, impulsionando processos que fortaleceram a identidade amazônica, a participação dos povos e o cuidado da Casa Comum. Sua liderança foi fundamental para consolidar a CEAMA como um espaço de comunhão, discernimento e articulação a serviço da vida. Ao longo desse período, foram promovidas iniciativas pastorais, sociais e formativas que contribuíram para ouvir o clamor dos povos amazônicos e da terra, respondendo com ações concretas aos desafios da região. Seu compromisso permitiu avançar na construção de uma Igreja com rosto amazônico, onde a diversidade cultural, a interculturalidade e a corresponsabilidade são pilares fundamentais. De maneira especial, reconhece-se o testemunho de proximidade, escuta e entrega de cada um de seus membros, que souberam caminhar junto às comunidades, acompanhando suas lutas, fortalecendo sua esperança e anunciando o Evangelho em contextos muitas vezes marcados pela vulnerabilidade. Representações da presidência cessante Nesse caminho, a presidência foi composta por representantes de diversos estados de vida e vocações, refletindo a riqueza e a pluralidade da Igreja amazônica: O legado desta presidência permanece nos processos que continuam a dar frutos, na vida das comunidades acompanhadas e no horizonte de uma Igreja que continua sonhando e construindo novos caminhos para a Amazônia. A CEAMA agradece profundamente por este serviço e confia que seu testemunho continuará iluminando o caminho eclesial, animando a continuar com fidelidade e esperança a missão em defesa da vida, da dignidade dos povos e do cuidado da Casa Comum.