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Cardeal Steiner: “ser discípulo de Jesus é aprender, é uma busca”

No 23º Domingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), iniciou sua homilia citando o texto do evangelho do dia: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” Em suas palavras, ele insistiu em “ser discípulo, discípula de Jesus. caminhar com Jesus, seguir Jesus, com a cruz. Ser discípulos missionários, discípulas missionárias seguindo Jesus, também no carregar a cruz!” Aquele que aprende com Jesus “Discípulo aquele, aquela que aprende com Jesus, vai vendo os seus gestos, ouvindo as palavras, percebe como ele reza. Em vendo e ouvindo, vai se tornando sempre mais discípulo, vai se assemelhando a ele, no seu modo de ser e agir”, explicitou o arcebispo. Segundo ele, “ser discípulo de Jesus é aprender, é uma busca.  Busca aprender, saber, ver o que é, como é, como fazer; experimentar, caminhar. No caminhar, compreender em coerência com o empenho que assumimos em obediência àquele que seguimos: Jesus Cristo. A nossa busca não é outra coisa que o encontro com Jesus Cristo, corpo a corpo participação no seu modo de ser, identificação do nosso modo de ser com a sua vida, com a sua pessoa e com o seu Evangelho”. O cardeal Steiner disse, inspirado em John Vaughn, que “essa realidade do encontro introduz no aprender do discípulo uma seriedade existencial de empenho que poderemos denominar ‘mortal’, isto é: decisão de vida e morte, pois ‘aprender’ de Jesus é um concreto segui-lo para onde quer que ele vá; se for o caso, até a morte. Assim, aprender é bem mais que aprender lições: é seguir, sem hesitar, sem reservas e sem pôr condições”. Viver ao modo de Jesus “Não seria essa atitude, esse modo de viver a Jesus, de segui-lo que vem dito no Evangelho de hoje”, afirmou o cardeal, que citou o evangelho: “Quem não carrega sua cruz e não caminho atrás de mim, não pode ser meu discípulo”. Segundo ele, “esse modo de viver que vai fazendo de todos os momentos, dores, alegria, mortes, a possibilidade de ser como Jesus é: até a cruz. Isto é, as tensões, os dissabores, as incompreensões que nos levam à encruzilhada da vida, como possibilidade de viver ao modo de Jesus. Todas encruzilhadas que nos levam a decisão, de ter que tomar uma direção, de permanecer na tensão até perceber a abertura que existe, o novo caminho a ser trilhado”. “Sim, a cruz é sempre uma tensão, mas uma tensão criativa. Assumi-la, colocá-la sobre os ombros, ou como nos propunha o evangelho: carregar a cruz. No seguimento de Jesus estamos sempre na disponibilidade de tomarmos as tensões existenciais, de convivência, mesmo as dúvidas da fé, como possibilidade que transforma. A cruz como transformação, como foi para Jesus”, sublinhou o arcebispo de Manaus. Ele citou as palavras de Santo Hilário: “Devemos, pois, seguir ao Senhor, tomando a cruz de sua paixão se não na realidade, ao menos com a vontade”. Tome sua cruz Igualmente, mencionou Santo Agostinho, que se pergunta e responde:“O que significa: tome sua cruz? Que saiba suportar o que é doloroso e, desta maneira, siga-me. Porque quando um homem começar a me seguir comportando-se segundo meus preceitos, encontrará muitos que lhe contradirão, muitos que se oporão a ele, e muitas coisas para desanimá-lo. E tudo isso de parte dos que pretendem ser companheiros de Cristo. Também caminhavam com Cristo os que impediam os cegos de gritarem (Mt 20,31). Se você quer seguir a Cristo, tudo se converte em cruz, sejam as ameaças, as adulações ou proibições. Resista, suporta, não se deixe abater.” “No sofrer com Ele, sofrer por Ele e Dele aprendemos as virtudes que ele nos propõe nos seus gestos e palavras:  fraternidade, a filiação divina, a irmandade, o Reino de Deus.  Porque seguir a Cristo consiste em ser ciumento pela virtude e sofrer tudo por Ele”, disse inspirado em São João Crisóstomo. “Carregar a cruz como Jesus que fez a vontade do Pai até a morte e morte de cruz. Fazer a vontade do Pai é algo particularmente exigente e delicado, uma vez que é possível confundir com a vontade do Pai as nossas habilidades, escolhas e desejos. Por isso, a necessidade de toda a vida aprender esse modo ‘sui generis’ aquilo que precisamente denominarmos seguimento. Fazer a vontade do Pai é viver o radicalismo evangélico com aquela atitude de Francisco, quando escutou o Evangelho do ‘discurso Missionário’: ‘é isso que eu quero, isso que procuro, é isso que desejo fazer de todo coração’ (1Cl 22)”, disse o cardeal Steiner. Liberdade e gratuidade Em palavras do presidente do Regional Norte 1, “fazer não significa simples execução de qualquer coisa; também não significa simplesmente uma ordem, um desejo. Fazer a vontade do Pai contém todo o dinamismo da liberdade e da gratuidade de Deus, a saber: é designo de amor do Pai de Cristo Jesus. Fazer a vontade do Pai é deixar-se tomar desta força criadora que enche o universo, que cria novos céus e nova terra, que envia o sol e a chuva sobre justos e injustos. que limpa os vales das sombras de morte com o sopro vivificante da ressurreição, que desce até aos abismos e sobe até aos céus, que cuida dos pássaros do céu e das flores do campo, que derruba os poderosos dos tronos e eleva os humildes. Em uma palavra, fazer a vontade do Pai é ser perfeito como é perfeito o nosso Pai celeste (Mt 5,48)”. A partir do texto evangélico: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me”, ele disse que “parece duro e penoso, diz santo Agostinho. Mas não é nem duro nem penoso, porque quem manda é o mesmo que nos ajuda a realizar o que nos manda. Porque se for verdade a palavra do salmo “conforme as palavras dos vossos lábios, segui os caminhos da lei” (Sal 16,4), também é uma palavra verdadeira a…
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Grito dos excluídos 2025: “Mostrar a realidade em nome do Evangelho”

“Mostrar a nossa realidade porque ela precisa ser transformada e o fazemos em nome do Evangelho”. Foram as palavras do Arcebispo de Manaus e presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB NORTE 1), cardeal Leonardo Steiner, em agradecimento a todos os participantes do 31º grito dos excluídos e excluídas. O evento aconteceu ontem, 05/09, na avenida Alphaville, às margens do igarapé do Mindú, zona norte da cidade. Uma sociedade mais justa Pensar a vida em primeiro lugar contribui “para termos uma sociedade mais justa, mais fraterna, possamos conviver na Casa Comum e termos um regime que seja cada vez mais democrático”, explicou o cardeal. Por isso, é necessário organização das comunidades, pastorais e movimentos, já que a sociedade brasileira vive um momento de tensão que se reflete nas dinâmicas sociais do país. A caminhada pelas ruas da cidade reforça a atuação da Igreja nas questões sociopolíticas que influenciam diretamente a vida da população. É uma forma de manter vivo o profetismo em meio aos desafios da urbanidade e das constantes ameaças a Casa Comum e a democracia. Dessa maneira, o grito é também por aqueles que não estão presentes, mas que são afetados pelas injustiças. Daí a ênfase na temática do Plebiscito Popular por uma Jornada de trabalho justa sem redução de salário, pelo fim da escala de trabalho 6×1 e por uma tributação fiscal justa com a taxação dos mais ricos, que ganham acima de R$ 50 mil mensais, e isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Uma proposta que beneficiará trabalhadores e trabalhadoras. Gritos de denúncia e esperança Neste ano, a igreja convida todos a serem Peregrinos da Esperança. Por isso, a denúncia das constantes violações às populações vulneráveis, como é caso do massacre do rio Abacaxis, símbolo de resistência das comunidades indígenas e ribeirinhas contra a impunidade e a violência estatal na região continuam atuais. Além de fazer memória a tantas outras vidas ceifadas por interesses particulares dos poderosos. Quanto à Casa Comum, a insistência de recordar a Aliança Interinstitucional em vista da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus,“Água e lixo não combinam”, comunica o desejo de caminhar juntos na construção de uma cidade onde todos se sintam responsáveis e comprometidos com todas as formas de vida. Na tentativa de uma novo modelo de relações onde homens e mulheres se reconhecem como natureza.  Outras temáticas como a violência contra mulheres, quilombolas e a população negra também tiveram destaques, ampliando as vozes que muitas vezes não encontram espaço de fala. A mobilização popular, organizada pela Arquidiocese de Manaus, reuniu lideranças das Pastorais Sociais, Redes, Coletivos e Organismos, agentes de pastorais das Regiões Episcopais, padres, diáconos e a comunidade Religiosa que atuam na cidade.

Dom Samuel no encontro de novos bispos em Roma: “uma experiência da catolicidade da Igreja”

Organizado pelo Dicastério dos Bispos, acontece em Roma, de 3 a 11 de setembro de 2025, o Curso Anual de Formação para Novos Bispos, com a participação do bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Samuel Ferreira de Lima. O curso tem como tema: “Testemunhas e Anunciadores da Esperança fundada em Cristo”. Uma visão do todo da Igreja “Uma experiência muito importante e rica pela dimensão que a gente tem da catolicidade da Igreja”, segundo dom Samuel. O bispo auxiliar de Manaus destaca a diversidade de procedências e de ritos entre os participantes, o que “dá uma visão do todo da Igreja”. O encontro é um momento de “animação em vista de nós percebermos, todos iniciantes nesse ministério”, com bispos que ainda não têm sido ordenados. A programação, que pretende ser uma ajuda para compreender a missão episcopal, iniciou com a introdução ao curso pelo arcebispo de Marselha (França), cardeal Jean-Marc Avelline. Os bispos refletiram, com a assessoria do Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização, Seção para as Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo, dom Rino Fisichella, sobre o “Decálogo da Esperança para um Bispo do Ano Jubilar”, que insistiu na necessidade de ir ao encontro do povo com os olhos de Deus e ao encontro de Deus com os olhos do povo. Igualmente, abordaram os “Desafios da Igreja como Testemunha e Força Construtora de Esperança”, com os aportes do Professor Giuseppe De Rita, Presidente da Fundação “Centro Studi Investimenti Sociali – CENSIS”. Momento de partilha e comunhão Dom Samuel Ferreira de Lima destaca no curso como “momento de partilha, comunhão, de conhecimentos dos outros nossos irmãos, e das dimensões humanas e religiosas que todos nós vivenciamos nesse novo ministério”. Nessa perspectiva, o bispo destaca os momentos de partilha, que ajudam a pôr em comum “as vivências que cada um teve desde a nomeação e nos primeiros messes de atuação e as expectativas”. Ele insiste na profundidade dos momentos orantes, formativos, que “agregam para nosso serviço muitos valores, uma consciência da missão e também essa comunhão de sermos Igreja, uma Igreja universal, uma Igreja sinodal, uma Igreja a serviço dos irmãos”. Durante o encontro os bispos têm momentos de diálogo fraterno e encontros por grupos de idioma, assim como encontros com os responsáveis pelos dicastérios. Entre os temas de reflexão está “A Missão na Igreja como Mensagem de Esperança: Um Testemunho”, com a ajuda do arcebispo de Florença, dom Gherardo Gambelli. Igualmente, aparece no programa a reflexão sobre “Um Caminho de Esperança – O Bispo como Construtor de Pontes Culturais no Mundo de Hoje”, com a assessoria do Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, cardeal José Tolentino de Mendonça. A prefeita e o Pró-Prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Ir. Simona Brambilla e cardeal Angel Fernández Artime, abordarão o tema “Vida Religiosa, Profecia de Esperança”. O Reitor-Mor dos Salesianos, dom Fabio Attard, irá refletir sobre “Educar à Esperança – Jovens em Busca de Sentido e de Pontos de Referência”. Missa Jubilar e Canonização Os participantes do curso celebrarão a Santa Missa Jubilar com a passagem dos Bispos pela Porta Santa e a veneração das relíquias do Apóstolo, presidida pelo Arcipreste da Basílica de São Pedro, cardeal Mauro Gambetti. Igualmente, com a assessoria do Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, refletirão sobre “Os Autênticos Desafios da Sinodalidade”. No domingo 7 de setembro, os bispos poderão participar da Canonização dos Beatos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis. Com a assessoria do Arcebispo Emérito de Viena, cardeal Christoph Schönborn, será apresentado “O Ministério Episcopal como Testemunho e Anúncio da Esperança Fundada em Cristo”. Também faz parte do programa a reflexão sobre “Esperança e Sofrimento – o Fenômeno Migratório”, com os aportes do Subsecretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Fabio Baggio. A sinodalidade nas estruturas diocesanas Os cardeais Sergio da Rocha e Fridolin Ambongo, arcebispos de Salvador de Bahia e de Kinshasa, apresentarão “O Impacto do Caminho Sinodal nas Estruturas, na Vida e na Liderança das Comunidades Diocesanas”. Também será falado sobre o Óbolo de São Pedro, com a assessoria de representantes do Dicastério para a Evangelização, dentre eles o cardeal Luis Antônio Tagle. Os participantes irão receber formação sobre Tutela de Menores, com a assessoria do secretário da comissão, dom Luis Manuel Alí Herrera e dom Filippo Iannone. Junto com isso, o arcebispo de Cagliari e Secretário da Conferência Episcopal Italiana, dom Giuseppe Andrea Salvatore Baturi, abordou “Os Desafios da Administração para o Futuro da Igreja: Corresponsabilidade, Transparência e Solidariedade”. O encontro contará com a presença do Secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, que irá mostrar “O Trabalho da Santa Sé no Mundo Globalizado em favor da Esperança e da Paz”. No dia 11 de setembro, na Sala do Sínodo, os bispos serão recebidos em audiência pelo Papa Leão XIV. Um encontro que marcará o final do curso.

Seminário dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis da Região Metropolitana de Manaus

Aconteceu no dia 03/09 o Seminário dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis da Região Metropolitana de Manaus. O evento foi realizado pela Arquidiocese de Manaus, Ministério Público do Trabalho, Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Associação Madre Tereza e a Rede de Catadores/as de Materiais da Amazônia Legal, participaram catadores dos municípios: Manaus, Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. No evento também participaram o arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, o bispo auxiliar de Manaus, Dom Hudson Riberto, Frei Paulo Xavier da Comissão da Ecologia Integral da arquidiocese de Manaus, Padre Danival Lopes pela Associação Madre Tereza, Dra Alzira Melo Costa Procuradora Chefa do MPT e o Procurador Dra. Rafael Feres e de forma online os representantes da Associação Di Fratelli, além destes apoiadores e militantes das causas ambientais. O evento foi uma oportunidade de diálogo e escuta da Arquidiocese aos catadores de materiais recicláveis e de pensar coletivamente alternativas de melhores a vida e o trabalho dos catadores/as que em sua maioria ainda estão trabalhando nos lixões. O Cardeal Dom Leonardo Steiner enfatizou a preocupação da Arquidiocese quanto ao tratamento e disposição do lixo e a necessidade da escuta dos catadores. Na oportunidade Dom Hudson trouxe uma reflexão do Papa Francisco: “a escuta e a reflexão como essenciais para a boa comunicação, a construção da paz e a superação de preconceitos.” Dra. Alzira Melo ressaltou a preocupação do Ministério Público do Trabalho quanto as ações que de fato incluam e valorizem os catadores/as. Já da parte dos catadores, foi unânime quanto a necessidade de apoio, a valorização do trabalho que fazem e a remuneração justa por este trabalho. A catadora Irineide Lima relatou a importância do apoio da Arquidiocese na luta dos catadores. Ao final foram encaminhados, o apoio que a Arquidiocese ofereceu aos grupos de catadores quanto a regulamentação as licenças; a reinstalação do Fórum de Lixo e Cidadania; a articulação quanto a obtenção de emenda parlamentar para a compra de caminhões para apoiar a logística dos catadores de Novo Airão, Manacapuru e Iranduba na comercialização dos recicláveis; a possibilidade de uma audiência com o setor empresarial que atua na reciclagem, juntamente com o Centro da Industria do Amazonas, a Superintendência da Zona Franca de Manaus e Federação da Industria do Estado do Amazonas. O evento encerrou com a reafirmação do apoio da Arquidiocese de Manaus, Dom Hudson ressaltou o apoio das Cáritas Diocesanas e Prelazias aos catadores, e também do Regional Norte 1 Amazonas e Roraima ao qual Dom Leonardo é o presidente. Marcela Vieira – Apoiadora da Rede de Catadores da Amazônia Legal

Missiologia: “A dimensão da Esperança no Chão da Amazônia”

“A dimensão da Esperança no Chão da Amazônia a partir da Missão da Igreja” foi o tema que norteou o II Simpósio de Missiologia e III Semana Filosófica e Teológica. Um espaço para refletir, partilhar e aprofundar as dinâmicas da missão Evangelizadora. Organizado pela Faculdade Católica do Amazonas, o Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE NORTE 1) e o Seminário Arquidiocesano São José. Responsabilidade missionária O Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte 1, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Leonardo Steiner, esteve presente na segunda noite do evento e interpelou os presentes “E qual é a nossa missão? A missão aquela que Jesus nos confiou. Nós não estamos inventando, nós somos uma herança. Nós recebemos uma herança missionária. E essa minha herança missionária diz no texto de Marcos: ‘Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura!’ (Mc 16,15)”. Em suas palavras “a herança de missão que não é uma herança dada aos bispos, aos padres. Não, é uma herança que todos nós recebemos”, explicou. Esta afirmação faz com que “especialmente agora que o Papa retomou a questão da Sinodalidade, de irmos pensando que todos nós temos uma responsabilidade missionária“. As muitas Amazônias Na primeira noite, Pe. Matheus Marques, pároco Área Missionária São João Paulo II, conduziu a conferência de abertura com a proposta de “Os caminhos da Missão da Igreja na Amazônia: Memória e Esperança”, em sua fala destacou a complexidade desses caminhos, visto que “são muitas as Amazônias” seja do ponto de vista geográfico que se estende para além do território brasileiro, seja pela Amazônia que está no Brasil que também é diversa. Dando seguimento, explicou que os dados apresentados são muito situados. Falam a partir de “uma expressão da Amazônia” que é o Regional Norte 1, a Arquidiocese de Manaus. Marques afirma que existe “uma história em comum, que essas Amazônias, ou que a região amazônica participa”. O recorte feito pelo conferencista, abrange o período da romanização, porque, segundo ele, é possivelmente “um período formador de identidade, ou que quis ser, ou que se propôs ser, formador de uma identidade eclesial” até “uma possibilidade de amazonização da igreja”. As comunidades gestam testemunhos missionários Ir. Carmelita, da Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), expressou que, ao fazer memória de sua história de vida, percebe seu chamado à vocação missionária aconteceu num processo marcado pela “mão de Deus”. Afilhada de missionários ativos na região de Eirunepé, onde ela nasceu, vivenciou uma infância “ligada à igreja, às coisas da igreja, toda essa movimentação de interior” comum das regiões amazônicas. Ao mudar-se com família para Manaus, conheceu os padres e as irmãs Agostinianos que eram “muito dinâmicos”. Nessa perspectiva, o colégio e a proximidade com a Igreja de Santa Rita permitiu que crescesse e fecundasse aquela semente da vocação missionária, explicou. E fez memória de dois nomes, Ir. Cleusa e Frei Laurindo, e da convivência na paróquia, onde descobriu a existência das missões. Em relação aos desafios, abordou a adaptação entre a agitação da comunidade paroquial e a rigidez da educação salesiana. E também de discernir o sonho da vida religiosa em meio as agitações sociais que o país vivia. Além disso,  destacou e a dificuldade em deixar a família e que trabalho desenvolvido no bairro, na morada “aliviou para que pudesse entrar e caminhar” junto à congregação. O diálogo com paradigma missionário Na Querida Amazônia, Papa Francisco apresenta a realidade existente na região “Numa Amazônia plurirreligiosa, os crentes precisam de encontrar espaços para dialogar e atuar juntos pelo bem comum“. Esse cenário aponta para a necessidade de pensar o Ecumenismo e o Diálogo inter-religioso. Dom Hudson, bispo auxiliar de Manaus e Diretor Acadêmico da faculdade, junto ao Prof. Dr. Pe. Ricardo Gonçalves permearam essa realidade por meio da conceituação dos termos e condução feita pela Igreja ao longo dos tempos. “Aprofundar como esta temática, este diálogo, está presente em vários documentos da Igreja, nos ajuda a vivenciar, refletir a vida de Jesus, que também foi uma vida de diálogo com outras realidades, com outros contextos diferentes deste. Então agradecemos e diria que as palavras-chave dessas colocações, muito profundas, que nos ajudam a entender a visão ampla da missão é a palavra diálogo, a palavra paz, a palavra unidade, a palavra diversidade. E tudo isso nos convida a uma abertura a uma compreensão e a uma corrida nesse mundo”, resumiu Ir. Rosana Marchetti, Missionária da Imaculada. O Cardeal Steiner refletiu que “esse modo aguerrido de às vezes combater o Ecumenismo e o diálogo inter-religioso” parece vir daqueles que “não conseguiram perceber o fundo da Fé. Eles acham que eles é que têm fé e não percebem que a Fé que nos têm“. e por esse motivo “talvez não compreendam a grandeza e a profundidade, e por isso não conseguem ver que existem outras possibilidades de uma relação com Deus. Existem outras maneiras de chamar Deus de Pai. Existem outras maneiras de se sentir filho e filha de Deus”, explicou. A dinâmica das cidades e a ação missionária da Amazônia urbana Os painéis temáticos do 2° dia do Simpósio abordaram a “Pastoral Urbana: Sinais de Esperança nas periferias geográficas e existenciais”, ministrado pelo Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária (PUM), Pe. Rafael Lopez, e “As dinâmicas de atuação da Infância e Adolescência Missionária (IAM) na Igreja”, apresentado pela assessora da IAM, Merci Soares. Pe Rafael apresentou que “a pastoral urbana é ação missionária realizada no ambiente urbano em uma ‘Igreja em saída’ com as portas abertas, indo ao encontro das pessoas e realidades”. E também que seus desafios são reflexos do modo como as cidades estão organizadas: a vida acelerada, diversidade cultural, desigualdades sociais, pluralismo religioso, anonimato, violência, exclusão, novas formas de comunicação e modos de viver a fé. A experiência vivida pela IAM também se depara com a realidade da Pastoral Urbana nas periferias geográficas e existenciais. Merci fez memória de que em muitas situações falta aquilo que “não é só material, mas é também material, que é preciso”. Isso porque não…
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Cardeal Steiner: “É melhor escolher o último lugar e ser conduzido ao primeiro”

No 22ºDomingo do Tempo Comum, o arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, iniciou sua homilia afirmando que “o Evangelho parece nos indicar o banquete da gratuidade! No banquete da gratuidade, no amor de Deus, o primeiro se faz o último, o maior o menor, o senhor servo. Vemos o significado do viver banquetear-se na gratuidade, de receber e ofertar. Tudo na liberdade e na liberalidade”. A gratuidade do amor Uma realidade que ele definiu como “uma festa convidando os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos, aqueles que não podem retribuir com uma festa. É a expressão profunda da gratuidade de um conviver festivo, de um banquete da vida, sem cobranças, sem trocas. A gratuidade do amor, a gratuidade de viver. A fé é gratuita, o amor é gratuito”. O arcebispo destacou que “Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares e, por isso, diz que é melhor escolher o último lugar e ser conduzido ao primeiro. Entre nós, na sociedade agressiva e competitiva, o valor da pessoa mede-se pelo ter êxito, triunfar, ser o melhor. É a busca pelos primeiros lugares. É um lutar que recorre a muitos meios: intriga, exibição, defesa feroz do lugar conquistado, humilhação de quem faz sombra ou incomoda. Percebemos que o motivo e estímulo são os títulos, as honras; quem tem valor é quem aparece, mesmo pisando os outros”. Segundo o cardeal Steiner: “Jesus a nos oferecer relações que unem, transformam na graça de convivas, membros da comunidade de fé. Relações que se baseiam no amor desinteressado e gratuito, desviando-nos de ‘critérios comerciais’: interesses, negociatas, intercâmbio de favores. Nessa dinâmica do amor gratuito todos: pobres, humildes, excluídos, desprezados, sem títulos, são participantes e são servidos. Os que vivem sem poder, sem dinheiro, que estão na desvalia da retribuição, dos favores, pertencem à comunidade de amor e de fraternidade e, por isso, tem lugar certo no banquete da gratuidade. Todos são convidados ao primeiro lugar, pois todos convidados especiais. No banquete do convívio amoroso todos recebem o convite: ‘Amigo, vem mais para cima’”. Aproximação com os últimos “Esse convite de aproximação com os que são últimos, nos atrai. Sim, pois a vida às vezes é ingrata, às vezes tropeçamos, às vezes passamos pela separação, mesmo pela morte. Nos tornamos trôpegos, coxos, mudos, surdos. Pode ser que a vida tenha sido dura demais. E o Evangelho a nos dizer da gratuidade do banquete. Somos convidados, não interessa o nosso estado, os nossos títulos, o nosso lugar na sociedade e na Igreja, como estamos a viver. O convite é para todos. O convite para estarmos na cercania de Deus, na sua proximidade. O desejo de Deus é de participarmos do seu banquete”, enfatizou. Citando o texto evangélico: “Porque eles não te podem retribuir”, ele disse que “Jesus a nos ensinar que a gratuidade é dom de Deus: graça, amor gratuito, gracioso. E Deus não nos ama porque merecemos, mas porque não pode não nos amar, pois Ele é Amor. Jesus a nos pedir para amar como Ele ama, isto é, gratuitamente. É uma revolução nas nossas relações: ofertar sem esperar, apenas a alegria de entregar! Aquela gratuidade de nada esperar, sem troca”. A alegria que o coração O cardeal recordou que “talvez nos ajude a conhecida expressão do místico Johannes Schaefler, conhecido como Ângelus Silésius, que expressou de modo muito feliz a gratuidade. ‘A rosa é sem por quê. Ela floresce ao florescer’. A rosa aberta sem por que no orvalho da manhã: a alegria que acolhe o coração do Mortal no frescor e na nascividade da inocência matinal. O Mortal descansa, respira mais livre, se alegra, renasce, porque é acolhido e recolhido no desvelamento da inocência da natureza: no recato e na gratuidade de ser. A rosa não sabe de sua beleza, da admiração que causa, nem mesmo sabe que alguém está ao seu redor, nem mesmo sabe de sua existência. Ele é simplesmente sem por quê. floresce ao florescer”, inspirado nas palavras de Harada. Isso porque, “ali, na cercania do encanto da flor que viceja, apenas encanto, silêncio, admiração. Não emerge a possibilidade de um negócio, de uma troca. Essa admiração da gratuidade do dar-se da rosa orvalhada, desperta o gosto, o sabor da vida, a graça de viver”. “Na quase impossibilidade de dizer da gratuidade como é gratuito o amor de Deus o mítico nos dizia: ‘A rosa é sem por quê. Ela floresce ao florescer’.  A gratuidade não é como algo, alguma coisa, não é um objeto, não é um sentimento, não é uma paga. É um acontecer na bondade da revelação da bondade. Do contrário, seria troca, negócio, negociação. No amor esposo-esposa, amor de vida consagrada, amor de presbítero, há um libertar-se de trocas, satisfação, recompensa. O próprio, o original, fontal é a gratuidade”, disse o presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Uma fonte no cerrado Algo que “é como uma fonte no cerrado em tempo de seca: pequena, mas doadora. Água límpida, fresca, brotando sem parar. Ela está ali, sem saber que é. Ela simplesmente está ali na sua generosidade. Ela continua e incansavelmente, sem porque, sem para quê, sem perguntar, sem saber, oferece a água. Ela é a gratuidade: não troca, não espera, apenas, simplesmente, generosamente, ininterruptamente, entrega água. Ela é sem porque, sem para quê, ela é fonte! Na seca de quatro meses, ela é água brotando, amavelmente: doação; é a gratuidade!”, segundo o arcebispo de Manaus. Nessa perspectiva, ele afirmou que “perdendo a gratuidade da fé as nossas preces, nossas esmolas, nossa caridade podem tornar-se um dar para receber em troca. Então perdemos a liberdade, perdemos a independência, perdemos a autonomia, perdemos a sensibilidade tão gratificante de sermos amados, acolhidos, recolhidos, embalados, por Deus. E perdemos o entusiasmo, o vigor, a força que nos leva a buscar, a sempre transformar a vida e o mundo, como o fez Jesus! Não sonhamos mais! Perdemos o bom humor diante das dificuldades e defeitos pessoais e dos outros, perdemos a disposição de uma…
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Aliança Interinstitucional em vista da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus

O cuidado da casa comum é uma urgência, especialmente na Amazônia. Um chamado que em 2025 está sendo redobrado pela COP30 e pela Campanha da Fraternidade, que teve como tema “Fraternidade e Ecologia Integral”. Na arquidiocese de Manaus, um gesto concreto dessa Campanha foi a despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus. Uma proposta ousada, mas necessária “Uma proposta ousada, mas necessária”, segundo salientou o vice-presidente da Cáritas Arquidiocesana da Manaus, padre Alcimar Araujo, na Abertura do 31º Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 de Manaus, realizada no Parque Municipal do Mindu, na tarde do dia 29 de agosto, onde foi lançada a “Carta Compromisso, Água e Lixo não combinam”. Uma iniciativa interdisciplinar, que quer ser o início de um processo de mudança com a participação de mais de 40 entidades, segundo enfatizou o vice-presidente da Cáritas Manaus. Entre os assinantes da Carta, além do arcebispo de Manaus, cardeal Leonardo Steiner, representantes do poder público, instituições ligadas à defesa do meio ambiente, ONGs, igrejas cristãs, povos indígenas, associações ambientais e partidos políticos. Mais do que uma soma de estrategias Uma iniciativa que “não é só uma soma de estratégias”, segundo o bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, dom Zenildo Lima. Ele enfatizou o que chamou de antropológico, “um dado de relação”, lembrando suas vivências infantis como manauara. O bispo disse que “a história da urbis em Manaus é uma história de relação com os igarapés”, que foram vistos como “empecilho para um projeto arquitetônico urbano”, o que levou a “soterrar, canalizar, fazer sumir os igarapés”. Segundo dom Zenildo Lima, “isso entrou na vida da gente”, que lembrou que ele tomou banho ou seu pai pescou no Igarapé do 40, que atravessava sob uma ponte para ir para a aula. Na aula ele disse ter aprendido que “a água é um líquido sem cor, sem cheiro e sem sabor”, algo que no igarapé do 40 não era bem assim, em um tempo em que o lixo era despejado em qualquer lugar ou queimado no fundo do quintal. Superar a visão negativa do igarapé Uma realidade que fez com que fosse construído “um ethos, sempre criando polos e sempre criando relações, ora equilibradas, ora desequilibradas”, disse o bispo. Ele recordou que “a gente foi aprendendo a ter medo do igarapé, foi aprendendo a interpretar o igarapé como uma realidade negativa.” A partir dessa relação histórica entre os igarapés e a população de Manaus, o bispo auxiliar advertiu sobre a necessidade de tomar cuidado “para não criar novos inimigos”, recordando o lema da campanha “Lixo e igarapé não combinam”, dado que os resíduos devem ser vistos como matéria que pode ser aproveitada. Nessa perspectiva, dom Zenildo Lima se situou como parte “dessa grande massa de manauaras comuns que tem que ser envolvidos neste processo.” Isso porque “se esta fosse uma luta apenas da sociedade organizada, a gente vai atingir alguns intelectos. Mas se tornar uma luta de um povo, a gente vai ter que atingir corações também.” Daí a importância da linguagem nessa iniciativa, disse o bispo, que afirmou que “nós estamos lidando com realidades sagradas”, recordando as palavras de louvação da Criação nos Salmos ou as palavras de São Francisco no Cântico das Criaturas. Uma aliança interinstitucional A Carta pretende “promover uma visão holística do meio ambiente e da justiça social, inspirada na Encíclica Laudato Sí do Papa Francisco”, e se tornar “uma aliança interinstitucional pela despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus”, com objetivos e planos de trabalho coletivos. Parte de uma introdução, que explica o sentido do texto e relata a realidade social e ambiental, especialmente em Manaus, “localizada no coração da maior floresta tropical do mundo”, e quer ser “um documento que busca o compromisso de toda a sociedade juntamente com seus poderes constituídos, para a preservação e recuperação dos igarapés da cidade”. Nessa perspectiva são propostas 11 ações, pedindo promover a educação ambiental; criar a Aliança Global Pela Despoluição e Saneamento dos Igarapés de Manaus; exigir o cumprimento da Lei sobre os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Manaus; reta aplicação de recursos públicos em políticas sociais e ambientais; acompanhar o cumprimento do Plano Municipal de Saneamento Básico; colaborar com a criação de um Programa Integrado de Saneamento e Despoluição de Igarapés construído de forma interinstitucional; políticas urbanas capazes de reduzir gradativamente a poluição dos igarapés; realizar a 1ª Conferência Municipal sobre os Igarapés de Manaus; fortalecer o Fórum das Águas; Projeto de Lei de Iniciativa Popular para aplicação de políticas públicas ambientais; fomentar a participação cidadã e a fiscalização. Um caminho longo, segundo reconhece a Carta, mas que não hesita no total compromisso os assinantes.

Uma profecia cada vez mais escassa e necessária

27 de agosto é uma data marcante na história da Igreja do Brasil. Foi nessa data que faleceram três bispos com grande destaque na vida do povo católico brasileiro: dom Hélder Câmara, em 1999, dom Luciano Mendes de Almeida, em 2006, e dom José Maria Pires, em 2017. Três homens de fé, esperança e caridade Três homens de fé, esperança e caridade, virtudes que sustentaram sua profecia, expressada em suas palavras, mas sobretudo em seu compromisso de vida, em suas causas, em seu compromisso por um Brasil mais justo, menos desigual. Mas também na concretização de uma Igreja mais missionária, mais próxima dos pobres, uma Igreja de todos. Eles acreditaram na Igreja católica como instrumento para ajudar a superar situações sociais que levam as pessoas ao sofrimento, para superar a pobreza, a desigualdade, o racismo, a luta pela terra, a exclusão social, as violações de direitos. Bispos companheiros de caminho do povo, que sabiam ir na frente, no meio ou atrás do povo, dependendo de cada momento e situação. Bispos que não duvidaram em incomodar os poderosos para defender os pequenos. Bispos que ajudaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, a ser uma voz respeitada na sociedade brasileira. Com sua sabedoria, inteligência, capacidade de raciocínio, experiência de Deus, eles se tornaram anunciadores do Reino de Deus. E faziam isso com gestos concretos, onde mostravam às claras aquilo que define o próprio Deus: sua capacidade de amar aos pequenos, aos descartados, àqueles que não tem lugar. Comprometidos com o Concílio Vaticano II Comprometidos com os ensinamentos do Concílio Vaticano II, encontraram em sua doutrina elementos para denunciar tudo aquilo que na sociedade brasileira contradiz o Evangelho. Bispos que chamavam as coisas pelo nome, apostando no cristianismo encarnado, comprometido com a justiça de Deus em defesa daqueles que ninguém defende, que a sociedade condena. Seguindo o Ano Jubilar que estamos vivenciando em 2025 podemos dizer que os três bispos falecidos na mesma data, 27 de agosto, foram peregrinos de esperança. As pessoas encontraram e continuam enxergando sementes de esperança em suas vidas. Seu exemplo tem que nos levar a nos questionarmos como sociedade e como Igreja, ainda mais diante de tantas pessoas que perderam a esperança em nosso tempo atual. Um espelho para o Brasil atual Homens que devem ser um espelho para o Brasil atual, para a Igreja católica que hoje peregrina no país. Somos desafiados a assumir que o Evangelho tem que ser vivenciado fora dos templos, que acreditar em Deus tem que nos levar a um compromisso de vida com as pessoas, especialmente na defesa dos descartados, daqueles que não contam. Bispos que colocaram seu ministério ao serviço de todos, que entenderam que ser bispo é um serviço e um compromisso com um mundo melhor. Falecer no mesmo dia não pode ser visto simplesmente como uma coincidência, mas como um sinal de Deus, que se faz presente nas pessoas. Eles são presença de Deus no meio de nós e sua vida é um chamado a sermos cada vez mais profetas, a não ficar indiferentes com a vida dos outros, especialmente com a vida dos pequenos. Editorial Rádio Rio Mar

Dom Zenildo Lima: CEAMA, “um novo modelo de articulação das forças eclesiais”

De 17 a 20 de agosto de 2025 quase 90 bispos da Pan-amazônia, representando 70 por cento das circunscrições eclesiásticas da região, se reuniram na sede do Conselho Episcopal Latino-americano e Caribenho (CELAM), em Bogotá. O primeiro encontro depois do Sínodo para a Amazônia, realizado em outubro de 2019. Eles foram convocados pela Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), um dos frutos desse sínodo. Uma experiência de encontro O vice-presidente da CEAMA, dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus avalia o momento vivido dizendo que “para alguns de nós foi uma experiência de reencontro, para boa parte foi experiência de um primeiro encontro”, dado que em todos os bispos atuais participaram do Sínodo para a Amazônia. Um encontro que teve como eixos principais a sinodalidade e a Conferência Eclesial da Amazônia como ferramenta para o exercício desta sinodalidade, segundo o bispo. Ele insiste em que “o objetivo muito específico era aproximar as igrejas locais, dioceses, prelazias, os vicariatos apostólicos da nossa Pan-Amazônia, desta realidade que é a Conferência Eclesial da Amazônia”. O vice-presidente da CEAMA destaca o desejo de “alcançar a compreensão e alcançar o coração do episcopado”, uma iniciativa que ele disse ter se alcançado com êxito. Até o ponto de afirmar que “o envolvimento dos bispos foi surpreendente, a adesão dos bispos ao encontro foi muito positiva. E, sobretudo, a gente perceber, a partir de dinâmicas de escuta nos processos de trabalho de grupo, o quanto as igrejas locais da Amazônia têm se esforçado para implementar processos de sinodalidade, seja a partir do Sínodo da Amazônia e seja a partir do recente Sínodo sobre a Sinodalidade”. A sinodalidade está viva Dom Zenildo Lima sublinha que “a sinodalidade está viva, é uma realidade nas nossas igrejas, e perceber que o Sínodo da Amazônia está vivo, é uma realidade nas nossas igrejas também.” Nessa perspectiva, ele destaca que “os bispos apresentaram algumas pautas que consideram muito importantes para que a gente possa enfrentá-las como comunhão do episcopado, mas sobretudo como comunhão das igrejas da Pan-Amazônia, capitaneadas por uma conferência eclesial”. Seu vice-presidente reconhece que “evidentemente ainda teremos que ter cada vez mais lucidez sobre a identidade desta conferência eclesial, sobre a estruturação, a composição desta conferência eclesial, sobre a regulamentação desta conferência e sobre o modo como ela consegue sustentar e apresentar a proposta de caminho de sinodalidade para as nossas igrejas.” Mas em geral, ele afirma que “a avaliação é muito positiva. Acho que alcançamos este objetivo de propor ao episcopado da Pan-Amazônia a proposta, o modelo de uma conferência eclesial como um caminho de desdobramento, seja para o Sínodo da Amazônia, como também para o Sínodo da Sinodalidade”. Os aportes da CEAMA Sobre os aportes da CEAMA, que o Relatório de Síntese da Primeira Sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade reconhece como exemplo de sinodalidade, o bispo mostra sua surpresa dado que no aparece na Fase de Implementação do Sínodo. Isso porque “o Sínodo sobre a Sinodalidade está buscando aquelas conversões das relações, dos processos. dos vínculos e das dinâmicas de formação em torno da sinodalidade”, afirma. Nesse sentido, ele enfatiza que “no que diz respeito a esta conversão dos processos e ao apresentar a conversão dos processos e do modo como nós tomamos as decisões, como nós agimos com transparência em relação à realização destas decisões, a CEAMA se apresenta como uma grande oportunidade de um novo modelo de articulação das forças eclesiais”. Mesmo com os diversos organismos de participação existentes, desde as conferências episcopais até os diversos conselhos de participação, em âmbito das igrejas locais ou mesmo das paróquias ou das comunidades eclesiais, o bispo afirma que “agora pensar um modelo novo que considera novos sujeitos, o que não compromete toda a estrutura hierárquica da Igreja, é uma possibilidade iluminadora.” Nessa perspectiva, a CEAMA aponta que “a nível de Igreja, nossas decisões, nossos processos missionários, nossos processos de consolidação da evangelização, podem ser feitos a partir de diferentes sujeitos, inclusive com tomada de decisões”. Reticências a processos de sinodalidade Diante das reticências e questionamentos com relação à CEAMA e sua estrutura, seu vice-presidente vê isso como “uma reticência ou um questionamento a processos de sinodalidade, uma insegurança diante dos processos de sinodalidade e das mudanças que esses processos implicam na vida da Igreja.” Um receio à sinodalidade que segundo dom Zenildo Lima “pode ter a ver com o receio de perda de poder”, refletindo que “a questão do poder é a questão da anomalia que atrofia a identidade da estrutura hierárquica da Igreja. Ou seja, o que sustenta a estrutura hierárquica da Igreja não é uma concepção de poder. O que sustenta esse dinamismo necessário e hierárquico da Igreja é como ela articula melhor os seus serviços evangelizadores”. Uma realidade que mostra que “uma conferência eclesial acaba sendo uma experiência subsidiária para o Ministério Episcopal, uma experiência subsidiária para o dinamismo hierárquico da Igreja, porque oferece condições de discernimento, que por si só, o dinamismo, a estrutura hierárquica não teria condições de fazê-lo”, enfatiza o bispo. É por isso, que em palavras de dom Zenildo Lima, “a Conferência Eclesial da Amazônia oferece suporte para as conferências episcopais. Assim como a sinodalidade oferece suporte, elementos e ferramentas para a estrutura hierárquica da Igreja”. As igrejas crescem em caminhos de sinodalidade Com relação à mensagem final do encontro, que valoriza “os passos dados na escuta, na articulação das dioceses, na revitalização dos conselhos, no planejamento pastoral, na formação teológica, espiritual, ministerial e pastoral, que busca responder aos sinais dos tempos”, o bispo vê essa mensagem não como perspectivas e ideais, mas como “resultados de partilhas do que as igrejas locais trouxeram.” Ele vê esses elementos compartilhados como prova de que “as igrejas estão crescendo em caminho de sinodalidade, a partir das assembleias diocesanas, dos sínodos diocesanos. As igrejas da Amazônia estão revitalizando esses conselhos de participação, como já são previstos no Código do Direito Canônico, mas que também podem ganhar novos dinamismos com essa perspectiva sinodal”. Um caminho que é fruto do fato de que “as…
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31° Grito dos Excluídos e Excluídas: “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”

O Cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo de Manaus e Presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participou da coletiva de imprensa do 31° Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 que acontecerá no dia 05 de setembro com o tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. O arcebispo reforçou que o Grito quer “refletir, discutir e proclamar o cuidado da Casa Comum e da Democracia, porque sempre tem um fundo, um horizonte que guia essas expressões que é a vida em primeiro lugar” e também que “é um privilégio morarmos aqui, é um privilégio morarmos numa região aonde nós ainda podemos apreciar a natureza no seu nascer.” Imposição de grupos de interesse Mas essa perspectiva se contrapõe já que “vemos e nos preocupamos porque a natureza cada vez mais é destruída e com projetos que estão no Congresso Nacional, nós veremos que a destruição acontecerá ainda mais, especialmente se for aprovada a mineração em Terras Indígenas”, como destacou o cardeal, principalmente pela dificuldade em demarcações das Terras Indígenas. Steiner também questionou se “os deputados e senadores, deputadas e senadoras permitiriam a mineração nas próprias terras, mas como a terra dos outros, como se trata de terras indígenas, então pode” o que situa a democracia em um espaço de “imposição de um determinado grupo de pessoas, com interesse, especialmente as empresas mineradores”. Ele enfatizou que o desejo desse grito é “trazer a vida em primeiro lugar, sempre a vida em primeiro lugar”, destacou que hoje “é possível perceber a nossa visão é mais larga quando falamos da vida” e dessa maneira falamos “da vida humana, da vida da natureza, da vida das nossas relações por isso também falamos da vida democrática” que também “corre perigo” ainda que nossas “instituições tenham funcionado, mas nós temos diversas dificuldades em relação à democracia” Cuidado da Casa Comum é fundamento da dignidade “A vida com seu valor, com a sua dignidade, com seus direitos e a necessidade do cuidado e a casa comum é fundamental para que a vida tenha dignidade, por isso a gente grita” foi o destaque feito por Pe. Alcimar Araújo, Vice-Presidente da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, justamente para que no “processo democrático garantir aquilo que é o direito da natureza, o direito dos povos” e “a democracia nos possibilita isso: manifestar as nossas opiniões, nos organizarmos e com o coletivo, com força organizado podermos pressionar os governos” Ele insistiu que “na democracia se não há participação popular, há controle dos grupos de interesse do congresso” e que “a representação massiva do congresso não é uma representação Popular, mas a representação de grupos organizados do agronegócio, mineradoras, bancos, dos empresários, assim por diante.” Esses mesmos grupos “financiam campanhas para defender os seus direitos e nós muitas vezes como população os elegemos”, explicou. Disse também que “precisamos fazer a nossa parte porque a democracia não é só votar e deixar que eles trabalhem, a gente precisa participar, é preciso caminhar para uma democracia participativa em que a sociedade tenha consciência do seu papel, da sua responsabilidade para com as questões sociais” principalmente “porque uma vez que a gente não cuida daquilo que é o comum, algumas pessoas vão sofrer bastante”. Um Grito sobretudo de Esperança O coordenador de pastoral da Arquidiocese de Manaus, Pe. Geraldo Bendaham, comentou que “se nós gritamos, se tem um grito é porque tem dor, a gente pode gritar de alegria, mas fazer esse grito dos excluídos é por causa da dor, a dor é pessoal, é comunidade, mas é também social, sobretudo a dor é ecológica. O grito é para mostrar a sociedade, para o mundo que estamos muito preocupados, temos que demonstrar a nossa indignação com tudo que tá acontecendo”.  Em sua fala conduziu os presentes a se perguntarem se “está tudo bem com a nossa sociedade? com o nosso mundo?” e respondeu com a negativa “não tá bem, não tá bem economicamente, não tá socialmente, não tá bem ecologicamente” e convidou a “não ficar nesse pessimismo, em catástrofe” e que se faz necessário “manter a esperança, por isso que o grito é também de Esperança, nós temos a esperança no agora, no presente, de que esse grito também nos ajude para que as presente e futuras gerações possam ter um mundo melhor, sem lixo nos igarapés, por exemplo.” Na coletiva foram apresentadas as seguintes datas: no dia 29/08 será o lançamento da campanha “Água e lixo não combinam” em favor da despoluição e saneamento dos igarapés de Manaus, com a participação de 40 entidades públicas e privadas que serão convidadas para assinatura de uma Carta Compromisso, Parque do Mindú, às 15h. E no dia 05/09, às 15h, na rotatória do Novo Aleixo, Alameda Alphaville, e segue em direção ao Parque dos Gigantes.