Av. Epaminondas, 722, Centro, Manaus, AM, Brazil
+55 (92) 3232-1890
cnbbnorte1@gmail.com

Tag: Arquidiocese de Manaus

COMISE Regional Norte 1 encerra Experiência Missionária em Roraima

A 13ª Experiência Missionária do Regional Norte 1 reuniu cerca de 84 participantes em Roraima, entre os dias 10 e 19 de outubro. A programação incluiu visitas a famílias e pessoas enfermas, encontros com jovens e casais e atividades em projetos sociais. Organizada pela Comissão Missionária de Seminaristas (Comise), em parceria com as Pontifícias Obras Missionárias (POM), a experiência reuniu seminaristas, padres, religiosas, leigos e leigas para conhecer a realidade pastoral da Igreja em Roraima. A experiência teve como tema “Seminaristas em Cristo, unidos na missão”, em referência ao Mês Missionário de 2026, que tem como tema “Um em Cristo, unidos na missão” e como lema bíblico “Para que o mundo creia” (Jo 17,21). Visitas às comunidades de Boa Vista Na Área Missionária Santa Rosa de Lima, o seminarista Natan Oliveira, do terceiro ano de Teologia da Arquidiocese de Manaus, visitou famílias e conheceu o trabalho do Poço da Samaritana, projeto social que atende mais de 100 famílias em situação de vulnerabilidade. Durante as visitas, ele também observou a participação de migrantes venezuelanos e de pessoas de outros estados nas comunidades e nos movimentos pastorais. O padre Marciney Marques, formador do Seminário São José, em Manaus, destacou a importância da vivência nas comunidades para a formação pastoral dos seminaristas. “A gente entende que missão não é somente fazendo encontros, mas a vivência. A gente sempre diz que a missão é vida”, afirmou. Durante uma das visitas, o padre conheceu uma ministra da Eucaristia que se recuperava de uma cirurgia e permanecia em oração pelos missionários, mesmo afastada temporariamente das atividades pastorais. Vivência nas comunidades indígenas Na região do Baixo Cotingo, o seminarista Leonan Barros, da Diocese do Alto Solimões e coordenador do Conselho Missionário de Seminaristas do Regional Norte 1, conheceu comunidades indígenas e acompanhou aspectos da realidade local, como a preservação da língua e da cultura. “Eu falava na nossa reflexão como grupo que não dá para chegar com o roteiro pronto. É preciso colocar o pé no chão do povo, estar juntos e, a partir da sua realidade, fazer uma caminhada sinodal”, disse. Na comunidade Maturuca, o seminarista Gilson Ribeiro, indígena do povo Tukano, participou de encontros com jovens indígenas. “Eu estive na comunidade Maturuca fazendo essa experiência belíssima que a missão nos oferece, onde encontramos vários jovens que nos acolheram, compartilharam as suas experiências, a sua vivência, a sua cultura, e principalmente a dança e a fala que eles praticam, que nos ensinaram muito o que é ser missionário em uma área indígena”, contou. A 13ª Experiência Missionária do Regional Norte 1 foi encerrada nesta segunda-feira, 19 de outubro. Reportagem: Kayla Silva – Rádio Monte Roraima.

Pastoral da Saúde realiza 1° Congresso Regional

Mais de 80 agentes de pastoral do Regional Norte 1 participaram do 1º Congresso Regional da Pastoral da Saúde, refletindo sobre a presença samaritana na Amazônia. Guiados pelo tema: “Samaritanos e samaritanas no cuidado com a vida” e o lema “Viu e sentiu compaixão” (Lc 10,33), o encontro estreitou os laços de comunhão e fraternidade para a aprofundar a missão do cuidado. O Congresso aconteceu nos dias 17 e 18 de outubro, no Auditório Mãe Paula, em Manaus. A programação do primeiro dia contou com a presença do bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, Dom Joaquim Hudson Ribeiro. Em sua palestra, o bispo abordou a necessidade de curar as feridas visíveis e invisíveis que atravessam a existência humana pela perspectiva da Psicologia. Outra temática pertinente ao serviço da Pastoral da Saúde é o acolhimento ao luto. O Ir. Enzo Hernan, do Instituto Camiliano de Pastoral da Saúde (ICAPS), trabalhou formas concretas de promover cuidado e esperança por meio do acolhimento da dor, a compreensão do luto e a oferta da presença junto a pessoas enlutadas. Oferecer o cuidado O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), presidiu a missa de encerramento (18). Em sua reflexão, o arcebispo destacou que nós somos criados a imagem e semelhança de Deus. Por isso, oferecemos aos que mais necessitam o cuidado. O arcebispo enfatizou que no processo político em que vivemos há o perigo de misturar política e religião. Por isso é importante dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Isto não significa nos abstermos, mas sim fazer nossas escolhas pautadas nos ensinamentos do Evangelho. Isto implica reconhecer, cobrar e lutar pela ampliação da saúde no Interior, por exemplo. Isto porque cotidianamente muitos de nossos irmãos e irmãs precisam percorrer longas distâncias para chegar até à capital. O acesso a saúde pública esbarra nas peculiaridades territoriais da Amazônia. Sem esquecermos realidade precária do saneamento básico de muitos municípios. Para a Ir. Roselei Bertoldo, Secretária Executiva do Regional, o congresso foi uma oportunidade de compreender a integralidade da pessoa humana que perpassa pela dimensão política. Em sua fala, Ir. Rose apontou a importância de cuidar da saúde por dois aspectos: o pessoal, individual e o social e coletivo, consequentemente político. Nas palavras da secretária, “pensar em saúde, é pensar em políticas públicas” como saneamento básico e alimentação saudável. Nessa perspectiva, o agente de pastoral da saúde deve integrar a vida como um todo, pensar a saúde para todos, mas com um olhar especial para os mais empobrecidos. Dimensões A coordenadora regional da Pastoral da Saúde, Guadalupe Peres, enfatizou que o primeiro congresso colaborou no aprofundamento da ação libertadora de Cristo presente no mundo na área da saúde, em três dimensões: solidária, comunitária e sociotransformadora. Na primeira dimensão se trabalha a vivência e presença samaritana junto aos doentes e sofredores em instituições de saúde, nas famílias e comunidades. Esse acompanhamento inclui portadores do vírus HIV e de enfermidades crônico degenerativas e endêmicas, neoplasias, portadores de deficiência, tóxico-dependentes, alcoolizados, vítimas da exclusão social e das inúmeras formas de violência, saúde mental, tabagismo, entre outras. Nessas realidades complexas busca-se atender a pessoa integralmente, nas dimensões física, psíquica, social e espiritual. A segunda dimensão aborda a educação para a saúde. A atuação dos agentes concentra-se na promoção, prevenção e educação para a saúde, valoriza as diversidades regionais. A pastoral se encarrega de promover debates, palestras, encontros educativos sobre prevenção de doenças, alimentação adequada, saneamento básico e higiene. Quanto a atuação na dimensão sociotrasnformadora, os agentes se aproximam dos órgãos e instituições públicas e privadas que prestam serviços e formam profissionais na área de saúde. A presença da pastoral nessa esfera busca garantir que haja reflexão Bioética e de Humanização, formação ética e uma política de saúde acessível e responsável, participando ainda das instâncias colegiadas do Controle Social na Saúde Pública. Ressonâncias Durante o momento de partilha, os participantes destacaram a importância do silêncio como opção diante da incapacidade de transmitir uma mensagem com palavras. O silêncio torna-se uma atitude dinâmica de cuidado. Outro destaque, foi quanto a importância de cuidar de si para poder cuidar do próximo. A postura do agente de pastoral da saúde passa pelo acolhimento nas dificuldades. Os congressistas recordaram as palavras de Dom Joaquim Hudson, onde reforçava a necessidade de não ignorar as queixas do outro, como no luto presente em vários aspectos da vida humana. Além disso, apontaram as três dimensões da própria pastoral como caminho para compreender a integralidade da pessoa humana que passa pela esfera individual e coletiva.

Cardeal Steiner: receber de Deus todos os bens

No 29° Domingo do Tempo Comum o Evangelho apresenta Jesus diante uma armadilha dos Fariseus: se deve pagar o imposto a César, o imperador romano, ou não. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, esclareceu que se Jesus apoiasse o pagamento do tributo, seria acusado de colaborar com os romanos. No entanto, se contrário ao pagamento de imposto, seria acusado de revolucionário, inimigo do Império Romano. “Jesus, no entanto, apresenta a questão do senhorio de Deus. Ele supera a simples discussão acerca do pagamento ou não do imposto e apela para o reconhecimento de Deus de quem se recebe todos os bens. Jesus não afirma que o homem deve repartir equitativamente as suas obrigações entre o poder público e o poder religioso, mas evidencia a pertença a Deus e a entrega de toda a existência nas mãos de Deus”, esclareceu o cardeal. Libertar da dominação O arcebispo enfatizou que César é sinal da retirada de liberdade do povo. Ele representa a dominação e subjugação aos costumes romanos, com “outros templos, outros altares, ofertas e oferendas a deuses”. Por isso, devolver a César o que é negociado com a moeda dele. Nas palavras do cardeal, “Tudo o que fazeis com o modo de César, dai-lhe em tributo. Se aceitais o jugo de César, dai a ele o que é devido”. No entanto, se de Deus recebemos a liberdade, conduzidos e alimentados pelo deserto, a Deus oferecemos o que é de Deus. Nós fomos constituídos como povo de Deus, filhos e filhas de Deus. “Não haviam recebido os mandamentos, os comandamentos e ser feito povo de Deus? Não tinham atravessado o Mar Vermelho e o Jordão a pé enxuto? o que tinha o povo que não tivesse recebido do desvelamento matricial de Deus? Até a conquista de Jerusalém haviam recebido de Deus. Então, dai a Deus o que é de Deus”, refletiu o Dom Leonardo. Chamados por Deus Em sua reflexão o cardeal recordava a beleza de sermos chamados por Deus expressa por Isaías: chamei-te pelo nome. Esse chamamento feito por Deus nos configura como pertencentes “a povo que vive na liberdade de filhas e filhos de Deus”. Essa dinâmica estabelece uma relação individual de Deus com cada um de nós onde Ele é a primazia. “Ele nos toma pela mão, abre as portas, destranca os portões, concede a força, o vigor para as lides da vida. Somos todos chamados para a liberdade. Somos chamados para a irmandade. Fazemos parte da fraternidade em Jesus Cristo. O Evangelho há nos ensinar que Deus é a preferência fundamental e está sempre em primeiro lugar”, explicou o cardeal.  A partir dessa relação com Deus somos convidados a “assumirmos as responsabilidades na construção de mundo justo, fraterno e livre”. Por isso, não podemos viver “à margem da realidade social do país” e como “seguidores e seguidoras de Jesus, colaboramos na busca de mundo mais livre e libertado”. O cardeal Steiner sublinhou que devemos buscar “leis que ofereçam dignidade a todos”. Leis e obrigações  Além de respeitar as leis e cumprir com nossas obrigações tributárias, sem sucumbir aos “esquemas de corrupção”, não aceitar a dominação e a perda da liberdade. Na vivência do Evangelho, o cardeal enfatizou que construímos um mundo melhor e “uma sociedade mais harmônica, fraterna, solidária”. E hoje, em tempo de eleições, questionarmo-nos que sociedade queremos e se não estamos “substituindo Deus por outros deuses”. “O dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional, a ascensão social, o poder político, o poder sobre os outros. Esses deuses tomam o lugar de Deus e passam a dirigir e a condicionar a vida de tantas pessoas, às vezes também de nós mesmos. Essa troca, essa moeda traz escravidão, alienação, frustração, sentimentos de solidão, sentimento de orfandade. Perdemos Deus. E vamos percebendo que necessitamos de muito mais para sairmos da dependência. Então, demos a Deus o que é de Deus”, destacou o arcebispo. Política e religião Dom Leonardo refletiu que o ensinamento de Jesus apresenta a distinção entre a esfera política e religiosa, e a nossa missão de seguidores e seguidoras de Jesus na política. Nas palavras do cardeal, “não fazemos da religião motivo político, mas como pessoas religiosas participamos ativamente da vida política”. Sendo cidadãos ou Executivo, Legislativo e Judiciário, pagamos os impostos e devemos observar as leis justas do Estado, como a Constituição, sem esquecermos o primado de Deus. “Ao mesmo tempo, é necessário afirmar a primazia de Deus na nossa vida, na história pessoal, na história da nossa sociedade, na história do nosso país. A missão da igreja, a nossa missão como cristãos, é anunciar o reino de Deus, a presença de Deus e dar testemunho do reino de Deus junto aos homens e às mulheres com quem nós convivemos. Cada de nós pelo batismo e pela crisma é chamado a ser presença viva de fraternidade, de justiça, de perdão na sociedade”. Imagem e semelhança Santo Agostinho oferece uma leitura sobre esse Evangelho, que como César aparece na moeda, nós somos a imagem e semelhança a Deus. No entanto, pelo pecado essa imagem é corrompida e somente reestabelecida ao renascermos pelo batismo. No pensamento de Agostinho, César exige sua imagem na moeda, e Deus quer de nós “a alma iluminada e assinalada pela luz da face de Deus, pelo bem e pela bondade”. “Da pergunta dos fariseus, Jesus extrai uma interrogação mais radical e vital para cada de nós: o que podemos fazer a nós mesmos? A quem pertenço? Pertence a quem? A César ou a Deus? A família, a sociedade, os amigos, a escola, o trabalho, a política, o estado, sim, pertencemos a todos, mas primeiro pertencemos a Deus. Sim, sem dúvida, mas antes de tudo, nós pertencemos a Deus. Esta é a pertença mais fundamental e real” esclareceu o cardeal. Por isso, “animados pela força do Evangelho e pela força do Espírito Santo”, nossa missão é “construirmos a civilização do amor onde reina a justiça, a fraternidade e a bondade”. De maneira a “vivermos a dignidade e oferecermos dignidade a todos”…
Leia mais

Cardeal Steiner na festa da Padroeira: Jesus pede para encher as talhas

Encher as talhas e servir. Este é um dos ensinamentos do Evangelho na Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida (12), destacou o cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus. Durante sua homilia no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, enfatizou que a nossa vida é sempre uma oferta de amor para o outro. Este é o horizonte vivido por Nossa Senhora que está atenta na cotidianidade. No dia em que a Igreja celebra a Padroeira do Brasil, o Evangelho aponta Nossa Senhora na cotidianidade das pessoas. Sua presença no meio do povo é sempre de atenção e por isso é capaz de nos dizer: fazei tudo aquilo que Ele vos disser. Depois da orientação de Maria, Jesus diz manda encher as talhas, isto é, “a nossa vida, queridos irmãos, não pode ser uma vida vazia”. “Jesus pede para encher a talha, irmos à fonte e voltarmos, ir à fonte que é Ele, à fonte do Evangelho, à fonte que é Deus, e irmos devagarinho com o passar dos dias, das semanas, dos anos, sermos pessoas completas, maduras. E achamos que terminou ali o ensinamento de Jesus. Mas ele diz mais. Não diz apenas para sermos pessoas maduras, completas, realizadas. Agora, servir”, sublinhou o cardeal. Servir nos completa O texto do Evangelho da Solenidade da Padroeira demostra como Maria fez a opção pelo serviço como completude de vida. De maneira que o anjo a saúda como “Cheia de graça, cheia, completa, repleta de graça, o Senhor é contigo”. Maria reforça que nossa vida se completa no serviço, como a nossa vida oferecida para os outros. É no serviço, na ajuda e no amor aos outros que nos tornamos pessoas completas. “O amor que nós recebemos é para os outros. Vejam em casa, no casamento. Vejam a relação filhos e pais, é para o outro. Nunca para nós. E quando nós pensamos em nós, é que não dá certo. O casamento é um desastre. A família se desfaz. Fica difícil viver na comunidade. Por quê? Porque a plenitude da vida que Jesus nos oferece com a sua morte e ressurreição é para os outros. É que o amor é sempre para os outros. O amor que é amor não é para mim, é sempre para ti”, explicou o arcebispo. Enchei as talhas Jesus nos diz para enchermos as talhas e “nós procuramos na continuidade com as nossas fraquezas, com os nossos pecados, sermos pessoas realizadas, pessoas de fé, pessoas que realmente vivem o Evangelho em plenitude” refletiu o cardeal. Um convite a não ter “medo de falar de Jesus e do Evangelho” na sociedade. E ao falarmos do Evangelho para os outros, e não para nós “nos tornamos cada vez melhores e cada vez mais mulheres e homens de fé”. Libertação para o povo E na primeira leitura, a rainha Ester se coloca diante do rei pedindo a libertação do seu povo que vivia no exílio. Assim como Ester não pensa nela, e pede pela vida de seu povo, Nossa Senhora se coloca diante de Jesus, diante do Pai, do Espírito Santo e pede vida para cada um de nós. “Vida para o meu povo, vida para as minhas filhas, vida para os meus filhos. Liberdade para os meus filhos, liberdade para as minhas filhas. Liberdade para ajudar, liberdade para servir, liberdade para erguer, liberdade para perdoar. Essa liberdade que Nossa Senhora pede para todos nós”, afirmou o cardeal. Socorrer a Terra Ao meditar a leitura do livro do Apocalipse (Ap 12,1.5.13a.15-16a) em que a Mulher é socorrida pela terra, o cardeal recordou que a cidade de Manaus está envolta pela fumaça. A presença da fumaça é um sinal de que “a terra que está pedindo socorro”. E por isso devemos lembrar de nossa responsabilidade “para que a terra sempre possa vir em nosso socorro e não trazer a morte, mas a vida”. “E nós não nos importamos. Continuamos a tocar fogo. Incendiamos as nossas florestas. E a terra não poderá vir em nosso socorro. Quando lembramos a Nossa Senhora, lembramos o texto do Apocalipse, a terra sempre veio em socorro da humanidade. Não pôde vir em socorro quando destruída. Quando endinheirada, quando feita negócio”, explicou o cardeal. Afinal da celebração os fiéis percorreram às ruas do Centro da cidade e retornaram ao santuário. Após a procissão, o cardeal concedeu a bênção com a imagem de Nossa Senhora Aparecida e pediu que todos rezemos pela saúde do Santo Padre, o Papa Leão XIV, que passará por uma intervenção cirúrgica. Na festa da Padroeira e rainha do Brasil, ofereçamos nossas orações por nosso pontífice e por todo Brasil! Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

Cardeal Steiner: vestidos com as vestes do amor para o banquete do Senhor

No 28º Domingo do Tempo Comum a liturgia nos coloca diante do convite para o banquete do Reino da Vida em comunhão com a Trindade Santa. O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus, nos recordava a necessidade de estarmos vestidos com as vestes do amor para o banquete do Senhor. Na mesa preparada, todos e todas os convidados recordam “relação nova: nova vida, novo início, novo horizonte”. “Recorda a fecundidade, a prodigalidade, a partilha; abrem-nos para a geração, a filiação, o cuidado; expressam a grandeza da maternidade, da paternidade. As núpcias, os esponsais, visibilizam o que há de mais próprio e único em cada pessoa humana: o amor. As núpcias, os esponsais, como nos lembra a Sagrada Escritura, falam, dizem, expressam, cantam a beleza, a nobreza, a singeleza, a cordialidade, da relação entre a mulher e o homem, a relação de Deus com cada um de seus filhos e filhas. Deus, o eterno amante em busca de suas amadas, de seus amados”, sublinhou o cardeal. Convivas do amor O arcebispo refletiu que “Deus convida insistentemente a cada pessoa à participação de seu Reino, de sua vida, da sua fecundidade, de seu amor, da sua herança”. Seu convite busca “os que à primeira olhada não eram dignos, pois viviam nas encruzilhadas, nos descaminhos”. E quando os convidados rejeitam o convite “para as núpcias, mas também rejeitaram a possibilidade de uma participação maior e mais intensa da vida de quem convidou, envia seus servos “pelos caminhos e encruzilhadas em busca de quem pudesse ser conviva do amor. E que estava tudo preparado e preparado com tanto esmero”. “A festa das núpcias sempre está pronta. Mesmo que os convidados tenham esquecido, que eles sejam indignos, a festa está preparada. Mesmo que não tenha vindo ninguém e todos se neguem a vir, ela continua preparada. É impossível que não esteja preparada, pois o Amor eterno sempre envia mensageiros para convidar a todas as pessoas às núpcias. Ele está sempre à espera e à procura!”, destacou o arcebispo. Na insistência de uma oferenda de amor gratuidade e liberdade “sai pelos caminhos pessoais, pelas encruzilhadas da vida na busca dos trôpegos, dos surdos e cegos de amor; dos desvalidos, desvestidos de justiça, dos famintos de dignidade”. Essa busca nos aponta que Deus é “desejoso de encontro, de proximidade, de intimidade, de comunidade”. No caminho “busca de bons e maus; busca a todos, oferece a todos o banquete da vida, do amor!”, é o desejo de Deus para “que a casa, o Reino do amor ficasse repleto e que, assim, participássemos todos como pessoas livres, como filhos e filhas de sua bondade, magnanimidade, cordialidade, gratuidade; de seu amor!”. O amor nos faz participantes O texto nos apresenta uma última afirmação: “Com efeito, muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”. A cena do Evangelho nos mostrava o incômodo do rei com aquele sem as vestes para o casamento. “Não havia ele insistido com seus servos para que saíssem pelas encruzilhadas e pelos caminhos, convidar a todos que encontrassem? Não só, convidaram bons e maus, isto é, a todos!”, questionou o cardeal. O arcebispo recordou o comentário de São Gregório para refletir essa passagem: “Que gênero de pessoas são aquelas que vêm sem o hábito nupcial? Em que consiste este hábito e como se pode adquiri-lo? (…) Aqueles que foram chamados e vêm, de alguma maneira têm fé. É a fé que lhes abre a porta; mas falta-lhes o hábito nupcial do amor.” Desvestidos das vestes sagradas do amor! Sim, a fé abre todos a porta, mas é o amor que reveste a participação do banquete amoroso. Não são os tecidos, os panos, mas a vestimenta, o amor vestido que possibilita a participação”. Nas palavras de Dom Leonardo “As vestes que trazemos, e que nos dão dignidade, e nos deixam participar do banquete da vida são as nossas obras de misericórdia”. É como São Tiago em sua carta nos diz: “A fé se não se traduz em ações, por si só está morta” (Tg 2,17). Por isso nos damos de comer aos famintos, vestimos os nus, damos de beber aos sedentos, visitamos aos doentes e encarcerados e damos guarida aos perambulam sem destinação. “E ficamos a pensar que em tantas fomes, em tanta nudez, em tantas sedes, em tantos doentes no corpo e no espírito, tantas prisões e amarras, em tantos desabrigados e desajustados sem casa. A fé que nos abre os olhos, mas é o amor estende as mãos, concede agilidade aos nossos pés. Tomados por um amor sem limites como a do Crucificado, vamos sendo revestidos, como Cristo na transfiguração. É ele que é participação, é ele que é comunhão, é ele que nos dá o prazer de estar no banquete das núpcias do Cordeiro, pois no seu amor lavados, de seu amor revestidos”, insistiu o cardeal. Desistiram do amor A nossa participação no banquete do amor “nos anima no cuidado dos que desistiram do amor”. Ainda que todos sejam chamados, nem todos participam, mas Deus nos oferece a participação. Como apresenta São Paulo aos filipenses dizendo: “Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me dá força” (Fl 4,12-13). Descobrimos que tudo podemos naquele que nos conforta. “Tudo podemos, tudo compreendemos, tudo percebemos, tudo recebemos, tudo aceitamos, tudo fazemos, tudo construímos n’Aquele que nos dá força! Tudo nele, nada sem Ele. Ele, amados irmãos e irmãs, que nos oferece a participação do banquete do amor. Pois o Amor é a Palavra feita carne e habita entre nós. E sem Ela, nada se fez; sem ela nada se faz… Ela ilumina e dá vida a toda pessoa que vem a este mundo (cf. Jo 1,1-14)”, explicou o cardeal.

Cardeal Steiner: Jesus nos convida a participar do Reino de Deus

No 26º Domingo do Tempo Comum o Evangelho apresenta o convite de Jesus a estabelecermos uma relação de fidelidade, proximidade e participação no Reino de Deus. O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, explicou que a primeira leitura (Ez 18,25-28) ajuda a compreendermos o que Jesus nos conta com a parábola do convite do pai ao trabalho na vinha (Mt 21,28-32). No texto, o profeta Ezequiel aponta que afastar-se do mal e praticar o bem preserva a vida. “O profeta busca acordar os israelitas exilados na Babilônia para a vida extraordinária de serem um povo escolhido, o povo de Deus. Os exilados são convidados a permanecer na fidelidade, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. O verdadeiro israelita é levado à fonte da palavra, a palavra da aliança. Tenha vida, proximidade e viva na justiça”, explicou o cardeal. Já na parábola, Jesus retoma a necessidade de estabelecer uma relação de participação com o Reino. Diante do convite do pai para ir trabalhar na vinha surgem duas respostas aparentemente contraditórias: “Não, eu não vou, mas vai. Sim, pai, mas não vai”. O arcebispo esclareceu que essa dinâmica de respostas deseja superar a ideia de religião pautada apenas em prática exterior, habitual e ritual, para uma atitude que recai sobre a vida e estabeleça uma “relação profunda com Deus”. “O primeiro filho se nega, mas vai a trabalho. O segundo afirma que vai, mas não vai para a vinha. Jesus ensina que podemos dizer sim, mas acabamos não trabalhando na vinha do Senhor. Não deixamos que Deus trabalhe em nós. Pode ser que digamos não, mas com o passar do tempo nos aproximamos e aceitamos o convite de Deus”, esclareceu o arcebispo. Animar e esperar Comentando a parábola do Evangelho, o cardeal Steiner recordou-nos os ensinamentos de Papa Francisco de como “Deus é paciente com cada um de nós”. Mesmo diante do nosso não, Deus permanece ao nosso lado para nos animar e esperar. Essa espera de Deus “nos deixa livres de nos distanciarmos dele e até cometermos erros”, porque “Ele respeita a nossa liberdade, mas continua a nos convidar”. “Ele aguarda com confiança o nosso sim para nos acolher novamente nos seus braços paternos maternos e nos cobrir com sua misericórdia que não tem limites. A fé em Deus pede que renovemos todos os dias, renovemos todos os dias a escolha do bem em vez do mal. A escolha da verdade em vez da mentira. A escolha do amor ao próximo em vez do egoísmo”. Convite do Pai  Escolher o amor é convite do Pai direcionado a cada um de nós. As palavras do cardeal sublinham que “aqueles que se convertem a essa escolha, depois de ter experimentado o pecado, encontrarão os primeiros lugares no reino dos céus”. Ele reforçou é um convite, “nada de ordem, nada de comando, nada de obrigação”. Isto porque é um convite cheio de ternura e beleza onde o pai “falou não ao rosto como um homem, mas ao coração como Deus, penetrando até a inteligência por meio dos sentidos”. “Queridos irmãos e irmãs, é o hoje. É sempre um hoje, não um ontem, não um amanhã. É sempre hoje, pois hoje é o meu existir, é o meu viver, é a minha vida. É o meu conviver, é viver em Deus hoje. Santo Agostinho nos diz que Deus é sempre um hoje porque é amor. Mas esse hoje, num texto antigo se diz, isto é, durante toda a vida porque a vida é sempre um hoje. Uma vida inteira, toda a vida no hoje, ir para a vinha do Senhor, participar da vida de Deus”, enfatizou o cardeal Steiner. Despertar a fé A proposta do texto evangélico nos insere na perspectiva da fé como um “um longo caminho que passa também, às vezes, pelo esquecimento”. Mesmo que a cotidianidade nos conduza a indiferença, “de repente acordamos e vamos: é o despertar da fé”. Mesmo que tenhamos aprendido a experimentar a presença de Deus, no “movimento de contínuo sair e deixar-se embeber pela beleza do Evangelho, às vezes também se manifesta na nossa vida como não vou”.  “Esquece, adormece, no entanto, pela presença de Deus acordamos e vamos. É um processo extraordinário que nos plenifica, é um processo de conversão que nos atrai. São às vezes aquelas percepções no nosso dia a dia que não precisamos de Deus. Os sentimentos de que podemos viver a partir de nós mesmos e não precisamos da graça da vinha do Senhor. Uma espécie de achar que podemos viver de nós mesmos e aí nos distanciamos do amor de Deus, mas Deus na sua insistência continua nos acordar e então dizemos sim e vamos”, insistiu o cardeal. Corrigir vontades Dom Leonardo evocou Santo Agostinho para indicar a necessidade de corrigir nossas vontades e alinhá-las com a vontade de Deus. “É quando dizemos não, mas nos convertemos, nos plenificamos e dizemos eu vou”, disse o arcebispo. Essa realidade ir e não ir nos aponta para “uma mudança de vida, de preparação, de conversão, de atenção para estar junto da benevolência de Deus manifestada em Cristo Jesus”, como também em João Batista. E mesmo na recusa, à escuta do convite de Jesus, não consegue rejeitar a graça e diz, eu vou, Senhor, vem”. Essa realidade toca os pecadores, cobradores de impostos. Os cobradores de impostos e as prostitutas serão predecessores no reino de Deus, porque “pareciam não escutar, mas escutaram a Jesus”. O cardeal exemplificou com as figuras de“Zaqueu, nós temos Mateus, nós temos o publicano que sobe ao templo e pede misericórdia”. “Esses homens que eram pecadores, eram como que prostitutas do Estado e ouvindo a palavra de Jesus se convertem, aceitam e aceitam fazer parte do mistério do povo de Deus. Ir e servir no reino de Deus, caríssimos irmãos e irmãs, é aceitar Jesus, viver com Jesus, seguir a Jesus. Estamos quase na dinâmica cotidiana de não vou, mas sempre de novo nos sentimos atraídos e atraídas e vamos”, disse o arcebispo. O caminho  O caminho para corresponder ao…
Leia mais

Nota Pública: em defesa da vida diante das queimadas, da fumaça e do calor extremo em Manaus

O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) assinou uma Nota Pública em defesa da vida diante das queimadas, da fumaça e do calor extremo que afetam as populações amazônicas. A nota foi apresentada na manhã do dia 25 de setembro, durante a reunião do Clero da Arquidiocese de Manaus, no Centro de Formação Maromba, em Manaus (AM). A capital amazonense e a região metropolitana têm sofrido com esse cenário. Por isso, a Igreja em Manaus solicita às autoridades públicas o fortalecimento de ações de prevenção, fiscalização e combate às queimadas e incêndios florestais em todo estado do Amazonas. Comissão de Ecologia Integral A presença dos membros da Comissão de Ecologia Integral da Arquidiocese de Manaus reafirmou o compromisso coletivo no cuidado da casa comum. Nessa perspectiva, cada cristão, comunidade e sociedade somos convidados a refletir a responsabilidade pelo cuidado da Criação, especialmente aqueles que tem seu cotidiano afetado pela péssima qualidade do ar, as altas temperaturas e a baixa umidade.  Nosso Regional Norte 1 reafirma seu compromisso com anúncio do Evangelho, a defesa da Dignidade Humana e cuidado da Casa Comum. Confira a nota:

Bispos do Regional Norte 1 conclamam os fiéis brasileiros para voto consciente nas eleições de 2026

Os bispos do Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1), Amazonas e Roraima, conclamam os fiéis e todas os brasileiros de boa vontade para voto consciente nas eleições de 2026. Essa atitude é o cumprimento do papel educativo da Igreja Católica na contribuição para a formação da consciência cidadã. A transformação que desejamos começa com as escolhas que fazemos no agora. O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é o caminho pelo qual nossas escolhas devem ser tomadas. Para a promoção da verdade, o Evangelho quer que assumamos o cuidado aos mais vulnerabilizados e empobrecidos, a construção da paz, da justiça, do perdão e da reconciliação, a defesa e promoção dos pequeninos, e o cuidado com a Casa Comum. Dignidade Humana O cardeal Leonardo Steiner, Arcebispo Metropolitano de Manaus e presidente do Regional Norte 1, nos recorda que na “Carta encíclica Laudato Sí, publicada em 2015, Papa Francisco defende que o cuidado com o meio ambiente é inseparável da justiça social, da dignidade humana e da vida em sociedade. A ecologia integral demonstra que tudo está interligado na Casa Comum: a crise ambiental não está isolada; ela se conecta diretamente à economia, à cultura, aos estilos de vida e à forma como tratamos os seres”. E por isso, o arcebispo afirma que “a ecologia não está associada somente a derrubada de florestas, a extinção de animais e a poluição do ar, mas também às múltiplas consequências do modelo econômico que levou o planeta ao estado atual de degradação social e ambiental”. Analisar a verdade É necessário que não nos deixemos seduzir pela indisposição a analisar a verdade a partir das evidências. A crise climática em Manaus, por exemplo, com a recorrência de secas históricas, a fumaça de queimadas e incêndios florestais que alteram o cotidiano das cidades, e também de nossas populações tradicionais e indígenas. E não esqueçamos da degradação de nossos igarapés, transformados em esgotos a céu aberto e ausência de uma coleta seletiva que incentive a destinação correta dos materiais recicláveis. Considerar a realidade brasileira e regional em conjunto com as propostas oferecidas por cada candidato são instrumentos para a escolha consciente.  Nossa escolha por mulheres e homens, que estejam dispostos a cuidar do bem comum do meio ambiente no Executivo e no Legislativo, do Estado brasileiro e nos estados da federação é fundamental, especialmente para nós que habitamos a Amazônia. Eleger para o legislativo e o executivo mulheres e homens dispostos a eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento para garantir o respeito do meio ambiente. As eleições são expressão da democracia e a reafirmam. Democracia que se manifesta através do voto de cada cidadão, de cada cidadã. Ela expressa pela participação a responsabilidade pelo cuidado para com o Brasil e o estado do Amazonas. Eleger pessoas, mulheres e homens, que governem olhando para o bem de toda a sociedade, de todas as comunidades. Nesse sentido: As eleições sejam uma celebração de cidadania para o bem de todos!

Cardeal Steiner: convidados a buscar Deus que nos busca e deseja nos encontrar

No 25º Domingo do Tempo Comum o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus refletiu que na primeira leitura (Is 55,6-9) somos convidados a buscar a Deus. Já no Evangelho (Mt 20,1-16), é Deus que nos busca e deseja encontrar. Segundo o cardeal, Deus “se aproxima de modo compassivo”, pois diferente da nossa compreensão, o modo de Deus é “dar a todos o mesmo”. A afirmação: “Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti” confirma esse horizonte. Deus não desiste de nos buscar e oferecer “a todos o mesmo: tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence”. “Deus chama a todos para participar do seu Reino; oferece a todos a mesma retribuição: participação de sua bondade, de seu amor. Deus está continuamente saindo, está em busca. Incansavelmente busca a cada pessoa para participar do seu Reino. Que ninguém fique fora de seu amor materno-paterno”, afirmou o cardeal. Reino O arcebispo enfatizou que o Reino dos Céus é feito de serviço, participação e pertencimento. Esse Reino inaugura um novo modo de viver, de conviver, uma antecipação da vida em plenitude. Retomando as palavras do Evangelho, destacou que o vinhateiro “saiu de madrugada, às nove, ao meio-dia, às três da tarde, às cinco da tarde” para chamar todos para o serviço no Reino. Um chamado que revela um Deus sempre em saída e que nos procura a todo momento sem descanso para que “ninguém seja excluído do seu desígnio de amor (cf. Papa Francisco, Angelus, 20/09/2020). “A insistência da parábola em dizer madrugada, às nove, às doze, às quinze e às cinco, quando o sol já está poente, nos faz perceber o quanto somos buscados por Deus. O dia todo, o dia inteiro sai ao encontro de pessoas e oferece o dom, a graça, a benevolência de uma vida cheia razões e realizações: a vida do Reino. A prata oferecida, é a preciosidade da vida que recebe quem aceita o convite, aceita participar, ser receptivo à graça de sua benevolência. Deus que nos busca e nos chama”, ressaltou o cardeal. Em suma, Deus deseja a participação de todos no Reino. Por isso, o cardeal sublinhou que “Jesus não fala do trabalho nem do salário justo, mas da vida do Reino de Deus e da bondade do Pai celeste que continuamente sai para convidar a participar do serviço do Reino de Deus”, oferecendo tudo a todos. Deus revela sua abundância sem olhar “para o tempo, os resultados, mas para a disponibilidade, olha para a generosidade com a qual nos colocamos ao seu serviço”. É desse modo que sua ação “vai além da justiça e manifesta-se na graça“. “Tudo é graça. A nossa salvação é graça. A nossa santidade é graça. Ao conceder-nos a graça, Ele nos dá mais do que merecemos.  E assim, quem raciocina com lógica humana, isto é, a de mérito adquirido com a própria habilidade, de primeiro torna-se último. […] O convite para servir no Reino de Deus é para todos: não há excluídos, indignos, descartados, pecadores ou justos, bons e maus. Para Deus há filhas, filhos a quem ele ama, a quem oferece a salvação e a quem convida para trabalhar na sua vinha. A única coisa realmente decisiva é que aceitemos participar do mistério do seu amor”, afirmou o arcebispo. Oferecer a Palavra Além disso, a segunda leitura “nos oferece com extraordinária beleza aceitar servir na vinha do Senhor”. Quando escreve a carta aos Filipenses, Paulo está preso esperando o julgamento e não sabe se sairá da prisão vivo ou morto. Contudo, o “que é importa para ele é o que dá sentido ao seu viver ou morrer: Cristo”. O pagamento de Paulo é participar na vida de Cristo e do seu reino onde todos estão a servir. Com a morte e ressurreição de Jesus todos tempos a salvação concedida na gratuidade, sem merecimento. O arcebispo retomou as palavras de Papa Francisco no Angelus de 20/09/2020 que nos diz: As nossas comunidades são chamadas a sair para oferecer a todos a palavra de salvação que Jesus veio trazer. É uma questão de abertura a horizontes de vida que ofereçam esperança àqueles que estão estacionados nas periferias existenciais e ainda não experimentaram, ou perderam, a força e a luz do encontro com Cristo. A Igreja deve ser como Deus: sempre em saída; e quando a Igreja não está em saída, adoece com os tantos males que temos na Igreja. E por que há estas doenças na Igreja? Porque não está em saída. É verdade que quando saímos há o perigo de um acidente. Mas é melhor uma Igreja acidentada, por sair, por anunciar o Evangelho, do que uma Igreja que está doente por fechamento. Deus sai sempre, porque é Pai, porque ama. A Igreja deve fazer o mesmo: sempre em saída. “Na graça do reino vive-se da bondade de Deus. Ali não existe comparação de paga, de pagamento; ali tudo é apenas graça de participação, serviço de bondade e redenção; “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,1-16). Ali, somos um reino eterno e universal”, finalizou o cardeal. Oração Senhor que não cessas de nos chamar para o serviço no vosso Reino, abre os nossos ouvidos para escutar o vosso insistente convite. Com o apóstolo Paulo confessamos que sois nossa vida, a nossa alegria e a nossa vida eterna. Vosso Espírito nos guie na vida nova do Reino e a nossa vida seja um convite para viver e servir e amar. Grande é o Senhor e digno de louvor, insondável em sua grandeza. O Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas. O Senhor e justo em todos os seus caminhos e perfeito em todas as suas obras. O Senhor está perto de quantos o invocam, de quantos o invocam em verdade. Louvemos e bendigamos o Senhor de toda a bondade, todos os dias. Amém.

53º Assembleia Regional Norte 1: uma caminhada construída pela esperança

O segundo dia (15) da 53ª Assembleia Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB Norte 1) reconheceu a dinâmica de esperança da caminhada sinodal que brota de cada uma de nossas Igrejas Locais. A comunhão, a participação e a missão reforçam a necessidade de promover os sinais da esperança que não decepciona diante dos desafios do tempo presente. Pela manhã, a análise de conjuntura destacou uma normalização da violência cotidiana e a dominância do pensamento individualista, pautado na competitividade e não na vida comunitária. Para o Professor Marcelo Seráfico, vivemos um tempo de perplexidade e desorientação. Nas formas de avaliação de indicadores sociais prevalece a perspectiva numérica, e não uma avaliação da qualidade de vida das pessoas. No horizonte eclesial, Dom Joaquim Hudson Ribeiro, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, destacou que vivemos uma transformação no cenário religioso onde cada menos as pessoas se identificam com uma pertença institucional religiosa. Não é um desaparecimento da religião, mas uma nova opção de vivenciar a fé, marcada pelo individualismo. Essa compreensão desvela a comunidade como um desafio, mas também como caminho para superação desse cenário. Opções pastorais Esse contexto deve conduzir nossas opções pastorais por uma Evangelização que alcance as periferias existenciais. Por isso, é preciso reforçar os aspectos comunitários e de comunhão e assim garantirmos um caminho que olha para as nossas partilhas pastorais, mas também para toda a realidade na qual estamos inseridos. É conforme a vontade do Espírito, que assumiremos as posturas sinodais que mexem com as estruturas. Durante a tarde, a Arquidiocese, as Dioceses e Prelazias partilharam suas principais ações evangelizadoras. Caminhos percorridos desde o Encontro dos Bispos em Santarém (1972), pautados pela encarnação e pela libertação, que nos ajudaram solidificar o caminho missionário em todo nosso regional. Os testemunhos de ampliação das experiências dos processos participativos. No processo formativo e de construção de vínculos comunitários, as Igrejas destacaram a importância dos subsídios produzidos para todos do Regional. Como a Novena de natal, os círculos bíblicos para o mês da bíblia e Campanhas da Fraternidade. Além disso, o destacaram a presença da vida religiosa como fundamental para evangelização na Amazônia. Assembleias regionais: caminho de sinodalidade A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é uma conferência episcopal com estatuto e regimento que regulamentam suas atividades, como a Assembleia Anual.  Os bispos são membros natos, mas a assembleia apresenta algumas participações ou presenças. Com a extensão territorial do Brasil, a CNBB se divide em 19 regionais. Os bispos dos regionais formam os Conselhos Episcopais Regionais. Os conselhos regionais seguem a mesma dinâmica de Estatuto e Regimento Nacional. A partir disso, podemos compreender que as Assembleia dos Regionais da CNBB são Assembleias dos Conselhos Episcopais Regionais, portanto, a Assembleia dos Bispos do Regional. Nessas assembleias, os bispos se encontram, para as deliberações que são próprias do episcopado, segundo o estatuto da conferência para aquele regional, sempre relacionado com a conferência nacional. Nos nossos regionais do norte, essas assembleias contam com a participações com outras presenças, dos cristãos leigos e leigas, das religiosas. O nosso Regional Norte 1 é profundamente marcado e atento a essa dinâmica. Participação Nas Assembleias do Norte 1, respeitamos a questão estatutária e regimental. Elas mantêm-se como Assembleias do Episcopado, mas salvaguardamos a nossa caminhada sinodal que envolve a participação de outros sujeitos. Isto é, são um encontro episcopal do episcopado do regional, mas também é um momento em que as igrejas se reúnem. Segundo o regimento, somente os bispos podem votar nas questões específicas de competência do episcopado. No entanto, nosso regimento acolhe as iniciativas e articulações pastorais que não são assuntos reservados de competência exclusiva do episcopado. Então, os bispos, os cristãos leigos e leigas, presbíteros e diáconos, a vida religiosa, são presenças nessa Assembleia com o direito de participação e com o direito de voto, naquilo que diz respeito à caminhada pastoral. “Aquilo que a competência específica do Episcopado, as decisões são tomadas no que nós chamamos de reuniões reservadas, de modo que quando a gente faz esse encontro regional em setembro, nós temos tanto esse momento do Episcopado, do Conselho Episcopal Norte I, o Conselho Episcopal Regional, como também da vitalidade das igrejas locais”, explicou Dom Zenildo Lima. No caminho encontrado pelo nosso regional, salvaguardamos as duas dinâmicas, respeitamos a questão regimental e estatutária, reservamos aquilo que é específico de deliberação do episcopado para o episcopado e compartilhamos as experiências pastorais nesse caminho de sinodalidade.